Archive for julho \31\UTC 2008

Valei-me, São George Romero

julho 31, 2008

 

Alô, alô, som, testando. 1, 2, 3, alô, alô, som, testando.

No ar.

São exatamente duas horas e 42 minutos da madruga na capital baiana e esta impoluta emissora retorna , em edição extraordinária, para informar que a verdade tem que ser dita. E, antes que o dia amanheça, eu a direi logo no primeiro parágrafo. Seguinte é este: o principal responsável pela vitória do Rubro-Negro Baiano na epopéia de ontem à noite no Santuário Ecológico foi exatamente este locutor que vos sopra profecias e outras mumunhas. Sim. Modéstia às favas. Fui eu mesmo quem garantiu os três pontos na emocionante e ordinária peleja realizada há poucos instantes.  

Aos fatos.

Primeiro. Na última transmissão, adverti que era chegado o momento de acabar com a síndrome de Irmã Dulce. Isto é: parar de ajudar os desvalidos.  A partir de agora, a receita era uma só, independentemente se a equipe era forte ou  fraca: Sopa de Tamanco. Pau Puro. E o Brioso Vitória não teve pena da complicada situação do Furacão. Meteu uma goleada de 2X1, sem dó, nem piedade.

Antes que algum corneteiro acuse-me de vangloriar-me por algo subjetivo, vamos aos acontecimentos factuais da batalha.  

Seguinte. Quando o lateral direito e careca da agremiação paranaense abriu o placar, com um estranho gol olímpico, lá pelos 40 minutos do primeiro tempo, houve um silêncio sepulcral no Barradão.  Até os mais bravos e crédulos, achavam que tudo estava perdido. Foi então que saquei do coldre dois cepacóis, gargarejei, e bradei em casto e alto espanhol: “Carajo, vamos, vamos adelante para que salgamos em la lucha avante”.

Como 87,92% dos torcedores do Vitória têm, pelo menos,  o terceiro grau completo e falam fluentemente, por baixo, oito idiomas, a arquibancada repetiu comigo em uníssono: “Carajo, vamos, vamos adelante para que salgamos em la lucha avante”.

Os jogadores, porém, fizeram ouvidos de mercador. E terminamos o primeiro tempo atrás do placar.

Ao perceber que a a erudição não iria resolver nosso grave infortúnio, abdiquei de minha condição de ateu e, nos 15 minutos do intervalo, orei para SÃO GEORGE ROMERO, aquele que mexe com zumbis e outras coisas sobrenaturais.

E minhas preces foram ouvidas. O goleiro Ney, que havia levado um peru na primeira etapa, fez uma defesa de outro mundo, numa cabeçada de Marcelo SET Cordeiro contra o patrimônio. Em seguida, Marquinhos empatou num bate-rebate infernal. Porém , a glória veio aos 40 e lá vai poeira do segundo tempo. Nas últimas voltas do ponteiro, São George Romero ressuscitou um morto-vivo, Ramon Menezes, que, literalmente, brocou a meta defendida por Galatto, provando que craque é craque e vice-versa.

Assim, o Vitória abandonou as estradas das perdições e voltou à caminhada rumo ao inédito título

Palavras da salvação. Amém.

Boas noites.

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CHAMEM A SET

julho 28, 2008

Por conta de minha incurável modéstia, talvez ainda não tenha dito aqui a seguinte verdade que já é de conhecimento de toda a Bahia e de uma banda de Sergipe: há quatro décadas, este rouco locutor, que vos sopra profecias e outras mumunhas, pratica e ensina o pebolismo (eu falei pebolismo, hereges) em 18 idiomas.

E digo isso não por exibicionismo (isso vai de encontro ao meu recatado temperamento), mas para destacar que, com tamanha autoridade no assunto, só bato palmas para quem pratica o ludopédio em alto nível. A única exceção neste restrito campo dos aplausos vai para o menino Vanderson. E, conforme já disse aqui, se a Bahia, esta menina ingrata, tivesse o mínimo de consideração para com seus heróis, instituiria, com urgência, o 27 de Julho como o Dia do Guerreiro. Nesta data, o referido boleiro completou 100 jogos pelo brioso Esporte Clube Vitória.

Mas o Pit Bull da meiúca Rubro-negra fez somente isso para merecer tão importante distinção, pergunta a ouvinte impaciente e ressaqueada?

