A ALTIVEZ VENCERÁ A PUSILANIMIDADE

maio 16, 2012

Atchimmmmm

Agradeço aos que me desejaram saúde, mas informo que está tudo bem comigo. Este espirro foi apenas consequência inevitável da quantidade de naftalina que, desde a noite do último domingo, circula pelos ares desta província lambuzada de dendê.

Porém, aviso logo à praça: nem adianta as sardinhas ficarem ouriçadas, que elas não terão a honra de ser tema central aqui, não. Só falei delas porque num entendo este, como diriam os xibungos, frisson dos SEISCENTOS.

Elas passaram mais de uma década tomando na tarrasqueta e arrotando que estavam lascando Carolina Dieckmann. Em nenhum momento neste longo período tiveram a honradez de admitir a superioridade do Vitória. Toda hora aparecia uma desculpa. Era o juiz, a bola, o presidente da Federação, o vendedor de picolé da capelinha, todo mundo era culpado. Agora, querem porque querem (e vão continuar querendo) que estedamos tapete vermelho e  transformemos o empate delas  diante do Vitória em um acontecimento mais importante do que o projeto Genoma.

Hômi, quá; sinhô, me deixe!

E ainda têm as piores, que ficam batendo o pezinho, se fazendo de ofendidas, tal e qual virgens nos puteiros. Num aguentam vara, disgramas, peçam cacetinho. Só não venham pra cá com os peitos moles dizendo que são moças.  Num vá procurar um jegue viúvo, não, fique aí.

Mas, chega. Estes novos três minutos de glória das meninas já foram mais do que suficientes. É hora de falar de coisas sérias.

Seguinte é este.

Para que um Clube se estabeleça de modo permanente – e não sobreviva apenas de ilusórios e efêmeros resultados- , faz-se mister que exista uma sintonia entre time, torcida e diretoria. É necessário que, digamos assim, cada um destes segmentos tenham consciência de seu papel e exerçam-no de modo, no mínimo, digno.

Pois então, amigos de infortúnios, estes prolegômenos são apenas para destacar, uma vez mais, que os torcedores do Leão têm atuado de modo espetacular. Apesar de todos os pesares, e eles não têm sido poucos ultimamente, a torcida vem mostrando um louvável compromisso com o crescimento da instituição, tanto nas arquibancadas quanto nas ações cotidianas, sugerindo, cobrando e fiscalizando.

Os jogadores, em que pese suas limitações, e elas também não são poucas, têm demonstrado garra e doação exemplares – ao menos nas últimas rodadas -, especialmente sob o comando de Ricardo Silva. Prova disso é o reconhecimento da torcida do esforço dos atletas.

E a diretoria? Bom, ou melhor mal, tem sido a nota completamente destoante. Nem vale a pena citar aqui as malamanhadas (falta de) ações para que este espírito de pusilanimidade não contamine os outros setores – até porque temos uma importante decisão logo mais contra o Coritiba e não precisamos destes fluídos negativos.

Então, é isso.

Avante, Leão, continue altivo, pois não está morto quem peleia.

P.S Quanto à (re) contratação de Experimentalgiani, é natural que existam pessoas pessoas que a favor e outra contra. Uns gostam do trabalho dele – e  outros detestem.

O que não é aprovado por ninguém, creio, é esta forma infame de como se deu esta nova vinda. A diretoria tem que começar  urgentemente a tratar as coisas do Vitória com o mínimo respeito à Instittuição e ao torcedor.

UM FATO HISTÓRICO

maio 15, 2012

Sou obrigado a admitir: Realmente, neste último domingo, Salvador, e mais particularmente o Estádio de Pituacivisky (vá fazer rima na casa do caralho), presenciou um feito histórico. Por mais que não queiramos, temos que reconhecer que, depois de muitos anos, mais de uma década, houve finalmente uma mudança de postura que possibilitou uma conquista memorável. E tal fato está muito além das paixões clubísticas e deve ser reconhecido por todos, indistintamente.

É óbvio que, qualquer pessoa que tenha ao menos o supletivo ou algum curso no Instituto Universal Brasileiro, já percebeu que estou falando do comportamento antológico da torcida do Vitória. A verdade que salva e liberta é uma só: A massa Rubro-negra mostrou seu valor de modo exemplar.

Aos desmemoriados, lembro que, no ano da graça de 1997, esta mesma torcida vaiou o Leão após a conquista de um campeonato. Exatos 15 depois, os torcedores deram uma demostração inequívoca de brio, reconhecendo e aplaudindo a raça e a determinação da equipe. Este é o fato que ficará para a história.

Ah, sim, é verdade que no domingo teve uma agremiação, que num ganhava nada desde a segunda guerra mundial, que conseguiu empatar com o Leão, mas diante da atitude da torcida do Vitória este é um fato de somenos importância. Nada que justifique todo este furdunço, como se o eixo central da terra tivesse sido alterado.

Aliás, sobre o que aconteceu ontem, a melhor definição é de meu amigo Jean Gerbase. Às Aspas.

Por isso sempre fui contra o sistema de cotas. Ridícula essa ideia do Vitória de ficar dando cota de 20% dos campeonatos pros times insignificantes do interior do Estado, a cada década.

