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A HORA É AGORA!

dezembro 16, 2008

Só agora, passadas as regulamentares 48 horas, é possível fazer a imprescindível pergunta: que fenômeno foi aquele que assombrou o Rio Grande do Sul e uma banda de Santa Catarina no último final de semana?

Sei que, de acordo com as boas normas da argumentação, este parágrafo deveria ser usado para responder à indagação do anterior, mas fodam-se as regras argumentativas. Chuto-as para o mato que o jogo é de campeonato e faço uma nova inquirição: como foi que um bando de guris, acostumados apenas a esquentar a bunda no cimento da arquibancada, conseguiu realizar a maior revolução na história recente do futebol brasileiro, elegendo 23 comuns para compor o Conselho Deliberativo do Internacional?

Pois muito bem. Como tão alvissareiro acontecimento, que começou com uma mobilização na internet, se deu efetivamente, não sei. Mas, como diria o menino Chicó, “só sei que foi assim”. E sei também que eles mostraram que o impossível é só um desafio, conforme já haviam pichado nos muros de Paris outros e insolentes jovens. E, a partir de agora, a cartolagem velhaca vai ter que aprender a seguinte e nova lição: conviver com pessoas que nunca fizeram parte do seu reino de seres perversos. Não que estes novos sejam santos, e ninguém quer isso, mas são diferentes – o que não é pouco.

É óbvio que nem tudo que é bom para o Rio Grande do Sul é bom para a Bahia. Os gaúchos têm umas manias estranhas como chupar chimarrão e outros estranhos objetos que não valem à pena citar aqui, pois ainda há crianças no recinto neste horário. Mas, o que importa é que eles deram um belo exemplo de que podemos participar da construção de nosso clube. Cabe agora aos homens e mulheres de boa-vontade e de amor aos seus clubes seguirem a trilha.

Sei que esta convocação, como todas as convocações, soa um tanto quanto piegas e patética, mas o caminho da salvação está exatamente em não ter medo do ridículo. E olha que quem faz esta pregação é alguém com um (quase) incurável ranço pessimista. Em termos eleitorais, por exemplo, desde que me entendo por gente, isto é, por torcedor do Rubro-Negro, e lá se vão alguns séculos, guio-me pelos seguintes e sábios ensinamentos do menino Ken Livingstone: “Se eleição mudasse alguma coisa, os homens já teriam acabado com isso”.

Há cerca de um mês, por exempo, quando soube, via IMPEDIMENTO, que os tais meninos gaúchos estavam organizando a Chapa 3 para a disputa do Conselho do Inter, fiz uma cara de desprezo que é impossível reproduzir com palavras. E só não falei nada porque não queria tripudiar sobre sonhos alheios.

Porém, amigos, em verdade vos confesso: quando fiquei sabendo, pelo mesmo IMPEDIMENTO, que eles haviam conseguido…putaquepariu, que alegria do caralho!. Há tempos não sentia uma felicidade juvenil tão gostosa – talvez desde o inesquecível título de 1985, quando invadi o gramado da Velha Fonte Nova e as porra.

E, por causa da vitória dos guris gaúchos (Sim, vitória, afinal qual outra palavra para usar quando se consegue eleger 23 pessoas comuns num ambiente dominado por raposas?), mas eu dizia que por causa da vitória dos guris eu mandei às favas aquela minha convicção, aquele meu ceticismo de merda e resolvi convocar a nação Rubro-Negra a tomar o pulso da nossa história.

A eleição no Esporte Clube Vitória está marcada para a primeira quinzena de dezembro de 2010. Nela, os sócios com mais de 18 meses filiados ao clube têm direito a voto. É óbvio que o pleito aqui será majoritário, e não proporcional, praticamente inviabilizando a eleição de pessoas que não façam parte da antiga curriola. Mas, quem se importa? O que vale, a partir de agora, é seguir o exemplo dos torcedores do Inter e desafiar o impossível.

Vamos, rebáin de miséra, parem de sofrer e se lamentar. A HORA de se associar e começar a mudar a nossa história É AGORA.

