Archive for janeiro \31\UTC 2012

A idiotia da objetividade parece nunca ter fim

janeiro 31, 2012

Há coisa de 40, 50 anos, o menino Nelson Rodrigues, bradando contra os idiotas da objetividade, dizia que, no futebol, o pior cego é o que só vê a bola. E acrescentava, com sua grandiloquência melodramática: “a mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana”. 

Pois muito bem.

O tempo passou, voou, a poupança bamerindus se fudeu toda, mas o cordão dos idiotas da objetividade só aumentou – em quantidade e burrice radical.

Atualmente, menino Nelson, nem a bola eles enxergam mais. Só vêem números e cifras. É tanta estatística, balanço e balancete que, em breve, o futebol sairá definitivamente dos gramados e será disputado somente nas bolsas de valores.

Não é à toa que o grande guru destes tempos tenebrosos é um sujeito que privilegia o cartesianismo de budega, com explicações matemática para todos os gostos. E fala sobre tudo e todos com a certeza dos estúpidos. No último dia 22, por exemplo, lá estava na ESPN o tal de PVC (eis o nome da fera, que deveria ser apenas material para tubos e conexões) decretando o seguinte: “Neto baiano está arrebentando”.

Ele falou isso, é óbvio, baseado apenas no placar que o apresentador do programa acabara de informar. Não houve sequer a apresentação dos melhores (e piores) momentos da partida. Aliás, nem mesmo os gols eles exibiram. Porém, PVC, que num tinha visto o jogo, pois a partida não passou em lugar algum, tinha a certeza de que “Neto estava arrebentando”.

 

Já eu, que acabara de voltar da peleja contra o fraquíssimo Juazeiro, tinha visto e percebido coisas completamente diferentes. Neto tinha balançado as redes três vezes, é fato. Só que a primeira numa falha do horrível goleiro do adversário, a segunda num pênalti cobrado no meio do gol e a terceira já nos estertores do jogo, quando o Juá estava mais entregue do que a orla de Salvador.

Pois em verdade, eu lhes digo. No referido jogo, Neto arrebentou o gramado do Santuário, batendo o pênalti mais bizarro da história do estádio, e quase arrebentava as minhas pontes de safena quando, depois de perder gols de cabeça, de dentro da pequena área e de todo jeito, bateu na bola de trivela e virou a cara, como se fora um Djalminha. É óbvio que, ao contrário do mascarado carioca,  Neto errou o passe. Porém, o PVC, sem ficar com a cara vermelha, vaticinava que o atacante Rubro-negro “estava arrebentando” porque fez 3 gols.

Ah, os números. Nunca mentem, mas quando torturados… confessam. Imagine se chego para um desavisado e largo assim: “Cidadão, a campanha de meu time está excelente. Fizemos 12 gols, tomamos apenas dois e estamos invictos no campeonato”. Diante da frieza destes índices, ele provavelmente se calaria.

No entanto, os números não existem por si sós (alô, Carlos!). É preciso contextualização. Afinal, este mesmo sujeito terá uma avaliação diferente ao saber que estou falando do campeonato baiano, com times semi-profissionais, e que em duas, destas quatro partidas, enfrentamos o lanterna e o vice-lanterna.

Mas, chega. Aqui não é somente lugar para choro e ranger de dentes, não. Vamos também louvar o que bem merece. E em verdade lhes digo e repito: Se Mineiro continuar nesta sequência na Segundona, este Varelão/2012 já terá valido à pena. E notem que ainda temos uma carrada de jogadores que nem estrearam.

Porém, o que eu queria mesmo destacar é que, além disso, está acontecendo algo muito mais importante nas quatros linhas. O Vitória aboliu a maldita ligação direta, que tanta raiva nos causou em tempos recentes. Pelo menos nestas rodadas iniciais, em que pese os muitos (e compreensíveis) defeitos, o Leão já está praticando algo parecido com futebol, com a criança rolando no gramado, sem muitos chutões.

Por estas e outras, muitas outras, afinal, o sobrenatural de almeida está sempre à espreita, é que acredito, piamente, que dias melhores virão.

