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A HORA E A VEZ DA TORCIDA

agosto 31, 2010

Por conta do resultado da peleja entre Vitória x Curíntia, acordei ontem, uma vez mais, com aquele gosto amargo de bota de sargento no canto da boca. Afinal, numa das raras partidas em que o time não se acovardou completamente, aparece um sacana de um juiz para enojar meu baba. E minha ira se estendeu também ao time paulista, pois o homem de preto só empenou a zorra porque do outro lado estava uma (mal) dita grande equipe de São Paulo. E pra acabar de completar meu ódio ancestral aos bandeirantes, o menino que entregou a rapadura no segundo gol trazia no sobrenome exatamente um “paulista”. Isso nem falar que o diretor de futebol Carlito Arini e o técnico DEDINHO Cecílio também vieram daquelas plagas (quase escrevi pragas).

PUTAQUEPARIU A PAULICÉIA DESVAIRADA!

No entanto, tive que interromper minha homilia contra aquela gente espoliadora do Sudeste quando li um texto de meu amigo André Dantas (acá Snowman), que fez um “Desabafo em tom de despedida”. Eis um trecho. “Também cansei das promessas de melhoria do estádio (acesso, limpeza, estacionamento, placar eletrônico…). Toda vez que eu chegava ou saía do Barradão me sentia meio gado, sendo tangido no meio de outras bestas para dentro e para fora, sem ordem, sem educação, sem asseio. Cansei de pagar para sentar na água, no cuspe, na terra ou para ficar de pé”.

Ato contínuo, meu não menos amigo Petter Souza e Silva também afirmou que ia seguir o mesmo caminho de André por não suportar tanta infâmia.

Apesar de saber de todos os tormentos, ainda tentei dissuadi-los. Sem sucesso. E, depois de ver dois bravos guerreiros Rubro-Negros jogando a toalha, em verdade vos confesso: uma ponta de pessimismo começou a tomar conta deste esperançoso locutor. Porém, tal moléstia não conseguiu fazer morada em meus vastos pensamentos e imperfeitas emoções porque em seguida recebi o seguinte e-mail do menino Caíque Lima. Às aspas.

Tenho 16 anos e o meu amor maior é o Esporte Clube Vitória. Comecei a acompanhar realmente indo ao Barradão na série B. Nunca me esquecerei do dia em que meu tio me apresentou aquele lugar, um lugar de paixão, um lugar que me deixa com uma paz interior. Era o primeiro jogo daquele campeonato e o Vitória ganhou de 5 x 1 do Avaí. A partir daquele dia, me tornei Rubro-Negro. A partir daquele dia eu brigava em casa em dias de jogos para ir ao Barradão. E, como muitos, chorei na nossa subida para a elite do futebol Brasileiro.

Já o ano de 2008 foi difícil pra mim. No Campeonato Baiano eu não pude comparecer aos jogos, pois meu pai só deixa se eu for acompanhado. Então recorri aos radinhos. Quebrei muitos, mas fomos campeões do estadual.

Desde sempre eu brigava para ter o SMV, não para ir aos jogos, pois eu sempre soube que isso não iria mudar muito, pois sou de menor e preciso de acompanhante. Mas eu queria ser SMV para dar o meu apoio ao nosso time. E neste ano fim meu SMV. Acho uma falta de respeito quando torcedores fazem protesto para não ir ao Estádio. Por isso, quando no jogo do Guarani ouvi a torcida vaiando o Leão pela rádio, eu desabei. MEU DEUS, como pode a torcida vaiar um time que eles amam antes mesmo da partida terminar? Isso é um retrocesso. A torcida não pode abandonar seu clube.

Luto até hoje para conseguir minha independência para ir ao estádio, pois geralmente eu vou só dia de Domingo. Mas é difícil pra mim. E fico pensando nos que podem ir e não vão. E lembro que a torcida do Santa Cruz, gente eles são SÉRIE D, lotam o estádio, por que nós, SERIE A, não podemos ? Não podemos ser uma torcida de SEGUNDA, porque somos de PRIMEIRA. Temos que nos associar ao nosso time, temos quer nos associar ao SMV, pois assim vamos ter mais chances de realizar a nossa vontade, que é ser campeão NACIONAL. Vamos lá, torcida, vamos pro Estádio, pois só assim podemos cobrar algo ao time. Vamos, torcida, vamos votar para que os “políticos” do nosso time sejam sempre os melhores.

