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O MONSTRO DA ESPERANÇA (Por Silas Lopes)

julho 30, 2018

Eis a verdade que há dias me sufoca e implora pra ser confessada: quando eu não tinha o olhar lacrimoso que hoje trago e tenho, cultivava o perigosíssimo e já quase leviano mau hábito de sonhar. Mas “o sonho da razão produz monstros”, adverte o pernóstico apreciador de arte. Ora, bem o sei eu, que vi nascerem hidras, quimeras, brinquedos assassinos, bombas atômicas, Collors, Lulas, exércitos brancaleones e o maior de todos os males, o vilão que prolonga o tormento dos homens e atende pelo nome de esperança. Sim, meninos, eu vi todas esses assombrosas anomalias malfadadas às quase glórias que todo monstro que se preze atinge no penúltimo quadrante dos filmes do gênero. Não foi uma nem duas vezes que, num arroubo delirante, vi o objeto dos impossíveis desejos beirar a materialização e, quando já se comemorava o apocalipse, o mundo insistia em ser salvo, as coisas retornavam à realidade e a vida despertava, retomando seu marasmo.

Nesses vinte e poucos anos de casa arrumada que a nação vive desde que se tornou efetivamente democrática e, portanto, realmente nacional, demos vários beijos na morte e cá estamos, vivos, acordados e cheios de um tédio que vira sempre a mesma melodia. Enquanto a vitrola repetir essa cantilena modorrenta de que isso aqui não tem jeito e que o que anda ruim ainda vai correndo piorar, é certo que as coisas só vão degringolar a largos passos. O pessimista é sempre um preguiçoso, como ensina o Mário Sérgio cujo nome de herói do meio-campo faz até a gente relevar e quase esquecer seu carregado e galopante sotaque gaúcho. De fato, o pessimista é tão preguiçoso que profetiza o caos e o incêndio só pra sentar e ver o circo ser destruído pelo fogo que cabia a ele ir apagar.

E qual a necessidade de falar de sonho e pessimismo, misturando Nietzsche, Goya, Belchior, Cazuza e Cortella numa mesma prosa ruim?! Nenhuma. Mas nem só do que é necessário se fazem as crônicas. Antes, o contrário. E estou aqui pra lhes contar que é justamente por se afinar ao necessário que a nossa nação chegou ao vil tormento em que se vê. Essa musiquinha feita de tédio e pessimismo que se houve em cada canto é a prova de que geral esqueceu o principal: no peito dos desafinados um dia já bateu um coração.

E se você não sabe do que estou falando, seja humilde e veja o burro videotape.

Como em todo fim de século, o apocalipse era coisa iminente e todos aguardavam a redenção. Mesmo sabendo que sonhar era ingênuo, os meninos passaram guache no rosto e disseram “e daí?!” E foi com o mesmo descaso que Oswaldo Montenegro dá à opinião alheia que a juventude cara pintada foi às ruas e praças pra acreditar num futuro melhor e fazê-lo acontecer. O Brasil dava a mão à palmatória e nomes antes desconhecidos tiveram de ser engolidos pelo cenário nacional dessa Terra de Papagaios em que só se repetia a mesma ladainha há quinhentos anos. Pela primeira vez, como nunca antes na história desse país, ouvia-se falar de Vitória – assim mesmo com o “V” maiúsculo – do povo periférico de uma Bahia periférica em um Brasil que é periferia de um mundo periférico em uma galáxia periférica e blábláblá bláblábla blábláblá…

Certo que 93 mostrou ao mundo o que jovens com tinta no rosto, coração na chuteira, força e vontade em todos os demais lugares do corpo e da alma são capazes. Nas pernas de Alex não havia alegria, que isso não é coisa de homem. Havia a força que as coisas têm quando têm que acontecer. A zaga do Corinthians ficou mais Odara que Caetano enquanto o menino driblava o mundo e escoiceava a bola, as desigualdades e as injustiças de que padece o futebol dessa província que os podres poderes insistem em transformar num império colonial. Depois de derrubar a invencibilidade de um Corinthians de Viola, Rivaldo e Tupãzinho, era a vez de Casagrande e Renato Gaúcho conduzirem o favoritíssimo Flamengo à impiedosa faca de Chuky, o brinquedo assassino, que era como se conhecia o improvável monstro criado pelos sonhos rubronegros baianos daquele ano.

