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A NOITE DO RENEGADO (Capítulo final)

maio 31, 2010

“O técnico, para quem não sabe, deve servir para as seguintes coisas: ser chamado de professor por pessoas semi-alfabetizadas, falar numa linguagem completamente incompreensível e ser depositário de nossas frustrações. Em resumo: deve ser aquele sobre quem devemos fazer a catarse cotidiana, xingando o desgraçado de forma impiedosa. Não só a ele como também a toda a sua árvore genealógica”.

Este trecho transcrito acima faz parte de um artigo intitulado “Pra que serve um técnico”, publicado aqui mesmo nesta intimorata emissora em fevereiro do ano passado.

É óbvio que era um texto irônico, em tom de pilhéria. No entanto, parece que muitas pessoas levaram (lá elas) os referidos ensinamentos ao pé da letra, especialmente no caso de Ricardo Silva. Só pode ser isso – até porque não consigo vislumbrar o motivo de tanta (e insistente) má vontade de uma parcela da torcida e de praticamente toda a mídia da Bahia para com o atual comandante Rubro-Negro.

PUTAQUE PARIU A INJUSTIÇA!!!

Na concepção desta gente, nada do que o cara faz presta. Se o time perde, a culpa é só dele. Já quando a equipe vence, a glória vai para outros. Um assombro. E o que mais espanta é que tal comportamento irascível não se restringe à turba ignara, que se emprenha pelos ouvidos. Quando o assunto é Ricardo Silva, algumas pessoas esclarecidas e sensatas perdem o bom senso e a racionalidade.

Vejam a que ponto chega raiva obnubila o raciocínio. 

Esta semana, estava debatendo sobre o futuro da Vitória com um amigo ouvinte, que até conhece de futebol, quando ele largou a seguinte : “”Se nós já enfrentamos alguns times fortes este ano e ganhamos com esses jogadores, temos que enaltecer os jogadores, nunca o técnico”.

PUTAQUE PARIU A INJUSTIÇA!!!

A verdade que salva e liberta é uma só: Este tipo de atitude é típica daquele oposicionista inflexível para quem todos os defeitos da nação são responsabilidade única e exclusiva do governante, mas os avanços e conquistas são frutos do acaso. Por falar em acaso, viceja (recebam, incréus, um viceja nos mamilos) também a seguinte e esdrúxula teoria: As conquistas e triunfos com Ricardo Silva são consequência somente da sorte.

Pois em verdade lhes digo: a sorte só bafeja no cangote de quem trabalha e quem tem competência. A propósito, reproduzo duas rápidas histórias que ouvi recentemente sobre o tema.

Certa feita, um radialista otário (desculpe a redundância) dirigiu-se a Zico logo após este ter feito um golaço e perguntou algo maizomenos assim:

Deu sorte no lance, hein, Galinho?

E o menino Arthur Antunes respondeu de bate-pronto:

Pois é. Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho.

Fato semelhante ocorreu com Romário num jogo decisivo. O Baixinho cobrou um pênalti, que tocou na trave antes de balançar a rede e outro radialista zé ruela repetiu a sentença.

Deu sorte, hein, Romário?

O filho de seu Edevair, com sua tradicional marra, não titubeou: “Na próxima, você bota a sorte para bater o pênalti pra ver se a bola entra”.

É isso. Ricardo Silva já conquistou o Tetracampeonato baiano e levou o time à inédita final da Copa do Brasil, mas muitos ainda insistem que é apenas sorte.

Na moral, me faça um caldo de cana contaminado que é pra ver se esta ressaca vai logo embora e eu consigo acompanhar este tipo de raciocínio.

Porém, as coisas estão mudando.

É fato que o próprio Ricardo dava margem às críticas, especialmente com as inexplicáveis retrancas fora de casa. Mas  o Barradão faz muitos milagres. Além de recuperar Shereque, o Santuário injetou uma boa dose de coragem em nosso comandante.

Assim, logo após ter dado (lá ele) um baile contra o almofadinha do Luxerley Wanderburgo na inolvidável quarta-feira, o técnico do Vitória ganhou confiança e já botou a equipe pra frente também fora de casa na partida contra o Avaí.