EU SOU VITÓRIA E AMO SER RUBRO-NEGRO”.

Pois muito bem.

O menino Caíque Lima largou o doce e eu aproveito para ampliar a convocação. Amanhã, contra o Internacional, temos que apoiar o time e também fortalecer a luta em prol da democratização do Clube.

Vamos nessa, rebain de sacana. Esta é a hora e a vez da torcida.

P.S Este, provavelmente, será o último texto que trato aqui, ainda que an passant, do processo eleitoral no Vitória. Não que eu tenha desistido da luta. Ao contrário. Penso que a proposta está ganhando consitência, tanto qualitativa, quanto quantitativamente. Por isso, até o fim desta semana, estarei fazendo um blog específico para aglutinar todos aqueles que desejam participar mais ativamente da vida de NOSSO clube. Enquanto isso, podem continuar me contactando aqui, ó francielcruz@hotmail.com Repetindo: francielcruz@hotmail.com

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Não ao retrocesso

agosto 27, 2010

Às vezes, vaia é igual a espingarda velha: a mira vai numa direção e a bala vai para outro lugar, naquele famoso atirou no que viu e acertou no que não viu. E isso, na minha imodesta opinião, foi exatamente o que ocorreu ontem na horrenda peleja entre Vitória 1 x 1 Guarani.

Aos fatos.

O ponteiro do relógio marcava exatamente 26 minutos da segunda etapa, quando a erudita torcida do Rubro-Negro começou a chamar o técnico de Equus asinus por conta da substituição de El Diablo Louro.

“Mas, onde está o erro da massa Rubro-Negra, Sêo Françuel”, interrompe-me a disgramada do shortinho Gera Samba, que ultimamente anda numa agonia e impaciência dos seiscentos.

E para que ela não fique se contorcendo ainda mais nas indumentárias miúdas, respondo logo. Minha criança, é óbvio que o comandante (?) da equipe merecia aquele elogio, digamos assim, animalesco que a torcida lhe dirigiu. Aliás, poderia ser agraciado também com o nome de outros bichos. Porém, sua maior burrada (para continuarmos nesta seara zoológica) aconteceu bem antes.

Com sua irritante mania de querer deixar registradas suas impressões digitais, as famosas dedadas, em todas as partidas, inventou de tirar o atacante Henrique. Até aí, tudo bem. Afinal, se achava que o menino não produziu o suficiente na etapa inicial – e até concordo que o mesmo não fazia uma partida brilhante – era seu direito mudar. Porém, não há lógica que explique a substituição por Evandro, um cara que, além de jogar em outra posição, não batia um baba desde a 2ª guerra mundial.

Pois bem. Por conta disso, foi obrigado a deslocar Elkesson, que até então fazia uma partida regular, do meio campo para o ataque. A partir de então, o que já não estava bom, pois a equipe fazia uma partida muito da meeira, piorou bastante. Na etapa complementar, o time ficou tão desnorteado e apático quanto o futebol de Elkesson nas últimas partidas. Além disso, perdeu aquilo que os locutores de antanho chamavam de élan.

Portanto, como dizia lá no início, a vaia, tal qual a espingarda torta, atirou no que viu e acertou no que não viu. Antes de tirar El Diablo Louro, Toninho já havia feito a lambança. Inclusive, no fatídico jogo de volta contra o palmeiras, ele já havia inventado de escalar Tiago Humberto de titular, que não tinha nenhum entrosamento com a equipe.

“Mas, Sêo Françuel, até concordo com toda esta sua prosopopéia e acho que Toninho tem que parar com este negócio de inventar e  tem que enfiar o dedo é no DEMÔNHO, mas não entendi o título da matéria. Explica aí, vai”, solicita a referida do shortinho com aquela carinha de quem tá gostando demais.

