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O “enigma do Vitória” no Sarneyzão/2009

outubro 26, 2009

Caldo de galinha e erudição não fazem mal a ninguém, conforme ensinava Irmã Dulce nas inolvidáveis homilias dominicais. Assim, começarei a aula magna de hoje seguindo este conselho de minha santa preferida e gastarei uns três ou nove parágrafos analisando a situação socioeconômica da Bahia em meados do século passado.  

Naquela época,  como é de conhecimento de 97,16% dos cultos ouvintes desta emissora, esta besta e bela província enfrentava uma grave estagnação econômica – processo este denominado de “enigma baiano” pelo professor Pinto de Aguiar, aquele mesmo que dá nome à rua dos motéis.

Mas, derivo.

O fato é que, em toda a sua história, esta terra inconsequente e lerda sempre andou com o freio de mão puxado, quase parando. No entanto, neste referido período, a leseira foi ainda maior. E, como sói nestes momentos, milhares de estudiosos se debruçaram (lá eles) sobre o tema e levantaram as mais díspares hipóteses.

O menino Tales de Azevedo, por exemplo, garantia que o problema era decorrente da “influência materna na constituição das famílias irregulares de nossa sociedade”. Por sua vez, Braz do Amaral falava que o atraso era decorrência da “sangria de braços na guerra do Paraguai”. Já Rômulo Almeida, depois de fazer um comparativo entre as economias baiana X pernambucana, pregava que o entrave relacionava-se a questões geográficas e históricas.

É óbvio que não se chegou a nenhum consenso – e a Bahia continua até hoje nesta maresia de dar gosto.

Valei-me, meus culhões de Cristo! O homem amaluqueceu de vez. Tá cheirando maconha, Sêo Françuel? Que conversa enviesada da porra é esta? O que é que isto tem a ver com o Vitória?”, interrompe-me a impaciente e religiosa ouvinte. 

Pois bem. Aspiro mais dois tragos e respondo. Ou melhor, não respondo, mas tomo emprestado o rótulo e digo que neste Sarneyzão/2009 há um “enigma vitoriano” que precisa ser decifrado. Afinal, qualquer criança de seis anos, que consiga dar pelo menos 3 pontinhos numa bola, sabe que não há nenhuma equipe jogando mais bola do que o Rubro-Negro neste ano. Pode ter igual. Melhor, não.

Então, por que diabos times muito maizomenos, como Palmeiras e Atlético, lideram a competição enquanto o Leão patina no meio da tabela? 

Talvez o mundo acabe e nunca tenhamos a resposta exata. Porém, não custa levantar hipóteses. E a minha é a seguinte: Mais do que a postura em campo, falta atitude fora das quatro linhas.

Eis dois exemplos que ilustram o que digo.

Depois do jogo contra o Palmeiras, sintonizei numa destas rádio da vida para ouvir a execução do hino do Vitória, as narrações dos gols, as piadas dos torcedores, enfim, estas coisas que prolongam nossa alegria após um triunfo espetacular contra o líder do campeonato.

Porém, o clima era de enterro. Só se falava que Neto Berola ia ser vendido, que a renda tava errada, que Roger não jogava nada, que havia urubus sobrevoando o estádio, enfim, um quadro apocalíptico.

No início, pensei que era apenas algo pontual, mas permaneci ligado e verifiquei que esta ladainha se prolongou ad infinitum. Após as presepadas dos radialistas escrotos, entra no ar o presidente Alexi Portela com um ânimo de velório.

Putaquepariu a falta de vibração!

É claro que qualquer possa em sã consciência, e com o mínimo de boa fé, reconhece que Alexi tem feito um trabalho digno à frente do Leão. Saneou as contas, fez uma acertada política financeira e etc e coisa e tals. Porém, é preciso mais. Além de uma boa administração, um presidente tem o dever de elevar a moral da tropa, assumir o front, reconhecer os erros e, principalmente, celebrar as grandes conquistas com fervor para contagiar a equipe. E vencer o líder da forma que vencemos foi um grande feito. Porém, Alexi falava na rádio como se o Vitória tivesse tomado uma balaiada do porco paulista.

Putaquepariu a falta de vibração!

E esta, digamos assim, apatia ocorre não somente depois dos triunfos, mas antes mesmo de a bola rolar.

