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Breves considerações sobre a história universal da demência (cap. 2)

março 31, 2009

Cristão ortodoxo, desde sempre sigo os ensinamentos do menino Jesus, principalmente aquele que recomenda oração e vigília. Por conta disso, prossigo neste vale de lágrimas mais alerta do que escoteiro e até mesmo do que porteiro de brega.

O problema, Senhor meu Deus e meu Pai, Espírito Santo, Criador Onipotente, Divino, Maior de Todos, Fura-Bolo e Cata-Piolho (copiraite Marconi Leal), é que meu esforço tem adiantado porra de nada. E em verdade (e contrito) vos confesso: “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”.

No último sábado, por exemplo, do nada, um rapaz chamado Fábio Domingada visitou a briosa caixa de comentários do Ingresia dizendo que meu texto era bom. Até aí – como diria Arthur Schopenhauer com seu jeito enfadonho – tudo bem. O problema, Meritíssimo, foi que o referido falou, sem rubor na face, que existia um blog escrito pelos torcedores do itinga.

É óbvio, Mestre dos Mestres, que não levei a sério. Afinal, apesar de acreditar em Vossa Excelência e em outras coisas invisíveis, entendia que abstrações têm limites. E sabia que era impossível a existência de  um blog deles por conta da seguinte problemática, que trazia em si um contradição em termos: como é que as injúrias que torcem para a equipe que habita o subsolo do futebol brasileiro podem ter um blog se não sabem escrever? Impossível, repito  – a não ser que os coitados tenham contratado um ghostwrite. Mas como, ô Pai Celestial, se só vivem passando cheques sem fundo e não pagam nem aos funcionários?

Diante desta impossibilidade lógica, larguei de mão. Porém, como bem sabes, ô Criador dos Céus, da Terra e da Julianne Moore (mais royalties para Marconi que o coitado tá precisando), o cão atenta. E cliquei na disgrama do endereço que o desinfeliz me mandou. E não é que existia realmente o tal blog! E mais espantoso ainda: pareceu-me até engraçado. (Os que duvidam podem clicar também neste linque).

Pois então, Meu Altíssimo Jesus, Meu Niemeyer Mais Novo (não vou dar mais crédito porra niúma), fiz igualmente a São Tomé. Voltei lá novamente para crer. E foi aí que se fez a luz. E percebi que  minha primeira impressão estava errada. O que eu pensava ser humor, na verdade, não passava de delírio, embriaguez, sim, cana mesmo, canjebrina errada do cabrunco.

Para que o Senhor tenha uma idéia, o tal do Fábio estava lá honrando o seu (lá dele) bandeiroso sobrenome e fazendo uma domingada de envergonhar os 15 continentes. Completamente encachaçado, ou talvez sofrendo de DELIRIUM TREMENS por conta da abstinência titulirística, ele dizia que o time da periferia de Lauro de Freitas era o bom, o retado, o maioral porque ganhou um torneiozinho furreca que nem a ordinária cbf (deixa em caixa baixa mesmo, revisor fidumasanta) reconhece.

Ô, meu Generosíssimo Pai Eterno, perdoa-o. Ele não sabe o que diz. E, além disso, bebe em demasia. E, como o Senhor sabe, os de bêbados não têm dono.
Por tudo isso, peço a Vossa compreensão para com o desinfeliz. E peço também que Vossa Excelência me permita furtar a sábia sentença de Bento XVI e perguntar ao indigitado. “Por que esta agonia da porra, incréu? Afinal, o Norte e Nordeste de Amaralina sabem que o único título de alguma relevância que vocês ganharam foi a Copa Renner porque vocês gostam mesmo é de levar TINTA”.

Palavras da salvação. Glória a vos, Senhor, per omnia secula, seculorum e UMBORA BITÓRIA, CARAJO! AURRERA GASTEIZ,ZAKIL!ABANT GASTEIZ, ARRAIO! e amém.

O mundo (ainda) não acabou

março 30, 2009

Desde o início da noite de ontem que os telefones desta emissora não param. Uma agonia dos seiscentos. É só lamento, choro e ranger de dentes. E o pior é que as estridentes reclamações e os urros de descontentamento não são totalmente desprovidos de sentido. Afinal, é preciso ter paciência de monge budista para suportar aquele baba de ontem à tarde entre Vitória 3 x 2 Feirense. Depois daquele triste espetáculo ficamos com a impressão de que, a qualquer momento, vai cair uma chuva de gafanhoto e o mundo se acabará. 

