Archive for abril \30\UTC 2012

DESNECESSARIAMENTE PATÉTICO

abril 30, 2012

O velho Otávio Mangabeira, sempre ele, é autor de uma frase que capta uns pedaços da alma dos habitantes desta província lambuzada de dendê . “O baiano gasta dez mil réis para que outro baiano não ganhe cinco”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal.

O comportamento deste tipo de espírito de porco foi atualizado por meu amigo Vandex na canção Alma Escrota, que começa assim:  “Num quero nem me dar bem. Agora eu quero é prejudicar”.  E mais. Como disse o próprio Vandex, tem uma galera que, num tendo condições nem de prejudicar, esforça-se para, ao menos, atrasar o lado do outro, empetelhar,  ser a mosca na sopa.

PUTAQUEPARIU A ESCROTIDÃO!!!

“Mas, homem de deus, o que foi que aconteceu que você está assim? Num era para você estar feliz, curtindo uns dias de descanso?”, pergunta-me a moça do Shortinho Gerasamba.

E eu respondo: realmente era, mas, mesmo longe de soterópolis, me lembrei deste traço dos baianos porque um amigo, esta raça de gente ruim, sabendo que tirei uns dias para desanuviar o maltratado juízo, inventou de me informar que Paulo Cesar Carpegiane nem vem mais para o Vitória.  É óbvio que ele sabia que eu não morria de amores pelo cidadão de óculos Ray-Ban, mas o objetivo do sacana do meu amigo era estragar minha viagem.  Só pode ter sido isso. E é claro que ele conseguiu, pois aqui estou, injuriado, virado nos seiscentos DEMÔNHOS com mais esta patacoada da diretoria.

É fato que, com o lombo curtido pelas décadas de desventuras, não deveria mais me surpreender com nenhuma  (falta de) ação da diretoria do Leão, mas, feliz ou infelizmente, não consigo. A palhaçada, sempre tão previsível, não deveria causar surpresa, mas eles estão sempre tentando inovar, buscando um jeito de aporrinhar a torcida. Sim, só pode ser proposital. Num tem outra explicação. Nem Marques de Sade, nos seus piores momentos, seria capaz de ficar maquinando tanta perversidade.

Apenas para relembrar. Desde que Cerezo foi demitido, o Vitória cogitou trazer uns zé ruelas da marca de valdemar lemos, (que disse NÃO), paulo cesar gusmão e jorginho (que gritaram NÉCARAS), márcio Araújo (que tripudiou pela 3ª vez seguida com um JAMAIS) e o próprio Paulo Cesar Carpegiane, que disse que não, que sim, que talvez e que…olhe num dá nem vontade de xingar.

E o pior é que tudo isso é feito às vésperas de partidas decisivas na Copa do Brasil e, mais grave, antecedendo a Mãe de Todas as Batalhas, o clássico Cartão de Crédito, o brioso VISA (VItória x SArdinha, copiraite Teresa Ribeiro).

E em todo este processo, o presidente cansou de dar (lá ele) entrevistas afirmando que Ricardo Silva não queria ser técnico. No entanto, há controvérsias. Seguinte. Nem deveria, mas vou fazer uma confidência. Estive, faz alguns dias, conversando com uma fonte muito próxima ao atual interino, que me falou o seguinte, ipsis litteris.

“Franciel, Ricardo quer ser técnico, sim”.

Então, retruquei. “E por que porra ele não vem a público e fala isso?”.

E a pessoa acrescentou. “Porque Ricardo é uma pessoa do bem e não vai criar confusão – até porque ele é funcionário  do Clube”.

Tentei ainda argumentar que, funcionário ou não, ele teria que ter uma postura altiva, mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

Porém,  diante de toda esta chibança, amigos de infortúnios, a única coisa que me resta, daqui do frio paulistano, é solicitar à Nação Rubro-Negra que esqueça (pelo menos até a partida final do Valerão-2012) as barbeiragens da diretoria e grite, berre e incentive o time rumo à conquista.  Afinal, nosso amor, postura conscientemente crítica e vibração irão de impedir que eles transformem NOSSO Clube em uma coisa desnecessariamente patética, pois parece ser este o projeto.

