Archive for março \29\UTC 2010

Ricardo, Ricardo, isto tá ficando feio

março 29, 2010

Eu sei, minha comadre, que a senhora está morrendo de saudade da voz rouca e rascante deste intimorato locutor. Porém, antes de retornar a esta impoluta tribuna, concederei a palavra aos torcedores Pedro e Otto, que largaram as seguintes prosopopéias . Ouça em itálico. Já volto.

De Paulo em 24/3/2010 23:23:47

Para: Todos

“Pelo amor de Deus. Me arranjem uma solução pra o Ramom sair do time. Não é possível que esse povo do Vitória não veja isso. Vai ser preciso a torcida xingar o Ramon, sair vaiado de campo, ser escorraçado para esse rapaz sair do time. Bastou ele sair (na última partida) que os gols saíram com facilidades. O time joga mais fácil, é mais veloz. Estão acabando um ídolo do Vitória e o próprio tem responsabilidade sobre isso. Deveria ter um pouco mais de amor próprio”.

De Otto em 26/3/2010 07:24:26

Para: Todos

“Gosto de ser Campeão Baiano, respeito Ramon, sei que ele se supera contra o Itinga e que nosso campeonato só tem dois times, mas…

Ramon é um bem ou um mal para o Vitória? Ramon equilibra o meio de campo ou faz com que o time seja lento? Ramon tem como ponto forte a qualidade ou a quantidade de lances com bola parada? Ramon recebe muitas faltas no meio de campo por que é muito marcado ou por que prende a bola ao invés de dar seqüência a jogada? Ouço que Bida é lento para jogar ao lado de Ramon. Renato também. Jackson e outros também eram. Quem seria o jogador ideal para jogar com Ramon? Iniesta? Xavi? Ballack? Lampard? Quem sabe Deco ou Diego?”

Pois muito bem. Os pronunciamentos acima foram feitos antes do confronto de ontem entre Vitória 1 x 0 ECPP. É muito provável que, após a peleja, Pedro e Otto já não estejam assim,digamos, tão comedidos em relação a Ramon.

Os moradores do Norte e Nordeste de Amaralina, Areal de Baixo e de Cima, Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e todas as adjacências, por exemplo, estão fazendo um barulho dos inferno, dizendo coisas impublicáveis. E todos sabem que fogo morro acima, água morro abaixo e a maledicência do povo, ninguém segura.

Para que vocês tenham uma idéia, a galera já começou a especular que há muito mais coisas entre o Reizinho da Toca e Ricardo do que pode imaginar nossa vã filosofia de arquibancada. Realmente, como diria o menino Ataulfo Alves, a maldade desta gente é um arte.

E, Ricardo Silva, em verdade lhe digo: O povo de lá tá inconformado.

Ontem mesmo, no Alto da Alegria, um torcedor me parou e perguntou o que segue abaixo em negrito.

“Sêo Françuel, que porra é esta? A moda agora dos técnicos do Vitória é ter caso com jogador, é? Não bastou aquela chibança entre Marco Aurélio e Vágner Mancini ( que Deus o tenha), agora teremos que aturar este negócio esquisito de Ricardo e Ramon?. VÁ MATAR O DEMÔNHO!”

Eu apenas silenciei, pois sei, Ricardo Silva, que nem adianta mais eu lhe defender naqueles pacatos bairros, dizendo que você é um cara sério, íntegro e casado. Ninguém tá comendo mais este reggae.

E pra acabar de lenhar a zorra toda fui escutar sua entrevista pós-jogo e, além de voce não dizer coisa com coisa, ainda me comete os seguintes atos falhos, que nem Freud explicaria.

É verdade, meu time tá muito Amoroso e realmente tem um buraco no meio campo”.

Rapaz, que disgrama é esta? Time amoroso com buraco no meio?

Ricardo, Ricardo, isto já está ficando feio.