É fato de que os sinais indicando a proximidade do juízo final já haviam sido fornecidos na sexta-feira, quando a direção de marquetingue propôs a mudança de nome do NOSSO time. Mas, sobre tão novidadeira mudernagem, silenciarei, pois ficar discutindo heresias dá azar. E de maus fluídos já bastam os torcedores do itinga que visitam tão sacro espaço. Chega de apocalipse.  

Vamos ao jogo – se é que podemos chamar de jogo aquela peleja deprimente do cabrunco. Apesar de que até os 30 minutos da primeira etapa, o time enganou. Partiu para cima, praticou o ludopédio com objetividade e deu esperanças de que começaríamos a viver um novo tempo. Mas, aí entrou em cena o filha da puta do árbitro Jaílson Macedo. (Não tem jeito. Há um complô da arbitragem para prejudicar o Rubro-Negro). Metíamos 2 x 0 com tranquilidade quando aquele assoprador de apito inventou de expulsar um jogador do Feirense. 

Pra quê, meu Deus?

A partir de então, comandados por aquele dublê de manicure e cabeleira, que atende pelo nome de BIDA, o time assumiu o esquema salão de beleza, conforme destacou o menino Otto no Canal E C Vitória. Ouçam. “O Vitória penteia, alisa, enrola, dá um toquinho, um retoque, uma arrumadinha, um beijinho de despedida e tchau. Na hora do bem-bom vem alguém e bagunça tudo”.  

Palavras da salvação.

Mas, em verdade vos digo: nem tudo está perdido. Desesperar, jamais. Afinal, já nos livramos do belzebu Mauro Fernandes. Agora, é bola pra frente. E um pouco de paciência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Basta lembrar que o saudoso e pirracento Mancini estreou contra este mesmo Feirense no Barradão e não passou de um empate. Vamos, portanto, dar um crédito a Ricardo Silva e gritar para todo o Norte e Nordeste de Amaralina:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

P.S Repitam comigo agora em basco realmente castiço, conforme ensinou a menina Eliete Senra

ABANT GASTEIZ, ARRAIO!
AURRERA GASTEIZ,ZAKIL!

Sobre números

março 30, 2009

Aviso à praça. Só retornarei a esta tribuna quando me recuperar daquele triste espetáculo de ontem à tarde. Enquanto isso, ouçam as palavras da salvação proferidas nesta briosa caixa de comentários por Anrafel, o homem, o mito, a sigla. 

“A situação jurídica do clube às vezes exige algumas denominações técnicas. Que esteja lá no timbre ou nos carimbos Vitória S/A, Vitória Sociedade de Comandita Simples, Vitória Corporation, o cacête a quatro.

Mas uma iniciativa de marketing é, por natureza, algo que tende a ser massificado, apre(e)ndido pela galera. O que teríamos, então? Uma reeducação sentimental rumo a colocar nos pulmões do rubro-negro o grito de VAMO LÁ VITÓRIA 1899!?

Existem poucas expressões numéricas popularizadas, incutidas no dia-a-dia do povão. Uma delas é 171.

Bom, se isso for um factóide, já funcionou. Se não, passar outro dia”.

O novo sempre vem

março 29, 2009

                                           Por: André Dantas acá Snowman

O clube que amamos foi fundado em 1899 por um grupo de jovens que queria jogar contra os ingleses radicados na Bahia um esporte precursor do basebol chamado de críquete. Em homenagem à nobre localidade onde boa parte deles residia batizaram-no como Club de Cricket Victoria.

Os fundadores queriam que as cores do novo Clube fossem o verde e o amarelo, mas, como tudo e todos na vida, o Club de Cricket Victoria teve que se adaptar às nuances de seu tempo, sendo obrigado a escolher o uniforme preto e branco, cores nas quais mais facilmente eram encontrados os tecidos.

Em 1901, apenas dois anos após a sua fundação, o Club de Cricket Victoria já não atendia aos interesses dos seus associados. O remo era um esporte na moda e o futebol começava a dar os primeiro passos na Bahia. O Presidente do “Club” na época tinha vindo do Rio de Janeiro e por ser admirador do Flamengo sugeriu a mudança das cores para vermelho e preto, o que foi bem aceito pela maioria. Assim, devido às circunstâncias e necessidades da época, o nosso Clube passou a chamar-se Sport Club Victoria (estrangeirismo tão à moda no início do século XX quanto no início do Século XXI…).

O Clube não só mudou de nome, como também, gradativamente, foi abandonando o críquete e esse “sacrilégio” não acabou com a história do Clube, muito pelo contrário, fez parte da sua natural evolução.