DESNECESSARIAMENTE DRAMÁTICO

abril 29, 2012

 

Até o ano da graça d e 1958, o Brasil padecia daquilo que Nelson Rodrigues classificou de Complexo de Vira-Latas, a posição de “inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo. Isso em todos os setores e, sobretudo, no futebol”.

O dramaturgo desenvolveu tal tese por conta do maracanazo, aquela tragédia que jamais sairá da alma dos brasileiros. E o sacana dizia: “Nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar”.

Pois bem.

Para superar o drama, o técnico Vicente Feola (que, segundo as más línguas, gostava de dormir no banco) tentava incutir na cabeça dos jogadores que a conquista era algo fácil de se conseguir. E foi assim que, antes da partida contra a poderosa União Soviética, ele chamou Garrincha no canto e passou as seguintes instruções: “Você pega a bola e dribla o primeiro da defesa. Quando chegar o segundo, você dribla também. Aí vai até a linha de fundo, cruza forte para trás, para o Vavá marcar.” Com muito senso de humor, o anjo das pernas e juízo tortos respondeu:  “Tudo bem, senhor Feola, mas o senhor já combinou com os russos?”.

Pois muito bem.

Este espírito feoliano, de achar que tudo é fácil, continua a martelar a cabeça da torcida do Vitória, não importa quem seja o adversário. O juiz nem bem apita o início da peleja e a galera já começa a mostrar como é simples o caminho do triunfo. “Basta driblar todo mundo e colocar a  bola no saco”. O problema é que sempre nos esquecemos de combinar com os russos.

E, ontem, diante do brioso Feirense, não foi diferente. Todo mundo possuía a fórmula do sucesso – até mesmo o time. Assim, fomos para cima, driblamos os soviéticos de Senhor do Bonfim e  guardamos dois na sacola.  Uma beleza.

Bastava, portanto, voltar para o segundo tempo com a mesma pegada e a fatura estaria liquidada. A bem da verdade, nem precisava tanto, poderíamos até nos dar ao desfrute de cadenciar o jogo e etc e coisa e tals e esperar o ordinário do Arilson short apertado Anunciação decretar o fim da labuta.

Porém, a verdade é que o Leão não consegue entender a vida sem dificuldade. Tudo tem que ser numa agonia dos seiscentos DEMÔNHOS. Do nada, inventamos de transformara o mais ordinário baba num drama épico de botar Shakespeare no chinelo.

PUTAQUEPARIU MINHAS PONTES DE SAFENA!!!

Amigos infortúnios, em verdade lhes confesso: Durante os 45 do segundo tempo e os quatro e intermináveis minutos da eterna prorrogação, eu  vi a casa feder a homem. A sensação era que a tragédia iria dar o ar da graça a qualquer momento em edição extraordinária.

E tal disgrama só não aconteceu porque saquei do coldre meu último litro de cepacol e gritei: “Ricardo Silva, seu sacripanta, tire Rildo agora e coloque qualquer porra aí, senão este maluco vai enojar meu baba”.

Obediente, o nosso feola de plantão cumpriu a ordem e, a duríssimas penas, carimbamos o suado passaporte para a final. Porém, lamento informar à nação Rubro-Negra que perdemos uma peça importante.

Seguinte.

Este modesto e rouco locutor vai viajar para repor o estoque de Cepacol e não poderá orientar o time na quarta-feira diante do Botafogo. Portanto,  aumenta-se, de modo considerável, a responsabilidade de cada um de vocês.  Então, nada de espírito de vira-latas, mas também não adianta achar que tudo vai se resolver na fórmula feoliana.

Amém, rebain de fariseus ?

Nova epístola aos incréus: Orai, vigiai e incentivai (volume 2)

abril 27, 2012

De acordo com o calendário gregoriano, faltam exatas 19 horas, 28 minutos e 46 segundos para que o futuro do Brasil e do Vitória (o que dá no mesmo) comece a ser definido. E, neste momento decisivo da Nação, assim como já havia feito no confronto contra o poderoso São Domingos, romperei a tradição de obsequioso silêncio e apresentarei minhas duas prosopopeias.