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O GRITO DOS INOCENTES

dezembro 12, 2008

As já frágeis estruturas do futebol brasileiro e, quiçá, sulamericano acabam de sofrer um forte abalo. E o motivo do furdunço é o seguinte: A Diretoria do Esporte Clube Vitória anunciou há poucos instantes a contratação de Neto Baiano e Roque, dois reconhecidos e consagrados gênios do pebolismo. O primeiro, para quem ainda não sabe, era reserva da Ponte Preta, a briosa macaca, que disputou a segunda divisão. Já o outro, com nome de música barulhenta e de lutador de filme ruim, labutou na Terceirona defendendo as cores do Guarani. Em que pese também não estar nos planos desta equipe campinense para o próximo ano, Roque deve ser um ás na lateral-esquerda (ala é a puta que o pariu), pois tem uma CARA de quem conhece e pratica o ludopédio em 18 idiomas. 

Pois bem. Perplexo diante de tão importantes e chocantes acontecimentos, fui buscar respostas nos recantos tradicionais. E mais uma vez consultei runas, búzios, tarôs, almanaques, bulas, evangelhos, capas de Veja, ciganos, pais e mães de santo – mas nada. Ninguém conseguiu explicar os motivos destas contratações que devem modificar até mesmo a inclinação do eixo do planeta terra. Então, para não deixar perpetuar o silêncio neste grave momento da nação, resolvi recorrer à voz divina do povo. E  no glorioso WWW.CANALECVITORIA.COM.BR encontrei, senão a salvação, ao menos um bálsamo para minhas aflições.
Ouçam o que disseram os torcedores. Começemos pela singela mensagem de um ouvinte que se apresenta com o nome de DITO. Às aspas.

TOMARA QUE A MÃE DESSE CARA DE AXÉ (nota da redação: presidente axezeiro do Rubro-Negro, Jorge Sampaio) ABRA AS PERNAS PARA ESSES CARAS,  NETO BAIANO E ROQUE. SÓ ASSIM ELE VAI SENTIR A MESMA A RAIVA QUE TÔ PASSANDO COM ESSAS CONTRATAÇÕES“.

Francklin, um reconhecido poliglota, largou a seguinte.

FILHOS DA PUTA, CADÊ AS CONTRATAÇOES DE PESO COMO NADSON, JOÃZINHO,PET E OUTROS??? NETO BAIANO E ROQUE SÃO PRESENTES DE GREGO!!! DEIXEM MEU VITORIA, FIGLIOS DI TROIA!!! VÀ FAN CULLO!!!”

Rita, uma moça educada, ironizou em caixa baixa.

 “pelo jeito rodrigão e tripodi não vão fazer muita falta, pois os substitutos (roque e neto) estão à altura”.

Mas o protesto voltou à caixa alta com Orlando Furioso que, honrando o sobrenome, não se conteve.

ESTOU PASSADO!!! QUE CONTRATAÇÕES PÉ-DE-CHINELO SÃO ESSAS, SR. JORGINHO CABEÇA DE PICA AMASSADA?

E, para finalizar, um outro, que assinou com o nome de Galera, fez a encarecida solicitação.

GALERA, NÃO VAMOS NOS ESTRESSAR À TOA. LEMBREMOS QUE ELES DISSERAM QUE SÃO QUATRO OU CINCO CONTRATAÇÕES ATÉ O FINAL DO ANO. ENTÃO, AINDA ESTÃO FALTANDO DUAS OU TRÊS. ISTO É SÓ O COMEÇO. VAMOS DEIXAR PARA ENFARTARMOS NA ULTIMA DIVULGAÇAO”.

Pois muito bem. Ao ouvir estas súplicas tão singelas e tão contidas, lembrei-me de outra manifestação,  igualmente singela e contida, protagonizada por um torcedor Rubro-Negro no dia 10 de setembro de 2005.

Seguinte. Na ocasião, o Vitória enfrentava a Portuguesa, precisando apenas de um simples triunfo para se livrar da Terceirona. Toda a torcida no Barradão estava aflita, mas ninguém assistia à peleja com a cara tão enfezada quanto à de um senhor negro e forte, com aparência de estivador. Ao lado da esposa, ele não movia um músculo da face.

