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Barradão x Nova Fonte: Ampliando a discussão

agosto 30, 2012

                                                                      POR ALEX RIBEIRO*

Inicialmente, gostaria de agradecer o convite para externar algumas questões importantes nesse decisivo processo que determinará o futuro do Esporte Clube Vitória.

Sinto-me confortável para falar sobre o assunto pois, assim como quase todos os Rubro Negros, sou apaixonado pelo Barradão, onde considero minha segunda casa. Enfrento todos os obstáculos (e enfrentaria muito mais, se mais houvesse) para chegar no estádio religiosamente em todas as partidas disputadas em Salvador. E reputo a existência do Barradão como um dos maiores fatores para a mudança na história do nosso Clube.

E, justamente por tudo isso, tenho certeza que se a decisão depender do emocional, da importância que damos ao estádio, será pura perda de tempo qualquer debate, pois a permanência vai ser vontade quase unânime. Da mesma forma, se a decisão for influenciada apenas pelos 8 mil Rubro Negros que comparecem a praticamente todos os jogos e estão acostumados as dificuldades de acesso, manter essa rotina não vai ser nenhum problema e o desejo da permanência será da maioria disparada.

Mas será que dessa forma estaremos tomando a melhor decisão para o Clube? Será que os 8 mil guerreiros representam todos os anseios dos cerca de 2 milhões de Rubro Negros Baianos? Seria, no mínimo, um egoísmo coletivo!
Portanto, nosso primeiro grande e importante desafio é nos despirmos das questões emocionais e tentarmos, através de analises minuciosas, projetando expectativas e utilizando parâmetros reais, identificar se:

– O Vitória poderá ter na Nova Fonte o desempenho em campo igual ou superior ao do Barradão?

– A torcida do Vitória poderá aumentar, principalmente em presença no estádio, com o conforto e acessibilidade da Nova Fonte?

– O Clube vai aumentar suas receitas, sejam as diretas (da bilheteria em função do aumento da torcida), e as indiretas (maior venda de material, melhores contratos de publicidade, etc) indo para a nova arena?

Pelo que se acompanha na imprensa, a proposta para o Vitória jogar na nova arena ainda não foi enviada e, portanto, não existem parâmetros seguros para que cheguemos em números comparáveis. E qualquer posição nesse momento será desprovida de coerência e dados abalizados.

Dizer que o Vitória deve continuar no Barradão porque foi muito sofrida sua conquista, e que passamos por muitos desafios e dificuldades para chegar até aqui, é ter um orgulho inconsequente. Será que se conseguirmos uma condição que garanta receitas maiores, que tragam benefícios aos torcedores através de conforto, e que permita um crescimento efetivo da torcida no estádio, a opção melhor vai ser permanecer no Barradão porque já sofremos muito? Vamos ter que nos contentar com um publico inferior a capacidade do Clube, e que sofre cada vez mais com o acesso, só porque já sofremos muito até agora? (pequena observação: A verdadeira emoção no futebol se vive no estádio. É lá que criamos o torcedor, é lá que aprendemos a amar nosso clube, e é de lá que saem os multiplicadores dessa paixão).

Imaginar que é mais fácil melhorar o acesso e a estrutura do Barradão do que ceder à nova arena, é criar uma falsa expectativa que já carregamos a pelo menos uma década e que, no fundo, sabemos que é quase impossível. O poder público não vai fazer via expressa nenhuma pelas bandas do Barradão!

A acessibilidade, por mais que tenhamos a boa vontade dos órgãos envolvidos (e nem sempre temos), tende a piorar cada vez mais com o crescimento do bairro, que não deixa de ter o Vitória como grande responsável social.

O Clube, que vem cada vez mais promovendo melhorias no estádio, não terá capacidade financeira a médio prazo para promover as mudanças estruturais que o torcedor Rubro Negro merece (cobertura, fechamento da outra lateral com arquibancada ou camarotes, instalações melhores, etc), ainda mais com a realidade do nosso futebol, onde os concorrentes recebem pelo menos 4 vezes mais e a diferença só faz aumentar…

Mas sem saber o que estamos discutindo, sem ter uma proposta real para analisarmos, dificilmente chegaremos a um debate produtivo, e os caminhos para as especulações ficam livres.

Tem gente que fala com absoluta convicção de que o valor do ingresso será proibitivo. Mas como assim? Temos que lembrar que a administração será privada, orientada por especialistas na área, e que tem como objetivo o lucro (assim como todas as empresas privadas). E como em qualquer setor, quem vai definir o preço será o mercado. Se por ventura o torcedor achar o estádio muito bom e sempre colocar mais de 40 mil pessoas a um custo de 50 reais, certamente a empresa tão logo vai passar o ingresso para 70 reais. Da mesma forma que se o custo for 30 reais, mas a média de público não passar de 8 mil, não tenho dúvidas que pouco tempo depois ele custará 20 reais. Ingresso caro é o ingresso que não tem público para pagar, podendo ser 10, 30, 50 ou 100 reais.

Da mesma forma, muita gente acredita que o custo do aluguel vai ser proibitivo, que vai ser muito caro, e dessa despesa no Barradão não temos. Mas poucas pessoas sabem que a CBF, através do RGC (Regulamento Geral das Competições), limita o valor do aluguel em cerca de 13% da renda bruta da partida. Não vejo motivos para que esse regulamento mude, e não vejo meios para que o administrador cobre mais do que isso (hoje os estádios cobram, em geral, entre 8 e 12% das receita bruta de bilheteria).

Outra coisa importante que temos que ter em mente é a desvinculação emocional com a velha fonte. Aquele estádio que trouxe alguns dissabores para o clube, principalmente por meios questionáveis, acabou! Sumiu! Foi literalmente implodido, e junto com essa implosão foi tudo de ruim que o futebol baiano já viveu!

Essa nova arena é um novo estádio e pode representar um novo ciclo para o Vitória, tão bom e até melhor do que o Barradão! E por que não?? E nada melhor do que exigir que nos jogos do Vitória a arena se chame NOVO BARRADÃO! Um novo ciclo onde poderemos manter a hegemonia local, estender para a região, e enfrentar novos desafios nacionais e internacionais. Um novo ciclo onde poderemos ver a torcida literalmente do lado do clube, crescendo e se consolidando como apaixonada e incentivadora! E tudo isso com crescimento também nas finanças.

A nova safra dos estádios brasileiros vai significar uma nova fase para o esporte no Brasil, e certamente veremos um crescimento substancial para os envolvidos, com provável duplicação do público em um horizonte de 5 a 10 anos.

Tenho certeza que podemos colocar em média entre 20 e 25 mil pessoas no estádio, e nas temporadas muito boas chegarmos a mais de 30 mil torcedores por jogo, realidade impossível, infelizmente, nas condições atuais do Barradão.
Mas todo esse debate, todas essas opiniões, todas essas expectativas, só poderão ser verdadeiramente avaliadas quando houver uma proposta real.

Uma proposta que possa esclarecer, entre outros fatos: Qual o valor do aluguel? Qual o valor do quadro móvel do estádio? Qual será a participação do Vitória nas outras receitas (estacionamento, bares e restaurantes, venda de camarotes, publicidade, etc)? Como será a política de ingresso para sócios? É possível registrar a nova arena como NOVO BARRADÃO nos jogos do Vitória? Qual o prazo do contrato? O Vitória terá a liberdade de jogar no Barradão quando desejar?

Respondidas essas questões, aí sim teremos ferramentas suficientes para definir o que é o melhor para o Clube. Antes disso, antecipar decisões e apoio considero precipitação desnecessária e temerosa.

Volto a repetir que sou extremamente apaixonado pelo Barradão, mas amo mais o Esporte Clube Vitória, e o que for efetivamente melhor para ele eu apoiarei!!

Saudações Rubro Negras,

* É co-autor do livro Barradão:Alegria, Emoção e Vitória

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Caneladas sem firulas

agosto 29, 2012

Curto e grosso, rápido e rasteiro, sem preciosismo e sem firula, submeto ao enxovalhamento geral as primeiras caneladas da semana. Ei-las:

Deola teve pouco trabalho durante todo o jogo e quando foi exigido deu conta do recado sem sustos. Inclusive, por duas vezes, esteve junto ao pé da trave, espalmando pra linha de fundo, como faz qualquer goleiro decente que aprendeu fundamentos no início da carreira.

Nino sofreu forte marcação ao longo do jogo. Por conta disso, pouco produziu no primeiro tempo. Melhorou na segunda etapa, mas ainda esteve aquém do seu melhor futebol. Se esforçou, tentou a todo custo empreender um bom futebol mas, ao final, acabou cansando e pediu pra sair. O zagueiro Rodrigo Costa entrou no seu lugar e, jogando sério, não comprometeu. Na lateral esquerda, Gilson achou liberdade pra jogar e, com isso, conseguiu fazer uma de suas melhores partidas pelo Vitória. Apoiou bastante e fez importantes jogadas individuais, inclusive no lance do pênalti. Nos momentos de dificuldade do time, foi a nossa válvula de escape.

