O SUMIÇO DO LOCUTOR DAS MULTIDÕES

Dezembro 11, 2009 por Franciel

POR BENJAMIN JOSÉ*

“Através da história, tem sido a inatividade daqueles que poderiam ter agido; a indiferença daqueles que deveriam saber melhor; o silêncio da voz da justiça quando ela mais importava; que tem tornado possível ao mal triunfar.”

Com essa célebre frase, Tafari Makonnen, mais conhecido como Haile Selassie, imperador da Etiópia (aquele que jurou não derramar uma única gota de sangue dos seus inimigos, por isso enforcava todos), nos lembra que quando os bons se calam os maus triunfam.

Mas deixemos de lado os prolegômenos porque a moça loira do shortinho gera samba, assídua ouvinte desta emissora, já está mudando de estação pensando ter sintonizado errado o seu radinho. O fato é que depois do sumiço de Belchior, o maior mistério de desaparecimento de pessoas famosas que preocupa essa província mangabeiriana é o sumiço de Sêo Françuel.

E a Bahia inteira e uma banda de Sergipe, cansada de vasculhar esta intimorata emissora à procura de uma palavra da salvação, um texto com a verdade que salva e liberta ou qualquer vestígio do rouco locutor que também atende pela alcunha de Butragueño do Nordeste de Amaralina, passou a questionar que fim levou o cabeludo.

Sim, senhores ouvintes, coincidentemente, na última vez que utilizou os microfones (na verdade um só) desta rádio, dia 28/11, Sêo Francis declamou um poema de sua autoria, inspirado em Gregório de Matos, o Boca do Inferno, com o título o Silêncio dos Indecentes. E de lá para cá o hômi sumiu e não tem cristão, nem pagão, que saiba informar por onde anda ou aonde se meteuo Velho e Incansável Butra, que parece ter calçado uma sandália de prata e saído por aí…

Assim, por ter sido convocado em caráter de urgência para investigar o paradeiro do sujeito (ô dureza essa vida de puliça), já pesquisei no gúgou, solicitei reportagem do Fantástico para ver se acham o cabeludo e até agora nada.

No levantamento preliminar descobri que a última vez que o viram, estava na Choperia da Sonildes, próximo ao Santuário de Cana Brava, fazendo jus ao nome do bairro, na maior manguaça, comemorando a classificação do Vitória para a Sudamericana (o que lhe dará o direito de gritar mais uma vez no ano que vem “Umbora Bitória Carajo”), a profissionalização do Departamento de Futebol do Vitória com a saída do técnico e do diretor. Motivos demais para a carraspana.

Mas, somada a essas, há uma série de outras hipóteses para o desaparecimento, o que abre um imenso leque de linhas investigativas. E para auxiliar nos trabalhos conclamo os ouvintes dessa emissora para responderem uma enquete com as prováveis causas do sumiço:

( 1 ) Estaria Francis sabotando o terreno onde supostamente construiriam a Arena da Vergonha ?

( 2 ) Teria Butra sido atropelado ao sair do Barradão para a Igreja do Bomfim, de joelhos, para agradecer a saída do rebain de miséria que atrasava a vida do Vitória ?

( 3 ) Teria Françuel cortado o cabelo por promessa pelas graças supramencionadas (recebam) e por isso ninguém mais o reconhece ?

( 4 ) Sendo o Intimorato (receba novamente) locutor funcionário da Assembléia Legislativa, estaria ele comprando panetones das Obras Sociais de Irmã Dulce, a mando dos nobres e honestos deputados para distribuir para os pobres no natal ?

( 5 ) Ou estaria ele internado em coma alcoólico após comemorar com seus amigos gayúchos gremistas o título do Flamengo ?

Bom, o resultado da enquete com certeza irá contribuir para o esclarecimento dos fatos e para finalizar, querendo induzi-los a pensar que sou erudito, conforme ensinou-me o sumido, vai aí uma frase de Martin Luther King: “No Final, nós nos lembraremos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.” Enquanto isso no Norte e Nordeste de Amaralina em uníssono (recebam de novo) ecoa o um só grito:

VOLTA LOGO, CARAJO !!!

* O autor, apesar de Puliça, é Rubro-Negro, o que diminue um pouco seus pecados.

O silêncio (e o barulho) dos indecentes

Novembro 28, 2009 por Franciel

 
Você já entrou, alguma vez, num estádio vazio? Experimente. Pare no meio do campo e escute. Não há nada menos vazio que um estádio vazio. Não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém.

Pois muito bem.