É cruel e desumano alimentar a sobrevida desses moribundos. Alguém aí lembra do Colo-Colo?”

Palavras da salvação.

 

P.S Amanhã, falarei sobre o jogo em si, que no Nordeste de Amaralina já é conhecido como clássico Cartão de Crédito VISA VITÓRIA X sardinha.

SOFRER TAMBÉM É MERECIMENTO

maio 11, 2012

A mais sórdida pelada, ensinava o menino Nelson Rodrigues, é de uma complexidade shakespeariana. Um clássico, então, vixe dona maria. Sobre tão delicado tema, o mesmo anjo pornográfico, em sua melodramática grandiloqüência, costumava exemplificar com a seguinte hipérbole “O Fla x Flu começou 40 minutos antes do nada”.

E já que falamos da absolutez do nada, eu lhes asseguro: Nada, repito, nada se compara a um Vitória x Botafogo, clássico que envolve dois times que sempre adentram os gramados da vida e da morte com uma inquebrantável vocação para a infâmia – seja lá que porra isto signifique.

Mas, amigos de infortúnios, a verdade, esta menina traquina, é uma só: Quando estas duas centenárias agremiações diplomadas em matéria de sofrer se enfrentam, as mais terríveis tragédias gregas transformam-se em meras e apenasmente adocicadas sessões da tarde. Afinal, a peleja entre o Rubro-negro baiano e o Alvinegro carioca está para muito além do bem e do bem, com diria Zé bigode.

E anteontem não foi diferente.

As duas equipes, como sói, já entraram em campo com o gosto amargo de coturno de sargento no canto da boca, pois vinham de duas decepções dominicais. O Botafogo, após meter 1 x 0 no Fluminense, vacilou, entregou a rapadura e recebeu uma bordoada de quatro. Já o Vitória fez pior: conseguiu empatar em seu Santuário com o fraco time da sardinha.

E como tragédia pouca é bobagem, o autor do primeiro gol da partida foi exatamente o menino Elkesson, torcedor do Vitória, que, uma vez mais, não vibrou ao balançar as redes contra o seu Clube do Coração, se é que jogador de bola tem coração.

Pois muito bem.

Por mais contraditório que possa parecer, o referido gol foi comemorado por todos os torcedores do Vitória que têm um mínimo de conhecimento de causa sobre o clássico. Afinal, em se tratando de Botafogo, que precisava apenas de um empate em 0 x 0, sair na frente simbolizava a véspera do fracasso.

E não deu outra. Ou melhor, deu. E não deu, pois na última volta do ponteiro mais uma chibança digna da estupidez da labuta. Pênalti para o Vitória, expulsão de um jogador da Estrela Solitária e o Friedenreich lambuzado de dendê faz questão de transformar o goleiro Jefferson em herói.

Pausa para o intervalo e para o consumo de mais umas doses de canjebrinas e outras mumunhas não recomendadas pela Carta Magna.

Seguindo o roteiro de vingança pelo avesso, o responsável pela virada Rubro-negro no segundo tempo foi exatamente um ex-centroavante do Botafogo e torcedor declarado do time na infância: o atual técnico do Leão, Ricardo Silva.

Ao tirar Geovanni, que estava jogando pedra em santo (aliás, nem isso ele fazia), o Vitória, como diria os xibungos mudernos, ganhou uma nova dinâmica de jogo. Por volta dos 10 minutos e 37 segundos (não me perguntem o tempo exato, pois não uso relógio), o número 8 do Leão chamou a criança na chincha, meteu no ângulo e fez juz à bobagem que vou falar agora: Deixou de ser Pedro Ken e se transformou em Pedro Alguém. Golaço.

A partir de então, saio da terceira pessoa e informo que passei a torcer fervorosamente para que o Vitória não marcasse o segundo gol antes dos 44 minutos, pois tinha a convicção de que minhas 26 pontes de safenas não agüentariam o rojão.  Porém, o Vitória tem um estranho prazer em me sacanear. 20 minutos antes do previsto e combinado, Tartá mandou a criança novamente para o barbante.

Depois deste segundo gol, nada mais posso relatar, pois, assim como Manoel Bandeira ao ver Teresa pela terceira vez, percebi apenas que os “céus se misturaram com a terra e o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas”.

E assim será para todo o sempre, amém.

P.S.1 : O título desta homilia, publicada originalmente no www.impedimento.org , é uma homenagem a um mestre do Samba, Oscar da Penha, o glorioso Batatinha, sobre quem larguei uns two cents aqui nesta outra emissora.

Os desterrados também têm o direito de Amar (Capítulo 4, versículo 113)

maio 10, 2012

A Série os Desterrados hoje ganha um capítulo mais do que especial. Além de tratar das dores e alegrias pretéritas, o menino Humberto Sampaio, com seu faro jornalístico, foi em cima do fato tal e qual um carrapato e tratou de tudo ao mesmo tempo agora neste ESPETACULAR E DEBOCHADO relato. Apreciem sem moderação.  

