Havia prometido que não gastaria minhas vastas emoções e pensamentos imperfeitos para falar sobre as presepadas de Uellinton. E assim o farei. Achava, e ainda acho, que merece apenas o silêncio. No entanto, ao ler o belo desabafo da menina Teresa Ribeiro, resolvi compartilar com vocês o que segue abaixo. Recomendo que apreciem a importante reflexão ouvindo “Vagabundo não é fácil”, dos Novos Baianos. Boa leitura.
Por Teresa Ribeiro.
“Sempre defendi os jogadores do meu time, principalmente os da base e jamais vaiarei um atleta rubro-negro. Nem mesmo Uelliton! Acho que, na maioria das polêmicas entre jogadores e torcida, a última é culpada, pois ‘pensa’ primeiro com o coração e só depois, com o cérebro.
Desde que manifestei MINHA OPINIÃO sobre o “caso Uelliton, várias pessoas me questionaram sobre a validade de um atleta querer sair de clube.
Tudo bem. Não consigo unanimidade nem na minha casa, com meus filhos. Aliás, deveria haver uma lei que não permitisse aos filhos discordar dos pais. Como a minha vida seria mais fácil! Porém, muito mais tediosa…
Voltando ao assunto, o meu problema com Uelliton é que, por mais que procure, não consigo achar uma justificativa para suas palavras. Só deve satisfação a quem lhe paga?????? E quem é que, no final da cadeia financeira, lhe paga????
Os argumentos usados por ele, para querer sair do clube, são patéticos.
Primeiro – A perseguição da torcida. Isso me lembra a polêmica do ovo e da galinha: o que veio primeiro? A perseguição ou o comportamento irregular? Então, devemos achar bom que um jogador só jogue quando tem vontade? Não podemos criticá-lo para não ferir sua sensibilidade? Como dizem por aí, se não aguenta brincar, não desça para o play. É bom lembrar ao rapaz que nem Ronaldinho Gaúcho está imune a críticas e vaias quando seu comportamento extracampo prejudica o time nos jogos.
Respeito a opinião dos que acham que o importante é ele jogar bem e fazer gol. Desculpem, mas não concordo. Aturar no meu time um jogador que despreza a torcida é, guardadas as devidas proporções, como votar num político corrupto porque ele “rouba, mas faz”.
O segundo argumento é, para mim, pior que o primeiro. Desejar sair do clube dando a desculpa de que já está aqui há 9 anos é um primor de cinismo. Parece que ele nos fez um enorme favor em ficar ‘todo esse tempo’ aqui.
De acordo com Uelliton, o jogador tem prazo de validade num clube. O tempo é o que importa e não a satisfação, o desejo de tornar-se parte da história de um clube.
De acordo com Uelliton, Ceni e Marcos são dois idiotas que dedicaram sua vida profissional a só um clube. E o que dizer de Maldini, Del Piero e Ryan Giggs?
E quanto a Messi que, contrariando a teoria uellitoniana, afirmou que pretende jogar no Barça a vida toda e só sairá quando o time não o quiser mais?
Alguns podem pensar: Ah! Mas esses caras ganham um absurdo de dinheiro…
Mas, será que, nos 25 anos que Maldini passou no Milan, não apareceu nenhuma proposta milionária?
E nos 25 anos que Giggs tem no United? E nos 19 anos que Del Piero tem na Juventus?
Será que Nilton Santos jogou a vida toda no Botafogo por falta de opção?
Alguém duvida de que se Messi quisesse, realmente, sair do Barça, o sheik do City já não teria oferecido milhões de petrolibras?
Um atleta tem o direito de querer sair de um clube? Claro que sim!
Juninho Pernambucano saiu do Vasco – sem menosprezar time e torcida – e hoje está de volta, com a intenção de encerrar a carreira no time que o tem como ídolo. O que eu questiono é a maneira de sair. E, no Vitória, já está virando tradição o jogador sair ‘de mal’ com a torcida.
Como disse antes, muitas vezes a culpa é da torcida. Será que não temos – torcida e diretoria – capacidade de fazer com que nossos melhores jogadores fiquem aqui? Ou que, quando saírem, demonstrem vontade de voltar e não retornem quase que por obrigação?
Pelo andar da carruagem, os meninos da base já devem estar comprando malas novas.
Quem será o próximo a cair fora?”