Ajoelhado aqui no meu genuflexório, onde rezo e faço reflexões para tentar salvar o moribundo ludopédio de Pindorama, agradeço os aplausos pelo parágrafo acima, mas solicito que as palmas sejam direcionadas em outra direção. Afinal, sou religioso ortodoxo e sigo sempre aquela máxima cristã: Dai a César o que é de César e a Eduardo Galeano o que lhe pertence.

Bom. Agora que já paguei os devidos direitos autorais, vamos aos lamentos. Amigos, seguinte é este: Nem a referida sentença do escritor uruguaio, uma das poucas verdades universais do futebol, é respeitada na Bahia. Nesta besta e (ainda) bela província, menino Galeano, os estádios se calam. Ou pior, são calados. E a velha Fonte Nova (ainda) está aí pra não me deixar mentir. Um mutismo de dar dó.

A impiedosa mordaça, colocada no dia 25 de novembro de 2007, impede a propagação de qualquer som, seja de fúria, lamento ou ranger de dentes. Desde a fatídica data não se consegue mais ouvir nada do velho estádio.

Ainda tento lembrar dos dias de glórias, do último e sensacional BA x VI, vencido pelo Vitória por 6 x 5, mas é tudo vão. Os gritos de glória pararam de ecoar. Não é possível escutar nem mesmo os gemidos da terrível e anunciada tragédia que matou sete pessoas e tirou de milhões a alma.

No gramado da Fonte Nova, que está virando mato, e nas solitárias arquibancadas não se ouve nada. Tudo, absolutamente tudo, está abafado pelo ensurdecedor silêncio dos indecentes.

Mas, amigos, esta macabra saga não terminou ainda. Tristemente, lhes informo que na Bahia indecência pouca é bobagem. Não bastassem a insensatez e o desleixo dos governantes (os atuais e anteriores), que levaram ao abandono e à destruição, outras aves de mau agouro querem agora dar o tiro de misericórdia perpetuando o silêncio no templo sagrado.

Nesta semana em que se completa dois anos da terrível tragédia na Fonte Nova, uma perniciosa associação de empresários portugueses, axezeiros e cartolas dos dois grandes clubes da Bahia anunciaram a construção de uma tal de Arena Multiuso na cidade de Lauro de Freitas. Caso esta ignomínia seja realizada (que os anjos da boca mole nunca digam amém) a reconstrução da Velha Fonte estará inviabilizada. Afinal, já temos o Santuário do Barradão e Pituaçu e não haveria possibilidade de se ter quatro grandes estádios num estado que só possui dois clubes.

Porém, o que mais espanta é que os mesmos cartolas, que não disseram uma palavra de conforto ou de revolta nestes dois anos da tragédia, ocupam agora os microfones e fazem uma zuada dos seiscentos em defesa da tal Arena.

Pois então. Tantos aqueles silenciosos quanto estes barulhentos querem matar de vez o velho estádio e, assim, impedir que possamos novamente ouvir os seus sons. Eles conspiram contra tudo e contra o belo, inclusive contra a linda sentença inicial de Eduardo Galeano.

Foto: Correio da Bahia

A PIOR NOTÍCIA DO SÉCULO

Novembro 25, 2009 por Franciel

Esta besta província, pródiga em ser predecessora dos absurdos, conforme destacava Otávio Mangabeira, está novamente cumprindo sua tradição – só que, desta vez, de forma ainda pior, pois desafia até mesmo os ensinamentos bíblicos.

Como assim? Já explico.

De acordo com o Livro Sagrado, depois da tempestade vem a bonança. Aqui, porém, tudo é pelo avesso. A bonança (no nosso caso, a saída de Jorginho Sampaio) nem foi concretizada e a tempestade já chegou, nos levando a navegar por mares revoltosos.

Calma, minha senhora, que não vou prosseguir neste caminho tortuoso. Afinal, apesar de também ter o cabelo grande, não sou Jesus Cristo para ficar falando por parábolas. Meu plantão é muito mais rigoroso. É sopa de tamanco. Pau puro.

Por isso, começo este novo parágrafo sendo o mais claro possível. Seguinte é este: A torcida Rubro-Negra não pode, não deve e nem vai aceitar, de forma nenhuma, esta patacoada inominável que o presidente Alexi Portela está defendendo. Sim, amigos, é exatamente desta chibança de Nova Arena que estou falando.

Que ideiazinha de jerico! Aliás, não. Estes animais não seriam capazes de tanto.