“Eu nem sei o que é pior, ficar a um oceano de distância de casa ou não ter um rubro-negro amigo do lado pra ajudar a secar o estoque de cervejas Cuca na comemoração da virada sobre o botafogo (deixe em caixa baixa mesmo), em pleno Engenhão. Certamente, pior mesmo é padecer das duas coisas.

Porém, ainda que longe de Salvador, da família, dos amigos e da Toca do Leão, não há quem consiga dimensionar a alegria deste rubro-negro, que foi dormir depois das 3h (23h aí no Brasil) vendo e revendo os gols que a transmissão do JustinTV e sua conexão em queda constante não permitiram que eu visse no momento em que eles aconteceram.

Todos os expatriados que me antecederam nesta tribuna já falaram da agonia que é assistir ao Leão pela internet. É o sinal que cai, é transmissão que trava, é a putaquepariu. Ontem, sintonizei na Metrópole pelo itunes, enquanto tentava acompanhar os lances na tela reduzida deste laptop que ora faço uso, mas a zorra da transmissão do rádio chega aqui na África mais atrasada que o próprio sinal da JustinTV. A agonia é em dobro.

Mas às favas com esse desespero louco que passo todas as vezes que o Vitória joga. O que vale é a classificação na Copa do Brasil. Pouco me importa se Welington Saci entrega o ouro pra “Porra Elkson” (essa interjeição, que tantas vezes ecoou no Barradão, foi ouvida por meia Luanda na noite de ontem) ou se Neto Baiano perde duzentos gols e um pênalti. A alegria de vencer supera tudo.

Na minha condição de rubro-negro na diáspora, já passei por quase todo tipo de constrangimento. Desde ser abordado por angolanos que me perguntam se é do flamengo (caixa baixa também) a camisa que uso – e ter que responder educadamente:  “flamengo é o caralho, este manto é do VITÓRIA”-, até a assistir o baVI ao lado de dois torcedores das sardinhas, só porque um deles tinha um telão de 50 polegadas plugada ao computador com internet de banda dedicada de 100mb.

Tomara que essas carniças me convidem de novo pro jogo deste domingo. Vai ser ótimo ter, pelo menos, duas vítimas pra sacanear, depois que a gente ganhar mais um Campeonato Baiano em cima delas. Tudo bem que não será o mesmo que estar em Pituacives e sair de lá cantando: “ê cafuné, ê cafuné, na bundinha do jahia só não bota quem não quer”. Mas já será um grande alento. Capaz até de transformar esse Atlântico, que me separa de casa, numa pequena travessia Mar Grande/Salvador.

ESTRAÇALHA LEÃOOOO!!!!!!”

Os desterrados também têm o direito de amar (Capítulo 3, versículo 113)

maio 8, 2012

Nas últimas 48 horas, estive diante de um dilema de botar Hamlet no chinelo: Escrever ou não escrever sobre o último clássico VISA no Barradão.

Com o juízo obnubilado por canjebrinas, algumas substâncias não recomendadas pela Carta Magna e, especialmente, pelo frio paulistano não me sentia bem em realizar tal tarefa. Seria muito leviano falar sobre o que não vivi. Então, preferi o obsequioso silêncio. Mas, para que os milhares de ouvintes desta emissora (na verdade, três) não ficassem sem notícias nestes tempos tenebrosos, decidi publicar o excelente texto, mais um, do menino Lionel, que canta como o Messi, joga como o Richie e escreve como o DEMÔNHO.

Recebam, amorteçam e distribuam  as prosopopéias que salvam e libertam de Lionel Leal. Às aspas.

“Estava eu tranquilamente curtindo meu feriado, ponderando por quê todo mundo quer transar no dia do sexo, mas ninguém quer trabalhar no dia do trabalho, quando toca o telefone. Era meu irmão, Diógenes.

Lionel? Aqui é seu irmão“, disse ele.

“Eu sei, até já falei lá no primeiro parágrafo”, respondi.

Já tendo aprendido a ignorar minhas sandices após trinta anos de convivência,
Diógenes apenas prosseguiu:

“Franciel está pedindo nossa ajuda”.

“Essa não”, levantei do sofá, já preocupado: “em qual delegacia ele está?”

“Que isso, rapaz, Franciel é boa gente, nunca foi preso à toa”, defendeu Diógenes. “Ele apenas estava pensando em colocar uns textos de convidados no site, e seu nome foi citado”.

Como eu normalmente só sou citado quando um oficial de justiça aparece para cobrar dívida, prontamente aceitei o desafio. Assim, aqui estou para contar a vocês como é viver longe de sua terra e — mais importante — do seu time:

É uma merda.

Certo, imagino que vocês estejam esperando algo menos resumido, então deixe-me elaborar um pouco mais. Morar longe significa não poder ir ao estádio, não acompanhar o dia-a-dia do seu time, e assim depender de terceiros para ter notícias e saber como o Leão está jogando. E aí, tome-lhe informações desencontradas: a depender de para quem você pergunta, Geovanni pode ser o maior camisa 10 desde Petkovic ou um pereba que não entra no meu baba nem se for o dono da bola.

