Em busca do Clássico perdido

maio 15, 2013

- Infelizmente, chefe, não posso resolver isso agora. Não, não dá. Preciso ir com urgência para o BA, BA, BA… (visualizem a nervosa gagueira), para o BA…nco. Afinal, com estes juros escorchantes é impossível atrasar o pagamento das contas.

Antes que o Sr. Burns aquiescesse, larguei o desajeitado xeque-mate.

- Ah, sim. Talvez demore um pouco para retornar à labuta porque as filas bancárias, sempre levianas, estão mais lentas do que a zaga do Bahia, especialmente neste início de mês.

-  Ahn? Começo de mês em pleno dia 14, seu Françuel? Só se você for adepto dos reticentes calendários das ultrapassadas borracharias de ponta de rua que nunca mudam de página e ainda ostentam a formosura de Nádia Lippi.

(Aí, aquela dentucinha, senhores…)

Voltando.

Depois desta prosopopeia que o homem do contracheque largou, com seu senil sarcasmo de antanho, minha maltratada reputação aqui na firma despencou mais do que as ações das fictícias empresas de Eike Batista.

Sim, amigos de infortúnios, sei que deveria ter buscado uma desculpa mais plausível. Porém, o ponteiro do relógio já marcava 14h23 e minha catilogência, carcomida por canjebrinas e outras substâncias não recomendadas pela Carta Magna, estava no brejo há tempos. Além disso, informar que iria para enterro de parentes não colava mais – até porque, por conta deste inescrupuloso calendário do futebol baiano, eu já havia podado toda a minha árvore genealógica.

Mas, enfim. Melhor perder o resto de reputação do que a peleja final do campeonato baiano sub-20 que começaria exatamente às 15h.

PUTAQUEPARIU A PONTUALIDADE.

Pois bem. Quando cheguei no Barradão, com oito minutos de bola rolando, a torcida do Vitória já estava proferindo uma quantidade de xingamentos de deixar Dercy Gonçalves ruborizada. Apesar de o Leão ter vantagem de dois gols (venceu a primeira por 3 a 1), cada palavrão vindo da arquibancada era merecido e necessário, pois era uma peleja fundamental.

Por que fundamental?

Ora, vocês, que vivem nas metrópoles centrais de Pindorama, e estão sempre se lambuzando com títulos nacionais e/ou de Libertadores, jamais entenderão a importância de uma peleja final de uma divisão de base para nós que habitamos a periferia do Ludopédio.

Caso estivesse de calundu, sacaria do coldre o velho axioma que Louis Armstrong usou quando foi questionado sobre a serventia do jazz. “Man, if you gotta ask, you’ll never know”.

Porém explicarei uma vez mais.

Seguinte.

Ver um jogo do Sub-20, para os suburbanos corações, é uma das raras oportunidades de poder apreciar um (possível) craque vestindo o nosso manto antes de ser abduzido pelas dores e delícias do vil metal. E foi por conta desta busca insana que pudemos testemunhar Dida, Alex Alves Vampeta, Leandro Domingues, Paulo Isidoro, Marquinhos, David Luiz, Hulk (epa, este é um perna de pau bafejado pela sorte) e muitos outros defendendo nossas cores. Pode parecer uma glória pequena, mas é uma das poucas que nos restam nestes tempos tenebrosos em que, mais do que nunca, a força da grana ergue e destrói coisas belas.

Mas, derivo. E volto logo para encerrar esta prosa ruim informando que na tarde desta terça-feira havia muito mais em jogo. Os torcedores enfrentaram a inconsequente chuva, os buracos da cidade e o escárnio dos patrões em busca de algo fundamental que está ameaçado de existir: Um Ba xVi.

E a busca pelo clássico perdido não foi em vão. Os meninos, dos dois lados, honraram o derby. Partida pegada, dura, bem disputada e até com declarações de amor. Quando brocou as redes tricolores, o atacante Mauri, que conhece muito, correu para o escudo do Vitória, ajoelhou-se e beijou o chão onde está o sagrado símbolo do Clube. (E pouco me importa se o beijo é a véspera do escarro, menino Augusto dos Anjos)

Porém, o melhor ainda estava por vir. Quando o juiz marcou um pênalti não muito católico, os guris tricolores, ao contrário dos profissionais, mostraram que têm BRIOS. E armaram o maior FURDUNÇO. Meteram dedo na cara do juiz, voaram pra cima do bandeirinha, xingaram, provocaram, um foi expulso, o caralho aquático. E a casa só não fedeu de vez a homem porque os meganhas invadiram o gramado e agiram rapidamente.

Uma beleza.

Na sequência, Willie fez o segundo gol e sacramentou o tricampeonato do Leão.

No final, voltamos todos para casa (ou trabalho, no meu caso) enlameados, mas com a alma lavada e enxaguada. Afinal, tão importante quanto à conquista foi perceber que o Ba x Vi, a Mãe de Todas as Batalhas, vive, resiste e ainda pode ser encontrado numa tarde chuvosa de terça-feira.