E eu também virei, ou melhor, voltarei, cuspindo querosene misturado com cepacol na cara dos caretas objetivos. 

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Faltou tudo. Menos Rildo

janeiro 30, 2012

Antes de tudo e de mais nada, peco desculpas aos milhares de ouvintes (na verdade, tres)  desta intimorata emissora porque vou escrever esta briosa resenha sem acentos  nem zorra de nada. E farei isto nao para me igualar ‘a ruindade do time do Vitoria neste domingo, mas porque estou num teclado internacional. Malamanhado, eh verdade, mas internacional. E friso o internacionalismo do teclado para impressionar a patuleia. Sim. porque ela, a patuleia, eh deste jeito, num quer nem saber se presta ou nao, quer saber se tem,como dizem os xibungos, griffe, com dois ff e as porra.

Vejam, por exemplo, o caso de Lucio Flavio.Como explicar que a torcida tenha tanta  paciencia com o referido, senao pelo fato de que ele tem nome. Eh verdade que tem nome de passageiro de agonia, que assaltava banco, mas tem nome, ne nao?

Puta que pariu a  lerdeza!!!

Alias, este bicho, a  lerdeza, parece que eh contagiante. O time todo, ou quase, foi acometido de lucioflavisse. Uma maresia da disgrama. A moca do shortinho gerasamba, que entende muito de borestia, lancou a seguinte hipotese/afirmacao: Seo Francuel, esta galera toda, muito provavelmente, estava comendo uma moqueca caprichada no dende, lah em pedra furada. Soh isso para explicar tamanha lerdeza.

Ah, sim. Ela tambem levantou a hipotese de que os atletas poderiam estar no festival de verao, comendo agua. Porem, descartei logo esta possibilidade. Afinal, no nosso elenco, soh temos pessoas comprometidas com o Clube  e que nunca, jamais, se entregam ‘a esbornia ou ‘a farra, ne nao, Uellinton?

Mas, derivo. O que eu queria mesmo dizer eh que a peleja teve alguma serventia, num foi de  toda inutil. Serviu, ao menos, para lembrar aos iludidos que neto ‘e um atacante que precisa melhorar muito para se tornar mediano.

Apesar de nao ser palhaco das perdidas ilusoes, fico na torcida para que Dinei volte jogando, pelo menos, cerca de 32,76% do que jah praticou aqui. Apenas com isso, nao teremos o desprazer de ver neto maltratar a bola e a grama – se bem que esta ultima, eh sacanagem. Mais um atleta, no caso Gabriel, nosso unico-melhor-zagueiro-mediano, foi vitima do pasto, digo gramado, do Barradao.

Outro fato tao lastimavel quanto o gramado foi ver torcedores dizendo que faltou Rildo.  Francamente, sentir falta de Rildo eh prova de nossa degradacao moral. Nenhum time que se respeite pode sentir falta de Rildo. Alem disso, o pior eh que nao, nao faltou. Alias, sobrou. Quem duvida, eh soh conferir a foto abaixo. Inclusive, corre boato de que o sosia, o Mikail, joga mais bola do que o verdadeiro – o que, convenhamos, nao eh muito dificil.

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Tem Rildos demais no Barradas

E, por falar em dificuldade, encerro esta prosa destacando que os 826 meias e volantes contratados pelo Vitoria terao que suar muito para tomar a camisa de titular do menino Mineiro.  Num sei se eh verdade, mas parece que ele, o Mineiro, tem assistido as apresentacoes de um certo jogador aqui do Norte e Nordeste de Amaralina.

Fui, mas volto com gosto de querosene e cepacol – muito cepacol, jah que o estoque que comprei para o jogo com o Itabuna nao foi utilizado.