Agora, Ricardo, é hora de mostrar que você também mudou. Então, ouça um bom conselho: é o momento de continuar neste rojão para converter os que ainda estão céticos. E uma boa oportunidade ocorrerá nesta quarta, quando o Leão enfrentará o Fluminense, que, não se engane, é um dos melhores times deste Sarneyzão/2010.

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A NOITE DO RENEGADO (Cap. 1)

maio 27, 2010

Não vou dar notas hoje não, pois não estou emocionalmente preparado para dar menos de 10 a ninguém. Só vou fazer uns breves comentários…
A entrega dos jogadores em campo foi algo que eu nunca vi no futebol. Acertando, errando, mas foi o tempo todo pensando em fazer o melhor. Todos os jogadores, sem exceção…
Esse está longe de ser tecnicamente o melhor time do Vitória, mas JAMAIS esquecerei desse grupo de guerreiros que, pra mim, já é, disparado, o que mais honrou a camisa do Vitória, independentemente do que vier a acontecer contra o Santos
”.

Reproduzo o depoimento acima – feito pelo meu amigo André Dantas logo após a peleja contra o Atlético Goianiense – porque, mutatis mutandi (recebam, hereges, um latinismo na caixa dos peito), tais palavras servem perfeitamente para ilustrar a batalha de ontem à noite contra outro Atlético, o Mineiro. O Leão estava com um menos praticamente toda a segunda etapa, mas parecia que possuía um a mais. 

PUTA QUE PARIU A RAÇA E A HONRA!!!

É inacreditável como este grupo (limitado tecnicamente, é verdade) tem conseguido se superar.  É o limão a serviço da limonada. Os caras correm os 90 como se estivessem disputando a última partida de suas vidas. Eles vão em cada lance com a mesma fúria e vontade que um pedreiro faminto avança no prato de comida depois de 18 horas de trabalho ininterrupto. É como se em cada momento estivesse em jogo a honra de todas as suas árvores genealógicas. Eles erram, acertam, dão migué, fazem jogadas razoáveis, outras melhores, mas nunca deixam de tentar e transformar em verdade universal aquele surrado clichê  “do coração no bico da chuteira”.

PUTA QUE PARIU A RAÇA E A HONRA!!!

É fato que este espírito de luta tem se manifestado, especialmente, no Barradão – Estádio que, a cada dia, mostra sua força descomunal e transforma em santos guerreiros aqueles que envergam o manto Rubro Negro. E ontem não foi diferente.  O Barradão operou mais um milagre: fez com que um cidadão que se arrastava em campo pudesse andar nas nuvens. 

À história.

Desde que chegou aqui, Sherec não conseguiu produzir algo que se assemelhasse a futebol. E pior. Não tentava suprir suas deficiências com o esforço dobrado. Ao contrário. Às vezes, era quase leniente. Não foi à toa que, ainda no campeonato baiano, perdeu a camisa 9 para El Diablo da Cabeça Oxigenada.

Ontem, porém, o homem de nome complicado doou-se (lá ele) à equipe de forma impressionante. Acreditou em todas as bolas, fez jogadas de efeito, tabelando com o peito, e correu mais do que um Ben Johnson dopado. Um assombro. Como recompensa, além dos três  gols, conquistou o respeito da massa Rubro-Negra, que, mesmo quando não comparece em grande número como ontem, não deixa de jogar com o time um minuto sequer. 

É por tudo isso que, mais uma vez, furto as palavras do menino André: “JAMAIS esquecerei desse grupo de guerreiros que, pra mim, já é, disparado, o que mais honrou a camisa do Vitória”.

Assim, em nome da população do Norte e Nordeste de Amaralina, eu lhes digo duas palavras: PARA  BÉNS.

Reflexões sobre o Verbo e a Verba

maio 26, 2010

Na minha extensa nominata (recebam) de defeitos não se inclui a subserviência. Ao contrário. Sempre acreditei que a rebeldia era (e é) mola propulsora para mudanças. Porém, por dever de consciência, sou obrigado a começar este texto fazendo um elogio a alguém que detém poder. Seguinte é este. O atual presidente do Vitória, Alexi Portela, tem desenvolvido um bom trabalho no comando do Leão nos últimos anos. Mais do que isso. É preciso ressaltar sua coragem e abnegação quando o Leão estava na cova, habitando os porões do futebol brasileiro.
Não reconhecer tais fatos,  seria ingratidão – e esta também não faz parte da lista de meus inúmeros defeitos.

