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CORDEL INDIGNADO

fevereiro 28, 2014

Atenção, fariseus, se vocês vieram aqui procurando choro e ranger de dentes sobre a chibança de ontem, favor voltar outro dia. Aquela infâmia do Vitória diante do Ceará não merece nenhuma indignação, mas existem outros assuntos muito mais sérios que merecem, sim. Aspas para o poeta popular Zé Conquém e seu

CORDEL INDIGNADO

Quero com estes versos

Mostrar indignação

Com atitudes do prefeito

Nessa administração

De maldades sem limites

Governando para elite

Do pobre tirando o pão

Sofreram os ambulantes

Perseguição inicial

Depois os barraqueiros

No seu fazer laboral

Impedidos de trabalhar

Sem terem a quem apelar

Nessa luta desigual

O arrogante prefeito

Não poupou nem os artistas

A cultura popular

Estava entre suas listas

Com a maior cara dura

Atingiu a literatura

Perseguindo os cordelistas

O povo da favelinha

Foi vítima dum terremoto

Estava ali trabalhando

A um tempo bem remoto

O prefeito mandou derrubar

Seu espaço de trabalhar

E depois vai pedir voto

Não sei o que aconteceu

Com o povo de Salvador

Pra eleger esse homem

Herdeiro de ditador

Quer mandar até na cerveja

Que eu vou beber ora veja

O pigmeu traidor

O Carnaval é uma festa

Da cultural popular

O tema é a liberdade

No agir e no expressar

Por isso eu quero beber

A cerveja que eu escolher

Sem ninguém para controlar

Lá se vão cinqüenta anos

Da ditadura militar

Vivemos democracia

É a hora de lutar

Para que os militares

Daqui e de outros lugares

Possam desmilitarizar

Eu quero ver a policia

Vestida de columbina

Ou então de Pierrot

Armada com serpentina

Cuidando com anarquia

Pulando com alegria

E tomando vitamina

O projeto Linha Viva

Imposto pelo prefeito

Traz vantagens para os ricos

Aos pobres desrespeito

Desocupação forçada

População retirada

Ceifada e sem direito

Isso me faz lembrar

O Minha Casa Minha Vida

Onde a população

Mais carente e combalida

Descobre e vai morar

Tão longe é o lugar

Que fica desiludido

No Largo 2 de Julho

Lá já se vão muitos anos

Familias vivem na Vila

Criaram filhos e planos

No imóvel conferido

Pelo tempo percorrido

E por direitos humanos

A igreja ocupou

Terras em todo lugar

Por isso tem com o mundo

Um déficit milenar

Vila Coração de Maria

Em Salvador da Bahia

É uma dívida a saldar

Quero votar em governante

Com o pensamento novo

Que na forma de administrar

Prioriza os direitos do povo

Trabalho saúde educação

Transporte e habitação

Sem isso não me comovo

Carnaval festa de Momo

Baco rei da alegria

Dança flerte liberdade

No comando da folia

Vamos curtir na cadência

A festa sem violência

E tudo vira magia

Grampinho eu to retado

Com o valor do IPTU

Em Cassange não tem água

Saneamento ou buzu

Esse golpe eu não mereço

Se for pagar esse preço

Vou acabar ficando nu

Parabéns pessoas lindas

Do Pipoca Indignada

Que abre os olhos do povo

Numa ação organizada

Crítica e combativa

E nunca fica calada

BOTO FÉ NA RAPAZIADA

fevereiro 26, 2014

Nesta quinta-feira de Carnaval, também conhecida como amanhã, o destino do Brasil e do Vitória (o que dá no mesmo) vai ser definido na única copa que importa neste ano da graça de 2014: a inoxidável Copa do Nordeste. Portanto, desde já, todos no genuflexório, de joelhos, orando, porque a causa vale a missa.

E, como os tradicionais momentos épicos não podem ser escritos sem uma certa dose de dramaticidade, vale relembrar que, há exatos 10 dias,  a primeira batalha foi marcada por uma grande tragédia. É óbvio que não falo do empate contra o Ceará, resultado que pode e vai ser revertido, mas da enorme perda do nosso ‘marechal das vitórias’, o incansável Escudero, um dos principais responsáveis por nossa bela campanha de 2013 no Felicianão.