Não, minha senhora. Vanderson faz muito mais. Joga com denodo (recebam) e uma entrega poucas vezes vistas na recente história do futebol. É como se realmente amasse o manto que veste, ao contrário de 94,87% dos mercenários que percorrem as quatro linhas atualmente. Enfim, ele é à moda antiga.

Pois bem. O referido herói foi o vilão na derrota de ontem para o Galo. Como assim? Já explico. Por causa da comemoração da significativa data, os outros jogadores do Vitória desistiram de praticar futebol e ficaram apenas vendo Vanderson correr, numa homenagem às avessas.

Pois muito bem. Depois de amanhã contra o outro Atlético, não há mais nenhuma data histórica ou qualquer outra efeméride (tomem, sacanas) para comemorar. Assim, não somente Vanderson, mas todos têm que dar sangue vermelho e preto.

Aliás, para retomar o caminho rumo ao inédito título, duas outras providências precisam ser adotadas. Primeira. o Rubro-Negro tem que abandonar sua irremediável vocação para irmã Dulce. E para isso a receita é uma só: Sopa de Tamanco. Tem que descer a madeira indistintamente, não importa se o time é fraco ou forte.

A outra e fundamental medida para o time voltar ao prumo é contatar a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) com a máxima urgência. É preciso interditar logo aquela avenida Marcelo Cordeiro. A propósito, eis o fone da SET: 0800710880.

Uma questão de reconhecimento

julho 27, 2008

A Bahia, esta menina ingrata, se tivesse o mínimo de consideração para com seus heróis, instituiria, com urgência,  o 27 de Julho como o Dia do Guerreiro.

Daqui a pouco, logo após  a peleja contra o galo, explicarei os motivos. Aguardem.

Adeus ao Complexo de Vira-Latas

julho 24, 2008

Atenção, torcida Rubro-Negra, aperte os cintos que o plantão aqui hoje vai ser rigoroso. Sopa de Tamanco. Pau puro. Se, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP’s), a fala deste rouco locutor já é entremeada pelo rebuscamento, imagine então com o auxílio luxuoso desta ressaca dos seiscentos. Vai ser erudição pra mais de meio metro.

Portanto, ajeitem-se nas poltronas porque a partir de agora começa o passeio sobre os aspectos sócio-políticos-econômicos e culturais que marcaram a peleja de ontem à noite no Santuário Ecológico entre o Vitória X Náutico.

O quê? Como assim? Não agüentam o saculejo eruditório? É pra simplificar? Tentarei. Afinal, esta quase falida emissora tem que fazer algumas concessões para manter seus parcos leitores.

Então, vamos lá.

No auge da Guerra Civil Espanhola, o generalíssimo Franco preparava-se para invadir Madri com quatro colunas militares, quando o general Gonzalo Queipo de Llano disse algo maizomenos assim: “Fica frio, garoto, temos uma “quinta-coluna” para nos saudar dentro da cidade”. A partir de então, a expressão começou a servir para designar os traíras que atuam no seu próprio terreiro para beneficiar os inimigos. É óbvio que os quinta-colunistas não atuam apenas no sentido bélico-militar, mas também propagando boatos.

Faço esta viagem para lembrar da reportagem de ontem do Jornal A Tarde, intitulada Rivalidade Nordestina. Na referida, foram entrevistados cinco (repetindo, cinco) torcedores do Náutico e apenas um do brioso Vitória. Um acinte. É fato que a tal matéria é apenas reflexo do “quinta-colunismo” que impera na Bahia em favor de Pernambuco. “Ah, o Carnaval de lá é melhor; a música também, as mulheres idem e blá, blá, blá”, repetem os traíras constantemente.

Esta nefasta propaganda enganosa acabou incutindo na cabeça de alguns incautos o que Nelson Rodrigues chamava de Complexo de Vira-Latas. E o que é tal complexo? Já explico.

Seguinte.

No dia 31 de maio de 1958, o referido dramaturgo fez um preciso diagnóstico sobre a Seleção Brasileira que estrearia menos de 40 dias depois na Copa da Suécia: “Nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo”, disse, acrescentando que o principal empecilho para o sucesso dos canarinhos era a posição de inferioridade que, voluntariamente, os pebolistas verde-amarelos se colocavam em face do resto do mundo

Pois muito bem. Tal complexo estava se abatendo sobre o futebol baiano. Eu disse estava, porque na noite de ontem, o comandante Marcos Gonçalves (conhecido nas batalhas do Prado como Marquinhos) caprichou na munição e utilizou-se de sua excelente pontaria para, com dois certeiros tiros, mandar o complexo de vira-latas e os quinta-colunistas que atuavam aqui para o lixo da história.

