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O silêncio (e o barulho) dos indecentes

novembro 28, 2009

 
Você já entrou, alguma vez, num estádio vazio? Experimente. Pare no meio do campo e escute. Não há nada menos vazio que um estádio vazio. Não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém.

Pois muito bem.

Ajoelhado aqui no meu genuflexório, onde rezo e faço reflexões para tentar salvar o moribundo ludopédio de Pindorama, agradeço os aplausos pelo parágrafo acima, mas solicito que as palmas sejam direcionadas em outra direção. Afinal, sou religioso ortodoxo e sigo sempre aquela máxima cristã: Dai a César o que é de César e a Eduardo Galeano o que lhe pertence.

Bom. Agora que já paguei os devidos direitos autorais, vamos aos lamentos. Amigos, seguinte é este: Nem a referida sentença do escritor uruguaio, uma das poucas verdades universais do futebol, é respeitada na Bahia. Nesta besta e (ainda) bela província, menino Galeano, os estádios se calam. Ou pior, são calados. E a velha Fonte Nova (ainda) está aí pra não me deixar mentir. Um mutismo de dar dó.

A impiedosa mordaça, colocada no dia 25 de novembro de 2007, impede a propagação de qualquer som, seja de fúria, lamento ou ranger de dentes. Desde a fatídica data não se consegue mais ouvir nada do velho estádio.

Ainda tento lembrar dos dias de glórias, do último e sensacional BA x VI, vencido pelo Vitória por 6 x 5, mas é tudo vão. Os gritos de glória pararam de ecoar. Não é possível escutar nem mesmo os gemidos da terrível e anunciada tragédia que matou sete pessoas e tirou de milhões a alma.

No gramado da Fonte Nova, que está virando mato, e nas solitárias arquibancadas não se ouve nada. Tudo, absolutamente tudo, está abafado pelo ensurdecedor silêncio dos indecentes.

Mas, amigos, esta macabra saga não terminou ainda. Tristemente, lhes informo que na Bahia indecência pouca é bobagem. Não bastassem a insensatez e o desleixo dos governantes (os atuais e anteriores), que levaram ao abandono e à destruição, outras aves de mau agouro querem agora dar o tiro de misericórdia perpetuando o silêncio no templo sagrado.

Nesta semana em que se completa dois anos da terrível tragédia na Fonte Nova, uma perniciosa associação de empresários portugueses, axezeiros e cartolas dos dois grandes clubes da Bahia anunciaram a construção de uma tal de Arena Multiuso na cidade de Lauro de Freitas. Caso esta ignomínia seja realizada (que os anjos da boca mole nunca digam amém) a reconstrução da Velha Fonte estará inviabilizada. Afinal, já temos o Santuário do Barradão e Pituaçu e não haveria possibilidade de se ter quatro grandes estádios num estado que só possui dois clubes.

Porém, o que mais espanta é que os mesmos cartolas, que não disseram uma palavra de conforto ou de revolta nestes dois anos da tragédia, ocupam agora os microfones e fazem uma zuada dos seiscentos em defesa da tal Arena.

Pois então. Tantos aqueles silenciosos quanto estes barulhentos querem matar de vez o velho estádio e, assim, impedir que possamos novamente ouvir os seus sons. Eles conspiram contra tudo e contra o belo, inclusive contra a linda sentença inicial de Eduardo Galeano.

Foto: Correio da Bahia

A PIOR NOTÍCIA DO SÉCULO

novembro 25, 2009

Esta besta província, pródiga em ser predecessora dos absurdos, conforme destacava Otávio Mangabeira, está novamente cumprindo sua tradição – só que, desta vez, de forma ainda pior, pois desafia até mesmo os ensinamentos bíblicos.

Como assim? Já explico.

De acordo com o Livro Sagrado, depois da tempestade vem a bonança. Aqui, porém, tudo é pelo avesso. A bonança (no nosso caso, a saída de Jorginho Sampaio) nem foi concretizada e a tempestade já chegou, nos levando a navegar por mares revoltosos.

