Archive for julho \31\UTC 2015

A LUA É DOS GURIS

julho 31, 2015

Ao ser informada de que não teria a companhia deste rouco e romântico locutor na bela noite de quinta-feira de lua cheia, a Moça do Shortinho Gerasamba, mais rebolativa do que nunca, botou as mãos na cintura e estrilou. “Você é maluco, viado ou acumula?”

Antes que eu esboçasse uma resposta, a referida completou. “Vai largar estes desfrutes todo aqui para ficar vendo 22 marmanjos. Aliás, nem marmanjos. Apenas um bocado de meninos buchudos. Quem a graça e a importância em ver estas disgramas?”.

Paciente, como sempre sou com a referida, expliquei.

– Minha comadre, este Ba x Vi da base é um dos jogos mais importantes do ano. Já lhe falei sobre isso, mas vou repetir, pois o que não é dito muitas vezes, conforme ensinou Nelson Rodrigues, permanece inédito. Então, deixe de chilique e ouça novamente as razões transcendentais.

Seguinte.

“Ver um jogo do Sub-20, para os suburbanos corações, é uma das raras oportunidades de poder apreciar um (possível) craque vestindo o nosso manto antes de ser abduzido pelas dores e delícias do vil metal. E foi por conta desta busca insana que pudemos testemunhar Dida, Alex Alves, Vampeta, Leandro Domingues, Paulo Isidoro, Marquinhos, David Luiz, Hulk (epa, este é um perna de pau bafejado pela sorte) e muitos outros defendendo nossas cores. Pode parecer uma glória pequena, mas é uma das poucas que nos restam nestes tempos tenebrosos em que, mais do que nunca, a força da grana ergue e destrói coisas belas.

Nossos times periféricos são como os bordéis de ponta de rua: só conseguem trazer para suas hostes as putas velhas.  Somente depois que esbanjaram suas volúpias e saúde nos grandes centros é que as estrelas do pebolismo e da cama finalmente deslocam-se pra cá.

Assim, tal e qual o nonagenário de Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquez, eu sempre vejo jogos das divisões de base na esperança de encontrar aquela estrela do Ludopédio que exale a pureza de quem ainda não foi conspurcada. É uma quase vingança diária. Eu sei que a vedete não ficará em minha agremiação, porém eu fui o primeiro a vê-la e tê-la”.

Pois muito bem. Ontem não foi diferente. Ou melhor, foi, pois os meninos das duas equipes disputaram cada espaço de campo nos 90 e as prorrogações com uma gana ímpar. Corriam para a bola com uma fome de anteontem, honrando as camisas. Como bem disse o tricolor André Uzeda, “os meninos levaram a sério o espírito do Ba-Vi”. Verdade, especialmente os do Vitória, que mantiveram a tradição de brocar as sardinhas.

Por falar em brocança e passado, toda vez que Rafaelson pegava na bola, eu lembrava de Ricky. Nosso camisa 9 da base tem estrela parecida. Não é à toa que, igual ao pantera nigeriano, tem brocado em vários clássicos seguidos. Ontem guardou um de cabeça após cruzamento primoroso de Nickson, o filho de Jackson e dona Regina. Afinal, o cara tem pai e mãe. Tem pai, mãe e talento. Como joga este guri de 17 anos. Não bastasse dar passes (quem dá assistência é jogador de basquete, porra!), ainda sabe fazer gols. E foi de seus pés que saiu um tirombaço que decretou a Vitória Rubro-negra por 2 x 1

Sim, sei que vocês e a Moça do Shortinho Gerasamba podem até achar que isto é uma glória pequena, mas saibam que valem à pena, até porque a alma destes guris é enorme. E tão cheia quanto a lua.

QUEDA PARA O ALTO

julho 30, 2015

Tem-se a convicção de que uma competição está condenada à infâmia quando seu time empata em casa com uma injúria do porte do Macaé e, ainda assim, você é obrigado a ouvir amigos e outras raças de gente ruim afirmarem que existem motivos para comemorar.

É graça uma porra desta?

Antes que algum apressado venha dizer que se deve ir além dos números frios que são estampados pelo o placar, aviso logo que também sou adepto da análise mais ampla. Inclusive, o Norte, o Nordeste de Amaralina e uma banda do Vale das Pedrinhas são testemunhas de que nunca fui destes idiotas da objetividade que olham apenas para o resultado final.

