Archive for maio \29\UTC 2008

VIBREM, PUTAS!*

maio 29, 2008

Convicção é bicho traiçoeiro. Basta um descuido e, zupt, ela escapa assim, sem remorso algum.

Agora mesmo estou a contrariar um dos mais sólidos dogmas que estabeleci desde que fundei este impoluto e imparcial blog esportivo: jamais fazer quaisquer alusões àquela equipe que habita os porões do subsolo do futebol brasileiro. Sim, aquela mesmo que vocês estão pensando.

Pois bem. Mudei de opinião. E vou tratar aqui daquele timeco por causa de um estranho acontecimento que, na tarde desta quarta, deixou os itinguenses ainda mais, como direi?, assanhadamente descontrolados. A histeria começou logo após o jornalista Juca Kfoury, que deus o tenha, divulgar os resultados de uma pretensa pesquisa  feita pelo Instituto Gallup. Na referida, o Itinga Futebol Clube aparecia em 7º lugar (número do mentiroso), na frente de times de verdade, a exemplo do Vitória, Cruzeiro, Santos, Fluminense e Botafogo.

Acontece que a tal pesquisa nunca existiu. O próprio Gallup soltou uma nota pública e Juca desculpou-se pela barrigada em um texto publicado às 15h20 no seu blog.

Porém, eles não sossegaram. E decidiram continuar a se vangloriar da fajuta pesquisa. Mais de duas horas depois do pedido de perdão de Kfoury, às 17h26, o site de Taço Franco ainda continuava com a seguinte e laudatória manchete no ar. Confiram clicando na imagem abaixo.

 

Como há uns três séculos os itinguenses não ganham nenhum título nas quatro linhas, eles procuram se apegar em qualquer coisa. Toda a Bahia e uma banda de Sergipe já sabem que o cordão dos lunáticos tricolores diminue a cada dia. Mesmo não conseguindo nem lotar o Armandão, em Camaçari, alguns continuam acreditando que possuem torcida, quando na verdade, todos sabem, quem tinha torcida era a Fonte Nova.

Mas, como filosofou certa feita minha falecida mãe: “Incutido é pior do que doido”.

Então, é melhor deixar quieto.

VIBREM, PUTAS. Afinal, mesmo através de uma pesquisa falsa, esta 7ª posição é a melhor colocação que o Jahia conquistou nos últimos quatro milênios. 

 

* Grito de guerra do filósofo franco-soteropolitano Jean-Antoine Borges Bougê. 

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Jornalista não é raça de gente

maio 27, 2008

Na última volta do ponteiro, quando o árbitro já havia levado o apito à boca e os milhares de ouvintes (na verdade, dois) estavam angustiados, roendo as unhas, eis que este fatigado locutor volta a esta tribuna para pagar a tão aguardada promessa: fazer uma análise abalizada da atuação de cada herói na histórica peleja do último sábado no Parque Sócio-Ambiental.

Antes de cumprir o combinado, porém, é mister (recebam, sacanas, um mister pelas caixa dos peito) apresentar a seguinte reivindicação à diretoria Rubra-Negra: já que a venda de cervejas está proibida, é urgente e inadiável a distribuição de Cepacol, pois, amigos, vou confessar: é desumano orientar a equipe da arquibancada de bico seco.

Feito estes essenciais prolegômenos, vamos à avali… Epa. Parem as máquinas. Acaba de chegar a esta impoluta redação a noticia de que (com o perdão da má palavra) jornalistas do Globo Esporte escolheram apenas três jogadores do brioso Rubro-Negro para compor a Seleção da Rodada do Brasileirão.

Como assim, apenas três? Realmente, jornalista entende porra de nada do ludopédio.

E digo mais: me retei. E, em protesto, não farei nenhuma avaliação – até mesmo para não torná-los mais ridículos do que já são, se é que isto é possível.