E antes que alguém venha dizer que eu estou falando sem conhecimento de causa (porque ainda nem sei como será o contrato e etc e coisa e tals), aviso logo: não sei, nem quero saber e já tô com nojo de quem sabe. A verdade é uma só: Não tenho o mínimo de interesse em perder meu tempo lendo sobre algo completamente absurdo. Sim, porque não há nada mais absurdo do que esta tenebrosa transação envolvendo portugueses, diretoria do itinga e cantores de axé. Francamente. Não há como sair algo que preste desta mistura.

É óbvio que poderia ser sensato e esperar mais notícias sobre esta ignomínia, travestida de acordo comercial, mas em verdade vos digo: a prudência e a paciência neste momento são os abrigos dos covardes. E a nação vermelha e preta, que nunca foi covarde, tem que sair na vanguarda e colocar todas as forças para abortar esta tragédia.

Como? Quais as armas a serem utilizadas? Realmente não sei. Só sei que cada um deve fazer sua parte. A que me cabe neste momento é este desabafo aqui, conclamando toda a nação a cerrar fileiras em defesa do Santuário do Barradão e contra esta xibungagem de Arena num sei das quantas.

E vou encerrar esta prosopopéia logo para não acabar falando algumas coisas que estou com vontade em linguagem bem chula. Antes, porém, repito as sábias palavras da população do Norte e Nordeste de Amaralina, que já está de armas em punho:

PRESIDENTE, VÁ MATAR O DEMÔNHO – AQUELE BICHO FEIO QUE CHUPA MANGA E USA CALÇOLÃO!

P.S Como não poderia ser diferente, a massa já começou a se posicionar contra esta vergonha, fazendo abalizados pronunciamentos. 

Ouçam AQUI, ALI e ACOLÁ.

A melhor notícia do ano

Novembro 23, 2009 por Franciel

Muitos podem argumentar (e não sem razão) que o Grêmio Barueri é uma síntese de uma das maiores pragas do moderno futebol brasileiro. Qual seja: um time formado por empresários e sem nenhum outro compromisso, senão com o vil metal. Lamento contrariá-los, mas informo que a equipe do interior paulista tem uma outra função muito importante: servir como ponto de partida para importantes mudanças no Esporte Clube Vitória.

Aos desmemoriados, eis a história.

No dia 9 de novembro de 2006, o Leão estava no bico do urubu na Terceirona e a escrota imprensa baiana (desculpe a redundância) fazia um carnaval antecipado, vestindo a fantasia de ave de mau agouro. Diante da patacoada, no bloco Rubro-Negro os sons eram somente de choro e ranger de dentes, pois na referida data o Vitória ia enfrentar o Barueri - mesmo time  que, 15 dias antes, já havia nos vencido dentro do Barradão.

Pois bem.

Pra encurtar a história, relembro que, ao contrário do que pregavam as bestas do apocalipse, aquela partida simbolizou um novo tempo. Brocamos o time paulista e fizemos uma sequência de quatro triunfos consecutivos que nos garantiu o acesso à Série B.

Pois muito bem.

O menino Karl Marx costumava dizer que a história se repete como farsa. Porém, no caso do confronto entre Vitória x Barueri a sentença do barbudo não têm valor algum.

E ontem, uma vez mais, a história se repetiu como esperança de novos tempos. E quando falo em novos tempos não me refiro somente aos três pontos que praticamente selaram nossa participação pela segunda vez seguida numa competição internacional, a gloriosa Sula Miranda.

A melhor notícia do ano aconteceu exatamente após o jogo, numa entrevista de Alexi Portela. Depois de informar que o Vitória, com um time ordinário, chegou a ter uma folha acima de R$ 1,2 milhão no campeonato baiano, o presidente, de forma meio que enviesada, deixou nas entrelinhas a seguinte e salvadora informação: No próximo ano, muito provavelmente, não teremos Jorginho Sampaio atrapalhando o departamento de futebol.

Ô, grória!

E a boa-nova praticamente se confirmou na sequência. O axezeiro mandou recado pelos radialistas que estava muito triste e que deveria abandonar o Vitória.

Ô, grória das grórias e palavras da salvação e amém.

P.S Por conta da idade avançada, eu não deveria mais me espantar com os absurdos da imprensa da Bahia, mas tem dias que o negócio torna-se tão ridículo que nem pra rir serve.

A tribunda de hoje, por exemplo, está cençaçionau.

Primeiro, o jornaleco garante que as carniças deram a largada rumo à série A. Em seguida, afirmam que o sufoco não acabou para o Vitória.