P.S. 1 Amanhã, minha comadre, sem falta, explicarei o porquê de Júnior ter feito tantos gols.

P.S 2 Prometo também, ainda nesta semana, apresentar uma solução para Ramon.

P.S 3 Fora Dilma e Serra. Elkesson pra presidente, já!

Afinal, se o referido tem enfrentado e resolvido os graves problemas no meio de campo e no ataque do Vitória, por que não solucionaria coisas menores como a violência e o desemprego?

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Mais 15 minutos do ano da graça de 2010

março 25, 2010

Os puristas vão dizer que a língua portuguesa está entre as dez mais faladas do mundo, que temos uma enorme variedade de vocábulos, que nosso vernáculo possui palavras cuja etimologia vem do grego, do latim, do árabe, dos dialetos indígenas e africanos, que a riqueza da língua de Camões é retratada também na sua infinidade de palavras, que etc e coisa e tals e bam, bam, bam caixa de fósforo.  (É óbvio que os puristas não falariam bam, bam, bam. Coloquei isso apenas em homenagem ao novo atacante Rubro-Negro) 

Mas, derivo.

O fato é que os puristas têm o direito de glorificar o que é nosso apelando até ao velho jus sperniandi, mas em verdade vos digo: Na noite de ontem, quando assistia à peleja entre o Vitória x Esporte Clube Primeiro Passo (ECPP), não consegui achar nada na língua portuguesa que fosse capaz de traduzir o lamentável espetáculo.  A única expressão que me vinha à mente era a francesa dèja vu (que os afrescalhados pronunciam dêja-vi, com biquinho e as porra). Aos incultos, traduzo de forma resumida:  dèja vu significa a sensação de algo já visto.

Pois, amigos ouvintes, foi exatamente esta sensação que tive ontem ao ver um time sem criatividade, desprovido de força ofensiva e ainda dando as tradicionais bragas na zaga. Lembrou-me a equipe ordinária do início do ano. 

PUTA QUE PARIU AS MÁS RECORDAÇÕES!!!

E quando eu já ia me convencendo de que o ano não havia começado, que ainda estávamos naquela zona cinzenta do calendário, que o Leão novamente tava de Bode, eis que finalmente Ramon saiu de campo e o time voltou a jogar algo parecido com futebol.

É fato que Elkesson, seu substituto, nem é este caldo de cana contaminado todo, mas entrou em campo e novamente incendiou o time. Foram 15 minutos que confirmaram que 2010 já começou. Ato contínuo, recordei-me de um e-mail que recebi do leitor  Claudio Luís Pereira Reis, comentando meu último pronunciamento. Ouçam também, em negrito.

Meu caro,  beleza? Ótimo texto. Estava morrendo de medo que esse ano nunca começasse. Acho que isso só ocorreu devido a presença de um jogador no meio que “consiga” driblar no sentido do gol. O escolhido para o novo esquema foi Elkesson, mas poderia ter sido qualquer um que executasse a ação. Sem um jogador de meio que ultrapasse seu marcador partindo para gol e levando consigo os outros meias e os atacantes, seria impossível ganharmos uma partida com convencimento. Hoje, por exemplo,  contra o time de Vitória da Conquista voltaremos a ver  lentidão e futebol burocrático. Se o adversário quiser, seremos facilmente marcados. Domingo passado em umas 4 ou 5 oportunidades o time tabelou na entrada da área inimiga e entrou de bola, inclusive com tabelas bonitas entre Elkesson e Junior. Tudo isso por causa da condição de um meia driblar seu marcador. Simples, não é?”

Pois é, meu caro Claudio, é muito simples. O problema é que muitos são inimigos da simplicidade e procuram o caminho da burrice. E do passado. Eles não querem ver que o novo sempre vem – nem que seja por breves 15 minutos.
P.S. Prometi que explicaria os porquês de Cabelo de picapau amarelo tá brocando tanto. Promessa é dívida. Tenha sua calma, minha comadre, que explicarei em breve.