E se o caro leitor vinha achando que a nação, a juventude cara pintada, a democracia, nacionalização e os sonhos de antanho eram menções a qualquer coisa que não à única coisa sobre a qual se deve falar nesses dias decisivos para o país, que vá curar suas ilusões em boas doses de Valdick Soriano porque ninguém aqui merece o desgosto de ter o rosto molhado por suas lágrimas. Esta crônica não é sobre tristeza ou solidão ou tampouco sobre os rumos da política do Brasil. É sobre sonhos. Sonhos como o daquele povo que lotava a velha fonte pra assistir cada apresentação de um Vitória que não se apequenava e a ninguém chamava de senhor, porque ninguém é senhor de ninguém. Bem mais do que espectadores, aquela massa fez merecer o apelido de juventude cara pintada justamente por tomar parte na luta. Como tupinambás furiosos, os sonhadores que lotavam a velha fonte, assim como o novo Barradão, iam juntos com o Brinquedo Assassino destruir o homem branco conquistador, na base da antropofagia.

Aquele Vitória era um sonho. Sonho inconsequente e megalomaníaco como o que fez o time ir atrás do tetracampeão Bebeto, a quem se juntaram Túlio, Chiquinho e outros craques que os comentaristas da época, assim como os de hoje, diriam que não estavam ao alcance do time. Não há comentaristas nos sonhos, graças a Deus! O sonho é livre desses idiotas da objetividade, que nunca saberiam explicar a vinda de um jovem contratado do Real Madrid, que marcaria pra sempre o futebol de Pindorama e forçaria os tais papagaios a aprenderem não apenas a difícil pronúncia de seu nome, como também a evidente percepção de que a Bahia que é do Vitória e não o oposto.

Só em sonho o Vitória procuraria o Porto para buscar a contratação de um de seus atacantes titulares, que o presidente do Flamengo, meses antes, teria ido pessoalmente a Portugal tentar repatriar, sem sucesso. Pois aquela geração sonhava e produzia monstros como foi o Vitória de Artur, rei de uma távola redondíssima em que Cláudio, Fernando, Tuta, Fábio Costa, Rodrigo e Leandrinho ensurdeciam o mundo com a ópera de Toninho Cezero, conquistando um merecido, irreverente e imprevisível terceiro lugar no brasileirão de 1999. Devaneio mais irreal e improvável que este, talvez, seja apenas disputar a final da Copa do Brasil de 2010, com um elenco compatível com o meio da tabela de uma série B, mas com uma vontade monstruosa, daquelas que só os sonhos produzem.

O problema do Vitória, nessa quase finda década que, pra a gente, nem começou, não é o técnico, o elenco ou mesmo a diretoria. Tanto assim que pouca gente trocou tanto essas variáveis, em tão pouco tempo, sem mudar a constante de sofrimento e ultraje que têm sido esses já tão longos dias maus. O problema é que essa geração não quer sonhar. O time se acostumou a viver um dia após o outro e manter um técnico enquanto ele conseguir ganhar em casa, empatar fora com quem for mediano e perder de pouco pra quem estiver bem. Puseram cabresto nas expectativas do time e há tempos são os jovens que adoecem. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão e estes têm sido o tom do descompasso e desperdício com os quais a diretoria, seja ela qual for, vem gerindo seus (nossos) recursos. Governados pela opinião de quem esconde seus reais intentos, engolindo a ousadia e evitando o perigo, todo mundo vai pra a arena com medo de perder e monta um time básico, que respeite as leis da física, da economia e viabilidade.

Sem querer dar uma de vizinha metida a médica que tem sempre uma receita pra qualquer que seja o mal, ainda que a medicina ocidental tenha fracassado em curá-lo, mas com mais receio ainda de ser cobrado pela omissão quando chegar o Tribunal de Cristo com a missão de cobrar de quem tinha o que dizer e não falei, assevero que o Vitória precisa voltar a crer no seu destino. Pobre só come o que presta quando ele mesmo planta ou cria. É o caso. Quem vier de fora, tem que vir trabalhar para – e não em lugar de – quem é nosso. Pra ser grande como nasceu pra ser e ganhar o que nunca teve, só com a valentia de quem não tem o que perder. A conversa é besta, mas a conta é simples: Põe na base a esperança dos resultados improváveis e nas contratações a pressão do cotidiano. Contratar jogador mediano pra compor elenco é a morte da esperança.

É preciso voltar a fazer o óbvio, enquanto ele ulula: com o pouco que se tem pra contratar, urge trazer os poucos com potencial pro brilho. Deixa as áreas opacas pra quem é da casa e precisa aprender com o banco, as oportunidades de fim de jogo e a experiência de quem chega. Trazer um monte de meia-boca só serve pra deixar a base com fome e pra sonhar, segundo minha vó, é preciso dormir de barriga cheia.

 

Foi com um sonho que Martim Luther King fez toda aquela presepada e resolveu na base da conversa um problema histórico quem nem meio mundo de bala tinha conseguido consertar. Oportunidade aos garotos da base e o reforço de poucas e boas contratações sempre foi a receita de nossos melhores resultados. E nem se diga que isso era no passado e que as coisas mudaram porque agora é diferente e tem negócio de coisa de história de não sei mais o quê. Sonhos não envelhecem. ao contrário dos pessimistas e idiotas que, a cada hora que passa, ficam dez semanas mais chatos, burros e próximos da morte.

