Tá pensando que tudo é futebol ?

janeiro 27, 2012

Havia prometido que não gastaria minhas vastas emoções e pensamentos imperfeitos para falar sobre as presepadas de Uellinton. E assim o farei. Achava, e ainda acho, que merece apenas o silêncio. No entanto, ao ler o belo desabafo da menina Teresa Ribeiro, resolvi compartilar com vocês o que segue abaixo. Recomendo que apreciem a importante reflexão ouvindo “Vagabundo não é fácil”, dos Novos Baianos.  Boa leitura.

Por Teresa Ribeiro.

“Sempre defendi os jogadores do meu time, principalmente os da base e jamais vaiarei um atleta rubro-negro. Nem mesmo Uelliton! Acho que, na maioria das polêmicas entre jogadores e torcida, a última é culpada, pois ‘pensa’ primeiro com o coração e só depois, com o cérebro.

Desde que manifestei MINHA OPINIÃO  sobre o “caso Uelliton, várias pessoas me questionaram sobre a validade de um atleta querer sair de clube.

Tudo bem. Não consigo unanimidade nem na minha casa, com meus filhos. Aliás, deveria haver uma lei que não permitisse aos filhos discordar dos pais. Como a minha vida seria mais fácil! Porém, muito mais tediosa…

Voltando ao assunto, o meu problema com Uelliton é que, por mais que procure, não consigo achar uma justificativa para suas palavras. Só deve satisfação a quem lhe paga?????? E quem é que, no final da cadeia financeira, lhe paga????

Os argumentos usados por ele, para querer sair do clube, são patéticos.

Primeiro – A perseguição da torcida. Isso me lembra a polêmica do ovo e da galinha: o que veio primeiro? A perseguição ou o comportamento irregular? Então, devemos achar bom que um jogador só jogue quando tem vontade? Não podemos criticá-lo para não ferir sua sensibilidade? Como dizem por aí, se não aguenta brincar, não desça para o play. É bom lembrar ao rapaz que nem Ronaldinho Gaúcho está imune a críticas e vaias quando seu comportamento extracampo prejudica o time nos jogos.

Respeito a opinião dos que acham que o importante é ele jogar bem e fazer gol. Desculpem, mas não concordo. Aturar no meu time um jogador que despreza a torcida é, guardadas as devidas proporções, como votar num político corrupto porque ele “rouba, mas faz”.

O segundo argumento é, para mim, pior que o primeiro. Desejar sair do clube dando a desculpa de que já está aqui há 9 anos é um primor de cinismo. Parece que ele nos fez um enorme favor em ficar ‘todo esse tempo’ aqui.

De acordo com Uelliton, o jogador tem prazo de validade num clube. O tempo é o que importa e não a satisfação, o desejo de tornar-se parte da história de um clube.

De acordo com Uelliton, Ceni e Marcos são dois idiotas que dedicaram sua vida profissional a só um clube. E o que dizer de Maldini, Del Piero e Ryan Giggs?

E quanto a Messi que, contrariando a teoria uellitoniana, afirmou que pretende jogar no Barça a vida toda e só sairá quando o time não o quiser mais?

Alguns podem pensar: Ah! Mas esses caras ganham um absurdo de dinheiro…

Mas, será que, nos 25 anos que Maldini passou no Milan, não apareceu nenhuma proposta milionária?

E nos 25 anos que Giggs tem no United? E nos 19 anos que Del Piero tem na Juventus?

Será que Nilton Santos jogou a vida toda no Botafogo por falta de opção?

Alguém duvida de que se Messi quisesse, realmente, sair do Barça, o sheik do City já não teria oferecido milhões de petrolibras?

Um atleta tem o direito de querer sair de um clube? Claro que sim!

Juninho Pernambucano saiu do Vasco – sem menosprezar time e torcida – e hoje está de volta, com a intenção de encerrar a carreira no time que o tem como ídolo. O que eu questiono é a maneira de sair. E, no Vitória, já está virando tradição o jogador sair ‘de mal’ com a torcida.

Como disse antes, muitas vezes a culpa é da torcida. Será que não temos – torcida e diretoria – capacidade de fazer com que nossos melhores jogadores fiquem aqui? Ou que, quando saírem, demonstrem vontade de voltar e não retornem quase que por obrigação?

Pelo andar da carruagem, os meninos da base já devem estar comprando malas novas.