 

* Texto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

P.S Como bem lembrou meu amigo João Caros Sampaio, agora é torcer para que os pivetes Rubro-Negros transportem esta categoria e este espírito combativo para a Copa Libertadores Sub-20, que já está ali na esquina.

Réquiem para um Clássico*

maio 14, 2013

Sempre guiado pela descrença, relutei em acreditar até a undécima hora. Porém, quando o ponteiro do relógio cravou 40 minutos da segunda etapa, finalmente caiu a ficha. E o meu mundo também. O Ba x Vi, a Mãe de Todas as Batalhas, não existia mais. A tragédia estava consumada. O clássico acabara de ser assassinado. E o crime ia muito além da dilatação do placar. Era algo extremamente mais grave – até porque uma goleada, num jogo deste naipe, apesar de rara, acontece. Inadmissível é um time ser sovado impiedosamente sem ter a HOMBRIDADE de esboçar qualquer reação, seja uma dedada no fiofó, cuspe na cara ou mesmo um mísero beliscão. Esta inércia é a prova cabal e definitiva de que tal equipe abdicou do desejo de perpetuar a rivalidade. (Eis o crime inafiançável).

Afinal, todos sabem que em uma peleja de tão importante calibre, quando a madeira está gemendo em SETE idiomas, há somente um último refúgio para a dignidade: a pancadaria generalizada. Fora dela não há salvação. Nestes momentos insanamente decisivos, só o tumulto pode restabelecer o decoro e a honradez. O resto é apenas a estúpida covardia travestida de bom-mocismo – exatamente o caminho escolhido pelo time do Bahia para matar o antigo clássico com requintes de pusilanimidade.

É fato que o declínio do império tricolor é anterior à patacoada de ontem. Tem mais de 18 anos. Para ser preciso, a derrocada, ironicamente, começou com uma glória num dia que se tornou um número fatídico para o outrora esquadrão de aço: SETE de agosto de 1994. Neste data, depois de conseguir empatar com o Leão, os torcedores do Bahia, que já possuíam cerca de 40 títulos baianos, comemoraram a suada conquista como se não houvesse amanhã. E eles não estavam totalmente equivocados. Parecia algo premonitório. O amanhã, o day after, tornou-se um pesadelo constante. De lá pra cá, não conquistaram nem cinco campeonatos estaduais. E mais. A partir de então, foi uma agonia atrás da outra. Rebaixamentos, subidas pela janela, humilhações de SETE diante do Santos, Cruzeiro e até do poderoso Ferroviário do Ceará.

No entanto, pouco me importava se meu oponente estava moribundo. Ao contrário. Vibrava e sentia-me vingado por humilhações de antanho. E ficava feliz também porque, apesar de eles estarem num processo degenerativo, ainda encaravam o clássico com a seriedade que tão importante jogo merece. Por mais contraditório que pareça, era uma forma de respeito ao meu Vitória. Era como se, mesmo fragilizados, eles sentissem necessidade de se superar porque havia um adversário a ser derrotado. Ou, na pior das hipóteses, combatido.

Ontem, porém, os tricolores abdicaram de tudo, apelaram para o golpe baixo, para a entrega total, irrestrita e absoluta. Uma clara e nefasta tentativa de levar o Leão para o seu poço sem fundo.

Por isso, entendo que os Rubro-negros não devem gastar seu ocioso tempo pensando ou fazendo gozações de quaisquer espécie. O inverso é o verdadeiro. O torcedor do Vitória que tripudiar do Bahia por conta da goleada de ontem não tem amor próprio. Afinal, zombar do tricolor é dar-lhe um status que ele não tem nem merece atualmente: rival do Leão.

 

Alguns apressados podem argumentar que há muitos rancores nos parágrafos acima. E eles não estão totalmente errados. Até porque, conforme já ensinou o menino Nelson Rodrigues, “a base sentimental da torcida é o ódio, e não o amor. Sem ódio não há torcida possível”.

É por tudo isso que hoje, dia de aniversário do Esporte Clube Vitória, é uma data  CONTRADITORIAMENTE triste (e talvez de renovação) para os torcedores do Leão. Apesar da espetacular goleada, ontem tivemos um revés. Perdemos nosso antigo oponente. E agora teremos que nos reinventar. Seguir adiante sem um rival vai ser uma sopa de tamanco dos SETEcentos DEMÔNHOS.

 

* Texto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

 

P.S. 1 A pista de que o Bahia já havia se despido de BRIOS ocorreu na véspera do jogo (não o chamo mais de clássico em respeito aos derbys de outras localidades). No sábado, o Vitória partiu para o escárnio escancarado, algo impensável antes de um Ba x Vi de antanho. Mandou confeccionar uma CAMISA PROVOCATIVA com o placar da reabertura da Fonte Nova. E qual a resposta do ex-rival do Leão? Um apático e vergonhoso silêncio. Nem uma lágrima de repúdio. E isso me deixou ainda mais puto, com uma ponta de compaixão, que é uma das piores formas de ódio.