 

Em um tempo no qual a verba de televisão do Vitória é cinco ou seis vezes menor do que a de outros times que disputam o mesmo campeonato; em que o nosso orçamento global se compara aos gastos com divisão de base de alguns de nossos rivais, ou a gente volta a crer no impossível e ir atrás dele com a gana que só o sonho é capaz de gerar ou nos habituamos à tirania da mediocridade, com a qual não combinam brasileiros corações. Já passou bastante da hora do Brasil e do Vitória, que são duas faces da mesma moeda, aprenderem que se as coisas são inatingíveis, isso não é motivo para não querê-las. Que será dos caminhantes, sem a mágica presença das estrelas?!

Não haverá um super-homem que faça mudanças imediatas por aqui, mas, sim, eu acredito na rapaziada que não tá na saudade e constrói a manhã desejada. O problema é que eu não faço ideia do que o Vitória tem desejado. Ninguém faz ideia de quais são os rumos ou fins do planejamento atual ou da evidente falta dele. Aliás, faz é tempo que o Barradão só é ocupado por tédio e enxugamento de gelo, sem propósitos ou mistificações. E é justamente das ocupações que vêm os sonhos, como ensina o Pregador (Elesiastes 5:3), que também ensina a achar a voz do tolo sempre onde se encontra a multidão de palavras. Que o Vitória troque o tédio pelos sonhos dessa juventude de que ele tanto precisa, deixando de ser o paraíso dos comentaristas, empresários e verborragistas de toda ordem. Se esta geração não quis sonhar, que sonhe a que há de vir!

 

DIANTE DO RACISMO NÃO CABE TERGIVERSAÇÃO

outubro 23, 2017

Sob o véu do clubismo, que obnubila a visão, alguns torcedores do Vitória têm sacado do coldre os mais diversos argumentos para tentar defender o acusado de crime de racismo ontem na Fonte Nova.

Primeiro, levantaram a lebre da simples troca de xingamentos. “É do jogo”, disseram, esquecendo-se de que já passou da hora de pararmos com esta história de que no estádio os códigos são outros, que tudo pode. Não, não pode. Futebol não é salvo-conduto para atos contra a dignidade humana.

Depois, óbvio, começaram a questionar a vítima, como se alguém, depois de vencer um clássico desta importância, fosse sair do jogo chorando, literalmente, só pelo prazer do teatro.

Por fim, teve também quem apelasse para o seguinte argumento. “Ele não ia cometer um ato racista, pois o pai é rasta e, ele mesmo, é negro”.

Este tipo de defesa chega quase a ser engraçada se não fosse trágica, pois olvida o processo de branqueamento que ocorre no futebol, e não só nele, óbvio, quando se começa a ter alguma ascensão social.

A propósito, lembro de um episódio narrado por Mário Filho no clássico “O Negro no Futebol Brasileiro”.

O irmão mais velho de Nelson Rodrigues nos conta que dois jogadores do Fluminense, Orlando Pingo de Ouro e Robson, estavam num carro quando um casal apareceu, do nada, na frente do veículo. Na freada, Orlando bateu a cabeça no para-brisa e, ato contínuo, começou a desferir ferozes impropérios racistas.

Para tentar acalmar o amigo, que queria trucidar o casal, que era negro, Robson largou a seguinte.

“Faz isso não, Orlando. Eu já fui preto e sei o que é isso”.

Então, é isso. Se o jogador do Vitória não cometeu o ato racista, basta que ele diga clara e TEXTUALMENTE. “Não xinguei ninguém de macaco. Pronto”.

O que não pode é ficar tergiversando. Diante do racismo não pode existir tergiversação.

E, mais, galera Rubro-Negra. O ato de lutar e denunciar barbaridades que tenham sido cometidas por jogador de nosso time não nos faz menos torcedor. O inverso é verdadeiro.

Por tudo isso, entendo que a pior derrota nem foi perder o clássico (é do jogo), mas sim diante destas tergiversações, constatar, tristemente, que a chaga do racismo está incrustada de modo indelével no futebol. E não só nele, óbvio.

MANCINI, SOBRENOME LIDERANÇA

agosto 29, 2017

Impossível esperar as regulamentares 48 para realizar a tradicional inquirição: que fenômeno foi aquele que abalou Curitiba e um taco da República do Paraná na noite de ontem?

Antes de responder a esta fundamental questão, é preciso retornar um pouco tempo, exatamente para o dia 22 de julho. Nessa data, o Vitória protagonizava mais um vexame no Mordomão/2017, perdendo dentro do nosso Santuário para a Chapecoense. Com o resultado, o Leão caminhava para registrar sua pior campanha no primeiro turno na era dos pontos corridos.