Quem será o próximo a cair fora?”

Nossa aldeia e o universo da bola

janeiro 26, 2012

Muitos poderão dizer, não sem razão, que o campeonato baiano é muito malamanhado e num serve de parâmetro pra porra de nada. E mais. Poderão, ainda, acrescentar que a qualidade dos times é tão disgramada que, não à toa, os competidores do interior, raramente, passam de fase nas terceironas e quarta divisões da vida.

No entanto, em verdade vos digo: faz-se necessário ir além deste óbvio ululante (alô, Nelson Rodrigues). A questão não é tão simplória assim. Há outras facetas. Inclusive, o inverso pode ser também verdadeiro. E para ampliar o debate, saco do coldre o menino Liev Tolstoi que já cantou a pedra há tempo, quando largou as seguintes palavras que salvam e libertam: Se quer ser universal, cante/pinte sua aldeia.

É isso. O melhor caminho para conquistas nacionais e internacionais, é mantermos e ampliarmos nossa hegemonia aqui. É ela, a hegemonia, que nos dará força e auto-estima, aumento de torcida e outras mumunhas para que possamos enfrentar obstáculos maiores.

Bom. Encerro agora estes prolegômenos literário-filósoficos porque a moça do shortinho gerasmba está aqui, impaciente, dizendo que num tá entendendo zorra de nada e quer saber é de bola na rede.

Então, vamos à arraia miúda do cotidiano do ludopédio.

Seguinte.

Ontem à noite, contra o Conquista, finalmente o Vitória estreou (alô, Saulo Daniel) no Valerão/2012. Não que tenha feito uma exibição de gala. Longe disso. Porém, já apresentou um futebol com certa consistência, levando-se em consideração, é óbvio, o (baixo) nível do Baianão.

Aliás, um parênteses. Ontem, novamente, Neto brocou três vezes e já é o artilheiro do campeonato e etc e coisa e tals. No entanto, a verdade é uma só: para se tornar um centroavante mediano, ele ainda tem que melhorar muito.

E aos que acham que estou sendo exigente, lembro o exemplo recente de Rodrigão. Na ocasião em que ele estava  balançando as redes sem parar aqui, os apressados sairam às ruas, em procisssão, colocando-o acima de Senhor do Bonfim. Pois bem. Chegou a competição nacional e ele se acabou. Alguns disseram que foi Hortência que fez macumba ou chá de calçola. Pouco importa. O fato é que um centroavante já trintando que nunca brilhou (caso de Rodrigão e Neto) não podem ser avaliado por torneios regionais. São limitados. Torço, sem muita fé, para que Neto melhore e nos ajude na volta à elite

Parênteses fechado, volto à análise do jogo. Ao contrário do que pensa a maioria, acho que Cerezzo acertou na escalação de Michel. Afinal, o técnico está na labuta cotidiana e já  deve ter percebido que nossa zaga, especialmente pela fragilidade de Dankler, não inspira confiança. Por isso, é preciso reforçar a zona do agrião. Mesmo assim, se não fosse a ruindade daquele tal de Pantera, a casa teria fedido a homem.

Por falar em homem, o menino Mineiro começa a se soltar e jogar como gente grande. Está seguindo direitinho o ensinamento do mestre cambuizinho. Qual seja: Está subindo e descendo igual ao Elevador Lacerda e abrindo e fechando igual a  tesoura. Uma beleza.

Ah, sim. Voltando à filosofia de budega, devo destacar que uma outra função importante do Baianão é testar os valores da base para que a garotada possa pegar cancha e ser utilizada quando existir necessidade. Este processo é fundamental para que não façamos como no ano passado, quando jogamos Arthur Maia na fogueira das vaidades, dando-lhe o epiteto (recebam, hereges) de salvador da pátria.  Aliás, temos que acabar com esta cultura de salvador da pátria. Não precisamos deles, mas sim de um trabalho planejado. Se fizermos isso, com o orçamento que temos, estaremos na primeirona no ano que vem tranquilamente e lá nos manteremos.

Que mais? Opa. Lembrei. Seguinte. Vou encerrar a resenha agora, pois tenho que ir ali comprar um grande estoque de cepacol já que domingo a madeira vai gemer sem dó nem piedade no fraco time do Itabuna e num sei se minha garganta vai aguentar.

Fui, mas volto, com gosto de querosene e cepacol.

