Archive for março \31\UTC 2011

Decifrando um enigma (volume 2)

março 31, 2011

O pacato Nordeste de Amaralina e uma banda do aprazível Vale das Pedrinhas são testemunhas de que neste sagrado recinto só tratamos do Ludopédio de alta categoria. Por conta desta política editorial, evitamos sempre todo e qualquer assunto relativo ao time de Dias D’Ávila. Afinal, não podemos baixar o nível dos debates nem do futebol.

Hoje, porém, peço desculpas para uma exceção.

Seguinte foi este.

Logo após a peleja entre o representante da Região Metropolitana de Salvador X Paisandivisky (vá fazer rima na casa da porra, aqui, não) ouvi uma série de pipocos na pacífica região onde resido. A princípio, nem dei muita importância porque alguns estrondos e batuques compõem a paisagem local.

Porém, uns sujeitos meio efeminados que torcem para o time de Jailson Macedo de Freitas (sim, não espalhem, mas eu conheço umas injúrias que são adeptas da referida equipe) começaram a telefonar dando (lá eles) gritinhos e pulinhos como se tivessem conquistado um título importante.

Por conta da latomia (recebam, hereges), deduzi que eles haviam vencido a partida tranquilamente. No entanto, quando fui olhar o resultado hoje estava lá no placar estampado um 0 x 0 que nem o bandeira Belmiro podia mais mudar. Ato contínuo, rebarbei: “Mas, será o impossível? Por falta do que comemorar, já que não ganham nada há séculos, vocês agora vibram até com um simples empate?”.

Então, uma das injúrias, me garantiu, toda eufórica: “Françuel, não foi um simples empate, não. O ex-quadrão jogou muito. Colocamos o time de Belém na roda. Atuamos como se estivéssemos em casa. Na verdade, nos sentimos completamente em casa”.

Estudioso do futebol baiano, inclusive ontem escrevi um tratado sobre o tema para o BRIOSO IMPEDIMENTO, me raciocinei todo e cheguei à seguinte indagação: Como é que a porra do time de Arilson Gerasamba Anunciação conseguiu praticar um bom futebol lá longe? Este argumento de jogar em casa não vale porque eles não têm casa. E mesmo quando jogam aqui nunca praticaram algo nem parecido com o futebol. E a pergunta martelou meu maltratado juízo: O que terá ocorrido para que o ex-itinga tenha melhorado a produção lá longe?

E botei toda a minha catilogência (recebam, fariseus, uma catilogência nos mamilos) a serviço da elucidação de mais este enigma. E, depois de me raciocinar mais uma vez, finalmente ocorreu um estalo a la Vieira. Qual seja. O time de Dias D’Ávila conseguiu realizar sua melhor partida porque estava no Mangueirão. Só pode ter sido isso. Toda vez que entram no Mangueirão, as meninas se sentem em casa. Aliás, sabem porque o último título importante que conquistaram foi a Copa Renner? Não? É porque gostam mesmo é de receber tinta.

Fui Banda Aiyê

A Torcida do Leão está fazendo história

março 26, 2011

A impoluta Confederação Brasileira de Futebol, que costuma distribuir taça de bolinhas e outras mumunhas à mancheia, recentemente fez a seguinte caridade. Como o time de Dias D’ávila não ganha nada desde a primeira guerra mundial, resolveu presentear as injúrias da Região Metropolitana de Salvador no Prêmio Craque Brasileirão, concedendo-lhes o título de Torcida de Ouro.

Pois muito bem.

A impoluta CBF concedeu tal honraria porque eles conseguiram uma média de 18.654 pessoas por jogo. Agora, vejam vocês. Muito não sabem, porque a imprensa não divulga e a diretoria faz questão de ir às rádios apenas reclamar do torcedor do Leão, mas em 2007, ano que também conquistamos o acesso à primeira divisão, colocamos 18.762 por jogo, exatamente 108 a mais que eles, por jogo.

Portanto, este mito de torcedor fiel, único que resta a eles, ultimamente tem sido apenas isso: um mito.

No campeonato baiano do ano passado, por exemplo, o Leão teve uma média de 9.585 pessoas por partida, exatamente 177 a mais do que o time de Jailson Macedo de Freitas, que levou (lá ele) 9.408 por jogo.

Alguns podem argumentar que isso aconteceu apenas porque as injúrias estavam na segundona e o Vitória na elite, lugar que voltará no ano que vem. Tal argumento, porém, não resiste à lógica.

Senão, vejamos.

