HOMILIA EM RESPEITO AOS FRACOS E OPRIMIDOS

setembro 23, 2014

Mais atrasado do que o goleiro Marcelo Lomba, só agora ocupo este impoluto espaço para resenhar sobre a peleja do último domingo, também conhecido como 21 de setembro. Antes, porém, sem longas nem mais delongas, aviso logo à praça. Caso o amigo ouvinte tenha comparecido a esta emissora, com gosto de sangue na boca, esperando que este brioso locutor achincalhe e humilhe o ex-rival do Esporte Clube Vitória, favor voltar outro dia ou sintonizar em outra estação no dial. Afinal, minha sólida formação cristã/marxista impede-me de tripudiar dos fracos. E estas sardinhas, convenhamos, são de uma debilidade ímpar.

É fato que muitos podem argumentar (não sem razão) que nossos ex-adversários são anêmicos, mas arrogantes. Porém, a afetação destas criaturas imodestas está ligada muito mais ligada a este axioma que minha finada genitora gostava de repetir do que a qualquer outra coisa. “Incutido é pior do que maluco”.

É isso. O problema deles, amigos, é exatamente de incutimento.

Seguinte foi este.

Depois que eles receberam umas bordoadas humilhantes na inauguração da velha fonte nossa, inventaram que a culpa era da antiga gestão. E mais. Que o tal o “baea democrático” não perderia para o Vitória, como se existisse um Bahia democrático, como se aquilo não fosse uma ficção, uma pantomina criada por marqueteiro para enganar incautos.

Mas, derivo.

O fato é que eles se apegaram a esta culhuda como se fosse a última tábua de salvação. E repetiam o mantra com a mesma insistência que os carros de som tocam os refrãos de pagode na praia de Boa viagem.

Como o Vitória estava (e ainda está) neste infindo descalabro administrativo, com reflexos nas 4 linhas, as sardinhas ficaram felizes por alguns meses e oito jogos. Porém, como dizia uma frase de autoajuda que ficava estampada nas paredes do Porto da Barra e que muito atribuem à vedete de Santo Amaro, “É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

E, neste último domingo, tudo conspirava para que as coisas acontecessem. Antes de tudo e de mais nada, era prenúncio da primavera, tempo ideal para entregar flores para defuntos. E o Vitória, com galhardia, seguiu a risca este ritual.

Devastadoramente superior, o escrete Rubro-Negro poderia ter imposto uma nova e antológica goleada, mas decidiu apenas recolocar as sardinhas no seu devido lugar de coadjuvante do futebol, posição que eles ocupam com denodo faz mais de duas décadas.

Noves fora o vacilo da zaga no início da partida, quando kieza (isto é nome de jogador ou de cosmético fuleiro?) fez 1 x 0, o Leão foi superior em todo o tempo. E menos de 5 minutos depois de sofrer o revés já havia igualado o marcador. O placar estava igual, mas a diferença de futebol e raça eram gritantes. O Leão encurralou completamente as sardinhas e meteu o segundo num chutaço de Luiz Gustavo, que era, até então, o jogador mais fraco, sem a mínima noção de ocupação do espaço que deveria ocupar em campo (Juan não conta. Este é um caso perdido).

 

O fato triste do domingo foi que perdi meu bolão. Como sabíamos que ia enfrentar uma ruína, botei 7 x !1. Paciência. Perdi o bolão, mas não perdi o senso de solidariedade cristão.

- Não, minha comadre, não adianta insistir. Repito o que já disse. Não vou espezinhar os mais fracos.

 

Aliás, o contrário. Estou aqui para ajudar. Por isso, informo o seguinte aos amigos que estão na zona, com dor de corno. Na Rua da Ajuda, número 39, tem uma boa loja de vinil. Lá, vocês encontrarão, ao menos, um disco de Odair José para se consolar. Caso contrário, torcida tricolor, é só voltar para vosso habitat natural na Ladeira Montanha, antes que o prefeito invente uma requalificação do ambiente e deixem vocês sem nenhuma possibilidade de abrigo.

Amém.

AVISO À PRAÇA

setembro 22, 2014

Sem longas nem delongas, o seguinte é este. Só escreverei a resenha do jogo amanhã ou quando passar a raiva. Afinal, perdi meu bolão. Botei 7 x 1  e o Vitória mete só dois num time fraco deste.