Mais de 30 anos se passaram para que o “Victoria” deixasse seu nome em inglês e passasse a ser chamado pelo nome que o conhecemos hoje: Esporte Clube Vitória.

No anos 90, o mundo mudava, o futebol mudava com a Lei Pelé e o Vitória precisava mudar. Precisava tornar-se “clube empresa” e para tanto associou-se ao Excel e adotou, além de uma nova figura jurídica, um novo nome: “Vitória Excel”. Tempos depois surgiu o “Vitória S/A”. Nesta época o Esporte Clube Vitória foi relegado a 2º plano e o Vitória S/A era nossa esperança de dias melhores, mas independentemente de nomes e pessoas jurídicas continuamos a gritar “Vitória”. Simples assim.

Em 1997, o “Vitória Excel” mais uma vez inovou e lançou uma camisa amarela para jogar amistosos, Copa do Brasil e Conmebol. Dividiu opiniões, mas fez sucesso na época (eu mesmo tinha uma – pena que não guardei…).

O Vitória ao longo de mais de um século teve diversas sedes, próprias ou alugadas, e devido às circunstâncias teve que devolvê-las, trocá-las, vendê-las e mudar-se para outro lugar. Apesar de se chamar Vitória, não ficou preso ao local que lhe deu o nome e para crescer, melhorar, sobreviver, teve que abandonar sua primeira sede e seguir os ditames da história.

E o que dizer do hoje tão amado Barradão? Quantos de nós não ficamos indignados quando o Vitória resolveu passar a mandar seus jogos no Estádio Manoel Barradas, deixando um estádio central, com imensa capacidade de público, com infra-estrutura muito melhor e com o qual já estávamos acostumados por um estádio distante do Centro, com menos da metade do tamanho da Fonte Nova e arrodeado de lixo e lama?

Pois é. Mudar não só faz parte, como muitas vezes é necessário. O importante é não perder a essência, o importante é continuar a ser simplesmente Vitória.

Seja Club de Cricket Victoria, Sport Club Victoria, Esporte Clube Vitória ou, quem sabe, Vitória 1899, continuaremos a gritar “Vitória!”

O “Vitória” (o resto não muda essa essência) está fazendo uma grande jogada de marketing e que JÁ está funcionando. Várias discussões estão sendo travadas e não só por torcedores do Vitória. Em todos os sites importantes do Brasil, o assunto está gerando o debate.

O mesmo se aplica ao Barradão ser chamado de Arena 1899. A Arena da Baixada ficou anos como Kiocera Arena, o Atlético/PR ganhou sua grana e o estádio continuou sendo chamado de Arena da Baixada pela torcida na boa…

Chamar o Barradão de Arena 1899 é um convite a um patrocinador, o que seria muito bom para o clube. Se a Philips ou a Ford pagassem para estampar seu nome no Barradão eu acharia ótimo e ainda prestigiaria a empresa chamando o estádio pelo nome que for. O estádio é quem faz o nome “Barradão” valer alguma coisa e não o nome “Barradão” que nos faz adorar aquele estádio.

Nós somos, por formação, conservadores e a torcida do Vitória não é diferente, ou seja, “havendo mudança, se é contra”. Bem emblemática foi a escolha da maioria dos torcedores da camisa comemorativa dos 110 anos pelo modelo mais tradicional. Não é uma crítica a ninguém, até porque nem todo mundo tem que ter o mesmo gosto e a camisa é bonita também, mas mostra nossa natureza extremamente conservadora.

Apesar da nossa luta natural contra o desconhecido, contra o ignorado, contra o imprevisto, contra a dúvida, contra o que não dominamos, é certo que “o novo sempre vem”.

Estamos, nesse debate, deixando de curtir uma coisa maravilhosa e rara. Nada nos está sendo imposto, seremos nós torcedores do Vitória que no final diremos se devemos ou não mudar o nomen juris do nosso Clube, assim como seremos nós que escolheremos se o Barradão será TAMBÉM Arena 1899, assim como fomos nós que escolhemos qual nosso 4º uniforme. O nome disso é participação, que é um pressuposto da democracia.

Por: André Dantas acá Snowman

Se hay cambio, yo soy contra

março 28, 2009

Um espectro assombra a Bahia – o espectro da estupidez. Em nome de uma pretensa aliança entre a modernidade e a tradição, a diretoria de marquetingue do Esporte Clube Vitória soltou o balão de ensaio da HERESIA: eliminar a nomenclatura atual da equipe Rubro-Negra e colocar em seu lugar um tal de “Vitória 1899”.