P.S Para que alguns, inadvertidamente, não pensem que é algo pessoal, vai abaixo um linque em que já falei bem de Rildo, dentro do que é possível falar bem do referido, é óbvio.

https://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2011/06/20/uma-jogada-de-craque/

 

A PAMONHA, O MIOJO E O MSMV

janeiro 28, 2012

 

Por Jean Gerbase

(Reflexões Instantâneas)

 

Quem é do interior conhece a cena: a família acorda às 5 da manhã pra preparar a refeição do dia. Juntos, caminham 1 quilômetro até a plantação, colhem o milho, carregam o milho, retiram a palha do milho, retiram o cabelo do milho, debulham o milho, ralam o milho, peneiram o milho, coam o milho, preparam a massa do milho, limpam a palha do milho, costuram a palha do milho em saquinhos, botam a massa do milho na palha, cozinham a massa do milho e…às 4 da tarde, sentam-se todos juntos para, finalmente, apreciar o rico alimento.

Noutro local, outra família. Cada membro, na hora em que melhor lhes convém, prepara o conhecido Miojo, que será cozido em 3 minutos e ingerido por todos, no conforto individual dos cômodos da casa.

Não dá pra negar que comer pamonha é muito mais do que apenas comer pamonha. Comer pamonha é compartilhar, socializar, colaborar, co-laborar, e também celebrar. É fazer parte de um PROCESSO. É entender a própria função dentro dele, compreender todas as suas etapas, aceitar o tempo de execução que cada uma delas requer; é refrear a ansiedade, educar a paciência, para que, ao final, o objetivo seja alcançado e o bem produzido seja desfrutado por todos, conjuntamente.

O MSMV, que veio ao mundo sob os auspício de uma nova era, repleta de (falsas) premissas de modernidade, tem procurado resistir, não sem muito esforço, à pressão dos imediatismos que a vida contemporânea impõe. Quantas vezes, por conta de uma notícia publicada há 1 minuto, somos brindados aqui com a célebre frase: “…e o MSMV, não vai fazer nada?…”. Te vira MSMV, pois, hoje em dia, ninguém tem tempo a perder. Além de eficazes, as soluções têm que ser imediatas, instantâneas,comoo macarrão em água fervente.

Pois agora, temos a oportunidade de nos associar ao Movimento. Então, nada mais “natural” do que colocarmos a Internet (e sua estonteante velocidade) a nosso serviço,comosolução pra nossa falta de tempo, segurança, engarrafamentos, etc. É muito fácil, prático, rápido e…cômodo. Um e-mail pra cá, um documento escaneado pra lá, uma transferência bancária online… Pronto. Sou Associado e, empunhando o meu teclado, estou apto a promover todas as revoluções que forem necessárias, certo?

Errado. Entedo que ser Associado está muito além de pagar anuidade, ser Associado é mais do que enviar e receber e-mails. Na minha modesta concepção, ser Associado do MSMV é também um PROCESSO, que envolve conhecer e se fazer conhecido aos demais integrantes, é interagir (que significa “agir mutuamente”), colaborar (que é “trabalhar junto”), saber qual o papel da Coordenação, conhecer as necessidades de cada Coordenadoria, participar da elaboração e da execução de projetos e ações, entender as etapas envolvidas e os caminhos percorridos, para que o objetivo final seja alcançado e as vitórias, celebradas em conjunto.

O fato é que creio piamente que todas as coisas tem um tempo, que é o tempo de cada uma das coisas. O tempo das coisas nascerem, crescerem, se desenvolverem e morrerem. Desta forma, para que formulários e documentos circulem pela Internet, primeiro ALGUÉM precisou pensar e criar os formulários e documentos (trabalho intelectual, braçal, gasto de tempo e dinheiro).Paradepositar numa conta-corrente em tempo real, é preciso que ALGUÉM tenha ido ao Banco, aberto uma conta e a tenha colocado disponível (trabalho intelectual, braçal, gasto de tempo e dinheiro). Assim, a rapidez mágica da Internet,comotoda mágica, não passa de um truque, uma falsa ilusão.

Infelizmente, senhores, essa miojização que ocorre hoje nos diversos aspectos de nossa vida, onde tudo “se resolve” de maneira prática e instantânea, é um perigoso estímulo contra a participação efetiva das pessoas nos espaços coletivos da sociedade. Isto porque, é bastante tênue o limite entre a comodidade da Internet e o comodismo que ela alimenta. Ao me tornar um Associado “virtual”, estou apenas “fazendo de conta” que quero revolucionar algo. Possuo agora o status, mas deixo para o outro a responsabilidade de carregar um piano que também é meu, de pagar as contas que também são minhas, de responder por ações e omissões para as quais também concorri.