O problema é que nem mesmo colocando os óculos de Dr. Pangloss (Num sabe quem é? Ora, o novo pai dos burros, o google, taí pra isso) ou guiado pelo espírito da mais cândida poliana foi-me possível ver ao menos uma partida razoável ontem, que compensasse a tristeza do 0 x 0. Com muito boa vontade, diria que o Vitória fez uma exibição MEDONHA.

O time todo, ou quase todo (Escudero é sempre uma honrosa exceção) parecia que havia voltado à adolescência, passando a noite anterior batendo punheta sem parar. Sim, só isso para explicar aquele cansaço desmesurado. E nem adianta Mancini aparecer nas rádios da vida com a desculpa de que o Macaé descansou uma semana e o Vitória jogou no sábado. Nero ar. Se fosse assim, nosso lateral direito, que tem sido uma grata surpresa, deveria correr como um pedreiro para cima do prato de feijão. Afinal, estava de folga durante uma semana por conta da suspensão. Porém, mesmo assim, corria (corria é modo de dizer) como se estivesse com um saco de cimento nas costas. Repito. Só pode ter sido uma noitada de punheta. Já fui adolescente e sei como é isso.

Por falar em cansaço, este é um campeonato que nem chegou no meio e as equipes já estão exaustas. A impressão que se tem é que nenhuma equipe quer subir, quanto mais ganhar o campeonato. Aliás, diante da falta de nível técnico, tático e, principalmente, físico, se a CBF fosse uma entidade minimamente decente, mandaria encerrar a chibança antes mesmo da 20ª rodada.

Ah, sim, como se não bastassem tantas desgraças, ainda temos um dos piores níveis de arbitragem da história do futebol nos 18 continentes. Ontem mesmo, ao ver a ação do larápio assoprador de apito, pensei até em chamar a polícia, mas aí me lembrei que o desinfeliz era branco. E os meganhas baianos só descem a borracha no povo pobre e negro.

É isso, amigos de infortúnios, desculpem-me o pessimismo, mas nem com a Moça do Shortinho Gerasamba mexendo mais do que Ferry Boat em dia de maré vazante é possível suportar tantas e tamanhas ruindades. É muita queda para o alto.

TRAÍDOS PELA SOBERBA

julho 28, 2015

Com as devidas vênias ao menino Samuel Johnson, há ainda um outro e último refúgio mais insalubre do que o patriotismo: o fervor regionalista, insana paixão que deixa o sujeito completamente obnubilado (recebam, hereges, um obnubilado nos peitos logo no primeiro parágrafo).

E esta pertubação na consciência, este ofuscamento da visão causado por esta referida devoção, atinge o paroxismo em Pernambuco. Lá, por conta de um sentimento de afirmação exacerbada que flerta com o ridículo, reivindica-se o nascimento da porra toda. Desde o Samba à própria Pátria, chegando até mesmo ao coitado do Oceano Atlântico, que seria a união dos rios Beberibe e Capibaribe.

Não há psicanálise que resolva o problema destes nossos atordoados vizinhos.

E, como baiano também num é raça de gente, este rouco e humilde locutor já desembarcou no Aeroporto do Guararapes, no último sábado, para orientar o Vitória nesta insana segundona, procurando chiada.

E foi assim, tirando a velha e boa chinfra, que respondi ao torcedor do Sport que gritou comigo logo na chegada. “Baiano, meta 2 x 0 no Naútico”. De bate pronto, larguei. “O senhor tá querendo quebrar meu bolão: botei 6 x 0”.

Ao ouvir tal heresia, o sujeito mandou para escanteio até a rivalidade local e saiu em defesa da honra pernambucana. “Aí, não, né? Você nem bem chegou e já quer esculhambar?”.

O pior é que passei a acreditar mesmo em uma goleada. Óbvio que não pelo futebol deste escrete Rubro-Negro, mas porque a porra da mania de grandeza pernambucana é algo contagioso. E quando, com menos de 5 minutos de bola rolando, Escudero deixou Rhayner na zona do agrião para abrir o placar, a crença se transformou em certeza.

E não só minha. Toda a comitiva que partiu de Salvador para desbravar as inóspitas terras de São Lourenço da Mata, onde fica o estádio (estádio, não, uma nave espacial encravada no meio do nada) foi picada pelo desleixo.

