Archive for março \31\UTC 2012

Libelo contra o império da covardia*

março 31, 2012

Na última quinta-feira, as otoridades baianas, representantes de clubes e de torcidas organizadas reuniram-se, uma vez mais, para tratar da questão da violência. A solução apresentada agora, torcida única nos clássicos, é um atestado de impotência e incompetência. O monstro foi criado e cevado – e  agora querem penalizar quem não tem nada a ver com peixe (Atenção, sardinhas, isto não é um trocadilho).

Pois bem.  O tema está na pauta e na segunda-feira tratarei dele. Para iniciar a prosa, reproduzo um texto do menino Anrafel publicado aqui mesmo há pouco mais de dois anos.

Libelo contra o império da covardia

janeiro 30, 2010

Por Anrafel*

No início, era a Bamor. Não se sabe que diretoria cometeu aquele que não foi o maior nem o menor erro na gestão do Bahia: dar corda (recursos) demasiadamente aos caras.

Hoje a gang, digo, a organizada se subdivide em ‘distritos’. Deve ter recebido consultoria de algum policial, provavelmente de quem, reprovado no psicoteste, recorreu ao Judiciário (nunca mais escrevo Justiça) para ingressar na corporação. A intenção é claramente bélica, de confronto.

Mas aí veio a Os Imbatíveis. Diante da estrutura da organizada rival a intenção era fazer uma espécie de guerra de guerrilha. Nunca foi suficientemente desmentido o projeto de confrontar violentamente a Bamor. Não são de hoje os encontros marcados pela Internet, é capaz até da polícia ter disso conhecimento.

Vale observar que a TUI se consolidou na era Paulo Carneiro, que, inclusive, se tivesse algum apreço pelo torcedor, arregimentaria da milícia os seus seguranças. Mas, não, ao que parece, preferiu funcionários do seu arquiinimigo Marcelo Guimarães Pai.

Na verdade, existe uma guerra mais ou menos declarada. Não me surpreenderia se, semelhante ao tráfico de drogas que paga estudo para futuros advogados, as duas quadrilhas financiassem academias de jiu-jitsu ou vale-tudo para o seu destacamento de vanguarda.

Hoje, o ovo da serpente está prestes a arrebentar e justo naquela que já foi a praça futebolística mais aprazível, mais civilizada. A polícia limita-se a combater eqüestremente (deixa o trema, revisor membro de organizada!) as conseqüências (idem!) e a imprensa, ah a imprensa! Limita-se a dizer que trata-se de uma minoria – só que 49% em relação a 51% também é minoria.

Torcendo para que a coisa não degringole de vez, fico pensando: meu Deus, será que até para torcer as pessoas precisam fazer parte de uma confraria? Por que não torcer à capella e, na hora certa, solicitar o acompanhamento festivo dos amigos? Ou seria covardia, prevendo companhia para o desejado confronto?

Eu achava que em termos esportivos a anomalia principal era ficar 2 horas em frente à televisão assistindo vôlei de praia. Agora, com esses psicopatas, mudei de idéia. Tarja preta neles. Ou cadeia.

* Anrafel é uma sigla, um homem, um mito, um pentelho que sempre está à espreita na briosa caixa de comentários desta intimorata.

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É preciso (e possível) uma nova roupagem

março 29, 2012

Não sei se é por conta desta lua crescente ou das doses extras de conhaque (chupa, Drummond!), mas o fato é que o lançamento dos novos uniformes do Vitória e toda esta chibança  subsequente me deixou nostálgico como o diabo.  E, numa bad trip sem escalas, retrocedi ao início da década de 90.

Na ocasião, quando apenas alisava os bancos da faculdade no intervalo entre uma cerveja e um trago, fui obrigado a ler o Império do Efêmero, livro do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que estava, como diria os xibungos, causando um frisson dos seiscentos.

Num resumo grosseiro, posso garantir que o autor afirmava que não era possível compreender a evolução da sociedade sem dar importância à moda, à sedução, ao luxo.  E mais. Afiançava que a moda era algo libertário e libertador.

Mas, nem pensem os apressados que o referido era  um destes frívolos que desfilam platitudes nas passarelas da vida. Nero ar. Ele não era burro. Ao contrário. Sofisticado,  intuía, ou melhor, propugnava teses um tanto quanto complexas. Eis. “Quanto mais os indivíduos se mantém a parte e são absorvidos por si próprios, mais há gostos e aberturas às novidades. O valor do Novo caminha paralelamente ao apelo da personalidade e da autonomia privada”.

PUTAQUEPARIU O EMBROMEICHON, CHON, CHON!!!

É óbvio que este rústico locutor, com o couro e as ideias curtidos no inclemente sol do sertão,  não poderia compactuar com tais diatribes E assim peguei um ódio ancestral da obra porque me era impossível conceber que o debate sobre a moda estivesse num status tão elevado, suplantando a discussão sobre, por exemplo, as mazelas sociais. Mas, não só por isso. Odiei a obra, especialmente, porque a leitura, que era obrigatória, atrapalhava minha cachaça na gloriosa cantina de vovô, ali no canela.

Ah, sim, tempos depois o próprio autor fez um mea culpa afirmando que “quanto mais a sociedade se volta para o espetáculo, para a frivolidade, mais aumenta sua ansiedade, angústia  e depressão”. E, ato contínuo, confessou o seguinte.  “Estou mais sensível também à pobreza e às desigualdades sociais, questões que não abordei em 1987. São problemas criados por regras econômicas do mundo moderno e agravados pela omissão do Estado. Mas a  sociedade regida pelo efêmero contribui para mantê-los”.

Terra chamando.