Mutatis mutandis, vale para este caso a seguinte e impiedosa frase que João Ubaldo Ribeiro largou recentemente: “A reforma ortográfica não enriquecerá em nada o idioma, mas alguns enriquecerão com ela”

Touché. Muito bem, menino Ubaldo. E digo mais. Como sói ocorrer quando falta algo original ou inteligente para propor, eles recorrem logo a mais provinciana das argumentações: “Na Europa, especialmente na Alemanha, isto já acontece”, dizem, sem rubor na face. E, como a síndrome primeiro-mundista sempre vem acompanhada daquela pompa acaciana, os referidos apelam também para o uso de expressões que volta-e-meia habitam os vocabulários dos zés ruelas deste setor. “A mudança facilitaria a migração quando o clube assinar um contrato de naming right”.

Naming o quê, rapá??? Hômi quá! Sinhô, me deixe!  Se o negócio é usar expressões estrangeiras, eu sou craque. E, para esta proposta, digo o seguinte em caixa alta: ZIBB. Sabem o que é zibb? É minha caceta em árabe. Ora, ora, ora e ora. Me faça um caldo de cana contaminado, por favor.

Porém, antes de beber tão mortífero líquido, refresco a memória da nação. O atual diretor de marquetingue foi o mesmo que defendeu, em DI VER SOS artigos, que o Vitória 1899 (ops, esta praga pega), que o Esporte Clube Vitória cedesse o Santuário Ecológico Parque Sócio Ambiental Manoel Barradas, o Monumental Barradão, àquele timeco que habita o subsolo dos porões do futebol brasileiro. E pregava tão estapafúrdia tese em nome do vil metal e outras mumunhas.

Em tão importante BATALHA, porém, esta galera PERDEU. Mas, eles não se cansam. E voltam à carga agora com esta nova bobajada. Realmente, os adeptos dos aspectos econômicos parecem que nunca vão entender que futebol não é um comércio. O velho ludopédio pode até ser administrado como empresa, com eficiência e competência e etc e coisa e tals, mas não é uma empresa, pois envolve um sentimento devastador e delicioso: a paixão. E este ingrediente o diferencia dos outros negócios, rebain de miséra. Afinal, por mais que os comerciais televisivos tentem, ninguém vai sair na rua gritando e brigando por causa de uma marca de sabonete.     

Mas, derivo. O fato é que não deixarei que os marqueteiros, estes Midas ao avesso, cumpram seus nefastos e escatológicos objetivos. E, igualmente à menina Dolores Ibárruri, gritarei: No pasarán.

Mas, já que vamos disputar a SUDA, e a mudança faz-se imperiosa, então falemos em basco castiço e transformemos o nome atual para o que já está na boca da galera: BITÓRIA, carajo!

 

P.S Acabei de registrar o seguinte domínio WWW.UMBORABITÓRIACARAJO.COM.BR

Um novo tempo, apesar dos perigos

março 27, 2009

Aviso à praça.

Se vocês vieram hoje aqui atrás de sangue, suor e lágrimas, favor voltar outro dia. O momento  agora é de paz – principalmente depois que vencemos a guerra contra Mauro Fernandes. Por isso, este intimorato (recebam, infiéis, um intimorato pelos mamilos) locutor decidiu que nos próximos dias usará sua voz rouca e rascante em prol da harmonia no Rubro-Negro. Aliás, mais do que isso: pregará, com afinco, o otimismo. Porém, informo logo: será um otimismo consciente, completamente diverso daquele defendido  por Dr. Pangloss.

Antes de prosseguir, um parêntese. (Sei que não precisaria explicar quem é Dr. Pangloss porque a culta torcida do Vitória conhece a obra de Voltaire de cabo a  rabo. Mas, vou dar uma palhinha sobre o tema apenas para que os sofredores de itinga que nos visitam possam se instruir um pouquinho. Seguinte é este, rebain de miséra. O referido e enganador personagem volteriano era um professor de “métaphysico-théologo-cosmolonigologie” que defendia a falsa  tese de que vivemos no melhor dos mundos,  etc e  coisa e  tals. No entanto,  quem quiser saber mais, vá ler Cândido ou o Otimista, que não estou aqui para ficar dando colher de chá pra ninguém).

