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Não tem santo que dê jeito

outubro 30, 2008

Desculpem-me por começar a transmissão da mais esperada resenha esportiva do Nordeste de Amaralina repetindo um axioma que, há séculos, já é de conhecimento de toda a Bahia e uma banda de Sergipe, mas a verdade tem que ser dita. E eu a direi já na próxima linha. Seguinte é este: Definitivamente, amigo não é raça de gente. Eles zombam de tudo. Mesmo nos momentos em que você está ocupado com coisas muito sérias, estes infelizes aparecem para sacanear. Ô racinha ordinária.

Um exemplo? Ouçam.

Na última segunda-feira, este rouco locutor permanecia absorto (recebam,sacanas, um absorto pelas caixa de catarro), completamente concentrado para a peleja contra as nigrinhas cariocas (desculpem-me a redundância), quando um destes sacanas me interrompeu. “Sêo Françuel, vou lhe mandar um linque com o endereço de um blog escrito por um torcedor do Flamengo”.

Fiz um ponto parágrafo, respirei e, educadamente, retruquei: “Mande para a puta que lhe pariu. Será que você não percebeu que eu estou tão ocupado que não tive tempo nem mesmo para falar sobre o banho de bola (literalmente) que o brioso Vitória deu nos bambis paulistas na última quinta-feira? Hômi quá! Sinhô, me deixe!

O fariseu, porém, não ouviu esta minha prece. E prosseguiu: “É sério. Estou lhe enviado agora”. E enviou. E eu, óbvio, não abri o e-mail. Afinal, posso acreditar em deus e outras coisas invisíveis e impossíveis, mas não sou idiota ao ponto de crer na existência de um torcedor do Flamengo que saiba escrever. Isso não. Tudo tem limite. É mais fácil existir um mineiro solidário.

Mas, curiosidade é bicho traiçoeiro. E apertei no tal do linque que o sacripanta me mandou. Minha comadre, em verdade vos digo: o que vi lá não desejo nem mesmo ao meu pior inimigo. O cara é flamenguista, carioca, publicitário e ainda ganhou na pia batismal o singelo nome de Arthur Muhlenberg. Vôte!

Realmente, é muito zebra, muito cruz para uma só pessoa. Ele só pode ter jogado pedra em São Judas Tadeu. 

Ah, sim, e como é o estilo da escrita do referido?  Pergunta-me uma curiosa ouvinte.  Você quer  saber mesmo, minha senhora?  Então, receba. Maestro, faça o favor de conceder nove palavras para o rapaz: “estamos em todas as bocadas do Brasil, sempre abalando”.   Ah, santas, quer dizer que vocês vivem “abalando nas bocadas”? Hum, sei.

Valei-me, meus culhões de Cristo!

Então, amigos ouvintes, voltando ao ludopédio. O que esperar de um timeco que tem torcedores deste nível? Exatamente isso: Nécaras. Se existisse um mínimo de justiça no futebol, o glorioso placar do Santuário Ecológico, Estádio Monumental Manoel Barradas, o Barradão, deveria estampar ontem à noite uns 12 x 3 para o Leão Baiano.   
Mas, tudo bem. O empate em 0 X 0 serviu ao menos para afastar aquelas injúrias da luta pelo título.

Aliás, vocês perceberam que desde a morte Roberto Marinho eles nunca mais ganharam o campeonato brasileiro. Sim, minha amiga, isso mesmo: dizem as boas línguas que era tudo comprado pelo magnata das comunicações. Depois que o velho morreu, não teve São Judas Tadeu ( o das causas impossíveis) que desse jeito.

A propósito, meu amigo Idelber Avelar escreveu dois post AQUI e ALI falando sobre a trajetória de furtos da referida equipe.

E, para encerrar, o seguinte é este. Antes que algum demente apareça nesta impoluta emissora dizendo que o Vitória nunca ganhou nada, relembro que o Leão Baiano é o único time do mundo campeão de terra e mar na primeira visita do Papa ao Brasil, em 1980.   

De nada.

P.S Por falar em ladrões, vi agora no jornal A Tarde que o prefeito foi roubado no Barradão. É óbvio que não precisa acusar os cariocas que lá estiveram ontem à noite.

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Aula extra de pebolismo: a função social do zagueiro

outubro 21, 2008

 

Um time que quer – e vai  – ser campeã … (Por que este riso? Qual é a graça? Ah, tá bom. Então, vocês acreditam nestes sites de estatísticas? Pois em verdade vos digo: se matemática ganhasse jogo, bastaria convocar Osvald de Souza e Tristão Garcia para comandar as equipes. A dos outros, pois quero distância destes  idiotas da objetividade. Pelas contas deles, aliás, em 2006 e 2007 o Rubro-Negro também estava condenado. E o resultado, todos sabem. Depois de duas arrancadas espetaculares, o Leão voltou à primeira divisão. Quantas vezes preciso repetir que futebol não é ciência  exata?).