Obviamente, quem se associa, toma a atitude que bem quiser, inclusive, pode tomar nenhuma atitude. Tudo lícito e legítimo. O que não posso concordar é com a acomodação e descompromisso, principalmente quando vejo (comovi) exemplos do quilate de Anderson Abreu, que, a par de sua dificuldade de locomoção, é paraplégico, fez questão de estar presente no Edifício Capemi para se filiar, sem falar de Marco Pontes, que veio diretamente do Arizona (EUA).

Logicamente não me refiro aqui aos casos excepcionais, em que pessoas de outras localidades se dispõem a colaborar (estes, merecem sim, um tratamento diferenciado). Falo dos que moram emSalvador, mas que nunca, jamais, em tempo algum, puderam, nem podem, comparecer a uma reunião, uma assembleia, um posto de inscrição, um evento qualquer, para preencher e assinar um simples formulário. Aliás, torna-se inevitável a seguinte pergunta: se a pessoa é tão comprometida com os seus afazeres durante 24 horas por dia, sete dias por semana,comopretende colaborar com o Movimento? Fazendo número? Cobrando ações e “contundências” por e-mail? Pagando 5 reais por mês?

Sinceramente, entendo que se não sairmos da zona de conforto em que nos encontramos hoje, muito em breve o MSMV será um “Movimento Estático” ou, pior, um Movimento Tamagotchi (bichinho de estimação virtual, febre no Japão e no Brasil há alguns anos, mas completamente esquecido hoje em dia). Ou seja, brinca-se um pouco com ele, aperta-se um botãozinho da alimentação, outro da panfletagem, depois enjoamos e aí… lá vai o Movimento, esquecido, dormitar para sempre no fundo de uma gaveta. Com a mesma rapidez e facilidade que nos associarmos, nos desligaremos sem deixar rastro, o que, aliás, já é prática corriqueira nas redes sociais. Conseguiremos, desta maneira, produzir a contento nossa pamonha, no futuro?

Por todo o exposto, submeto estas linhas aos Integrantes deste que não por acaso é um MOVIMENTO, isto é, pressuposto de deslocamento, mudança, alteração de estado, agitação, dinâmica, trans-for-ma-ção. Ao mesmo tempo, torço e lutarei para construirmos um Movimento forte com filiados participativos. Afinal, o associado é a razão de ser do Movimento.

Portanto, convido e convoco a todos a saírem de trás do teclado e comparecerem neste sábado, dia 28, no Edifício Capemi. Lá haverá plantão o dia todo, das 9h da manhã até às 18h. Então, é isso, amigos. Se os coordenadores podem dispor de todo o sábado para lhes atender, por que vocês não podem dispor de alguns minutos para ir lá no referido local, que é bem central, para fazer sua filiação?

Ah, sim. Estaremos todos os jogos no Barradas, na esquina da democracia, com nossas faixas. Apareçam. Vamos juntos levantar esta bandeira.

Há Braços e Saudações Rubro-Negras!

 

 

Tá pensando que tudo é futebol ?

janeiro 27, 2012

Havia prometido que não gastaria minhas vastas emoções e pensamentos imperfeitos para falar sobre as presepadas de Uellinton. E assim o farei. Achava, e ainda acho, que merece apenas o silêncio. No entanto, ao ler o belo desabafo da menina Teresa Ribeiro, resolvi compartilar com vocês o que segue abaixo. Recomendo que apreciem a importante reflexão ouvindo “Vagabundo não é fácil”, dos Novos Baianos.  Boa leitura.

Por Teresa Ribeiro.

“Sempre defendi os jogadores do meu time, principalmente os da base e jamais vaiarei um atleta rubro-negro. Nem mesmo Uelliton! Acho que, na maioria das polêmicas entre jogadores e torcida, a última é culpada, pois ‘pensa’ primeiro com o coração e só depois, com o cérebro.