O ano, finalmente, começou

março 22, 2010

No tempo em que eu era menino (e lá se vão algumas décadas), a rebeldia era uma das principais características da população de Salvador. Éramos uma nação que não se deixava engabelar facilmente. Não à toa, a marca registrada deste povo lambuzado de dendê era composta de quatro palavras que ecoavam pelos becos, vielas, bares e budegas: “Num tô cumeno nada”. Eis, mais uma vez, o brado retumbante da velha Bahia: “Num tô cumeno nada”.

Pois bem. O tempo passou, voou, a poupança do Bamerindus se lenhou toda e a insubordinação foi sendo carcomida pela terrível mistura de salitre com as propagandas da Bahiatursa. A antiga capacidade crítica deu lugar a uma crença abobalhada.

Um exemplo? Ouçam.

Apesar de possuirmos um dos mais altos índices pluviométricos do Brasil, com uma média anual superior a 1900 mm, os órgãos de turismo venderam (literalmente) nosso estado como o paraíso do sol. Bobamente, acreditamos. Como também deixamos de duvidar de todas as outras culhudas, que João Ubaldo grafa como colhuda, mas a gostosa língua errada do povo, língua certa do povo, da qual falava Bandeira, diz que é culhuda. Então, fica culhuda mesmo.

Porém, derivo.

O fato, eu dizia, é que os habitantes desta província, anestesiados pelas bahiatursas da vida,  passaram a tratar os boatos como verdade e vice-versa.

Outro exemplo? Recebam.

Iguais a papagaios, passamos a repetir que o ano na Bahia começa depois do Carnaval.
Que culhuda da disgrama é esta, galera?
Todos os moradores do  pacato Areal e do Vale das Pedrinhas sabem que o ano só se inicia quando o brioso Esporte Clube Vitória pratica algo parecido com futebol – e isto tanto pode acontecer antes, durante ou depois das folias de momo.

Só depois que o Vitória começa a jogar bola é que o calendário começa a contar. Portanto, oficialmente, o ano de 2010 começou neste domingo, no Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão. O resto é conversa da Bahiatursa para enganar turista, otários e afins.

E nem venham repetir a ladainha de radialistas escrotos (desculpem  a redundância) de que o Atlético de Alagoinhas é um time fraco. Nero ar. O Carcará pode até não ser esta caldo de cana contaminado todo, porém, neste campeonato, já vi o Leão se engasgar com animais menos ferozes. 

A verdade que salva e liberta é uma só: com a exibição do último domingo, o Rubro-Negro deu a partida para o glorioso ano da graça de 2010. É fato que o time ainda precisa evoluir muito, principalmente ali na zona do agrião, pois minha zaga continua dando umas bragas da zorra. Porém, contra o Atlético o time já jogou parecido com um time – e não com um bando.  

Na maior parte dos 90 minutos, vimos uma equipe não somente lutadora, mas já demonstrando evoluções na posse e no toque de bola. Ao contrário das partidas anteriores, criamos diversas oportunidades e poderíamos ter emplacado uma goleada histórica. Mas, os 4 x 0 estão de bom tamanho. Servem para anunciar que o ano finalmente começou. 

A partir de agora é começar a descer a madeira sem dó nem piedade.

UMBORA TRI-TÓ-RIA, CARAJO!

P.S.1 Amanhã explicarei os porquês de Júnior ter balançado as redes tantas vezes.  

P.S. 2 Viu aí, BIDA? Nas quatros linhas é pra se jogar bola. Lugar de enfeite é nas penteadeiras de rapariga.

A mídia é igualzinha à língua da vizinha

março 20, 2010

Nas últimas 48 horas, estive absorto (recebam) nos meus devaneios tentando desvendar um dos maiores mistérios que perturbam a nação: por que diabos Bida praticou um futebol razoável e ainda conseguiu fazer aquele gol contra o Náutico lá nos Aflitos?