Pois bem. Fechados os parênteses, eis a verdade que salva e liberta: A partir de hoje estamos iniciando uma nova era no Esporte Clube Vitória.  E a maior prova disso, além da queda do desinfeliz, foi a ascensão de Ricardo Silva ao cargo de técnico. Independentemente de ele dar certo ou não na nova função, o fato é que esta foi a melhor decisão tomada no momento. Na verdade, tal atitude já deveria ter sido adotada assim que saiu Mancini. Mas, como diria Vicente Matheus, águas passadas não movem redemoinhos. Pelota pra frente.

E louvo tal medida também porque ela foi implantada sem levar em conta os palpiteiros (quase escrevi carniceiros) que comandam alguns programas esportivos. Oxalá que a partir deste instante, a nossa (sim, vou chamá-la de nossa) diretoria pare de dar bola (literalmente) para estes abutres.

E digo mais: Inobstante estas questões subjetivas, a escolha de Ricardo Silva deve ser elogiada pelo aspecto técnico. Afinal, ele é um cara sério, que conhece o elenco e que já demonstrou que sabe armar um time (conforme nas partidas contra o Camaça e Madre de Deus) ou, na pior das hipóteses, não fica inventando pardalices para desestruturar minhas pontes de safena.  

Ah, sim.  A outra boa nova eu ouvi do diretor de futebol, Raimundo Queiroz, aquele que traz esperança (e mulher) para nós. De forma bastante sensata e sem bravatas, ele largou a seguinte em entrevista à Rádio Transamérica: “Se Ricardo Silva armar bem o time e for ganhando as partidas, ele pode ficar até o final do ano”.

Ô, grória! Que os anjos da boca mole digam amém. E digam amém também para as primeiras declarações de Ricardo, que são simbólicas deste novo tempo, longe da política rasteira de pés no chão.  Ouçam. “Sinto que o Vitória está perto do título nacional e quero fazer parte disso”.
É isso aí, garoto, agora só falta você aprender o seguinte grito que emociona a multidão:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

25 de março: uma data esotericamente histórica

março 26, 2009

Delicadezas à parte, sempre achei que este negócio de “força da coincidência” nunca passou de uma conversa de astrólogo xibungo ou de mulherzinha afetada, o que dá no mesmo. Jamais tive o mínimo de paciência para este comportamento raribô, rabirô, ra riiii bôô. E nem mesmo nos momentos mais dramáticos consigo abrir exceção. Inclusive, já perdi algumas mulheres que prometiam maravilhas só porque elas sacaram da nécessaire a fatal, esotérica e brochante pergunta: “Qual seu signo?”.

(Pra que isto, minha comadre? Você, tão bonita, não precisa apelar para estes artifícios).

Pois bem.

Quando pressinto que o assunto vai descambar para esta estrada da perdição, interdito logo a rodovia, isto é, o diálogo, principalmente se, na sequência, a moça larga algo do tipo: “O dia tal tem uma energia ancestralmente poderosa”.

Valei-me, meus culhões de cristo! Livrai-me deste e de outros nefastos fanatismos, amém.

 Pois muito bem.

Não é que ontem, por mais que minhas sertânicas e atéicas convicções teimassem em resistir, fui obrigado a dar razões às referidas moçoilas. Realmente, depois dos fatos que se desenrolaram no Santuário do Barradão, sou impelido a confessar: é impossível viver sem o Sobrenatural de Almeida. Por isso, assim que o juiz deu o apito final, joguei fora minhas antigas convicções e murmurei: “existem dias que possuem uma energia ancestralmente poderosa”. E, rapidamente, mandei meus preconceitos para a lata de lixo da história dos salões de beleza.

Afinal, após a inolvidável peleja entre Fluminense de Feira x Vitória, tornou-se inevitável reconhecer que o 25 de março, por exemplo, é uma data especial, que nasceu para ficar na história do Rubro-Negro e, consequentemente, da nação brasileira, como um dia de júbilo, alegria e felicidade.

Exemplos? Oquei.

Não bastasse ser exatamente no dia 25 de março de 1824 que o imperador Dom Pedro I aprovou a 1ª Constituição Brasileira, há exatos 30 anos, conforme ensina o pesquisador Marcelo Monteiro, o Leão brocava o itinga por 1 x 0 no primeiro ba x VI do campeonato baiano de 1979, ano da graça que foi dedicado pela Unicef às crianças. Além disso, segundo garante o estudioso Ubiratan Brito, o Rubro-Negro completou ontem, 25 de março, exatos quatro mil jogos.

Que maravilha, né não?

Pois em verdade vos digo: tudo isso é fichinha diante da seguinte e excepcional graça que a torcida Rubro-Negra alcançou ontem, também dia 25 de março: livrou-se, definitivamente, de MAURO Fernandes.

Ô, grória! Louvemos ao Senhor.