Apenas registro que os referidos deixaram de fora da Seleção o menino Ricardinho, que comeu a bola na meiúca e zona do agrião. Um crime, pois, pelo que me recordo agora, só nesta partida de sábado, o maestro do Rubro-Negro baiano jogou mais do que Zico e Rivelino juntos…na época áurea.

Garçom, a conta.

Crônica (mística) de uma vitória anunciada

maio 26, 2008

Juro que não queria, mas é imperativo repetir aquele parágrafo que já se tornou um clássico da literatura esportiva contemporânea.

Ouçam.

“Só agora, passadas as regulamentares 48 horas, é possível fazer a imprescindível e retórica indagação: que fenômeno foi aquele que assombrou Soterópolis na tarde/noite do último sábado?”

Amigos, em verdade vos digo: há muitas décadas não se via tanta injustiça em uma partida de futebol. Aquele magro 4 x 0 foi uma das maiores afrontas à lógica aritmética-pebolística.

Se os deuses da bola não estivessem tão mal-humorados, o malamanhado Placar do Parque Sócio-Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas deveria registrar, ao menos, dois dígitos. Creio que uns 12 x 0 seria razoável. Aliás, não. Nenhuma goleada conseguiria traduzir o que, efetivamente, aconteceu nas quatro linhas. Não há números para ilustrar aquela saga.

Os números, aliás, nem sempre conseguem captar a carga simbólica de uma conquista. Porém, O Sobrenatural de Almeida, que tem jogado em nosso time, pode explicar. E Ele garante que este triunfo sobre o Figueirense tem o mesmo valor simbólico de um outro, histórico, ocorrido há 100 anos, no dia 3 de maio de 1908: a vitória de 1 x 0 sobre o São Salvador, que marcou a arrancada rumo ao primeiro título estadual do Rubro-Negro.

Talvez os mais jovens não saibam, mas naquela época, eu, que nasci há mais de dezmilanos, fiz a previsão de que o Leão caminhava rumo àquele título. Os descrentes duvidaram. Da mesma forma que não acreditaram agora quando repeti a PROFECIA de que o Vitória está na trilha do primeiro título nacional.

Podem duvidar à vontade, pois de nada adiantará. O Sobrenatural de Almeida, como já disse, resolveu novamente jogar a nosso favor. E Ele destaca mais um último e místico detalhe: tanto naquela ocasião como hoje, tudo começou no mês de maio, mês da fundação do clube.

Segurem a cabecita de la madre.

P.S. Amanhã, uma breve avaliação de cada jogador.

Precisa-se de um Pai de Santo

maio 21, 2008

Desde o ano da graça de 2007, a seguinte, incrível e paradoxal maldição tem se abatido sobre os ídolos do Rubro-Negro: aquele que brilha no Baianinho e cai nas graças da torcida, apaga-se completamente no Brasileirão. O vice-versa também é verdadeiro.

No certame estadual do ano passado, por exemplo, Antônio Rogério fez misérias. Além de marcar 26 tentos, tornando-se o maior artilheiro do Vitória na competição, ainda bateu outro recorde: foi o único a enfiar quatro de uma só vez no timeco de Itinga, naquela antológica partida já narrada ALI por este rouco locutor. Nesta mesma época, enquanto Índio brilhava, a massa rubro-negra tinha vontade de jogar Joãozinho no cova dos leões.

Pois muito bem. Assim que se iniciou a Segundona, o antigo artilheiro deu caruara. Dizem que se envolveu com umas parentes e brigou com a mulher. Não sei. Isto aqui não é revista de fofoca pra fazer especulações desta má natureza. Só trabalhamos com dados científicos. E, baseado nas recomendações da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, garanto: a maior briga que Índio teve foi com a bola, sendo abandonado pelo bom futebol.

A partir de então, quem é que se torna o queridinho da galera? Sim, ele mesmo, o renegado de ontem, Joãozinho. O filho do atacante cruzeirense balançou a rede 18 vezes e se tornou uma das peça-chaves na subida para a Primeirona. É vero que depois ocorreu aquela lambança mexicana, mas isto aí é outra história, que também já contei ACOLÁ.