Calma, minha senhora, que não vou prosseguir neste caminho tortuoso. Afinal, apesar de também ter o cabelo grande, não sou Jesus Cristo para ficar falando por parábolas. Meu plantão é muito mais rigoroso. É sopa de tamanco. Pau puro.

Por isso, começo este novo parágrafo sendo o mais claro possível. Seguinte é este: A torcida Rubro-Negra não pode, não deve e nem vai aceitar, de forma nenhuma, esta patacoada inominável que o presidente Alexi Portela está defendendo. Sim, amigos, é exatamente desta chibança de Nova Arena que estou falando.

Que ideiazinha de jerico! Aliás, não. Estes animais não seriam capazes de tanto.

E antes que alguém venha dizer que eu estou falando sem conhecimento de causa (porque ainda nem sei como será o contrato e etc e coisa e tals), aviso logo: não sei, nem quero saber e já tô com nojo de quem sabe. A verdade é uma só: Não tenho o mínimo de interesse em perder meu tempo lendo sobre algo completamente absurdo. Sim, porque não há nada mais absurdo do que esta tenebrosa transação envolvendo portugueses, diretoria do itinga e cantores de axé. Francamente. Não há como sair algo que preste desta mistura.

É óbvio que poderia ser sensato e esperar mais notícias sobre esta ignomínia, travestida de acordo comercial, mas em verdade vos digo: a prudência e a paciência neste momento são os abrigos dos covardes. E a nação vermelha e preta, que nunca foi covarde, tem que sair na vanguarda e colocar todas as forças para abortar esta tragédia.

Como? Quais as armas a serem utilizadas? Realmente não sei. Só sei que cada um deve fazer sua parte. A que me cabe neste momento é este desabafo aqui, conclamando toda a nação a cerrar fileiras em defesa do Santuário do Barradão e contra esta xibungagem de Arena num sei das quantas.

E vou encerrar esta prosopopéia logo para não acabar falando algumas coisas que estou com vontade em linguagem bem chula. Antes, porém, repito as sábias palavras da população do Norte e Nordeste de Amaralina, que já está de armas em punho:

PRESIDENTE, VÁ MATAR O DEMÔNHO – AQUELE BICHO FEIO QUE CHUPA MANGA E USA CALÇOLÃO!

P.S Como não poderia ser diferente, a massa já começou a se posicionar contra esta vergonha, fazendo abalizados pronunciamentos. 

Ouçam AQUI, ALI e ACOLÁ.

A melhor notícia do ano

novembro 23, 2009

Muitos podem argumentar (e não sem razão) que o Grêmio Barueri é uma síntese de uma das maiores pragas do moderno futebol brasileiro. Qual seja: um time formado por empresários e sem nenhum outro compromisso, senão com o vil metal. Lamento contrariá-los, mas informo que a equipe do interior paulista tem uma outra função muito importante: servir como ponto de partida para importantes mudanças no Esporte Clube Vitória.

Aos desmemoriados, eis a história.

No dia 9 de novembro de 2006, o Leão estava no bico do urubu na Terceirona e a escrota imprensa baiana (desculpe a redundância) fazia um carnaval antecipado, vestindo a fantasia de ave de mau agouro. Diante da patacoada, no bloco Rubro-Negro os sons eram somente de choro e ranger de dentes, pois na referida data o Vitória ia enfrentar o Barueri – mesmo time  que, 15 dias antes, já havia nos vencido dentro do Barradão.

Pois bem.

Pra encurtar a história, relembro que, ao contrário do que pregavam as bestas do apocalipse, aquela partida simbolizou um novo tempo. Brocamos o time paulista e fizemos uma sequência de quatro triunfos consecutivos que nos garantiu o acesso à Série B.

Pois muito bem.

O menino Karl Marx costumava dizer que a história se repete como farsa. Porém, no caso do confronto entre Vitória x Barueri a sentença do barbudo não têm valor algum.

E ontem, uma vez mais, a história se repetiu como esperança de novos tempos. E quando falo em novos tempos não me refiro somente aos três pontos que praticamente selaram nossa participação pela segunda vez seguida numa competição internacional, a gloriosa Sula Miranda.