Victor Ramos e Gabriel estiveram no mesmo nível. Ambom fizeram uma partida muito segura, sendo que o primeiro ainda se aventurou no ataque em diversas oportunidades, embora sem a mesma eficiência defensiva. No final do jogo, com a saída de Nino, Gabriel mais uma vez precisou atuar como lateral, sem, no entanto, prejudicar o desempenho da defesa.

De bem com a vida e com a torcida, o aniversariante Uélliton foi firme na marcação, mas quando saiu pro jogo errou bastante. Parecia ansioso e resolveu mudar sua característica ao tentar, sem sucesso, bater faltas colocadas. No final, se machucou e jogou no sacrifício. Michel esteve melhor que seu companheiro na frente da zaga. Chegou com qualidade no ataque, chutando de longe e acabou sendo premiado com o gol da vitória, após belo passe do centroavante rubro-negro. Jogou com garra o tempo todo e saiu bastante aplaudido pra dar lugar a Fernando Bob. O reserva cumpriu bem a determinação do treinador, prendendo a bola e fazendo o tempo passar.

Infelizmente, o setor de criação do Leão deixou a desejar. Pedro Ken, o melhor jogador do Vitória e do Brasil (o que dá no mesmo) não conseguiu organizar boas jogadas pela esquerda do ataque, o mesmo ocorrendo do lado direito, local onde atuou na maior parte da segunda etapa. De quebra, cobrou um pênalti com meia-força e à meia-altura, facilitando a vida do goleiro adversário (que se adiantou bastante antes da cobrança). Willie só jogou os 45 minutos iniciais e pouco produziu de efetivo. Tartá entrou com gosto de querosene e, assim como tem acontecido nas últimas partidas, deu maior mobilidade ao ataque rubro-negro e fez com que o time crescesse na segunda etapa.

Uma raridade, o ataque do Vitória desta vez passou em branco. Apesar disso, William mostrou qualidade no belo passe pro gol de Michel e também criou outras oportunidades, que esbarraram no caçador de borboletas do Barueri. Elton, marcado de perto, teve apenas 2 chances em todo o jogo. Cansou no final. Azar do nosso próximo adversário, que terá contra si dois brocadores com fome de gol.

Depois de apresentar um futebol tecnicamente fraco e abaixo do esperado no primeiro tempo (sobretudo pela teórica fragilidade do time paulista), o Vitória voltou melhor organizado na segunda etapa e teve diversas chances de ampliar o marcador. Entendo que talvez seja a hora de Carpegiani entrar com Tartá na meia-esquerda. O treinador acertou novamente nas substituições e o time cresceu de produção. Assim, o placar final de 1 x 0 acabou sendo injusto para nós.

De todo modo, foi um importantíssimo triunfo na largada do segundo turno. O problema é que os matemáticos de ocasião começam a dar o ar da graça. Eu, inclusive. E pelas minhas contas, neste momento não precisamos nem de 65 pontos nem de 6 triunfos. Precisamos de apenas MAIS 3 PONTOS. Isso aí! Temos é que vencer o próximo jogo. E cabou. O resto se vê depois, jogo a jogo. Até porque, faço questão de saborear cada rodada, pois fico zuando e levando à loucura os torcedores do SPFC (não, não é o São Paulo; falo do Saco de Pancada Futebol Clube), entoando a plenos pulmões: “Ôôôôô…o secador quebrou…o secador quebrou…ôôôô“!

Contra o América/RN, no próximo sábado, é mais do mesmo: humildade, garra e determinação. Em busca da estrela, esse é o único caminho.

UM CAMPEÃO HISTÓRICO

agosto 26, 2012

Com o término oficial do primeiro turno, no último sábado, alguns incautos começaram a gritar: “SOMOS CAMPEÕES MORAIS”.
Que Mané morais, o quê? Esta condecoração vale tanto quanto uma moeda de três reais.

A propósito, informo aos desprovidos de conhecimento histórico que tal patacoada verbal foi proferida pela primeira vez no final da década de 70, mais especificamente no ano da graça de 78, pelo técnico Cláudio Coutinho.

Naquela época, o referido sujeito, que então treinava a seleção brasileira, também inventou de cunhar nomes exóticos para jogadas simples. Assim, o mero deslocamento do lateral até a linha de fundo, para receber a criança mais adiante, foi classificado com o nome pomposo de overlaping, ponto futuro.

Resultado? o time canarinho terminou a competição de modo invicto, cheio de gueri-gueri, mas quem, de fato, levantou o caneco foi a argentina, com o auxílio luxuoso da seleção peruana.

Porém, tudo isso são águas passadas que não movem redemoinhos.

Além disso, tempos depois, esta história de campeão moral foi completamente desmoralizada, especialmente aqui na Bahia, porque a escrota imprensa (desculpem a redundância) começou a entregar diversos títulos de campeão moral para uma agremiação que num ganhava nada desde a segunda guerra mundial. E estes títulos, ao tempo em que serviam de consolo para os iludidos, acabaram por proporcionar sua própria ruína, já que eles começaram a se contentar com glórias inexistentes. E, como diria o grande Orestes Barbosa na voz vibrante e vibrática de Sílvio Caldas, tornaram-se apenas palhaços das perdidas ilusões.

Mas, chega de tratar de assuntos da zona. Este é um recinto honrado, e não um puteiro.

Vamos, então, falar de jangada, que é pau que bóia.

A verdade, esta menina traquina que salva e liberta, é uma só. O Esporte Clube Vitória está prestes a se tornar o primeiro time de todo o Norte e Nordeste a ser campeão brasileiro de fato e de direito. Repetindo para fixar a lição na cabeça dos distraídos. O Esporte Clube Vitória caminha a passos céleres e seguros para se tornar o primeiro campeão brasileiro de nossa sofrida região.

Ah, sêo françuel, mas num teve um time aí, de dias dávila ou de itinga, que venceu uma torneio nacional?”, pergunta-me a moça do shortinho Gerasamba.

E eu, sempre paciente com a referida, respondo. Sim, minha comadre, é fato. As referidas injúrias ganharam torneios, não campeonatos. Teve uma vez até que, num mata-mata, receberam (lá elas) 6 x 0 do Sport e ainda assim ficou com o desmoralizado caneco.

Porém, agora, não. Desta vez é diferente. É título pra valer. Campeonato de pontos corridos onde efetivamente sabe-se quem é o melhor do Brasil.

E o fato é que, até este momento, além de se dirigir rumo ao inédito titulo, O brioso Leão apresenta, de chaleira, a mais ESPETACULAR campanha da história.

Aos números.

Depois do consistente e convincente triunfo diante do tinhoso Ceará, o Rubro-Negro atingiu a marca de 44 pontos no primeiro turno, feito jamais conseguido por nenhuma outra agremiação.

Às comparações.

O Atlético Mineiro, campeão de 2006, terminou o primeiro turno com 29 pontos. No ano seguinte, o Coritiba fez 35. Já o todo poderoso Corinthians atingiu 39. O Vasco foi quem foi mais adiante, fechando este primeiro ciclo com 40. A Portuguesa, último time a conquistar o Dilmão do B, conseguiu 38 pontos.

Portanto, amigos, é óbvio que não devemos comemorar título de campeão moral até porque, como já disse, isto serve apenas para os peixes pequenos.

No entanto, contudo, todavia, entretanto, devemos e podemos comemorar esta BRILHANTE campanha que vai nos levar a um histórico título de campeão. Título este que honrará, lavará e enxaguará a alma de todos os nordestinos, que assim terão efetivamente um verdadeiro campeão brasileiro.

Como deveremos ser o primeiro a conquistar um campeonato de tal magnitude destaco que a honraria seja também extremamente digna. Uma estrela de diamante. Sim, de diamante.

O resto é choro, ranger de dentes e secação, secação esta que fez bem à cidade. Afinal, eles secaram tanto que a chuva foi embora e o sábado amanheceu brilhando. Pena que neste domingo, voltam as lágrimas para alagar as esburacadas ruas da província.
Mas, né comigo, não. Eu quero apenas botar meu bloco na rua e gritar com o povo do Norte e Nordeste de Amaralina. “Puta que pariu, o Vitória é o melhor time do Brasil

Caneladas certeiras

agosto 25, 2012

Não que eu queira tirar onda de profeta, até porque num é de meu feitio, mas, conforme previ na semana passada, o Vitória brocou. Bom, é claro que não sou Mãe Diná, porém de vez em quando dou minhas cacetadas. E, de vez em sempre, dou minhas caneladas também. Portanto, ei-las:

Nos momentos decisivos é que se conhece um grande goleiro. Deola descansou durante todo o primeiro tempo (foi exigido apenas numa cabeçada, já no finalzinho), mas mostrou tudo o que sabe na segunda etapa. Só faltou fazer chover. Com as mãos e com os pés, fez uma partida simplesmente impecável e garantiu o resultado.