Mas, derivo.

Antes de ser interrompido no início do primeiro parágrafo por algumas gargalhadas bestas de uns cretinos, eu dizia que um time que quer – e vai – ser campeão brasileiro precisa de um historiador em seu elenco. Alguém igual a este memórico locutor, que realmente conhece e pratica o ludopédio em 18 idiomas.  

Porém, para que não nos percamos nos emaranhados teóricos, vamos a um exemplo prático. Seguinte é este. Um zaqueiro que se preze deve atuar os 90 chutando a bola, o atacante e o perigo de qualquer jeito. Na tora. É proibido fazer firula. Aliás, se soubesse jogar futebol não estaria na zaga. Portanto, não deve, nem pode, trair o destino que lhe foi reservado. Tem que espanar e chegar junto. Só isso. Nada mais que isso. É sua função social. E pouco importa as vaias da torcida ou o chilique de atacantes maricas.  Tem que descer a ripa em tudo e em todos.  

Mas, Sêo Françuel, pelo amor de Jehová de Carvalho, aonde é que entra o tal historiador?

Calma, minha ansiosa ouvinte, já explico. Antes, uma  pergunta: a senhora assistiu à peleja do último domingo entre o Vitória X Fluminense? Não? Então, escute. O referido profissional precisava fazer uma preleção sobre a História do pebolismo aos zagueiros do Rubro-Negro, especialmente a um tal de Tiago Gomes. Era (e é) fundamental lembrar-lhes, por exemplo, a trajetória de Nildo Birro Doido, falecido exatamente neste fim de semana.

Seguinte. No dia 16 de novembro de 1969, estava tudo certo para Pelé fazer o miléssimo gol na SAUDOSA FONTE NOVA. Com a categoria que lhe era peculiar, o menino Edson superou o goleiro Jurandir e já partia para a tradicional comemoração  quando Nildon Braga Veloso (eis o nome de batismo do santo) tirou a bola de carrinho em cima da linha. Nem a vaia dos 100 mil torcedores do Carniça Esporte Clube lhe desanimou, conforme ele relatou recentemente ao meu amigo Zezão Castro, numa matéria publicada no Jornal A Tarde. E no restante do primeiro tempo e em toda a segunda etapa, Nildon continuou cumprindo apenas a sua função social do zagueiro. Bola pro mato.

E era exatamente isso que deveria fazer Tiago Gomes. Mas, não. Esqueceram de lhe avisar que ele é zagueiro e, portanto, deveria se mirar no exemplo de Nildo Birro Doido ou mesmo no de outro defunto famoso, o saudoso Rubro-Negro Xaxa, que um dia vi subindo no alambrado e agredindo a torcida com suas próprias chuteiras. Mas, não, ninguém lhe deu esta aula de história e Tiago acabou enojando meu baba. E só não perdemos a partida para os viadinhos tricolores cariocas (desculpem a redundância) por causa do auxílio luxuoso de Leandro Pedro Vauden – juiz que nos ajudaria muito rumo a este título se não fosse a ágil Comissão de Arbitragem que já lhe aplicou uma suspensão por tempo indeterminado.

Mas, não há de ser nada. Mesmo sem o apoio de Vauden, tenho fé que o espírito de Birro Doido e de Xaxa irá iluminar nossos beques contra os bambis paulistas depois de amanhã. Oremos.

A volta da maldição da vizinha

outubro 14, 2008

Não sei se vocês perceberam, mas este rouco locutor ainda não fez qualquer pronunciamento sobre a última peleja do Esporte Clube Vitória. Já se passaram as regulamentares 48 horas, as prorrogações – e nada. Como diria unseoutros, nunca na história desta impoluta emissora se viu tanto tempo de silêncio.

Mas, existem porquês para tão longo mutismo.

Minha perplexidade, amigos ouvintes, começou assim que o sacana de preto deu (lá ele) o apito final. Ato contínuo, eu indaguei para meus desgastados botões: o que aconteceu para que o time que estava jogando o fino da bola, encurralando o Botafogo nos seus domínios, terminasse os 90 minutos com 3 x 1 na sacola?

Como sói ocorrer (recebam, sacanas, um sói ocorrer pelas caixas dos peitos) nestes graves momentos, recorri à mesma e infalível metodologia. Qual seja. Consultei runas, búzios, tarôs, almanaques, bulas, evangelhos, capas de Veja, ciganos, pais e mães de santo – e nada. Nenhuma resposta.