VÁ MATAR  A MÃE DO DEMÔNHO!!!

 

A VOLTA DO PRÍNCIPE DESENGONÇADO

setembro 18, 2014

Nome é destino. Este axioma é mais antigo do que o rascunho da bíblia. Aliás, por falar nas tais escrituras sagradas, reza a lenda que Abraão, na verdade, se chamava Abrão, Abram, em hebraico, que significa “Grande pai”. O problema é que o sujeito num tinha nem um filho. Então, Deus, que tudo sabe,  tudo vê e em tudo quer dar um jeitinho, inventou de consertar o erro, acrescentando mais uma letra a, transformando-o em Abraão, que corresponde ao “pai das multidões”. A propósito, conforme é de conhecimento da culta e religiosa platéia que sintoniza esta impoluta emissora, “pai das multidões” na grafia original pode ter as seguintes formas: אברהם, Avraham ou ‘Abhrāhām.

Mas, derivo.

O fato é que nome é destino, especialmente no futebol. Exemplo? Um meio de campo habilidoso jamais pode se chamar Tonhão. Quem carrega tal glória desde a pia batismal deverá percorrer as quatro linhas sempre na zaga, na zona do agrião, dando botinadas em atacantes distraídos. O time que tiver um Tonhão com a camisa 10 tá condenado à infâmia.

Derivo novamente, porém volto para garantir que, apesar de nome ser destino, um apelido, às vezes, pode mudar a sina de uma pessoa.

Sim, amigos de infortúnios, volto a falar dele, o homem, o mito, o pentelho, Willian Henrique. O sujeito tem nome de príncipe, mas biotipo e atuação daquele pirracento personagem de desenho animado. E o apelido pica pau entra na história dele exatamente para transformá-lo num herói improvável. Ao misturar plebe e fidalguia, nobreza e mass media numa mesma pessoa, temos, enfim, um cabloco cheio de pernas, de braços, com cabelos completamente malamanhados e uma vocação irremediável para santo salvador Rubro-Negro.

Na bela campanha de 2013, o referido fez 928 gols no Brasileirão, se não me engana o responsável pelo criterioso setor de estatísticas desta emissora. Este ano, talvez por conta desta estranha crise de identidade, ele tava preso em algum universo paralelo.

Ontem, porém, o sacaninha recomeçou sua saga no Vitória. Ao entrar no segundo tempo, tal e qual um raio da siribrina, seja lá que porra isto signifique, o time apático que perdia de 1 x 0 para o Fluminense, se transformou numa máquina de jogar bola, fazendo inveja até àquele time da Alemanha. Num foi à toa que Fred, ao pressentir novo massacre, não aguentou a pressão e pediu o velho e ordinário penico.

Sei que muitos aqui não acreditam em destinos e premonições, mas a melhor partida do príncipe Willian Pica Pau Henrique, Primeiro e Único, foi exatamente contra o Fluminense de Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, em pleno Maracanã. Meninos, eu estava lá e vi. E chorei.

Por falar em choro e ranger de dentes, termino a homilia dando (lá ele) um conselho aos amigos tricolores. Façam urgentemente um curso de línguas, pois no clássico de domingo a madeira vai gemer em 18 idiomas e 26 dialetos. E só Willian Pica Pau Henrique sabe falar a língua dos anjos e dos 600 DEMÔNHOS.

Amém.

SOB O SIGNO DA LIDERANÇA

setembro 11, 2014

 

O ponteiro do relógio não marcava nem 21h, quando este rouco e incansável locutor decidiu ultrapassar as catracas do Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental BARRAQUISTÃO. Os refletores ainda estavam apagados e o estádio completamente vazio, tanto literal quanto simbolicamente. Prevalecia um infame incômodo, proveniente não apenas da vergonhosa posição do time no campeonato. Era algo muito mais grave. Não havia torcida. E pior. Lá também não estava meu amigo João Sampaio, com quem frequentei aquelas arquibancadas nas últimas décadas.

Porém, depois de algumas fracassadas tentativas, havia decidido finalmente encarar e superar este difícil luto. É fato que eu já tinha visto uns jogos depois que ele se foi, mas este seria o primeiro depois desta complexa decisão. Desde sempre éramos uma dupla, desta que se forma por mágica, quando um gritava e xingava o árbitro, o outro orientava o time e vice-versa. A partir de agora, ou melhor, de ontem, eu tinha que aprender a ser só.