Peraí, motô, pra ver se eu entendi.

Quer dizer que o time que está com totais possibilidade de carimbar o passaporte para mais uma competição internacional, está lenhado? Já as injúrias, que não ganham nada há século e vão continuar no subsolo do futebol brasileiro, estão bem pra caralho?

Que lógica da disgrama esta?

Ora, ora e ora. Me faça um caldo de cana contaminado, por favor, que é pra ver se me curo desta intoxicação.

Alma Escrota

Novembro 14, 2009 por Franciel

A lógica cartesiana, esta menina traquina, recomenda aos prudentes e outros covardes da mesma baixa estirpe que cravem a coluna 1 no jogo entre São Paulo x Vitória – peleja que fecha o concurso 389 da briosa Loteca. Afinal, os números que nunca mentem (apenas confessam quando torturados) mostram que a vantagem dos paulistas é irrefutável. Nas 13 partidas disputadas no Morumbi, eles nunca foram brocados pelos baianos.

Porém, como na minha extensa nominata (recebam, hereges) de defeitos não se inclui a prudência, saco do coldre a capa de profeta e em verdade vos garanto: Vai dar zebra, ou melhor, Leão.

E antes que os maledicentes afirmem que escrevo apenas com o coração (hodiernamente, tem gente que escreve até com os colhões), recorro à história. E relembro que no mês de novembro o Vitória gosta de botá prá vê taúba lascá ni banda- seja lá o que isto signifique.

Mas, chega de prolegômenos e vamos aos fatos.  

No dia 23 de novembro de 2008, o Grêmio pisou no solo sagrado do Parque Sócio-Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, como franco favorito.  Porém, quando o canalhocrata do Heber Roberto Lopes soprou o apito pela última vez tava lá um sonoro 4 x 2 no placar e ninguém podia mais tirar. E os tricolores gaúchos deram adeus ao título.  

É fato (e fato é fato e meninico é meninico) que alguns podem argumentar que os jogadores do Rubro-Negro só cometeram o crime porque receberam a gloriosa mala branca.

Tudo bem, aquiesço, mas prossigo em minha homilia relembrando um dado incontestável, quando nem mesmo o tal dopping financeiro pode ser apresentado como desculpa.

Seguinte foi este.

No dia 17 do mês de (adivinhem?) do ano da graça de 2002, o Vitória, então sem mais nenhuma pretensão no campeonato, enfiou 4 no Palmeiras (alô, Cesarotti), carimbando o passaporte na titela (se fodam pra saber o que significa) do porco rumo à Segundona.

Uma glória. Ou melhor, duas. Duas alegrias esparsas, dirão alguns, mas informo-lhes: glórias contínuas não nos interessam.

E o que se depreende de toda esta prosopopéia Inquiriu-me há pouco o avexado ouvinte.

E eu respondo. 

Significa o seguinte: Feijoada que eu não posso mais comer, eu meto o dedo pra azedar. Ou como diz meu amigo VANDEX (filósofo e cantor gaúcho radicado aqui na Bahia) na antológica canção Alma Escrota: “Eu agora nem quero mais me dar bem; eu só quero é prejudicar”. 

Portanto, bambis, um conselho: dancem com o fiofó encostado na parede porque a madeira vai gemer hoje à noite no Morumbi sem dó nem piedade.

P.S Este samba duro vai para Dorival Caymmi, João Gilberto e Renato K.

É hora de chamar na chincha!

Novembro 10, 2009 por Franciel

Milhares de ouvintes (na verdade, três) têm ligado insistentemente para esta intimorata emissora querendo saber os porquês do silêncio deste rouco e injuriado locutor. Antes que uns rebain de sacanas espalhem maledicências, informo logo: recolhi-me à minha insignificância porque achei que a missão neste Sarneyzão estava cumprida.

Seguinte é este. Ou melhor, foi este.

Há coisa de uma quinzena, mais especificamente no dia 24 de outubro, o Vitória enfrentou o Atlético no Mineirão, jogou melhor, mas entregou a rapadura no final. Diante da repetição melancólica de uma situação que chegou a dar nojo no decorrer do campeonato, saquei do coldre minha falsa erudição e fiz um longo e chato tratado sobre o “enigma do Vitória”. Na referida prosopopéia, garantia que faltavam confiança e vibração para o time obter uma melhor sorte no campeonato.

Mas, vejam vocês se a precipitação num é uma porra.