Um amigo, fã de Oliver Stone, que enxerga conspirações contra o Rubro-Negro em tudo,  apareceu com a seguinte teoria. “Aquele sacana só mandou a bola para o barbante porque não gosta do Vitória”.

Como assim? perguntei estupefato.

Ao que ele, sem deixar a criança quicar no chão,  respondeu: “Bida sabia (e sabe) que Ricardo Silva, que tá enojando nosso baba, encontra-se na corda bamba. Se perdesse para o Náutico, ia para fila do seguro-desemprego. Então, ele fez o gol para garantir o emprego do retranqueiro e lenhar ainda mais com o Vitória”.  

Apesar de achar a explicação um tanto quanto engraçada, pensei que a resposta poderia ser mais complexa. E continuei minha saga em busca da verdade que salva e liberta. Assim, fui ouvir a opinião abalizada de outro amigo metido a intelectual que, ao saber de minha  busca para  decifrar o enigma Bidiano, fez a seguinte admoestação:

“Cuidado, você pode tocar em regras desconhecidas do universo. Eis um dilema que poucos tentaram desvendar. Quase nenhum saiu vivo. O que entendeu foi demitido e chamado de burro depois de 3 derrotas”.
 
Enquanto me raciocinava todo, e na vitrola rolavam canções dos já velhos Novos Baianos, a moça do shortinho Gerasamba entra na história largando a seguinte.

“Ah, Sêo Françuel, que mané Novos Baianos, o quê? Meu negócio é Gerasamba. Dos baianos novos eu só curto o Parangolé e o Bléqui Istaile. E outra: O senhor vai falar sobre o jogo do Vitória ou vai ficar nesta conversa mole e poeirenta?”.

Menina, como diria São Mateus no capítulo seis, versículo 34: “Tenha sua calma”. Que agonia da zorra!  Você está mais apressada do que o batidão dos pagodes baianos. Vou falar, sim, de futebol. Citei os Novos Baianos porque ao ouvir o seguinte refrão: “a mídia é igualzinha à língua da vizinha”, tive um estalo a la Padre Vieira .

É isso.

Acho que o problema de Bida é, digamos assim, midiático.

Senão, vejamos.

Na época do Ipitanga, quando ainda não havia para ele nem  Rita Lee nem os holofotes das TVS,  o sacana praticava algo parecido com o futebol. Até mesmo no Vitória, no período em que habitávamos os porões da Série C (batam na madeira 50 vezes), com pouca cobertura da imprensa, Bida também jogou razoável.

Porém, foi só o Vitória voltar ao palco principal do Ludopédio de Pindorama que o sacana começou a jogar com mais enfeites do que jegue na Lavagem do Bonfim. E futebol que é bom, adeus  Corina.

Como na última quarta-feira nenhuma TV se deu ao trabalho de transmitir a peleja, o sacana voltou a brilhar.

Eis aí o engima de Bida. Ele não pode ver as câmaras e microfones que  se embanana todo.

Portanto, o Vitória precisa urgentemente resolver o problema do SMV (num tem nada a ver com a história, mas botei isso porque não agüento mais aquele descaso) e contratar um psicólogo para o rapaz. Alguém que lhe diga que, mesmo com a mídia em cima (de lá ele), futebol é pra ser jogado com seriedade. E no dia em que ele se convencer que é um jogador operário, mediano, se transformará num bom jogador. Agora, se ficar dando toquinho para o lado, cheio de firulas, continuará a ser apenas um Bida da vida.

P.S. Milheres de ouvintes querem saber minha opinião sobre a chibança do novo treinador. Apenas silencio.

Aliás, digo somente o seguinte. Quem é doido? Esta questão é igual àquele excremento. Quanto mais mexe, mais fede. Deixa quieto.