Felizmente, eu não estava só. Além de alguns amigos, que sempre encontro na tradicional esquina da zuada, contamos com a volta de Escudero.

Putaquepariu a categoria!!!

É impressionante como este rapaz sabe do jogo. Não é um craque formidável, não é um atacante matador, muito menos tem aquele brilho faiscante que encanta torcidas. Nada. Ou melhor, tudo. Ver Escudero em campo é como ouvir chorinho: sabemos que nada de mal vai nos acontecer. Ele joga e faz o time jogar por (boa) música.

E ontem não foi diferente.

Após chegar de uma longa viagem internacional (sorry, periferia), soube que o time Vitória estava praticando um futebol mais incompreensível do que os discursos dos candidatos a presidente, pronunciamentos estes que parecem ser redigidos por Mangabeira Unger.

Mas derivo. Derivo e volto para dizer que minha canhota organizou meu baba. Driblou, marcou, chutou a gol e, principalmente, com sua inexorável e quase silenciosa liderança, passou confiança à equipe. Até este goleiro paraguaio, que me pareceu um tremendo mão de quiabo, sentiu-se mais seguro. (Um fato notável foi que o camisa 1 no final do jogo ajoelhou e agradeceu aos céus. Pela leitura labial, deu para perceber que ele disse assim: “Obrigado, Maomé, por mandar este Messias chamado Escudero para nos salvar”).

Quem também se salvou foi Nino. Deu uma ou duas bragas, mas fez uma partida digna, assim como a deficiente zaga, que superou suas incríveis limitações. O resto do time (exceto Juan, que tem uma vontade louca de sempre  enojar o baba) cumpriu sua função, com mais ou menos brilho. Ah, sim. Vale um menção especial para Richarlyson, que abandonou sua estranha mania de dar toquinho para o lado e assumiu suas responsabilidades de coadjuvante de Escudero.

Enfim, mais do que a liderança do returno (sim, rebain de miseras, somos um dos líderes do returno), o triunfo sobre o Internacional restitui algo de sagrado ao time: a confiança de que é possível fazer diferente.

Então, é isso. A diferença para o G4 agora são de apenas 15 pontos. Recomendo a Corinthians e outras carniças que comecem a dançar com a bunda na parede pois a banda agora tem maestro que bota pra vê tauba lasca ni banda.

 

P.S.1 Por falar em madeira, digo apenas o seguinte para meus amigos sardinhescos: segure em minha laterna e balance, rebain de sacanas. Vão abanar seu carvão molhado, pois sou líder do returno.

P.S.2 E o coitado do Neto Coruja. A galera ontem no estádio estava dizendo que ele machuca mais do que Will. Vocês que são entendidos deste negócio, é isso mesmo?

 

AVISO À PRAÇA

setembro 10, 2014

Atenção, hereges.

Depois de um longo e tenebroso período, este rouco e incansável locutor decidiu que retornará ao labor nesta briosa emissora exatamente no simbólico 11 de setembro .

Aguardem e confiem.

 

OJERIZA À PRIMEIRA VISTA

maio 31, 2014

Agora, passadas as regulamentares 48 horas do fervor da peleja e com o auxílio luxuoso do distanciamento brechtiano, podemos, sem temor de equívocos ou exageros, fazer a seguinte afirmação em negrito: o time do Vitória fez uma partida heroica diante do brioso Goiás.

Mesmo para o mais rabugento torcedor, foi impossível não comemorar o empate conquistado em pleno Serra Dourada , na última quarta-feira à noite. Afinal, poucos são os times que conseguem tal resultado contra o brioso esmeraldino atuando com dois jogadores a menos em posições cruciais como a meia esquerda e zona do agrião. Ô, grória

Sei que alguns, para tentar dar contornos de epopéia à peleja, poderão dizer que o Rubro-Negro jogou sem ninguém na lateral direita, coisa, aliás, que já vem se repetindo há alguns jogos. Sim, é fato que as pessoas que fazem tal afirmativa não estarão totalmente equivocadas, mas prefiro tratar apenas de questões indiscutíveis, que não causem polêmicas. E, indiscutivelmente, souza e hugo foram (e são) as duas nulidades inquestionáveis  – menos, é óbvio, para o novo-antiquado técnico do Vitória.