Logo no jogo seguinte, contra o Curíntia, percebi que estas minhas abalizadas teorias valiam tanto quanto a palavra de GILMAR FORTES  ou uma nota de três reais. Porra de nada. Assim, ao presenciar a lambança diante da equipe comandada (?) pelo viúvo Ronaldo Albertini, cheguei a uma nova conclusão: A escassez na equipe não era exatamente de “confiança e vibração”, mas sim dos seguintes produtos: Falta de pulso e vergonha na cara.

E a situação, que já era pior, piorou ainda mais (Royalties para Paulo Mendes Campos).

Ato contínuo, uns três hereges que envergam (quase escrevi envergonham) o manto Rubro-Negro decidiram que chibança pouca é bobagem. Assim, além de enterrar o baba nas quatro linhas, começaram a manguear a zorra toda e colocaram suas idiossincrasias (recebam, fariseus) acima dos interesses da nação.

Enquanto isso, nas salas de injustiças das rádios da vida, o comandante (?) Jorginho Sampaio dava (lá ele) entrevistas dizendo que tava tudo normal, tudo beleza.

E a falta de esculhambação aumentando; E os pitis se transformando em xingamentos até descambar em coisas mais terríveis: pilhérias e vergonhosas derrotas. E a diretoria, que não falou nada no início, permaneceu calada.

É por conta de toda esta bandalheira, nação Rubro-Negro, que retorno a esta tribuna. Minha missão neste Sarneyzão não está encerrada. E volto com gosto de querosene, invocando um momento histórico, o ano da graça de 2006.

Seguinte.

No dia 17 de agosto daquele ano, em partida válida pela segunda fase da Terceirona, o Vitória perdeu para a poderosa equipe do Confiança (SE) por 2 x 1, em pleno Santuário. Três dias depois, no mesmo Barradão, a equipe tomava um chocolate e 3 x 0 do Ferroviário nos 45 minutos iniciais. Porém, no intervalo do jogo, a torcida desceu a rampa e chamou os sacanas na chincha. Como consequência, na etapa complementar, o time fez dois gols e partiu pra dentro da equipe cearence. Só não empatou por contas de uns desacertos, porém, menos de uma semana depois, aquela equipe sem fibra tomou pulso e meteu 3 x1 no mesmo Ferroviário lá no Ceará. Em seguida, 3 x 0 no Confiança, também na casa do adversário, e finalmente brocou o Porto (PE) por 2 x 0, sacramentando a vaga quase perdida para a fase seguinte.

Portanto, torcida do Leão, já que a diretoria não toma providência, é hora de nós agirmos novamente. É óbvio que não precisa violência, basta chamar na chincha, como fizemos em 2006.

Caso contrário, restará apenas repetir os gritos de guerra que a população do Norte e Nordeste de Amaralina entoam há quatro rodadas.

SE É PRA ASSSISTIR A ESTE

TIME SEM VERGONHA

PREFIRO FICAR EM CASA

E BATER A MINHA BRONHA

O “enigma do Vitória” no Sarneyzão/2009

Outubro 26, 2009 por Franciel

Caldo de galinha e erudição não fazem mal a ninguém, conforme ensinava Irmã Dulce nas inolvidáveis homilias dominicais. Assim, começarei a aula magna de hoje seguindo este conselho de minha santa preferida e gastarei uns três ou nove parágrafos analisando a situação socioeconômica da Bahia em meados do século passado.  

Naquela época,  como é de conhecimento de 97,16% dos cultos ouvintes desta emissora, esta besta e bela província enfrentava uma grave estagnação econômica – processo este denominado de “enigma baiano” pelo professor Pinto de Aguiar, aquele mesmo que dá nome à rua dos motéis.

Mas, derivo.

O fato é que, em toda a sua história, esta terra inconsequente e lerda sempre andou com o freio de mão puxado, quase parando. No entanto, neste referido período, a leseira foi ainda maior. E, como sói nestes momentos, milhares de estudiosos se debruçaram (lá eles) sobre o tema e levantaram as mais díspares hipóteses.

O menino Tales de Azevedo, por exemplo, garantia que o problema era decorrente da “influência materna na constituição das famílias irregulares de nossa sociedade”. Por sua vez, Braz do Amaral falava que o atraso era decorrência da “sangria de braços na guerra do Paraguai”. Já Rômulo Almeida, depois de fazer um comparativo entre as economias baiana X pernambucana, pregava que o entrave relacionava-se a questões geográficas e históricas.

É óbvio que não se chegou a nenhum consenso – e a Bahia continua até hoje nesta maresia de dar gosto.