Mas não só isso. Aliada à tristeza e apreensão, havia no ar um clima de golpe. Aqueles conhecidos marinheiros, que só sabem navegar em águas turvas, se apresentavam novamente como salvadores da pátria, enganando incautos e/ou desesperados. Vendedores de ilusões e de infâmias, os indigitados declaravam que este ano estava tudo perdido. E apostaram no quanto pior melhor. E, óbvio, a desesperança contagiou muitas pessoas. Em alguns casos, existia uma ira verdadeira, uma revolta sincera. Também não era pra menos. Os erros e vacilos transbordavam.

Porém, antes mesmo de (re) estrear no comando da equipe, Mancini deu a letra, garantindo que ia blindar o elenco, como deve fazer um verdadeiro líder – e não estes aproveitadores de ocasião. E mais: prometeu brio. “O torcedor até aceita que você perca uma partida, o que ele não aceita é que não tenha luta”. E houve luta. E, ao contrário do que pregavam os profetas do apocalipse, nada estava perdido. E hoje temos a prova disso. Mas, a verdade é que a batalha era desigual, pois o primeiro adversário seria o forte Cruzeiro, atual finalista da Copa do Brasil. E pior. A peleja era na casa do adversário.

Apesar de saber que a fase não rimava com otimismo, dei de ombros à maldade alheia e decidi que era o momento de estar ainda mais próximo da equipe. Assim, desci a pirambeira rumo a Minas Gerais para ver o dificílimo jogo contra a equipe celeste. O x 0 encardido com Fernando Miguel brilhando – e o time lutando incansavelmente, honrando a camisa. Mas a outra luta, fraticida, sem honra, continuava fora das quatro linhas, com os derrotados nas últimas eleições se unindo a traidores para pregar rasteiras.

Novas turbulências. Travessia complicada, mas sob o comando do novo/antigo técnico cruzamos a ponte. Jogo com cara de alegria. Um primeiro tempo quase perfeito. No final, um 3 x 1 tranquilo. Blindagem voltou a funcionar. E funcionou mais ainda na partida seguinte. Eu estava na Ilha do Vitória (ex-ilha do urubu) e vi o Leão realizar uma partida que roçou o sublime. 2 x 0 no Flamengo com direito a olé.

No jogo seguinte, porém, tropeço em casa diante do Avaí – e os infames, que já voltavam para as trevas, colocam as asas, digo, os tridentes de fora, naquilo que já entrou para os anais (de lá eles) como “política nojenta”.

Mas, deixemos estas injúrias no lugar que eles merecem: o esquecimento. E falemos só de jangada, que é pau que bóia.
Então, seguinte. O próximo jogo era a prova de fogo. Peleja contra o invicto Corinthians no terreiro adversário. Porém, com o auxílio do Sobrenatural de Almeida Tréllez, brocamos lindamente. E Mancini, altivo, brocou mais ainda ao dar uma necessária voadora nos que sempre querem nos rebaixar. O Brasil é muito grande, boa noite, disse o comandante.

E, neste Brasil grande, o Vitória de Mancini tem conseguido ser imenso. E ontem, na república do paraná, devorou as coxinhas brancas, lavando a alma da nação.

Assim, se, na rodada anterior, Mancini havia conquistado o sobrenome dignidade, agora, depois do fundamental triunfo diante do Coritiba, ganhou um novo: liderança. Afinal, sob seu comando, o Vitória disputou 18 pontos e conquistou 13, melhor aproveitamento do campeonato.

O Brasil tem um (novo) líder.

Axé.

Um ex-tirano disse que deveriam prender quem contratou Kanivisky. O zagueiro-artilheiro manda um coraçãozinho para o especialista em cadeia. Foto: Giuliano Gomes/PR Press/Gazeta Pres

A MÁGICA É LIBERTADORA

agosto 8, 2017

Só agora, passadas as regulamentares 48 horas, é possível largar a necessária e inquietante indagação: que fenômeno foi aquele que, na inconsequente manhã dominical, assombrou o Rio de Janeiro e uma banda de Niterói?

Antes de tentar responder a esta fundamental questão, é preciso adiantar os ponteiros do relógio e ir direto ao lance mais polêmico e incompreendido da peleja: a penalidade máxima contra o flamengo.

Pois bem. Sem longas nem delongas, venho informar que, ao contrário do que pensam os incautos, o assoprador de apito marcou o pênalti para prejudicar o Vitória.