Vejam o caso do jogo contra o Atlético Mineiro. Apesar de comandar um time meeiro, Celso Roth, que nunca ganhou porra de nada em nível nacional, assumiu o discurso de vencedor. Na antevéspera do jogo contra o Rubro-Negro, ele afirmou que seu time era candidato ao título. E falou isso passando convicção – e não somente a boba arrogância. Enquanto isso, Mancini dava entrevistas quase que pedindo perdão.

Putaquepariu a falta de vibração!

Assim, quando a bola rola, o time até assume uma boa postura em campo e vai pra cima do adversário. Porém, falta-lhe a firmeza dos conquistadores. Joga bem, cria oportunidades, mas na hora JOTA entrega a rapadura. Por isso, mais uma vez, mesmo jogando melhor, o Vitória perdeu.   E perderá sempre que entrar em campo entoando o discurso dos derrotados. É hora, portanto, de começar a mudança simbólica. 2010 é logo ali. 

Eis minha teoria sobre o “enigma vitoriano” e sua possível superação. Quem tiver outra explicação, que apresente – ou se cale para sempre.

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O impossível é só um desafio

outubro 20, 2009

A Bahia e uma banda de Sergipe sabem que, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP’s), é terminantemente proibido comemorar uma vitória sobre a fraca equipe do Náutico.   Afinal, mais do que um resultado lógico, brocar o timbivisky é uma obrigação de qualquer equipe que se respeite. Assim, seguindo este raciocínio cartesiano, deveria abster-me até de fazer a resenha do jogo do último domingo.

Porém, em verdade vos confesso: Este rouco locutor vibrou adoidado com o triunfo contra o escrete pernambucano. Para que vocês tenham idéia, na referida chibança gastei cerca de três ou nove litros de Cepacol (viva a exatidão!) Aliás, mais do que isso: fiquei muito contente, mais feliz do que um relâmpago no trigo, para usar a erudita imagem do menino Júlio Cortázar.

E antes que as carolas Senhora de Santana venham dizer que eu ando bebendo demais, explico logo os motivos da euforia.

Primeiro, vamos à peleja propriamente dita. Seguinte. Uma das coisas que mais me alegrou no último domingo foi que o Vitória abandonou definitivamente a síndrome de Irmã Dulce, aquela ordinária vocação para ajudar os deserdados. Este impiedoso triunfo contra o Náutico mostrou que a madeira pode (e vai) gemer no lombo de qualquer um, seja grande, pequeno ou minúsculo. Ô, a sopa de tamanco voltou.

Além disso, o Rubro-Negro lascou em banda outro incômodo tabu. Qual seja. Pela primeira vez neste Sarneyzão/2009, o time começou atrás (de lá ele) e virou, demonstrando que o momento é de superação.

Por falar em superação, vamos aos outros motivos que levaram este embriagado locutor às insanas comemorações.

Seguinte é este. De acordo com a matemática moderna, ainda faltam oito rodadas para o término do campeonato e estamos a apenas 10 pontos do líder. Sim, eu miro é o líder. Porra de almejar apenas a Libertadores.

Mas, derivo. A questão é que nesta última rodada ocorreu o seguinte e inédito fato na história do pebolismo de Pindorama: Pela primeira vez, nenhuma das seis equipes paulistas que disputam a competição marcaram um gol sequer, tanto as que estão no topo da tabela quanto as que habitam o subsolo. 

E o que isto significa? Que esta galera do eixo não está a afim de levantar o caneco. Então, como eles, há várias rodadas, demonstram que não têm força, desejo nem interesse de levantar a taça, chegou a hora do Leão botar a faca nos dentes e repetir a homilia que a população do Norte e Nordeste de Amaralina, emulando os revolucionários do Maio de 68, entoa desde a noite do último domingo:

CHEGA DE BORÉSTIA, REBAIN DE SACANAS
VAMOS BROCAR RUMO AO TÍTULO
AFINAL, O IMPOSSÍVEL É SÓ UM DESAFIO

 

P.S Definitivamente, a mistura de canjebrina com algumas substâncias não recomendadas pela Carta Magna não tem feito bem à minha maltratada memória. Esqueci de dizer que tudo conspira tão a favor do TRI-TÓ-RIA, que até mesmo Leandrão, que conheço jogando pedra em santo de outros Carnavais, praticou algo parecido com o Ludopédio. Ô, grória!

Dois times, dois destinos

outubro 19, 2009

Por Haroldo Mattos*

 

Que timaço era aquele Náutico!