Logo depois do 1×0, Fred subiu uns degraus para acender mais uma daquelas velas não recomendadas pela Carta Magna; Humberto, com uma pança de fazer inveja a Genival Lacerda, se entregou à boréstia, escornado na cadeira; o menino Mateus ficou matando a larica com uma coxinha horrível; Manoel Novaes e seu filho Dan ficaram só tirando selfie e a Moça do Shortinho Gerasamba começou a ler a programação dos jornais para saber onde teria chibança.

Assim, sobrou toda a tarefa para este pacato cabeludo, que, embriagado pelos eflúvios pernambucanos, viajou na mania de grandeza, ou pior, nos devaneios. E a cada lance de Mansivisky, eu gritava: “Uh, é seleção; uh, é seleção”. E, como heresia pouca é bobagem, passei a acreditar e espalhar a notícia de que o número 4 havia incorporado um espírito que era uma mistura de Baresi com Beckenbauer.

Resumindo: fomos traídos pela soberba e fudeu maria preá.

 

P.S Agora, é aprender a lição e não repetir os mesmos erros na última e decisiva partida do campeonato, lá no inconsequente final de novembro, que também será em Pernambuco, contra o Santa Cruz. Talvez nesta tarefa possamos contar com o auxílio luxuoso de Leandro Cavalcanti, baiano torcedor do Vitória que reside lá, tem as manhas do lugar e também daqui e ainda é proprietário de uma loja que vende espelho. Ou seja, todo trabalhado no conhecimento destas paranóias narcisistas.

 

NOVAS ASSOMBRAÇÕES

julho 21, 2015

A Bahia, uma banda de Sergipe e a moça do shortinho gerasamba são testemunhas de que, quando ocorre algo que foge do comum, este rouco e precavido locutor sempre espera as regulamentares 48 horas para subir a esta impoluta tribuna e largar o doce. Desta vez, porém, foi necessário aguardar mais de 72 horas para tentar compreender e explicar aqueles fenômenos extraordinários na noite de sexta-cheira no Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico, Manoel Barradas, o Barraquistão.

Algum apressado, não sem razão, pode dizer que foi uma partida sem grandes emoções, um tanto quanto meeira, com o Vitória jogando para o gasto e o CRB se esforçando para parecer menos ruim do que realmente é. O problema dos idiotas da objetividade é este: eles nunca conseguem enxergar o extraordinário. E o que não faltaram na ocasião, amigos de infortúnios, foram situações assombrosas, excepcionais.

Comecemos pela última, que não é inédita, mas num deixa de ser espantosa. Seguinte. Em que rastro de corno de goteira pisou aquele rapaz que atua de quarto zagueiro no Vitória? (nem vou dizer o nome do referido pra num dar azar).

PUTAQUEPARIU O PORCO ESPINHO!!!

Vá ter uma energia pesada assim lá em Itinga. Às vezes (raras, é bem verdade) o desinfeliz nem tem culpa, mas tem sina, tem carma. DEUZULIVRE. Foi só ele entrar em campo e até o fraco CRB inventou de pressionar e fazer gol. Vá matar a mãe do DEMÔNHO. Aquilo ali nem todos os pais e mães de santo de cachoeira e adjacências dão jeito.

Por falar em coisa sem jeito, Amaral. Toda vez que vejo aquela criatura com a camisa 5 que já foi de Biguisvisky, fico com os olhos rasos d´água, de raiva, de ódio ancestral. Pois num é que o indigitado, para amenizar as minhas dores ou me contrariar, o que dá no mesmo, resolveu fazer UMA jogada certa. Uma, não, duas. Driblou o marcador e ainda conseguiu cruzar na cabeça de Elton. Um fenômeno que nem os mais recentes e sofisticados métodos científicos conseguirão explicar.

E já que entramos nesta seara, tem coisas que não precisam de explicação. É o caso de nosso atual camisa 2. Há tempos nos acostumamos com personagens caricatos atuando naquele setor. Gente da estirpe de Apodi, que provocava mais riso do que admiração. Ou, então, insanos do naipe de Nino Paraiba, aquele que ficava disputando corrida com a bola, esquecendo-se de que esta é que deve correr muito, pois não tem pulmão.