Afinal, não há macumba, bozó, reza forte ou qualquer outra mumunha que possibilite a permanência do referido entregador de camisa no cargo depois do vexame de ser surrado em casa por 2 x1 para um timeco ordinário como o Fluminense de Feira.

Portanto, torcida Rubro-Negra, mais que nunca é preciso cantar e alegrar a cidade e gritar para todo o mundo ouvir: viva o 25 de março e …

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

P.S.1 Nesta vibrante e  vibrática caixa de comentários, a Torcida Rubro-Negra me lembra que o 25 de Março entrará para a história do futebol baiano e da humanidade (desculpe-me, a redundância) como o dia em que a gestão de futebol do Vitória livrou-se de Jorginho Sampaio.

P.S.2  Ao contrário do que espalham os incréus, Deus não é surdo. Ele ouviu e atendeu as minhas preces. Mauro Fernandes subiu no telhado.

Glória a vos, Senhor.

Breves considerações sobre a história universal da demência

março 24, 2009

Antes de subir a esta tribuna para continuar minhas palestras sobre o ludopédio, esporte que pratico e ensino em 18 idiomas, uso esta voz rouca e rascante para falar um pouco sobre assuntos médicos.

Seguinte.

Depois de uma exaustiva pesquisa nos compêndios da Medicina, cheguei à conclusão de que os torcedores do finado estão padecendo de um grave problema no juízo, conhecido como delirium tremens. De acordo com os especialistas da área, tal estado de perturbação da consciência, potencialmente fatal, principalmente nos dias quentes e em pacientes debilitados, está relacionado, entre outros motivos, à crise de abstinência. E esta crise de abstinência titulirística tem provocado fortes alucinações nos últimos tempos.  

Porém, para não cansarmos os saudáveis ouvintes desta emissora, façamos um recorte epistemológico e analisemos apenas os surtos dos últimos 12 meses.  

A eles.

No final de maio do ano passado, logo após ter perdido mais um título para o brioso Vitória, eles fizeram uma zuada dos seiscentos. A princípio, ninguém na cidade entendia os motivos dos gritos, palavras de ordem, urros e outras manifestações de demência. Logo em seguida, porém, ficamos sabendo que o motivo de tamanha comemoração era uma pesquisa que os colocava como a 7ª maior torcida do Brasil.  Acontece que a tal pesquisa era fajuta. Juca Kfoury, autor da BARRIGADA, logo se desculpou. Os coitados, porém, continuaram ILUDIDOS. Afinal, como não ganham nada desde o início da 1ª guerra mundial, eles precisavam de uma conquista, qualquer uma, para viver. E fingiram esquecer as pesquisas sérias que apontam ESTAGNAÇÃO  no número de zés ruelas. 

Pois bem. Apesar de todo o barulho insano que eles fizeram, o ano de 2008 seguiu da forma como começou: com o time de itinga estabelecendo moradia nos porões do subsolo do futebol brasileiro, logrando mais um insucesso na Segundona.

Mas, como bem dizia minha finada mãe, “incutido é pior do que doido“.

Pois não é que começa o ano da graça de 2009 e eles inventam outra ficção para comemorar: um tal de campeonato moral do 1º turno. Puta que pariu! A vergonha, desta vez, foi maior ainda. Junto com o erro de informação veio também uma agressão à língua portuguesa. O Jornal A Tarde, na ânsia de ajeitar um título para os sofredores, acabou errando em seu próprio título, separando o verbo do sujeito com uma vírgula indecente e indevida – tão indecente e indevida quanto à inexistente conquista da equipe de itinga   

Pois muito bem. Depois de mais este vexame, pensei sinceramente que eles iam sossegar. Mas, quá! A demência é uma estrada sem fim.  

Na falta absoluta de motivos para comemorar, eles agora estão vibrando porque conseguiram um empate diante do Vitória no último domingo. Argumentam que é preciso cantar porque  conseguiram o resultado com um jogador a menos. E dizem também que jogaram melhor, dominaram a partida.  Hômi, quá! Sinhô, me deixe!

Crianças, crianças, em verdade vos informo: Em relação a esta história de jogador a menos, qualquer principiante no futebol sabe que nos clássicos a equipe inferiorizada numericamente tenta se superar. É da lei, é da natureza deste tipo de peleja.  A propósito, no ano da graça de 1992, eu estava lá na Velha Fonte (confiram AQUI  e ALI ), broquei a equipe de vocês jogando com dois a menos. Dois a menos, ouviram?