P.S 2 Pelo sim, pelo não, ontem cedo fui à Polícia Federal tirar o meu passaporte. Pretendo solicitar asilo político em outro país, sei lá, tipo Alagoas, pois talvez lá ainda exista rivalidade no Ludopédio.

Crônica do SETE

maio 13, 2013

Extremamente assoberbado (mentira. É que estou numa ressaca dos SETEcentos DEMÔNHOS),  ainda não tive condições de rabiscar nada sobre a peleja de ontem. Porém, para que vocês não fiquem com crise de abstinência, reproduzo a crônica que o menino Marcelo Torres* me enviou há coisa de SETE minutos.

CRÔNICA DO SETE
(Marcelo Torres)

O mundo foi feito em sete dias. As maravilhas do mundo são sete. São sete as notas musicais. Roma tem sete colinas. Lisboa também tem sete.
No dominó, botamos sete pedras na mão. As artes? São sete. Os mares? Sete. Os anões da Branca de Neve? Sete. Os dias da semana são sete.
São sete os pecados capitais. Sete também são as virtudes. Eram sete os sábios da Grécia Antiga. E as pragas do Egito? Sete.
São sete as cores do arco-íris. Sete são os sacramentos. São sete os astros sagrados. São sete os livros do Antigo Testamento.
São sete as chagas de Cristo. Sete são os palmos do chão que nos espera.
Em Salvador temos a Av. Sete. Tem também a SET. Tem as Sete Portas, onde havia (há ainda?) um mercado, o Mercado das Sete Portas.
Sete, sete, sete. Adoro o sete. Vitória tem sete letras. E sete é número de mentiroso. É mentira que o Vitória não meteu sete no Baêa. Corta o sete.

* É jornalista e Rubro-Negro

P.S Marcelo esqueceu apenas de informar que domingo que vem terá a missa de SÉTIMO dia.

Mitos e verdades sobre a Revolta da Caxirola, um cordel*

maio 3, 2013

Peço licença aos senhores
Neste exato momento
Para narrar uma história
Sem nenhum comedimento
De um bizarro artefato
Feito pra enganar jumento

Desculpem minha imodéstia
Mas posso tudo contar
Pois no dia vinte e oito
Fui testemunha ocular
Estava na Fonte Nova
Só não dei sopa pro azar

Logo na entrada do estádio
Um meganha me parou
Segurou meu guarda-chuva
Prendeu e não liberou
Porém ele deixou livre
Aquilo que Brown plagiou

O tal plágio aconteceu
Sem a menor cerimônia
Brown pegou um Caxixi
E dele fez uma babilônia
Para a todos confundir
Escanteando a parcimônia

Se os incautos não sabem
Direi com autoridade
O Caxixi é um símbolo
Divina ancestralidade
Era usado na África
Em rituais de verdade

Quem quiser se informar
Sobre o sagrado chocalho
Recomendo a leitura
De um minucioso trabalho
Que em 2011 foi escrito
Por Priscila Maria Gallo

A pesquisadora afirma
Com muita convicção
Que o Caxixi sempre foi
Objeto de tradição
E no Congo e em Angola
Servia à religião

Porém quando aqui chegou
Assim informa Maria
O referido Caxixi
Ganhou outra serventia
Incorporou-se ao berimbau
Tocado com maestria

Já esta nova presepada
Não tem nada de eterno
É apenas uma cópia
Vestida com outro terno
Feita para enganar besta
Todo metido a muderno

E, como sói acontecer,
Nas chibanças de pelego
Falaram logo em criar
Num sei quantos mil emprego
Tudo feito no Brasil
Pra gringo pedir arrego

Mas, o fato é que a verdade
Sempre aparece no fim
E a tal da caxirola
Eis o nome do coisa ruim
Só saiu com o aval
Do estrangeiro I’m Green

E para referendar
Toda a esculhambação
O governo entrou em campo
Gastando logo um milhão
E mostrando a todo o mundo
O novo orgulho da nação

Também a impoluta Fifa
Entrou de vez na jogada
Querendo que os torcedores
Aplaudissem a cagada
Como o baiano num é besta
Disse não à patacoada

Aliás, NÃO na Bahia
É motivo pra empolgar
Basta recordar as lutas
De caráter popular
Assim vou pedir licença
Para poder derivar

A primeira das batalhas
De botar cabelo em pé
Esta eu me lembro bem
Foi a do Aimoré
Índio enfrentou portuga
Sem nunca ter dado ré

Logo depois ocorreu
O levante tubinambá
Povo bravo, resistiu
Sem jamais se entregar
Contra o colonizador
Não se deixou escravizar

Os livros pouco registram
O sábio motim do Maneta
Luta boa contra impostos
Sublevação porreta
Que provocou o recuo
Do mandatário careta

Outro motim esquecido
É o da Carne sem Osso
Quando também se exigia
A farinha sem caroço
Foi uma revolta grande
Causou tremendo alvoroço