Como assim? Assim, ó. Naquela altura do jogo, a equipe local já estava completamente entregue. Ao perceber que a derrota do time dos podres poderes de Pindorama era líquida e certa, o juizão, ardilosamente, maquinou uma medida heterodoxa pra tentar dar uma sobrevida ao defunto. Qual seja. Sabendo que o goleiro de lá era useiro e vezeiro de pegar pênalti de Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo e outros mais ou menos cotados, ele achou que marcando a zorra, ocorreria o normal e a equipe carioca ganharia um novo fôlego. Só se esqueceu de uma coisa: Aqui é NEILTON, porra. Anotaê: 2 x 0 no placar e ninguém pode mais tirar.

Aliás, Neilton já havia sido responsável por outra façanha. Seguinte foi este. A partida estava um tanto quanto encardida e os jogadores do flamengo faziam aquelas tradicionais firulas para intimidar, pra demonstrar que eram craques e superiores. Então, o guri da camisa 10 ensinou como é que se pirraça. Dominou a bola no ar e deu um drible de corpo sem deixar a criança quicar no gramado. Ali, naquela jogada mágica & simbólica, uma verdadeira maravilha melodicamente contemporânea (Beijos, Luiz), estava decretada a vitória.

E, com aquele lance metafisicamente sublime e lindamente arrogante, Neilton mandava a seguinte mensagem: podem rebolar o quanto quiserem, rebain de sacristas, que ninguém aqui vai ficar intimidado. E assim foi. Ninguém comeu reggae. E o arisco e injustiçado David se mirou no exemplo e deu uma caneta num sacana deles. E Iago mandou um balaço no ângulo. E Ramon incorporou um orixá que era a mistura de Falcão com Cerezo. E Carlito Trellez, o colombiano que sofreu o pênalti, obrou uma acrobacia de botar Nádia Comanecci e os contorcionistas do Cirque du Soleil no chinelo. E até Kanivisky (vá fazer rima na casa da porra) parecia possuir uma categoria ancestral.

Pois muito bem. Todas estas e outras excepcionais atuações dos jogadores do Leão, de algum modo, podem ser descritas, mas como fazer para falar da insana (mais uma) atuação do gênio da lateral direita (ala é a puta que o pariu) CAIQUE SÁ?

PUTA QUE PARIU A AGILIDADE!!!

Aquilo ali é o Diabo da Tasmânia em forma de jogador. Depois de me raciocinar todo não consegui achar outra definição ou explicação. Aliás, é exatamente esta falta de explicação, esta força transcendental, este sobrenatural de almeida, que vai nos levar à Libertadores. A mágica liberta. Botem fé.

Eu ouvi outro amém, igreja?

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A briosa & insana torcida Vitória 40º aquece e incendeia o Rio

DESCONFORTO LIBERTADOR

agosto 3, 2017

Os consultores, estes xavequeiros mudernos que vivem a encher as burras, nas palestras da vida, enganando os incautos, otários e afins, costumam dizer que crise significa perigo, mas também oportunidade.
Nero ar.

Conversa de culhudeiro. Crise, seja na origem grega, latina, chinesa ou no Nordeste de Amaralina, significa… crise, POBREMA. E é um momento para ser superado. E ponto final. Ponto final, vírgula, ponto parágrafo, pois os dados e a bola ainda estão rolando.

Sim, é fato que a bola não estava rolando redondamente, tanto dentro quanto, especialmente, fora das quatro linhas. Existiram barbeiragens. Muitas. Porém, é importante ressaltar, sublinhar, destacar, lembrar e relembrar que os problemas no Esporte Clube Vitória não surgiram agora. Ao contrário. São seculares, familiocratas. Portanto, nem venham repetir esta ladainha de que o entrave é de ordem democrática.

Pra cima de moá, não. Quem come agá é Dona Otília de Cafarnaum, que escreve Otel assim, com ó. A democracia no nosso Clube ainda nem começou. Esta conversa escrota só interessa aos aventureiros de terceira, aqueles, e aos jabaculezeiros, que querem enganar os incautos do mesmo modo que os palestrantes culhudeiros iludem as plateias desatentas sobre a etimologia da palavra crise.

Pois bem.

Esta conversa está lhe causando desconforto, né, minha comadre? Sim, é este o objetivo. Retorno a esta impoluta tribuna exatamente para sugerir que voltemos a realizar reflexões que nos ajude a sair da inútil zona de conforto que aprisiona nossas certezas e também para que possamos ajudar nosso time a sair desta maldita zona.

Então, sem mais longas nem delongas, vamos falar de jangada que é pau que boia. O Vitória começou a ganhar o jogo de ontem contra a Ponte Preta antes mesmo do apito do sacana de amarelo. E, por mais paradoxal que possa parecer, o motivo do triunfo foi causado pelo desconforto. Sim, quando anunciaram a contusão de Clayton Xavier, que atualmente atua improvisado como jogador, tudo mudou. Os semblantes no Barraquistão se iluminaram. Parecia até (quem sabe) que o Leão iria finalmente começar a disputar o campeonato.