Bom. Feitos estes necessários prolegômenos (matem um prolegômenos na torácica e distribuam), vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

A verdade que salva e liberta é uma só. Se é fato que o presidente possui os méritos citados acima, também é notório que nos últimos tempos ele tem vacilado de forma quase que incompreensível.

Em nome da inflexível e burra ditadura (desculpe a redundância) financista, ele tem colocado em risco o desempenho (inclusive financeiro) futuro do Rubro-Negro. É fato que com este rígido orçamento chegamos à final da Copa do Brasil, porém tal façanha se deu por uma série de fatores (a exemplo de chave fraca, força descomunal do Barradão e sorte) – e não por conta de planejamento. Aliás, o próprio presidente em entrevista ao meu amigo Eliano Jorge confessou “que não se preparou pessoalmente para ser o comandante de um eventual título nacional do clube de 111 anos”.

Aliás, é isso. Creio que pior do que o aprofundamento da estúpida política economicista, tem sido as entrevistas de Alexi Portela. Seu maior erro tem sido com as palavras. E com palavras não se brinca. Não é à toa que na própria Bíblia há a sentença de que no princípio era o verbo. E verbo (também) é ação.  

E em verdade lhes digo: as últimas declarações do presidente têm sido de uma infelicidade ímpar. Parece aquela coisa de “falar demais por não ter nada a dizer” (Roiyelties para Renato Russo). Uma hora, ele ocupa os microfones dizendo que vai trazer com urgência, “ainda esta semana”, reforços para vestir a camisa. Em seguida, diz que não vai fazer nada apressadamente, como se o tempo não estivesse  a urgir e rugir. 

Estas contradições, porém, são até aceitáveis diante da pressão que ele tem sofrido. O que não se pode aceitar é que ele ocupe o microfone das rádios para semear pessimismo, em nome de um tal realismo. Sim, porque uma coisa é reconhecer que o Brasileirão é um campeonato difícil, disputado de forma desigual. Outra, completamente diferente, é jogar a toalha antes mesmo das batalhas, como ele fez ontem na entrevista ao radialista Mário Freitas.

E nem venham dizer que ele está sendo coerente e que disse isso porque não quer enganar o torcedor. Nero ar. Se assim o fosse, ele não teria dado (lá ele) outra entrevista recentemente dizendo que quando tivermos mais sócios, coisa de 35 mil, podemos cobrar títulos. É óbvio que mesmo com 35, 40,50 mil sócios a conquista de títulos será extremamente difícil.

O que não se pode aceitar, repito, é que o comandante passe mensagem de desânimo para a própria tropa. Afinal, com que espírito este grupo esforçado, mas limitado, entrará em campo quando o presidente já disse que não almeja vôos mais altos.

Francamente.

Então, presidente, creio que já passou da hora do senhor colocar em prática as suas próprias palavras, ditas no dia 10 de dezembro de 2009, em entrevista ao jornal A Tarde.

 ATEC – Como fazer um time competitivo em 2010 com a redução na receita anunciada pela diretoria?

Alexi Portela – Quando eu falo em redução orçamentária, não é diminuição na receita. Muito pelo contrário. Em 2010 nossa receita será maior que este ano. A redução que falo é em gastos com jogadores de forma exagerada como fizemos. Mas é claro que vamos montar um time forte. Nós vamos priorizar e gastar acertando no alvo, com o mínimo de erro possível.

Time Forte? Acertando o alvo? Como assim, presidente?

 Então, para encerrar esta prosa, eu lhe pergunto: Como é possível harmonizar tais declarações com as proferidas ontem, quando o senhor reconhece que Renato não rendeu o esperado, mas não diz se vai liberar o referido; Que Sherec recebeu uma proposta melhor do Ceará, porém preferiu ficar no Vitória (quem acredita nisso?) ou pior de tudo: que aquele lateral-esquerdo, que nem ouso mais dizer o nome, pertence ao BMG, mas que fica no time.