Bom. Retorno para dizer que também fiz meu mea culpa. Apesar das discordâncias, o livro me fez repensar minha concepção sobre a, digamos assim, importância da moda. Hoje, não obstante continuar me vestindo num desmantelo dos sesicentos, dou mais valor à moda, pelo menos no campo teórico. Aprendi com o menino Lipovestky que consumimos não apenas para suprir necessidades, mas sim buscamos símbolos para criar uma identidade e etc e coisa e tals.

Porém, no cerne da questão, continuo com a mesma visão. Por isso, resumo esta prosa metida a erudita, dizendo que é muito importante que se faça o lançamento de novos uniformes, mas  é essencial que o Clube tenha uma nova roupagem, com mais democracia, transparência, respeito ao torcedor e planejamento profissional.

Caso contrário, permaneceremos apenas no campo das firulas. E seremos contagiados por ela. Ontem, por exemplo, contra o Flu de  Feira, o time todo parecia que continuava na passarela, de salto alto, desfilando despojadamente.

E, se for para passear no gramado com aquela displicência de ontem, é mais jogo  entregar a camisa e chuteira a Nicole ou, melhor ainda, à moça do Shortinho Gerasamba. Quebra, ordinária.

P.S Ah,sim. Sem preconceito, mas não gostei de Cerezo ter comprado calcinhas vermelhas para a menina Lea T. Acho que a cor não combina com a moça.

Habemus Elenchus ?

março 27, 2012

Desde as 18h do último domingo que não consigo mais circular nos becos, vielas, ladeiras e outros lugares maizomenos insalubres, pois o povo culto e pacato do Norte e Nordeste de Amaralina vem logo me questionar em latim castiço:  Habemus Elenchus ?

Reluto em responder de forma objetiva porque entendo que tão importante quanto ter elenco bom é ter um técnico que saiba extrair o melhor de cada um em prol do grupo,  além de outras bugigangas, como ótimo ambiente de trabalho, mulheres, cachaça (Ops, isso é só para o meu baba).

Derivo. Mas derivo pouco para que não me acusem de tergiversador. Assim,  repetirei o que já fiz em 2009: uma fundamentada, detalhada  e  kamasutriana análise grupal, posição por posição. Vamos lá.

Para defender a meta, basta não inventar. Douglas está em sua melhor fase e pode e deve ser o titular. Num era nem pra passar por aquela palhaçada de rodízio, pois ali não é churrascaria. Renan não me parece ser tão ordinário quanto tem aparentado. Ao contrário, sabe sair jogando com velocidade e tem uma certa liderança. Porém, neste curto período, tem dado uns vacilos inaceitáveis, parecendo que passou a noite toda lambuzando as luvas no dendê. Nas situações emergenciais, podemos contar com o menino Gustavo.

Na lateral direita (ala é  a em puta que o pariu)  também estamos razoavelmente bem  servidos. Basta Nino parar de se contundir – até porque Romário está aí para fungar em seu cangote na luta pela posição. Nino ainda deve continuar sendo o titular. A terceira opção é Léo, que precisa, além de jogar muito mais bola, começar a trocar aquelas chuteiras coloridas por uma preta. Aliás, deveria existir um artigo na Carta Magna proibindo o uso de chuteiras coloridas, chamativas. Idéia errada da porra!

A zaga titular deve, uma vez mais, ser formada pela base, com  Victor Ramos e Gabriel. A única mudança é que, pelo futebol que tem jogado, Gabriel é que merece tá lascando a tal da Nicole. Mas Victor tá bem na fita. Neste setor, porém, precisamos de reforços urgentes.  Rodrigo ainda não me passou  confiança e Dankler pratica um futebol tão feio quanto seu nome.

Lateral-esquerda (ala vocês já sabem quem é, né). Saci, eu já disse desde o início do certame é jogador de  uma perna só, sem trocadilhos. É fato que pode vestir a 6, se jogar o que jogou antes de se  contundir, apesar da dificuldade de bater na criança com a direita. O problema é que não temos reservas. Léo já num é estas tubaínas toda em sua posição original, imaginem improvisado. Já o tal do Mansur, não me engana. É, por enquanto, um bom reserva…para o time de juniores.

Na zona do agrião, cabeça de área e meio campo temos bons nomes, mas ainda não temos bom futebol.  O camisa 5, aquele que gosta de simular contusão, tem feito um bom início de temporada. Michel, se continuar na batida atual, poderá se firmar como um Vanderson melhorado. Pedro Ken tem evoluído bastante, mas ainda tá cansando muito na segunda etapa.  Mineiro  tem involuido bastante. O anonimato está a lhe subir a cabeça. Tartá e Robston já mostraram em outros clubes que conhecem, mas aqui ainda não foram efetivamente testados.  Neto Coruja, que joga bola para ser titular em meu time,  está numa onda de Cheiro de Amor: “Num sei se vou ou se fico…”. Aliás, o rapaz está mais deslumbrado e desorientado do que cantor de axé.

O  camisa 10 coloco a parte porque time que num tem um cérebro não funciona. Em alguns momentos Geovanni  dá mostras  de que pode cumprir este papel. Porém, ato contínuo, semeia dúvidas. Aquele outro não vou gastar nem tinta.  Temos ainda o menino Arthur Maia que poderá em breve ser o dono da 10. No entanto, ainda não chegou a sua vez. Tem que ir pegando mais cancha no Varelão. Então, é preciso procurar um especialista. Caso eu não tivesse tantas atribuições e atribulações cotidianas poderia envergar o manto, mas deixa quieto.

Atacantes. Precisa contratar urgente. Não podemos, por exemplo, ficar refém de Rildo. Basta lembrar o que ele aprontou na série B de 2011. Na ocasião, Marquinhos cumpriu a função com muito mais categoria e eficácia. Porém, além da tradicional canela de vidro, há, atualmente,  um agravante na situação do atacante franzino: entre outras mumunhas, ele está insatisfeito com o esquema tático e já reclamou disso publicamente.  Ademais, apesar de conhecer futebol, tem produzido muito pouco, quase nada. Não dá para conviver com tal instabilidade.  Por falar em instabilidade, Índio, que poderia ser uma das soluções, parece que tá de sacanagem.