Pelas laterais, Nino esteve apagado durante quase a totalidade do jogo, só melhorando um pouco no segundo tempo. Bem marcado, o Paraíba errou bastante e não apoiou como de costume. Pelo potencial que tem, ficou devendo. Do outro lado, Gilson esteve melhor, foi à frente e conseguiu boas triangulações, inclusive com participação em dois dos nossos gols.

No miolo de zaga, Victor Ramos vacilou no lance do pênalti, numa jogada manjada de atacante que faz a parede e gira dentro da área. Ainda no primeiro tempo também errou em bolas aéreas. Na segunda etapa conseguiu se firmar, subindo de produção junto com o restante da equipe. Gabriel manteve um maior equilíbrio durante os 90 minutos, jogando sério e cometendo menos erros que seu companheiro de zaga. Também conseguiu assustar bastante os adversários com aquele moicano bizarro.

Muito bom o futebol apresentado por Uélliton. Quando o camisa 5 quer jogar sério, não tem pra ninguém. Defendeu com vontade e mostrou qualidade no passe em diversos momentos, bateu falta com perigo, jogou pra frente, reclamou, tomou cartão, em suma, foi o nosso capitão. Na segunda etapa deu lugar a Rodrigo Mancha, que, se não mostrou a mesma qualidade, também não comprometeu na marcação. Michel também manteve a regularidade durante todo o jogo e foi fundamental no povoamento do meio-de-campo, evitando com sucesso as penetrações (lá elas) do time cearense.

A grande vantagem de Pedro Ken é que ele dificilmente erra passes. Assim, consegue transformar a lucidez do seu pensamento em boas jogadas. Na metade da competição, já dá pra dizer que ele é o “maestro” do time. E ainda concluiu com frieza uma jogada tramada e executada com velocidade desde a defesa rubro-negra. Assim como ele, Willie também esteve mais preso na marcação na primeira etapa, porém, com o desespero da equipe cearense, o garoto conseguiu aproveitar os espaços e deu um calor danado na defesa adversária. E principalmente porque, a partir dos 15 minutos, jogou como atacante, posição onde mais rende e de onde saiu bela jogada pro gol da virada rubro-negra. Rodrigo Costa entrou em seu lugar apenas pra reforçar a defesa e garantir o placar favorável.

Nosso ataque no primeiro tempo foi quase inoperante, a não ser pela boa jogada de Elton, que recebeu de Gilson e cruzou rasteiro, no lance do gol de empate. Na segunda etapa, foi a vez do camisa 11 receber assistência e completar para as redes, após bela jogada de Willie. Saiu faltando 15 minutos. Em seu lugar entrou Tartá, com uma incrível fome de bola (tanto que foi fominha demais em alguns lances e recebeu bronca de Carpegiani). Particularmente, prefiro Tartá ao lado de Pedro Ken no meio-de-campo. Mesmo com pouco tempo, ele foi bastante efetivo nas jogadas de contra-ataque. William, mais uma vez, brocou quando teve oportunidade. E mandou outra na trave. Centroavante é isso. E com 4 gols em 4 jogos, não há o que contestar.

Carpegiani colocou pra jogar o time que já está na ponta da língua do torcedor. Como frisei, prefiro Tartá no lugar de Willie (que tem jogado melhor como atacante). Mas prefiro mais ainda ficar aqui só dando pitaco. O técnico acertou nas substituições e jogou (como sempre joga) pra cima do adversário, dentro ou fora de casa, o que, sem dúvida, nos enche de orgulho.

A partida foi tecnicamente muito fraca no primeiro tempo, mas, ao final, prevaleceu nosso melhor futebol. Soubemos aproveitar as deficiências do Ceará e “matamos o jogo” no momento oportuno. Fim do tal “primeiro turno”, e sabem vocês o que isso significa? Rigorosamente nada. Afinal, título de “campeão moral” só serve pra jornal sem-moral e pra torcedor iludido (porque iludido é pior que doido). O Vitória luta para ser CAMPEÃO DA SÉRIE B e, até dezembro, há um longo caminho a ser percorrido. Agora é hora de equilíbrio emocional, humildade e, principalmente, dedicação total dentro de campo.

Terça-feira teremos pela frente o lanterna Barueri. Mas é bom que ninguém se engane com a sopa de tamanco que encontraremos. Preparem seus saca-rolhas, pés-de-cabra e demais apetrechos para mais um ferrolho que se avizinha. A vantagem é que, a julgar pelos baxVi’s de 2012, não vai ter pra ninguém. Continuaremos atropelando!

Vamos que vamos! Rumo ao título!

BARRADÃO X NOVA FONTE NOVA: UM DEBATE URGENTE E FUNDAMENTAL

agosto 20, 2012

POR JEAN GERBASE *

Durante os últimos 2 anos, tem sido recorrente a veiculação de algumas notícias (por vezes desencontradas) acerca do tema “Barradão X Nova Fonte Nova”. Sem dúvida, trata-se de assunto de fundamental relevância para os destinos do E.C.Vitória, o que me motivou a buscar algumas informações e, principalmente, refletir, sobre aquilo que, na minha opinião, é o melhor caminho para o Clube. Assim, chegou a hora de externar meus pontos de vista.

Por óbvio, não quero aqui desmerecer nem refutar as diversas posições a respeito do tema, algumas que, inclusive, considero brilhantes. No entanto, diante de uma certa convergência de opiniões em prol da mudança do nosso mando de campo (o que, confesso, me deixa deveras incomodado; não a mudança em si, mas a convergência do discurso), sinto-me à vontade para fazer o papel de “advogado do diabo”. Além disso, mais do que pertinente, considero necessário buscar sempre o discurso do lado minoritário. Tentar, sempre que possível, mudar o ângulo de visão das coisas. Estabelecer a dialética, o confronto de ideias, essas tolices… O fato é que muito me apraz discutir este tema específico e também defender o meu ponto de vista.

Felizmente, pra sorte dos leitores, não iniciarei este tratado pelo Big Bang. Mas, por uma época próxima. Logo em seguida, no tempo em que eu e muitos outros rubro-negros escalávamos (literalmente, com pés e mãos) os monturos de lixo, nas cercanias do Barradão. Lembro que, às vezes, executávamos a façanha debaixo de muita chuva e completamente no escuro. O curioso é que, dito assim, fica parecendo uma alegoria, força de expressão ou enorme exagero, porém, só quem passou pela insana experiência consegue dimensionar a gravidade da situação. Por certo, ainda remanescem muitas testemunhas daquele período, malgrado possíveis sequelas de leptospirose e afins.

Pois é. Assim era a empreitada e lá íamos nós, torcer para o nosso time. No meu caso, porém, admito, fazia-o muito a contragosto. Maldizia a cada minuto aquela ideia “maluca” de tirar os jogos do Vitória da Fonte Nova. Simplesmente, não me conformava em ter que passar por toda aquela agonia (quem é do tempo do “Pernoitão” lembrará como era edificante o transporte público nas madrugadas soteropolitanas). E o pior: intramuros, dentro de campo, também sofríamos bastante. Então, desde esta época, cansava de ser espinafrado pelos colegas, em discussões (primeiro, presenciais; depois, virtuais), pois sempre fui uma das poucas vozes que defendiam de maneira intransigente a nossa volta para a Velha Fonte… E, nesta toada, muito tempo se passou.

(Pausa para Filosofia de Botequim)

Eu falei “tempo”?… É mesmo, o tempo… esse senhor grisalho, grande comediante. E grande culinarista também. Adora fazer mousse, colocando todas as nossas certezas e convicções dentro do liquidificador e…

(Um Salto no Tempo)

Hoje estamos no século XXI. De lá para cá, nosso Vitória cresceu bastante, sem dúvida. O lixo se foi (ainda nem era chamado de “resíduo sólido”), mas o nosso sofrimento permaneceu. E muito por conta das dificuldades impostas pela lida diária com Federações, Tribunais, Prefeituras, Governos, etc. Porém, eis que, de repente, como num passe de mágica, o Clube passou a ser cogitado para ser “parceiro” deste mesmo Poder Público e de outras entidades não menos capitalistas.

Confesso que estaria aqui sustentando opinião diversa, caso estivesse tratando sobre qualquer país sério, que respeita minimamente as entidades desportivas, os contratos firmados com instituições privadas, etc. Da mesma forma se estivesse tratando de qualquer empresa ou empreendimento não relacionado ao esporte. Todavia, estamos falando de FUTEBOL, que, neste país, infelizmente, não prima por parcerias transparentes, contratos bem escritos, números ou estatísticas bem formuladas. Os ingredientes aqui são: paixões clubísticas, falta de transparência, quilos de politicagem, altas doses de interesses escusos e uma pitadinha de Código Penal, só pra dar o gosto.