VÁ MATAR O DEMÔNHO!!!

Diante de tudo isso, um amigo religioso me disse que só resta rezar. Quem é de rezar, que reze. No entanto, como sou agnóstico, acho que além de orações, cabem gritos de incentivos aos atletas e gritos mais altos ainda de cobrança por mudança de rumo.

P.S Entendo que hoje, mais uma vez, devemos ocupar as arquibancadas para apoiar o Leão na peleja contra o Galo.  porém, sem esquecer do futuro, já que o mundo não se resume a apenas uma partida.

UMA ENTREVISTA REVELADORA (E PREOCUPANTE)

maio 26, 2010

O presidente fez um pronunciamento que me deixou bastante preocupado com o futuro do Vitória e da Nação, o que dá no mesmo.

Amanhã explico os porquês. É só a ressaca de domingo me abandonar.

O PREÇO DA COVARDIA

maio 24, 2010

Antes de tudo, peço desculpas pelo errôneo título que ilustra este texto. Confesso que o mesmo foi publicado de forma açodada, sem maiores reflexões. Na verdade, ele me veio à mente logo após a vergonhosa partida diante do Ceará, quando o time entrou em campo já derrotado. Então, repito: pensei, sem uma análise mais aprofundada, que estávamos apenas pagando o preço pela covardia.

Agora, porém, passada a ira inicial, posso corrigir e destacar que o pior adversário do Vitória no momento não é a covardia, mas sim a mesquinhez. Afinal, o medo nos leva à derrota numa batalha; já o preço da mesquinhez, da falta de ousadia, é a perda da honra. E, neste Brasileirão, amigos, a verdade é uma só: Ou a diretoria muda urgentemente sua visão tacanha, ou estamos condenados à vergonha, ao escárnio.

É óbvio que a austeridade atualmente aplicada tem sua importância. Inclusive, é de se louvar que este ano nos livramos de empresários inescrupulosos (desculpem-me a redundância) que nos empurravam as mais estúpidas contratações. Porém, não nos livramos de uma concepção economicista de burocratas que acham que Futebol pode ser gerido como uma quitanda. Não pode. Futebol, todos sabemos, não se resume a um negócio puro e simples, pois envolve paixão.

E o caminho mais rápido e fácil para o prejuízo neste campo é não se atentar para este dado fundamental. Afinal, sem time competitivo não há torcida. E, sem torcida, o clube perde seu maior patrimônio. Não é possível que voltemos à concepção daquele ex-presidente que afirmava que o Vitória não precisava de sua torcida. Isto é inadmissível. A caixa registradora não pode nos cegar a este ponto. Afinal, a mais importante mudança nos últimos anos foi exatamente o retorno dos Rubros-Negros ao estádio. E, com eles, o soerguimento do Leão, inclusive financeiramente. E já que a atual diretoria se guia tanto por números, seria importante verificar o quanto o aumento da torcida nos estádios proporcionou de arrecadação no período recente.

Além disso, tem um dado subjetivo, mas que não pode ser esquecido. A elevação da auto-estima também produz lucros, pois aumenta-se a venda de produtos e as empresas passam a olhar o torcedor-consumidor com outros olhos. Não é possível que tudo isso seja esquecido em nome de um mero balanço contábil. No mundo do Futebol nem sempre dois mais dois são quatro. E, muitas vezes, o barato sai muito caro. Uma queda à divisão inferior (batam na madeira 568 vezes) pode trazer prejuízos incalculáveis.

Some-se a isso outra burrice fundamental. Qual seja. Em vez de garimpar jogadores razoáveis (nem digo bons, pois sei que não temos, ainda, condições de competir com os times do eixo), a diretoria gasta energias querendo tirar injúrias  meeiras do antigo rival. Quando será que a atual direção vai compreender que eles, atualmente, não são parâmetros para o Vitória?

VÁ MATAR O DEMÔNHO!!!

E para que não digam que não tratei do jogo contra o Ceará, digo que tudo que aconteceu lá em Fortaleza é reflexo desta política canguinha e estúpida. E, para não me alongar mais ainda, exemplifico com a triste sina da lateral-esquerda.