Agora, imberbes, quanto à segunda argumentação, a de que vocês foram superiores, é um caso para aumentar a medicação ou internar de vez. Como diria a Santa irmã Dulce: “Que agonia da porra é esta?” Afinal, não existem registros na história do futebol mundial de um time dominar o outro, como vocês têm propagado, sem ter dado um chute sequer na direção do gol. Repetindo: nos 90 minutos do último ba x VI o goleiro Viáfara não fez uma única defesa. Então, que conversa fiada é esta de que vocês deram um show de bola?

O quê? Não, minha senhora, largue esta gilette. Por favor, meu socrático companheiro, jogue fora esta cicuta. Epa, calma, não precisa ficar tremendo.

Pronto.

Vou mudar de opinião. Realmente, este domínio sem nenhum chute na direção do gol é um feito inédito, digno de comemoração. E, ademais, o árbitro Arilson GERASAMBA Anunciação prejudicou o time de vocês, pois se ele marcasse aquele pênalti escandoloso o goleiro de vocês ia defender e ia se consagrar.  Portanto, podem VIBRAR à vontade pelo empate.

E, atenção, torcida Rubro-Negra, chega de tripudiar. Deixa quieto. Como dizia minha finada mãe, não é bom contrariar doido.

Apenas para não perder o costume, vou encerrar a transmissão com aquele brado que já conquistou as Américas:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

Das coisas impossíveis (Cap. 1)

março 23, 2009

No mês de maio daquele ano da graça que nunca termina, uns meninos picharam nos muros de Paris a seguinte e utópica sentença: “O impossível é só um desafio”. Esta frase, que embalou sonhos de transformação e outras mumunhas revolucionárias, não deixa de ter seu charme, mas não me serve.

Para abrilhantar esta gloriosa e ressaqueada resenha esportiva, recorro a Raimundo Soldado, filósofo e poeta, que largou a sintética e erudita assertiva: “Não tem jeito que dê jeito”. Eis, amigos, a verdade que salva e liberta: Para algumas coisas neste mundo “não tem jeito que dê jeito”, são inexoravelmente inviáveis. 

Sim, caros ouvintes, é exatamente dele que estou falando, o homem, o mito, o pentelho: Mauro Fernandes.  

Minha comadre, em verdade vos digo: Inexiste hipótese de ele armar um time que pratique algo parecido com o futebol.  “Não tem jeito que dê jeito”. O negócio do referido, como já expliquei AQUI, é a cardiologia. E, ontem, no ba x VI, ele mostrou que não abre mão desta sua vocação. Faz tudo para testar as pontes de safena do torcedor sem dó nem piedade.

Mas, Sêo Françuel, toda a Bahia e uma banda de Sergipe já sabem que o referido não toma jeito. Qual a novidade? Pergunta-me a impaciente ouvinte. Seguinte, minha senhora. Volto a gastar vela com este defunto ruim porque o sacripanta agora tenta desmoralizar o maior clássico dos 12 continentes, a mãe de todas as batalhas, o glorioso ba X VI (Deixe assim mesmo, com minúsculas, revisor sacana. Afinal, pelas normas da ABNT, time de segunda divisão e que não ganha títulos há mais de sete anos só pode ser grafado em caixa baixa).

Mas eu dizia que o que Mauro Fernandes fez ontem contra a história do clássico é imperdoável. E é mesmo. O sangue, o suor, as lágrimas, a garra e a gana da tradicional epopéia  ficaram reduzidas a apenas uma palavra: covardia. Mesmo com um jogador a mais, o canalhocrata continuou com um esquema defensivo, com três zagueiros, permitindo que o itinga comemorasse a conquista de um empate sem gols contra o Vitória.  Um acinte! 

Mas, chega.

Vamos agora à segunda coisa impossível, que “não tem jeito que dê jeito”.

Seguinte é este: é mais fácil um banqueiro, com suas indecentes e corruptas gorduras, passar num fundo de uma agulha do que um axezeiro pronunciar alguma frase com sentido.

Puta que pariu a mulher do padre! Como fala bobagem o tal do Jorge Sampaio, empresário da axé music e gestor de futebol do Vitória nas horas vagas.

Ouçam.

Logo após o sofrido e vergonhoso empate do Vitória contra o poderoso Asa de Arapiraca na última quarta-feira, ele pregou o seguinte. “Vamos à Igreja do Bonfim agradecer e comemorar”.  

É graça uma porra dessa?