Também não se pode olvidar
A revolução alfaiate
Tinha base iluminista
Peleja de alto quilate
Liderada pelo povo
Que travou o bom combate

Já a Revolta dos Malês
De origem Muçulmana
Provocou um forte impacto
Aqui na terra baiana
Luta contra a escravidão
Que era uma peste humana

E a Mãe de todas batalhas
A feminina independência
Quitéria, Felipa e Joana
Contra a subserviência
Mostrando que rebeldia
Não rima com leniência

Além destas revoltas
Existiram outras mais
A Sabinada e Canudos
São exemplos colossais
E, na cidade de Cachoeira,
A Federação dos Guanais

Mas, tanto ontem como hoje
Sempre fomos rotulados
E todos os que protestam
Tachados de mal-educados
Os poderosos só aceitam
Que sejamos conformados

Por isso querem vender
Que aqui é só alegria
Povo pacífico e ordeiro
Nesta terra da magia
Mas o fato é que sempre lutamos
Com humor e galhardia

Falam que o bonde do pagode
Agita a cidade inteira
E mostram uma parte do povo
Nesta alegre quebradeira
Mas já quebramos outros bondes
Nem tudo é só brincadeira

E a Revolta da Caxirola
Está nesta tradição
Sim, meninos, eu vi
O furor da multidão
De um povo que se recusa
A ser tratado como um cão

Inicialmente o protesto
Teve como alvo um cartola
E os atletas do Bahia
Que não sabem o que é bola
Por isso os torcedores
Mandaram catar caxirola

E tava bonito de ver
A inversão de papel
O jogador mercenário
Trabalhando como réu
Limpando todo o gramado
Foi uma vingança cruel

E foi também um repúdio
Aos que em nome da assepsia
Querem impor muitas regras
E acabar com a alegria
Domesticando a todos
Ai, meu Deus, que agonia!!!

A manifestação trouxe à tona
O que eles querem esconder
Baiano gosta de bola
Mas não gosta de sofrer
E ninguém vai determinar
Qual é seu jeito de torcer

E a moral desta história
Para quem ainda sonha
É reforçar aquele axioma
Que revolta num é vergonha
É apenas um antídoto
Contra os bichos de peçonha

Foi assim que o protesto
O pecado original
Virou-se contra a própria Fifa
Ganhou dimensão real
Pois pau que aqui nasce torto
Sempre vira berimbau

 

* Texto escrito especialmente para o glorioso IMPEDIMENTO

 

Tadeu Schmidt, o novo guardião da honra nacional*

maio 3, 2013

Seguinte foi este. Desde o início da noite de domingo, logo após tomarem conhecimento do bárbaro fato através da voz civilizatória do guardião dos bons costumes e glórias nacionais, Tadeu Schmidt, os vira-latas de todo o país começaram a destilar ódio e preconceitos e xenofobismos contra os torcedores do Bahia e da Bahia.

E qual o crime da torcida tricolor? Arremessar aquela inutilidade de artefato contra um gramado vazio para, num ato de desespero, protestar contra um time ordinário e uma diretoria tacanha. Saldo do vandalismo: nenhum ferido – a não ser a honra nacional, que, segundo os provincianos, foi ultrajada diante dos olhos estrangeiros.

Ora, façam-me um caldo de cana contaminado, por favor, que é muito menos prejudicial. Saudades do tempo em que o que nos envergonhavam diante do civilizador eram apenas as formigas.

Ah, sim. Teve também um Ba x Vi ontem.

E os cronistas entendidos, esta raça de gente ruim, passaram a semana toda repetindo que o jogo não valia nada, como se alguma vez a Mãe de Todas as Batalhas pudesse deixar de valer tudo. E foi assim que, mesmo com a chuva que castiga a cidade há coisa de dez dias, mais de 30 mil bárbaros desceram a pirambeira rumo à peleja ancestral.

E, por mais contraditório que possa parecer, o jogo foi dividido antes e depois da cacharolagate. Até aquele momento, o Vitória dominou completamente o Bahia, repetindo uma tradição que se mantém há nove jogos e nove anos. (O último triunfo tricolor foi no longínquo fevereiro de 2004).

A primeira cachirolada na cabeça tricolor ocorreu exatamente quando o ponteiro do relógio marcava 20 minutos. Confiram comigo no replay. Renato Cajá (autor do primeiro gol desta Nova Fonte) cobrou escanteio, Victor Ramos deu uma chifrada na trave (alô Nicole Bahis) e a bola sobrou mansamente para Michel, que matou a criança no peito e estufou o barbante. Segundo golaço seguido do Camisa 5 em dois Ba x Vis.

Pouco mais de dez minutos depois, a jogada que pagou o ingresso e valeu mais do que as 50 mil cachikolas. O lateral-esquerdo Mansivisky bateu o arremesso manual para Escudero, que deu um belo passe (assistência quem presta é jogador de basquete e a Samu 192) para Maxi. Este, provando mais uma vez porque Messi deverá entrar para a história como seu primo, incorporou a categoria do velho Sócrates e meteu de calcanhar para o mesmo Mancivisky. O menino da camisa 6, também rejeitado pelo Bahia, chegou na jogada com gosto de querosene e vingança e mandou a criança no canto esquerdo. Golaço, aço, aço, aço.