P.S E Lúcio Flavio, hein? Precisa, urgentemente, tomar um ligante do almirante, um cravinho com roupinol, qualquer porra desta para ver se fica ligado.

Voltando com gosto de querosene

janeiro 23, 2012

Como não quero nem vou concorrer ao prêmio Belfort Duarte, faço igualmente aos zagueiros de antanho (alô, Xaxa!) e entro logo de sola. Afinal, num estou aqui para amassar barro pra faraó. Assim, sem medo de errar, profetizo logo: Neste último domingo, o Vitória estreou em seu Santuário contra a equipe mais desqualificada deste Valerão/2012.

PUTAQUEPARIU A RUINDADE!!!

Aquela agremiação de Juazeiro é tão ordinária que me lembrou o Estrela de Março nos seus piores momentos. Para que você que não foram tenham uma idéia, eles chegaram ao Estádio sem médico, com súmula rabiscada com caneta bic e um goleiro que…rapaz, que disgrama é aquela? No baba na praia de Amaralina, aquilo não tem condições de ficar nem na reserva, que é pra num dar azar.

Portanto, os 6×1 no velho placar, digo datashow do Barradão, ainda saiu barato. E nem venham com esta conversa mole de que ainda estamos em início de temporada, pegando ritmo e outros salamaleques hodiernos. Nécaras e nada. Tem é que brocar. E ponto.

E mais. Este negócio de ficar tergiversando é pra sardinha. Aliás, a time favorita da imprensa calhorda (desculpe a redundância) está usando esta desculpa esfarrapada de arrumação na pré-terporada. Mas, é como bem disse um filósofo ontem na saída do Barradas. “Elas ficam se penteando, passando blush, batom e dizem que ainda estão se arrumando. Do jeito que vai, o campeonato acaba e elas num tem tempo nem de vestir a calcinha”.

Touché!!!

Mas, deixa aquela injúrias no lugar que merecem, o anonimato, e vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

Seguinte é este.

Nem tudo foi ruína na tarde deste domingo. Existiu também esboço de construção. Em relação ao ano passado, por exemplo, quando estreamos perdendo em Casa para o fraco Colo-Colo, que acabou rebaixado, houve um avanço considerável. É óbvio que não estou falando apenas dos três pontos, não. O fato a ser destacado é que, pela primeira vez nos últimos anos, o Vitória abdicou da estratégia de puxador de carros, isto é: parou de fazer ligação direta.

Outro ponto positivo foi a atuação de Arthur Maia. O domingo ficará marcado como sua primeira partida no profissional em que demonstrou personalidade e qualidade – e não apenas máscara. Talvez entregá-lo a camisa 8 tenha ajudado. Gabriel demostrou que é hoje nosso único-melhor zagueiro. (Já havia cantado a pedra para um amigo que Victor Ramos não retornaria). Outro da base que não comprometeu foi Dimas, na lateral direita (ala é a puta que o pariu). Ainda assim, naquele setor, prefiro o menino Romário. Já Dankler, jogou um futebol tão enrolado quanto seu nome. Por falar em nomes e rimas, Mineiro foi meeiro.

Dos antigos, destaque negativo para Rildo, que precisa tomar dois cascudos urgentes pra ver se para logo com aqueles desnecessários chiliques. Já Neto, como direi?, continua o mesmo. E não preciso falar mais nada para que todos compreendam. Basta informar que, apesar dos três gols, ele deveria ser processado por depredação do patrimônio, pois arrancou metade da grama do Estádio ao bater o pênalti mais esdrúxulo da história do Barradas.

Que mais?

Saci, apesar de ter uma perna só (e isto não é trocadilho) mostrou que sabe, ao menos, bater na criança. Vira o jogo com precisão. Lúcio Flávio fez um golaço, mas continua com uma preguiça de fazer inveja a Bida. Quanto a Uelliton, encaixa-se com perfeição no axioma romariano. Qual seja: calado é um poeta.

E, por falar em silêncio, foi exatamente o que Uelliton mereceu de minha parte – até porque gols não depuram caráter. E respeito é bom – e o torcedor que se respeita gosta.

Fui, mas voltarei, com gosto de querosene. E sem comer agá de seu ninguém, pois não sou Dona Otília, de Cafarnaum, que escrevia Otel com Ó.