Assim, não concordo com a nossa mudança de mando de campo, simplesmente PORQUE ESTAMOS NO BRASIL. Pior: ESTAMOS NA BAHIA, que (vale aqui o batido jargão) “é o Brasil levado às últimas consequências”. Não adianta nos iludirmos. Conhecemos muito bem o modo de fazer política nessa terra e, ao que me consta, nada mudou (nem há indícios de que mudará) pra melhor, em relação ao Vitória.

Sem mudar de assunto, digo que essa Copa do Mundo não era nem para ter vindo pro Brasil. Fomos vencidos pelo interesse no capital político decorrente do evento (o tal “efeito econômico da felicidade”). Agora, eles precisam arranjar alguém pra pagar essa conta. E vão correr atrás disso, ah, isso vão! A Copa é maravilhosa, não é? Pois vejam qual foi a grande herança da África do Sul, passados 2 anos do último evento. Os caríssimos elefantes brancos ficaram por lá, junto com as dívidas astronômicas e a falência de centenas de empresas. Sobre o tema, recomendo a leitura da entrevista do pesquisador sul-africano Eddie Cottle, autor do livro “Copa do Mundo da África do Sul: Um Legado Para Quem?” (disponível em: http://portal.andes.org.br/imprensa/noticias/imp-ult-1765234390.pdf). Também recomendo o vídeo esclarecedor: http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1069576-apos-dois-anos-africa-do-sul-ainda-paga-conta-de-estadios.shtml

(Pausa para Diálogo Subliminar)

África do Sul: – E agora, Dona FIFA, o que eu faço com o “legado” que a senhora nos deixou?

FIFA: – Cê conhece Neco?

(Caindo – de cara – na Real)

Senhores, o grande problema, é que o estelionatário, o traficante, o estuprador, não traz escrito na testa a sua real (e péssima) intenção. Muito ao contrário. Eles sempre abordam suas vítimas com uma conversinha bonita, muitos elogios, falsas promessas e garantias mis de um futuro maravilhoso. Lembremos que deste lado do Atlântico, a irresponsabilidade e o fisiologismo é tamanho, que o Governo do Estado da Bahia, mesmo sabendo que a vinda da Copa e a reforma da Fonte Nova seriam inevitáveis, apressou-se em gastar a bagatela de 55 milhões de Reais para reformar (sem licitação) um estádio de futebol, tão somente por conta da vontade pessoal de presentear um pequeno grupo de sem-teto de Lauro de Freitas. Pergunto: se fosse o Vitória, cairia no nosso colo semelhante benesse?

É claro que tudo foi feito dentro da mais completa legalidade. Aliás, jamais vi o Poder Público agir de forma arbitrária ou ilegal. Tudo ocorre sempre dentro da mais lídima conduta e conforme os mais nobres interesses. Lembrei agora de um ditado muito comum no âmbito público: “Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei.” Pois podem ter certeza de que, no momento em que abandonarmos o Barradão, seremos reféns daqueles que, a bem da verdade, jamais esconderam suas preferências pessoais. Em verdade, só o tema “má-vontade para com o Vitória” daria um livro inteirinho. Então, será assim: para o Vitória, a lei (e seus rigores); já para os outros, sobrou… o “tudo”. Isso é que é parceria, hein?

Pois muito bem. Tratarei, agora, de outro ingrediente que considero importantíssimo na referida negociação: da porta para dentro, o Vitória é conhecido por possuir uma gestão trôpega e amadora. Agindo desta forma, não há mudança de estádio que consiga alterar a realidade dos fatos. Se a mentalidade e a forma de administrar o Clube não mudarem, seremos sempre pequenos, mesmo que nos deem de presente o Wembley Stadium ou o Santiago Bernabeu.

Ora, se o valor do aluguel da Fonte Nova é próximo do gasto com a manutenção do Barradão, então, deve-se optar pelo equipamento mais moderno, correto? ERRADO! DEVE-SE, ISTO SIM, PROCURAR DIMINUIR O GASTO EXCESSIVO COM A MANUTENÇÃO. Agora, se continuarmos fazendo, por exemplo, reformas de gramado de 4 em 4 meses (custaram quanto mesmo?), como ocorreu em passado recente, aí realmente ficará difícil… Então, repito: CADÊ A GESTÃO? CADÊ O PROFISSIONALISMO? Mudar de estádio é somente uma maneira de dourar a pílula, posar de moderninho, embolsar um troco e, de forma inconsequente, arriscar-se a assumir problemas que não são nossos. Aí, é afundar de vez e desaparecer.

Outra coisa de que gosto bastante são os chavões de adesão à modernidade; eles são ótimos: “…o mundo muda…”, “…precisamos nos adequar à nova realidade…”, “não podemos perder o bonde da história…”. Engraçado, ninguém fala que o tal “bonde” vai voltar de ré uns 30 anos, ao recolocar na extrema penúria os milhares de habitantes do bairro de Canabrava e adjacências, os quais vivem quase que exclusivamente em função do Barradão. Ué? Responsabilidade social também não é um tema modernoso? Ou será que ele só existe quando não atrapalha os interesses da “zelites”, dos politiqueiros, das empreiteiras e suas obras faraônicas?

Querem ver outra? “…o Barradão é um estádio inviável, tanto do ponto de vista estrutural quanto de acesso viário…” Bom, já que sempre gostam de comparar a dupla Ba/Vi com Milan/Inter, então, peço licença para comparar também: na década de 30, Hitler fazia seus discursos no Estádio Olímpico de Berlim. Pois ele está lá ATÉ HOJE (não Hitler, o estádio!), e foi palco da final da Copa de 2006. Completamente remodelado, é verdade, mas ainda é o maior e mais importante estádio da Alemanha. Então, o Barradão (que é da década de 80), é antiquado e impossível de ser reformado? Ora, ora, ora, volto a dizer: o que precisamos é de GESTÃO SÉRIA, PLANEJAMENTO, TRABALHO E FIRMEZA DE PROPÓSITOS.

E seguindo no melhor estilo “a grama do vizinho é mais verde”, leio também rasgados elogios ao Centro de Treinamento do Atlético/MG, a popular “Cidade do Galo”. Curiosamente, o referido empreendimento ocupa uma área com modestos 244.460m². Isso mesmo, modestos. Pelo menos se comparados aos mais de 400.000m² de um certo Complexo Desportivo Benedito Dourado da Luz… Sem falar na localização privilegiada do Barradão, em área de crescente valorização imobiliária e próximo ao centro de Salvador (falo do Iguatemi, ou alguém ainda acha que o centro da cidade é na Rua Chile ou no Campo da Pólvora?). Portanto, repito: o problema do Barradão é 90% político e 10% estrutural. E o mesmo se diga em relação à acessibilidade. Neste particular, nada que uma desapropriação de um corredor de casas não dê jeito (algo próximo do insignificante, se comparado às obras do metrô, por exemplo). E nem vou falar do eterno lamaçal do estacionamento, pois esta é mera questão de pavimentação (e de lerdeza, avareza, falta de empenho, etc).

Com efeito, o que mais me impressiona é quando ouço: “o problema do Barradão não é o Barradão; é o entorno do Barradão”. Ô mô pai…, então o problema não é o nosso Santuário, e sim a falta de infraestrutura do bairro no qual ele está localizado. Assim, é um problema cuja solução foge do nosso controle, mas que, por si só, NÃO JUSTIFICA uma mudança tão drástica de rumos. Sejamos sinceros: em quantos jogos passamos 1 ou 2 horas parados no estacionamento? A depender do desempenho do time, umas 4 ou 5 partidas por ano, no máximo. Então, convenhamos, vias de acesso não são, nem de longe, um problema intransponível. É claro que a Prefeitura do Salvador, que desapropriou, no ano de 2010, cerca de 4,7 milhões de m² para adequação do sistema viário da Fonte Nova e Av. Paralela, poderá fazer o mesmo em benefício do Barradão. Mas para isso… só se deixar de lado a velha MÁ-VONTADE CRÔNICA DO PODER PÚBLICO.

Conforme exposto, em tudo e por tudo, esbarramos sempre nos problemas cruciais do Vitória: FALTA DE GESTÃO PROFISSIONAL e a ETERNA MÁ-VONTADE DO PODER PÚBLICO. O E.C.Vitória, se possuísse uma diretoria moderna e capaz, no mínimo, já estaria com uma equipe multidisciplinar estudando o assunto há muito tempo. Administradores, economistas, engenheiros, juristas, sociólogos, arquitetos, tudo para chegar a uma conclusão com o mínimo de transparência e seriedade. Porém, nós sabemos que não vai ser bem assim…

(Pausa Para um Recadinho)

– Você já conhece a nova iogurteira Top Therm?