E começo com gosto de querosene, destacando que, a partir de agora, não pode mais existir choro nem ranger de dentes. Não há mais espaço para qualquer tipo de tergiversação, senão o apoio amplo, geral e irrestrito. Portanto, a única discussão que cabe é sobre o estoque de cepacol, que contribuirá para transformar  o Santuário na sucursal do inferno para os jogadores do feirense.

Agora, pouco importa se você acha, não sem razão, que Tartá joga mais bola do que Rildo, que Douglas é mais seguro do que Renan e  que Neto deveria receber (lá ele) uma surra de cansanção para cada bobagem dita nas entrevistas da vida. Até as 18h estes assuntos estão no Index Prohibitorum. Nada de divisionismo. Afinal, num momento de muito menos gravidade, Tancredo Neves largou a seguinte: “Nós não vamos nos dispersar”

É óbvio que, caso a zorra comece a inflamar (bato na madeira 826 vezes) poderemos reivindicar mudanças de postura e substituições de jogadores – até porque não corremos de ver em campo aquele pecado capital chamado preguiça, que atende também pelo nome de Lúcio Flávio. Glória aos céus, e aos nossos protestos, o referido num foi nem relacionado, apesar de todo o apelo de Neto Baiano.

Então, é isso. Todas as admoestações necessárias já foram feitas – e, nos 90 minutos e nas regulamentares prorrogações, deveremos apenas orar, vigiar e incentivar, conforme determina a sagrada epístola aos incréus.

Amém, irmãos ?

P.S Repito também o mesmo P.S “É óbvio que o apoio nas quatro linhas não pode obnubilar (recebam, incréus, um obnubilar no post scriptum) nossa visão diante dos graves erros cometidos sistematicamente pela diretoria do ECV. A ideia é aquela: Apoiar o time e fiscalizar os dirigentes, cobrando e  lutando por dias melhores e democráticos no NOSSO Clube“.

UMA ENTREVISTA (LAMENTAVELMENTE) REVELADORA

abril 27, 2012

“Não quero jogador para casar com minha filha, mas para resolver em campo”.

Esta frase de João Saldanha sempre me guiou nos caminhos do Ludopédio, especialmente por que entendia (e  ainda entendo) que futebol não é convento. E, ao jogador, também é dado o direito de pecar – assim como aos outros mortais.

Aquela conversa fiada “de bom pai, bom filho, bom amigo, bom marido” só fica bem nos discursos de políticos inescrupulosos (desculpe-me a redundância) querendo limpar a barra de seus comparsas recém-falecidos.

Acontece que a prosopopéia do técnico botafoguense tem sido levada ao paroxismo. Assim, o pebolista hodierno pode cometer as maiores barbaridades que sai impune. E se alguém esboça qualquer reação e tenta mostrar que tal ou qual ato está errado, logo aparecem as viúvas do referido, com o salvo conduto na mão, gritando: “Ah, ele tem o direito de fazer o que quiser, pois tá resolvendo”.

Não, minha comadre, não tem. Ninguém, repetindo, ninguém tem o direito de fazer o que quiser – nem mesmo (deixe-me ver um craque indiscutível) o Velho Butragueño do Nordeste de Amaralina possui carta branca para praticar qualquer disgrama.

É preciso que saibamos delimitar terrenos para não criarmos monstros, conforme destacou recentemente Renê Simões, numa polêmica com Neymar.

Pois muito bem.

Fiz estes prolegômenos para tratar da lamentável entrevista que Neto Baiano deu (lá ele) ao Globo Esporte. É inadmissível que alguém diga tamanha barbaridade impunemente.  E, quando refiro-me a barbaridades, não é por ele dizer que “É desejo de todo jogador atuar no Rio de Janeiro, em grandes clubes como Vasco e Botafogo”. E depois acrescentar  que espera “que as coisas sejam resolvidas no Vitória, que isso seja definido o mais rápido possível”.