Achando que estupidez pouca é bobagem, ele prossegue em sua incansável marcha da insensatez. Ontem, depois de mais uma apresentação bisonha do Rubro-Negro, o desinfeliz  afirmou que a “equipe está numa curva ascendente”. Eis a famosa queda para o alto.  

Basta, basta, basta e chega!

Para encerrar esta melancólica e revoltada transmissão, eis mais uma (e última) coisa impossível de acontecer nos próximos três séculos: alguém impedir este vibrante e vibrático locutor de gritar o brado insano que emociona a multidão:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

 

P.S Arilson GERASAMBA Anunciação, vi agora nos Populares de A Tarde que tem uma quitinete na Carlos Gomes. Já que você gosta tanto de agradar o time de Itinga, alugue esta porra e vá morar com os jogadores do tricolor. Que caralho! Como é que você não marcou aquele pênalti claro, seu puto?

Mauro, um revolucionário da Medicina

março 19, 2009

Eu, que tanto CRITIQUEI Mauro Fernandes, sou obrigado, logo no início desta transmissão, a fazer um mea culpa: errei. E errei feio, torcida Rubro-Negra. Porém, como sou humilde (mentira), venho a público, com firma registrada em cartório, reconhecer que o inverso é o verdadeiro: A escolha do referido técnico foi a melhor coisa que a direção do Vitória poderia ter feito. Não havia (nem há) nome mais qualificado no mercado.

(Por favor, minha senhora, não interrompa minha homilia com estes sorrisos fora de hora. O assunto é sério).

Continuando. Realmente, Mauro Fernandes é, nos tempos hodiernos, o melhor e mais qualificado profissional para cuidar do… setor de cardiologia do Vitória. Ontem mesmo, por exemplo, ele deu uma aula revolucionária nesta área da medicina.

Raciocinem comigo. Se vocês, igualmente a este cardiopata locutor, têm sérios problemas no instável e involuntário músculo do peito, digam-me uma coisa: existe teste melhor para o coração do que assistir a uma partida de um time sob o comando de Mauro Fernandes? Eu mesmo respondo: não, não existe teste melhor para descobrir como anda sua saúde. Afinal, caso você não estoure todas as pontes de safena e bata botas nos 90 minutos, é prova científica de que com você está tudo beleza. E mais: após testemunhar pelejas como a de ontem, o torcedor sai do Barradão em um estado incontrolável de felicidade, pois pensa: se eu não morri depois disso, não morro mais.

Pois muito bem.

Como todo mestre, Mauro se supera – e leva as coisas às últimas conseqüências. Nesta inolvidável quarta-feira ele conseguiu fazer o seguinte e extremo teste: botou mais de cinco mil pessoas para verem seu time atuando em casa com QUATRO cabeças de área (quase escrevi quatro cabeças de bagre, mas me lembrei que devo respeito a Vanderson) contra o Asa de Arapiraca – poderosa, arisca e tradicional equipe do ludopédio de Pindorama. Mais. Fez com que os fiéis suportassem passar pela provação de assistir ao seu time se transformar em um bando. E mais ainda. Mesmo a equipe perdendo jogo de 1 x0, a vaga na Copa e o resto de vergonha e dignidade, ele permaneceu com os quatro cabeças de área por um longo tempo.

Desculpe-me, senhoras e senhores, pela insistente repetição, mas o fato é que só os gênios conseguem tanto em termos de experimentos.

Porém, em verdade vos digo: não sou cobaia e não quero nunca mais passar pelo sofrimento de ontem. Assim, abandono pela primeira vez o internacional grito de UMBORA BITÓRIA, CARAJO. Neste final de resenha, troco as tradicionais palavras que emocionam a multidão pelo seguinte e muito mais apropriado brado:

MAURO FERNANDES, VÁ MATAR O DEMÔNHO! (assim mesmo, revisor fidumasanta, com circunflexo no ó e H depois do N, que é para ficar registrado que não como agá de ninguém).

P.S.1 Fracassei. Tentei fazer um texto todo empolado, sem lógica, sem humor, sem ironia, nada, para ver se ficava igualzinho à cara de Mauro Fernandes. Porém, não há nada neste mundo que consiga ser tão horrível quanto a fisionomia e o time armado pelo referido. Assim, eu não admito reclamação de qualquer espécie. Afinal, com o time praticando uma indignidade daquelas não há como escrever nada que preste.

P.S. 2 Alô, alô CBF. Libere a venda de cerveja. Não tem cidadão que consiga ver Luciano Almeida em campo sem beber. É tortura demais para se agüentar com sobriedade.

P.S. 3.  VIÁÁÁÁÁÁÁÁÁAÁAAFARA