Réquiem para o futebol baiano

março 17, 2010

Neste março do ano da graça de 2010, tendo como testemunha o inconsequente sol do verão baiano que teima em nunca acabar, assistimos, estupefatos, ao enterro de nossa última quimera: o futebol. Nunca na história desta nação chamada Bahia (royalties para Lula) o ludopédio viveu tempos tão temerários.

Para os que acham que a melancolia acima está hiperbolizada, recorro aos fatos. E recorrerei com a autoridade de quem, há séculos, acompanha a linha evolutiva do pebolismo de Soterópolis, prestigiando até mesmo as pelejas do torneio de acesso (2ª divisão) entre Estrela de Março x Redenção de Brotas, na velha e trágica Fonte Nova.

Por isso, tal e qual um Émile Zola, eu repito a acusação: O pebolismo desta província e, consequentemente, a própria Bahia estão em ruínas. E, assim, concedem razão àquele surrado clichê, travestido de filosofia de botequim, de que o futebol é a metáfora (e o reflexo) da sociedade e vice-versa. Nos dois maiores símbolos do esporte (Bahia e Vitória) imperam a desonra, burrice, falta de planejamento, de projetos, de ousadia, de criatividade e de outros substantivos e adjetivos impublicáveis. Restaram apenas fantasmas e escombros. E, sob estes, roubaram-nos até mesmo a alegria.

Por falar em furto, o ex Esquadrão de Aço algumas vezes campeão, mas que não ganha nada há quase uma década, acaba de começar a perder sua sede de praia numa operação farsesca. E o patrimônio só não foi entregue (ainda) numa destas tenebrosas transações com o poder público porque, pasmem, descobriram agora que duas penhoras impedem o negócio. É isto mesmo que vocês ouviram. O clube tentou concretizar a venda sem ao menos saber que o próprio imóvel estava irregular.

Viva o velho Mangabeira que vaticinou sobre os precedentes baianos.

E já que se entrou na seara dos precedentes absurdos, eis outro perpetrado pelo presidente tricolor, Marcelo Guimarães Filho. Depois de não pagar dois meses do ano passado mais o 13º, ele largou a seguinte, numa brilhante inovação nas leis trabalhistas. Às aspas: “Alguns atletas que ficaram, inclusive, fizeram a seguinte negociação: como novembro e dezembro ainda iriam vencer quando sentamos para conversar, o atleta deu quitação disso e fez-se um novo contrato a partir de janeiro. Então o Bahia não deve”. A propóstito, o atual comandante do Bahia é filho de Marcelo Guimarães, também ex-presidente do clube, na época da “parceiragem” com o Banco Opportunity, de Daniel Dantas. Aliás, o pai do atual presidente foi preso pela Polícia Federal, em novembro de 2007, na Operação Jaleco Branco.

Mas, derivo.

Voltemos ao futebol.

No centenário Esporte Clube Vitória também imperam as inovações. Um exemplo? Recebam. A diretoria fez um Plano para, com o perdão da má palavra, fidelizar os torcedores. Assim, criaram o Sou Mais Vitória (SMV), no qual os sócios pagam os ingressos até com um ano de antecedência. Pois bem. Quase dez mil aderiram ao projeto. O problema é que as catracas destinadas a estes nunca funcionam e o cidadão-torcedor, muitas vezes, se quiser ver os (péssimos) jogos da equipe têm que comprar ingressos na mão de cambistas inescrupulosos (desculpe-me a redundância). Caso contrário, é só permanecer no inclemente sol até o fim dos tempos ou dos jogos, o que dá no mesmo. Mais um detalhe. O estádio do Rubro-Negro já foi fechado duas vezes recentemente para a troca das tais catracas e elas voltam do mesmo jeito. Não é à toa que a torcida já apelidou o programa de Sofro Mais Vitória. É como diria Paulo Mendes Campos: antigamente as coisas eram piores, mas foram piorando, piorando…

E a idiotia não tem freio. Tal e qual um Midas pelo avesso, o presidente do Rubro-Negro fez outra inovação: decidiu assinar a carteira de trabalho do treinador. E transformou um técnico promissor num burocrata retranqueiro temente ao seguro-desemprego.