Nunca mais esqueci aquele torneio impressionante. Foram cinco partidas, cinco vitórias, 26 gols a favor e três contra. Destes três,dois foram feitos por mim, na menor goleada aplicada (5×2) por aquela máquina de fazer gols…

Bem. Fora este torneio disputado na década de setenta, onde o time de botão listrado em vermelho e branco (este em madripérola) comandado por meu amigo de infância Heron Santos, não tenho na memória nenhum grande resultado de qualquer time do Brasil com estas cores e com este nome. Tanto em mesa de botão quanto em gramados oficiais.

O jogo de ontem, contra o homônimo daquele timaço de botão da minha infância foi um desabafo Rubro-Negro.

Sinceramente, nada contra o Clube Náutico Capibaribe. Aliás, nem me sinto à vontade em xingar ou desejar mal a um time que nunca faz mal a ninguém.

Sinto-me menos à vontade ainda em promover este time a “rival “ do Vitória. Não faz nenhum sentido acreditar que um clube que desde que voltou à 1ª divisão do Campeonato Brasileiro – depois de um quase interminável período nas divisões inferiores, e que apenas joga para fugir de um novo rebaixamento-, tem potencial para ser um rival nosso.

É difícil levar a sério um megalomaníaco jogador do Náutico, ou qualquer torcedor com complexo de superioridade, que acha que tem cacife para, pelo menos, bater boca com um time do tamanho do Vitória.

Olho para eles como um primo pobre, proveniente da mesma região minha, porém com propósitos e foco totalmente diferentes. Torço até para que eles se mantenham na Série A, pois no próximo ano poderemos contar com seis ponto certos.

Só para se ter uma idéia, eis alguns números: Quando entramos em campo ontem completamos o nosso jogo nº 696, enquanto nosso primo jogou o seu 485º. Quando fizemos o primeiro gol, este foi o de nº 822, enquanto o deles, foi o de nº 577. Quando o jogo terminou, marcamos nossa 235ª vitoria,enquanto eles ficaram estacionados na de nº 159.

Só nesta comparação rápida de números em campeonatos brasileiros de todas as divisões, vemos que não é possível qualquer tipo de competição entre os dois clubes.

Portanto, Vitorianos, fomos ao Barradão, torcemos pelo nosso clube e vimos mais uma vitória. Ganhamos, a torcida gritou “Olé”, e recebemos os visitantes bem. Isto faz parte das honras da casa. Ganhar partidas aqui no nosso estádio, faz parte do nosso dia-a-dia. Aquele gesto eternizado por Romário após um gol (dedo indicador em riste junto aos lábios, pedindo silencio a quem fala besteira) é a maior resposta a um jogadorzinho medíocre, que pensa que joga alguma bola.

O Náutico é apenas mais um clube que passa aqui no Barradão e deixa três pontos. Eles não são nossos rivais nem são nossos oponentes. O Náutico é apenas mais um clube nordestino coadjuvante do Brasileirão, mas que, como nós, passa por todas as dificuldades de afirmação, principalmente, pelo abismo financeiro que existe entre nós e os grandes clubes do Sudeste.

Que ele siga o caminho dele e que nós consigamos reduzir os cinco pontos que os separam do G4.

Te Amo Vitória!Sempre…

*Haroldo Mattos é centroavante, mas só em futebol de botão.

Libelo contra a covardia

outubro 13, 2009

Caso este sóbrio locutor tivesse o dom de iludir, furtaria a seguinte prosopopéia que um amigo largou hoje cedo. “Sêo Françuel, neste empate contra o Santos, saiu tudo dentro dos conformes, pois o Vitória apenas comemorou o Dia das Crianças em sua plenitude. Assim, com esta estratégia, cometeu um monte de erros infantis, deixou o baixinho Madson fazer a festa e ficou assistindo às brincadeiras do juvenil Neymar”.

Pois bem, amigos ouvintes. Se você veio aqui procurando um texto assim, engraçadinho, cheio de guéri-guéri, favor voltar outro dia. Não há motivos para festa, ora esta, não sei rir à toa. (Chupa, Belchior). Na verdade, o inverso é o correto. Estou é virado nos seiscentos cão.

Para que vocês tenham noção do quão (recebam, fariseus) injuriado me (des) encontro, confesso logo o seguinte. Na época em que Experimentalgiani, que deus o tenha, entregou a rapadura naquele jogo bizarro contra o Vasco, fiquei com muita raiva. Meses depois, quando a displicência nos fez perder a vaga na Sulamericana para o River Plate do Feiraguay, também fiquei retado. Porém, em nenhum destes dois vacilos do Rubro-Negro senti este ódio ancestral, esta ira bíblica, este gosto de bota de sargento que azeda meu paladar.