Pois muito bem. Já ia encerrar esta prosa, porém como não resisto a um pedido tão dengoso, explico. Seguinte. Pela primeira vez nos últimos tempos, a torcida perdeu a paciência com o time, deixou de apoiar e vaiou muito antes mesmo do resultado final. Coisa de cortar o coração deste velho e otimista locutor. Por isso é preciso uma mudança de postura porque não podemos permitir este retrocesso da torcida, que há muito já mudou de postura e tem atuado com grandeza.

Ah, sim. E para não dizer que não falei em eleições. Temos que continuar lutando. Não podemos permitir o retrocesso neste aspecto também. Aliás, a bem da verdade, pelo menos nisso, estamos avançando, mas temos que acelerar, pois o caminho dificultoso.

Vamos nessa, rebain de sacanas.

 P.S Podem continuar mandando e-mail para irmos amadurecendo as idéias. francielcruz@hotmail.com. Repetindo francielcruz@hotmail.com

Um passo à frente e você não estará mais no mesmo lugar

agosto 26, 2010

A priori, esta frase acima, proferida por Chico Science, parece de uma obviedade absurda, quase uma tautologia. Afinal, se nos movimentamos é lógico que não estamos mais no mesmo lugar.  Porém, nem sempre o que parece óbvio é simples e pode nos indicar caminhos mais amplos.  A referida prosopopéia, por exemplo, pode ser lida e entendida como um libelo contra a estagnação.  Aliás, foi exatamente esta a marca do líder do movimento mangue beat: uma luta constante contra o conservadorismo.

É óbvio que não vou ficar aqui bancado o crítico musical. Sei que não é prudente abusar da paciência alheia. Apenas recorri à frase do referido músico porque acho que a mesma se encaixa com perfeição no atual momento do Vitória e da Torcida – estas duas entidades indissociáveis.

Conforme já é de conhecimento do Norte e Nordeste de Amaralina, há menos de uma semana, mais exatamente no último sábado, lancei um desafio aos Rubro-Negros: formar uma chapa alternativa para concorrer às eleições no Esporte Clube Vitória.

E, sem querer puxar o saco de seu ninguém, até porque isto não é de meu feitio, em verdade lhes confesso: A recepção dos torcedores, tanto no aspecto quantitativo como qualitativo, me deixou comovido como o diabo.

Perceber e confirmar a existência de inúmeros rubro-negros que também compreendem a imperiosa necessidade de democratizar nosso clube só me deu ainda mais querosene para prosseguir na luta.  

Então, é hora agora de avançar. Mas, como diria Lênin, que fazer?

Além das palavras de apoio, incentivo e compromisso com o trabalho, os torcedores indagavam exatamente isso: Que fazer? Por onde começar?

É claro que não acredito em fórmulas prontas e, assim como o poeta espanhol Antonio Machado, compreendo que não há um caminho pré-determinado “faz-se o caminho ao andar”, porém é preciso estabelecer algumas questões práticas.

Por isso, solicitei ao meu amigo advogado André Dantas que fizesse uma avaliação do Estatuto do Clube e de como seria a formação da chapa. Estudioso, o referido elaborou um arrazoado com uma série de questionamentos (talvez o próprio traga-os para o debate aqui depois), mas em resumo informou o que segue abaixo.

1 – Para nós, sócios torcedores, só é permitido votar e ser votado após 18 meses de filiação e os titulares.

2 – Para ser Presidente ou Vice do Conselho Deliberativo, Diretor e Fiscal é necessário ser conselheiro há pelo menos 03 anos. Como o Conselho Fiscal não tem vice, são pelo menos 5 Conselheiros com pelo menos 03 anos para poder compor uma chapa.

3 – A Assembléia Geral elege o Conselho que, assim que é eleito (7 dias), elege o Presidente e o Conselho Fiscal.

(atentem para este item 4)

4- Para concorrer ao Conselho o interessado tem que apresentar uma chapa completa com Presidente, Vice, Conselheiros e suplentes! Isto dá a bagatela de 452 pessoas na chapa! Precisa-se, portanto, de cerca de 450 titulares do SMV (300 para a chapa titular e mais 150 para a suplência) com mais de um ano e meio de filiação, além de, pelo menos, 5 pessoas que já tenham estado no Conselho por pelo menos 3 anos.