PUTAQUEPARIU A TEIMOSIA!!!

jorginho (deixa em caixa baixa, revisor) nem bem desembarcou e já mostrou para o que não veio. Não veio para pensar em algo diferente do que aconteceu no trágico primeiro semestre. Ao contrário, ao apostar suas fichas em tais injúrias, o comandante (?) do Vitória dá mostras claras que vai investir na infâmia. E, talvez, no fim de ano, comemorar “heroicamente” a fuga do rebaixamento, como fez em nosso rival. E este é  o tipo de “glória” que não deve interessar a quem pensa, quer e luta por um Vitória forte.

Sei que muito podem dizer (não sem razão) que ele comandou (?) apenas dois jogos e que ainda é muito cedo. Porém, emulo o velho Sotero Monteiro – e afirmo sem medo de errar. “Quando um técnico mostra que vai apostar na infâmia, a gente percebe logo no arriar das malas”.

É isso.  jorginho, no Vitória, é um caso de ojeriza à primeira vista.

Solução? Simples. Ou ele muda, ou mudaremos ele.

 

P.S Por falar em mudanças, eis uma boa nova. O Vitória Livre já conseguiu mais de 200 assinaturas de sócios-torcedores com mais de 18 meses de associação para convocar a almejada Assembleia Geral e, assim, estabelecer eleições diretas em nosso Clube.

 

Participe desta luta. Eis o endereço http://groups.google.com/group/vitoria_livre .

APRÈS MOI LE DÉLUGE

maio 26, 2014

O menino Charles Baudelaire garantia que para não “sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem tréguas”.

Sábio ensinamento.

Porém, no futebol de Pindorama, não tem cachaça que dê jeito. Há um fardo inexorável que se impõe sobre aqueles que tentam construir uma biografia excepcional nas quatro linhas. E este peso insustentável também tem um nome parecido com canjebrina: Pelé.

PUTAQUEPARIU AS SIMBOLOGIAS!!!

Mesmo sendo um poeta em silêncio, o eterno camisa 10 da seleção parece ter lançado sobre as gerações futuras de craques uma praga igual àquela de Luis XV: Après moi le déluge.

E a tempestade que se abateu sobre seus pretensos sucessores nunca tem fim. Após a conquista do tri, no México, muitos tentaram, mas apenas dois jogadores conseguiram o feito de conduzir a equipe canarinho rumo à glória maior: Romário e Ronaldo.

E ambos sofreram a maldição do Rei.

Primeiro, foi o baixinho. Gênio incontestável na pequena área, não conseguiu ter a sabedoria real de parar na hora certa. E, no fim de carreira (sem trocadilhos, por favor), foi peregrinar por estádios e nações em busca de uma glória que não lhe deveria pertencer, o tal gol mil. Este vexame foi o requiém de uma longa e gloriosa jornada, que terminou de modo meio que decadente.

Foi assim que, naquela busca insana e inconformada, Romário protagonizou lances patéticos. Tentando dar um xeque-mate na idade, buscou a eterna juventude, se encheu de finasterida para cessar a inevitável queda de cabelos e, já nas prorrogações, foi humilhado e traído num  exame antidoping.

Por falar em traição, este infortúnio parece perseguir o outro escorpião desta fábula: Ronaldo Nazário de Lima. O menino Ronaldo é um fenômeno quando o tema central é a infidelidade.

Em 1998, ao saber da fofoca de que Pedro Bial batia um bolão com Suzane Werner, dizem que o centroavante não aguentou o tranco e deu caruara, que os médicos, eufemisticamente, chamaram de convulsão.

Depois, quando espalharam o boato de que houve a invasão holandesa de Clarence Seedorf (que jogava com ele na Inter de Milão) na zona do agrião de Milene Domingues, reza a lenda que nosso anti-herói tirou o sofá da sala. Fugiu do problema e foi para o Real Madrid, na Espanha.