Centroavante. Ainda acredito que Dinei, com uma sequência de jogos, poderá render, especialmente em competições nacionais. Já mostrou que conhece do riscado. Não acredito que tenha desaprendido, apesar de suas últimas apresentações demonstrarem o inverso.  Ainda aguardaria um pouco. Sobre Neto, deixa quieto. Vou silenciar para não ferir almas sensíveis.

Traduzindo. Temos um elenco de razoável para bom, o que é algo muito alvissareiro, especialmente porque ainda nem chegamos em abril.  Daqui até o início do campeonato brasileiro podemos e devemos contratar um zagueiro,  um lateral-esquerdo e um atacante de velocidade. Porém, Cerezo precisa mudar sua postura. Como bem disse o menino Silas Lopes “Nosso maestro não parece ter controle sobre a equipe e o que eu acho que ocorre é um pingo de vaidade e um pingo de truculência”.

Ah, sim. Resta também torcer e  cobrar para que a diretoria atue com firmeza e eficiência na hora Jota, o que, infelizmente, não tem ocorrido.

No mais, aguardemos, oremos e cobremos.

P.S Quem tiver interesse em saber o que falei sobre o elenco de 2009, cliquem no linque abaixo.  Posso antecipar que acertei bem mais do que errei. Mas, muito mais mesmo. Mudaria muito pouco o que disse naquela época. E, engraçado, mantenho algumas convicções, que não direi quais. Confiram.

https://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2009/04/04/habemus-elenchus/

Vitória faz homenagem a Chico Anysio em Feira de Santana

março 26, 2012

Se eu fosse um tantinho assim mais cretino e vivesse a surfar nas marés dos resultados efêmeros, depois da  traulitada que o Vitória recebeu do sardinha de  feira retornaria a esta impoluta tribuna e sacaria do coldre o mais calhorda dos argumentos: “Eu avisei”.

Sim, porque, efetivamente, na última quinta-feira, logo após a ilusória goleada diante do Juazeirense, fiz o alerta sobre o ufanismo descabido, afirmando que era preciso dar um freio no otimismo insano. Confiram aqui, ó https://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2012/03/22/um-freio-no-otimismo-insano/.

Na ocasião, inclusive, muitos que estavam com a visão completamente obnubilada pela insana euforia, acusaram-me de ser um profeta do apocalipse, de sempre botar gosto ruim nas coisas, de somente querer o Vitória para baixo. Logo eu, um otimista inveterado, que enxergo a vida do Leão com os óculos de Pangloss.  Mas, enfim. Suportei as injustas críticas num obsequioso silêncio, conforme reza a tradição cristã.

Porém, mesmo achando que tenho a razão, num venho aqui para espezinhar os acusadores, não. Afinal, o Ludopédio é um mundo onde a razão não é benquista. Ao contrário. O bom aqui é ser bipolar; é desdizer hoje o que se disse ontem e o que se pensa em dizer amanhã. Então, mesmo quando certo, o errado sou eu, pois tento semear racionalidades neste terreno onde predominam as vastas emoções e os pensamentos imperfeitos.

Contudo, vou continuar a pregar, pois tenho este espírito de carpinteiro do universo, de querer ajudar a querer consertar o que não pode ser… (Alô, Raul Seixas, vou ver seu filme, sacana. Tenha sua calma). Mas, antes de ir ao cinema, repetirei, ipsis litteris, um trecho do que disse no sermão de quinta (categoria), na esperança de que, agora, ele seja melhor compreendido. Às aspas. “Quando faço um alerta é somente para que, desculpe a redundância, estejamos alertas e lutemos por dias melhores, mais luminosos e menos sombrios”.

Copiou, taxista ? Então, continue com o lápis e caneta na mão que vou fazer novo alerta.

Seguinte.

Não falei antes para não passar de alarmista, mas há um grave problema de, digamos assim, relacionamento entre o técnico e alguns jogadores. Geovanni, por exemplo, não ficou 200 anos vendo Lúcio Flávio jogar (jogar, entendam, é um modo elegante de dizer) apenas porque Cerezo não entende de futebol. Nero ar. O motivo foi outro. Desconfio que seja o mesmo que faz com que Marquinhos esteja dando chilique quando é substituído.

Pode parecer teoria conspiratória de minha mente maltratada por substâncias não recomendadas pela Carta Magna, mas me parece que a chibança é toda planejada. Exemplo. Neto Baiano, o homem que desbancou Messi e estava próximo de desbancar irmã Dulce no processo de canonização, com a autoridade do maior artilheiro do Brasil da última semana, vem a público dizer que Rildo é o melhor jogador do time. Ato contínuo, Cerezo concede entrevista afirmando que Rildo é isso, aquilo e aquiloutro e que o time é ele e mais 10. Como diria o poeta Magary Lord, “que estranho, hein?”.

Ou melhor. Lamentável, já que um time que se respeita não pode ser escalado pelos jogadores. E mais. Não deve ter Rildo como referência e melhor jogador. É preciso ficar claro que o referido cidadão, que nunca ganhou nada no Vitória, nem em lugar algum, ainda é apenas um atacante ciscador. Pode até se tornar um bom jogador (não duvido de nada neste mundo), mas ainda precisa melhorar muito para isso. E Cerezo, que jogou bola, sabe muito bem disso. Se fala e  faz o contrário é por outros e inconfessáveis motivos.