Um amigo mais apressado quis logo botar a culpar em Anderson Martins por conta daquela expulsão bizarra. Outro, mais exaltado, xingou Mancini pela (re)escalação de, com o perdão da má palavra, Marco Aurélio. Um terceiro colocou novamente a culpa no juiz.

É vero que todos eles tinham (e têm) um pouco de razão. Porém, nenhuma destas hipóteses conseguia decifrar o enigma daquele fatídico jogo no Engenhão. É fato que o assoprador de apito, desde o início, estava enojando meu baba. No entanto, ainda assim, estávamos vencendo e criando novas oportunidades.
Também não deixa de ser verdade que nosso técnico obrou mal ao botar para jogar (botar para jogar é forma de falar) o bisonho lateral direito. Contudo, mesmo com o referido, continuávamos dando show de bola. Por último, é verdade que o zagueiro deu um mole monstro, revidando de forma infantil uma provocação do atacante botafoguense. Porém, mesmo com um a menos, continuamos mandando no jogo.

Então, perguntei novamente aos meus desgastados botões: por que a zorra desandou?

Depois de me raciocinar todo, cheguei à exata verdade sobre o fenômeno que provocou aquela derrota para o Botafogo após quase duas décadas de invencibilidade: um telefonema. Por volta dos 35 minutos, recebi uma chamada telefônica que mudou toda a história do jogo. Até este instante, apesar de todas as dificuldades já citadas acima, eu ainda conseguia orientar a equipe, porém depois da maldita ligação tudo mudou, pois do outro lado da linha estava a pé de geladeira da amiga de minha mulher. Sim, aquela mesmo que empenou meu baba contra o Cruzeiro. E, para completar, numa ligação a cobrar diretamente da Chapada Diamantina. Pensei em minha maltratada conta bancária e desconcentrei do jogo.
É por tudo isso, amigos, que solicito encarecidamente uma ajuda financeira para comprar um aparelho com um identificador de chamada para nunca mais atender ligações da referida e assim ver se ainda dá tempo de a gente continuar na labuta rumo ao título.

Eis os números para os depósitos.  
agência: 3571
conta: 21837-5

Deus lhes pague.

Chuva, Suor e Cachaça

outubro 3, 2008

Antes mesmo de estrear pelo brioso Esporte Clube Vitória, o menino Robert Juan Pereira Ramos foi vítima de uma grande injustiça. Alguns apressados acusaram o referido de “ter cara de quem bebe algumas”. Quanta leviandade, meu Deus! Qualquer pessoa, com o mínimo de isenção e sobriedade, ao ver o cidadão (foto), percebe logo que a cara dele “não é de quem bebe algumas”, mas sim de quem toma TODAS.

E bendita seja a cachaça.  E mais: se o atacante continuar brocando como ontem à noite contra a Portuguesa, mando reabrir até o glorioso Lagoa Mar. É comigo, é? Não quero nem saber qual a quantidade de canjibrina que ele ingere. Não sou fiscal da SET para ficar fazendo teste de alcoolemia.

A propósito, sobre o mau comportamento de atletas  fora de campo, o inolvidável João Saldanha já deu a palavra final. Questionado por um repórter porque escalava jogadores problemáticos, ele largou a seguinte: “Não quero nenhum deles para ser meu genro. Quero-os apenas para jogar futebol. E pronto”.

Eu também. E vamos rumo ao título movidos a álcool. 

Mas, analisando a estréia de Robert no Barradão, a verdade é uma só: ele mostrou ontem que, além de ter cara de quem aprecia (e muito) aquela água que passarinho não fuma,  conhece também do ofício de artilheiro. Em menos de dez minutos, com dois tiros certeiros e seguidos, decidiu o jogo. Bendita marvada!

Agora, já que estamos no campo da birita, outra verdade tem que ser dita. Uma boa parte da torcida do Vitória anda bebendo uma cachaça errada da porra. O time ganhando de 2 x 0 e umas almas sebosas ainda ficavam vaiando alguns jogadores. E o pior de tudo é que os tais “torcedores” agiam assim apenas porque um radialista, que não direi o nome para não macular este impoluto recinto, estava botando pilha. Realmente. Que galera ordinária é esta? Aprendam uma coisa, hereges. Quem come H é Dona Otília de Cafarnaum, que escreve Otel, assim, com ó.     

Garçon, a conta, por favor.

P.S. Ah, sim. Aos que não entenderam o título Chuva, Suor e Cachaça, explico. A Chuva foi fundamental para que os chutes de Robert ficassem ainda mais perigosos. O Suor tem que continuar sendo derramado por todos os jogadores nesta caminhada rumo ao título. E a Cachaça? bem. Garçon, mais uma.