Putaquepariu os retranqueiros!

Há séculos não vejo um time do Vitória tão covarde, principalmente diante de um adversário meeiro. Aliás, por conta da presepada de ontem no Pacaembu, cheguei à conclusão de que Mancini nunca escutou aqueles sábios ensinamentos de Fausto, o Maravilha Negra que envergou a amarelinha na década de 30 do século passado: “Feio não é perder; feio é ter medo”. Por falar em medo, talvez Mancini tenha orientado (orientado?) o time a se retrancar de forma tão vil que acabou se esquecendo da maldição daquele surrado clichê: O medo de perder tira a vontade de ganhar.

Putaquepariu os retranqueiros!

Espero, sinceramente, que aquela lambança contra a equipe santista seja consequência somente da nebulosa passagem de Mancini por lá. Torcerei para que ele não repita aquele esquema ordinário em mais nenhum jogo deste Sarneyzão/2009. Caso contrário, farei coro à população Norte e Nordeste de Amaralina que, desde ontem à noite, saiu em passeata por este pacato e aprazível bairro parafraseando a sentença do escritor Samuel Johnson:

A RETRANCA É O ÚLTIMO REFÚGIO DOS CANALHAS

 

P.S Não bastasse meu time ter jogado aquela bolinha de gude, soube agora que, depois de amanhã, Lícia Fábio vai lançar uma revista. Vejam que disgrama:

Luxo

Inspiração

Comportamento

Inteligência

Atitude.

Só na Bahia uma porra desta. Ê bahiazinha sem governo. E sem oposição também.

Abaixo os candidatos a Carmen Miranda

outubro 9, 2009

Nos momentos subsequentes a um acontecimento trágico (e empatar com aquele timeco do flamengo foi uma tragédia inominável) a multidão, num processo catártico, busca ensandecidamente os culpados. E, nesta sanha acusatória, a turba ignara (hoje eu tô foda!) sempre acaba apontando o dedo para a pessoa errada.

E na última quarta-feira não foi diferente.

Nem bem o sacana pernambucano ladrão (desculpe-me a tripla redundância) soprava o apito pela última vez e o povo começou a jogar pedra em Geni, digo Apodi, como se a desgraça que se abateu fosse somente sua responsabilidade.

É fato que o referido lateral-direito (ala é pu…bom, vocês já sabem quem) tem jogado porra de nada. Mas, isso não é de hoje nem de quarta-feira. Seu inevitável declínio começou muito antes, no jogo contra o atlético mineiro, no já longínquo mês de julho, quando ele começou a se preocupar mais com o cabelo do que com o parco futebol. A propósito, na ocasião, fiz um manifesto contra esta chibança capilar. (AOS QUE DUVIDAM, CLIQUEM AQUI, Ó).

Mas, derivo. A verdade que salva e liberta novamente tem que ser dita. E eu, cristão ortodoxo, não fugirei de minhas obrigações e a direi. Seguinte é este: A torcida do Vitória sempre chega nos lances importantes mais atrasada do que a zaga do time. Sim, é isto mesmo. Hoje estou virado nos seiscentos cão até com a galera. Afinal, tá totalmente por fora esta história de crucificar só Apodi pelo (mau) resultado do jogo contra a fraca equipe carioca.

Que onda da porra é esta? Será que ninguém viu que o verdadeiro vilão atende pelo nome de Uelliton? Sim, Uelliton.

Aliás, ele começou a presepar muito antes. Seguinte foi este. Mesmo tendo lascado a cabeça no jogo contra o Santo André, o meio-campista, numa atitude temerária e açodada, foi logo dizendo que ia entrar em campo mesmo sem a equipe médica ainda ter dado (lá ela) o aval.

A princípio, algum incauto pode achar que o referido queria jogar por amor à camisa. Mas, como diria o presidente Lula: é menas verdade. Basta lembrar que se realmente tivesse alguma afeição pelo manto ele não teria dado aquele migué na véspera do jogo contra o Barueri, quando inventou uma zorra de dor na coxa que nenhum equipamento conseguiu detectar.

Pois muito bem. Viajar para barueri, ele não quis. Porém, com transmissão da maldita Globo pra todo Brasil, o sujeito se bota logo. No entanto, há algo ainda mais grave do que esta contradição.