Porém, o fato é que, pela primeira vez, nos últimos três séculos, tínhamos um lateral direito (ala é a puta que o pariu) SÓBRIO. O tínhamos que acabei escrever não foi erro de conjugação verbal. Realmente, tínhamos. Na última sexta, Diogo Mateus, eis o nome do santo, talvez pegando os eflúvios dos antepassados que ocuparam aquela posição, enlouqueceu completamente logo após marcar um gol de cabeça, o terceiro do Vitória.

Assim, em vez de beijar falsamente a camisa ou coisa que o valha, ele, completamente possuído, não se continha dentro do manto. Pulava com aquela alegria e loucura juvenis que há muito não se via nos gramados de Pindorama, onde todos os gestos são meticulosa e falsamente calculados. Até quando saltou as placas de propagandas e se ajoelhou, agradecendo e reverenciado a torcida, não transpirava demagogia, mas sim HISTÓRIA. E isto pagou o ingresso.

P.S Por falar em coisas formidáveis, extraordinárias, sensacionais, vi, pela primeira vez no estádio, o começo de uma torcida organizada que, finalmente, é motivo de orgulho: A BRIGADA MARIGHELLA. 

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ASSOMBRAÇÕES

julho 10, 2015

Comedido, relutei em formular uma acusação de modo peremptório. Porém, passadas as regulamentares 48 horas, não há mais como tergiversar. Agora, é oficial: inexiste jornalismo investigativo na Bahia e numa banda de Sergipe. Afinal, caso ainda restasse algum resquício de trabalho sério neste setor da imprensa, os dois mistérios que atormentam a nação já teriam sido desvendados.

A eles.

Primeiro e mais simples. O Bar Lagoa Mar, reduto das piriguetes de antanho da orla de Salvador, reabriu? Só pode. Não tem outra explicação praquela maresia que acometeu o time do Vitória no jogo de terça-feira, logo após a goleada de sábado. A galera deve ter voltado a cumprir aquele velho ritual de descer a pirambeira rumo ao insalubre recinto para comemorar a brocada na sardinha. Nem venham dizer que eles foram pro Armazém em Vilas ou algo do gênero. Pra ficar naquela boréstia, amigos, só frequentando o Lagoa Mar.

Já a segunda e mais complexa dúvida é a seguinte. Quem é que porra o volante Amaral tá comendo na diretoria do Leão? Colocar aquele sujeito, que não consegue entender a vida sem dificuldade, para ser o responsável pela saída de bola do time só pode ser por favores sexuais ou coisa parecida. A propósito, a chibança na noite anterior deve ter ido até umas horas, pois em algumas jogadas o cara cambaleava sozinho como se tivesse trepado em pé. Pode ser que seja só ruindade mesmo, mas é difícil de acreditar.

Ah, sêo Françuel, num quero saber com quem ninguém se deita, não. Quero é a resenha do jogo”, exigiu a agora pudica Moça do Shortinho Gerasamba, com as mãos na cintura e tentando segurar aquele jeito rebolativo que lhe entrega.

Pois bem. Pela primeira vez vou ter que deixar a referida sem resposta. Num tem como fazer qualquer resenha sobre a peleja diante do Boa Esporte em Minas Gerais. A atuação do Vitória foi tão “horrorosa” (copiraite para o goleiro Fernando Miguel) que nem mesmo este erudito locutor encontra palavra para descrevê-la. Aliás, o time que jogou na terça foi de uma ruindade tão abbsurda que num merece nem xingamentos.

O que posso fazer é creditar tudo a alguma assombração, já que a cidade de Varginha é dada (lá ela) a estas peripécias sobrenaturais. Porém, não quero nem devo entrar nesta seara até porque neste sábado o Vitória enfrentará o Paraná, clube responsável por alguns de nossos pesadelos. Vade retro, DEMÔNHO. Vá matar a sua mãe; a mim, não.

O ETERNO RETORNO DA BROCANÇA

julho 7, 2015

Por conta das muitas atribulações e atribuições do cotidiano (mentira, continuo um desocupado), havia decidido silenciar sobre mais uma brocante goleada do Vitória diante do ex-rival de itinga. Afinal, o Norte e Nordeste de Amaralina são testemunhas de que, cristão ortodoxo, tenho por hábito não tripudiar dos fracos. E, se num bato em cachorro morto, não gastaria meu parco latim para espezinhar uma pobre e indefesa sardinha. Além disso, injuriado com a falta de democracia no Leão, tinha como meta neste ano da graça de 2015 usar minha voz rouca e rascante apenas em prol desta nobre causa.