– Não, mas em compensação, conheço um estádio alemão da década de 20, reformado em 2006, que se parece muito com o Barradão. É olhar a foto abaixo e se deliciar (com boa vontade, dá até pra enxergar a TUI…).

(De Volta ao Batente)

Pois então, não estou aqui dizendo que o nosso Santuário é a oitava maravilha do mundo (no máximo, é a sexta). Mas ele, aos trancos e barrancos (mais barrancos do que trancos…), é o patrimônio que conseguimos obter até aqui. Também já ouvi: “vende-se o Barradão e constrói-se um Centro de Treinamento de 1º mundo”. Mais uma ideia temerária, pois patrimônio se amplia, não se negocia. E principalmente, porque “dinheiro na mão é vendaval” e, no caso do Vitória, o dinheiro quando entra, ninguém sabe ao certo quanto foi; e, quando sai, nunca se sabe ao certo pra onde vai. Querem um CT de 1º mundo? ORGANIZE-SE, PROJETE, TRABALHE COM AFINCO E HONESTIDADE! O PROBLEMA DO VITÓRIA É GESTÃO, E NÃO FALTA DE DINHEIRO.

Num passado recente já nos desfizemos de nosso patrimônio ao vendermos a maioria das ações do Vitória S/A ao Exxel Group. Lembram? Só alegria, fizemos a festa, altas contratações de jogadores e aí… chegou a conta pra pagar. Resultado: suamos sangue pra reaver tudo. Vou repetir: ter patrimônio é ter o poder de se impor; é estar, no mínimo, em pé igualdade com o outro, é ter capacidade de negociar o que lhe for mais vantajoso. Percebam que, mesmo guardando a devida distância das questões afetivas, entendo que vender o Barradão seria a pior das soluções.

É que a gente já está acostumado e nem repara, mas com o Barradão, temos nosso poder de barganha, sim. Nossos adversários (dentro e fora das 4 linhas) tem que nos engolir e ficar caladinhos. A imprensa fala fino no Barradão (ou, pelo menos, noutros tempos, falava). Rivais e ex-rivais, idem. FBF e arbitragem, idem, idem. Vejam que até o Poder Público utiliza o único meio de que dispõe para nos atingir, dentro do nosso estádio: a polícia. Imagine o que não sofreríamos num estádio público e sem casa pra retornar. Infelizmente, com essa profusão de “gênios” que anda transitando pelo nosso Clube, passamos meses sem nem fazer valer o nosso mando de campo contra equipes de 2º e 3º escalão. E por que? Porque FALTA GESTÃO, FALTA PROFISSIONALISMO. FALTA COLOCAR GENTE COMPETENTE PRA TRABALHAR.

E digo mais: nas décadas de 80 e 90, quando deixamos a Velha Fonte e assumimos de vez o Barradão, nossa média de público não caiu vertiginosamente. Da mesma forma, o retorno à Nova Fonte Nova não nos daria nenhum upgrade fenomenal. Talvez até nos primeiros jogos, por conta da novidade, mas apenas isso. Sem falar no prejuízo causado pela elitização do espetáculo (tema importantíssimo e que demanda minucioso exame), já que o preço proibitivo dos ingressos excluiria um enorme contingente da população que hoje frequenta a nossa Casa. E outra: o Vitória é um Clube centenário e cheio de história. Não pode pautar sua vida em função de times inexpressivos, nascidos em chocadeira. Mesmo porque, depois do Ninho do Pássaro (em Pequim) e da Calabash (em Johanesburgo), não dou muito tempo pro “Tacho de Acarajé” se transformar no “Pinicão III, A Missão”.

E ainda vou além: não basta fazer um jogo de inauguração com direito a 50% do público, para se tornar “dono” de um estádio. Muito menos trocar o nome e a iluminação nos dias dos nossos jogos. Pergunto: será que metade do estádio também será pintada de vermelho e preto? Ou ficaremos confortavelmente instalados em poltronas convenientemente confeccionadas com as cores do nosso Estado? E a nossa querida imprensa? Aquela mesma, que passou anos sem noticiar a conquista de campeonatos baianos pelo Vitória na década de 60 (o maior boicote contra um time de futebol, jamais visto em toda a história do jornalismo esportivo mundial). Será que desta vez ela vai utilizar todos os seus mecanismos para fortalecer a nossa marca e a nossa presença no estádio? Nos tratará ela como legítimos proprietários, em condições absolutamente iguais às do nosso ex-rival? Façam suas apostas…

Portanto, peço que ponham a mão na consciência e respondam: qual atitude nos trará maior prejuízo: “insistirmos no Barradão e só após alguns anos entendermos que foi um erro”, como já se disse, ou “embarcarmos na aventura das parceiragens governamentais e percebermos que a venda/sucateamento do Barradão foi um péssimo negócio”, como estou afirmando agora? Bom, no 1º caso, a consequência seria “seremos tratados como visitantes”. Já no 2º caso, o resultado seria: vamos vender as cuecas de diretores, conselheiros e torcedores, para tentar erguermos uma nova arena Rubro-Negra.

É como diz o ditado: “Você até pode vestir um smoking num bode, mas ele continuará sendo um bode”. Quem precisa da Fonte Nova é quem não tem estádio (e nunca terá). É quem sobrevive à custa da mendicância dos favores públicos. Recordo que ninguém pagou por arruinar (ou seria “ruminar”?) toda a grama da Fonte Nova e arrebentar tudo dentro do estádio em certa ocasião. Mas nós do E.C.Vitória recebemos a conta por meia-dúzia de cadeiras queimadas no Negopolitano, lembram? (Obviamente, tudo dentro da lei, contrato assinado, tudo certinho, como manda o figurino). Destarte, este é o risco que corremos: tornarmo-nos parceiros de um blefe.

Além disso, afirmar que o Vitória “é só um detalhe”, que “não é essencial para a conclusão do negócio”, faz parte da estratégia, do canto da sereia. É claro que, no primeiro momento, ninguém vai colocar o Vitória como o fiel da balança. Dar a ele o poder de decisão sobre uma negociata que envolve bilhões de reais. Porém, como já tenho 32 dentes, não posso mais acreditar que o Rubro-Negro tenha sido convidado somente por seus lindos olhos. Creio, sim, que ele é o único time que tem PODER DE ESCOLHA (pois possui seu próprio estádio) e que sem ele o empreendimento é economicamente inviável. Na minha modesta opinião, o Vitória nem teria sido consultado, caso não fosse uma peça absolutamente necessária e fundamental nesta engrenagem. E no dia em que deixar de sê-lo, chutam-lhe o traseiro (e o nosso, por via de consequência) sem dó nem piedade.

Enfim, finalmente, finalizo: pra mim, todo esse povo se merece uns aos outros. Até porque já estão acostumados a maracutaias, laranjadas, tapetões, impunidade em tragédias que causam mortes, além de muitas outras chagas, próprias da sujeira e da promiscuidade que grassa por aquelas bandas. Pois que se danem todos. Juntos e abraçados. Eu é que não me misturo. E gostaria imensamente que o meu time de coração também não se misturasse. Aliás, nestas horas, costumo lembrar do conselho que minha mãe (e a de todas as pessoas de bem) sempre nos dedicou com enorme sabedoria: “meu filho, quem com porcos se mistura…”.

Amigos, acreditem, não estou aqui sendo pessimista, revanchista ou algo do gênero. Escusas, se deixei tal impressão. Apenas procurei ser o mais racional possível e, acima de tudo, bastante pragmático, pois o tempo está se esgotando. A banca está dando as cartas. Os jogadores, fazendo suas apostas.

E você, Torcedor Rubro-Negro? Vai pagar pra ver?

* Este texto é subscrito pelos seguintes torcedores do Esporte Clube Vitória.