O fato é que esta maldita história quer se repetir agora como farsa. Estamos apenas na segunda rodada do Campeonato, e os papéis de vilão e herói já estão se invertendo novamente. Uma parte da torcida, que endeusava Rodrigão, pede a sua saída do time. Enquanto isso, o até então amaldiçoado Anderson Martins, é apontado por alguns como a salvação de nossa lavoura. Nem tanto, nem tão pouco. A mim basta que o marido de Hortência volte a balançar as redes e zagueiro continue jogando o feijão-com-arroz e não entregue a rapadura. Só isso. Não podemos permitir que a incrível e macabra coincidência de 2007 vire rotina.

Encerrando esta prosa ruim, relembro que o filósofo Neném Prancha sentenciou certa feita que “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado”. Pelo sim, pelo não, acho que, neste grave momento, é hora de Rodrigão (e Ramon também) apelar às forças ocultas. Eles devem contratar urgentemente um Pai de Santo para espantar esta maldição que os impede de brilhar no campeonato Nacional só porque foram craques no certame estadual.

Sai pra lá inhaca! 

No duelo dos Leões, deu rato

maio 19, 2008

Agora, passadas as regulamentares 48 horas, já é possível fazer a imprescindível e retórica indagação: Que fenômeno foi aquele que assombrou Recífilis na tarde/noite do último sábado?

Calma, letárgico e neófito ouvinte, não precisa culpar esta poeira que ora tragas. A sensação de déjà vu não é mera alucinação. Ou melhor, é. E o responsável é o brioso goleiro do não menos brioso Rubro-Negro baiano.

Reza o clichê que uma grande equipe começa com um grande goleiro. Nero ar. A verdade, que salva e liberta, é outra. Um time vencedor conhece-se pelo nome do goleiro. E não há, no atual do futebol brasileiro, nenhum arqueiro com nome mais sonoro do que Viaaaáfara.

Ouçam.

“Olha que jogada perigosa, cara a cara com o gol, disparou para a meta…Viaaaáfara”.

(Ou) Viram? Não é nem é necessário colocar o adjetivo para a espetacular defesa que o referido acabou de praticar. Basta simplesmente pronunciar, compassada e emocionalmente, o santo nome do guarda-meta. Repetindo: “Viaaaáfara”.

Com um goleiro com este nome reforça-se ainda mais a profecia de que o Leão conquistará o título nacional este ano. E a estréia do colombiano contra a poderosa equipe do Sport foi digna do presente que ele recebeu na pia batismal. “Viaaaáfara”. Sonoramente, ele atuou os noventinha com firmeza, boa colocação, reflexo e agilidade de um felino.

Porém, quem roubou a cena, literalmente, foi um rato. Um rato de nome feio: Gaciba. Este soprador de apito anulou um dos gols mais limpos da história do ludopédio brasileiro, e quiçá, latino-americano. Porém, ao impedir a vitória do Rubro-Negro baiano, o rato acabou fazendo um bem: A comemoração do primeiro triunfo do Vitória no Brasileirão ocorrerá junto da torcida, no próximo sábado, contra o Figueirense.

P.S. Viafara, o herói Rubro-Negro, completa 30 anos esta noite.

 

109 anos de paixão

maio 14, 2008

Ninguém consegue apagar esta chama!

Foto de Sora Maia

FOTO DE SORA MAIA

ARRANCADA RUMO AO TÍTULO

maio 13, 2008

Agora, passadas as regulamentares 48 horas, já é possível fazer a imprescindível e retórica indagação: Que fenômeno foi aquele que assombrou Soterópolis na tarde/noite do último sábado?