Porém, não temos tempo pra choro nem ranger de dentes. Ao contrário. E um dos principais motivos de orgulho e esperança está na lista dos relacionados para a partida lá no Estádio Presidente Vargas. Exatamente metade dos 18 do forte convocados por Ney Franco para este jogo decisivo foi formada na base do Esporte Clube Vitória. Só isso, amigos de infortúnios, já é uma glória.

Como assim? Assim, ó. Já ensinei, mas repito. Maestro, às aspas.

É óbvio que a simples utilização de jogadores da base não é garantia de sucesso, mas o abandono da base é a certeza do fracasso. Amigos, a verdade é uma só. Para os times que estão fora do eixo central do futebol, em economias periféricas, não há outra saída. Ou ficamos reféns dos (mal) ditos empresários da bola ou investimos nos pratas da casa. E, neste segundo caso, o custo/benefício é incomparavelmente maior, já que os caras têm identificação com o Clube, além da folha salarial ser mais compatível com a nossa realidade, dentro outros motivos. O único fato que poderia azedar a relação seria uma parte da torcida, emprenhada por radialistas escrotos, ficar exigindo a contratação de medalhões, mas parece que estamos nos livramos disso”, vide a ampla rejeição a Souza.

E mais. O momento para os meninos irem pegando cancha é exatamente agora, no início da temporada. Afinal, quando a casa começar a feder a homem, no Brasileirão, sabemos a quem podemos e devemos recorrer.

É claro que não se pode despejar nas costas da gurizada nem o peso total dos fracassos nem as glórias do desejados sucessos. Por isso, é fundamental que o elenco tenha jogadores/referências (porra, Escudero, logo agora você me inventa de se contundir, disgrama) que possa chamar a responsabilidade e dar segurança à molecada.

Contudo, apesar de todos os obstáculos e dificuldades, e independentemente do que venha a acontecer lá em Fortaleza, já seremos vitoriosos, pois estamos botando fé na rapaziada, que vai seguir em frente e segurar o rojão.

E vamos à luta.

Presidente, procure solução – e não sarna

fevereiro 25, 2014

Além da queda, o violento coice. Depois de perder vergonhosamente de 1 x 1 para o ex-rival (sim, empatar com um time fraco daquele é derrota pra se lastimar ad aeternum), o Vitória, segundo matérias publicadas em diversos sites, pode trazer o atacante Souza para vestir a 9 que já foi de Ricky e André Catimba e que atualmente está entregue aos cuidados de Dinei.

A bem da verdade, a história surgiu já faz alguns dias. Ato contínuo, porém, a torcida mostrou logo a desaprovação. Aliás, mais do que isso: expressou nas redes sociais um autêntico repúdio diante da possibilidade do referido jogador vestir o manto Rubro-Negro.

Porém, na quinta-feira, dia 20, o presidente do Vitória, Carlos Falcão, ao perceber o descontentamento da torcida, deu a seguinte e complicada declaração. “Desconheço essa informação. Não sentamos ainda e digo que acho difícil isso acontecer. Precisamos muito de mais um atacante, mas acho difícil a diretoria do Vitória chegar a um consenso para essa contratação”.

Percebam a forma oblíqua como ele tenta dissimular. Primeiro, garante desconhecer a informação para, logo em seguida, dizer que “não sentamos AINDA” e encerrar afirmando que acha “difícil a diretoria chegar a um consenso”.

Então, eu digo, oxente, presidente: num entendi. Vossência desconhece a informação, mas já intui que é difícil se chegar a um consenso na diretoria? Como assim? Aí, eu fiquei confuso. E a confusão aumentou ainda mais com a titubeante entrevista de Ney Franco após o fatídico jogo contra o nosso antigo rival. Primeiro, tentou fazer um malabarismo, se esquivando mais inocentemente do que Anderson Silva na frente de Chris Weidman. Depois, apertado, confessou: “Se depender do treinador, a contratação está aprovada”.

O problema, Ney & Falcão, ou melhor, a solução é que tal contratação não depende somente do treinador e da diretoria. É preciso, é urgente, é fundamental que neste e em outros, muitos outros casos, seja levada em consideração a voz daquele que é a razão de ser e de existir de um clube: o seu torcedor.

E é exatamente isso que vocês parecem não perceber. Estas declarações dúbias já deixam claro uma coisa: a total falta de transparência (poder-se-ia até dizer de honestidade) da diretoria na relação com a torcida. Ouçam um bom conselho. Caso não se busque construir um relacionamento pautado na confiança, depois não se pode reclamar que o torcedor fez isso, aquilo outro e etc e coisa e tals. Já foi o tempo que a torcida servia apenas para ser massa de manobra. Quem não compreender isso, poderá pagar um preço caro. Aliás, já estão pagando. Não é à toa que o número de associados ao clube é extremamente reduzido. É um sintoma de que atitudes deste tipo afastam as pessoas. Para usar uma expressão típica da roça, ninguém pega passarinho gritando xô.