Mas, tudo bem, estamos chegando no segundo semestre e assim eu poderei ver os jogos do Brasileiro na TV e formar minha própria opinião, certo? Verdade, mas aí entra outra grande dificuldade enfrentada por nós, desterrados, nesse mundo capitalista: a grana.

Sai caro torcer para o Vitória em Brasília. Os garçons cobram bandeira dois na gorjeta para sintonizar a televisão em qualquer jogo que não envolva um time do Rio ou de São Paulo, e o PFC ocasionalmente nem transmite todos os jogos da série B.

Por outro lado, o Vitória eventualmente vem jogar no Serra Dourada, a apenas 210 km de Brasília. Diante da possibilidade de ver o meu time, até não me incomodo de gastar com gasolina, ingressos, cerveja e talvez um hotel. O problema mesmo é quando a minha doce e solidária esposa, companheira como só ela sabe ser, resolve ir comigo e aproveitar a viagem para visitar cada uma das sessenta e duas feiras de Goiânia comprar umas calças, alguns sapatos e sei lá quantas bolsas.

Senhores, ser obrigado a investir na bolsa para ver o Vitória jogar é algo que não desejo a ninguém.

Porém, para que não me acusem de ser mais casquinha do que já sou, devo confessar que o maior problema em ser um desterrado não são os gastos, mas o sentimento de impotência.

Epa, calma lá. Muito embora a minha caixa de e-mail lotada de spam oferecendo Viagra e Cialis possa indicar o contrário, eu na verdade estou falando de outro tipo de impotência.

Explico. Ir ao Barradão, apoiar o time, lamentar as derrotas e comemorar as vitórias in loco faz com que você se sinta parte daquilo tudo — um sentimento que não existe quando estamos, à distância, acompanhando pela TV.

Por mais que eu discuta com o narrador (mas é sempre ele quem começa a me
provocar) e passe instruções para Neto Baiano (que nunca me ouve, ô centroavante teimoso), assistir o jogo na TV simplesmente não é a mesma coisa que estar no estádio. E aí vem o sentimento de impotência, a sensação de que nada posso fazer para ajudar o meu time.

Mas, ainda bem, essa é uma sensação que passa rápido. Porque eu sei que posso, sim, fazer algo para ajudar meu time: mesmo à distância eu posso lutar por um Vitória mais democrático, posso manter minha condição de associado e meu direito a voto. E assim, posso ajudar a fazer um Vitória melhor e mais forte.

Porque o Vitória pode estar longe de mim, mas eu nunca estarei longe dele“.

OS DESTERRADOS TAMBÉM TÊM O DIREITO DE AMAR (Capítulo 2, Versículo 113)

maio 4, 2012

Mais um excelente texto da Série Desterrados. Por Diogenes Baleeiro, que tem nome e sobrenome de jurista, mas não se enganem: ele é um jurista. 

 

“A pedido de Franciel, fiz o relato abaixo sobre as alegrias e desventuras de torcer pelo nosso Leão à distância, sofrendo com a impotência de não poder contribuir naquele que é o habitat natural do torcedor, a arquibancada. Como forma de retribuir a homenagem que está sendo prestada a nós, desterrados, advirto antecipadamente que tratei de emular algumas expressões características do nosso rouco locutor, viciado em Cepacol e outras mumunhas não recomendadas pela Carta Magna, o que também servirá para não assustar o fiel público deste blog.

Aos fatos.

Inicialmente, devo confessar que viver como desterrado nos dias de hoje aqui na Capital das Alterosas não é tarefa das mais árduas. As ferramentas atuais da modernidade contemporânea – TV paga, redes sociais, site das rádias baianas, youtube, gato na sky do vizinho etc. – facilitam muito a nossa vida, permitindo-nos o acesso às informações futebolísticas de todo o universo em tempo real. Além disso, de vez em quando a gente se permite fazer uma gracinha, como dar um zig no trabalho em plena quarta-feira, pegar um voo para Salvador, ver uma final da Copa do Brasil no Barradão e voltar no dia seguinte de ressaca.

Mas nem sempre foi assim.

No ano da graça de 2004, este escriba, ao saber da lista dos pré-candidatos à prefeitura municipal de Salvador, seguindo antecipadamente aquelas que viriam a ser as futuras orientações de Sêo Franciel no tuíter, resolveu abandonar o Brasil e pedir asilo político em Roraima.

Sim, amigos, apesar de todas as evidências indicarem o contrário, posso afirmar-vos, sem medo de errar, que Roraima existe (!), pois tive a rara oportunidade de residir naquela misteriosa província no biênio 2004-2005.

Antes de embarcar definitivamente para a terra de Macunaíma, tratei de cumprir o meu dever cívico e compareci ao Monumental Manoel Barradas, na noite do dia 5 de maio de 2004, para dar a minha última contribuição à salvação da humanidade, ajudando o Vitória a meter 3×1 no Internacional e avançar às quartas de final da Copa do Brasil. Naquela oportunidade, o Leão ocupava a segunda colocação na tabela do Campeonato Brasileiro e a sensação que eu tinha era de que as notícias que receberia de Soterópolis até o final do ano seriam alvissareiras.