Sem problemas. Quer sair, é direito seu. Se pique

O que não é seu direito e o que não vamos admitir, de modo algum, é que Neto fale e deseje a seguinte e abominável coisa para o Leão: “(Lúcio Flávio) é um jogador que pode até sair jogando (de titular)”.

Epa, alto lá! Que Falta de Esculhambação é esta?  Jogue a porra de sua bolinha, Neto, e fique na sua. Não venha querer enojar meu baba escalando aquela criatura, não.

É cada uma.

Garçon, desce aí um caldo de cana contaminado, por favor. Tenho certeza de que este precioso líquido, mesmo misturado com graxa e ácido muriático, fará menos mal à minha saúde do que ver alguém falando que “aquele homem chamado preguiça” pode vestir novamente a camisa de titular do Vitória.

P.S O Botafogo disse que o oferecido atacante está muito caro. http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/04/oferecido-neto-baiano-pede-alto-e-nao-interessa-ao-botafogo.html

PUTAQUEPARIU O ETERNO RETORNO!!!

abril 24, 2012

No dia 9 de abril do ano da graça de 2009, o Esporte Clube Vitória acertava a contratação de Paulo César Carpegiani. Na ocasião, o Rubro-Negro estava prestes a disputar uma partida decisiva na Copa do Brasil e tinha também compromissos importantíssimos no Baianão. Naquela época, o gaúcho chegava para substituir o interino Ricardo Silva.

Pois muito bem

Pouco mais de três anos depois, no mesmo mês de abril, que T.S Eliot dizia ser o mais cruel do meses, o Leão contrata novamente Carpegiane, segundo me garantem fontes seguras de Miami. Além do mês, há outras situações incrivelmente idênticas. Ele chega para ocupar o lugar do mesmo Ricardo Silva, na mesma disputa da fase final do campeonato baiano e em partidas decisivas na Copa do Brasil.

Diante de tantas coincidências, impossível não recorrer novamente ao menino Nietzsche. Às aspas

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: ‘Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!’

Amigo de infortúnio, vá beber um conhaque e volte, pois Nietzsche continua questionando:

Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim?

Realmente, Nietzsche, não sei. Neste momento, francamente, tenho dúvidas se amaldiçoo o DEMÔNHO, se fico aliviado ou transtornado com o peso da repetição.

Por um lado, é fato, respiro melhor. Afinal, estava completamente sufocado com esta chibança de ver um monte de técnico desqualificado fazendo beicinho e tirando onda. De igual modo, meus culhões já transbordavam, pois já não tinha mais paciência para o show de inabilidade e incompetência da diretoria no processo de escolha, processo este que estava a apequenar o Clube. É inaceitável que uma instituição do tamanho do Vitória fique fazendo salamaleques e sendo humilhado por injúrias do tipo de valdemar lemos, márcio araújo e outros maizomenos cotados que nem citarei, mas que também merecem a caixa baixa, as minúsculas com que grafei o nome destes dois.

Porém, ai porém, por outro lado ainda martela minha memória a última passagem de Carpegiane, quando ele botava apodi (que deus o tenha) de centroavante e bida de lateral esquerdo. Lembro que fui obrigado até a fazer algo que contraria minha religião: colocar apelido em um senhor de idade, chamando-o de EXPERIMENTALGIANE.

Bom. Chega de repetições. A única que espero que aconteça de novo, que torcerei e incentivarei é a repetição do feito no baiano de 2009: brocança na final em cima das sardinhas.

O resto? depois a gente organiza.

Nem toda covardia merece ser perdoada

abril 22, 2012

Quando o nível de sangue na canjebrina (ou seria vice-versa?) já está nos padrões razoavelmente aceitáveis, este prolixo e embriagado locutor costuma, antes de adentrar nas quatro linhas, enveredar pelos tortuosos caminhos da falsa erudição.