Contudo, derivo. E volto para finalizar esta homilia destacando que tão horrível quanto a apresentação em feira foi a (falta) atitude da diretoria do Vitória em relação à homenagem a Chico Anysio. Que porra é esta de apenas colocar no site que ele gravou o hino do Clube? Custava fazer melhor? Colocar, por exemplo, os jogadores para entrar em campo com uma faixa ou, até mesmo, com o nome dos personagens na camisa, como fizeram Palmeiras, Vasco e até uma sardinha que num tinha nada a ver com peixe, mas que ganhou repercussão nacional?

Mas, enfim. O errado sou eu, profeta do apocalipse que nunca enxerga o lado bom nas coisas, né? A propósito, a minha ídola Teresa Ribeiro acaba de me alertar que o Vitória fez, sim, homenagem a Chico Anysio. Às aspas. “Obrigou todo mundo a jogar igual a Coalhada”.

É, talvez seja isso mesmo.

Chico Anysio, um nome na História

março 25, 2012

Na longínqua década de 70, um dos rituais mais marcantes da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais, era ficar prostrado na frente da TV, ao lado de meus falecidos pais, para apreciar Chico City. Apreciar é apenas um modo elegante de dizer, pois eu num apreciava porra nenhuma. As piadas, um tanto quanto politizadas, eram totalmente incompreensíveis para este locutor que, apesar da descendência cearense, sempre teve cabeço pequeno (Alô, William Andem) para as coisas complexas.

E pior. A cada nova prosopopeia do dono do programa, sentia-me um completo imbecil, pois meus irmãos, todos mais velhos, gargalhavam sem parar, naquele riso cúmplice, de quase escárnio. E eu, mesmo sem entender porra de nada, tinha que ficar fazendo carinha de quem estava gostando demais (Alô, Molejo!) para agradar aos meus genitores. Aliás, desconfio que eles também num entendiam disgrama de nada, mas, como o programa era do conterrâneo, prestigiavam por, digamos assim, uma questão patriótica.

Pois muito bem, digo, pois muito mal, já que, na minha fúria infanto-juvenil, ia pegando um nojo ancestral de Chico Anysio, que me soava um boçal metido a inteligente.

Porém, não sei efetivamente por quais motivos, se por costume ou se porque fui ficando sabido, o fato é que a cada semana subsequente sentia menos ojeriza do programa.

E os dias foram passando, pois o tempo, apesar do apelo do poeta Alphonse de Lamartine, nunca suspende vôo, e… putaquepariu, do nada, a moça do shortinho Gerasamba acaba de chegar aqui na emissora, interrompendo as minhas reminiscências.

“Valei-me, meus culhões de cristo, que isso aqui tá mais sem comando do que a Prefeitura do Salvador. O homem amaluqueceu de vez! Acorda, criatura, isto aqui é uma página esportiva, não de obituário”, bradou a referida, que anda numa indocilidade dos seiscentos porque acha que ainda num dei o devido valor a Neto Baiano, seu novo ídolo.

Paciente, como sempre sou com minha Scarlett Johansson do Nordeste de Amaralina, peço calma a referida e digo que, já, já entro no campo esportivo. Antes, relato que, certa noite, com o crescimento do programa, apareceu um novo personagem que, pela primeira vez, fez com que meus olhos brilhassem na hora de Chico City. Era um sujeito desajeitado, barrigudo, cachaceiro, culhudeiro, com uma cabeleira meio Black Power e falando sobre um assunto que, apesar de eu já está velho, ainda me deixa com as infantis retinas rasas d´água: Futebol.

E foi assim que, em vez de tédio, eu comecei a ficar alegremente ansioso para chegar a quinta-feira (sei lá, num lembro se o programa era neste dia exato, coloquei esta data apenas para criar uma fluência narrativa – seja lá que porra isto signifique).

Mas, derivo.  Eu dizia que ficava alegremente ansioso para chegar a quinta-feira e, assim, poder dar boas gargalhadas com Coalhada, eis o nome do santo.  Aliás, muito do que não sei sobre o Ludopédio, aprendi com o referido.

Aos moços, pobres moços, que não acompanharam a trajetória do craque, eis uma palhinha. Ou melhor, duas.

http://www.youtube.com/watch?v=yMez4RXtbyw

http://www.youtube.com/watch?v=Sv4xc3U08I8&feature=related

Ah, sim. Uma correção. No início, eu disse que achava Chico Anysio insuportável. Mentira. Desde sempre, mesmo quando não entendia o humor, eu já gostava muito da música do grupo que ele formou com Arnaud Rodrigues. Naquela época, não tinha a compreensão musical que tenho hoje (não que tenha melhorado muita coisa), mas, mesmo assim, intuía que Baiano e Novos Caetanos não fazia apenas humor, mas música de excelente qualidade. E, no espólio familiar, ter ficado com os vinis do grupo foi (e é) motivo de satisfação.

E, já que entramos na seara musical, conto logo o motivo desta longa prosa ruim. Chico Anysio é um NOME NA HISTÓRIA … do Leão. Recebam. E ouçam no genuflexório, de joelhos, rebain de  fariseus.

Friedenreich lambuzado de dendê

março 23, 2012

A verdade é uma menina tão traquina que, às vezes, inventa de se esconder nos clichês mais ordinários.  Exemplo. Uma das melhores definições sobre a convicção, a certeza, a fé cega, faca amolada está no seguinte e surrado chavão: “Triste não é mudar de ideia. Triste é não ter ideia para mudar”.

Pois muito bem, amigos de infortúnios , sei que agora uns incautos apressados já estão esfregando as mãos achando que este introito é somente uma forma de capitulação – um modo meio oblíquo que arranjei para renegar, de uma vez por todas, as minhas opiniões e começar a me penitenciar diante do novo candidato a santo e unanimidade no Esporte Clube Vitória: O senhor Euvaldo José de Aguiar Neto.