Aliás, por falar em cachorrada, os pernambuco voltaram para casa mais atônitos do que cachorro que se perde da mudança, com o rabo entre as pernas e com dois golaços na sacola.

Boa viagem.

Aviso à praça

julho 24, 2008

Assim que esta infeliz ressaca der uma trégua, este rouco locutor que vos sopra profecias e outras mumunhas voltará a esta impoluta tribuna. E voltará com gosto de querosere para fazer uma análise abalizada sobre a epopéia de ontem à noite no Santuário Ecológico, Parque Sócio-Ambiental Manoel Barradas, o Monumental Barradão.

Aguardem.

P.S Enquanto isso, podem fazer pronunciamentos sobre a peleja de ontem contra os pernambuco na briosa caixa de comentários.

De nada.

Desabafo de um leitor

julho 22, 2008

“Amigos…estou aqui indignado…!!! Acabei de assistir ao Programa Bem Amigos…e acreditem: nunca mais volto a assisti-lo na minha vida. Aliás não vejo mais o Sportv. Imprensa descaradamente parcial.

Um total desrespeito aos times que não são do eixo RJ-SP. Deram um ibope imenso ao caso do gol anulado e em momento algum falaram dos dois penaltys não marcados a favor do Leão.

E para completar, o Arnaldo “filho da p.” Coelho ao fim da sua apresentação disse todo feliz que a pobre da assistente do jogo tomou um gancho de 30 dias.

No mesmo programa o jogador Léo Moura disse que o árbitro quando questionado por Fábio Luciano, acerca do gol anulado, teria dito que a assistente havia ferrado com ele (árbitro) ao levantar a bandeira.

Assim, venho através deste instrumento de discussão democrático solicitar a todos uma manifestação a favor da assistente, que, ao errar contra um time “intocável” e à favor de um time considerado “pequeno”, vai ficar 30 dias na geladeira.

Devemos pensar até na possibilidade de solicitar a quem tenha contato com o presidente do Vitória que peça a ele para enviar uma nota à CBF e à Comissão de Arbitragem da mesma entidade, criticando o ato PARCIAL, fruto da pressão de um clube e da imprensa que querem de qualquer forma beneficiar times do eixo RJ-SP.

Razão da critica: no jogo contra o São Paulo fomos escandalosamente prejudicados e não vimos nem a imprensa e nem a CBF se manifestar ou utilizar o mesmo critério para punição do assistente que trabalhou nesta partida.

E indo além, congregar os clubes que em geral não tem força na CBF para fazer o mesmo, incluindo suas torcidas,

É o meu desabafo”.

Assinado Roger Costa.

 

P.S Assim que tiver um tempinho nesta minha árdua labuta para garantir o cuscuz com charque para meu rebento, tratarei do assunto.  

Telmário, o artilheiro operário*

julho 20, 2008

 

O filósofo Neném Prancha sentenciou, sabiamente, que “se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado”. Na mosca. Bozós e outras estripulias macumbísticas não alteram o placar. E, em verdade, vos digo: um time que quer (e vai) ser campeão tem que se livrar do auxílio luxuoso das superstições e de outras mumunhas do gênero. E esta peleja, encerrada há poucos instante no Maracanã, estava repleta delas. Mas, soubemos combatê-las.   

 

Sem mais delongas (para não perder o costume, mando logo um delongas na caixa torácica), registro que o Rubro-Negro baiano ignorou uma das maiores crendices populares. Sim, aquela mesmo de que matar urubu dá sete anos azar. Nero Ar. Ao contrário. Destruir o referido animal proporciona uma alegria inenarrável, principalmente quando o destroçamos no seu próprio lar.

 

Não foi à toa que, nesta empolgante caixa de comentário, meu amigo Quiva relembrou uma façanha parecida, que ocorreu no ano da graça de 1988, por obra de Hélio Caipira, quando o Vitória também meteu 1 x 0 no menguinho. Aliás, o Maior Estádio do Mundo parece predestinado a consagrar os tabaréus. Desta vez, quem balançou as redes foi Telmário, o artilheiro operário, que nasceu em São Domingos, interior da Bahia.   