VÁ MATAR O DEMÔNHO!

Mas, nem tudo está perdido. Com a plena consciência de que a situação em que se encontram o futebol e a Bahia está insuportável, o governador decidiu construir uma ponte ligando Salvador a Ilha de Itaparica. Assim, além do aeroporto, os desiludidos poderão ter outra rota de fuga.

P.S.1: É mentira de quem diz que todo este rancor é só porque o Brioso Leão segura a lanterna do quadrangular do grupo B do Varelão/2010.

P.S. 2 Texto publicado originalmente no TERRA MAGAZINE e republicado agora com as devidas alterações.

Micro-resenha sobre um jogo que não existiu

março 15, 2010

Milhares de ouvintes (na verdade, três) estão ligando insistentemente para esta emissora cobrando a tradicional e abalizada análise deste rouco locutor sobre o jogo do Vitória ontem em Feira de Santana contra o poderoso Bahia de Feira.

Lamento contrariar a multidão, mas o fato é que não gastarei nenhuma vírgula sobre a referida peleja porque aqui nesta budega só trato das coisas do Rubro-Negro baiano. E aquele bando que entrou em campo ontem, definitivamente, não era o time do Vitória. Pelo menos o meu Vitória, não.

Boas noites – se é que é possível dormir com um barulho deste. Aliás, barulho, não, silêncio e omissão ensurdecedoras.

VÁ MATAR O DEMÔNHO!!!

A Culpa não é (só) do Mordomo

março 13, 2010

“Alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito”.

Foi assim que o escritor Eça de Queiroz descreveu um de seus mais célebres personagem: O Conselheiro Acácio, do livro O  Primo Basílio.

Porém, para além da indumentária e aparência, o que marcava mesmo o referido era a pompa ordinária, o modo de falar afetado, cheio de frases e citações, mas que no final resumia-se a um discurso vazio, sem conteúdo, e que significava  absolutamente porra de nada, a  não ser uma  ode ao rídículo.

Pois muito bem.

Qualquer semelhança de Acácio com o pessoal do marquetingue (especialmente o do Rubro-Negro) não é mera coincidência. Esta raça de gente ruim tomou para si o adjetivo acaciano como nenhuma outra. E, sabendo que imbecilidade pouca é bobagem, eles ainda acrescentaram algumas outras doses de idiotia, como o uso exagerado de estrangeirismos.

É óbvio que pessoas com tais, digamos assim, habilidades têm o dom de iludir.

Diante de sua retórica empolada e seus planos mirabolantes, alguns incautos ficam impressionados e lhes concedem até cargos de mando. Porém, com diz o dito popular, quer descobrir quem é Inácio, dê a ele um palácio.

Como diria o filósofo Durval Lelys, que galera é esta, meu irmão? 

E já que comecei citando Eça de Queiroz, permaneço no campo literário e informo que a vida real não é igual aos romances policialescos em que o mordomo é sempre o culpado.

Nacaras.

È claro que o mordomo, digo o pessoal do marquetingue, tem sua (grande) parcela de culpa, conforme já destaquei AQUI & ALI, mas chega de ficarmos transferindo as coisas para os subordinados.

A verdade que salva e liberta é a seguinte: O responsável por todo desrespeito ao torcedor do plano Sofro Mais Vitória tem outro nome e sobrenome: Alexi Portela.  Sim, ele mesmo. E nem vou ficar aqui repetindo aquela ladainha de que o presidente é um cara sério e bem intencionado e etc e coisa e tals,. O fato é que, em relação aos sócios do SMV, o tratamento é quase um escárnio.  

Senão, vejamos.

Os constantes transtornos na entrada do Estádio são anteriores aos rascunhos da Bíblia, mas desde então as soluções milagrosas nunca aparecem, ficam apenas na promessa. Neste interregno (recebam), por exemplo, já foram feitas umas 800 reformas nas catracas – e nada.