Porém, mudei de opinião no exato momento em que li a seguinte mensagem, que vai em negrito. “Senhor Françuel, decorridas as 48 horas regulamentares, faz-se mister o pronunciamento até do mais rouco e afônico dos locutores acerca do escore assaz proveitoso do fim de semana próximo passado. Não há canjebrina cuja ressaca justifique tal omissão.

Mui respeitosamente…”

 

Nem bem terminei a leitura da missiva e, ato contínuo, me belisquei, pensando que Ruy Barbosa ou, vá lá, Josaphat Marinho haviam ressuscitado, tal a quantidade de empolação em tão poucas linhas. Porém, qual não foi minha surpresa ao ver que o bilhete era assinado por ela, a musa, a pentelha, a mitológica, a Moça do Shortinho Gerasamba. Será que a pobre coitada pegou zika e começou a delirar ou, provavelmente, diante da recessão, deve estar se preparando para algum concurso nestes cursinhos que têm como especialidade ensinar enrolação? Pouco importa. O fato é que, com tamanho cabedal vocabular, não duvidem se no próximo verão a referida lançar uma nova tendência na briosa música baiana: O PAGODE REBUSCADO.

Ô, desglória. Derivei muito, né, mas compreendam. Toda vez que ela aparece, é sempre assim, não sou eu quem me navega. E cá estou, contra minha promessa e as marés, pra dizer umas prosopopeias sobre a peleja.

Antes de tudo, preciso confessar que, quando a bola ainda não havia rolado no gramado do Santuário, eu estava receoso. Não, óbvio, por conta do ordinário adversário, mas sim porque o apito ia ser assoprado por Arilson da Anunciação, o maior empenador de baba da história do ludopédio de Pindorama. Por isso, quando a galera da esquina da balbúrdia chegou com o papel, coloquei apenas 6 x 0 no bolão.

Com menos de 5 minutos de labuta, tudo já se encaminhava. O menino Escudero, recuperado físico e psicologicamente da contusão, voltou a ser o maestro, o saxofonista, o carregador de piano, enfim, a alma do time, se é que time tem alma. Com um brilhante e preciso passe (assistência é a puta que lhe pariu), deixou Guilherme Mattis, nosso melhor zagueiro ruim, de cara, digo, de testa para a zona do agrião. Barbante.

Porém, o menino Marcelo, que fazia os olhos deste cansado locutor ficarem rasos d’água, pois meu camisa 5 tava lembrando o brioso Biguivisky de 1985, sofre uma contusão inconsequentemente infame. Parece que a sina do rapaz é ser a nova versão de Neto Coruja. Saca muito do ofício, mas só anda bichado. (Bato na madeira oitocentas e cinquenta e três mil vezes, por extenso, que é que pra zica num pegar). Em seu lugar, entra Amaral roda presa, aquele jogador que num entende a vida sem dificuldade, que vive de fazer esforço e agradar incautos da torcida. E o jogo ficou com a cara de Amaral, se é possível algo ficar com aquela cara tenebrosa. Murrinha dos 600 DEMÔNHOS.

Então, no intervalo, talvez inspirado na Moça do Shortinho Gerasamba antes da conversão ao juridiquês, as meninas que ficam dançando na esquina da balbúrdia foram para o centro do gramado e formaram um mosaico para lembrar à torcida e, principalmente, aos jogadores que o adversário era o itinga, aquele mesmo do 5×1 e 7x 3 na nova velha fonte.

Os jogadores anotaram a lição e tome-lhe brocança. E que brocança. Além do penalti batido com categoria por Escudero, mais dois golaços pra ficar registrado per seculae seculorum na retina das mais de 380 mil pessoas que lotaram o Barraquistão.

Uma epopéia que me deixou sem palavras e transformou a Moça do Shortinho Gerasamba numa oradora de botar Cícero no chinelo.

Por falar em chinalagem, na saída do estádio vi umas injúrias tricolores gritando ‘VOLTA, TIRIRIQUINHA, VOLTA”. Não opinirei sobre isso, pois num tenho nada  a ver com peixe pequeno. E, ademais, hoje tem jogo contra o Boa e quero preservar minha garganta. Sim, minha comadre, o locutor vai voltar a bater ponto aqui, com gosto de querosene e ácido muriático.