Dizem os sábios que chifre é algo essencial na vida das pessoas, pois acaba humanizando o cristão. Ronaldo, porém, de vítima tornou-se algoz, transformando-se em protagonista de deslealdades. E foi traindo nas mais diversas áreas. Começou pulando de um time para o arquirrival, sem a menor cerimônia. E tome-lhe Barça, Real, Milan, Inter e, por fim, apesar de se declarar flamenguista, foi encerrar a carreira no Corinthians. Mas a iniquidade maior acontece agora, fora das quatro linhas. O que era sua glória no futebol, o apurado senso de oportunismo, acabou por se transformar em sua própria ruína.

Seguinte foi este.

Depois de bater bola com Dilma Rousseff e se lambuzar no impoluto Comitê Organizador Local (COL), ele agora diz que tem vergonha da Copa e afirma que vai jogar um baba do outro lado da rua com Aécio Neves.

E aí, uma vez mais e finalmente, entra a maldição de Pelé, no caso de Edson Arantes do Nascimento. As infâmias perpetradas por este no binômio futebol & política tornam-se somente folclore. Já nos outros, que tentam superá-lo, viram apenas e simplesmente canalhice.

É isso. Está escrito desde sempre que é impossível superar o Rei, seja na fama, na glória ou até mesmo na desonra. A maldição de Pelé é implacável. E ninguém a desafia impunemente, pois, no fim, é só dilúvio, choro e ranger de dentes.

Ronaldo parece que ainda não entendeu este axioma tão CLARO!

GRANDE MUTIRÃO PELA DEMOCRACIA NO VITÓRIA

maio 23, 2014

Os torcedores do Esporte Clube Vitória, que não se rendem nem se vendem, têm um histórico e inadiável compromisso neste sábado. A partir das 9h, todos os que acreditam e lutam por um clube transparente e democrático estão convidados a comparecer ao Capemi para assinar a lista dos sócios pela modificação do estatuto e a consequente implantação das eleições diretas no Clube.

Integrantes do Vitória Livre, que estão no comando da campanha, estarão a postos no local, não só para recolher as fundamentais assinaturas, mas também para manter diálogo com a torcida com o objetivo de fortalecer esta luta extremamente vital para o fortalecimento do Clube.

Mesmo que você já tenha assinado a lista, compareça lá para o importante debate e também para ajudar na coleta.

A participação de todos neste verdadeiro mutirão pela democracia é fundamental.

Eis as informações.

O que: recolhimento de assinaturas para convocação da Assembleia Geral para estabelecer eleições diretas no Vitória, alem de debate sobre o fortalecimento da luta em prol da democracia no Leão.

Quando: Sábado, dia 24 de maio, a partir das 9h.

Local: em Frente à Loja do Sou Mais Vitória, no Capemi, próximo ao shopping Iguatemi.

O DENDÊ CONTRA O PADRÃO FIFA

maio 22, 2014

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Se teve um momento em que a Copa do Mundo no Brasil esteve ameaçada às ganhas, certamente foi quando a Fifa cismou de proibir a venda de acarajé em Salvador. Porque a Fifa conseguiu quase tudo que queria do Brasil – menos proibir o acarajé.

Iguaria ancestral da Bahia produzida como um ritual religioso, o acarajé quase ficou de fora da Copa do Mundo, o que seria um crime de lesa-diversidade que a Fifa tentou emplacar. Mas não em Salvador, que lá é sopa de tamanco. A turma gritou e algumas baianas vão poder vender suas bolas de fogo enquanto a bola da Fifa rolar na Fonte Nova. Menos mal.

Não comi acarajé no último domingo em Pituaçu. Estive em Salvador para uma visita diplomática a Franciel Cruz, o Menestrel de Amaralina, e já havia feito a ronda nas barracas do Rio Vermelho no dia anterior. Mas não tive alternativa se não abordar um sujeito que carregava um cilindro de isopor de onde brotava um improvável SORVETE de sabor incerto, misto de tira de Havaianas com cadarço de coturno de sargento aposentado. Ainda não decidi se era kiwi ou bergamota.

Em Pituaçu, um belo estádio em formato de ferradura encravado num barranco de onde se divisaria o parque de mesmo nome, se fosse dia, assisti a um dos piores jogos de futebol da minha vida. Debaixo de chuva forte, Vitória e Palmeiras surraram a bola durante 90 minutos e mais os acréscimos que o árbitro teimou em conceder à partida. Pouco me importei.