Ou pior, escárnio. 

Depois dos sócios-torcedores serem submetidos a todo tipo de maus-tratos, o presidente concede entrevista cobrando que 35 mil pessoas façam o plano para poder exigir o título nacional.

Sem títulos e sem comentários.

Me façam um caldo de cana contaminado que, com certeza, trará menos danos à minha saúde.

O dia em que a ousadia e a sorte venceram o medo

março 11, 2010

Antes de fazer a tradicional e abalizada análise sobre a inolvidável peleja de ontem à noite no glorioso Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, vamos a um pouco de história que, assim como caldo de galinha, não faz mal a ninguém.

Seguinte é este.

No ano passado, conforme é de conhecimento de toda a Bahia e de 12,7% do semi-árido sergipano,  gastei MEU CASTIÇO LATIM defendendo a efetivação de Ricardo Silva no comando do Rubro-Negro. E levantei tal bandeira por dois motivos. Primeiro porque, no meu imodesto entendimento, já era a hora de acabarmos com o complexo de vira-latas, importando um monte de bunda de caruru de voz empolada, salário astronômico e que, no final, acabava enojando meu baba e deixava aqui a galinha pulando. 

Além disso, fiz a vitoriosa campanha em prol de RS por acreditar que o referido treinador, além de ser uma pessoa séria e íntegra, era um cara que conhecia o elenco e, principalmente, entendia do Ludopédio e não tinha receio de botar o time para jogar bola.

Pois bem. A direção do Vitória seguiu minha orientação e efetivou Ricardo Silva. Porém, cometeu um erro crasso: assinou a carteira do referido.

Pra quê, meu Deus? Aquele técnico que botava prá vê taúba lascá ni banda, transformou-se num burocrata com medo de perder o emprego.

PUTAQUE PARIU A COVARDIA!

Aliás, para quem entende de futebol, como é o caso deste  locutor (modéstia às favas), a pusilanimidade (recebam, hereges) do novo comandante já ficou clara logo no arriar das malas. Inclusive falei disso há cerca de dois meses, num texto intitulado Síndrome do Professor Pardal. O fato é que nas partidas subsequentes, a chibança só fez inflamar. O medo de Ricardo perder o emprego aumentou na mesma proporção que a quantidade de minhas pontes de safena. 

PUTAQUE PARIU A COVARDIA!

Mas, como diria Vicente Mateus, isto são águas passadas que não movem redemoinhos. Vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

Pois muito bem.

Na noite de ontem, em vez de lutar apenas para preservar o emprego, Ricardo Silva armou o time para jogar bola.
Logo de saída, escanteou Bida, que há séculos não quer porra nenhuma com a hora do Brasil, e botou a meninada em campo. Além disso, ouviu a voz da razão e da galera e colocou o Cabeça Amarela no lugar de Shereque. Pronto. O time já estava quase no ponto. Porém, nas quatro linhas  ainda imperavam o nervosismo, algumas bragas e nada de gol até que…a sorte sorriu para Ricardo Silva.

Após ficar 30 minutos em campo sem produzir uma jogada sequer, Ramon Menezes protagonizou seu melhor lance da noite: contundiu-se e permitiu que nosso treinador finalmente pudesse fazer algo que já devia ter feito muito antes, caso tivesse culhão: Botar nosso reizinho para descansar.

E olha que o tal do Renato Ribeiro nem é este suco de mangaba todo. Joga apenas um futebol meeiro. Porém, tem um diferencial: pulmão. E olhe que o sacaninha, que tem uma cara de MACONHEIRO DA DISGRAMA,  está fora de forma, mas mesmo assim deu uma outra dinâmica ao Leão. 