O MSMV NAS ONDAS DO RÁDIO

dezembro 1, 2011

Atenção, meu povo legal, meu povo jóia. …Epa. Para, motô.

Repetindo.

Atenção, rebain de hereges, neste dia 1º e dezembro, mais conhecido como HOJE,  este intimorato locutor estará proferindo algumas prosopopéias na Rádio Tudo FM, 102.5.

Na ocasião, serão tratados temas fundamentais para o desenvolvimento do Brasil e do Esporte Clube Vitória (o que dá no mesmo).

Portanto, daqui a  pouco, mais exatamente a partir das 13h, cancelem todos os compromissos e sintonizem na referida emissora para escutar esta voz rouca e rascante difundindo as palavras que salvam e libertam.

De nada.

A mudança está em nossas mãos

novembro 29, 2011

Se você veio aqui atrás de choro, reclamações e ranger de dentes, favor voltar outro dia. Aqui, nesta tribuna, não há espaços para as estéreis indignações de fila de banco. É fato que não há como não ficar indignado com a situação de nosso Clube. Porém, em verdade, vos digo: ficar apenas no lamento não vai adiantar zorra de nada. Portanto, vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

Antes de tudo e de mais nada, temos que pensar o que cada um de nós pode fazer para transformar a realidade do Vitória. De nada adianta ficarmos protestando confortavelmente atrás de um teclado, apontando culpados ou, pior ainda, dizendo que fulano ou sicrano ou beltrano não está fazendo sua parte. Neste momento dramático do Brasil e do nosso time (o que dá no mesmo), aquele surrado clichê dito pelo menino Kennedy está mais atual do que nunca. Ouçam. “Não pergunte o que Vitória pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer para mudar o Vitória.” (Bom. Se aquele americano sacana – desculpe a redundância – não disse isto, pensou em algo parecido).

Esta é a questão central: o que podemos e devemos fazer para transformar o atual estágio de coisas no Rubro-negro? Que a situação é deplorável, que os atuais (e também os antigos) dirigentes trataram nossa paixão com descaso, já estamos exaustos de saber. A hora, portanto, é de agir.

O Movimento Somos Mais Vitória – um dos mais fortes e organizados movimentos de sócios torcedores do pais e ao qual tenho um orgulho da zorra de fazer parte – propõe o caminho do fortalecimento da instituição através da democratização, profissionalismo, transparência e respeito ao torcedor. No entanto, para que estes princípios não se tornem apenas palavras ao vento, ou chavões sem maiores conseqüências, é preciso que todos nós entendamos que o futuro do Clube está em nossas mãos. Assim, temos que analisar, debater e ver as formas de transformar nosso desejo em realidade.

Neste primeiro ano, nós, do MSMV,  desenvolvemos uma série de ações, tanto no plano teórico quanto prático. Logo de cara, fizemos um duro protesto sobre a condução das últimas eleições; em seguida realizamos uma vitoriosa campanha de filiação ao SMV para fortalecer o Clube; depois, mesmo sem acesso à papelada, apresentamos um detalhado estudo das contas do Clube e mostramos as falhas para a diretoria. Além disso, erguemos faixas de protesto em diversos jogos, realizamos panfletagens para disseminar na torcida nossos princípios; divulgamos nota com repercussão nacional sobre a questão dos direitos de transmissão que prejudica os clubes que não são do eixo; construímos um novo site pra facilitar a comunicação com os integrantes do MSMV, entre diversas outras ações.

É óbvio que, nesta ainda breve caminhada, já cometemos erros e nem sempre atuamos do melhor modo que a situação exigia, porém um fato é inquestionável: nunca nos omitimos.

Agora, entendemos que chegou o momento de darmos um passo adiante com a aprovação do NOSSO ESTATUTO, que nos dará personalidade jurídica, e proporcionará uma ação ainda mais efetiva para que possamos transformar nosso Clube.

Então, todos aqueles que compartilham destas idéias e ideais estão convidados a comparecer no Salvador Trade Center, na Avenida Tancredo Neves, neste dia 8 de dezembro, a partir das 8h, para que, juntos, continuemos a fazer história.

Afinal, está em nossas mãos a construção de um Movimento cada vez mais forte que tenha condições efetivas de mudar os rumos no Esporte ClubeVitória.