No entanto, lamento decepcioná-los. Sigo desafiando o coro dos contentes e digo não e nécaras a esta canonização extemporânea. E digo mais. Triste, mas triste mesmo, melancólico até, sintoma de desespero e oportunismo é mudar de ideia com a mesma rapidez que uma, vá lá, Débora Secco troca de calcinha e namorado. Aqui, não, violão.

No entanto, para que não fique parecendo somente birra de menino amarelo, coisa que nunca fui, recorrerei, uma vez mais, à sua majestade: os fatos. A eles.

Primeiro. Neto Baiano completará agora neste 2012 exatos 30 anos. E, mesmo já estando numa idade mais pra lá do que pra cá, seu maior e único título na carreira é um Varelão pelo Vitória em 2009. (Há o registro de que Neto ganhou também o gauchão de 2004. Posso até aquiescer – para que os afoitos não digam que é perseguição –  mesmo sabendo que ele num fez absolutamente nada lá para sair bem na foto).

Alguns podem argumentar, não sem razão, que estou a me apegar ferrenhamente ao passado, pois o que se deve fazer é o tal carpe diem – e,  atualmente, dirão os ufanistas, ele lidera o Prêmio Friendenreich e, pior, ou melhor, supera Lionel Messi em média de gols.

Ok, beleza, porém isto também não me comove – e não porque eu tenha um coração de pedra, mas sim porque guio-me pela prudência, caldo de  galinha e uma porção de história. E, assim, informo aos desavisados que, desde que foi instituído, em 2008, normalmente, nesta época do ano, os líderes da referida premiação são sempre jogadores periféricos, que se aproveitam da fragilidade dos estaduais para confirmar o axioma de Andy Warhol.

Então, vamos novamente recorrer aos fatos, este implacável inimigo dos mitos.

No ano da graça de 2011, vocês sabem quem liderava a premiação em abril? Não? Pois, generoso, não lhes mandarei pesquisar. Entregar-lhes-ei (recebam uma mesóclise nos mamilos, sacanas) a informação de bandeja. O líder na corrida maluca era o glorioso Rafael Oliveira, atacante do Paysandu. Em sua cola, com um gol a menos, estavam dois portentos do Ludopédio de Pindorama: Leandro Cearense, do Cametá, e Lima, do Joinville.

E, para que não diga que estou pegando um fato isolado e sofismando apenas para confirmar a minha tese, informo que no ano anterior, em abril de 2010, o artilheiro do Brasil era o garoto Edmundo, de apenas 40 anos, atacante do Botafogo da Paraíba, que nos traz memórias tristes, iguais às putas de Gabriel Garcia Marquez.

Mas, derivo. E volto para relembrá-los que, em 2009, quem tava lutando pelo cobiçado troféu no início da temporada era ninguém menos do que… Neto Baiano. Ao seu lado, concorrentes de peso, como Gilmar do Náutico, que já havia me feito muito raiva no Vitória, e o inolvidável França, do 4 de julho de pipiripi, do Piauí. (Naquela ocasião, Neto, um atleta exemplarmente  higiênico, foi limpar o rosto do jogador do Vasco com um cuspe. Porém, o tribunal, insensível, aplicou-lhe uma grave suspensão, o que fez com que ele fechasse um acordo com o Vitória e partisse a milhão para o Japão, onde brilharia no rebaixamento do seu time, o  JEF United). Para encerrar esta prosa ruim, destaco que, em 2008, maizomenos nesta época, os líderes do prêmio eram Vandinho, do Avaí, e um tal de Kleber Perneta, que tempos depois veio aqui enojar meu baba e encher os bolsos.

Então, é isso, ouvintes diletos. No entanto, antes que alguns pensem que tento desqualificar o troféu, explico novamente, ao modo de fixação de exercício, que estes disparates ocorrem sempre no início do ano, já que depois o prêmio ficou sempre em boas mãos, digo, bons pés. 2008 – Keirrison (Coritiba); 2009 – Diego Tardelli (Atlético-MG); 2010 – Jonas (Grêmio) e Neymar (Santos) e 2011 – Leandro Damião (Internacional).

Ok, Sêo Françuel, mas o senhor num enxerga nada de bom no nosso centroavante?”, pergunta-me, toda chorosa, a moça do shortinho Gerasamba. E eu, sensibilizado, com o coração meio partido, respondo-lhe: Enxergo, sim, minha Nicole Bahis, do Vale das Pedrinhas..

Seguinte.

Depois de me raciocinar todo, cheguei à conclusão de que Neto, apesar de ter dito já muita besteira, nasceu para vestir o manto Rubro-Negro. É com a camisa do Leão que ele consegue um desempenho acima do razoável. Dos pouco mais de 100 que marcou em sua carreira, exatos 62 foram no Vitória. E neste ano sua média, depois dos 4 gols contra o Juazeirense, na última quarta-feira, dia 21, atingiu um patamar muto bom.

Então, foi exatamente por isso que comecei o texto falando sobre a capacidade de mudar de ideia. Em certo sentido, talvez até mais forte simbolicamente, eu mudei. Antes, defendia que a Camisa que já foi de Ricky e Aristizabal, por exemplo, não lhe caia bem. Agora, apesar de achar que ele continua fraco tecnicamente,e às vezes irresponsável disciplinarmente, reconheço que há, sim, uma mágica, uma química, algo indizível que acontece quando Neto veste a nossa 9.

E outra. Ele pode subir ainda mais em meu conceito. Basta também mudar de ideia e compreender que não deve nunca mais, sob nenhuma hipótese, desprezar o Vitória, pois é aqui que o referido pode ser algo mais do que um centroavante esforçado.