Valei-me, meus culhões de Cristo! O homem amaluqueceu de vez. Tá cheirando maconha, Sêo Françuel? Que conversa enviesada da porra é esta? O que é que isto tem a ver com o Vitória?”, interrompe-me a impaciente e religiosa ouvinte. 

Pois bem. Aspiro mais dois tragos e respondo. Ou melhor, não respondo, mas tomo emprestado o rótulo e digo que neste Sarneyzão/2009 há um “enigma vitoriano” que precisa ser decifrado. Afinal, qualquer criança de seis anos, que consiga dar pelo menos 3 pontinhos numa bola, sabe que não há nenhuma equipe jogando mais bola do que o Rubro-Negro neste ano. Pode ter igual. Melhor, não.

Então, por que diabos times muito maizomenos, como Palmeiras e Atlético, lideram a competição enquanto o Leão patina no meio da tabela? 

Talvez o mundo acabe e nunca tenhamos a resposta exata. Porém, não custa levantar hipóteses. E a minha é a seguinte: Mais do que a postura em campo, falta atitude fora das quatro linhas.

Eis dois exemplos que ilustram o que digo.

Depois do jogo contra o Palmeiras, sintonizei numa destas rádio da vida para ouvir a execução do hino do Vitória, as narrações dos gols, as piadas dos torcedores, enfim, estas coisas que prolongam nossa alegria após um triunfo espetacular contra o líder do campeonato.

Porém, o clima era de enterro. Só se falava que Neto Berola ia ser vendido, que a renda tava errada, que Roger não jogava nada, que havia urubus sobrevoando o estádio, enfim, um quadro apocalíptico.

No início, pensei que era apenas algo pontual, mas permaneci ligado e verifiquei que esta ladainha se prolongou ad infinitum. Após as presepadas dos radialistas escrotos, entra no ar o presidente Alexi Portela com um ânimo de velório.

Putaquepariu a falta de vibração!

É claro que qualquer possa em sã consciência, e com o mínimo de boa fé, reconhece que Alexi tem feito um trabalho digno à frente do Leão. Saneou as contas, fez uma acertada política financeira e etc e coisa e tals. Porém, é preciso mais. Além de uma boa administração, um presidente tem o dever de elevar a moral da tropa, assumir o front, reconhecer os erros e, principalmente, celebrar as grandes conquistas com fervor para contagiar a equipe. E vencer o líder da forma que vencemos foi um grande feito. Porém, Alexi falava na rádio como se o Vitória tivesse tomado uma balaiada do porco paulista.

Putaquepariu a falta de vibração!

E esta, digamos assim, apatia ocorre não somente depois dos triunfos, mas antes mesmo de a bola rolar.

Vejam o caso do jogo contra o Atlético Mineiro. Apesar de comandar um time meeiro, Celso Roth, que nunca ganhou porra de nada em nível nacional, assumiu o discurso de vencedor. Na antevéspera do jogo contra o Rubro-Negro, ele afirmou que seu time era candidato ao título. E falou isso passando convicção – e não somente a boba arrogância. Enquanto isso, Mancini dava entrevistas quase que pedindo perdão.

Putaquepariu a falta de vibração!

Assim, quando a bola rola, o time até assume uma boa postura em campo e vai pra cima do adversário. Porém, falta-lhe a firmeza dos conquistadores. Joga bem, cria oportunidades, mas na hora JOTA entrega a rapadura. Por isso, mais uma vez, mesmo jogando melhor, o Vitória perdeu.   E perderá sempre que entrar em campo entoando o discurso dos derrotados. É hora, portanto, de começar a mudança simbólica. 2010 é logo ali. 

Eis minha teoria sobre o “enigma vitoriano” e sua possível superação. Quem tiver outra explicação, que apresente – ou se cale para sempre.

O impossível é só um desafio

Outubro 20, 2009 por Franciel

A Bahia e uma banda de Sergipe sabem que, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP’s), é terminantemente proibido comemorar uma vitória sobre a fraca equipe do Náutico.   Afinal, mais do que um resultado lógico, brocar o timbivisky é uma obrigação de qualquer equipe que se respeite. Assim, seguindo este raciocínio cartesiano, deveria abster-me até de fazer a resenha do jogo do último domingo.

Porém, em verdade vos confesso: Este rouco locutor vibrou adoidado com o triunfo contra o escrete pernambucano. Para que vocês tenham idéia, na referida chibança gastei cerca de três ou nove litros de Cepacol (viva a exatidão!) Aliás, mais do que isso: fiquei muito contente, mais feliz do que um relâmpago no trigo, para usar a erudita imagem do menino Júlio Cortázar.