O que nos resta na caixa*

novembro 26, 2011

Eu já ensinei aqui, mas repito: Convição é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e já estamos do outro lado da rua defendendo a tese que há pouco tempo abominávamos. Porém, nem pensem que não é sadio. Ao contrário. Afinal, como já disse outro Francis (o Bacon): “Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar”.

Pois bem.

Durante muitos séculos, sempre associei o otimismo à alienação. Havia, inclusive, uma frase do personagem principal de A Bricadeira, um dos poucos bons livros de Milan KJundera, que eu gostava muito de citar. “O otimismo é o ópio do gênero humano”.

E eu falava e repetia esta sentença com um misto de arrogãncia e  superioridade, pois os pessismistas têm esta mania horrível de achar que são mais inteligentes só pelo fato de serem assim.

O tempo passou, voou, a poupança bamerindus se fudeu toda e eu abondonei esta postura cômoda e covarde. Sim, cômoda e covarde, porque é sempre fácil apostar no erro, na tragédia e depois ficar sentado na cadeira de balanço apontando o dedo: “Eu não falei?”.

E quem me fez mudar de idéia, por mais contraditório que possa parecer, foi o poeta Ferreira Gullar, alguém que hoje não nutro a mínima simpatia – até porque o mesmo é um defensor ferrenho de José Sarney, uma espécie de ACM do Maranhão.

Porém, há pouco mais de 10 anos, o referido intelectual me fez mudar de idéia  quando  deu uma entrevista no Roda Viva e  largou as seguintes prosopópeias.

“ Eu costumo dizer que a coisa mais fácil do mundo é ser pessimista. O cara vai ficar velho, brochar e morrer, de modo que tem que ser pessimista [risos]. Então, ser otimista diante desta situação [é] que é difícil. Então, eu acho… porque a minha visão é que o mundo é feito por nós. O homem é uma invenção dele, se ele for pessimista, ele entrega os pontos. Porque não tem quem faça, é ele quem ter que fazer, não pode ser pessimista, tem que encarar a realidade e ir em frente. O pessimismo só desarma o cara, entendeu? Não conduz a nada”.

Pois muito bem.

Exatamente agora, faltando pouco mais de 10 minutos para começar as pelejas decisivas para o destino do Rubro-Negro, eu me lembrei disso e decidi postar aqui rapidamente para não ser acusado de engenheiro de obras prontas ou profeta do acontecido.

Vocês podem debochar de mim, fazer cara de desprezo, mas eu lhes asseguro: Vou agora para a frente da TV com a certeza de que é possível.

Amém.

* Depois explico os porquês do título. Agora não dá porque a bola já vai rolar.

O avesso do avesso

novembro 6, 2011

O Norte/Nordeste de Amaralina e uma banda do Vale das Pedrinhas sabem, até porque ja ensinei aqui, que a imprevisibilidade é uma marca indelével na história do Esporte Clube Vitória. Porém, neste ano da graça de 2001, o Leão tem transformado esta sentença num inflexível axioma. Não bastasse desmoralizar a matemática e diversas leis da lógica, o Rubro-Negro agora resolveu tripudiar até mesmo da infalível Lei de Murphy.

Seguinte é este. Ou melhor, foi este.

Depois de ganhar seguidamente de dois concorrentes diretos (bateu o Náutico no Santuário e brocou o Boa fora de casa), tudo indicava que iríamos sofrer o fermento que o Demônho pisou no jogo contra o maloso Salgueiro. Mas qual o que! Com menos de 15 minutos, o placar, digo o datashow do Barradão, já marcava 2 x 0.

No entanto, os sacanas que apenas acompanham as pelejas através dos escrotos radialistas (desculpem, mais uma vez, a redundância) não fazem idéia das dificuldades da última sexta-feira. É óbvio que não falo dos obstáculos impostos pela retranca da escola de samba, pois a zaga adversária estava uma avenida maior do que a Sapucaí.

O póbrema, amigos de infortúnios, foi de outra ordem: conseguir chegar ao estádio. Que labuta dos seiscentos!!! Para que vocês tenham uma idéia, o já caótico trânsito de Salvador piorou e ficou mais lento do que a diretoria do Vitória, se é que isto é possível.

Assim, fui obrigado a descer do glorioso Pau da Lima ainda na Paralela e realizar uma paletada mais árdua do que grande marcha de Mao Tsé-Tung – e não exatamente pela distância percorrida, mas sim pelos dissabores. Enquanto o comunista apreciava as paisagens do Noroeste do China, tive que enfrentar os neuróticos motoristas baianos e suas insaciáveis buzinas misturadas aos gritos de louvor de pastores evangélicos não menos neuróticos.