Caso isso ocorra, e ele continue brocando no Brasileiro, não relutarei em aplaudi-lo de pé, na arquibancada do Barradão, pois estou sempre lá, e nesta tribuna – até porque não torço para este ou aquele jogador. Torço é para o Vitória. E se o manto continuar a lhe vestir cada vez melhor, direi para o Norte e Nordeste de Amarallina que ele é o nosso Friedenreich lambuzado de dendê.

Aguardemos e oremos.

P.S Ah, sim. Caso vocês queiram conhecer, realmente, um matador que pratica em alto nível e não fica procurando chiada, leiam este TEXTO AQUI, Ó .

De nada.

Um freio no otimismo insano

março 22, 2012

O que dizer quando, nas quatro últimas pelejas, seu time conquista quatro triunfos seguidos, marca 13 gols e sofre apenas quatro? E mais. O que falar se, no meio destas vitórias, há uma que garantiu a passagem para a segunda fase de uma competição nacional e outra que aconteceu diante de um tradicional rival?

Caso gostasse de agradar a turba ignara que se contenta com migalhas, seguiria o caminho fácil do otimismo acrítico que fede a imbecilidade e conclamaria em caixa alta: PODE VIBRAR, TORCIDA RUBRO-NEGRA!!! Porém, tal e qual um Marcio Greyck do ludopédio, j’accuse: As aparências não podem sustentar as nossas vidas.

É óbvio que devemos comemorar a passagem de fase na Copa do Brasil, especialmente porque temos um passado recente de terríveis humilhações http://impedimento.org/2009/01/14/top-10-humilhacoes-do-vitoria/, assim como também possuímos o direito e o dever de sacanear as sardinhas. Este rouco locutor que agora vos sopra estas céticas reflexões, por exemplo,, escreveu nada menos que três picuínhas em forma de textos sobre o último ba  x VI.

No entanto, contudo, todavia e diversos outros inobstantes, temos que, como pregavam os comunistas de antanho, analisar a nossa situação inserida no contexto. Basta lembrar que, há há menos de um mês, realizávamos a pior campanha dos últimos 20 anos. É fato que, nestes últimos dias, o time cresceu (lá ele) de produção, especialmente depois que aquele pecado capital chamado preguiça, que atende pelo nome de Lúcio Flávio, foi sacado do time. Porém, ainda estamos longe de apagar estas máculas recentes e ter um time que nos encha os olhos.

E, já que falei de visão, cabe uma pergunta: será que, tal e qual aquele povo de itinga que ateia fogo em bordel, sairemos cegos por aí com uma camisa listrada comendo sardinha e arrotando caviar? Não creio que seja atitude das mais recomendáveis oftalmologicamente.

Ah, mas também não estou para cagar regras sobre bom senso e retinas. Cada um é senhor de seu cada qual – e torce, e enxerga, da forma que bem entender. Faço este alerta somente para que, desculpe a redundância, estejamos alertas e lutemos por dias melhores, mais luminosos e menos sombrios. Aliás, vou repetir pela ducentésima, quadragésima, nona vez: O atual campeonato baiano num é parâmetro para porra nenhuma. (Para isso, basta lembrar quem é o atual líder da competição).

E não é parâmetro exatamente porque não temos com quem testar efetivamente nossas forças. Há mais de 20 anos que nenhum outro time (a não ser a sardinha e o Vitória) disputa ao menos a segunda divisão do Nacional. O quadro é tão dantesco que os campeões temporãos, como Colo-Colo e Bahia de Feira, se desgraçam todo nas primeiras fases da…quarta divisão.

Há coisa de 30 anos, o quadro não era tão disgramado. Em 1981, por exemplo,  tínhamos o Galícia brocando Corinthians e Botafogo na Taça de Ouro, o equivalente à Série A. Além disso, havia um Leônico ou Catuense fazendo campanhas razoavelmente dignas na Taça de Prata. Porém, os regulamentos foram mudando e os times da Bahia foram perdendo espaço. Estas equipes que citei, coitadas, saíram da posição de destaque e rumaram para o anonimato. E o fato é que, efetivamente, não mais conseguimos romper a dicotomia rubro-negra x tricolor.

Então, já há algum tempo que o Varelão se tornou uma caricatura de si mesmo. Eu, discarado que sou, perco minhas noites de quarta-feira para ver um Vitória x Juazereinse, mas vou porque, como disse, sou discarado, não por acreditar que ali se está praticando algo parecido com futebol. Ontem mesmo, apesar do placar dilatado, foi um jogo muito do meeiro.

É possível que eu esteja neste mau humor dos seiscentos demônhos porque fui obrigado a ver novamente Lúcio Flávio enganando 90 minutos com a camisa 10 do Vitória. Porém, independentemente disso, amigos de infortúnios, tenho a convicção de que para enfrentar a hora Jota, aquela em que o Leão vai beber água, é preciso muito mais do que a sede atual. No entanto, se vocês que assim tá beleza, beleza. Apenas depois não venham para cá dizer que Santo Antônio lhes enganou.

Amém?

P.S Ah, aos que esperam que eu fale sobre o novo santo da Bahia, o homem, o mito, o pentelho, o atual maior artilheiro do Brasil de todos os tempos da última semana, podem ficar tranquilo. Falarei amanhã.

 

Derrubando mitos e lascando-os em banda

março 21, 2012

Vejam vocês a que ponto pode chegar um compromisso de um cidadão com a comunidade. Havia prometido que, nos próximos dias, não trataria de futebol nesta tribuna, mas o ordeiro povo do Areal e de uma banda do Vale das Pedrinhas veio em romaria até a porta desta emissora reivindicar a tradicional resenha sobre o ba X VI. E, como não recuso solicitação da moça do shortinho Gerasamba, nem dos meus pacíficos vizinhos, especialmente quando eles estão meio injuriados, aqui estou de regresso para apresentar meus two cents sobre a questão.  E começarei com gosto de querosene, derrubando mitos e lascando-os em banda.

