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Este Felicianão não vai acabar bem*

agosto 6, 2013

Os incautos podem achar que um campeonato está condenado à infâmia apenas porque o Botafogo lidera a peleja, de modo isolado, após 11 rodadas.

Nécaras. Ledo e Ivo engano.

É fato que o Alvinegro carioca sempre tem culpa no cartório pelas assombrações que povoam o pebolismo de Pindorama. Porém, a convicção, a certeza, a prova cabal de que a casa está fedendo a homem neste FELICIANÃO ocorre no exato momento em que o jogo mais dramático do fim de semana tem como protagonistas Vitória & Portuguesa – dois dos times mais amaldiçoados da história do Ludopédio, que nunca estrelaram conjuntamente nenhuma edição.

PUTAQUEPARIU O AZAR!!!

E o pior é que as testemunhas da inexplicável e, talvez por isso, óbvia tragédia nunca percebem quando o espectro do desatino ronda o ambiente.

Como assim? Assim, ó.

O ponteiro do relógio batia ali por volta das 17 horas, cinco minutos e oito segundos quando os ônibus do Leão e da Lusa chegaram, quase que concomitantemente, ao Estádio Manoel Barradas, o Monumental Barrasquitão.

Pois bem. Enquanto os paulistas vinham num veículo leito, cheio de guéri-guéri, a delegação Rubro-Negra desembarcava a bordo de um coletivo fuleiro, que nem vidro fumê possuía.

Ninguém deu importância a esta fundamental questão do conforto no deslocamento, mas a verdade é que este crucial problema da mobilidade urbana foi determinante para o desenrolar da primeira etapa.

Seguinte foi este.

Os jogadores do Vitória, padecendo por conta da sacolejante viagem no mal-ajambrado buzu, entraram em campo mais cansados do que os paus-de-arara das histórias de Patativa do Assaré que desembarcam na Paulicéia. Já os Rubro-verdes, reféns do conforto, desfilavam garbosamente pelo gramado do Barradão com a empáfia dos novos ricos, aqueles tipos que estão sempre esbanjando por acreditar que a fortuna nunca tem fim. E eles chutavam e perdiam duas, nove, seiscentas bolas com uma displicência atroz. Graças aos Exus que esta entidade abstrata chamada “deuses do futebol” é apenas uma ficção. Caso contrário, o placar imoral da primeira etapa seria 8 x 0.

Contudo, antes de prosseguir a homilia, cabe uma licença para repetir o seguinte mantra confessional. Abre aspas.

“É automático, minha comadre, não importa o adversário. Basta o Vitória brocar o primeiro gol numa peleja qualquer – e este angustiado e crente locutor saca logo do coldre o inexorável Cepacol, gritando em 18 idiomas: “DESLIGA O REFLETOR, DISGRAMA”.

Este brado retumbante de galhofa e desespero (sim, no Leão, galhofa e desespero convivem de modo harmônico) é uma espécie de antídoto contra as traquinagens que por (des) ventura o Rubro-Negro venha a aprontar logo em seguida. E como apronta. Minhas maltratadas pontes de safenas (ainda) estão aqui para não me deixar mentir.

Por isso, assim que o Vitória balança as redes, rezo num sei quantas Ave Maria; três mil duzentos e 26 Pai Nosso; bato na madeira até fazer calo; apelo aos tradicionais banho de folha de arruda e ajoelho imediatamente no genuflexório, implorando ao santo operador do sistema nacional de energia elétrica que providencie logo mais um apagão geral, um blecaute, um corte em todas as linhas de transmissão das usinas hidrelétricas, termelétricas e do caralho aquático, desliga tudo, porra!!!”.

Mas, neste domingo, diante do massacre, nem esperei o primeiro gol Rubro-Negro e já apelei: “DESLIGA A DISGRAMA, SATANÁS!!!”. E Ele ouviu as minhas preces. Assim, o árbitro nem pode dar o apito final no primeiro tempo, pois se fez a escuridão. E zero no placar.

Ô, GRÓRIA!!!

No entanto, o Cramulhão nunca deixa barato. E quando o equilíbrio parecia que ia prevalecer, o zagueiro Victor Ramos lembrou das pontas que recebeu de Nicole Bahls e deu pra trás. Cañete, secretário do Capeta, provocou o alvoroço. Portuguesa 1 x 0 Vitória.

Agora, visualizem.

Se, com menos de 30 minutos de bola rolando na primeira etapa e 0x 0 no placar, a torcida do Vitória já havia expulsado o lateral-direito que estreava no Barradão, além de ter mandado o camisa 10 do time tomar naquele monossílabo, imaginem o porvir.

Imaginaram? Pois é. Num foi nada disto.

Uma vez mais, o Sobrenatural de Almeida deu as caras – e um cidadão de sobrenome Tarracha enroscou a criança no cangote e meteu uma tamancada, empatando a labuta.