E antes que as carolas Senhora de Santana venham dizer que eu ando bebendo demais, explico logo os motivos da euforia.

Primeiro, vamos à peleja propriamente dita. Seguinte. Uma das coisas que mais me alegrou no último domingo foi que o Vitória abandonou definitivamente a síndrome de Irmã Dulce, aquela ordinária vocação para ajudar os deserdados. Este impiedoso triunfo contra o Náutico mostrou que a madeira pode (e vai) gemer no lombo de qualquer um, seja grande, pequeno ou minúsculo. Ô, a sopa de tamanco voltou.

Além disso, o Rubro-Negro lascou em banda outro incômodo tabu. Qual seja. Pela primeira vez neste Sarneyzão/2009, o time começou atrás (de lá ele) e virou, demonstrando que o momento é de superação.

Por falar em superação, vamos aos outros motivos que levaram este embriagado locutor às insanas comemorações.

Seguinte é este. De acordo com a matemática moderna, ainda faltam oito rodadas para o término do campeonato e estamos a apenas 10 pontos do líder. Sim, eu miro é o líder. Porra de almejar apenas a Libertadores.

Mas, derivo. A questão é que nesta última rodada ocorreu o seguinte e inédito fato na história do pebolismo de Pindorama: Pela primeira vez, nenhuma das seis equipes paulistas que disputam a competição marcaram um gol sequer, tanto as que estão no topo da tabela quanto as que habitam o subsolo. 

E o que isto significa? Que esta galera do eixo não está a afim de levantar o caneco. Então, como eles, há várias rodadas, demonstram que não têm força, desejo nem interesse de levantar a taça, chegou a hora do Leão botar a faca nos dentes e repetir a homilia que a população do Norte e Nordeste de Amaralina, emulando os revolucionários do Maio de 68, entoa desde a noite do último domingo:

CHEGA DE BORÉSTIA, REBAIN DE SACANAS
VAMOS BROCAR RUMO AO TÍTULO
AFINAL, O IMPOSSÍVEL É SÓ UM DESAFIO

 

P.S Definitivamente, a mistura de canjebrina com algumas substâncias não recomendadas pela Carta Magna não tem feito bem à minha maltratada memória. Esqueci de dizer que tudo conspira tão a favor do TRI-TÓ-RIA, que até mesmo Leandrão, que conheço jogando pedra em santo de outros Carnavais, praticou algo parecido com o Ludopédio. Ô, grória!

Dois times, dois destinos

Outubro 19, 2009 por Franciel

Por Haroldo Mattos*

 

Que timaço era aquele Náutico!

Nunca mais esqueci aquele torneio impressionante. Foram cinco partidas, cinco vitórias, 26 gols a favor e três contra. Destes três,dois foram feitos por mim, na menor goleada aplicada (5×2) por aquela máquina de fazer gols…

Bem. Fora este torneio disputado na década de setenta, onde o time de botão listrado em vermelho e branco (este em madripérola) comandado por meu amigo de infância Heron Santos, não tenho na memória nenhum grande resultado de qualquer time do Brasil com estas cores e com este nome. Tanto em mesa de botão quanto em gramados oficiais.

O jogo de ontem, contra o homônimo daquele timaço de botão da minha infância foi um desabafo Rubro-Negro.

Sinceramente, nada contra o Clube Náutico Capibaribe. Aliás, nem me sinto à vontade em xingar ou desejar mal a um time que nunca faz mal a ninguém.

Sinto-me menos à vontade ainda em promover este time a “rival “ do Vitória. Não faz nenhum sentido acreditar que um clube que desde que voltou à 1ª divisão do Campeonato Brasileiro – depois de um quase interminável período nas divisões inferiores, e que apenas joga para fugir de um novo rebaixamento-, tem potencial para ser um rival nosso.

É difícil levar a sério um megalomaníaco jogador do Náutico, ou qualquer torcedor com complexo de superioridade, que acha que tem cacife para, pelo menos, bater boca com um time do tamanho do Vitória.

Olho para eles como um primo pobre, proveniente da mesma região minha, porém com propósitos e foco totalmente diferentes. Torço até para que eles se mantenham na Série A, pois no próximo ano poderemos contar com seis ponto certos.