Neste ano da graça de 2011, por um acidente de percurso, a equipe preferida de Arilson Gerasamba Anunciação foi para a primeirona e o Vitória está temporariamente na 2ª divisão.

Pois muito bem.

Na primeira fase do Varelão/2011, o Vitória colocou 38.994 No Barradão. Já o time do bandeirinha Belmiro levou (lá ele) 38.844. Se levarmos em consideração que no último jogo deles contra o Serrano o desespero batia à porta e conseguiram juntar o maior público (fora os BA x Vis) a diferença é ainda maior. Exatamente 4.665.

Ah, sim. Todos estes dados são oficiais e podem ser conferidos nos borderôs da FBF. Qualquer dúvida, é só clicar neste linque aqui, ó http://www.fbfweb.org/index.php?menu=classificacao&tabelaMenu=borderos&tabelaCod=4

No entanto, mesmo com os números mostrando uma realidade completamente diferente, os radialistas escrotos (desculpem a redundância) continuam a ladainha de que a torcida do finado é a porreta, a bacana e o caralho aquático.

Porém, os números estão aí para desmistificar os mitos. Mesmo com um estádio com acesso complicado, sem um transporte público minimamente digno e com um time malamanhado,  a Torcida do Leão tem feito História.

Aliás, por falar em história, o comportamento dos rubro-negros mudou não somente nas arquibancadas, mas também no processo de conscientização.  E foi exatamente por isso que surgiu o Movimento Somos Mais Vitória lutando para que a melhor torcida do estado seja senhora dos destinos do melhor clube.

UM HOMEM DE SORTE

março 22, 2011

Por conta de minha pouca intimidade perante as coisas sobrenaturais, nunca consegui  determinar ao certo se alguns escapolem do iminente esparro por intuição, sexto sentido, corpo fechado ou algo que o valha. E pouco importa. O fato é que a história da humanidade está repleta de histórias de pessoas que escaparam por um triz. A propósito, Falcão (não o vice, mas o filósofo cearense) já ensinava que é melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso. Como exemplo, destaco a história do consultor de empresas Wellington Pípolos, que já se livrou de dois acidentes aéreos seguidos, conforme vocês podem conferir NESTE LINQUE AQUI, Ó

Ai, meu Pai Eterno, o homem endoidou de vez. Que diabos queda de avião tem a ver com os problemas do Vitória? Deus é mais”, rebarbou logo a moça do shortinho Gerasamba,  vestida numa indumentária tão apertada quanto à dos árbitros aprendizes de feiticeiros que trabalham para ressuscitar o defunto de Dias D’Ávila neste inescrupuloso Valerão/2011.

Mas, derivo.

Porém, decidi que ia falar sobre pessoas com sorte e nada vai me desviar do caminho, nem mesmo os larápios de preto e seus shortinhos acochados.

O seguinte foi este. No último final de semana, havia combinado com meu amigo João Carlos Sampaio, torcedor do Vitória e crítico de cinema do Jornal A Tarde nas horas vagas, que acompanharíamos in loco a peleja entre Vitória x Camaçari.  Acontece que na noite de sábado, o referido cinesmástico encarcou o queixo na canjebrina sem dó nem piedade. Com a ressaca dos seiscentos, acabou se livrando da viagem e de presenciar mais um jogo medonho. E melhor. Livrou-se também de acompanhar mais um capítulo da tragicômica novela envolvendo Lucas Nania.

Realmente, João é um abençoado.

Já este pobre locutor, que nunca é bafejado pela sorte, foi obrigado a suportar um plantão muito rigoroso.

Tudo começou logo na saída. Peguei carona com o menino Zainildo Pinto, que entende tanto de tráfego quanto Antônio Lopes de sistema tático. Assim, completamente desorientado, ele percorreu oito cidades da Região Metropolitana antes de chegar a Camaça City. E encarei tudo isso com o auxílio luxuoso da resenhas esportivas da Bahia.

Ô grória!!!

E, no percurso, ouvia o técnico do Vitória dizer coisas maizomenos assim: “”Eu acho que o gringo não é meia, não. Pelo que eu tenho visto nos treinos, ele é atacante. Não tem característica de meia, não marca nada, não cerca, não tem força nenhuma para marcar. Tô QUASE convicto de que ele é atacante”.

É graça uma porra desta?  O cara tá treinando há mais de 60 dias, e só agora o técnico está ‘QUASE’ convicto de que ele é atacante. Daqui a mais um dois meses, vai descobrir que nem argentino ele é. Aliás, reparando bem, Lucas Nania tem nome e nariz de boliviano.

Olhe, me deixe, viu Varela. Só tomando um caldo de cana contaminado para aguentar esta chibança.