E, para desmoralizar de vez a rodada, o zagueiro Fabrício inventa de bater uma falta já nos estertores da partida, coisa de 40 minutos e caqueirada. A bola desvia na barreira e todo o estádio repete em uníssono aquela sábia e sucinta sentença de Madre Teresa de Calcutá: “VÁ MATAR A MÃE DO DEMÔNHO”.

Vitória 2 x 1 Portuguesa.

Por tudo isso, antes do apito final, advirto aos amigos de infortúnio: este FELICIANÃO, que começou sob o signo da promiscuidade, não vai terminar bem.

Oremos.

 

* Texto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

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A luta da Torcida e do BARRADÃO contra a infâmia

agosto 5, 2013

Sem medo de cometer erro ou injustiça, pode-se afirmar que uma das piores estratégias da gestão de Alexi Portela no Vitória é a tentativa de (re) elitização do Clube. Ele não consegue conceber nem aceitar o fato de que o Leão deixou de ser apenas da Barra e se transformou também no felino de Canabrava, Valéria, Nordeste de Amaralina e adjacências.

E mais. Parece que não se conforma com o axioma de que esta transformação, que propiciou a conquista da hegemonia no Estado, como é de conhecimento da Bahia e de uma banda de Sergipe, se deu com o advento do Barradão e o exponencial aumento da torcida.

PUTAQUEPARIU O AUTISMO!!!

Talvez por isso, cotidianamente, o presidente se dedica à árdua e inglória tarefa de desmoralizar a torcida e o Santuário & vice-versa. Sim, amigos de infortúnios, esta nefasta ação presidencial não pode ser debitada apenas na conta da incompetência. Nécaras. Este arrogante desleixo serve apenas para confirmar que o referido batalha pelo retorno do antigo status quo, quando o Vitória era tão-somente uma familiocracia.

Inclusive, desde que assumiu, praticamente nada foi feito para melhorar o acesso ao estádio. O estacionamento e o gramado parecem terrenos idealizados para a prática de vaquejada, sem gado (Aliás, gado existe…). Esta omissão, novamente, poderia ser debitada na conta apenas da incompetência – não fosse a insana tentativa de nos levar de volta à velha/nova Fonte de mais tristes e trágicas lembranças do que as fugazes e efêmeras alegrias.

E a relação com a torcida?

PUTAQUEPARIU A DESELEGÂNCIA!!!

O comportamento de Alexi Portela é uma das coisas mais esquizofrênicas que pode existir num relacionamento entre um presidente e o torcedor. Dia sim e outro também, ele ocupa as rádios da vida para desqualificar a razão de ser do próprio Clube. Isso, não custa repetir uma vez mais, só pode ser uma vontade inconfessável de fazer com que as pessoas desistam de torcer  – e o Vitória volte a ser cultivado e querido apenas pela ínfima (quase escrevi infame) aristocracia provinciana. Não existe outra explicação plausível para tantos e tamanhos desatinos.

Porém, como já dito, esta é uma batalha vã. Não adianta ele ficar lutando contra os números. Chega de lero e vamos à matemática. Seguinte. Apesar de todas as evidências de evasões de renda (sim, já vi várias vezes pessoas passando pelas catracas do Sou Mais Vitória sem contabilizar), a torcida no Barradão está sempre numa constante crescente. Segundo levantamento feito por Alex Ribeiro, entre os anos de 1995 e 2005, a média de público no  Santuário estava em torno dos 220 mil torcedores/ano. De 2006 até 2011, essa média mais do que dobrou, atingindo 500 mil torcedores ao ano. Em 2012, o Clube obteve a melhor média de público dentre os 20 participantes da Série B, com uma média de 16.192 mil pagantes por jogo, superando 14 times que disputavam a Série A.

Por tudo isso, encerro esta homilia repetindo que não há justificativas para o chororô de Alexi e do mordomo Caio Jr. em relação à presença da torcida. Aliás, neste domingo, contra a Portuguesa, ela e o Barradão foram fundamentais para o triunfo. Sim, só a descomunal força do estádio junto com o apoio de mais de 12 mil pessoas salvaram o time apático da crônica de uma catástrofe anunciada.  E mais. Se o Vitória hoje é 6º  lugar no Campeonato, tem que agradecer aos 100% conquistados em nosso Santuário. Se fôssemos depender da (mal) dita Arena estávamos lenhados do primeiro ao quinto.

Então, rebain de hereges, num tem caô, caô, ai, ai, seu doutô, meu pé ta doendo, é porque meu pai mora no interior, a caixa de mudança ta pesada, nem dança de rato alguma. Nesta quarta-feira, o compromisso é um só: Defender o BARRADÃO e incentivar o Vitória rumo a mais um triunfo, mesmo contra a vontade dos prepotentes.

Vamos mostrar, uma vez mais, que o vil metal não conseguirá vilanizar a torcida e o BARRADÃO.