Logo em seguida, a única nota digna do jogo: o calçarolagate. No segundo tempo, tudo perdeu a graça. Gol do Bahia, cerveja sem álcool, nervosismo, Vitória recuado, a casa fedendo a homem e, pior, mais tarde ainda ia ter o Fantástico com Tadeu Schmidt.

P.S Ontem, no Norte do Estado, jogaram Juazeiro 0 x 1 Juazeirense, as Assombrações São-Franciscanas que terminaram líderes.

Por falar em assombrações, esta fórmula do campeonato baiano é de arrepiar. O líder de uma chave, o Juazeiro, terminou a fase com menos pontos (10) do que o lanterna do outro grupo , o Vitória da Conquista (12)

* Texto escrito para o brioso IMPEDIMENTO

Breve aviso à praça

maio 3, 2013

Ao contrário do que espalharam os maledicentes, estávamos fora do ar não pro excesso de canjebrina, mas por problemas técnicos.

 

Volteremos ainda hoje com nossa programação anormal e o pior do carnaval

TORCEDOR CONSCIENTE

abril 26, 2013

Ao contrário do que tentam nos fazer crer, ainda existem pessoas com capacidade de discernimento nas arquibancadas desta província. Pessoas que conseguem fazer reflexões absolutamente lúcidas sobre o que coorre no futebol baiano.

Aos que duvidam, recomendo que cliquem no linque abaixo e me respondam: este rapaz é ou não é quase um filósofo?

http://www.youtube.com/watch?v=KuANAY-zC2s

Assombrações São-Franciscanas*

abril 23, 2013

carrancas
Ao contrário da doce infância do menino Casimiro de Abreu, a aurora da minha vida, que os anos não trazem mais, nunca foi habitada somente por amor, sonhos, flores e tardes fagueiras. Nero ar. Além da seca medonha, que me tangeu de lá pra cá (alô, Patativa do Assaré), padecia com diversas outras assombrações.

E uma das mais terrificantes, especialmente para quem, como este nostálgico locutor, cresceu razoavelmente próximo às margens do Rio São Francisco, eram as tenebrosas Carrancas.

Amigos de infortúnios, em verdade lhes confesso: aquelas imagens com dentes afiados, cabeleiras longas, olhos esbugalhados, testas imensas, meio gente, meio bicho, perturbavam nosso imaginário com mais força do que os horrendos refrões da novíssima música baiana. Não era à toa que os barqueiros de antanho as colocavam na proa das embarcações para espantar os maus espíritos. Aliás, aos desprovidos de sabença, informo que as ancestrais imagens foram usadas até pelos fenícios (obrigado, Google).

E já que enveredei pelos caminhos da falsa erudição, vou lhes instruir ainda mais sobre o tema, sacando do coldre um trecho do artigo do doutor em letras Jairo Nogueira Luna. Às aspas. “As carrancas são o resultado, a nosso ver, de um cruzamento de influências do imaginário cristão português, notadamente do âmbito dos navegadores e exploradores transposto para o cenário da colonização do sertão, misturados sobremaneira com fortes doses do imaginário africano e ameríndio”.

Valei-me, Minha Nossa Senhora da Miscigenação!!!

Pois bem. Atualmente, a bem da verdade já há uns bons anos, as Carrancas foram, digamos assim, domesticadas. Deixaram as proas dos barcos, onde lutavam contra inimigos terríveis, e foram habitar os confortáveis salões dos bacanas metidos a apreciadores de arte popular. Mas uma carranca é uma carranca é uma carranca. E nunca deixam de assombrar.

Calma, minha comadre, já, já, explico os porquês.

Agora, nova (e breve) tergiversação para tratar de outra figura enigmática e astuciosa que tanto assombrou e divertiu a infância de boa parcela dos nordestinos: O Cancão de Fogo. Segundo a descrição do poeta Leandro Gomes de Barros “foi o quengo mais fino dessa nossa geração, sabia a tudo iludir, o Cancão nunca armou laço que alguém pudesse sair”.

Pois muito bem. Recorri a todos estes entretantos mitológicos apenas para dizer que as equipes da terra de João Gilberto e de Galvão, o Juazeiro e o Juazeirense, que têm como símbolos exatamente a Carranca e o Cancão de Fogo, tal e qual às figuras que os inspiram, estão causando pavor no campeonato baiano.

Como assim? Assim, ó. Depois de brocar o time do Vitória, a Carranca assumiu, no último domingo, a liderança de seu grupo no DENDEZÃO/2013. E, como assombração pouca é bobagem, o Cancão de Fogo, apesar de apenas empatar com o Bahia (maior zebra da rodada), lidera a outra chave.

vida-e-testamento-de-cancao-de-fogo-luzeiro

Inclusive, o Juazeirense é o líder absoluto em pontuação entre todas as equipes que disputam esta fase do campeonato e parece disposto a AFANAR a taça, entrando no seleto grupo de times do interior que conseguiram quebrar a hegemonia da dupla Ba x VI.