Ouçam.

Desde que foi contratado, Egídio, que já num é este caldo de cana contaminado todo, ficou mais tempo no estaleiro ou suspenso do que jogando. E, em seu lugar, o que temos? Maruim. Francamente. Um time que leva a campo um lateral daquela qualidade não quer impor respeito a ninguém. Nem aos adversários, nem aos seus torcedores.

Isto pode parecer apenas um dado isolado, mas não é. E o castigo de ter levado um gol aos 48 minutos do segundo tempo exatamente naquele setor foi O PREÇO DA MESQUINHEZ, não apenas da covardia.

A VINGANÇA

maio 21, 2010

Agora, passadas as regulamentares 48 horas, já é possível fazer a imprescindível e retórica indagação: Que fenômeno foi aquele que assombrou Soterópolis na noite da última quarta-feira?

A princípio, a explicação parece ser bem complexa. Afinal, antes da inolvidável peleja, o Vitória nunca havia brocado o Atlético (GO). Aliás, o Leão até aquela histórica partida não havia conseguido fazer sequer um gol nos comedores de pequi.

Então, como é possível que, de uma só vez, o brioso Rubro-Negro tenha enfiado (lá neles) quatro no time do Cerrado?

Este questionamento, amigos, mobilizou todo o país. Até os estudiosos ligados à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ficaram perplexos com tal problema. Assim, lançaram mão de instrumentos tecnológicos bastante avançados para tentar decifrar tão importante enigma. Mas nada e nécaras. Até o presente momento eles não apresentaram resposta alguma.

Porém, como o meu povo legal, meu povo jóia (royalties para Alvaro Martins) não pode ficar desemparado, sem saber o que realmente ocorreu, este investigativo locutor saiu a campo para compreender e elucidar tal fenômeno.

Pois muito bem.

Depois de uma exaustiva pesquisa, enfim achei a explicação sobre o fenômeno na música popular brasileira. Sim, na velha e ordinária MPB. Mexendo nos meus velhos vinis, finalmente fez-se um estalo, a la Padre Vieira, quando coloquei na vitrola a voz chibante do grande Kid Moregueira. Ouçam também clicando neste LINQUE, Ó .

Ouviram? Poizé. Foi isso. Broquei o Atlético (GO) sem dó nem piedade por um motivo bem simples: Vingança. Afinal, inadvertidamente, os goianos bateram nas meninas de itinga na fase inicial da Copa do Brasil. E isso eu não admito. Assim, emulando o velho Moreira da Silva, em verdade vos digo: em puta minha só quem bate sou eu. Onde já se viu maltratar minha nigrinha assim, sem minha permissão?

Aliás, por conta disso, ainda tô retado com este Atlético de Goiás.

P.S Depois daquele passe açucarado, El Diablo Rojo deveria emprestar a modelo sueca para Neto Berola por, pelo menos, três dias. Aliás, não. O menino Berola já não regula bem da cabeça e com uma mulher daquela ia ficar mais doido ainda. Deixa do jeito que tá, que tá bom demais.

NÃO HÁ COMO TRADUZIR

maio 20, 2010

Milhares de ouvintes (na verdade, três) têm ligado insistentemente para esta impoluta emissora cobrando um pronunciamento sobre a inolvidável peleja de ontem à noite entre o brioso Vitória x Atlético (GO). 

Os pedidos têm sido em vão e agora explico os porquês do meu obsequioso silêncio. A verdade que salva e liberta é uma só: Logo depois que o sacana e careca (desculpe a redundância) do Heber Roberto Lopes soprou o apito final ocorreu o seguinte paroxismo, seja lá o que isso signifique: Este prolixo locutor ficou sem vocabulário, completamente afônico, igual ao anúncio da Funerária Primavera: “Há momentos em que faltam até as palavras”. 

Foi emoção pra mais de metro.

Não há como traduzir.