Porém, quando o jogo terminou 3 x 3 e o Vitória foi rebaixado para a 3ª Divisão, ele subiu lentamente as arquibancadas, postou-se no último degrau e, na frente da esposa, começou a baixar as calças e a gritar: “ME COMAM, ME COMAM. PODEM ME COMER. UMA PESSOA QUE TORCE PARA UMA PORRA DE UM TIME DESSE SÓ PODE SER VIADO”.

 

P.S. 1 Alô, Jorge Sampaio? Você está me ouvindo? Sim? Então, vou lhe fazer uma proposta irrecusável. Seguinte. A partir de hoje asumo o compromisso de não lhe chamar mais de axezeiro, nem cabeça de pica amassada. Melhor ainda. Prometo que não usarei minhas bobas e hiperbólicas ironias para lhe criticar.
E em troca solicito apenas que você pare, de uma vez por todas, com estas contratações esdrúxulas. E peço não apenas por mim, mas principalmente pela esposa do referido estivador. Ela não merece rever/reviver aquelas cenas indignas que seu (lá dela) marido protagonizou naquele triste início de setembro de 2005.

Ficamos certos assim?

Então, Deus lhe pague.  

P.S.2 Pode acessar constantemente meu outro blog, o WWW.INGRESIA.OPENSADORSELVAGEM.ORG ,para comprovar que cumprirei a minha parte, seu cabeça de…ops, desculpe.

Mais um ato de generosidade do Leão

dezembro 9, 2008

Noves fora as presepadas no quartier latin, o ano da graça de 1974 está para o futebol assim como o de 1968 está para as chibanças comportamentais: um verdadeiro marco revolucionário.

E quando falo em revolução do ludopédio é óbvio que não me refiro ao tão aclamado Carrosel Holandês. Nero ar. A referida seleção apenas copiou um sistema desenvolvido no sertão baiano, conforme expliquei neste tratado futebolístico escrito em 4 de junho de 2005.

Mas, derivo. O que dizia é que 1974 representa um marco na história do balipódio por causa do time Rubro-Negro comandado por Bengalinha. Amigos, em verdade vos digo: Jamais houve na história do futebol tantos craques em uma só agremiação.

Para que vocês tenham uma idéia, os próprios jornalistas que cobriam a competição (esta raça de gente ruim) foram obrigados a admitir a belezura do futebol praticado por aquela equipe. E elegeram três jogadores do Vitória para a seleção do campeonato. Aliás, foi o único time com três atletas no Bola de Prata. Confiram.
Joel Mendes (Vitória); Nelinho (Cruzeiro), Figueroa (Inter-RS), Miguel (Vasco) e Vladimir (Corinthians); Dudu (Palmeiras) e Mário Sérgio (Vitória); Osni (Vitória), Zico (Flamengo), Luisinho (América-RJ) e Lula (Inter-RS).

Se vocês acham que isso ainda é pouco, informo-lhes que o Rubro-Negro baiano dava-se ao luxo de ter um craque da categoria de Jorge Valença no banco. Como dizemos aqui no Nordeste de Amaralina, depois da terceira ou quarta dose, “aquele time era sacanage, pai véi”.
É óbvio que, assim como os grandes times que encantaram o mundo (Hungria de Puskas, 1954, Portugal de Eusébio, 1966, Holanda e Sociedade Esportiva de Irecê, em 1974, e A Canarinho de 1982), o Esporte Clube Vitória não se sagrou campeão naquele ano. Afinal, para as equipes mágicas não importam títulos, mas apenas o essencial: dar espetáculos.

E o vitorioso naquele ano foi exatamente o Vasco da Gama que, no dia 18 de julho de 1974, contou com o auxílio luxuoso de Agomar Martins. O juiz ladrão gaúcho (desculpem tantas redundâncias) cometeu um dos maiores furtos da história da humanidade diante de 46.708 pagantes na Fonte Nova, prejudicando o Vitória contra o time da colina.