Se isso acontecer, a equipe da Juazeirense estará apenas confirmando a vocação do Cancão de Fogo, que certa feita largou a seguinte prosopopéia, registrada no livro Vida e Testamento de Cancão de Fogo, de autoria do mesmo Leandro Gomes de Barros.

“Roubar a quem tem demais
É forma de caridade
Tirar dez de quem tem  vinte
Está na regularidade
Quem não precisa de tudo
Basta ficar-lhe a metade”

Que assim seja. Para o bem de todos, até mesmo de Bahia e Vitória, que precisam acordar, pois o FELICIANÃO já está batendo na porta.  E as assombrações felicianescas são muitos piores do que as Carrancas e os Cancões de Fogo.

Oremos.

* TExto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

P.S Sim, minha comadre, eu sei que o Cancão de Fogo que simboliza o Juazeirense é o pássaro do sertão, da caatinga nordestina, que tem como principal característica observar tudo o que acontece naquele árido local e que foi cantado pela inolvidável Diana Pequeno nesta canção http://www.youtube.com/watch?v=G3BcPXuHcew.

Porém, a (in) verdade que salva é liberta é que o time do São Francisco hoje se assemelha muito mais com o assombroso personagem do poeta Leandro Gomes de Barros, poeta que inspirou Ariano Suassuna e, segundo Câmara Cascudo, foi “o mais lido de todos os escritores populares”. De nada.

O eterno retorno do GÊNIO FRANZINO

abril 17, 2013

O menino Nelson Rodrigues, como sói, estava com a razão. Não devemos nunca confiar nos idiotas da objetividade.  A única meta destes canalhocratas é tentar, inutilmente, difundir a falsa prosopopéia de que no futebol muderno tudo se resolve através de equações aritméticas. Para eles, os dramáticos 90 minutos e as inconsequentes prorrogações podem ser resumidos em números mornos. Algo assim: X + Y =  a noves fora nada. E minha paciência com eles é ZERO.

Aliás, não só a minha. Ontem à noite, por exemplo, um Gênio Franzino provou, por A + B, que é possível (e preciso) desmoralizar a poderosa e inflexível matemática. Uma vez mais, Marquinhos, eis o nome do santo, deu tiros certeiros nesta nova seita numerológica que tenta reduzir nossos sonhos a máquinas de calcular. As jogadas de craque do moleque demonstraram que não se pode mensurar o imponderável dentro das quatro linhas. E mais do que isso: sua estupenda atuação diante da poderosa, inexorável e inoxidável  equipe do Mixto (MT)  contribuiu para reavivar o orgulho do torcedor, que gritou, a plenos pulmões, o nome de um talento genuinamente Rubro-Negro.

No entanto, faz-se mister ressaltar que  a história, neste caso, não se repete como farsa, muito menos como tragédia, mas sim como confirmação da dialética Rubro-Negra – seja lá que porra isto signifique. A verdade que não salva nem liberta é a seguinte: Marquinhos brilhou intensamente ontem e vai continuar assim, per seculae seculorum, porque conhece muito de seu ofício. E a torcida do Vitória vai prosseguir amando-o e perseguindo-o porque é o destino dela ser assim – exacerbadamente contraditória.

Amigos de infortúnios, o fato é que os torcedores do Vitória parecem não querer entender que Marquinhos encarna a (im) possibilidade de nosso milagre. Como assim? Assim, ó. Nós, “suburbanos e periféricos corações torcedores, estamos condenados a ser sermos iguais aos bordéis de ponta de rua. Só podemos nos emocionar com as putas, digo, jogadores, em final de carreira”, conforme já ensinei aqui mesmo nesta impoluta tribuna

Pois bem. O menino Marcos Antônio da Silva Gonçalves rompe com esta lógica perversa, proporcionando-nos a glória de poder testemunhar atuações de um craque no auge de sua categoria e de seus 23 anos.

Na peleja de ontem, por exemplo, o endiabrado parecia possuído pelas ancestrais vovós fazedoras de crochês. E costurava para dentro, pro lado, pra fora, dribles da vaca, nós pelas costas da pobre zaga adversária. Ponto futuro, cruzamento para Dinei e saco e ponto parágrafo. Sim, ponto parágrafo, pois o lance subsequente, o do segundo gol, foi algo tão absurdamente genial e inacreditável que merece ser narrado à parte.

(Um instante que vou ali pegar o cepacol).

Bola nos pés de Marquinhos, que balança a criança com carinho na zona do agrião. Dinei ensaia uma corrida pelo flanco direito. Marquinhos finge que vai lançar, mas ato contínuo esconde a menina com a chapa do pé. Depois, revira a bola pelo avesso e faz o lançamento de trivela com efeito reverso, coisa de botar no chinelo as mais ensandecidas curvas da estrada de Santos. Pronto, Feliciano, já pode mandar acabar o mundo.