Aliás, a partir da entrada do ex-botafoguense, Elkesson se soltou e conseguiu fazer sua melhor partida no Vitória.  E tome-lhe correr pra dentro dos alagoanos com gosto de querosene. Sem o peso de Ramon, até Viáfara assumiu o posto que lhe é de direito: cobrador oficial de faltas. Resultado. Além dos 4 x 0, a alegria voltou a reinar no Santuário e no Norte e Nordeste de Amaralina.

Aliás, ontem à noite, a população  do pacato bairro entoava, em uníssono, as seguintes palavras de ordem.

“Ricardo, meu filho, basta de três volantes. Chegou a hora da ousadia vencer o medo de perder o emprego.
UMBORA TRI-TÓ-RIA, CARAJO!”
 
P.S Hoje, não, que é dia de festa, mas amanhã falarei sobre o glorioso plano SMV, o Sofro Mais Vitória.

Nego, reaja ou será morto

março 1, 2010

No dia 28 de setembro de 2005, quando a Bahia era governada pelo pefelê, a página da liderança do PT na internet republicava uma matéria do jornal A Tarde destacando o crescimento de quase 19% nos homicídios na capital em relação ao mesmo período de 2004. E largava no título: “Aumento de assassinatos revela uma Salvador marcada pelo medo”.

Na ocasião, o titular da pasta da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), general Edson Sá Rocha, dizia que o crescimento da violência era “um fenômeno mundial”.

Pois bem.

Atualmente, com os barbudos no poder, é a vez dos pefelistas (sei que hoje eles se chamam democratas, mas deixe pefelistas  mesmo, revisor sacana) descer a lenha.

Também na página na internet, o senador ACM bisneto, ou tetraneto, sei lá (sempre me atrapalho com estas nomeclaturas das oligarquias)  “alerta para a Violência na Bahia” e destaca que o número de assassinatos na Região Metropolitana de Salvador não pára de crescer. “Em 2008, o número de assassinatos naquela região foi quase 50% maior que o de 2007”, informa o parlamentar, ex-herdeiro da nossa besta e bela capitania hereditária.

Se antes os responsáveis diziam que era um “fenômeno mundial, os mandatários de plantão argumentam que tudo é “culpa do crack”.

O tempo passa, voa e as desculpas esfarrapadas continuam numa boa, mas a verdade que salva e liberta é uma só: Tanto na Bahia carlista, quanto na petista, o que incentiva a violência é a impunidade.

Ontem mesmo, em Pituacivisky, Arilson Gerasamba Anunciação, useiro e vezeiro no furto qualificado, agiu novamente diante de mais de 800 puliças e nenhum apareceu para lhe colocar as algemas. É por isso, amigos, que a violência só faz crescer.

Porém, ficar falando disso é regar na tempestade. Desde priscas eras, o menino Gregório de Matos já definia esta província da seguinte maneira:
De dois ff se compõe
esta cidade a meu ver:
um Furtar, outro Foder
”.

Então, como o Roubo já está feito, Fudeu Maria Preá. Vamos, portanto, tratar de crime muito mais grave: O medo.

Putaque pariu a covardia!

Alguém aí pode me explicar porque porra Ricardo Silva tem se comportado desta forma? Como é possível que um sujeito que mostrou no ano passado entender de bola fica enojando o baba deste jeito? Será que ele pegou o vírus de Experimentalgiani e decidiu ficar se autosabotando? Só pode ser isso. Porque, francamente, não consigo encontrar outra justificativa para alguém tirar Adailton, que ao menos se esforçava, para deixar Bida em campo se arrastando.

Inclusive, depois da (falta de) atitude de Ricardo Silva, o governo não precisa nem mais colocar a culpa no “fenômeno mundial” ou no  “crack”. Afinal, mais até do que a impunidade, são comportamentos pusilânimes (recebam um  pusilânimes, hereges) como os do técnico do Leão que incentivam a violência

Vá matar o DEMÔNHO!

P.S Sabe aquele velho ditado que diz: “Tô na área, se me derrubar é pênalti?”. Esqueça. Com Arilson nem adianta cair.