 

Com seu jeito desengonçado e batalhador, ele não tomou conhecimento das estranhas e esotéricas coincidências que marcariam o jogo. E, aos nove minutos da segunda etapa, bateu cruzado e mascado para a bola entrar quase chorando na meta defendida por Bruno. Por falar em números, eis alguns cabalísticos. Esta partida contra o Flamengo foi válida exatamente pela 13ª (número do azar) rodada do campeonato. E o time comandado por Vagner Mancini, conforme manchete do site LEÃO DA BARRA,  jogou com personalidade. P-E-R-S-O-N-A-L-I-D-A-D-E. Exatas treze letras. Além disso, com o  triunfo de hoje, a vantagem do Flamengo sobre o Vitória em jogos no Rio de Janeiro também caiu para 13. São, agora, 15 vitórias dos cariocas contra duas dos baianos.  

 

Para encerrar esta prosa ruim e mística, lembro que quem ganha de quem tá na frente pode ser considerado melhor. Assim, digo e repito: VITÓRIA É LÍDER. Opa, VITÓRIA É LÍDER também tem treze letras.

Bom. Encerro por aqui antes que Paulo Coelho apareça nesta budega querendo  me contratar para escrever algum livro. Vôte!

 

P.S.1. Telmário é o nome de Dinei. Telmário Dinei tem 13 letras.

 

P.S.2. Maktub é uma alocução de inspirção árabe que significa “estava escrito”. ESTAVA ESCRITO tem 13 letras.

 

P.S.3. Uma das principais figuras do jogo de hoje foi a  bandeirinha, que anulou, corretamente, o gol dos urubus. No primeiro lance em que Viáfara sai de soco, Souza (ou outra carniça qualquer), estava completamente impedido. Nome da assistente: Márcia Bezerra. MÁRCIA BEZERRA? 13 letras.  

    

P.S.4. Já ia (lá ele)  me esquecendo, mas Fabrício lembrou bem na gloriosa caixa de comentários. Viáááááááfara tem 13 letras.

 

De nada.

A culpa é do governador

julho 17, 2008

Alô, alô, delegado Protógenes Queiroz, está com caneta e papel na mão? Então, anote aí o nome de três delinqüentes: Sérgio da Silva Carvalho, Marrubson Melo Freitas e Pedro Jorge Santos de Araújo. E atenção: para incriminar os referidos e mandá-los diretos para o xilindró, nem é necessária a utilização de grampos e outros artifícios, basta o senhor consultar o videotape da partida de ontem e separar as algemas. Aliás, pode também dispensar o videotape. Apenas uma consulta à certidão de nascimento destas injúrias – e saco. Geografia é destino. O trio de ratos nasceu em Brasília e Alagoas e negou as suas origens. Portanto, agora é só formular as provas, consubstanciar (receba na caixa de catarro um consubstanciar, sacanas), a acusação e correr para a galera. Creio que nem mesmo o boca mole do ministro GILMAR MENDES terá coragem de conceder habeas corpus.

Bom. Feito este prolegômeno acima (rebanho, mate na caixa torácica um prolegômeno neste início de parágrafo), deixemos que a Polícia Federal tome as devidas providências e passemos a analisar os fatores que levaram ao primeiro revés no Barradão. Sim, primeiro revés, pois contra o Cruzeiro, conforme já expliquei AQUI, o Rubro-Negro não saiu derrotado. Jogou melhor do que a equipe celeste. E só os idiotas da objetividade acham o inverso. Mas, ontem, não. Aliás, contra minha vontade, sou obrigado a confessar: noves fora as estripulias da arbitragem, os Bambis mereceram vencer.

Ponto parágrafo.

Agora, voltemos aos motivos que levaram à queda do Santuário, dois dias depois da queda da Bastilha na França. Sem mais delongas e sem tergiversar, eu acuso: a culpa é do governador do estado, Jaques Wagner. Ao promover esta indecente chantagem contra o Vitória, querendo impor que as carniças ocupem o Parque Sócio Ambiental, ele cometeu dois crimes: um ecológico e outro jurídico, pois está corroborando contra a inviolabilidade do lar, prevista no inciso XI, do artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Além é claro, de misturar vergonhosamente o público com o privado, colocando o Estado a serviço de mesquinharias.

Depois desta sórdida campanha governamental, a equipe entrou em campo atarantada e perdeu a primeira partida em sua fortaleza. É fundamental, portanto, que a direção do Rubro-Negro e a equipe dêem logo um basta a esta chibança para que o Barradão volte a ser apenas nosso.