Oh, Grória!!!

Como sói ocorrer nestes momentos de aflição, procurei refúgio no bar mais próximo, no caso, no  pacato Bairro de Nossa Senhora da Vitória, conhecido também como Canabrava. Por falar em cana brava, fazia tempo que num via tanto cachaceiro junto. Nem bem cheguei ao recinto, um deles se aproximou e gritou: “Eu sou Vitoria, porra!” Calmamente, respondi: “Tá bom. Todo mundo que era Vitória morreu, ficou só você e sua…”

Nem tenho tempo de terminar o desaforo e Gilberto lança Fernandinho que manda a criança para o zagueirão do salgueiro completar para o barbante. O cidadão, que havia me recepcionado de forma rude, torna-se meu amigo de infância e me dá uns tapas nas costas que tossi tanto que relembrei de minha tuberculose dos tempos de menino. A partir de então, e pela primeira vez na vida, torci fervorosamente para o Vitória não fazer mais nenhum gol – minha estrutura óssea não aguentaria o baque. Aliás, o baque veio no final do primeiro tempo. O salgueiro marcou um gol e eu me piquei. Coelho era quem ia ficar lá para ver a reação daquela galera, não eu.

Subo a pirambeira e chego ofegante no estádio, sem força até para xingar Benazzi, que tira Fábio Santos, Gilberto e Geovanni e deixa Marquinhos, o gênio franzino, sofrendo em campo. A porra da lei de Murphy revidou e nosso craque, o único jogador diferenciado da equipe, contunde-se. Vai nos privar dos seus gols e de sua categoria por duas partidas. Além disso, Jean, numa jogada bisonha, toma o terceiro cartão amarelo. Não que este sacana seja um exemplo de zagueiro. O problema são os substitutos. E as coisas, que se encaminhavam para a tranquilidade, voltam ao estágio de tensão e imprevisibilidade. Mas, como o Vitória tem sido o avesso do avesso, é muito provável que façamos nossa melhor partida contra o americana, confirmando a louca profecia de São Burndown Chart.

Amém.

P.S Como chibança pouca é bobagem, um amigo me contou que havia uma senhora nas arquibancadas xingando deus, o mundo, os quero-quero e até este cansado locutor. É graça uma porra desta?

Sabe aquele feijão preto? Então….

outubro 29, 2011

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto

Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama

Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar…

Que é lá mesmo que a mala eu vou largar

Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor

Que eu tô voltando

Pega uma praia, aproveita, tá calor, vai pegando uma cor

Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é

Despentear

Quero te agarrar…

pode se preparar porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola

Eu tô voltando

Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó

Que eu tô voltando

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar

Telefone não deixa nem tocar…

Quero lá.. lá.. lá.. ia…

Porque eu tô voltando!

http://www.youtube.com/watch?v=Ka_l9wyY7vU

A peleja do gênio franzino contra a poderosa e inflexível matemática

outubro 24, 2011

Um fantasma tem assombrado o futebol brasileiro nos últimos tempos: o fantasma da objetividade idiota. A fórmula é a seguinte: Embasados num cartesianismo de budega, os fariseus tentam nos convencer de que nossa paixão cabe nas frias estatísticas. Eles querem demonstrar que, também no futebol, tudo se resolve através de equações matemáticas. Assim, as análises ludopédicas ficam restritas e reduzidas a números. X + Y é igual a noves fora nada.

É isso, amigos de infortúnio, não importa mais a jogada de craque, o improviso, nada. Tudo deve ser apenas quantificado. Neste mundo dos imbecis, discute-se quantos quilômetros o atacante correu, quantos tiro de meta o goleiro cobrou, quantas vezes respirou, qual foi o batimento cardíaco nos 90 minutos e outras bobagens do gênero. E esta cultura é tão nefasta e opressora que até mesmo os jogadores não têm mais nomes. Agora eles são siglas com letras e, óbvio, números. Em vez de atender pela graça que ganhou na pia batismal ou por algum apelido espirituoso, o boleiro passou a se chamar CR-7, K-9, R-10 e outras abreviações ordinárias.

PUTAQUEPARIU A DÍZIMA PERIÓDICA!!!