Porque eu – e muita gente também – gosto de ir ao estádio para CONTEMPLAR mais o que acontece fora de campo do que qualquer outra coisa, vivendo o jogo de futebol para muito, mas muito além do que se convencionou chamar de “espetáculo”. Quem acha que futebol é um espetáculo a ser consumido por espectadores está bastante enganado. O brabo é que são eles que andam apitando o jogo.

Não fui a tantos estádios quanto gostaria. Mas em Montevidéu gostei de acompanhar uma partida do Rampla Juniors mirando a Baía de Montevidéu. Em Assunção, um bom programa de domingo era ir a La Arboleda ver o Rubio Ñu enquanto se comia chipa e se tomava tereré, ou então me somar à torcida do Nacional Querido contra um adversário qualquer. Pra quantos times emprestei minha torcida, em solidariedade à causa? No Cillindro de Avellaneda, diante da comovente devoção racinguista a um time tão ruim, me vi obrigado a cantar LA ACADÊ quando saiu o gol. Certo que o Coloradinho de Santa Maria precisava do meu apoio nos jogos do Gauchão. Em Santa Fe, ouvi dos torcedores explicações sobre a rivalidade entre tatengues e sabaleros, enquanto um bêbado tentava trocar camisas com a gente e gritava algo como AGREGÁMETUCRAZYLU, que mais tarde entenderíamos como “agrega-me no teu Facebook”. Em Porto Alegre, ouvia dos velhos histórias sobre os tempos gloriosos do Cruzeirinho enquanto sorvia latão de Skol vendido ilegalmente. No Beira-Rio, minha casa, a diversão era ficar em algum bar pegando o brilho enquanto se saudava os amigos e se tecia teorias sobre as mazelas da defesa do Internacional.

A graça de ir a um jogo de futebol está na história e na localização da cancha, nos cheiros, sabores e na gritaria das arquibancadas, nas pessoas, nos causos inventados, nas mentiras contadas como verdades absolutas, nas ruas do entorno, nos buracos onde se acha a cerveja mais barata. Está, enfim, em tentar entender o que aquele estádio e aquele time representam para as pessoas que costumam estar ali a cada semana. O espetáculo pode ser muito ruim, que continuará valendo a pena ir ao jogo.

Um estádio de futebol concentra num mesmo espaço quase tudo que existe numa cidade. Em Pituaçu não teve apenas a bela vista para o parque, o sorvete indecifrável e o acarajé, que não pode faltar num estádio de Salvador. Teve também cerveja sendo vendida livre e legalmente. Teve distribuição de rosas às mulheres, para dar sorte, teve coleta de assinaturas para um abaixo-assinado e o Franciel adentrando o estádio como um pau de enchente – parando a cada dois metros para ser abraçado por seus correligionários. Nosso amigo, aliás, é uma atração permanente nos jogos do Vitória. Começa gritando que o pior jogador do time vai fazer três gols, orienta a equipe nos primeiros 45 minutos e depois desata a soltar impropérios contra as carniças que não conseguem acertar o gol. Em determinado momento, aliás, pareceu que os torcedores do Vitória iniciaram um concurso tácito de criatividade nos xingamentos. A arquibancada costuma ser sempre melhor que o jogo.

O ingresso saiu a 30 reais e poderia ser mais barato, até para atrair mais público num domingo à noite, com chuva forte e um time do Vitória eivado de jogadores da base. A saída do estádio também não foi das melhores: para pegar o ônibus, a multidão se embretou numa passarela com água pela canela em alguns trechos.

São coisas que precisam melhorar. É saudável que os estádios brasileiros e seus entornos se tornem mais confortáveis, seguros e inteligentes. É uma pena que eles estejam perdendo a diversidade. Os estádios ficam todos iguais: na arquitetura, na comida, nas pessoas que os frequentam. A cultura de estádio vai perdendo para o padrão Fifa. É o futuro, dizem. Mas não tem a menor graça.

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Pelo menos, em Salvador, o acarajé venceu o McDonald’s, cujo sabor é tão indecifrável quanto o do sorvete em Pituaçu.