Porém, como queimação de filme pouca é bobagem, Antônio Lopes ainda largou a seguinte. “O problema é que ele tem passe curto, finaliza pouco e não é agudo”.

Que beleza, né não?  Digam se não é uma maravilha ver uma das principais contratações da diretoria ser tratada assim pelo técnico. Aliás, não só pelo técnico. Durante o pouco tempo em que esteve em campo, o argentino (ou boliviano, sei lá) foi claramente boicotado por seus colegas. Quem conhece um pouco de futebol, viu que os jogadores estavam, no mínimo, com má vontade em relação ao rapaz. Praticamente, ninguém jogou com ele.

Mas, tá tudo certo. Apesar de Antônio Lopes não ter nos livrado do rebaixamento, de cair na primeira fase da Copa do Brasil, de não conseguir dar uma mínima organização tática ao time depois de mais de um século, ele comanda (?) a equipe que é líder do poderoso campeonato baiano  e não vai perder o emprego tão cedo – a não ser que uma tragédia maior do que a queda de aviões se abata sobre o Leão (bato na madeira 826 vezes).

Realmente, eis aí mais um homem de sorte.

 

PORRA, ELKESON!!!

março 14, 2011

Na antevéspera do Carnaval, num ensolarado e preguiçoso domingo, o Vitória enfrentava o Bahia de Feira, no Barradão, com aquela tradicional maresia de quarta-feira de cinzas que tem marcado a atuação do Rubro-Negro neste Varelão/2011.

Aliás, um parênteses.

(Sob o comando (?) de Antonio Lopes, a apatia tem sido uma marca registrada e incurável do Leão. Desde que ele assumiu, o time nunca teve um padrão tático, uma jogada ensaiada, um lampejo, nécaras de nada. Foi rebaixado do campeonato brasileiro, eliminado na primeira fase da Copa do Brasil, joga um futebol horrendo no Varelão/2011, mas ainda prevalece em relação a ele o espírito provincianista. Qual seja. Como é de fora da Bahia e já ganhou uns títulos no século XV Antes de Cristo, ficam uns zés ruelas defendendo-o, querendo tirar o dele da reta, como se o indigitado não tivesse responsabilidade alguma pelos desastres).     

Parênteses fechado, volto à peleja contra o time feirense. Na referida labuta, o Vitória estava apático, sem nenhum sistema tático, jogando pedra em santo, Viáfara perdendo pênalti e o caralho aquático. Porém, como sempre, na opinião de uma parte da torcida emprenhada por certos radialistas escrotos, só havia um culpado: Elkeson. A implicância era tanta e tamanha que o técnico foi obrigado a sacar o referido no intervalo do jogo.

No entanto, como era de se esperar, o time voltou para a segunda etapa jogando uma bolinha de gude da zorra. E foi então que um guri de uns 15 anos, mas com a sabedoria futebolística que não obedece à faixa etária, chegou na esquina entre a Viloucura e os Imbatíveis, aqueles metros quadrados onde existem mais sabidos nas arquibancadas brasileiras, largando a seguinte: “Sêo Françuel, o senhor já viu que para esta torcida do Vitória a culpa de tudo é de Elkeson? É verdade que ele não ajuda, prende demais a bola, cai sem necessidade, não capricha nas finalizações, porém é um dos poucos que ainda procura o jogo, não se esconde e, em um time arrumado, pode render alguma coisa. No entanto, a torcida acha que o único errado é ele”.

Depois de largar estas palavras da salvação, a miniatura de João Saldanha começou a sacanear. A cada erro de Júnior Timbó, que entrou no lugar de Elkeson, ou de qualquer outra jogador, ele gritava a plenos pulmões “PORRA, ELKESON”. Desatentos, alguns começaram a acompanhar o xingamento, sem perceber que o guri tava de sacanagem.  

Pois muito bem.

Ontem, no meio do segundo tempo, quando Elkeson perdeu um gol ali pertinho da pequena área, mesmo depois de já ter brocado 3 vezes, boa parte da torcida deve ter gritado na hora: “PORRA, ELKESON”.

Afinal, para alguns, é muito mais cômodo achar um fácil bode expiatório do que refletir sobre os reais e graves problemas da equipe e do Esporte Clube Vitória.

Melancólica liderança

março 11, 2011

Há coisa de um mês, mais exatamente no dia 14 de fevereiro, escrevi um texto intitulado “Os males da abstinência futebolística”. Nas referidas prosopopeias, pregava a necessidade de “um freio na alegria desmedida” que tomava conta de setores da torcida do Esporte Clube Vitória. Na ocasião, muitos estavam eufóricos por causa dos ilusórios resultados no Varelão/2011.