A melhor notícia do ano aconteceu exatamente após o jogo, numa entrevista de Alexi Portela. Depois de informar que o Vitória, com um time ordinário, chegou a ter uma folha acima de R$ 1,2 milhão no campeonato baiano, o presidente, de forma meio que enviesada, deixou nas entrelinhas a seguinte e salvadora informação: No próximo ano, muito provavelmente, não teremos Jorginho Sampaio atrapalhando o departamento de futebol.

Ô, grória!

E a boa-nova praticamente se confirmou na sequência. O axezeiro mandou recado pelos radialistas que estava muito triste e que deveria abandonar o Vitória.

Ô, grória das grórias e palavras da salvação e amém.

P.S Por conta da idade avançada, eu não deveria mais me espantar com os absurdos da imprensa da Bahia, mas tem dias que o negócio torna-se tão ridículo que nem pra rir serve.

A tribunda de hoje, por exemplo, está cençaçionau.

Primeiro, o jornaleco garante que as carniças deram a largada rumo à série A. Em seguida, afirmam que o sufoco não acabou para o Vitória.

Peraí, motô, pra ver se eu entendi.

Quer dizer que o time que está com totais possibilidade de carimbar o passaporte para mais uma competição internacional, está lenhado? Já as injúrias, que não ganham nada há século e vão continuar no subsolo do futebol brasileiro, estão bem pra caralho?

Que lógica da disgrama esta?

Ora, ora e ora. Me faça um caldo de cana contaminado, por favor, que é pra ver se me curo desta intoxicação.

Alma Escrota

novembro 14, 2009

A lógica cartesiana, esta menina traquina, recomenda aos prudentes e outros covardes da mesma baixa estirpe que cravem a coluna 1 no jogo entre São Paulo x Vitória – peleja que fecha o concurso 389 da briosa Loteca. Afinal, os números que nunca mentem (apenas confessam quando torturados) mostram que a vantagem dos paulistas é irrefutável. Nas 13 partidas disputadas no Morumbi, eles nunca foram brocados pelos baianos.

Porém, como na minha extensa nominata (recebam, hereges) de defeitos não se inclui a prudência, saco do coldre a capa de profeta e em verdade vos garanto: Vai dar zebra, ou melhor, Leão.

E antes que os maledicentes afirmem que escrevo apenas com o coração (hodiernamente, tem gente que escreve até com os colhões), recorro à história. E relembro que no mês de novembro o Vitória gosta de botá prá vê taúba lascá ni banda- seja lá o que isto signifique.

Mas, chega de prolegômenos e vamos aos fatos.  

No dia 23 de novembro de 2008, o Grêmio pisou no solo sagrado do Parque Sócio-Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, como franco favorito.  Porém, quando o canalhocrata do Heber Roberto Lopes soprou o apito pela última vez tava lá um sonoro 4 x 2 no placar e ninguém podia mais tirar. E os tricolores gaúchos deram adeus ao título.  

É fato (e fato é fato e meninico é meninico) que alguns podem argumentar que os jogadores do Rubro-Negro só cometeram o crime porque receberam a gloriosa mala branca.

Tudo bem, aquiesço, mas prossigo em minha homilia relembrando um dado incontestável, quando nem mesmo o tal dopping financeiro pode ser apresentado como desculpa.

Seguinte foi este.

No dia 17 do mês de (adivinhem?) do ano da graça de 2002, o Vitória, então sem mais nenhuma pretensão no campeonato, enfiou 4 no Palmeiras (alô, Cesarotti), carimbando o passaporte na titela (se fodam pra saber o que significa) do porco rumo à Segundona.

Uma glória. Ou melhor, duas. Duas alegrias esparsas, dirão alguns, mas informo-lhes: glórias contínuas não nos interessam.

E o que se depreende de toda esta prosopopéia Inquiriu-me há pouco o avexado ouvinte.

E eu respondo. 

Significa o seguinte: Feijoada que eu não posso mais comer, eu meto o dedo pra azedar. Ou como diz meu amigo VANDEX (filósofo e cantor gaúcho radicado aqui na Bahia) na antológica canção Alma Escrota: “Eu agora nem quero mais me dar bem; eu só quero é prejudicar”. 