Talvez por isso, o apressado e impaciente ouvinte deve estar pensando que o banho de bola que o Rubro-Negro deu anteontem no Vasco foi apenas para se vingar deste referido episódio. Mas, eu lhes asseguro: Não foi apenas vingança, não. Foi, antes de tudo, um ato de generosidade do Leão. Mais um. Afinal, um time para ser um time de verdade precisa conhecer os gramados esburacados das divisões inferiores. É preciso morrer pra germinar. Sofrer e voltar a ser grande.

Por tudo isso, metemos 2 x0 no Vasco de Roberto Dinamite para que ele possa ressurgir em 2010. E, tenho a certeza, retornará exatamente na vaga do Carniça Futebol de Itinga.

E por que queremos o Vasco de volta, e não o outro? Só gostamos de bater em gente grande.

HONRA AO MÉRITO

dezembro 1, 2008

Na última transmissão desta intimorata emissora, este rouco e erudito locutor destacou o alto GRAU de escolaridade da torcida Rubro-Negra. Agora, tratarei de outro (altíssimo) GRAU que marca os adeptos do Leão: o de impaciência.

Existe um grande número de rubro-negros que parece ter nascido de sete meses. Para eles, tudo é aflição, angústia, ranger de dentes – e vaia. A má vontade é tamanha que fico pensando se, por acaso, aquela jogada memorável de Pelé contra o Uruguai na Copa do México fosse executada com a camisa rubro-negra, o negão não seria banido do futebol naquele exato instante.    

O mau humor de algumas almas sebosas que freqüentam o Barradão é tanto que, às vezes, o juiz nem apitou o começo da peleja e já tem jogador sendo vaiado. Por conta desta, digamos assim, peculiar característica, muitas injustiças foram cometidas contra os atletas do Vitória. Vá matar o demônio.

Poderia citar aqui centenas de craques, promessas e outros maizomenos cotados que tiveram suas carreiras abreviadas no Leão por causa desta implacável perseguição do torcedor, mas ficarei apenas com o caso de menino Marquinhos.

O que tentaram fazer com o garoto não foi brincadeira. Porém, para não cansar o ouvinte, abster-me-ei (recebam, fariseus, uma mesóclise pelas caixa de catarro)  de listar as injustiças cometidas desde o início do ano. Fixar-me-ei (tomem, sacanas, outra colocação pronominal de alta estirpe) somente nos momentos que antecederam a partida contra o Palmeiras.

Amigos, em verdade vos digo: foi um plantão rigoroso, verdadeira sopa de tamanco. Uma parte da torcida arranjou todo tipo de nomenclatura para o jovem atacante – menos o de santo. 

E, com menos de 10 minutos, só porque ele errou uma jogada, um fidumaégua ao meu lado já puxava uma vaia – provavelmente emprenhado no ouvido por radialistas inescrupulosos (desculpem-me a redundância). No entanto, logo depois Marquinhos foi o Marquinhos de sempre. Rápido, fominha, habilidoso, mascarado e, em alguns momentos, genial, brilhante. E infernizou a zaga do Palmeiras, como já havia infernizado a zaga de quase todos os times neste brasileirão.

Quando o jogo acabou, porém, a torcida, ou a maior parte dela, finalmente reconheceu a importância do jovem ídolo. E, de pé, bateu palmas em agradecimentos pelos momentos de intensa alegria que ele nos proporcionou.

O rapaz, então, se ajoelhou e beijou o gramado. E eu, se não fosse minhas raízes sertânicas, teria deixado cair algumas lágrimas impertinentes que teimavam em deixar meus olhos rasos d’água.  Desde que o vi pela primeira vez intuí, assim como Vadão, técnico que o lançou na equipe, que ele merecia um certificado de honra ao mérito.

P.S Ei, parem. Esperem aí. Aonde vocês pensam que vão? Nero ar. Botem novamente a bunda na cadeira, pois em breve este locutor voltará a esta tribuna para tratar das profecias feitas no início do campeonato.
E, em 2009, o blog voltará internacional, bilíngue, falando em português e espanhol, espanhol, não, basco castiço.

Bitória, Bitóoooooria, Bitóóóóoooooooooooria, CARAJO!