Meus primeiros dias em Boa Vista não foram fáceis. Sem televisão e internet em casa, e com a ligação interurbana para Salvador custando, no meu pré-pago, algo em torno de R$ 2.476,98 o minuto, era obrigado a me deslocar até a bodega mais próxima (o que, naquelas bandas, significava andar umas vinte léguas) e assistir uma partida irrelevante entre corinthians e qualquer porra, esperando aparecer a irritante bolinha da globo anunciando um gol do Vitória.

Nesse momento, renovo o meu pedido de vênias ao dono do Blog para parafraseá-lo:

PUTAQUEPARIU A AGONIA!!!

Seu time disputando as primeiras colocações do campeonato, você não tem nenhuma informação a respeito, a disgrama da bolinha, quando aparecia, era para anunciar gol de sei-lá-que-porra e o garçom, ao te ver com a camisa do Vitória, ainda gritava: “Giiiiilson, traz mais uma Skol pro flamenguista aqui!!!”.

Pra terminar de lenhar a zorra toda, devido às diferenças de fuso horário, o jogo passava lá às 14h, o que significava que eu tinha que andar as tais vinte léguas debaixo de um sol de cinquenta e dois graus celsius.

Tudo isso, associado ao fato de que perdemos, mais tarde, a semifinal da Copa do Brasil para o Flamengo, me fez tomar uma decisão quase suicida: Telefonei para os meus familiares em Salvador e pedi para eles me ligarem em dia de rodada do brasileirão apenas nas ocasiões em que o Vitória ganhasse.

Passaram-se algo em torno de vinte rodadas e nenhum telefonema.

O final trágico daquele ano todos sabem e não quero ficar relembrando aqui, mesmo porque estamos em uma semana comemorativa.

Mas o fato é que ninguém conseguia me tirar da cabeça que a culpa pelos infortúnios do Vitória naquele ano era minha. Não era de Paulo Carneiro, não era de Oswaldo de Oliveira, não era de Hélio dos Anjos, não era de Evaristo de Macedo, não era de Vampeta, não era de Edilson, não era de ninguém. A culpa era minha.

Minha presença no Barradão teria feito diferença nas imperdoáveis derrotas dentro de casa. O fato de eu ter acompanhado os jogos fora de casa pelo rádio poderia, por algum motivo, ter desencadeado uma série de eventos que alteraria a trajetória do time. Eu poderia ter feito alguma coisa. Enfim, essas e outras loucuras passavam pela cabeça daquele angustiado desterrado de primeira viagem.

Para não dizer que não falei de flores, a angústia contida virou euforia, anos mais tarde, já em Minas, com os sucessivos acessos em 2006 e 2007.

Em 2006, mais do que o acesso, saber que poderia ver alguns jogos na TV era um alento para quem vinha lutando para obter as escassas notícias sobre a série C. Em 2007, mais do que o retorno do Leão ao seu lugar de direito, eu comemorava ainda a possibilidade de assistir alguns jogos do Vitória no Mineirão, como aquela derrota por 3×0 para o Atlético, imediatamente convertida em uma inesquecível vitória nos pênaltis, na Copa do Brasil de 2009. Naquele dia, conseguimos fazer ouvir o nosso grito minoritário dentro de um lotado Mineirão: http://www.youtube.com/watch?v=T-U7BE94tT4&feature=related

Tive, ainda, a oportunidade de ver outros momentos memoráveis in loco, como o Vitória meter 3×2 no galo em Sete Lagoas, em 2010, com um jogador a menos, gol de pênalti de Viáfara e as porra: http://www.youtube.com/watch?v=eBiUiJGZTe8

Hoje em dia, desterrado Rubro-negro experiente que sou, tenho em casa, importado diretamente do Nordeste de Amaralina, um considerável estoque de Cepacol para, a cada gol, a cada triunfo, fazer ecoar entre as montanhas de Minas um grito cada vez mais familiar entre os habitantes desta introspectiva província: VITÓÓÓÓÓRIAAAAAAAA POOOORRAAAAAAAAAA!!!”

TORCENDO COM O INIMIGO

maio 3, 2012

Viajar é beber em outro lugar.

Este abalizado axioma, desenvolvido por Iuri Vasconcelos Barros de Brito, jurista, meu amigo e filósofo (não necessariamente nesta ordem), sintetiza, genialmente, a serventia dos deslocamentos espaciais. Realmente, viajar é apenas beber numa urbe diferente.

Aliás, minto. Além de ingerir canjebrina, viajar serve também para torcer em outro lugar. Acontece que quem escolhe esta forma de sofrimento deve estar preparado para os mais terríveis dissabores.  De saída, constata-se logo que aquele fatídico ditado de que “o que os olhos não vêem o coração não sente” é conversa de chifrudo conformado.

Amigos de infortúnios, em verdade lhes confesso: A dor à distância é disgramadamente desesperadora. E torna-se ainda pior quando você tem que se submeter a ver a porra do jogo de seu time ao lado de torcedores rivais. E foi exatamente isso que ocorreu com este humilde e embriagado locutor na peleja entre Vitória x Botafogo, que fui obrigado a acompanhar aqui no frio paulistano.