Como nunca deixei que minha visão ficasse obnubilada por miragens (recebam, hereges), fiz o alerta à nação sobre a real (e péssima) situação da equipe. Porém, como recompensa,  fui acusado de alarmista, pessimista, comunista, do caralho aquático.

Pois bem.

Poucos dias depois, veio a tragédia anunciada. E, ao cair diante do genérico Botafogo da Paraíba, o time começou a mostrar que não estava preparado para atravessar nenhuma fronteira.

Como sói ocorrer, depois da queda, veio o coice.

Assim, na sequência, aconteceu a bordoada diante do fraquíssimo representante de Dias D’ávila. No entanto, alguns continuavam a se enganar, colocando a culpa somente no homem (?) de preto. Mais uma vez, alertei que a culpa não era (só) do juiz ladrão.

Pois muito bem.

Enquanto uns e outros ficavam procurando culpados em outras freguesias, este renitente locutor prosseguia repetindo a seguinte homilia: “As coisas só vão mudar em campo quando existir uma transformação de postura da Diretoria”.

E, mesmo eles fazendo ouvidos de mercador, continuei minha pregação, até para que a zorra não inflamasse mais ainda. Afinal, é inadmissível a continuação de tanta falta de planejamento e de transparência, para dizer o mínimo. Esta novela do argentino, por exemplo, é de um embromeichon, chon, chon sem limites. Até quando vão ficar empurrando esta (mal fadada) história com a barriga?

Por falar em empurrar com a barriga, estamos exatamente assim já há algum tempo. E tal situação só vai se transformar quando a torcida tomar consciência da dramática situação, sair dos resmungos virtuais e levar toda a indignação às arquibancadas.

É fato que chegamos à liderança geral do Varelão/2011 faltando apenas uma rodada para o final da fase classificatória. Mas, é uma liderança melancólica. Ontem mesmo, diante do Juazeiro, a sensação foi de uma quinta-feira de cinzas sem ter nem aproveitado o Carnaval. Uma vitória com sabor de ressaca, com gosto de bota de sargento no canto da boca. Um futebol tão apagado quanto o placar do estádio e mais sem graça do que a iluminação de Salvador pós período momesco.

P.S Aliás, o nosso velho Carnaval parece que começa a se despir do elitismo, conforme vocês podem conferir neste relato aqui, ó. Maestro, nossos comerciais, por favor.  DEMOCRACIA NO CARNAVAL

Agora fudeu Maria Preá

março 3, 2011

Vocês podem até me acusar de rabugento (não sem razão), mas a verdade que salva e liberta é a seguinte: Além de cerveja quente e cara, música ruim e barulhenta, entorpecimentos inúteis que fazem o cidadão se atracar com umas barangas achando que tá pegando as mulheres mais lindas do mundo, o Carnaval serve somente para a realização das mais tenebrosas transações.

Não tem erro. Todo ano, neste período momesco, o governo aproveita para aumentar impostos e os canalhocratas para fazer todo tipo de maracutaia.

E neste ano da graça de 2011 não está sendo diferente. Aliás, minto. Está, sim. E muito pior.

Vocês podem até me acusar de alarmista (não sem razão), mas a verdade que salva e liberta é a seguinte: está em curso uma tramoia jamais vista na história de Pindorama.

Como assim? Já explico.

Conforme é de conhecimento da população do Norte e Nordeste de Amaralina, já aconteceram as mais diversas chibanças ao longo do Campeonato Baiano, que começou no ano da graça de 1905. Em 1938 e em 1999, por exemplo, dois times foram considerados campeões; em sete edições o glorioso Esporte Clube Vitória simplesmente nem disputou, entre outras mumunhas.

Porém, nunca, jamais, aconteceu algo semelhante ao que estão querendo fazer neste Varelão/2011.

Como assim? Já explico.

As coligações formadas pelo  TRE, PFL, TV Bahia e os homens (?) de preto, que se juntaram numa conspiração, finalmente conseguiram na noite de ontem efetivar a tal trama sórdida jamais vista na história do Ludopédio desta província: colocar o ex-time de Itinga e atual representante de Dias D’Ávila na segunda colocação do torneio.

E, em verdade, denuncio. Agora que a referida agremiação chegou à vice-liderança, não largará mais a atual posição e se tornará a primeira equipe na Bahia a conquistar 7 vice-campeonatos baianos em 8 disputados.

Um assombro. E Fudeu Maria Preá