Texto escrito pelo brioso Daniel Cassol para o IMPEDIMENTO

A LUTA É JUSTA, LEGÍTIMA E LEGAL

maio 21, 2014

POR MATHEUS PEIXOTO*

 

Amigos rubro-negros,

 

Acompanhar o nosso Vitória na condição de expatriado é tarefa tão difícil e inglória quanto enfrentar o interminável engarrafamento da rua Artêmio Castro Valente em direção ao Parque Sócio-Ambiental, Santuário Ecológico, Manoel Barradas, o Monumental Barraquistão. Se outrora resmunguei contra os péssimos horários dos jogos de meio de semana, hoje peço perdão. O fuso-horário me faz ficar acordado por vezes até as 3h da madrugada para ver soltarem o Leão.

 

Isso porque ser torcedor de qualquer equipe, em qualquer esporte, exige um pouco de loucura, com algumas pitadas de autoflagelo. E ser um torcedor apaixonado pelo Esporte Clube Vitoria é viver de perto a potencialização de tudo isso, é saber que em toda a nossa centenária historia muito pouco do que conquistamos veio de mão beijada. O que nos leva a manter a devoção pelo Vitoria são todas as alegrias com as quais ele fortuitamente nos presenteia. A onda de felicidade que nos inunda no momento de um gol, mesmo que ele nada valha, é a emoção que renova a nossa paixão pelo rubro-negro. E assim o bandeirão continua a subir, as baterias continuam a tocar e o povo, do Corredor da Vitoria à Canabrava, continua sendo Vitoria, com muito orgulho e com muito amor.

 

Por falar em amor, recentemente, um grupo de rubro-negros apaixonados (Vitoria Livre) resolveu lutar para transformar o Esporte Clube Vitoria de maneira definitiva. A proposta do grupo é convocar uma Assembleia Geral de sócios para promover mudanças de caráter democrático no clube. O editor desta emissora, Franciel Cruz, já falou muito sobre o tema aqui, mas não custa recomendar uma vez mais àqueles que ainda não conhecem as idéias desse grupo que procurem seus canais de comunicação (twitter, facebook e principalmente a lista de email, que é onde as coisas acontecem).

É contagiante ver a quantidade de pessoas dispostas a mudar para melhor o Esporte Clube Vitoria, transformando uma estrutura política ultrapassada por meio de um sopro de democracia mais do que urgente. A luta do Vitoria Livre é JUSTA, LEGÏTIMA e LEGAL. Alerto, no entanto, que essa luta não é e não pode ser fruto pura e simplesmente do descontentamento com o desempenho do time que vai a campo e da insatisfação com o trabalho e os resultados da diretoria atual seja em que área for.

É o sistema político, que é sustentado pelo atual Estatuto do Esporte Clube Vitoria, que deve ser mudado, independentemente de quem esteja à frente do clube e da qualidade do trabalho que realizam. Mesmo que esta gestão estivesse apresentando um trabalho satisfatório no futebol, nos esportes amadores, nas finanças do clube, no marketing e em todo o resto, ainda assim a luta pela democratização do clube continuaria sendo JUSTA, LEGÏTIMA e LEGAL.

 

É JUSTA pois o Vitoria Livre age às claras e com ética, não se esconde e não teme o debate de idéias. É LEGÏTIMA porque tem como objetivo adequar o nosso clube aos princípios democráticos e valorizar a figura daqueles que realmente são a razão da existência do clube: seus apaixonados torcedores. É LEGAL, pois encontra respaldo no Estatuto do clube e se baseia nele em todas as suas ações.

Por fim, deixo os meus parabéns à coragem e à disposição dos membros do Vitoria Livre em mudar o clube de maneira definitiva a partir dessa iniciativa, principalmente àqueles que estão dedicando seus tempos e esforços para fazer as coisas acontecerem, saindo da inércia das redes sociais e partindo para a ação efetiva. Aproveito para novamente convocar aqueles que ainda não conhecem o grupo para se juntar a essa luta e fazer um Vitoria cada vez mais democrático, transparente e vencedor.

 

Saudações rubro-negras.

 

*Matheus, engenheiro e torcedor do Leão em Paris, França

P.S. 1 ATENÇÃO. No próxima sábado, dia 24 de maio, a partir das 9h, haverá um grande mutirão dos integrantes do Vitória Livre, no Capemi, para recolhimento das assinaturas dos sócios. 

P.S 2 Quem desejar entrar nesta luta pode começar acessando a lista de debates neste linque http://groups.google.com/group/vitoria_livre.

 


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