1- Adriano Silva Vieira

2 -Anderson Pedreira Nunes

3 – Daniel Santos Silva

4 – Danilo Santos

5 – Fernando Oliveira de Souza

6- Franciel Cruz

7-  Irlan Simões da Cruz Santos

8- Jairo Aragão

9- João Osvaldo de Sousa Andrade

10- João Werther Filho

11 – Jucimar Santos

12 – Lipe Ribeiro Teixeira Silva

13 – Matheus peixoto de Oliveira

14- Mário Sérgio Botelho Brasil

15- Maurício Guedes

16 -Ricardo Cury

17 – Ricardo Manoel Jacinto Junior

18 – Ronival Rodrigues Pereira

19 – Teresa Ribeiro

20- Thiago Matos

21- Tiago Campello

22- Júlio Sandes

23 – Diógenes Baleeiro

24- Haroldo Mattos

25- André Veiga Trevisan

26- Marco Vinycios dos Santos Passos

27- Billy Dórea

28 – Elmo Campos

29- Jean Marcel Leite e Rodrigues

30- Danilo Oliveira

31- Helder de Almeida Pires Caldas 

32 – Lenon Lopes

33- Fabio Ribas Moreira

34 – Cleiton Alves

35- Enéas Barreto

36 – Márcio Pereira Reis

37 – Avelino Pereira dos Santos Neto

38 – Victor Linhares Souza

39 – Vladimir Baleeiro

40 – Luis Felipe Machado

41 – Omar Daiha

42 – Claudio Rocha

43 – Jéssica Oliveira

44 –  Lucas Pastori Almeida

45 – Humberto Sampaio

46 – Janison Ribeiro

47 – Newton Barreto

48 – Lucas Serra

49 – Renan Diego

50 – Paulo Cesar

51- Vinicius Ledo

52 – Luis Joacy Barreto de Matos

53 – Everton Lessa

54 – Juvenal Oliveira Tavares

55 – Paulo Almeida

56- Emanoel Durezz

57 – Édipo Nery

58 – Sebastião Alves Santana

59 – Léo Couto

60 – Joselito Barbosa

61- Sérgio H. Vigas

62 – Reinaldo C. de Cerqueira Filho

P.S Este documento está aberto a novas adesões e também a mudanças e acréscimos. Depois, iremos entregá-lo à diretoria do Vitória para uma reflexão e para estabelecermos um debate sério e amplo. Portanto, você pode concordar ou discordar de nosso posicionamento, só não deve é se OMITIR neste momento fundamental de nosso Clube. Opine e participe.  

Um problema oftalmológico

agosto 20, 2012

De prima, advirto que a patacoada das próximas linhas estará prejudicada por um pequeno problema oftalmológico: é que desde ontem, depois do 1º gol do Leão, NÃO VEJO MAIS NINGUÉM NA MINHA FRENTE!!! Então, mais do que nunca, protejam as canelas!

Como imaginávamos, o retorno de Deola trouxe a tranquilidade necessária debaixo dos três paus e também na arquibancada. Em verdade, ele participou pouco do jogo. Defendeu um ou dois chutes e, como de hábito, demonstrou firmeza, mesmo com a bola molhada. Em momento que tomávamos sufoco, nosso goleiro saiu bem nos pés de um dos atacantes, pra abafar um lance muito perigoso. Muito vaidoso, se não tivesse cortado as unhas, teria pego o pênalti.

Nino foi um dos poucos que conseguiu manter certa regularidade nos dois tempos da partida. Longe de ser excepcional, levou o time ao ataque em algumas ocasiões (foi dele o cruzamento pro segundo gol) mas foi um dos protagonistas do “apagão” defensivo que resultou no gol catarinense. Na esquerda, Gilson variou entre um primeiro tempo bom e um segundo tempo irregular, bem abaixo do que mostrou nas primeiras partidas com o manto rubro-negro. Só deu pro gasto naquele setor.

Mal acostumado com o futebol de Victor Ramos e Gabriel, desta feita, vi uma partida fraca dos nossos zagueiros. O camisa 3 (certamente preocupado com as finais da Fazenda 5) não antecipou jogadas, perdeu na corrida pros atacantes catarinenses e, junto com Nino, ficou indeciso na marcação, na jogada que culminou no pênalti a favor do Joinville. Gabriel também vacilou bastante, chutou o vento, etc. Na falta do bom futebol, garra e determinação foram fundamentais pra manter o resultado.

Na frente da zaga, Uélliton tabelou (e quase marcou) numa pintura de jogada tramada com Elton, no primeiro tempo. Mas parece que se deslumbrou com o lance e, a partir daí, resolveu desfilar em campo. Sem a habitual seriedade, iritou a torcida abusando das divididas com o biquinho da chuteira. Michel foi mais seguro. No ataque, esqueça; mas correu bastante pra marcar. Sem fôlego, também caiu de produção no segundo tempo, o que atraiu o time adversário, que jogava com 1 a menos.

Pedro Ken foi outro que não fez uma grande apresentação. Tentou cair pelos lados do campo (e escorregou bastante por ali também) e fez boa jogada na linha de fundo, no lance do primeiro gol. Mas seu melhor lance foi num contra-ataque em que penetrou pelo meio, chutou no cantinho mas o goleiro catarinense (que é um ogro, não corta as unhas) conseguiu colocar pra escanteio. Saiu cansado (e aplaudido) pra dar lugar a Arthur Maia. Com pouco tempo pra mostrar seu futebol, a “eterna promessa” ainda conseguiu dominar uma bola de canela e ligar um contra-ataque adversário. O resto do tempo, prendeu bola no ataque. Willie, apesar de um primeiro tempo bastante participativo, não possui o estofo necessário pra ser o titular da camisa 10. Concluiu o “apagão” da defesa rubro-negro fazendo um pênalti bobo. Na segunda etapa, caiu muito de produção, o que aumentou o buraco da meiúca (e elevou a pressão arterial dos torcedores).

No ataque, William mostrou que é oportunista. Estava no lugar certo, na hora certa e fez o centésimo gol do Leão na temporada. Enquanto teve um companheiro ao seu lado, deu trabalho à defesa do Joinville e, juntamente com Elton, prendeu a zaga adversária no próprio campo. No segundo tempo, jogou praticamente isolado e pouco produziu. Elton estreou e fez o seu papel. Buliçoso, foi escalado para surpreender o adversário, jogou 45 minutos e brocou. Isto sem falar na mais bela assistência da noite, na referida tabela com Uélliton. Cansado, saiu no intervalo, dando lugar a Marco Aurélio. Este conseguiu errar tudo o que tentou. Sonolento, desligado, nada produziu no ataque, muito menos na marcação. Tanto assim que saiu meia hora depois de entrar. Tartá foi a campo muito mais pra segurar a bola lá na frente do que tentar ampliar o marcador. Junto com Arthur Maia, conseguiu o objetivo.

Carpegiani surpreendeu positivamente ao escalar Elton. Mas também negativamente, com as entradas de Marco Aurélio e Arthur Maia. A uma, porque os dois não vêm atuando regularmente e, principalmente, porque o treinador tinha melhores opções no banco. Pelo menos, enxergou a bobagem que fez e tentou desfazê-la. Conseguiu remediar a tempo, todavia, precisa dar prioridade ao “feijão-com-arroz”, pra não deixar escapar pontos importantes, dentro ou fora de casa.

Apesar da superioridade numérica, foi uma partida muito difícil para o Vitória, principalmente no segundo tempo. Não à toa o Joinville está no G4. Eles vinham numa sequência de 5 triunfos e tiveram um goleiro inspirado, que operou alguns milagres ao longo da partida. Há também que salientar a sequência de jogos do nosso time na última semana, o campo pesado, etc. Agora, as mudanças de Carpegiani refletiram (pra pior) no nosso meio-de-campo e na nossa defesa, o que nos fez passar por maus bocados; senão nas oportunidades de gol, mas no domínio territorial da equipe catarinense. No final, valeu pelos 3 pontos, pelas lições de humildade que precisamos aprender até o final da competição e, sobretudo, pela tão almejada LIDERENÇA DO CAMPEONATO BRASILEIRO DA SÉRIE B!

E agora, depois do cume, só o título interessa! É partir pra encerrar com chave de ouro este maravilhoso e surpeendente 1º turno. Na próxima sexta-feira, os cearenses, humoristas por excelência, terão motivos de sobra pra chorar no pé-do-índio-Peri…

Para o alto! E além!

Fidel Castro sabe das coisas

agosto 18, 2012

O ponteiro do relógio marcava exatamente 15h34 de sexta-cheira quando estourou a bomba na arroba Gobierno de Cuba. “President Raúl Castro confirms the death of Commander in Chief Fidel Castro Ruz today in La Habana”.

PUTAQUE PARIU O ALVOROÇO!

Sim, é verdade que Fidel já faleceu umas 568 vezes, mas, ainda assim, ao ouvir o fatídico anúncio senti como se tivesse morrido alguém de minha família.  E comecei a fuçar em todos os recônditos da internet, se é que esta disgrama possui recônditos, para confirmar a notícia.  Mas, quá! Nécaras e nada. Bem que eu desconfiei que Fidel não ia sair da história para morrer no twitter. O lado bom foi que confirmei, uma vez mais, que aquela rede social de micro resmungos serve somente à boataria imperialista.

Ah, minha comadre, tenha a sua calma, num é nada disso que a senhora está pensando. A dor e as reclamações não ocorreram exatamente por afinidade ideológica, pois deste vício já me libertei há algum tempo, mas sim por questões de muito maior relevância. É que, naquele exato instante que explodiu o boato, este agoniado locutor estava arrumando a papelada na repartição para poder ir orientar o Rubro-Negro rumo à liderança da briosa Segundona. Vale registrar que a referida papelada era documento importante mesmo, nada a ver com papel de seda colomy, conforme pode pensar os maledicentes.