Por falar em dízima periódica, outra praga que tem se alastrado pior do que a saúva é a tal chance de classificação. Todo santo dia sai uma estatística mostrando que tal time tem 0,1535353% de possibilidade de sair da zona do agrião e penetrar (lá ele) no grupo dos escolhidos. No dia seguinte, com o mesmo sabor de verdade absoluta, é publicado números inteiramente diferentes, modificando por completo as possibilidades das agremiações. A única coisa que não muda é meu grau de paciência para estas aleivosias: zero.

E, no último sábado, no jogo entre Vitória x Náutico, descobri que estou muito bem acompanhado nesta labuta. (Não, maldosos, a moça do shortinho Gerasamba ainda não voltou aos estádios, não. Minha companhia foi mais, digamos assim, ideológica). Um gênio franzinho provou por A + B que é possível (e preciso) desmoralizar a poderosa e inflexível matemática. Com um golaço de canhota e uma obra prima por cobertura, Marquinhos (eis o nome do santo) deu tiros certeiros nesta nova seita numerológica que tenta reduzir nossos sonhos a máquinas de calcular. Suas jogadas de craques demonstraram que não se pode mensurar o imponderável dentro das quatro linhas. E mais do que isso: reavivou o orgulho do torcedor gritar, a plenos pulmões, o nome de um talento genuinamente Rubro-Negro.

P.S. 1 No próximo sábado, contra o Boa Esporte, torceremos para que Marquinhos e seus pares nos mostre, definitivamente, que os números não mentem, mas, quando torturados pelo talento, confessam.

P.S 2 Quem também fez uma jogada de craque no últmo sábado foi o MSMV que, pela manhã, se reuniu com conselheiros para lutar por democracia, profissionalismo, transparência e respeito ao torcedor no nosso Esporte Clube Vitória. Confiram aqui, ó

http://www.somosmaisvitoria.com.br/msmv-reune-se-com-conselheiros-do-ecv/

Entre o patético e o heróico

outubro 18, 2011

Desde sempre, antes mesmo do big bang, a imprevisibilidade tem sido uma marca indelével do Esporte Clube Vitória. Quando tudo aponta para um triunfo fácil, vem uma derrota acachapante. Já no momento em que está desenhada a derrocada, quando todos dizem que não há saída para o abismo, aparece a vitória redentora.

Apesar desta instabilidade (ou talvez por causa dela), nunca jogo a toalha, nem mesmo nos momentos mais dramáticos. E neste ano da graça de 2011 não está sendo diferente. Alguns amigos, não sem razão, afirmam que é loucura minha fazer fé neste time, que não se pode acreditar num clube sem planejamento, que temos uma dúzia de bondes comandados por amadores e etc e coisa e tals. No entanto, continuo perseverando porque compreendo a histórica e incongruente lógica do Leão. Aqui impera a chibança. O não pode ser sim e o  jamais significa talvez.

Os torcedores de outras agremiações podem argumentar que padecem do mesmo mal e que a insensatez não é privilégio do Rubro-Negro. Não duvido. Porém, pouco importa. A mim me bastam meus dilemas.

Mas, derivo. O que eu queria registrar é que a situação de insegurança nesta ordinária segundona atingiu um paroxismo tal que assombra até mesmo quem conhece toda a geografia da conturbada alma do Leão, como este crente locutor que vos sopra prosopopeias.

Nas duas últimas partidas, por exemplo, o time trafegou do patético ao heróico (e vice-versa) com uma desfaçatez de enlouquecer o mais lúcido dos homens. Os desatinos que a equipe cometeu contra o Bragantino e Goiás foram para tirar a paciência de qualquer santo, para transformar Gandhy num psicopata.

VÁ MATAR O DEMÔNHO!!!

O problema é que o Diabo, o Sete Peles, é imortal. Então, a rebarba mortífera vai sobrar mesmo é para nós que ainda cremos na redenção. E, para não morrermos diante da Portuguesa, resta-nos continuar apostando na falta de lógica das coisas do Vitória, além de acendermos velas para São Burndown Chart e o brioso Sobrenatural de Almeida – até porque se formos depender do sistema de jogo do técnico,  pode encomendar o caixão. O esquema tático atual é mais feio do que a cara de Benazzi.

Assim, entre o patético e o heroico, vamos fazendo fé no imponderável.

  


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.