PUTAQUEPARIU O SOBRENATURAL DE ALMEIDA!!!

(Sei que alguns espíritos de porco podem até dizer que a jogada seguinte foi um pênalti – porcina – aquele que foi sem nunca ter sido, mas aí eu lhes pergunto. Diante daquele lançamento (assistência é a PQP) luminoso o que deveria fazer qualquer juiz com o mínimo de bom senso e decência? Ora, tinha que tomar alguma providência. Das duas, uma. Ou marcava penalidade máxima ou dava logo gol direto. Nada menos do que isso).

Pois muito bem. Sem ao menos esperar que os emotivos, como este e outros sensíveis locutores, enxugassem as lágrimas, Marquinhos inverteu de posição (lá ele) e foi fazer estripulias no lado esquerdo do ataque. Por causa dos graves problemas nas cordas vocais não poderei narrar as maravilhas que antecederam o terceiro gol. Digo apenas que foi algo mais enigmático do que o terceiro segredo de Fátima.

E, por falar em sobrenatural, Marquinhos, apesar da frágil saúde, fruto de uma alimentação à base de biscoito recheado, continuava a assombrar. E a glória final veio aos 48 minutos, quando ele balançou as redes e correu para a torcida com a angústia e a alegria de antanho.

A propósito, motô, leve o bonde de volta para 2008.

Seguinte foi este.

Depois de brilhar intensamente durante todo o campeonato do referido ano, o guri, então apenas com 18 anos, foi contratado pelo Palmeiras. Até aí, tudo bem. O problema é que o Verdão estava disputando uma vaga para a Copa Libertadores e o Rubro-Negro baiano somente boiava confortavelmente no meio da tabela.

Naquela ocasião, a exemplo de agora, boa parte da torcida do Leão, emprenhada pelo ouvido por escrotos radialistas baianos (perdão pelas redundâncias), tratava Marquinhos com o mesmo carinho que Marcos Feliciano devota à lógica elementar. Só xingamentos.

Lembro-me que, em 2008, e ontem também, com menos de 10 minutos de bola rolando, um fidumaégua ao meu lado já puxava uma vaia. Porém, Marquinhos não dava pelota. E fez o que sabe. Foi rápido, fominha, habilidoso, mascarado e, em alguns momentos, genial, brilhante. Infernizou a zaga naquela época e ontem também.

E nós, torcedores do Vitória, seguimos nossa sina, amando-o e perseguindo-o, como se precisávamos reforçar a todo instante que glórias contínuas não nos interessam, pois queremos ser apenas diplomados em matéria de sofrer.

Porém, o eterno retorno do GÊNIO FRANZINO teima em nos mostrar que é possível e preciso seguir por um caminho diverso e feliz. E assim será o Evangelho do Esporte Clube Vitória segundo São Marcos. Amém?

 

P.S. 1 Por falar em renovação, amanhã, dia 18, o futuro craque Rubro-Negro Bernardo, filho de Marquinhos, completa um mês.

P.S. 2 Procurei em todos os sites e não encontrei o lance genial de Marquinhos. Como bem lembrou meu amigo João Carlos Sampaio, “mais uma vez, Nelson tinha razão. O videotape é burro

BARBÁRIE (NA BAHIA) É CIVILIZAÇÃO

abril 15, 2013

Talvez o percentual que será fornecido ainda neste primeiro parágrafo não seja o exato, até porque a imbecilidade aqui é uma praga que se alastra com a rapidez de um Ben Johnson dopado, mas, de acordo com os cálculos efetuados na rigorosa tabuada, os números oficiais são os seguintes: 67,14% dos baianos amam reproduzir as infames caricaturas que lhes têm sido impingidas per seculae seculorum.

Não foi à toa que bastou alguém um dia inventar o clichê de que “baiano não nasce, estréia” – e as numerosas nulidades desta província lambuzada de dendê e de exclusão, mesmo desprovidas de talento, decidiram que eram artistas e se entronizaram na ribalta. A partir de então, num teve mais tempo ruim para estas criaturas rebolativas.

Por falar em tempo ruim, outro exemplo marcante de crença no sobrenatural ocorre nesta seara. A Cidade do Salvador tem um dos mais altos índices pluviométricos do Brasil, porém a velhaca urbe foi vendida, literalmente, como uma sucursal do paraíso, onde faz sol o ano inteiro. E o pior. Os nativos não só propagam esta culhuda, como efetivamente acreditam nela. Assim, é mais fácil encontrar um empreiteiro honesto do que um morador desta cidade que possua um mísero guarda-chuva para se proteger dos temporais. Aqui é só céu azul e alegria.

Mas, chega de dança de rato. Falemos agora de jangada, que é pau que bóia (deixa o acento, revisor sacana).