Antes de tudo e de mais nada, furto o menino Neném Pracha e repito que se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária era o melhor do mundo. Por isso, não adianta prender ninguém. Tem que deixar o povo viver. Vejam o caso de  Geovanni. Na noite da última terça-feira, o referido foi visto altas horas da noite em Itapuã, apreciando as cobranças de falta de um certo Butragueño do Nordeste de Amaralina. O resultado nem precisa falar aqui – até porque, como bem dizia a propaganda daquela funerária, “tem certos momentos em que faltam as palavras”.

Outro besteira que deve ser combatida é aquela de que zona do agrião tem que ser defendida por zagueiros experientes. Nero ar. O pressuposto básico é saber do ofício. Wallace e Anderson Martins provaram num passado recente que idade não é sinônimo de segurança. E agora, mais uma vez, temos dois garotos formados na base comandado o setor com hombridade. Gabriel e, especialmente, Victor Ramos têm dado conta do recado. Gabriel, já era esperado  até por conta de suas apresentações no ano passado. A surpresa fica por conta de Victor que, apesar de mais velho, parecia que havia caído no canto da sereia e ia abandonar a zaga para habitar apenas as revistas de fofoca, mas quá. Ele está derrubando o mito e lascando-o em banda – o mito e  a moça.

Outra aleivosia que foi por água abaixo no último domingo foi a de que o cabeça de área tem, necessariamente, que  ser um cabeça de bagre ou apenas um carregador de piano. Não é nécaras. Michel praticou o fino.  Combateu de forma dura, como devem fazer os que atuam naquela posição crucial, mas também saiu jogando e armando com categoria. Apesar dos radialistas burros terem elegido Geovanni por conta do golaço, Michel foi, disparado, o melhor jogador em campo. O seu futebol lembrou até o de um certo jogador que também atua no meio de campo quando necessário. O nome dele não direi por que a modéstia me impede.

Sobre o último mito nem deveria falar porque na verdade nem chega a ser um mito, mas apenas uma ilusão. As incutidas sardinhas (e incutido é pior do que doido) com o auxílio nefasto da imprensa baiana passou a divulgar a heresia de que eram vitoriosos no Santuário. Aonde ? Dos mais de 40 ba x VIs ali disputados eles não venceram nem 25%. Nem graça eu acho numa porra desta. Vão tocar fogo em bordel, rebain de sacana, que é a zona que vocês conhecem.

Já que falei nas sardinhas, é bom que fiquemos atentos e não nos deixemos deslumbrar. Este malamanhado campeonato baiano num é parâmetro para porra de nada. E mesmo nele fica evidente algumas deficiências. Nossa lateral-esquerda, por exemplo, precisa urgentemente de reforço.

Porém, chega de reclamações. É óbvio que não podemos perder a perspectiva de que ainda temos muito a melhorar, mas o momento agora é de comemorar. Afinal, o triunfo do último domingo, mesmo não sendo o que deveria ser, serviu para quebrar a espinha dorsal da empáfia tricolete.

Contrariando Eclesiastes*

março 20, 2012

É óbvio que esta culta e religiosa plateia, apreciadora de uma boa exegese, sabe que o lento processo civilizatório baiano foi erigido a partir da seguinte e retórica indagação largada por Eclesiastes há mais de doismilanos. Às aspas. “Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?”(Sentiu a pancada, herege? Então, vá fumar um cigarro e retorne, pois hoje vai ser fenomenologia pra mais de metro.)

Pois bem.

Alguns incréus podem achar, não sem razão, que o primeiro parágrafo é apenas e tão somente um desnecessário nariz de cera, reflexo da prolixidade baiana. Porém, lhes asseguro a seguinte verdade universal: para que se possa realizar uma análise honrada, abalizada, vilipendiada e aliterada sobre o lodupédio de uma região, faz-se mister promover uma digressão contextual – seja lá que porra isto signifique.

E a digressão, digo a verdade, esta menina traquina que salva e liberta, é uma só: o futebol da Bahia vive nesta maresia dos seiscentos DEMÔNHOS porque aqui todos entenderam a pergunta de Eclesiastes e ninguém quis saber de serviço no sol inclemente. Aqui é só sombra, água fresca e outras águas que passarinho não bebe, além de substâncias não recomendadas pela Carta Magna. E é exatamente por causa de tudo isso que as partidas do campeonato local ocorrem numa pachorra de fazer até Jó perder a paciência.

PUTAQUEPARIU A LERDEZA!!!

É cada jogo que vou lhes contar. Aliás, vou não. O que queria e vou dizer, amigos de infortúnios, é que o início com Eclesiastes não foi em vão. Fi-lo (chupa, Jânio Quadros!) com o propósito de chegar neste momento e repetir aquela máxima de que não há nada de novo debaixo do sol. Então, é isso. Quando o tema é BA-VI, não adianta inventar novas mumunhas conceituais, nada de novo sob o sol. Afinal, o axioma definitivo sobre partidas deste naipe já foi dito por Jardel, filósofo e centroavante nas horas vagas: “Clássico é clássico e vice-versa”.

E é isso mesmo. Na Mãe de Todas as Batalhas, no Ba x Vi, tudo pode acontecer – até tradicional leseira tupiniquim pode ser jogada para escanteio. Como assim? Assim. Chega de prolegômenos e vamos aos finalmente, pois o povo quer saber é de bola rolando. Então, tai o que você queira (Alô, Januário de Oliveira).

O ponteiro do relógio num marcava nem oito minutos e o Vitória já metia 2 x 0, gols do atacante Neto Baiano e do zagueiro Gabriel Paulista. E mais. Continuava partindo para cima do Bahia com voracidade parecida com a dos pedreiros que avançam num prato de comida depois de um dia de labuta.