Assim que Leandro Vuaden, juiz sacana, ladrão e gaúcho (desculpem-me as redundâncias) soprou o apito, os canalhocratas, que eram metade da platéia, começaram a querer enojar o baba, praticando o diversionismo.

“Você sabia que Jacqueline Stallone, mãe do Rambo, é especialista em rumpologia?”, inquiriu Flávio Costa, que, além de torcedor do Bahia, tem mais dois defeitos graves: usa cabelos rastafari e é jornalista.

O Rubro-negro Eliano Jorge, menino bom, mas ainda inexperiente, cai na armadilha do sacana e pergunta: “O que é rumpologia?”.

Antes que o rasta safado começasse a informar que era a ciência da leitura de bundas, gritei: “Chega de divisionismo!!!

E fiz tal alerta não somente porque minha responsabilidade diante dos destinos da Pátria obrigava-me a não deixar que imperasse a chibança, mas porque me lembrei que, num momento de muito menos gravidade para a Nação, Tancredo Neves já havia feito a pregação: ‘Nós não vamos nos dispersar’”.

Porém, minha ordem não deu tempo de ser cumprida, estabeleceu-se a balbúrdia, o lateral Léo se desconcentrou, entregou a rapadura e o Botafogo abriu o placar, com o gol de Elkesson, cria do Leão.

PUTAQUEPARIU A TRAIRAGEM!!!

Por falar em sacanagem, poucos minutos depois, o menino Tartá fez uma daquelas, bem humilhantes. Apesar da desvantagem no placar, o atacante do Leão meteu a bola no meio das canetas do zagueiro do Alvinegro como se estivéssemos vencendo de goleada e cruzou para Neto Baiano empatar.

Ao perceber que o Vitória ia virar e golear, Nelson Barros Neto, outro sacana tricolor no recinto, apelou: “Se eu fosse vocês, não comemorava este provável triunfo, pois é feio, é indigno, ganhar de um time completamente esfacelado como está hoje a equipe da Estrela Solitária”.

A apelação, o jogo baixo do sacripanta do Nelson, parece que contaminou os atacantes do Vitória. Sim, só pode ter sido isso. Afinal, aquela quantidade de gols perdidos pelo Friedenreich lambuzado de dendê no segundo tempo deve ter acontecido apenas porque ele não queria ser acusado de ter ajudado a derrotar um time desfalcado.

Mas, não há de  ser nada. Na próxima quarta-feira, a peleja decisiva promete ser mais equilibrada. Afinal, se por um lado o Botafogo terá o time completo, o Vitória será orientado por este humilde locutor sem a aporrinhação dos rivais, que estarão apenas lamentando a madeirada que receberão no VISA do próximo domingo, amém.

OS DESTERRADOS TAMBÉM TÊM O DIREITO DE AMAR (Capítulo 1, Versículo 13)

maio 2, 2012

Neste mês de maio, o Brioso Leão faz aniversário, mas quem ganha o presente é o ouvinte deste emissora. Além de ficar livre dos textos deste locutor,  ainda receberá  nos mamilos preciosas contribuições dos torcedores do Vitória que vivem ou estão passando uma chuva em outras paragens. A Série sobre OS DESTERRADOS começa com este excelente texto de Washington Souza Filho*

“Por razões diversas, pessoais e profissionais, vivi, e vivo, acostumado a torcer à distância. Uma prática desenvolvida com a mediação – receba na caixa torácica, diria o cabeludo, sem nenhuma vênia – da tecnologia, através dos meios de comunicação. Situação, em qualquer das circunstâncias, que garante a compreensão de que a proximidade com o objeto é sempre uma experiência para ser vivida na plenitude. Quero dizer: estar no estádio, torcendo pelo Vitória é sempre uma satisfação, que muitas vezes impõe sacrifícios e o resultado da partida não corresponde, na proporção direta – o ônus de estar na arquibancada.

Brincadeiras, na forma de escrever, à parte, a situação que vivo agora – neste momento fora do Brasil, acompanhando os jogos pela internet – têm vantagens que a tecnologia oferece, o que descobri desde a infância. Muito cedo, ao mesmo tempo em que acompanhava a minha mãe na peregrinação pelos gabinetes e quartéis de Salvador, consequência da militância política do meu pai, descobri, através do rádio, o Vitória – em uma inusitada derrota para o Leônico, na final do Campeonato Baiano de 66. Ir à Fonte Nova só era possível ao lado de um tio e primos, todos torcedores do outro, como escreveria Eduardo Galeano, para tratar da rivalidade entre Nacional e Penãrol, do Uruguai.

No trabalho, descobri logo que a objetividade, em nome da verdade – com o devido reconhecimento da forma tratada por Wilson Gomes, vascaíno de Camacã – que a atividade emana, permitia descrever o que podia ser comprovado com informação. E acabei contando a história de Hermano Henning, na época jornalista da TV Globo, quando acompanhou uma expedição à Antártida.