Porém, como não poderia deixar a população do Nordeste de Amaralina desamparada – sem contar com a mais abalizada, esperada, vilependiada e aliterada resenha da Bahia e de uma banda de Sergipe -, abandonei a turba que fazia algarrazas na madrugada da província e fui para casa (re) ver a partida sozinho na TV. Sozinho é modo de dizer, pois estava (e ainda estou) acompanhado de uma quantidade inexcedível de canjebrina e de outras mumunhas não recomendadas pela Carta Magna.

Porém, com ou sem o efeito destas gloriosas substâncias, o fato é que (re) vi o que lhes informo agora. 

1– Ao contrário dos outros goleiros, São Viáfara ontem defendeu com as mãos, os pés, coração e o auxílio luxuoso de forças sobrenaturais.
2 – A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência deve, urgentemente, investigar Nino Paraíba. Afinal, não é possível que alguém com apenas 18 pulmões consiga correr daquele jeito.
3– Wallace mostrou que é, sem favor algum, o melhor zagueiro do Brasil em atividade.  
4– Reniê: jogou mais do que Wallace, se é que isto é possível.
6 – Egídio foi um homem em forma de drible. Supergênios, Ativar.
5Vânderson, a Torcida e o BARRADÃO foram uma só entidade. Ou melhor, a santíssima trindade.   
8 – Uélitton: um gigante de 1m71.
7 – Bida esqueceu o zidanismo e tornou-se apenas Bida. Jogador fundamental, imprescindível.
10Ramon foi Ramon. 
9 – El Diablo Rojo saiu da cadeia para entrar na história.
11ELKESON Mostrou mais uma vez porque é o melhor candidato a PRESIDENTE.
17 – Berola entrou para confirmar sua fama de raio da silibrina, seja lá que porra isto signifique.

Mas, derivo. O fato é que, depois de rever o jogo por 12 vezes, não consegui me libertar da TV. E, prostrado em frente à máquina de fazer doido, fui ver um programa de menino amarelo chamado Redação Sport TV, que teve início logo com os gols do Vitória e com a seguinte pergunta de um bunda de caruru chamado Mauricinho (nome é destino) Prado: “Isto é futebol?”

E, emulando o menino Bill Shankly, eu respondi na hora ao comentarista global o que reproduzo aqui: “mauricinho, se é futebol, pouco importa. Sei apenas que o que os 11 Rubro-Negros têm feito em campo não é uma questão de vida ou morte. É muito mais importante do que isso. Não há como traduzir”.  

Palavras da salvação.

P.S. 1 Minha finada mãe dizia que conselho só se dá a quem se pede, mas, como estou generoso, eis um, que dou de graça.

Seguinte é este. 

Recomendo às meninas da vila que rebolem e dancem com a bunda encostada na parede porque a madeira vai gemer em 29 idiomas.

P.S. 2 Desde a morte de meus pais que não me emocionava tanto quanto ontem. Emoção, diversa, é fato, mas não menos intensa.

A hora e a vez do Matador Baiano

maio 18, 2010

A verdade que salva e liberta é uma só: Quando ele chegou no futebol baiano, muitos não gostaram. A maioria, inclusive, olhava com desconfiança. Aliás, mais do que desconfiança, preconceito – principalmente no período de testes inicias. Naquela época, poucos fizeram fé de que ele teria um papel relevante no Ludopédio desta província besta e ainda bela.

Porém, bravamente, com o apoio de uns abnegados e visionários, ele resistiu. E, aos poucos, com raça, e gols, muitos gols, foi se impondo. No entanto, mesmo quando começou a atuar com mais constância, uns radialistas escrotos (esta raça de gente ruim) ainda queriam bani-lo do cenário esportivo. Inventaram todo tipo de história, praticamente transformando-o em um caso de polícia.

Mas, os infames não conseguiram triunfar. E, amanhã, ele estará lá demonstrando seu valor e porque se tornou o mais importante artilheiro da história do Leão. Sim, sei que alguns saudosistas podem dizer que exagero e que antes já existiram goleadores melhores, mas não abro mão de minhas convicções e repito: Ele é o maior artilheiro de toda a trajetória do Rubro-Negro. Sei que ele não joga sozinho, porém será ele que mais uma vez vai fazer a diferença.