Desde que manifestei MINHA OPINIÃO  sobre o “caso Uelliton, várias pessoas me questionaram sobre a validade de um atleta querer sair de clube.

Tudo bem. Não consigo unanimidade nem na minha casa, com meus filhos. Aliás, deveria haver uma lei que não permitisse aos filhos discordar dos pais. Como a minha vida seria mais fácil! Porém, muito mais tediosa…

Voltando ao assunto, o meu problema com Uelliton é que, por mais que procure, não consigo achar uma justificativa para suas palavras. Só deve satisfação a quem lhe paga?????? E quem é que, no final da cadeia financeira, lhe paga????

Os argumentos usados por ele, para querer sair do clube, são patéticos.

Primeiro – A perseguição da torcida. Isso me lembra a polêmica do ovo e da galinha: o que veio primeiro? A perseguição ou o comportamento irregular? Então, devemos achar bom que um jogador só jogue quando tem vontade? Não podemos criticá-lo para não ferir sua sensibilidade? Como dizem por aí, se não aguenta brincar, não desça para o play. É bom lembrar ao rapaz que nem Ronaldinho Gaúcho está imune a críticas e vaias quando seu comportamento extracampo prejudica o time nos jogos.

Respeito a opinião dos que acham que o importante é ele jogar bem e fazer gol. Desculpem, mas não concordo. Aturar no meu time um jogador que despreza a torcida é, guardadas as devidas proporções, como votar num político corrupto porque ele “rouba, mas faz”.

O segundo argumento é, para mim, pior que o primeiro. Desejar sair do clube dando a desculpa de que já está aqui há 9 anos é um primor de cinismo. Parece que ele nos fez um enorme favor em ficar ‘todo esse tempo’ aqui.

De acordo com Uelliton, o jogador tem prazo de validade num clube. O tempo é o que importa e não a satisfação, o desejo de tornar-se parte da história de um clube.

De acordo com Uelliton, Ceni e Marcos são dois idiotas que dedicaram sua vida profissional a só um clube. E o que dizer de Maldini, Del Piero e Ryan Giggs?

E quanto a Messi que, contrariando a teoria uellitoniana, afirmou que pretende jogar no Barça a vida toda e só sairá quando o time não o quiser mais?

Alguns podem pensar: Ah! Mas esses caras ganham um absurdo de dinheiro…

Mas, será que, nos 25 anos que Maldini passou no Milan, não apareceu nenhuma proposta milionária?

E nos 25 anos que Giggs tem no United? E nos 19 anos que Del Piero tem na Juventus?

Será que Nilton Santos jogou a vida toda no Botafogo por falta de opção?

Alguém duvida de que se Messi quisesse, realmente, sair do Barça, o sheik do City já não teria oferecido milhões de petrolibras?

Um atleta tem o direito de querer sair de um clube? Claro que sim!

Juninho Pernambucano saiu do Vasco – sem menosprezar time e torcida – e hoje está de volta, com a intenção de encerrar a carreira no time que o tem como ídolo. O que eu questiono é a maneira de sair. E, no Vitória, já está virando tradição o jogador sair ‘de mal’ com a torcida.

Como disse antes, muitas vezes a culpa é da torcida. Será que não temos – torcida e diretoria – capacidade de fazer com que nossos melhores jogadores fiquem aqui? Ou que, quando saírem, demonstrem vontade de voltar e não retornem quase que por obrigação?

Pelo andar da carruagem, os meninos da base já devem estar comprando malas novas.

Quem será o próximo a cair fora?”

Nossa aldeia e o universo da bola

janeiro 26, 2012

Muitos poderão dizer, não sem razão, que o campeonato baiano é muito malamanhado e num serve de parâmetro pra porra de nada. E mais. Poderão, ainda, acrescentar que a qualidade dos times é tão disgramada que, não à toa, os competidores do interior, raramente, passam de fase nas terceironas e quarta divisões da vida.

