Por Benjamin José*
Seguinte é este.
Na última quarta-feira, estive no Estádio Negopolitano de Pituaçu (sem rima, hereges pervertidos), cujo campo é um misto de espaço para a prática de futebol e de beach soccer, para ajudar a conter um possível confronto entre os 4.055 torcedores do Vitória e o motorista do ônibus do Feirense, que aproveitou a viagem e foi torcer pelo couver do River Plate/Seleção da Holanda, totalizando um púbico de 4.056 heróis. Sim, heróis, porque só com super poderes para aguentar os maus tratos dados à bola pelos bandos que corriam no campo (sic).
Felizmente, as torcidas rivais estavam em paz (4.055 x 1) e deu para apreciar a pelada vencida pelo Leão por um placar que já diz o que foi o jogo: 1 x 0 com gol de zagueiro. Para minha surpresa, quando Ricardo Silva finalmente percebeu que o Vitória estava com um a menos, já que Bida entrou em campo, mas não jogou, e processou a devida substituição ouvi aplausos da torcida. Então, veio a grande dúvida: será que os aplausos eram para o treinador, que finalmente percebeu que Bida nada jogava, ou para o sonolento jogador que saia de campo ? Foi quando inacreditavelmente ouvi algumas viúvas gritarem: Bidane, Bidane!!! Então saquei da cachola uma palavra da salvação proferida por Nélson Rodrigues, que, além de tarado e escritor de pornochanchada, entendia alguma coisa do riscado: “A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem”.
Ora, essa frase se adéqua perfeitamente ao caso, isso porque o menino Bida, que foi enganado quando lhe disseram que era atacante, ainda no inferno da terceirona, foi corrigido por Mauro Fernandes (que Deus o tenha) e passou a jogar de volante e fez até uma partidas maizomenos, até que resolveram apelidá-lo de Bidane e o rapaz passou a desfilar em campo, sendo, desse modo, corrompido pelos seus admiradores.
Mas, pernas de pau à parte, vale lembrar que entre os torcedores que compareceram para assistir ao baba pude distinguir a figura ímpar de Sêo Françuel, que, vestido com sua indefectível camisa retrô, seu esvoaçante penteado de Sônia Braga, um vidro de Cepacol numa mão e uma cerveja na outra, ajudava Ricardo Silva a orientar o time. Perguntei então ao locutor das multidões se a cerveja não cortaria o efeito do Cepacol e ele então me respondeu que o melhor acontecimento do ano da graça de 2010 até aqui foi da juíza Dra. Lígia Maria Ramos Cunha Lima, merecedora do Prêmio Nobel do bom senso, que concedeu uma liminar liberando a bebida alcoólica nos estádios porque com o (baixo) nível das partidas do “Valerão/2010”, “de cara” não dá para agüentar.
“Só aumentando o teor de canjebrina”, disse, dirigindo-se novamente ao bar.
Palavras da salvação !!! Ô Grória !!!
Saudações Leoninas !!!
* Benjamin José é puliça e rubro-negro.
A propósito, na última quarta-feira, ele não estava com o manto sagrado, mas sim com a farda. E, como num quero conta com os homens da lei, quando o referido me abordou no estádio, além da cerveja, eu estava com um produto não permitido pela Carta Magna – e avisei logo: “Se o senhor achou é esta bagana, doutor, é sua. A gente não vai brigar por causa de uma besteira desta”.