E o crime maior novamente está ligado ao visual, esta preocupação metrossexualista que tem acometido muito atletas nestes tempos temerários.

Como é que um jogador entra em campo com atadura amarela no cabelo combinando com a chuteira da mesma cor e ninguém faz nada? Que chibança era aquela?

Se tivesse comando no Vitória, era pra alguém dar a seguinte ordem na hora.

Meu filho, tire esta porra agora. Afinal, quem se enfeita deste jeito é jegue na Lavagem do Bonfim – não um jogador que tem a obrigação de pisar neste solo sagrado para defender o manto Rubro-Negro.

E o problema estaria resolvido. No entanto, ninguém disse nada. E, quando falta autoridade, cada um faz o que quer. Assim, Uelliton preocupado em desfilar seus trajes vagabundos para todo o país,  entregou a rapadura nos três gols. No primeiro, ficou olhando Zé Roberto avançar tranquilamente. No segundo, deu uma furada de jogador de intermunicipal. Já no terceiro, talvez para não sujar a atadura amarela que vai desfilar nos festejos de janeiro, deixou correr frouxo.

Pois bem, minha senhora. Neste rojão, se nenhuma providência for adotada urgentemente, no próximo jogo contra o Naútico no Barradão vai ter jogador cheio de balangandãs, a la Carmen Miranda, usando sombrinha para dançar frevo.

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

outubro 5, 2009

Nas últimas 48 horas estive absorto (recebam, hereges) refletindo sobre o destino do Vitória e do país – o que dá no mesmo, já que os caminhos da nação estão umbilicalmente ligados aos do Rubro-Negro e vice-versa.

Pois bem.

Depois de me raciocinar todo, cheguei à conclusão de que mudanças urgem e rugem. É fato que só teremos eleições no ano que vem (E quando falo em eleições, é óbvio, estou falando apenas do pleito no Leão, já que no Brasil a troca é sempre de seis por meia dúzia), mas é mais fato ainda que precisamos de reformas urgentes, inadiáveis. A principal delas, creio, é no Estatuto do Clube, que deve ter a seguinte cláusula pétrea que segue abaixo. Mesmo não tendo formação jurídica, arrisco uma contribuição. Ouçam.

Art. 1 É vedada, terminantemente, a contratação de jogadores que receberam na pia batismal o nome de Marco Aurélio.

Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário.

Palavras da Salvação.

Aos que acham que exagero, recorro à história. Mas, apenas à história recente. Hoje ainda me resta um tantinho assim de bom humor e não vou relembrar daquele sacripanta que enojava meu baba no ano passado para não estragar minha segunda-feira.

Pois muito bem.

O novo marcaurélio começou sua trajetória de sacanagem no Rubro-Negro no jogo contra o Palmeiras. Na ocasião, entrou no final da partida apenas para que um canalha do alviverde subisse em suas costas e marcasse o gol do injusto triunfo do porco.

A princípio, poderia parecer apenas acaso e coincidência. Porém, já calejado das lambanças daquele desinfeliz da lateral-direita, eu fiz alerta no dia 17 de agosto, pouco antes da partida contra o Atlético Paranaense.  Ouçam novamente.

Meu receio tem explicações ancestrais e de nomenclatura. O problema é que nosso treinador tem uma estranha paixão por sujeitos que receberam a graça de Marco Aurélio na pia batismal. No ano passado, todos lembram, foi aquele suplício. Vai que neste ano Mancini invoca novamente com este outro negão.

Deus é mais. Vou até virar minha boca pra maré de vazante“.

De nada adiantou. O cidadão entrou em campo contra o rubro-negro do Paraná e entregou a rapadura numa jogada bisonha. Aliás, se o disgraçado faz uma lambança daquela lá no baba de domingo no Areal, ele não saia vivo.

Mas, vejam vocês. Ele não só saiu vivo como ainda ganhou um prêmio: uma viagem a Porto Alegre. Meninos, eu estava lá e vi o canalhocrata deixar Jonas, o Roger do Grêmio, empatar um jogo que já estava ganho.

Porém, em vez de tomar uma surra de cansanção com urtiga, o sacana é relacionado novamente – e agora como titular. Aí, contra o Santo André, no último sábado, não precisou nem um minuto de bola rolando para o referido mostrar suas qualidades e deixar o Nunes Careca brocar a meta defendida por Gleguer.

Vá matar o DEMÔNHO!