No entanto, em verdade vos digo: faz-se necessário ir além deste óbvio ululante (alô, Nelson Rodrigues). A questão não é tão simplória assim. Há outras facetas. Inclusive, o inverso pode ser também verdadeiro. E para ampliar o debate, saco do coldre o menino Liev Tolstoi que já cantou a pedra há tempo, quando largou as seguintes palavras que salvam e libertam: Se quer ser universal, cante/pinte sua aldeia.

É isso. O melhor caminho para conquistas nacionais e internacionais, é mantermos e ampliarmos nossa hegemonia aqui. É ela, a hegemonia, que nos dará força e auto-estima, aumento de torcida e outras mumunhas para que possamos enfrentar obstáculos maiores.

Bom. Encerro agora estes prolegômenos literário-filósoficos porque a moça do shortinho gerasmba está aqui, impaciente, dizendo que num tá entendendo zorra de nada e quer saber é de bola na rede.

Então, vamos à arraia miúda do cotidiano do ludopédio.

Seguinte.

Ontem à noite, contra o Conquista, finalmente o Vitória estreou (alô, Saulo Daniel) no Valerão/2012. Não que tenha feito uma exibição de gala. Longe disso. Porém, já apresentou um futebol com certa consistência, levando-se em consideração, é óbvio, o (baixo) nível do Baianão.

Aliás, um parênteses. Ontem, novamente, Neto brocou três vezes e já é o artilheiro do campeonato e etc e coisa e tals. No entanto, a verdade é uma só: para se tornar um centroavante mediano, ele ainda tem que melhorar muito.

E aos que acham que estou sendo exigente, lembro o exemplo recente de Rodrigão. Na ocasião em que ele estava  balançando as redes sem parar aqui, os apressados sairam às ruas, em procisssão, colocando-o acima de Senhor do Bonfim. Pois bem. Chegou a competição nacional e ele se acabou. Alguns disseram que foi Hortência que fez macumba ou chá de calçola. Pouco importa. O fato é que um centroavante já trintando que nunca brilhou (caso de Rodrigão e Neto) não podem ser avaliado por torneios regionais. São limitados. Torço, sem muita fé, para que Neto melhore e nos ajude na volta à elite

Parênteses fechado, volto à análise do jogo. Ao contrário do que pensa a maioria, acho que Cerezzo acertou na escalação de Michel. Afinal, o técnico está na labuta cotidiana e já  deve ter percebido que nossa zaga, especialmente pela fragilidade de Dankler, não inspira confiança. Por isso, é preciso reforçar a zona do agrião. Mesmo assim, se não fosse a ruindade daquele tal de Pantera, a casa teria fedido a homem.

Por falar em homem, o menino Mineiro começa a se soltar e jogar como gente grande. Está seguindo direitinho o ensinamento do mestre cambuizinho. Qual seja: Está subindo e descendo igual ao Elevador Lacerda e abrindo e fechando igual a  tesoura. Uma beleza.

Ah, sim. Voltando à filosofia de budega, devo destacar que uma outra função importante do Baianão é testar os valores da base para que a garotada possa pegar cancha e ser utilizada quando existir necessidade. Este processo é fundamental para que não façamos como no ano passado, quando jogamos Arthur Maia na fogueira das vaidades, dando-lhe o epiteto (recebam, hereges) de salvador da pátria.  Aliás, temos que acabar com esta cultura de salvador da pátria. Não precisamos deles, mas sim de um trabalho planejado. Se fizermos isso, com o orçamento que temos, estaremos na primeirona no ano que vem tranquilamente e lá nos manteremos.

Que mais? Opa. Lembrei. Seguinte. Vou encerrar a resenha agora, pois tenho que ir ali comprar um grande estoque de cepacol já que domingo a madeira vai gemer sem dó nem piedade no fraco time do Itabuna e num sei se minha garganta vai aguentar.

Fui, mas volto, com gosto de querosene e cepacol.

P.S E Lúcio Flavio, hein? Precisa, urgentemente, tomar um ligante do almirante, um cravinho com roupinol, qualquer porra desta para ver se fica ligado.