E já que adentramos no campo dos enroladores, vou repetir aquela tradicional frase de autoajuda: é incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer.

Vejam vocês, gasolina já subiu de preço, mas o astral mudou completamente. Até Carlito Trellez, que estava se enrolando com a redonda mais do que deputado indeciso pra justificar voto, foi certeiro. Primeiro, abriu o placar com uma cabeçada. Depois, fechou o pacote ao receber belo passe do injustiçado David. Aliás, o que o menino da camisa 27 tem feito sem reconhecimento não está em nenhum gibi. Eu mesmo já contei uns 80 excelentes passes (assistência quem presta é a Samu) para os outros atacantes rubro-negros.

Mas derivo.

O fato é que, depois de um longo e tenebroso inverno, o Vitória voltou a jogar algo parecido com futebol. Até o craque desligado Neilton guardou o dele. Espero que agora acorde definitivamente. Pois o mais importante já aconteceu. O que? Ora, voltou a rolar aquela velha e imbatível sincronia do time com as arquibancadas. E quando esta mágica sobrenatural de almeida acontece nem Gilberto Gil segura mais a Bahia.

Eu ouvi um amém libertador, igreja?

Este trio elétrico vai incendiar o país num Carnaval fora de época

BELO E TORTO COMO O CERRADO

julho 10, 2017
Por Felipe Campos*
Passei seis horas do meu dia dentro de um carro pra ver nosso time na zona de rebaixamento enfrentar o lanterna em Goiânia. Ganhei o jogo (e o dia) ao registrar in loco o improvável corta-luz de craque do jovem Rafaelson sob o incomparável por do sol do cerrado. A vida é uma onda.
A instituição Vitória não está merecendo uma torcida como a Vitória Candango. Mesmo assim, descemos o Planalto Central às dezenas e fomos cumprir nosso dever cívico de cantar melhor e mais alto do que o time local – feito aliás que se repete desde o nosso surgimento, tanto no futebol quanto no basquete.
Eu tinha uma obrigação a mais. Fui incumbido (lá ele) por Franciel a orientar e liderar o time em sua ausência. Acho que o representei ao puxar o coro enaltecendo o desempenho do MELHOR ZAGUEIRO DO CAMPEONATO BRASILEIRO. Tomando cuidado com a rima, é claro. Kaníves curtiu. Também no intervalo desci a arquibancada para cobrar seriedade no bobinho dos reservas. Tenho certeza, este fato foi determinante para o já citado ANTOLÓGICO gesto de Rafaelson de simplesmente não atrapalhar a jogada. De nada.
O corta-luz foi meio desajeitado? Foi. Tinha a opção de dominar e sair de cara com o goleiro? Tinha. Mas se há algo que o cerrado nos ensina é que nem tudo que é torto é errado. Ou feio. Rafaelson, meu filho, sua não participação foi coisa de gênio!
Disseram que o time jogou mal e que o jogo foi sofrível, sendo, inclusive, digno do horário de série b que a CBF arranjou – indireta recebida. Não lembro bem, confesso. A sombra tava batendo justamente no freezer do senhor da cerveja que não tinha meu troco. Aí não teve como brigar com o destino. Saí já com a memória embaçada do estádio. Porém vos digo, nobres: nada, absolutamente nada, consegue parecer “mal” ou “sofrível” quando feito sob a tenra luz do por do sol do cerrado. Nem mesmo o futebol desse seu lateral esquerdo aí.
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P.S: Um agradecimento especial ao amigo Vanter Pé-de-Fada pela loooonga carona, a Pedro Grego pelo serviço de bordo e ao nobre colega goiano Marcello Dantas de quem eu roubei esse título.
* Com este inoxidável relato, estão abertos os trabalhos do Brasileirão aqui no Blog. Agora, só pararemos na Libertadores. E fudeu Maria Preá.

LEÃO SOBERANO E INVICTO

maio 8, 2017

É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer.

Porém, antes que as pessoas impacientes já comecem a fazer beicinho, informo logo que só comecei a homilia com a frase de autoajuda acima porque foi exatamente esta a sensação que senti quando olhei para aquele mar vermelho e preto nas imediações do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barraquistão.

Aquela cena antológica da torcida abraçando o time e o ônibus antes mesmo da peleja se iniciar me dava a certeza de que as coisas iam acontecer. O mar vermelho e preto não estava para sardinha. Então, naquele momento, chutei para escanteio meu incurável ateísmo — e acreditei piamente no poder mágico da força da multidão. Estava convicto de que ela que ia garantir o título, apesar de o time em si não passar tanta confiança.