Seguinte é este. Se a mitificação aqui ocorre nos mais diversos setores, não seria o futebol que desta lei da natureza baiana iria ter isenção.

Assim, encerro os prolegômenos e, sem deixar a criança quicar no chão, informo logo que os mauricinhos metidos a civilizados que comandam a velha/nova praça esportiva, sacaram do coldre a tergiversação (alô, Dilmão). Como assim? Assim, ó. Na falta de argumentos para justificar suas tenebrosas transações e seculares incompetências, os canalhocratas decidiram o novo e farsesco mito de que o torcedor baiano é um vilão bárbaro.

Seguinte foi este.

Logo após a realização do inolvidável Ba x Vi do último dia 7 de abril, todas as merecidas comemorações foram abafadas pela cantilena de uma nota só (tão insuportável quanto o mais desgraçado dos pagodes baianos) de que os frequentadores dos estádios daqui não sabem se comportar. (Valei-me, minha Nossa Senhora do Manual de boas maneiras!)

Ato contínuo, os miquinhos amestrados da imprensa, como sói, repetiram sem cessar esta inescrupulosa ladainha. No day after do clássico, por exemplo, as manchetes eram sobre a (mal) dita falta de educação dos torcedores que danificaram 21 cadeiras. E esta xibiatagem acusatória foi reproduzida nos bares, becos, ladeiras e vielas. E a pergunta não calava: “Como é que estes vândalos destroem as coisas assim?”.

Aliás, a chibança começou antes mesmo da bola rolar. Na sexta-feira santa, dia 29 de março, a torcida já havia sido tirada pra cristo. Por falta de organização na venda dos ingressos, os bárbaros que apenas queriam ver o clássico foram agraciados com bomba de gás lacrimogêneo e cacetadas civilizatórias da briosa polícia baiana.

Invés de se desculparem pelos nefastos incidentes, os administradores da praça esportiva (?) lançaram uma esdrúxula nota pública, admoestando os torcedores, num tom de quase ameaça: “É importante destacar que a Arena Fonte Nova vai demandar um novo comportamento do torcedor”.

Que beleza, né não? Não, pois os que sabem cagar regras sobre o comportamento alheio, praticamente se calam diante de suas obrigações. Em relação aos SEIS mil pontos cegos no estádio, por exemplo, Frank Alcântara, presidente da arena, balbuciava: “Acho que há certo exagero, mas vamos ver com a Fifa o que pode ser feito, se existe adaptação”

Por falar em adaptação, o repórter Rodrigo Mattos, do UOL, informava que a Arena Fonte Nova teria assentos plásticos sem a certificação obrigatória do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) para esse tipo de item. Pois é. Que maravilha! Os que pregam tanto a ordem, descumprem, civilizadamente, é claro, uma norma federal. (Aliás, olhando para esta foto abaixo de Daniel Perrone, percebe-se que há descumprimento não só da legislação nacional, mas até dos tratados da Convenção de Genebra).

 

ex

 

 

PUTAQUEPARIU O DESCONFORTO!!!

Mas, o cordão dos puxa-saco e similares continua a propagar que a culpa de tudo é dos bárbaros que danificaram 21 cadeiras, que valem R$ 250 reais cada uma, conforme eles fizeram questão de alardear, e etc e coisa e tals.

Quanto ao fato de que a Fonte Nova custou R$ 97 milhões a mais do que o valor original, de acordo com matéria assinada pelo repórter André Uzêda no jornal A Tarde, poucas palavras. Afinal, isso é besteira. O que precisamos mesmo é civilizar estes bárbaros que ainda acreditam que é possível e preciso continuar exercendo e exacerbando suas paixões nos estádios.

Ah, sim. Mais dois registros. Primeiro. O saldo final da manifestação dos mais de 40 mil violentos vândalos que infestaram o novo e asséptico estádio foi o seguinte: Três, repetindo, TRÊS ocorrências policiais apenas: uma perda de documento, um furto e um desacato.

Segundo: Os mecenas do pebolismo embolsaram quase dois milhões com a peleja, mais exatamente R$ 1.954.000,00 – isso sem contabilizar a bufunfa referente à quantidade de ingressos disponibilizados no setor Premium e nos camarotes. (O Bahia, que era mandante do jogo, não recebeu um centavo. O Vitória, então…)

De tudo isso fica a seguinte e novíssima lição. Antigamente, os amigos do alheio praticavam o crime e, para despistar, gritavam “Pega ladrão”. Atualmente, eles mudaram a palavra de ordem. Embolsam a grana e acusam: “Olhem ali os baderneiros, pessoal”.

Por estas e outras (muitas outras) que aqui, no Nordeste de Amaralina, a turba ignara não cansa de repetir o bordão do menino Humberto Sampaio:

“Porra de Arena. Sou e sempre serei partidário do MDB (Meu Democrático Barradão)”.

E viva a barbárie civilizatória – e não o seu vice-versa, seja lá que porra isto signifique.

Este texto é uma sequência deste: Civilização (na Bahia) é Barbárie.


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