Hoje, porém, como estou abstêmio, será diferente. Sem nenhum tipo de firulas, gueri-gueri, longas ou delongas, direi a verdade que salva e liberta logo neste segundo parágrafo. Recebam em caixa alta e negrito. ATENÇÃO, TORCIDA DO VITÓRIA, SEGUINTE É ESTE: SE PAU QUE NASCE TORTO VIRA BERIMBAU, TIME QUE COMEÇA COM LÚCIO FLÁVIO DE TITULAR NÃO PODE ALMEJAR ZORRA DE NADA.

Francamente, tem certos mistérios no Esporte Clube Vitória que, para mim, são mais insondáveis do que o terceiro segredo da Virgem de Fátima. Por exemplo: Por que porra alguém ainda coloca este passageiro da agonia para vestir a 10 do Leão, mesmo ele tendo enterrado o baba em 99,78% das vezes em que esteve em campo?

(Alguns podem dizer que a  culpa não foi apenas dele, mas a verdade é que maresia é um bicho contagioso. Ao ver o cidadão correndo daquele jeito em campo (correndo é modo gentil de dizer) todos seguem o mesmo caminho da boréstia).

Como diz meu amigo Eliano, “com o (inexistente) futebol apresentado no Vitória ele não poderia vestir nem a camisa 18”.

E Nem venham pra cá, tal e qual Ricardo Silva, com seus peitos moles dizendo que é moça, argumentando que Arthur Maia não poderia sair jogando porque o garoto é reserva de Pedro Ken – e não da referida injúria. Não cola. Se isto fosse verdade, então Maia não deveria ter entrado no lugar dele. E outra. Até Dankler com a 10 produziria mais do que aquele homem chamado preguiça. (Ok, exagerei, Dankler, não)

A única explicação para que o referido ainda vista a 10 do Rubro-Negro é a covardia. E isso provavelmente ocorre pela surrada síndrome de vira-latas, aquele excesso de respeito porque o jogador tem nome e, algum dia, numa galáxia muito distante, já jogou algo parecido com futebol. Só pode ser isso. Mas, mesmo isso, não justifica a falta de culhão para escanteá-lo.

E pensar que venho fazendo esta pregação desde o início do ano. Já escrevi uns 36 LIBELOS  contra o enganador – e nada.

A vontade que dá é apelar também à covardia e, diariamente, colocar miguelito na saída da casa dele para furar o pneu do carro e impedir sua chegada ao Barradão.

Mas, feliz ou infelizmente, sou pacífico. E, apesar do alerta de Drummond, continuarei apenas brigando com as palavras todas as manhãs – mesmo sabendo que esta é uma luta vã.

P.S. 1 Garçom, traga aí um caldo de cana contaminado, por favor. Tenho certeza que vai fazer menos mal à minha saúde do que ver Lúcio Flávio com a 10 de meu time.

P.S.2 Vitoria, Barcelona, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro perderam, mas a maior zebra do final d e semana foi o ECPP ter metido APENAS 1 x 0 nas sardinhas.

PUTAQUEPARIU A  INJUSTIÇA!

Os covardes também têm o direito de vibrar e amar

abril 20, 2012

Se os brasileiros se importassem com as coisas fundamentais da vida, não perderiam tempo discutindo com argentinos para saber quem tem a melhor literatura, o cinema mais bacana, a música mais vibrante, o mais eficiente sistema de saúde ou alguma outra bobagem deste tipo. A única disputa que realmente importa é saber quem fala os palavrões mais escabrosos. E, infelizmente, neste peleja perdemos de goleada.

Os filhos de Cristina Kirchner, do nada, como quem dá um bom dia, já se cumprimentam assim: “La concha de tu madre, hijo de la puta pelotudo de mierda. Chingo tu madre en el asno todas las noches”.

Já aqui em Pindorama, mesmo os considerados desbocados, como os baianos, somos praticamente monotemáticos. É porra, porra, porra do café da manhã até a hora de dormir. E isto fode qualquer crônica de respeito.