E assim foi. E foi assim. Logo aos 7 minutos, quando minha zaga deu uma braga e a sardinha apareceu de cara para o crime, a energia da massa rubro-negro desviou a bola para a linha de fundo. Por todos os cantos e campos do Brasil e do Barradão, o que dá no mesmo, nosso grito se ouviu. E foi nosso brado sobrenatural de almeida que possibilitou que a equipe Rubro-Negra mandasse na partida. Tirando outro lance aos 7 do segundo tempo (ê, timinho pra gostar de 7 este de Itinga, viu?), o Vitória foi soberano. E só não goleou por conta das deficiências técnicas dos atacantes. David duas vezes, Paulinho outras tantas, Ramires, haja calculadora.

Aliás, nada de cálculo. Tudo era emoção. E foi nesta pegada que as coisas definitivamente foram decididas. E se antes da peleja começar eu já estava com a certeza do título, ela se transformou em absoluta convicção, crença incurável, quando Renê Santos, um homem chamado raça, entrou em campo. Ali estava personalizada a garra da torcida. Gramado e arquibancada eram uma coisa só. Tentando enojar o baba, o homem de preto deu infindáveis cinco minutos de prorrogação e ainda mais um de chaleira. Não adiantou. Podia deixar o jogo rolando por mais um século que não ia passar nada. Nem mesmo o profeta Moisés conseguiria abrir aquele mar vermelho e preto que se formou como um rochedo antes do jogo começar e se fortaleceu ainda mais com o desenrolar da partida.

Sim, minha comadre. Tudo isso pode parecer (e é) piegas, mas quem diz ou pensa assim como a senhora jamais vai compreender o que aconteceu naquela soberana e invicta tarde de domingo.

P.S Esta homilia vai dedicada a todo o povo lambuzado de dendê e de emoção, especialmente à brava guerreira Maria da Conceição e ao representante do recôncavo Márcio Neiva.

Foto de Raul Spinassé/Agência A tarde/Estadão Conteúdo

VALEI-ME, MINHAS PONTES DE SAFENA!

abril 17, 2017

Convicção é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e a danada escapole.

Como assim? Assim, ó.

Tinha a certeza absoluta de que este atual grupo do Vitória ia desobedecer às (des) orientações de Argel e criaria um sistema de jogo, um padrão tático, independentemente da tosca vontade do técnico.

Acreditei nisso porque este é um elenco composto de jogadores rodados, que sabem como a zorra funciona nas quatro linhas. É fato que muitos deles não têm mais condições físicas ideais para impor um ritmo de jogo, mas ao menos têm conhecimento futebolístico. Porém, depois de num sei quantas rodadas, o que vejo é uma apatia profunda nos aspectos técnicos e táticos. 

 

Diante de tantas e tamanhas infâmias (e não somente por causa do insosso empate de ontem contra o Vitória da da Conquista, travestido de heroísmo), a única contribuição que posso fornecer para a melhoria do nível do Ludopédio do Leão é a seguinte: tem que suspender, com urgência, esta feijoada que está sendo servida antes dos jogos. Sim, a galera só pode estar se entupindo de comida pesada antes da bola rolar, pois não consigo vislumbrar outra coisa pra tanta maresia.

 

Aliás, depois de me raciocinar todo, tô chegando à obvia conclusão de que este rebuceteio da Odebrecht tem como objetivo desviar a atenção do povo em relação ao tema mais importante do país. Qual seja: este time do Vitória num tá jogando porra de nada!

E minhas pontes de safenas não aguentam este rojão.  

VÁ MATAR A MÃE DO DEMÔNHO!!!

UM VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA

abril 12, 2017

Que contradição. Só a guerra faz.

Exatamente no mesmo dia em que a torcida mista voltou a ocupar, de modo revolucionariamente afetivo & festivo, as arquibancadas da velha Fonte Nova, o garoto Carlos Henrique Santos de Deus, de apenas 17 anos, foi brutalmente assassinado após o jogo.

Dentro do estádio, a multidão deu exemplo de que é possível avançar na direção da salutar convivência entre aqueles que torcem por cores diferentes e que rivalidade não é, nem pode ser, sinônimo de violência. Do lado de fora, alguns infames, talvez desesperados em ver triunfar esta rica possibilidade de coabitação, recorreram ao crime, à desgraçada brutalidade de retirar a vida de uma pessoa que apenas veste uma camisa de outra cor.

Aliás, por falar em cores, nos dois últimos anos, uma das características mais tristes e trágicas das manifestações de rua no Brasil foi a impossibilidade de se aceitar alguém com uma roupa de coloração diferente.

Algum apressado pode me acusar de estar misturando as bolas, mas o fato é que pouco importa se a batalha é contra a corrupção ou um time de futebol. A mensagem dos que se filiam a esta tendência totalitária do terror, tanto nos estádios quanto nas passeatas das cores iguais, é a seguinte: eu sou o melhor, o puro, e o outro deve ser eliminado.