Voltando com gosto de querosene

janeiro 23, 2012

Como não quero nem vou concorrer ao prêmio Belfort Duarte, faço igualmente aos zagueiros de antanho (alô, Xaxa!) e entro logo de sola. Afinal, num estou aqui para amassar barro pra faraó. Assim, sem medo de errar, profetizo logo: Neste último domingo, o Vitória estreou em seu Santuário contra a equipe mais desqualificada deste Valerão/2012.

PUTAQUEPARIU A RUINDADE!!!

Aquela agremiação de Juazeiro é tão ordinária que me lembrou o Estrela de Março nos seus piores momentos. Para que você que não foram tenham uma idéia, eles chegaram ao Estádio sem médico, com súmula rabiscada com caneta bic e um goleiro que…rapaz, que disgrama é aquela? No baba na praia de Amaralina, aquilo não tem condições de ficar nem na reserva, que é pra num dar azar.

Portanto, os 6×1 no velho placar, digo datashow do Barradão, ainda saiu barato. E nem venham com esta conversa mole de que ainda estamos em início de temporada, pegando ritmo e outros salamaleques hodiernos. Nécaras e nada. Tem é que brocar. E ponto.

E mais. Este negócio de ficar tergiversando é pra sardinha. Aliás, a time favorita da imprensa calhorda (desculpe a redundância) está usando esta desculpa esfarrapada de arrumação na pré-terporada. Mas, é como bem disse um filósofo ontem na saída do Barradas. “Elas ficam se penteando, passando blush, batom e dizem que ainda estão se arrumando. Do jeito que vai, o campeonato acaba e elas num tem tempo nem de vestir a calcinha”.

Touché!!!

Mas, deixa aquela injúrias no lugar que merecem, o anonimato, e vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

Seguinte é este.

Nem tudo foi ruína na tarde deste domingo. Existiu também esboço de construção. Em relação ao ano passado, por exemplo, quando estreamos perdendo em Casa para o fraco Colo-Colo, que acabou rebaixado, houve um avanço considerável. É óbvio que não estou falando apenas dos três pontos, não. O fato a ser destacado é que, pela primeira vez nos últimos anos, o Vitória abdicou da estratégia de puxador de carros, isto é: parou de fazer ligação direta.

Outro ponto positivo foi a atuação de Arthur Maia. O domingo ficará marcado como sua primeira partida no profissional em que demonstrou personalidade e qualidade – e não apenas máscara. Talvez entregá-lo a camisa 8 tenha ajudado. Gabriel demostrou que é hoje nosso único-melhor zagueiro. (Já havia cantado a pedra para um amigo que Victor Ramos não retornaria). Outro da base que não comprometeu foi Dimas, na lateral direita (ala é a puta que o pariu). Ainda assim, naquele setor, prefiro o menino Romário. Já Dankler, jogou um futebol tão enrolado quanto seu nome. Por falar em nomes e rimas, Mineiro foi meeiro.

Dos antigos, destaque negativo para Rildo, que precisa tomar dois cascudos urgentes pra ver se para logo com aqueles desnecessários chiliques. Já Neto, como direi?, continua o mesmo. E não preciso falar mais nada para que todos compreendam. Basta informar que, apesar dos três gols, ele deveria ser processado por depredação do patrimônio, pois arrancou metade da grama do Estádio ao bater o pênalti mais esdrúxulo da história do Barradas.

Que mais?

Saci, apesar de ter uma perna só (e isto não é trocadilho) mostrou que sabe, ao menos, bater na criança. Vira o jogo com precisão. Lúcio Flávio fez um golaço, mas continua com uma preguiça de fazer inveja a Bida. Quanto a Uelliton, encaixa-se com perfeição no axioma romariano. Qual seja: calado é um poeta.

E, por falar em silêncio, foi exatamente o que Uelliton mereceu de minha parte – até porque gols não depuram caráter. E respeito é bom – e o torcedor que se respeita gosta.

Fui, mas voltarei, com gosto de querosene. E sem comer agá de seu ninguém, pois não sou Dona Otília, de Cafarnaum, que escrevia Otel com Ó.