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PUTAQUEPARIU O DESENCANTO!!!

fevereiro 2, 2015

O menino Nelson Rodrigues, sempre ele, costumava ensinar que as coisas ditas uma só vez permanecem inéditas. Portanto, dizia, faz-se mister repeti-las e repeti-las ad infinitum para que as mesmas não descambem para o anonimato.

Pois muito bem.

É exatamente por ainda acreditar neste axioma inicial que não me canso de gastar meu parco latim aqui defendendo a tese de que a divisão de base é uma das raras veredas que podem levar a um caminho da salvação para clubes periféricos, como é o caso do Leão. Fora disso, as possibilidades de êxitos para nosotros, os desvalidos, tornam-se ainda mais estreitas.

O problema, amigos de infortúnios, é quando esta mesma base, que deveria ser alicerce para nossos sonhos, ainda que fugazes, começa a dar sinais de que pode flertar com a infâmia e o desmantelo.

Ah, sêo françuel, deixe de xibiatagem. O senhor deveria era estar reclamando dos marmanjos, que não cansam de nos envergonhar“, protestou logo a moça do shortinho Gerasamba.

Nas CNTPs, e também fora delas, sempre costumo dar razão à referida de indumentárias mais escassa do que o saldo de minha maltratada conta bancária, porém, desta vez, retrucarei. Seguinte é este, minha comadre: num é de meu feitio gastar velas com defuntos ruins. Quando decidi ver a peleja ontem contra as sardinhas de Feira de Santana já sabia o que me aguardava. Nenhuma surpresa. Aliás, deste campeonato baiano nunca espero nada que fuja à rotineira e ordinária previsibilidade. Uns trocados de emoções, que ocorrem de quando em vez, já são contabilizados, antecipadamente, e sem nota fiscal, na conta do lucro indevido.

É fato que alguém reticente poderia ainda argumentar, não sem razão, que os meninos do Vitória têm sido um de nossos poucos orgulhos. Afinal, eles têm brilhado nos certames nacionais de modo constante. E, aqui na província, não fazem feio. Ontem mesmo brocaram as sardinhas de feira por 7 x 0.

É verdade, todo mundo tem razão, todos estão muito certos, tudo mundo é honesto, mas meu paletó sumiu.

Seguinte foi este.

De acordo com relatos fidedignos do menino Mateus Almeida, os guris Rubro-Negros, logo após o jogo, estavam  festejando ali no portão do antigo campo do Perônio. Até aí, tudo bem. Afinal, depois de uma vitória elástica nada mais natural que eles comemorem.

A desgraça, ainda segundo o apóstolo Mateus, foi o que eles “comemoravam”. Aspas para a minha impoluta fonte. “França, invés de vibrarem com o importante triunfo, tinha um sacana se gabando porque conseguiu enganar o juiz, dizendo que deu um tapa e ainda simulou uma falta”.

PUTAQUEPARIU A INVERSÃO DE VALORES!!!

É óbvio que um time de futebol não vai nem deve ser formado por freiras carmelitas. Ao contrário. A malícia pode e deve fazer parte da peleja. Porém, não é recomendável levá-la assim ao nível do paroxismo, da doença. Como é que você vence uma partida por 7 x 0 e a única coisa que você quer comemorar e relembrar é o fingimento, uma sacanagem, um tapa? Porra, num dava ao menos para falar sobre um gol, uma boa jogada, um drible desconcertante, nada?

Pois é. Diante do triste relato de Mateus sobre a presepada dos meninos da base, a vergonhosa atuação do time principal na estreia do campeonato baiano foi, pasmem, um papelão menor. Tudo foi para o baleio (que não é de Iemanjá)  como uma verdadeira ode ao desencanto.