É óbvio que todos sabem o nome dele, no entanto não custa repetir. Ouçam o nome do maior matador do futebol baiano em caixa alta: PARQUE SÓCIO-AMBIENTAL, SANTUÁRIO ECOLÓGICO MANOEL BARRADAS, O MONUMENTAL BARRASQUISTÃO.

Chuva, Suor e Honra

maio 17, 2010

Há cerca de 10 dias, mais precisamente no glorioso 8 de maio, lancei um manifesto intitulado “Chega de Choro e Ranger de Dentes”. O referido libelo – publicado logo após a classificação do Vitória em pleno São Januário contra o vasquinho de eurico miranda- foi ecrito com o objetivo de espantar as aves de mau agouro, os resmungos e o clima de pessismo que estavam introjetados (lá neles) na alma de uma parcela da torcida.

Naquela ocasião, defendi a tese de que não podíamos mais gastar energias solicitando contratações que não viriam, muito menos pedindo a cabeça do comandante Ricardo Silva – o homem que, bem ou mal, estava levando (lá ele) a equipe à semifinal da Copa do Brasil. Na minha humilde compreensão, era o momento de sublimarmos as divergências e juntos, em uníssono, gritar e incentivar o Leão.

É óbvio que, naqueles dias turbulentos, tal tese não foi compreendida. Ao contrário. A multidão em romaria, inclusive, jogou mais pedra em mim do que na pobre da Geni. Uns me chamaram de vendido; outros de lunático e unseoutros disseram alguns impropérios que não posso nem reproduzir agora porque este é um ambiente familiar. Até a Moça do Shortinho Gerasamba (Alô, Felipe Nogueira!), vestiu uma camisa listrada e saiu por aí dizendo que este masculinástico locutor estava travestido de viúva de Ricardo Silva.

Pois muito bem.

Como aprendi com o menino Ataulfo Alves que “a maldade desta gente é uma arte”, não dei bola para a incompreensão e segui pregando no deserto de homens e ideias. Sabia que, se eu queria dizer e parte da torcida não queria escutar, outros ouviriam minhas palavras da salvação.

E tive a certeza de que minhas homilias não foram em vão no último sábado.

PUTAQUEPARIU A HONRA!

Foi de emocionar ver um time cheio de desfalques, cansado, bombardeado pela imprensa escrota (desculpe-me a redundância) enfrentar, sem nenhum receio, o dilúvio e o estrelado e mascarado time do flamengo. Em verdade vos garanto: A garra dos 11 do Rubro-Negro baiano foram de balançar o ceticismo até do mais frio dos homens.

Apesar de terem saido em desvantagem do placar, não se abateram. Foram pra cima e encularram as nigrinhas cariocas sem dó nem piedade. E a recompensa, inicialmente, veio da arquibancada, quando a torcida, mesmo com o time perdendo, não parou de glorificar os seus guerreiros. E a justiça final veio nos 40 e poucos, quando o FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL, ELKESON, cobrou uma falta com a categoria e determinação dos grandes craques.

A princípio, uns podem até achar que o empate em casa é um mau resultado, porém em verdade vos digo: Aquela peleja de sábado no Barradão, regada a chuva, suor e honra, lavou literalmente a alma da galera e, com certeza, renovará a energia Rubro-Negra rumo à inédita final da Copa do Brasil. Por tudo isso, termino esta transmissão com o mesmo grito de guerra da semana passada.

CHEGA DE CHORO E RANGER DE DENTES. GUARDEM A VOZ PARA GRITAR E INCENTIVAR O TIME, SEUS PUTOS.

ELKESON PRA PRESIDENTE, JÁ!!!

maio 16, 2010

Desde que me entendo por gente (e lá se vão algumas décadas) guio-me sempre pelo seguinte e sábio ensinamento do incendiário e irreverente Ken Livingstone. Ouçam e aprendam: “Se eleição mudasse alguma coisa, os homens que mandam já teria acabado com esta brincadeira”.  Por isso, nunca faço questão de participar da (mal) dita festa da democracia.

Porém, pela primeira vez, confesso: Minhas convicções estão abaladas. Mais: Decidi que não vou anular meu voto este ano. Assim, com meses de antecedência, mesmo sabendo que o sufrágio é secreto, contrario a lei eleitoral e declaro logo que vou empunhar a seguinte bandeira: Fora Dilma e Serra. ELKESON PRA PRESIDENTE, JÁ!!!