A bordo do navio Barão de Teffé, da Marinha Brasileira, ele ouviu pelo rádio uma vitória do Corínthians, para o qual torce – uma partida em que Casagrande marcou não sei quantos gols. O aparelho era um modelo usado por jornalistas, com diversas faixas de onda, capaz de captar as emissoras de pontos mais distantes – algo que a internet agora faz, sem chiados. Ganhei um rádio desses, mas pouco uso. Quando precisei, em outra oportunidade, morar fora do Brasil, nunca usei para acompanhar jogos de futebol.

Ainda o tenho, presente de um amigo, com o qual não tenho mais contato, mas aprendi que para acompanhar futebol, pelo menos o da Bahia, não é um bom meio. O que é feito no rádio da Bahia – nem vou dizer por quem, como faria o titular deste blog – é algo que afasta o interesse de qualquer um, por qualquer assunto, cujo motivo eles sabem a razão, independentemente de qual seja, para mim. O pior é que muitos dos que escrevem para blogs, sites, o que seja, dito em nome do torcedor, seguem o mesmo caminho.

Sem a necessidade de considerar cânones de uma profissão, deveriam pelo menos respeitar o bom senso de quem lê. Escrever com correção e não repetir a postura de gente que transforma a relação com dirigente em vantagem de alguma espécie. Para mim, a opção que resta, como sempre, veio da tecnologia. Acompanho as partidas através da internet, sem a necessidade de ouvir bordões copiados de slogans de emissoras de televisão ou ouvir piadas sem graça.  E continuo aproveitando as oportunidades que a vida oferece – ou impõe, porque já fui para o Barradão de muletas e cadeira de rodas para assistir a jogos do Vitória. É a tal proximidade com o objeto, vivida na plenitude, a experiência do contato com uma realidade – o que pode ser um bônus, em alguns casos”.

Serra da Estrela, em penhas da torre, ponto mais alto de Portugal 

*  É jornalista, professor da Universidade Federal da Bahia, trabalhou em jornais, revistas e emissoras de televisão da Bahia, Sergipe e do Sul do país.  repórter da Revista Placar da sucursal de Salvador, três vezes ganhador do prêmio abril de jornalismo. Viveu em angola, onde trabalhou como consultor da televisão pública. Atualmente mora em Portugal, onde cursa o doutorado em comunicação, na universidade da beira interior, em Covilhã. nunca acredita no que lê ou ouve,  se não tiver como apurar, quando o assunto é o futebol baiano. Sempre torceu pelo Vitória, mas sempre manteve o respeito pela sua profissão, antes de qualquer coisa.

DESNECESSARIAMENTE PATÉTICO

abril 30, 2012

O velho Otávio Mangabeira, sempre ele, é autor de uma frase que capta uns pedaços da alma dos habitantes desta província lambuzada de dendê . “O baiano gasta dez mil réis para que outro baiano não ganhe cinco”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal.

O comportamento deste tipo de espírito de porco foi atualizado por meu amigo Vandex na canção Alma Escrota, que começa assim:  “Num quero nem me dar bem. Agora eu quero é prejudicar”.  E mais. Como disse o próprio Vandex, tem uma galera que, num tendo condições nem de prejudicar, esforça-se para, ao menos, atrasar o lado do outro, empetelhar,  ser a mosca na sopa.

PUTAQUEPARIU A ESCROTIDÃO!!!

“Mas, homem de deus, o que foi que aconteceu que você está assim? Num era para você estar feliz, curtindo uns dias de descanso?”, pergunta-me a moça do Shortinho Gerasamba.

E eu respondo: realmente era, mas, mesmo longe de soterópolis, me lembrei deste traço dos baianos porque um amigo, esta raça de gente ruim, sabendo que tirei uns dias para desanuviar o maltratado juízo, inventou de me informar que Paulo Cesar Carpegiane nem vem mais para o Vitória.  É óbvio que ele sabia que eu não morria de amores pelo cidadão de óculos Ray-Ban, mas o objetivo do sacana do meu amigo era estragar minha viagem.  Só pode ter sido isso. E é claro que ele conseguiu, pois aqui estou, injuriado, virado nos seiscentos DEMÔNHOS com mais esta patacoada da diretoria.

É fato que, com o lombo curtido pelas décadas de desventuras, não deveria mais me surpreender com nenhuma  (falta de) ação da diretoria do Leão, mas, feliz ou infelizmente, não consigo. A palhaçada, sempre tão previsível, não deveria causar surpresa, mas eles estão sempre tentando inovar, buscando um jeito de aporrinhar a torcida. Sim, só pode ser proposital. Num tem outra explicação. Nem Marques de Sade, nos seus piores momentos, seria capaz de ficar maquinando tanta perversidade.

Apenas para relembrar. Desde que Cerezo foi demitido, o Vitória cogitou trazer uns zé ruelas da marca de valdemar lemos, (que disse NÃO), paulo cesar gusmão e jorginho (que gritaram NÉCARAS), márcio Araújo (que tripudiou pela 3ª vez seguida com um JAMAIS) e o próprio Paulo Cesar Carpegiane, que disse que não, que sim, que talvez e que…olhe num dá nem vontade de xingar.