Agora mesmo estava tentando achar uns palavrões para falar sobre a façanha épica de Neto e do Vitória ontem à noite, mas veio apenas aquela cantiga quase pueril das torcidas organizadas.

PUTAQUEPARIU É O MAIOR ARTILHEIRO DO BRASIL: NETO.

(Por muito menos, e por um ídolo menor do que o Friedenreich lambuzado de dendê, eles fazem até camisa só pelo prazer dos palavrões.)

Já este pobre PQP acima é sem sal e sem verdade – até porque Neto não é somente o maior goleador do país. Sua façanha, que merecia xingamentos em 28 idiomas, é muito mais transcendental, pois, com os três gols de ontem à noite diante do ABC, ele se tornou um nome na História, o homem, o mito, que mais balançou as redes do Parque Socioambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, superando o ex-reizinho da Toca do Leão, Ramon Menezes.

Traduzindo: o sacana agora é um filho da puta imortal, especialmente porque começou a compreender que sua marca pessoal não pode ser maior nem deve estar dissociada da glória do coletivo Rubro-Negro. “Esta marca não é minha e sim de todos os companheiros, do mais humilde funcionário ao presidente, das tias da cozinha. Cheguei a esta marca com ajuda dos meus companheiros”.

Portanto, a partir de agora, nada do que eu diga ou xingue estará à altura da façanha do maior artilheiro do Barradão.

Já morrendo de ciúme, a Moça do Shortinho Gerasamba, ainda com os olhos de ressaca a la Capitu, bota as mãos na cintura, dá um remeleixo – e pergunta impaciente: “Oxeeeenteeee (ela capricha no oxente) e onde é que entram os covardes do título da resenha, Sêo Françuel?”.

Como sei que mulher ciumenta transforma-se numa besta fera, respondo logo. A rigor, minha comadre, os covardes não entram. Eles saem. São, digamos assim, aquelas almas sensíveis que não suportam a dor e abandonam o estádio antes do apito final.

Pois muito bem.

A epopeia diante do ABC foi tanta e tamanha, coisa de botar Homero no chinelo, que redimiu até estas criaturas. Afinal, como bem definiu meu amigo André Dantas, os fujões são HIJOS DE LA PUTA como a gente. Às aspas. “Quem nunca fraquejou na sua fé que atire a primeira pedra. Eu mesmo perseverei não por fé, mas, por um paradoxal desalento. O desespero que moveu os que fugiram foi o mesmo que me manteve sentado. E os que saíram não merecem castigos, mas sim louvores, pois não ver, in loco, a Glória Rubro-Negra já foi penitência mais que suficiente”.

Para encerrar esta prosa, lembro aquele axioma que garante que a História não fala dos covardes. Não falava. Aqui, não somente falamos como deixamos eles falarem. E vibrarem. Ouçam as palavras e os gritos da Salvação.

HISTÓRICO: NA FORÇA DO CEPACOL

abril 19, 2012

A verdade, esta menina traquina, é uma só: Jornalista é uma raça de gente ruim que num sabe de porra de nada da vida. E a idiotia dos repórteres não respeita fronteiras. Estupidez é um bicho geograficamente democrático  – acomete tanto os profissionais daqui quanto os de alhures.

Exemplo ?

Recebam.

Há pouco tempo, os periodistas do The Guardian disseram que o Porto da Barra, a mais alucinante e alucinógena praia dos 37 continentes, era apenas a terceira melhor do mundo .  Oh, pai, perdoai os não sabem o que escrevem.

Que mané terceira melhor o que, rapaz…

Porém, para que não me acusem de bairrista e provinciano, mais do que já mereço, informo logo que o referido balneário tem também seus defeitos. E um dos mais graves é o seguinte clichê, atribuído à vedete de santo amaro, que emoldurava um dos paredões do local:  “É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

PUTAQUE PARIU AS FRASES DE AUTOAJUDA!

Nem Lair Ribeiro faria pior.