Portanto, bambis, um conselho: dancem com o fiofó encostado na parede porque a madeira vai gemer hoje à noite no Morumbi sem dó nem piedade.

P.S Este samba duro vai para Dorival Caymmi, João Gilberto e Renato K.

É hora de chamar na chincha!

novembro 10, 2009

Milhares de ouvintes (na verdade, três) têm ligado insistentemente para esta intimorata emissora querendo saber os porquês do silêncio deste rouco e injuriado locutor. Antes que uns rebain de sacanas espalhem maledicências, informo logo: recolhi-me à minha insignificância porque achei que a missão neste Sarneyzão estava cumprida.

Seguinte é este. Ou melhor, foi este.

Há coisa de uma quinzena, mais especificamente no dia 24 de outubro, o Vitória enfrentou o Atlético no Mineirão, jogou melhor, mas entregou a rapadura no final. Diante da repetição melancólica de uma situação que chegou a dar nojo no decorrer do campeonato, saquei do coldre minha falsa erudição e fiz um longo e chato tratado sobre o “enigma do Vitória”. Na referida prosopopéia, garantia que faltavam confiança e vibração para o time obter uma melhor sorte no campeonato.

Mas, vejam vocês se a precipitação num é uma porra.

Logo no jogo seguinte, contra o Curíntia, percebi que estas minhas abalizadas teorias valiam tanto quanto a palavra de GILMAR FORTES  ou uma nota de três reais. Porra de nada. Assim, ao presenciar a lambança diante da equipe comandada (?) pelo viúvo Ronaldo Albertini, cheguei a uma nova conclusão: A escassez na equipe não era exatamente de “confiança e vibração”, mas sim dos seguintes produtos: Falta de pulso e vergonha na cara.

E a situação, que já era pior, piorou ainda mais (Royalties para Paulo Mendes Campos).

Ato contínuo, uns três hereges que envergam (quase escrevi envergonham) o manto Rubro-Negro decidiram que chibança pouca é bobagem. Assim, além de enterrar o baba nas quatro linhas, começaram a manguear a zorra toda e colocaram suas idiossincrasias (recebam, fariseus) acima dos interesses da nação.

Enquanto isso, nas salas de injustiças das rádios da vida, o comandante (?) Jorginho Sampaio dava (lá ele) entrevistas dizendo que tava tudo normal, tudo beleza.

E a falta de esculhambação aumentando; E os pitis se transformando em xingamentos até descambar em coisas mais terríveis: pilhérias e vergonhosas derrotas. E a diretoria, que não falou nada no início, permaneceu calada.

É por conta de toda esta bandalheira, nação Rubro-Negro, que retorno a esta tribuna. Minha missão neste Sarneyzão não está encerrada. E volto com gosto de querosene, invocando um momento histórico, o ano da graça de 2006.

Seguinte.

No dia 17 de agosto daquele ano, em partida válida pela segunda fase da Terceirona, o Vitória perdeu para a poderosa equipe do Confiança (SE) por 2 x 1, em pleno Santuário. Três dias depois, no mesmo Barradão, a equipe tomava um chocolate e 3 x 0 do Ferroviário nos 45 minutos iniciais. Porém, no intervalo do jogo, a torcida desceu a rampa e chamou os sacanas na chincha. Como consequência, na etapa complementar, o time fez dois gols e partiu pra dentro da equipe cearence. Só não empatou por contas de uns desacertos, porém, menos de uma semana depois, aquela equipe sem fibra tomou pulso e meteu 3 x1 no mesmo Ferroviário lá no Ceará. Em seguida, 3 x 0 no Confiança, também na casa do adversário, e finalmente brocou o Porto (PE) por 2 x 0, sacramentando a vaga quase perdida para a fase seguinte.

Portanto, torcida do Leão, já que a diretoria não toma providência, é hora de nós agirmos novamente. É óbvio que não precisa violência, basta chamar na chincha, como fizemos em 2006.

Caso contrário, restará apenas repetir os gritos de guerra que a população do Norte e Nordeste de Amaralina entoam há quatro rodadas.

SE É PRA ASSSISTIR A ESTE

TIME SEM VERGONHA

PREFIRO FICAR EM CASA

E BATER A MINHA BRONHA