E antes que estas mesmas línguas ferinas digam que 15h49 (sim, amigos de infortúnios, o tempo passa) num é hora de ninguém abandonar a labuta, informo que foi por uma causa nobre.

Seguinte foi este.

Havia prometido a Lázaro Toca Raul (como assim, num sabem quem é? Não se preocupem. Daqui a pouco, uns oito parágrafos adiante, vocês saberão) que o levaria para conhecer o Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico, Manoel Barradas, o Monumental Barradão no mesmo dia da morte de Fidel. E pior. Na mesmíssima data em que eu prometera também (alô, Dias Gomes) levar a menina Izabel Marcílio ao referido e sagrado recinto.

Como, apesar de ter cabelos grandes, ainda não possuo o dom da onipresença igual ao jovem de Nazaré, tentei resolver esta outra ponta (ops) solicitando à minha amiga Samanta que levasse Bel de moto para o estádio. (Não me perguntem se estão vivas ou se tiveram o mesmo destino de Fidel).

Pois bem.

Para não alongar mais esta prosa ruim, informo que, depois de cinco horas, 326 km de engarrafamentos, oito toneladas de chuvas e quatro baldeações, finalmente desembarquei nas arquibancadas para acompanhar a meia hora final do segundo tempo da renhida peleja.

E, em verdade lhes confesso. Foram os piores 30 minutos de jogo do Rubro Negro neste Dilmão/2012. Mesmo com um jogador a mais, o time foi completamente encurralado pela tinhosa equipe do Joinvile. É fato que o Leão brocou por 2 x 1, guardou mais três pontos na sacola e assumiu a liderança da competição com gloriosos 41 pontos e etc e coisa e tal. Porém, faltou muito pouco para a casa feder a homem.

“Mas, Sêo Françuel, e por que porra o senhor não conseguiu orientar o time neste período?”, pergunta-me a moça do shortinho Gerasamba, que anda sumida e cheia de direito igual à boa parte da torcida do Leão.

Pois muito bem.

Apesar de ela não merecer por andar mais desaparecida do que aquela personagem da canção de Fernando Mende, eu sou discarado e respondo.

“Seguinte, meu bem. Não há força humana que consiga orientar zorra de nada com Lázaro gritando em seu ouvindo o tempo todo para o juiz, o técnico e os jogadores tocarem Raul.

Bem fez foi o sábio Fidel, que inventou que morreu ontem.

Um aperitivo para a liderança

agosto 16, 2012
Retorno, ainda com o gostinho de liderança no canto da boca, pra sapecar mais uma sequência de vilipêndios aos sérios futebolistas da Nação. Ei-los:
Douglas fez o que se espera de um goleiro reserva: entrou e não comprometeu. A rigor, quase não trabalhou. Apenas apareceu pra defender um ou dois chutes de fora da área. Nada mais. No próximo jogo, o titular (e a nossa tranquilidade) retornam sem problemas.
Gostei de ambos os laterais: o futebol de Nino todos já conhecem e, com a fragilidade da defesa adversária, o Paraíba deitou e rolou (foi dele o cruzamento para o primeiro gol rubro-negro). E o mesmo se diga para o outro lado do campo: Gilson reeditou a boa estreia da semana passada e apareceu bastante no jogo, foi voluntarioso, sempre chegando no apoio ao ataque. Se mantiver o mesmo nível contra as equipes mais qualificadas, acabará com a incômoda maldição daquele setor.
No entanto, o grande destaque defensivo ficou por conta da dupla de zaga, Victor Ramos e Gabriel, que jogaram 90 minutos em alto nível. Desta feita, ambos evitaram os chutões, procurando antecipar jogadas e sair com a bola no chão, o que facilitou sobremaneira a vida dos jogadores de frente. O namorido da Nicole até tentou brocar de cabeça, mas estava impedido (o coitado deve estar subindo pelas paredes, pois está sem brocar há um tempão…). Em campo, sinceramente, não consegui lembrar uma falha relevante da dupla, durante todo o jogo.
Indiscutível também o crescimento da equipe com o retorno de Uélliton. Ele e Michel protegeram tão bem a área que as (poucas) chances do adversário foram em chutes da intermediária ou em bolas paradas. No segundo tempo, Fernando Bob fez sua estreia, entrando no lugar de Uélliton, porém, como o jogo já estava na fase de “administração do resultado” não foi possível colocar em prática o seu potencial.
O destaque da meiúca (e de todo o jogo), mais uma vez, ficou com Pedro Ken. Está numa excelente fase e, mesmo quando não faz gol, é capaz de criar diversas oportunidades para si (meteu uma tijolada na trave) e para os companheiros. Poupado na segunda etapa, deu lugar a Marquinhos que, infelizmente, não teve sucesso nas jogadas que tentou. Leilson teve boa atuação até sofrer um pênalti (que o soprador não marcou), numa metida de bola (lá nele!) sensacional de Pedro Ken. Se machucou no lance, e logo depois, ainda no primeiro tempo, cedeu o lugar pra Tartá. Este, entrou com vontade de garantir a titularidade, se movimentando bastante. Inclusive colocou Willie na cara do gol, mas o atacante desperdiçou.
Por falar em Willie, o garoto esteve bem, incomodou a zaga do Guará, tabelou pela direita, mas precisa ter mais tranquilidade. Foi precipitado em alguns momentos e errou a finalização de duas grandes jogadas. Em partidas mais difíceis isto pode ser decisivo para o sucesso do time. Precisa abrir o olho, pois, com a chegada de atacantes mais experientes no elenco, pode acabar perdendo a posição. Seu companheiro de ataque, William, “estreou”, brocando 2 vezes, o que, por si só, já estaria de excelente tamanho. Porém, o centroavante novamente demonstrou qualidade técnica e disposição durante todo o jogo.
Carpegiani não inventou. Escalou os melhores e conseguir organizar o time de maneira compacta, tanto no sistema defensivo quanto no ofensivo. Também parece ter o controle do grupo, pois, titulares e reservas têm demonstrado uma vontade incomum e, acima de tudo, muita garra e disposição dentro de campo.

O Vitória dominou amplamente a partida. Descontada a fragilidade do adversário, foi bem mais organizado e objetivo, fazendo valer não só mando de campo, mas também o futebol, de qualidade muito superior. Uma pena que, na segunda etapa, o time decidiu “puxar o freio de mão”, pois era jogo pra fazer um bom saldo de gols. Continuamos em segundo na tabela, mas já deu pra sentir o gostinho da liderança, durante uns 15 minutos. Confesso que gostei deste aperitivo.

Que sigamos adiante, com a mesma determinação. O Criciúma não perde por esperar (o que não acontece com os patéticos criciumenses descoloridos, que só fazem perder…). Só sei que sexta-feira, após o jogo contra o Joinville, será caco de catarinense (legítimos e de ocasião) espalhados por toda Soterópolis.

Para o alto! E além!

Caneladas rápidas e caceteiras

agosto 14, 2012

Rápido e caceteiro (que hoje já tem baba novamente), recebam sem demora uma palhinha sobre a mais recente brocança do Leão. Ei-la:

Um goleiro com a experiência de Deola não pode se dar ao luxo de sair de forma tresloucada pra xingar o árbitro, por pior que tenha sido o erro do ladrão, digo soprador de apito. Acabou dificultando a vida do time ao ser expulso ainda na metado do primeiro tempo. Douglas entrou no lugar de Willie que, enquanto esteve em campo, não produziu nada de relevante no ataque. Nosso goleiro reserva não comprometeu, a não ser numa saída atabalhoada no segundo tempo, o que, aliás, não podemos chamar de “novidade”.

Uma estreia muito fraca do lateral Carlinhos. Deixou uma avenida na defesa e mesmo se mandando pro ataque não conseguiu nenhuma jogada importante por aquele setor. Cansou antes da metade da segunda etapa e pediu pra sair. Se aquele é o seu futebol, melhor nem desfazer as malas. Porém, como sou magnânimo, concedo-lhe o benefício da dúvida (foi sua estreia, fora de casa, sem entrosamento, etc). Deu lugar ao zagueiro Rodrigo, que jogou sério e não comprometeu. Na outra lateral, outro estreante: Gilson, se não foi um monstro, pelo menos apresentou um futebol que o credencia à vaga de titular. Marcou com boa eficiência e, principalmente, demonstrou personalidade no apoio ao ataque, procurando a linha de fundo e fazendo bons cruzamentos. Assim, por enquanto, pode desfazer as malas, conquanto ainda precise confirmar sua qualidade nas próximas partidas.