A consequência deste autoritarismo atroz é a interdição do diálogo. E é um caminho fácil. Basta dizer: não me misturo com corruptos (claro, eu sou o puro) ou com pessoas que torcem para outra equipe (eles são uns desgraçados).

Óbvio que, nestes momentos de exacerbação, é ainda mais trabalhoso enveredar por uma trilha de reflexão/ação mais complexa. Conversar com pessoas que pensam diferente não é sucumbir à corrupção, esta menina traquina que tá em todo o canto, não apenas nas hostes inimigas.  Assim como também conviver com pessoas que torcem por outras cores não vai fazer ninguém se bandear para o outro lado. Esta uma batalha contra a indigente simplificação é crucial, seja no campo da política ou do futebol.

No caso específico do Ludopédio, por exemplo, é o momento de combater a proposta mesquinha de torcida única, defendida pelo promotor Olímpio Campinho. O que ele está propondo é algo antipedagógico e ineficaz. Conforme informa o estudioso Maurício Murad, Belo Horizonte, Buenos Aires e Roma, que haviam sucumbido a esta postura equivocada, já mudaram de posição. A hora é de avançar rumo à ampliação do espaço da torcida mista, não de retroceder. O momento é de ampliar nosso campo de ação, não de cair nas armadilhas simplificadoras dos campinhos da vida.

É exatamente por tudo isso, por estas questões que considero essenciais, que retorno a esta intimorata tribuna. Se ontem critiquei as diretorias de Vitória e Bahia pelo indecente silêncio em relação aos graves acontecimentos, hoje quero elogiar e parabenizar a atitude dos dirigentes rubro-negros e tricolores que lançaram notas firmes contra este retrocesso.

Não deixa de ser animador que, nestes tempos temerários, o Ludopédio desta província forneça estes excelentes exemplos quando um valor mais alto se alevanta.

Que contradição. Só a guerra faz nosso amor em paz.

 

Eis as notas oficiais dos clubes

http://www.ecvitoria.com.br/torcida-unica/

http://www.esporteclubebahia.com.br/nota-oficial-30/

 

UM SILÊNCIO INDECENTE

abril 11, 2017

Nestes tempos temerários, praticamente somos obrigados a ter, de modo instantâneo, opinião formada sobre tudo e todas as coisas que acabam de acontecer. E, não raras vezes, esta imposição da urgência nos empurra para julgamentos apressados e injustos. Afinal, é quase impossível formar juízo de valor sobre os turbilhões de polêmicas que transbordam na imprensa e, principalmente, nas (mal) ditas redes sociais. Prudência, portanto, é um artigo fundamental.

Óbvio que a equação não é simples, pois a falta de um pronunciamento/posicionamento pode ser interpretada como omissão. E, se tal problema já é atordoante para o cidadão comum, em relação às instituições a questão se reveste de contornos ainda mais graves. É preciso ter sabedoria para não cair nas tentações do imediatismo.

Ponto parágrafo.

Registro estes prolegômenos exatamente para destacar que não advogo a afoiteza como método. O inverso é o verdadeiro, conforme tentei explicitar nestas linhas iniciais. Porém, há situações nas quais o silêncio deixa de ser sintoma de prudência e se transforma em desleixo, ou pior, em covardia.

Sim, amigos, estou criticando a inexplicável mudez das diretorias do Vitória e do Bahia em relação ao infame assassinato do menino Carlos Henrique Santos de Deus, que perdeu a vida com apenas 17 anos.

Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?

Estas perguntas acima não são retóricas. Realmente, eu gostaria de saber os porquês. Não consigo compreender como um garoto é brutal e fatalmente atingido logo depois de um Ba x Vi – e os dirigentes não dizem uma única palavra de conforto para os familiares. Óbvio que a tal prudência que foi invocada lá no começo do texto recomenda que não se ataque nem se acuse ninguém. Contudo, não prestar solidariedade à família enlutada e nem condenar o crime é, além de incompreensível, indecente. Sim, indecente, especialmente porque as diretorias tanto do Vitória quanto do Bahia dizem que se guiam por valores diferentes daqueles praticados por antigos cartolas.

Aliás, quando saí da Fonte Nova no início da noite de domingo, pensava exatamente em escrever um texto elogiando a atitude dos diretores rubro-negros e tricolores que apostaram no retorno da torcida mista. Estava com aquela sensação de esperança/otimismo de que as coisas aqui na província caminhavam para outra direção, uma trilha onde era preciso e possível investir na ousadia de tentar a salutar convivência entre os contrários. Vi coragem e audácia que não imaginava exequíveis neste ludopédio dominando por tenebrosas transações. E fui dormir feliz, não só pelo triunfo de meu time, mas também por esta nova possibilidade que se abria.

Porém, agora, quase 48 depois da tragédia, cá estou apenas com estas repetidas perguntas martelando meu maltratado juízo. Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?