Só para se ter uma idéia, eis alguns números: Quando entramos em campo ontem completamos o nosso jogo nº 696, enquanto nosso primo jogou o seu 485º. Quando fizemos o primeiro gol, este foi o de nº 822, enquanto o deles, foi o de nº 577. Quando o jogo terminou, marcamos nossa 235ª vitoria,enquanto eles ficaram estacionados na de nº 159.

Só nesta comparação rápida de números em campeonatos brasileiros de todas as divisões, vemos que não é possível qualquer tipo de competição entre os dois clubes.

Portanto, Vitorianos, fomos ao Barradão, torcemos pelo nosso clube e vimos mais uma vitória. Ganhamos, a torcida gritou “Olé”, e recebemos os visitantes bem. Isto faz parte das honras da casa. Ganhar partidas aqui no nosso estádio, faz parte do nosso dia-a-dia. Aquele gesto eternizado por Romário após um gol (dedo indicador em riste junto aos lábios, pedindo silencio a quem fala besteira) é a maior resposta a um jogadorzinho medíocre, que pensa que joga alguma bola.

O Náutico é apenas mais um clube que passa aqui no Barradão e deixa três pontos. Eles não são nossos rivais nem são nossos oponentes. O Náutico é apenas mais um clube nordestino coadjuvante do Brasileirão, mas que, como nós, passa por todas as dificuldades de afirmação, principalmente, pelo abismo financeiro que existe entre nós e os grandes clubes do Sudeste.

Que ele siga o caminho dele e que nós consigamos reduzir os cinco pontos que os separam do G4.

Te Amo Vitória!Sempre…

*Haroldo Mattos é centroavante, mas só em futebol de botão.

Libelo contra a covardia

Outubro 13, 2009 por Franciel

Caso este sóbrio locutor tivesse o dom de iludir, furtaria a seguinte prosopopéia que um amigo largou hoje cedo. “Sêo Françuel, neste empate contra o Santos, saiu tudo dentro dos conformes, pois o Vitória apenas comemorou o Dia das Crianças em sua plenitude. Assim, com esta estratégia, cometeu um monte de erros infantis, deixou o baixinho Madson fazer a festa e ficou assistindo às brincadeiras do juvenil Neymar”.

Pois bem, amigos ouvintes. Se você veio aqui procurando um texto assim, engraçadinho, cheio de guéri-guéri, favor voltar outro dia. Não há motivos para festa, ora esta, não sei rir à toa. (Chupa, Belchior). Na verdade, o inverso é o correto. Estou é virado nos seiscentos cão.

Para que vocês tenham noção do quão (recebam, fariseus) injuriado me (des) encontro, confesso logo o seguinte. Na época em que Experimentalgiani, que deus o tenha, entregou a rapadura naquele jogo bizarro contra o Vasco, fiquei com muita raiva. Meses depois, quando a displicência nos fez perder a vaga na Sulamericana para o River Plate do Feiraguay, também fiquei retado. Porém, em nenhum destes dois vacilos do Rubro-Negro senti este ódio ancestral, esta ira bíblica, este gosto de bota de sargento que azeda meu paladar.

Putaquepariu os retranqueiros!

Há séculos não vejo um time do Vitória tão covarde, principalmente diante de um adversário meeiro. Aliás, por conta da presepada de ontem no Pacaembu, cheguei à conclusão de que Mancini nunca escutou aqueles sábios ensinamentos de Fausto, o Maravilha Negra que envergou a amarelinha na década de 30 do século passado: “Feio não é perder; feio é ter medo”. Por falar em medo, talvez Mancini tenha orientado (orientado?) o time a se retrancar de forma tão vil que acabou se esquecendo da maldição daquele surrado clichê: O medo de perder tira a vontade de ganhar.

Putaquepariu os retranqueiros!

Espero, sinceramente, que aquela lambança contra a equipe santista seja consequência somente da nebulosa passagem de Mancini por lá. Torcerei para que ele não repita aquele esquema ordinário em mais nenhum jogo deste Sarneyzão/2009. Caso contrário, farei coro à população Norte e Nordeste de Amaralina que, desde ontem à noite, saiu em passeata por este pacato e aprazível bairro parafraseando a sentença do escritor Samuel Johnson:

A RETRANCA É O ÚLTIMO REFÚGIO DOS CANALHAS

 

P.S Não bastasse meu time ter jogado aquela bolinha de gude, soube agora que, depois de amanhã, Lícia Fábio vai lançar uma revista. Vejam que disgrama:

Luxo

Inspiração

Comportamento

Inteligência

Atitude.

Só na Bahia uma porra desta. Ê bahiazinha sem governo. E sem oposição também.