Gabriel e Victor Ramos tiveram boa atuação, principalmente com a bola no chão. Com a deficiente marcação pelos lados, algumas bolas foram alçadas na área sem a efetiva providência dos nossos zagueiros (uma atacante chegou a cabecear livre na pequena área, mas, felizmente, o fez com a nuca!). Gabriel também vacilou no lance do gol irregular do América, ao subir no vazio “cavando” uma falta. Na segunda etapa, foi improvisado no lugar de Carlinhos e deu conta do recado. O namorado da Nicole foi o xerife lá atrás, saiu jogando e deu chutões quando necessário.

No meio-de-campo, Rodrigo Mancha foi o mesmo de sempre, ou seja, destruiu jogadas com alguma eficiência e errou passes bobos. Além disso, é incapaz de sair pro jogo com um pouco de qualidade. Quando conseguiu uma chance na área adversária, chutou fraquinho. Michel também foi no mesmo ritmo, priorizando a defesa e deixando a meiúca carente de um bom futebol. Pedro Ken, no primeiro tempo, esteve apagado até o momento em que marcou o (belo) gol de empate. Melhorou bastante na etapa seguinte, levantou a cabeça, distribuiu o jogo, cadenciou quando necessário, arriscou alguns chutes e cumpriu seu pape de melhor jogador da equipe. Da mesma forma, Leílson também esteve discreto no início, mas, no segundo tempo, melhorou bastante, participando de contra-ataques e quase mandando uma bola no ângulo, não fosse um milagre operado pelo goleiro americano.

Willian, outro estreante, agradou bastante. Mostrou que conhece da posição e que tem qualidade técnica com a bola dominada (artigo em falta naquele setor desde o início do ano). Quase brocou depois do nosso gol de empate, quando fez uma bela jogada e chutou forte e com precisão, mas o goleiro do América operou outro milagre. Considerando que jogou praticamente sozinho no ataque, deixou, sem dúvida, uma boa impressão. Acabou cansando e deu lugar a Marcelo Nicácio. Este, continua sem chutar uma bola em gol. E nem precisou! Deu passe de peito, ajudou a defesa interceptando escanteios e brocou, tudo isso só com a cabeça. Incorporou o espírito de luta da equipe e foi decisivo no triunfo. É, a sombra de Willian lhe fez um bem retado…

Carpegiani arriscou ao escalar 3 estreantes de uma só vez, e acabou precisando retirar 2 deles por conta do cansaço. Mas armou o time corretamente, tanto que as melhores chances do jogo foram do Vitória. Sem dúvida, pode-se creditar esse triunfo à superação. Contra uma das principais equipes desta Série B, contra uma arbitragem “caseira” e contra nossos próprios erros e deficiências. No final, deu tudo certo e estamos a 1 pontinho da liderança, com os 2 próximos jogos em casa.

Estamos chegando! E nesta terça-feira, também conhecida como hoje, não tem Guaratapinguecaetá certo!

Aqui, contra juiz ladrão, num tem choro. Tem gols

agosto 13, 2012

Sim , minha comadre, o sumiço deste rouco e  impoluto locutor, nos últimos dias, tem um motivo justo. Tava na labuta, garantindo umas horas extras, para pagar nossos correspondentes internacionais, que,  até o fim do campeonato, vão se deslocar para acompanhar a maior saga da história do Leão  e do futebol brasileiro ( o que dá no mesmo. 

Sem mais longas nem delongas, fiquem com o excepcional relato de procurador do estado e de confusão, Diogénes Baleeiro. Recebam e distribuam, sem burocracia.

Às aspas.

“O Estádio Independência, que originalmente pertencia ao Estado de Minas Gerais, foi transferido no ano de 1965 ao Sete de Setembro Futebol Clube, adquirido pelo América/MG em 1989 e, nos últimos dois anos, reconstruído pela empresa BWA, que atualmente o administra e recebe 10% da receita líquida com bilheteria dos jogos do Atlético/MG, repassando 10,58% desse valor equitativamente entre o América/MG e o Estado de Minas Gerais, além de 45% de toda a arrecadação, excetuados os jogos do América, para o Clube Atlético Mineiro.

Entendeu alguma coisa?

Então, me explique porque eu não entendi foi porra de nada. Aliás, nem eu nem ninguém aqui nas Minas Gerais, motivo por que atleticanos, americanos e até mesmo cruzeirenses, que aparentemente nada têm a ver com o imbróglio, reivindicam o status de proprietários do único estádio da capital mineira atualmente em condições de receber jogos de futebol profissional.

Acredito que, no fim das contas, quem tem mais motivos para reclamar nessa história toda é o torcedor do América, que tinha um estádio próprio e agora tem que dividi-lo com sei-lá-quem. Mas, como nos ensina o filósofo Raimundo, o Valéra, minoria está aí é para se ferrar mesmo (http://www.youtube.com/watch?v=6yFoHFkvGHw) e eu, seguidor de suas sábias palavras, fui na litigiosa arena no último sábado para ajudar o Leão a manter a escrita que se repete desde 1981 e dar mais uma brocadinha no coelhinho das Alterosas.

Dessa vez, me acompanharam um amigo flamenguista (sim, eles habitam estas terras também) e um torcedor do América (sim, eles existem!), junto com a sua (lá dele) esposa, esta última atleticana, sendo que todos, inclusive o americano, não sei se pelo incompreensível prazer de ser minoria ou pelo fato de que o ingresso era sensivelmente mais barato, resolveram assistir à peleja junto comigo no espaço reservado à torcida do Vitória.

Fato é que o sacripanta não se intimidou com a presença maciça da torcida rubro-negra no estádio e, logo aos 23 do primeiro tempo, já estava comemorando descaradamente o gol de Alessandro, marcado após o atacante dominar a bola com a mão e dar um ippon em Gabriel Paulista. E, pra complicar mais ainda, o sacana do apito, não contente em validar o gol, ainda me inventa de expulsar o nosso regular goleiro Deola.

Ato contínuo, o amigo flamenguista decretou: “É, Diógenes, agora já era”, ao que respondi, na lata: “Você diz isso porque não conhece meu time. No Vitória, quando tudo está dando errado, aí é que a zorra funciona (https://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2012/07/25/2449/)

Nem bem deu tempo de exemplificar o que falei, relatando o ocorrido em todas as outras 15 rodadas do brasileiro. e Pedro Ken me acerta uma bomba de esquerda, empatando o jogo e inflamando as centenas (sim, centenas!) de torcedores do Vitória que invadiram o Independência neste sábado.

Na segunda etapa, contudo, quando Nicácio entrou no lugar de William, confesso ter falado para alguém: “é, meu irmão, com esse aí não tem imprevisibilidade que dê jeito, onde já se viu centroavante que não tem movimentação, não tem presença de área, você vai ver, não vai nem pegar na bola e…”

E aí, como já era esperado, paradoxalmente, o imprevisível aconteceu: o ex-sardinha venceu a zaga do América e mandou a bola pra rede de cabeça de dentro da pequena área. Viramos o jogo e, mais uma vez, tive que viver aquela velha rotina de esperar a kombi levar os americanos embora para que a puliça mineira, cautelosa como sói, liberasse a saída da torcida do Vitória do estádio.

Enfim, mais três pontos na sacola e o acesso à Série A, agora, parece inevitável. Confesso que não me lembro de ter visto o Vitória com um aproveitamento parecido ao atual fora de casa, nem mesmo no nosso fraco campeonato estadual.

Aliás, depois de ontem, acredito que nem há mais dúvidas quanto à solução do imbróglio jurídico referente à propriedade da simpática arena do Horto, a que me referi lá no primeiro parágrafo: nem atleticanos, nem americanos, nem cruzeirenses. Os novos donos do Independência são esses torcedores aqui: http://www.youtube.com/watch?v=WrhpLwIDHc8&feature=plcp

Mas, para que os amigos mineiros não fiquem tristes, informo que lá em Salvador, mais precisamente no aprazível bairro de Pituaçisvisky (vá fazer rima na casa da porra, não na minha), há um estádio em que eles podem se sentir à vontade e fazer a festa sempre que assim desejarem. Ninguém costuma sair de lá com as mãos abanando.

Quanto ao Vitória, espero que o acesso (e quiçá o título) neste ano não nos traga a ilusão de que tudo vai bem, que estamos no caminho certo e que 2013 será só alegria. A vergonhosa campanha que vêm fazendo os times nordestinos na série A é um sinal de que já largaremos em desvantagem no ano que vem e que precisaremos de sérias mudanças para não continuarmos vivendo eternamente essa sina de passageiros de elevador.

Bem verdade, porém, que a hora ainda não é de pensar nisso, mas sim de lotar o Barradão nos próximos jogos, fechar o primeiro turno na liderança, dando mais confiança ainda ao time, que será fundamental para, enfim, garantirmos o acesso.

SRN