No entanto, até isto, que a princípio parece ser a ruína do local, também é construção. Realmente, “É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

Ontem, por exemplo. Contrariando todas as expectativas, eu e mais 6.722 tarados percebemos que havia algo de especial na noite deste já histórico dia 18. E era preciso ter esta percepção e convicção para se deslocar, às 22h de uma quarta-feira, até a longínqua região de Canabrava, lugar que abriga o santuário do Barradão, quando uma TV local iria, desavergonhadamente,  transmitir o jogo para toda a cidade de Soterópolis.  Mas fomos.

E, mesmo sabendo que Marquinhos, o Gênio Franzinho , mais uma vez não estaria em campo, intuíamos que havia algo de especial a nos esperar. (Desculpe-me, mas a partir de agora, farei igual ao menino Edson Arantes: narrarei e confundirei a terceira e primeira pessoas).

Seguinte. Faltando pouco mais de uma hora para o jogo começar, contrariei minha religião e escrevi algo no tuita.  Às aspas. “Todos os caminhos levam ao genuflexório para ver o maior espetáculo da noite, de joelhos, orando: Vitória x ABC”.

É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

Menos de 15 minutos para acabar a peleja e os jogadores do poderoso ABC, que, jogando pelo empate, ganhavam de 2 x 0, desfilavam no solo sagrado do Barraquistão sob o signo do escárnio, seja lá que porra isto signifique.

E torcedores covardes começaram a abandonar a embarcação.   Já antevendo que isso podia ocorrer, levei TRÊS canetas para anotar o nome de todos os sacripantas

E estava pronto para fazer algo muito feio, que contraria ainda mais minha religião: dedurar comparsas. Porém, vi o vídeo destes fugitivos e os absolvi.

Mas, derivo. Voltemos ao estádio. Desta vez não tenho provas fotográficas, porém juro pela honestidade e inocência de Demóstenes Torres que subi novamente no alambrado, igual quatro anos atrás . E travei o seguinte diálogo com um meganha.

– Desce daí, porra. (Gritou o preposto do presidente da república)

Saquei do coldre os ÚLTIMOS LITROS  DE CEPACOL  –  e gritei, educadamente.

– Sim, excelência, descerei, mas não agora. Só farei isso depois que o Friedenreich lambuzado de Dendê brocar o terceiro gol e vossência for tomar no centro de seu monossílabo.

Como não tenho mais ideias para explicar, a esta hora da madrugada, como foi que Neto Baiano fez 3 gols em apenas 15 minutos., repetirei o que já disse aqui mesmo nesta tribuna sobre o maior artilheiro de Pindorama na atual temporada.

Há pouco tempo, defendia a tese de que a Camisa que já foi de Ricky, Aristizabal e, principalmente, de André Catimba, não caia bem em Neto. Agora, apesar de achar que ele continua fraco tecnicamente, e às vezes irresponsável disciplinarmente, reconheço que há, sim, uma mágica, uma química, algo indizível que acontece quando o sacana veste a 9 do Leão“.

Ah, sim. O resto da história não sei contar, pois as três garrafas de conhaque de alcatrão de são João da Barra, o conhaque do milagre, e mais outros tragos de substancias não recomendadas pela Carta Magna estão a obnubilar meu raciocínio.

A única frase que ainda sei  e posso pronunciar na íntegra é a seguinte. (Maestro, caixa alta e negrito, por favor)

VITÓRIA 3 x 2 ABC FOI HISTÓRICO.

Salvador, 4h27 da madrugada do dia 19 de abril do ano da graça de 2012. Registre-se, cumpra-se e publique-se.

P.S Noves fora a epopéia na virada, a partida foi de uma ruindade de dar gosto.. ao DEMÕNHO

BEBENDO NA FONTE

abril 18, 2012

Num tem caô, caô, ai, ai seu doutor, é porque meu pé tá doendo, é que meu pai mora no interior, é porque eu pensei que num era assim Sêo Françuel…Hoje, contra o poderoso ABC, num tem nada disso. O plantão vai ser rigoroso, sopa de tamanco, caco de vidro, sal, ácido muriático e cepacol, muito cepacol. Pra não ter erro, fui beber na fonte, conforme vocês podem conferir na foto abaixo. Quem num aguenta, leve seu aparelho auditivo telex porque hoje no Barraquistão vai ser zuada pra mais de metro.