 

 

P.S Para encerrar,destaco que quem quiser conhecer os principais aspectos sobre a inviolabilidade do domicílio, favor consultar o já antológico manifesto “O Barradão é Nosso”, publicado nesta intimorata emissora no glorioso dia 30 de junho deste ano da graça de 2008. No referido libelo, eu explico a importância da imposição de respeito em seu lar.

De nada.

Generosidade e grandeza de um campeão

julho 14, 2008

O jogo de sábado à noite no Maracanã foi de extrema importância na caminhada do Vitória rumo ao inédito título nacional. E a explicação para esta minha assertiva (tomem, sacanas, uma assertiva logo na terceira linha) pode ser encontrada em As Paixões da Alma, de René Descartes, onde ele analisa a função da generosidade.

Sim. A partida contra o Fluminense deve ser analisada sob a ótica da generosidade – que é muito diferente de esmola. Esta, segundo ensina o menino Luiz Gonzaga, ou mata de vergonha ou vicia o cidadão. Já a outra, de acordo com o cabeludo francês, é o remédio para todos os nossos excessos.

E, na peleja de sábado, o Vitória soube ser generoso sem cair no paternalismo. Ao contrário. Mostrou durante todo o jogo que era superior ao Fluminense. Porém, por questão de solidariedade para com os mais fracos, deixou que a equipe carioca vencesse. Não era de bom tom humilhar o pó-de-arroz na sua própria casa, deixando-o ad eternum na lanterna. Inclusive, hoje, quando assistia ao videotape (sou do tempo do videotape) pela terceira vez, percebi que Marquinhos nem sequer vibrou quando balançou as redes.  

Tudo o que afirmo pode ser comprovado nos textos cartesianos. É fato, porém, que os atarefados e eruditos ouvintes desta emissora – preocupados com as demoradas substituições de Vágner Mancini – não têm tempo a  perder com os tratados do filsósofo francês. Assim, vamos a algo tipo Minutos de Sabedoria para ilustrar a nobre e benevolente atitude do Vitória para com os despossuidos. Recebam: “O verdadeiro campeão não é aquele que apenas conquista o título, mas o que conquista com grandeza e generosidade“. 

E é exatmente isso que o Vitória tem feito nesta competição. Aos desmemoriados, lembro que, na quarta rodada, também ajudamos outro lanterna em sua residência, o Ipatinga. Porém, não precisa se desesperar torcida Rubro-Negra, depois de amanhã, no Barradão, brocaremos o São Paulo e tudo retornará à normalidade. 

 

P.S Outra definição do comportamento generoso do Rubro-Negro pode ser encontrada no pai dos desprovidos de conhecimento. Ao dicionário, crianças. 

do Lat. generositate

s. f., qualidade do que é generoso;
nobreza no proceder;
carácter, grandeza de alma;
liberalidade;
magnanimidade.

Contra mitos não há argumentos. Há gols

julho 10, 2008

Com o juízo entorpecido pela água que passarinho não fuma e outros produtos não recomendados pela Constituição Federal, só agora retorno a esta impoluta tribuna esportiva. E retorno para afirmar que o Esporte Clube Vitória conseguiu uma proeza antologicamente admirável na noite desta quarta-feira no Parque Sócio-Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Barradão.

Os amantes do óbvio podem pensar que me refiro à goleada de 5 x 2 sobre o Botafogo. Nero ar. O triunfo do Rubro-Negro foi sobre um adversário muito mais poderoso e perigoso: O mito. Não há nada mais difícil de se destruir do que um mito. E até a noite de ontem vigorava a crença mitológica e infundada (registre-se e publique-se) de que o Vitória não ganhava jogo com a casa cheia. Agora não há mais. A superstição acabou. Superstição, sim, pois nos 10 jogos de maior público na história do Estádio, o Vitória nunca foi derrotado. Foram exatamente cinco triunfos e cinco empates.

O espetáculo comandado por Marquinhos mostrou que contra mitos podem não existir argumentos, mas há gols. Muitos gols e um futebol…desculpe-me, faltou o adjetivo.

Faltou o adjetivo, mas ainda sobram-me forças para incentivar a equipe para demolir outros mitos. E um dos mais injustos, atualmente, é o de que o Vitória é vice. Sim, injusto, pois um time que é o maior campeão estadual brasileiro da última década, com nada menos de que oito títulos, não merece receber tal epiteto.

Por isso, o Vitória vai ganhar este campeonato brasileiro para enterrar de uma vez por todas mais este mito, principalmente neste instante em que a equipe está em 2º lugar, com o 2º melhor ataque e a 2ª melhor defesa.