Afinal, se o referido tem enfrentado e resolvido os graves problemas no meio de campo e no ataque do Vitória, por que não solucionaria coisas menores como a violência e o desemprego?

Repetindo: ELKESON PRA PRESIDENTE, JÁ!!!

Antes, porém, que os maledicentes digam que estou falando isso por oportunismo, sob o calor da emoção, só porque o cara fez um golaço ontem contra o Flamengo, informo logo: Este texto de lançamento da campanha foi escrito há quase dois meses, exatamente no dia 29 de março, conforme os incréus podem conferir CLICANDO AQUI, Ó

Lembro, inclusive, que na ocasião muitos me censuraram. Diziam que este erudito locutor, que pratica e ensina o Ludopédio em 18 idiomas, estava delirando, pois o referido jogador era muito ruim e tinha que ser mandado embora. Mas, não recuei de meus princípios e continuei apoiando o garoto de nome estranho e futebol promissor. 

E cada vez que ouvia alguns radialistas escrotos (desculpe-me a redundância) criticando-o, mais eu o apoiava, pois enxergava que a promessa estava se tornando realidade e só os que tinham a visão obnubilada (recebam, hereges) pelo ódio não percebiam.

Aliás, a ira de parte da torcida contra o menino é uma das coisas mais inexplicáveis e injustas da história do pebolismo brasileiro. E nem falo apenas daquela parcela de torcedores que é emprenhada pelos ouvidos, não. Até mesmo pessoas sensatas e que entendem muito do que se passa nas quatro linhas perseguem ou têm pouca paciência com o rapaz. 

E por que tanta raiva? Acho que o pecado original, que resultou na terrível caça ao novo bruxo do meio campo do Leão, começou há quase um ano, exatamente no dia 31 de maio de 2009, na partida contra o Grêmio, no Barradão, válida pelo no campeonato brasileiro.

A fúria, recordo-me, teve início quando Elkeson, que acabara de entrar no lugar de Adriano de Paula, perdeu um bola no ataque e não voltou par recompor a defesa, numa arrancada de Ruy Cabeção. Naquele momento da partida, os nervos estavam à flor da pele porque  o time jogava muito melhor que os gaúchos, mas não conseguiam estufar as redes, fato que só veio a ocorrer aos 48 minutos, com um golaço de Leandro Domingues (a propósito, VOLTA LEANDRO DOMINGUES).

Pois muito bem. Por não ter dado (lá ele) o bendito pique atrás do lateral gremista, parece que a torcida decidiu crucificar Elkeson pelo resto do campeonato ou da vida, o que dá no mesmo.

Porém, não há mal que sempre dure nem injustiça que nunca se acabe. Paciente como um Jó dos gramados, o menino tem esperado o reconhecimento de seu talento e esforço vestindo o manto Rubro-Negro. Fez, inclusive, o gol do título e mesmo assim uma parte da torcida continuou perseguindo-o. Mas, ele não abaixou a cabeça nem diminuiu sua vontade de brilhar. E continuou tentando mesmo sob as injustas vaias. E ontem veio a primeira consagração, de muitas que ele ainda tem pela frente.

Só que, em vez de agradecer, ele explodiu num ato de revolta, colocando as mãos nos ouvidos para ouvir os apupos dos corneteiros. Alguns não gostaram, mas eu achei bastante natural sua atitude.

Afinal, o menino mostrou que virou homem. Mostrou também que em suas veias não correm sangue de barata, mas sim um sangue Rubro-Negro. .

Por tudo isso, a população do Norte e Nordeste de Amaralina, juntamente com o povo do Vale das Pedrinhas e de Santa Cruz, promove agora uma barulhenta passeata gritando o slogan lançado por este panfletário locutor:

ELKESON PRA PRESIDENTE, JÁ!!! 
ELKESON PRA PRESIDENTE, JÁ!!! 
(Repete 798 vezes ou até o homem se eleger).

P.S Amanhã se a ressaca cívica deixar, falarei sobre a batalha de ontem, mais detalhadamente.