Archive for novembro \24\UTC 2008

Vindicta, quae sera tamen*

novembro 24, 2008

Vocês sacam a longa marcha de Mao Tsé-Tung, né? Claro que sabem. Afinal, a torcida rubro-negra é a mais culta do pais. De acordo com dados oficiais do IBGE, 92,14% dos torcedores do brioso Esporte Clube Vitória têm o curso superior completo; 4,15% já terminaram o 2º grau e o restante está concluindo o supletivo ou é fã do sacripanta do Bocão.

Pois bem. Diante da paletada que dei (lá ele) no dia 3 de maio de 1997, os 10, 12 mil km percorridos pela tal marcha chinesa são nada. As diferenças, porém, não se restringem apenas à quantidade de quilometros. Enquanto os comunistas fugiam do cerco do Kuomintang, eu vagava injuriado e sem rumo, de bar em bar, pelas ruas desta bela e besta província. Na referida data, perdermos, de forma inexplicável, a vaga na semifinal contra o Grêrmio, depois do empate em 3 x 3, na velha Fonte Nova. Perdemos, vírgula, Junior Touché perdeu. Enojou meu baba. E desde então formulo táticas e  estratégias para me vingar da equipe gaúcha.   

E a vingança, que demorou mais de uma década, veio ontem, com direito a virada, goleada, gol de bicicleta e as porra. Alguns idiotas podem até pensar que o Leão jogou aquela bola toda apenas por conta da mala branca do São Paulo, mas em verdade vos digo: nécaras. A causa foi mais nobre. Eles brocaram o Grêmio para evitar dois graves problemas. Primeiro, que este cansado locutor voltasse a começar nova e interminável paletada pelas ruas de Canabrava. Segundo, e principalmente, para restabelecer a honra do futebol brasileiro. Afinal, não é possível que um time treinado por Celso Roth ganhe um título nacional. Não enquanto eu estiver vivo e com a garganta funcionando.      

Pois muito bem. Sei também que, apesar deste importante momento histórico, algumas almas sebosas vão indagar: “Ah, Sêo Françuel, mas de que adianta toda esta papagaiada sua se o Vitória não vai mais ser campeão brasileiro?”. A estes, respondo. É vero. Mas, como diria meu  amigo Beto Bahia, “Feijoada (campeonato) que eu não como mais eu boto o dedo pra azedar“. Eis o príncipio básico da vingança.

E, guiado por esta concepção filósofica do menino Beto, já estou me preparando para brocar o Palmeiras e tirá-lo da Libertadores. Afinal, “Feijoada (campeonato) que eu não como mais eu boto o dedo pra azedar“. O triunfo contra a equipe paulista simbolizará também mais uma vingança por causa de 1992 1993 (valeu, Lucas). A terceira, já que depois daquele fatídico ano, metemos 7×2 em pleno Parque Antártica e  ainda mandamos aquelas injúrias para a  2ª divisão. Porque somos assim: quando começamos a nos vingar não paramos mais.
 
Ah, sim. Para encerrar esta emocional transmissão, mais duas palavrinhas: “Ei, Bocão, vá tomar no ás de loscopita“.  
 
E Viva Mancine!

P.S Aos (poucos) torcedores rubro-negros que não dominam o Latim, traduzo o título à moda drummondiana: “Vingança, ainda que à tardinha”.