E o pior é que tudo isso é feito às vésperas de partidas decisivas na Copa do Brasil e, mais grave, antecedendo a Mãe de Todas as Batalhas, o clássico Cartão de Crédito, o brioso VISA (VItória x SArdinha, copiraite Teresa Ribeiro).

E em todo este processo, o presidente cansou de dar (lá ele) entrevistas afirmando que Ricardo Silva não queria ser técnico. No entanto, há controvérsias. Seguinte. Nem deveria, mas vou fazer uma confidência. Estive, faz alguns dias, conversando com uma fonte muito próxima ao atual interino, que me falou o seguinte, ipsis litteris.

“Franciel, Ricardo quer ser técnico, sim”.

Então, retruquei. “E por que porra ele não vem a público e fala isso?”.

E a pessoa acrescentou. “Porque Ricardo é uma pessoa do bem e não vai criar confusão – até porque ele é funcionário  do Clube”.

Tentei ainda argumentar que, funcionário ou não, ele teria que ter uma postura altiva, mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Porém,  diante de toda esta chibança, amigos de infortúnios, a única coisa que me resta, daqui do frio paulistano, é solicitar à Nação Rubro-Negra que esqueça (pelo menos até a partida final do Valerão-2012) as barbeiragens da diretoria e grite, berre e incentive o time rumo à conquista.  Afinal, nosso amor, postura conscientemente crítica e vibração irão de impedir que eles transformem NOSSO Clube em uma coisa desnecessariamente patética, pois parece ser este o projeto.

DESNECESSARIAMENTE DRAMÁTICO

abril 29, 2012

 

Até o ano da graça d e 1958, o Brasil padecia daquilo que Nelson Rodrigues classificou de Complexo de Vira-Latas, a posição de “inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo. Isso em todos os setores e, sobretudo, no futebol”.

O dramaturgo desenvolveu tal tese por conta do maracanazo, aquela tragédia que jamais sairá da alma dos brasileiros. E o sacana dizia: “Nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar”.

Pois bem.

Para superar o drama, o técnico Vicente Feola (que, segundo as más línguas, gostava de dormir no banco) tentava incutir na cabeça dos jogadores que a conquista era algo fácil de se conseguir. E foi assim que, antes da partida contra a poderosa União Soviética, ele chamou Garrincha no canto e passou as seguintes instruções: “Você pega a bola e dribla o primeiro da defesa. Quando chegar o segundo, você dribla também. Aí vai até a linha de fundo, cruza forte para trás, para o Vavá marcar.” Com muito senso de humor, o anjo das pernas e juízo tortos respondeu:  ”Tudo bem, senhor Feola, mas o senhor já combinou com os russos?”.

Pois muito bem.

Este espírito feoliano, de achar que tudo é fácil, continua a martelar a cabeça da torcida do Vitória, não importa quem seja o adversário. O juiz nem bem apita o início da peleja e a galera já começa a mostrar como é simples o caminho do triunfo. “Basta driblar todo mundo e colocar a  bola no saco”. O problema é que sempre nos esquecemos de combinar com os russos.

E, ontem, diante do brioso Feirense, não foi diferente. Todo mundo possuía a fórmula do sucesso – até mesmo o time. Assim, fomos para cima, driblamos os soviéticos de Senhor do Bonfim e  guardamos dois na sacola.  Uma beleza.

Bastava, portanto, voltar para o segundo tempo com a mesma pegada e a fatura estaria liquidada. A bem da verdade, nem precisava tanto, poderíamos até nos dar ao desfrute de cadenciar o jogo e etc e coisa e tals e esperar o ordinário do Arilson short apertado Anunciação decretar o fim da labuta.

Porém, a verdade é que o Leão não consegue entender a vida sem dificuldade. Tudo tem que ser numa agonia dos seiscentos DEMÔNHOS. Do nada, inventamos de transformara o mais ordinário baba num drama épico de botar Shakespeare no chinelo.

PUTAQUEPARIU MINHAS PONTES DE SAFENA!!!

Amigos infortúnios, em verdade lhes confesso: Durante os 45 do segundo tempo e os quatro e intermináveis minutos da eterna prorrogação, eu  vi a casa feder a homem. A sensação era que a tragédia iria dar o ar da graça a qualquer momento em edição extraordinária.

E tal disgrama só não aconteceu porque saquei do coldre meu último litro de cepacol e gritei: “Ricardo Silva, seu sacripanta, tire Rildo agora e coloque qualquer porra aí, senão este maluco vai enojar meu baba”.

Obediente, o nosso feola de plantão cumpriu a ordem e, a duríssimas penas, carimbamos o suado passaporte para a final. Porém, lamento informar à nação Rubro-Negra que perdemos uma peça importante.

Seguinte.

Este modesto e rouco locutor vai viajar para repor o estoque de Cepacol e não poderá orientar o time na quarta-feira diante do Botafogo. Portanto,  aumenta-se, de modo considerável, a responsabilidade de cada um de vocês.  Então, nada de espírito de vira-latas, mas também não adianta achar que tudo vai se resolver na fórmula feoliana.

Amém, rebain de fariseus ?


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 30 other followers