Então, amigos, o momento é de decisão. Ou exigimos a mudança urgente do Estatuto, com a colocação da cláusula pétrea que sugeri, ou veremos novos Judas, travestidos de marcaurélios, enojando nosso baba.

A população do Norte e Nordeste de Amaralina, sempre cumprindo com seu dever, já saiu pela pacata localidade com os seguintes gritos de guerra:

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

MARCAURÉLIO, NÃO, MAMÃE!

BRASILEIRO, AGORA, É OBRIGAÇÃO!

outubro 1, 2009

                                                                                                                        Por L.Ano*

A saída da Copa Sulamiranda, na noite desta quarta-feira, foi um desastre para o “Vitória de Brasil” pelo simples e seguinte motivo:  O time se desfez da competição alternativa em que seus jogadores poderiam desperdiçar à vontade a batelada de gols que costumam criar. Agora vão concentrar os rascunhos dessas pinturas apenas na Série A, que é coisa séria, e não diversão de meio de semana ou passeio internacional.

Essa imperiosa necessidade esculhambatória de perder gols aparentemente inexoráveis vinha sendo muito bem saciada com a Sulamiranda. Era a vazão do prazer doentio de mostrar a todo o continente a superioridade que uma equipe pode impor a outra enquanto a humilha com requintes de crueldade-arte, esnobando golaços feitos.

Tornou-se urgente a marcação de amistosos para atender esta demanda. O goleiro palmeirense Marcos já dera a dica: “O Manchester United vai sofrer no Barradão”. O Milan está em baixa. Por ora, chamem o Real Madrid ou Barça. Claro, se eles aceitarem pagar bem para visitar o santuário futebolístico soteropolitano.

E, dirigentes, atendam as exigências básicas deles: maior estádio da província, 1102 toalhas brancas felpudas, adversário de primeira divisão e com trajetória internacional, transmissão televisiva para os 548 países dos nove continentes, exame antidopagem para os locutores e repórteres, forte esquema de segurança contra as autoridades públicas, hotel com vista para a Rótula do Abacaxi, nenhum torcedor do Botaovo chorando por estes dias, reserva de vôo direto para 32 mil torcedores espanhóis no Aeroporto 2 de Julho, cota de 20 gols perdidos pelo Vitória para equilibrar o duelo. Justo, portanto.
Como clube que se preza, o tricampeão baiano resolveu desistir de um torneio que não teria mais a participação das maiores forças. Foi só Boca Juniors, o verdadeiro River Plate e Internacional acenarem com uma despedida, para baixar o maior desânimo em Canabrava. “Vamos mostrar pra todo mundo que somos muito melhores, mas nem pensem em se classificar!”, ordenou o atacante reserva Robert, do alto da sua irrelevância. E foi prontamente atendido a partir da visita à antártica Montevidéu, numa brilhante atuação de gols desprezados.

O jogo de volta foi o mais fácil dos 64 anos de história do Barradão. O Vitória ensinou como desperdiçar gols de todas as maneiras, em todos os idiomas e dialetos, um repertório inigualável e jamais desfrutado nos esportes jogados com a mão. Em suma, o Leão entrou nos anais da Fifa. E doeu no presidente Joseph Blatter, impoluta figura que nos merca baratinha a Copa do Mundo de 2014 em suaves prestações.

O Nêgo vencia por 1 a 0 e, inadvertidamente, aproximava-se da reação histórica, quando Robert fez valer sua raríssima presença em campo, justificada pelo ideal de lembrar aos companheiros: “Vocês estão enterrando, é? Porra de fazer gol! Assim a gente se classifica!”. Para evitar qualquer risco, a defesa rubro-negra assegurou o empate nos acréscimos, garantindo o placar necessário.

O líder do returno da primeira divisão do campeonato mais importante do mundo concentra-se, a partir de hoje, em ampliar sua hegemonia.  Primeiro, precisa brocar o Santandré, cujo enigma ainda não se desvendou: “com Marcelinho, Fernando, Rodrigo Fabri e Gustavo Nery, é time de showbol, fila do INSS, asilo ou turma de hidroginástica?”

Não me venham com leis de proteção ao idoso. Rebaixa logo!

Próximo jogo, no Santuário, reluzirá a faixa do Leão: “BRASILEIRO, AGORA, É  OBRIGAÇÃO!”.

* L.Ano é jornalista, mas é gente boa.

Abaixo a liberdade de expressão!

outubro 1, 2009