 

O coletivo não pode ser sacrificado em prol de uma glória pessoal

abril 17, 2012

A economia vai bem, mas o povo vai mal”. Esta frase poderia ilustrar algum compêndio de análise sociológica. No entanto, conforme é de conhecimento da culta população do Nordeste de Amaralina, tal denúncia foi proferida no auge da ditadura militar exatamente pelo mais perverso dos generais, Emílio Garrastazu Médici.

Pois bem, digo, pois mal.

Mutatis mutandis, o mesmo axioma se aplica ao futebol.  Por mais paradoxal que possa parecer, não é raro que o centroavante vá bem e o time ande mal. Às vezes, esta anomalia, inclusive, é causada pelo próprio técnico, que arma a equipe para jogar em função do atacante e o resto do time fica mais torto do que o Corcunda de Notredame.

Vejam o caso do brioso Araripina. Rebaixado antecipadamente para a segunda divisão do fraco campeonato pernambucano, a equipe tem um dos artilheiros da malamanhada competição, o centroavante Vanderlei.

Alguns podem dizer, não sem razão, que o Araripina num é exemplo pra porra de nada –  e eu respondo: num é mermo, não  Coloquei o “bode”, como a  equipe do sertão pernambucano é conhecida, apenas como introito (recebam, fariseu, um introito nos mamilos) ao tema central: O Vitória.

E fi-lo porque qui-lo (alô, Jânio Quadros), mas também porque temos, ou tínhamos, um time jogando em função de um centroavante. E, assim, enquanto este apresentava números exuberantes, o Leão penava (e matava os torcedores de raiva) nos péssimos gramados do Valerão-2012.

Não era para menos. Afinal, se já num é recomendável que se sacrifique uma equipe, um coletivo, por causa de um craque, imagine armar um esquema tático (?), como fez Cerezo, que deus o tenha, onde o jogador mais habilidoso, no caso Marquinhos, era obrigado a carregar piano para Neto tocar.

VÀ MATAR A MÂE DO DEMÔNHO!!!

A propósito, cansei de reclamar ao ver o Gênio Franzinho, morto de cansado, tendo que cobrir a lateral, fechar a meiúca e depois sair para armar jogadas, enquanto o outro ficava ali, na boca de espera, para correr pra galera e se consagrar.

Pois muito bem.

Com a saída de Cerezo, Marquinhos voltou a ficar mais livre para jogar, especialmente na zona do agrião, aquela parte do campo em que ele se transforma no cão de calçolão chupando manga num dia de neblina. Duas partidas e dois gols decisivos – e isso ainda com o espectro de Neto pairando no ar.

No último domingo, na primeira apresentação sem o centroavante, Marquinhos votou a  brilhar e o Vitória a jogar menos engessado, praticando o Ludopédio com  leveza, rapidez e com alternativas de jogadas. Não foi à toa que teve gol de todo jeito, de cabeça, de cobertura, de sacanagem. Enfim, um resultado e  um futebol para alegrar até o mais carrancudo e corneteiro torcedor – e como tem sacana naquela arquibancada.

PUTAQUEPARIU A MURRINHA!

Derivo, mas volto para encerrar esta prosa, alertando que a goleada de 6 x 1 diante do poderoso Feirense não deve servir para obnubilar os problemas. Ainda precisamos de algumas peças urgentes, especialmente nas laterais e na zaga. E mais. Este convincente triunfo, com o perdão da quase redundância, não pode se transformar em convencimento. Afinal, para ficar rebolando já basta a Moça do Shortinho Gerasamba.

Quebra, ordinária.

P.S Sei que muitas viúvas de Neto vão rebarbar. Nem me importo. Já enfrentei coisas piores. Lembro, por exemplo, que quando falei umas prosopopeias sobre Rildo alguns me chamaram de tudo – menos de santo. Confiram comigo no replay  https://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2012/01/30/