Mas, voltemos a Souza.

Antes de tudo e de mais nada, é preciso deixar claro que a ojeriza da torcida, pelo menos de boa parte com quem conversei, não se resume às, digamos assim,  questões etílicas. Nero ar. Boa parte da nação Rubro-negra conhece muito bem aquele velho axioma de João Saldanha. “Quero ele pra jogar em meu time, não para meu genro”.

A propósito, basta lembrar de dois apreciadores da canjebrina que tiveram o respeito da torcida vestindo a camisa Vermelha e Preta: Allan Delon e Joãozinho. O primeiro, um dos maiores artilheiros da história do Barradão. O outro, um dos principais responsáveis pela conquista do acesso em 2007. Portanto, a questão não se resume a este moralismo de bodega. É um tantinho assim mais complicada.

O problema de Souza é que, entre outras coisas, ele vem de uma sequência de contusões (sejam elas verdadeiras ou fictícias, não nos cabe julgar), custa muito caro e tem um comportamento recente extra campo que o levou a ser encostado em seu clube atual, ao se envolver em panelas e disputas políticas, dando apoio ao ex-presidente marcelo guimarães filho. Se todo o problema dele fosse a canjebrina, não haveria problema.

E, ademais, é como bem disse o menino Elton Serra: o Vitória, neste momento, precisa de um novo Escudero, não de um velho Souza.

Por fim, encerro com mais um conselho, muito repetido pelo meu finado pai. “Quem não ouve aquieta, ouve coitado”.  Portanto, presidente,  procure solução – e não sarna.

P.S. Caso continuem com esta ignomínia, a faixa vai ser a  seguinte: “SE CONTRATAR SOUZA, UCRÂNIA VAI SER FICHINHA!”

O ANO COMEÇOU?*

fevereiro 24, 2014

Uma das maiores culhudas (se vocês não sabem o que é culhuda, num posso fazer nada) sobre a Bahia é a de que o ano aqui só começa depois do Carnaval.

Tal afirmação, que a princípio pode ser vista apenas como uma blague, tem como objetivo reforçar o preconceito propagado pelas elites locais de que baiano (no caso, o negro) é preguiçoso. Aliás, com o forte êxodo dos nativos rumo ao Sul Maravilha em meados do século passado, a ignomínia se propagou pelo Brasil e foi aceita e reforçada como verdade, tendo o auxílio pernicioso do odiento racismo. Tal infâmia foi desmascarada há coisa de 15 anos pela antropóloga Elisete Zanlorenzi, em sua tese de doutorado, O Mito da Preguiça Baiana.

Portanto, repito: esta história de que o ano aqui só começa depois do Carnaval é culhuda. (Ah, minha comadre, se a senhora a esta altura ainda não foi pesquisar o significado de culhuda, paciência). Mas, a verdade é a seguinte. Qualquer pessoa que conheça minimamente esta província lambuzada de dendê e de exclusão sabe que o ano aqui só começa realmente após o primeiro Ba x VI, a Mãe de Todas as Batalhas.

“Ah, entendi. Então, como neste domingo teve o clássico, finalmente estamos no ano novo na Bahia”, conclui o apressado leitor.

Há controvérsias, amigo de infortúnios – até porque aquele bolinha de gude sem vontade jogada pela dupla Ba x Vi não pode ser digna de ganhar o nome de clássico.

PUTAQUEPARIU A MARESIA!!!

Mas, chega de prolegômenos. Vamos às quatro linhas.

Antes de a bola rolar, além da expectativa do início oficial do ano no calendário baiano, havia outros atrativos para o clássico. Seria a primeira vez que o traíra, digo, o argentino Maxi Biancucchi, ídolo efêmero no Vitória de 2013, enfrentaria seu ex-clube, vestindo a camisa do rival. É fato que Uelliton também iria estrear no Bahia contra o Leão, mas o referido volante nunca foi muito benquisto na região do Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico, Manoel Barradas, o Monumental Barraquistão.

