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UMA JOGADA DE CRAQUE

junho 20, 2011

Além das vastas emoções e pensamentos imperfeitos, o Ludopédio é pródigo em proporcionar frases geniais, conforme é de conhecimento da culta população do Norte e Nordeste de Amaralina. Inclusivelmente (dá-lhe Odorico Paraguacivisky), já foram feitos diversos trabalhos sobre a questão, tais como Futebol em Frases (Cláudio Dienstmann); As melhores frases do futebol (Ivan Miranda); 90 Minutos de Sabedoria – A Filosofia do Futebol em Frases Inesquecíveis.

E a zorra não se resume apenas à literatura, não. Há pouco mais de um mês, o historiador Raul Milliet defendeu tese de doutorado com o seguinte tema: “Quem não faz, leva: uma análise das máximas e das expressões do futebol brasileiro”. Na referida obra, assim como nos livros, há um desfile da sagacidade de monstros sagrados da estirpe de Nelson Rodrigues, Neném Prancha, João Saldanha e Gentil Cardoso.

Porém, na minha imodesta opinião, as frases mais marcantes foram ditas por três outros que não estão nesta lista: Bill Shankly, Xico Sá e Sotero Monteiro. O primeiro, técnico e escritor escocês, que fez história comandando o Liverpool, pronunciou a solene prosopopéia: “O futebol não é uma questão de vida ou morte: É muito mais importante do que isso”. Já o outro, com o couro curtido no árido sertão do cariri, largou a seguinte: “Homem que é homem muda de sexo, mas não muda de time”. Já o último frasista, treinador de Ypiranga e dono do Hotel Calçada, travou o seguinte e antológico diálogo na chegada de Antonio Mário ao time.

Esse moço joga muito!”

Como? Se ele ainda nem treinou?

Jogador bom a gente conhece no arriar da mala.

Pois muito bem.

Todos que conhecem um pouco do pebolismo, já haviam percebido que Rildo, no arriar das malas, não tinha vocação para craque – até porque jogador de futebol, quase sempre, obedece ao seguinte destino: “Ou aprende a praticar até os seis anos – ou esqueça”. E o referido atacante do Vitória não foi contemplado até a referida idade.

Porém, no murrinhento jogo contra o Sport ele fez uma jogada de craque. É óbvio que não me refiro àquele gol estrambótico, mas sim ao momento seguinte. Logo após balançar as redes pela primeira vez nesta segundona, ele saiu desembestado, saltou as placas de publicidade e correu para fazer sua melhor jogada até o momento com a camisa do Vitória: beijou o escudo recém-implantado no Santuário, ajoelhou e fez reverência ao torcedor.

Os céticos podem dizer que foi uma jogada de marketingue barato, porém discordo. Afinal, Rildo poderia fazer estas danças ridículas para agradar programas esportivos ou correr para a câmara e realizar qualquer uma destas presepadas tão em moda.

No entanto, ele decidiu mostrar, simbolicamente, para todos quem é que deve receber homenagens no futebol: O Torcedor, aquele que, irracionalmente ou não, sofre, chora, vibra e ama.

Depois deste ato, Rildo começa a se candidatar a ter um papel no Vitória mais relevante do que o que ele foi (e é) até hoje: apenas um atacante ciscador. E nem venham dizer que o gol dele foi feio porque como já sentenciou o menino Dadá Maravilha: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”.

P.S E por falar em jogada de craque, o Movimento Somos Mais Vitória, a cada dia que passa, tem realizado lances sensacionais. Se você também acredita que futebol não é antônimo de democracia, cadastre-se no site http://www.somosmaisvitoria.com.br e venha também fazer história, ajudando a construir um novo momento em nosso Clube.

OUSADIA (sem planejamento) É SINÔNIMO DE DESESPERO

junho 7, 2011

Esta província lambuzada de dendê, que sempre viveu com o freio de mão puxado, inventou agora de resolver as coisas na base dos solavancos.  Nos becos, esquinas, ladeiras e vielas só se escutam as seguintes palavras de ordem: É PRECISO OUSAR, como se a ousadia fosse um valor por si mesmo.

Pois bem.

Este povo inzoneiro, sempre adepto de uma maresia dos seiscentos, descobriu, de uma hora para outra, que a ousadia é a panacéia de todos os males. Quem não conhece a típica boréstia até acredita que a partir de agora todos se transformaram em valentões que vão resolver tudo com coragem e, olhe ela aí, novamente, ousadia. Assim, contra fel, moléstia e crime basta recorrer a este santo remédio da vez.

E como o futebol é a metáfora da vida, nas quatro linhas também  começa  a prosperar a tese de que todos os problemas serão resolvidos com ousadia, num simplismo de fazer corar o frade franciscano inglês William de Ockham, aquele que inventou o princípio lógico da Navalha de Ockhan, segundo o qual o caminho simples é o mais eficaz. Acontece que simplicidade não é sinônimo de simplismo. Não é recomendável escolhermos o trajeto mais curto e fácil e desprezarmos os elementos necessários para a solução da caminhada.

Pois muito bem.

A torcida do Vitória, que ultimamente inventou de MIMETIZAR AS AÇÕES DA  DIRETORIA, conforme mostrei no último texto, tá achando que o destrambelhamento do nosso ex-rival é exemplo de ousadia.

Aoooonde?

Como podemos nos espelhar numa gestão que, além de endividar o clube, não ganha nada há séculos? Devemos seguir como exemplo um clube que tem 42 atletas em seu elenco e onze, repetindo, onze na mesma posição, conforme mostrou o repórter Ricardo Palmeira NESTA BOA MATÉRIA publicada em A Tarde? Contratar jogadores midiáticos e problemáticos é nossa solução?

Francamente.

Se estes arroubos inconsequentes do lado de lá não devem servir como exemplo, a letargia da nossa diretoria também não pode ser admitida. É fato que OUSADIA (sem planejamento) É SINÔNIMO DE DESESPERO. No entanto, letargia sem ousadia, que é o que acontece no Vitória, não tem nem classificação no dicionário.

Porém, a torcida não pode cair na armadilha de tentar combater o atual estágio de coisas com este mesmo veneno da precipitação. Muitos estão gritando FORA ALEXI PORTELA, como se o problema do Rubro-Negro se resumisse ao presidente. Amigos apressados, lamento informá-los, mas a questão não é simplesmente de nomes, mas sim de métodos. É preciso e possível mudar a concepção retrógrada e elitista do comando – e não apenas o nome.

Exatamente por ter esta compreensão menos efêmera e mais aprofundada é que o Movimento Somos Mais Vitória defende ações e cobranças constantes, durante todo o tempo – e não somente nos momentos de crise. Afinal, se o clube ganhar três ou quatro partidas seguidas poderá figurar entre os melhores desta desqualificada Série B. Porém, nossos problemas crônicos continuarão os mesmos.

Então, amigos, precisamos, devemos e vamos protestar, mas sem cair no conto fácil dos piromaníacos. Afinal, nosso propósito não é tocar fogo em nosso clube, mas sim fortalecê-lo, com a efetiva participação dos torcedores.

Os que compartilham destas idéias estão convidados a se incorporar ao nosso Movimento, que é um projeto coletivo, e não personalista. Para isso, basta acessar WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR e se cadastrar.

Saudações Rubro-Negras e Democráticas;