Os idiotas da objetividade provavelmente se apressarão em responder que o brioso Esporte Clube Vitória perdeu para o Cruzeiro por 2×0. Como eles ficam apenas apegados a este placar, jamais conseguirão vislumbrar adiante e entender o que realmente ocorreu no Parque Sócio-Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas.

Então, para abreviar as aflições destes indigentes futebolísticos, antecipo-lhes a verdade que salva e liberta: A peleja contra a equipe Celeste significou nada menos que a arrancada Rubro-Negra rumo ao título nacional.

Conforme eu já havia alertado no texto anterior, agora que está livre da opressão tirânica de ACM, ninguém tira este campeonato do Vitória. Pouco importa se o escore final contrariou o que aconteceu nas quatro linhas. A resposta da arquibancada ao término do jogo mostrou que a torcida compreendeu a importância histórica deste momento. A multidão simplesmente ignorou a teimosia do placar e aplaudiu, em pé, a equipe que deixou o Cruzeiro (o segundo melhor time do país) completamente atordoado.

Por entender que o resultado final não simbolizou nem traduziu o impiedoso massacre do Rubro-Negro nos 90 minutos, a equipe mineira saiu do estádio quase envergonhada. Numa das raras vezes na história do ludopédio, um time não vibrou com uma pseudo-vitória. Por pudor.

POR QUE O VITÓRIA SERÁ O CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2008

maio 13, 2008

A aula de hoje começa com um exercício para fixação de aprendizado. Já ensinei aqui, mas repito: Só os idiotas misturam futebol com política – e eu sou um idiota.

Assim, baseado neste axioma (recebam, sacanas, um axioma pelas caixa dos peito), profetizo: Agora que, pela primeira vez, está livre da nefasta influência de ACM, o brioso Esporte Clube Vitória conquistará o título brasileiro.

E esta profecia vem com o carimbo da modéstia: Faço a afirmação com a autoridade de quem já estudou, de forma detalhada, as relações entre o exercício da política autoritária e a prática do ludopédio em 26 idiomas. Poderia, portanto, discorrer sobre os regimes ditatoriais de Médici e de Jorge Rafael Vilela Videla (Valeu, Jairo), que levaram o caneco em 70 e 78, respectivamente. Porém, faço um corte epistemológico e analiso apenas o caso de nossa besta e bela província.

Seguinte. Durante os séculos em que o Cabeça Branca mandou aqui, nunca houve glórias futebolísticas. O único título nacional de uma equipe da terra ocorreu no final da década de 80 de século passado – exatamente no breve período em que ele estava alijado do poder.

Antes de encerrar esta abalizada análise, abro um parêntese para tratar desta conquista tricolorida. Ouçam.

(De tanto ouvir os torcedores do Jahia afirmar que foram campões no ano de milenovecento e lascou a boca, um amigo fez a seguinte e sensata advertência: “Se vocês continuarem com esta monocórdia ladainha, em breve vão se transformar em um time-travesti. Isto é: vivem apenas do que ganhou atrás. E, quando Ronaldo souber disso, virá para cá e vocês terão duas opções. Dançar com a bunda na parede ou comprar todo o estoque de tapa-cu da Estrela”).

Pareneteses fechado, volto ao exercício de fixação e repito: Agora que está livre da nefasta influência da tirania carlista, o brioso Esporte Clube Vitória conquistará o título brasileiro.

Para além destes aspectos políticos-pebolísticos, há um outro fator que garantirá ao Rubro-Negro a taça deste ano. Depois de muitos anos, finalmente achei uma localização no Parque Sócio-Ambiental onde os jogadores podem ouvir minhas instruções. No último domingo, por exemplo, minhas orientações do referido lugar, o alambrado, foram responsáveis pela conquista do bicampeonato baiano.

Confiram nesta fota antológica de Antônio Queiroz, do Correio da Bahia.

P.S Sei que Paulo Emílio Salles Gomes já disse que a função do profeta é apenas profetizar e não acertar. Mas, já o contrariei, conforme vocês podem confirmar clicando AQUI e ALI