Pois bem. Enquanto o tricolor apresentava estas armas, o Rubro-Negro recorria à sua divisão de base. Praticamente a metade do time era da escola campeã da primeira edição da Copa do Brasil sub-20. Destes, destaque para Mauri, um canhota habilidoso, que tem boa movimentação, mas é portador de um grave defeito que acomete os jovens hodiernamente: usa chuteira coloridas.

PUTAQUEPARIU A MÁSCARA!!!!

Diante deste quadro tenebroso, boa parte da torcida ficou desconfiada. Num estádio, Pituacisky, que cabem 32 mil e caqueirada, pouco mais de 19 mil pessoas se dispuseram a largar seus cuidados para prestigiar a peleja. É fato também que boa parte dos nativos já estão embriagados nas festas pré-momescas.

Por falar em embriaguez e carnaval, só decidi ir ao estádio porque sabia que Victor Ramos, titular da minha zaga no ano passado, tá no México e não entraria em campo ressaqueado, como era seu costume. Porém, Rodrigo Defendi, seu substituto, é mais distraído do que Victor Ramos bêbado e pensando nos peitos siliconados de Nicole Bahls ou no shortinho da Moça Gerasamba.

O problema de Rodrigo Defendi (sobrenome num é destino) não é nem ele ser ruim, até porque isso seria uma virtude para um zagueiro. A tragédia é que ele é muito mole, muito educado para uma pessoa que deve cuidar da zona do agrião como um matador de filme B. O desinfeliz é o contrário disso. Ele parece esses carinhas mudernos que usam óculos da moda, brinco colorido e trabalha em ONGs. Não ofende ninguém. Deuzulivre.

Aliás, parênteses. (Apesar de o sujeito não merecer, cabe mais umas duas linhas sobre o referido. Nem tudo nele é ruindade. Seu exemplo serve como prova cabal de que o futebol europeu e estas champions leagues da vida são torneios muito superestimados. Como assim? Assim, ó. Este rapaz esteve no Tottenham, Udinese & Roma, entre outros menos cotados como Vitória de Guimarães e Avelino. É fato que quando voltou da Europa foi direto para um time do mesmo nível de lá: o Palmeiras B).

Parênteses fechado, voltemos ao ludopédio.

E vamos direto à 31ª volta do ponteiro. Seguinte foi este. Depois de escorregar de modo bizarro, o zagueiro tricolor Titi (ex-internacional) encontrou forças para se levantar, tomar uma tabaca de Marquinhos, O GÊNIO FRANZINO, e deixar a zaga do Bahia mais aberta do que mala de mascate. No bate-rebate, Juan abriu o placar. Sobre o primeiro tempo, nada mais pode ser dito nem perguntado.

Na segunda etapa, o Vitória puxou o freio de mão mais ainda, se é que isso era possível, pois tem um compromisso de vida ou morte na próxima quinta-feira, no Ceará, valendo pela única copa que interessa neste ano da graça de 2014: a Copa do Nordeste. Assim, com um minuto de jogo, a bola ficou ciscando na área Rubro-Negra, e o zagueiro de número 4, que me recuso a citar o nome, praticamente fez um gol contra. Placar 1 x 1.

Depois disso, só cerveja Schin. Até a chuva foi enganadora. Fez que caía, mas também se guardou pra quando o Carnaval chegar.
Bom, agora resta esperar o próximo Ba x Vi no dia 23 de março para ver se o ano finalmente começa na Bahia.

Oremos.

* Texto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

P.S. 1 Este foi o primeiro clássico depois que a egrégia Assembleia Legislativa aprovou a liberação de bebidas no Estádio. Para tristeza dos apocalípticos de plantão, num rolou nem uma dedada ou mesmo um mísero beliscão.

P.S. 2 Um dado que mostra a genialidade do regulamento baiano é o seguinte. O Galícia terminou a primeira fase, dos jogos de ida, invicto e com 8 pontos, mas ficaria fora das semifinais, enquanto o Bahia lidera o seu grupo com 5 e estaria garantido na fase seguinte. Chupa, pontos corridos!

P.S.3 Como desgraça pouca é bobagem, ainda tinha um abençoado ao meu lado (que atende pela alcunha de Robertinho), que ficava toda hora pedindo para Ney Franco colocar Alan Pinheiro. É graça uma porra desta?

P.S 4 Por fim, resta-me recorrer ao brioso Padre Antônio Vieira. Desculpe-me pela prolixidade, mas, por conta da correria, não tive tempo para ser breve neste meu retorno a esta impoluta tribuna.