A chibança era tanta e tamanha que ali por volta de 19 minutos e 37 segundos (não sei precisar com exatidão, pois num uso relógio), o sacana de preto deixou de marcar um penal sofrido pelo centroavante Rubro-Negro, atual artilheiro do país, uma espécie de Friedenreich lambuzado de dendê. Porém, sem nem esperar os términos dos xingamentos, o sacripanta já apita um penal em favor do Tricolor. Souza diminui. No minuto seguinte, Gabriel, o mais endiabrado jogador do Bahia, recebe passe de calcanhar de Moraes e decreta o inacreditável empate.

A partir dos 25 minutos, a maré parecia que ia virar. O Bahia passou a tocar a bola e encurralar o Leão com a malemolência dos que têm a certeza de que o triunfo é questão de tempo. Porém, nos estertores da primeira etapa, o juizão voltou a ser o protagonista. Além de não marcar uma falta em prol do Bahia, deixou o jogo seguir e assinalou uma a favor do Vitória na quina da meia lua, se é que meia lua tem quina.

Deiberson Maurício Gomez – que em equipes menores como Barcelona, Benfica e Manchester City praticou o pebolismo com a alcunha de Geovanni -, aproximou-se da zona do agrião com a certeza dos psicopatas e bateu uma falta que… putaquepariu a categoria. Nesta hora até esqueci que era um imparcial correspondente do IMPEDIMENTO e gritei, com o auxílio luxuoso de 18 litros de Cepacol: Desliga o refletor e acaba esta porra!!!

Não posso assegurar com certeza se foi por conta do meu brado, mas o fato é que no segundo tempo ninguém quis mais jogar nada. Parece que a velha indagação de Eclesiastes voltou a dominar os espíritos dos nativos. E assim foi até 18 horas quando atearam fogo num tradicional brega da cidade.

Mas, derivo. A questão é que este Ba-Vi serviu para chacoalhar o insosso campeonato. Para que vocês tenham uma ideia, duas rodadas atrás o Bahia tinha 9 pontos de vantagem sobre o Vitória. A diferença agora caiu para apenas 4. O técnico Falcão, que há menos de uma semana era chamado de o Rei de Roma Negra, ontem recebeu xingamentos de fazer corar Dercy Gonçalves. Já Cerezo, que estava com o cargo em risco, é hoje o franco favorito para ser o próximo prefeito de Salvador. Afinal, se consertou o time do Vitória, que era tarefa muito mais difícil, por que não dará um jeito na Cidade da Bahia?

Mas, nada de pressa. Agora, vamos aguardar pacientemente as 358 rodadas que restam para definir os semifinalistas.

Amém, irmãos?

* Texto escrito originalmente para o brioso IMPEDIMENTO.

Quem tocou fogo no Puteiro?

março 19, 2012

Sabe quando você acorda com um gosto de bota de sargento misturado com alicate enferrujado no canto da boca? Então, foi exatamente assim que este ressaqueado locutor despertou nesta segunda-feira.

A bem da verdade, este sabor amargo começou logo depois que o sacana de preto soprou o apito pela última vez ontem no Santuário. Ato contínuo, decidi que tão cedo não falaria sobre o Ludopédio. E cheguei a tal decisão pelo seguinte e simples motivo: Não gosto de comentar futebol quando estou humilhado. E, por conta disso, da humilhação, estendo o pedido aos frequentadores desta budega: Pelo amor de Jehová de Carvalho, não tratem de pebolismo nos próximos dias.  Afinal, amigos de infortúnios, não desejo a ninguém reviver a vergonha que passei ontem. Como é que porra o Vitória só mete três naquela sardinha? Repito. Estou humilhado.

Chega!!! Nem toco mais no assunto para não me enraivar mais ainda. Então, para não deixar órfãs as milhares de fãs que estão ensandecidas querendo ouvir um trago da voz rouca e rascante deste intimorato e injuriado locutor, vestirei neste momento a capa de repórter investigativo para tentar elucidar um crime contra o Estado.

Não sei se vocês estão sabendo, mas no início da noite de ontem, por volta das 18 horas, atearam fogo no histórico Casarão de Mãe Preta, ali na Ladeira da Montanha, um dos bregas mais prestigiados da Bahia de antanho.

Pois bem.

Por conta de minha formação cristã, não gosto de acusar nem de julgar ninguém. No entanto, como não diria Magary Lord, tá muito estranho este fogo no puteiro. Assim, talqualmente um Goulart de Andrade – aquele do Comando da Madrugada, que fazia muitas reportagens sobre prostíbulos e outras mumunhas -, eu repito a convocação: Venham comigo nesta tarefa sherlockiana.

Primeiro indício de que o crime foi premeditado: O Horário. O fogo começou por volta das 18h,  mesmo momento em que terminava o jogo no Barradão.

Ah, sêo françuel num to entendendo nada. Vim aqui para ouvir a resenha da partida e o senhor num fala coisa com coisa. Que cachaça errada da porra!”, interrompe, entre eufórica e revoltada, a moça do shortinho Gerasamba.

Como nunca deixo a referida na mão, paro os prolegômenos e encerro logo minha teoria acusatória com as seguintes perguntas reflexivas: Por que o puteiro de Mãe Preta, na Ladeira da Montanha, ficou em chamas logo após o Vitória brocar as sardinhas? Será que as rameiras ficaram tão revoltadas com a brocança ontem no Barradão que atearam fogo no lar que deveria abrigá-las, já que não têm casa própria?

É isso. Estes questionamentos exigem uma resposta urgente – até porque ninguém está comendo esta versão oficial de que o casarão foi incendiado por causa de duas latas de leite, conforme notícia publicada no jornal http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=764913&t=Incendio+destroi+casarao+no+Comercio

P.S Assim que passar a raiva, falarei sobre o jogo.