5 – O regimento da eleição só sai 20 dias antes do pleito! 30 dias antes é que se divulga a data da eleição, o prazo de inscrição de chapa (que é de 10 dias!!) e quais serão os cargos a preencher.  Lembrando que cada chapa deve ter a lista completa dos candidatos! O número de vagas exatas para o Conselho só é divulgado 60 dias antes da eleição.

6 – Ultrapassadas essas fases, o novo Conselho é empossado imediatamente e parte para eleger o Presidente do Clube e o Conselho Fiscal (dentre os novos eleitos e os Conselheiros natos). Aí qualquer um pode se lançar candidato. O Estatuto ainda fala do Regimento Interno que, por sinal, deveria estar publicado no site, mas não está.

Pois muito bem.

Ninguém aqui é menino. É lógico que toda esta odisséia tem como objetivo desestimular (eu diria quase impedir) o ingresso de pessoas que não façam parte do grupo que já tem o Conselho.

Porém, não conseguirão – até porque creio que já vencemos o obstáculo principal. Qual seja. O primeiro passo. E, com este passo à frente, já não estamos mais no mesmo lugar da acomodação.  

Mais sobre o tema AQUI & ALI

P.S. 1 Hoje à noite, no Barradão, além de gastar oito litros de cepacol para orientar a equipe na peleja contra o guarani, gastarei o dobro do precioso líquido para ir dialogando com os torcedores sobre tão fundamental assunto. Façam o mesmo.

P.S 2 Dentre os nomes sugeridos para o movimento, eu gostei mais do seguinte: SOU MAIS VITÓRIA E QUERO VOTAR. E Vocês, que acham?

P.S 3 Vamos nessa, rebain de sacanas. Dúvidas, perguntas, indagações, inquirições, suposições e outras mumunhas, mandem-me e-mail. francielcruz@hotmail.com

Por que não fizeram isto antes?

agosto 23, 2010

Nem bem o juiz apitou o fim do primeiro tempo do jogo entre Vitória x Cruzeiro e a Moça do Shortinho Gerasamba adentra o sacrossanto recinto onde eu rezava pelo bem do Vitória e do Brasil (o que dá na mesmo) trazendo na ponta da língua mais estatísticas do que as que Joel Santana rabisca na velha prancheta.

“Sêo Françuel, nesta etapa inicial o Leão fez cinco finalizações, sendo que as duas últimas, o chute de Eduardo (aquele que não é calculadora, mas veio para somar) e a cabeçada de Elkeson, foram extremamente perigosas. Então, eu lhe pergunto. O senhor, que é metido a cavalo do cão e professor de Deus, me diga por que aqueles sacanas não fizeram isso antes?”.

É óbvio que não existe uma resposta única para esta indagação da rebolativa e indigitada torcedora. Aliás, inexistem respostas simples e únicas para quase tudo na vida, porém não deixa de ser verdade que a mudança ocorreu também porque DEDINHO Cecílio começou a escutar a voz das arquibancadas, que exigia um time mais ofensivo fora de casa e a escalação de El Diablo Louro .

Pois muito bem.

Mutatis mutandis (recebam, fariseus, um latinismo na torácica) creio que tal equação se aplica para o Vitória de uma forma geral. A voz das arquibancadas precisa ser mais ouvida pelo clube. E um bom momento para lutarmos por tal democratização é agora, nas eleições que se aproximam. É esta a questão principal que deve ser posta neste momento crucial – não uma falsa dicotomia entre a atual e a antiga diretoria. É fundamental que saibamos que é preciso (e possível) avançarmos em prol destes princípios.

Aliás, eis aí a palavra-chave: princípios. Portanto, não podemos debater somente a partir dos (ilusórios) resultados em campo, mas sim de uma concepção geral do que queremos para NOSSO Clube. A questão é: queremos um clube centralizado, onde só temos o direito de espernear na arquibancada e olhe lá, ou desejamos um clube onde podemos interferir efetivamente em seu destino, tornando-o mais forte e respeitado?

Sobre esta questão, aliás, volto novamente ao exemplo gaúcho. E lembro que meus amigos dos pampas fizeram uma chapa independente em 2008 mesmo depois do Internacional ter faturado UM TÍTULO MUNDIAL. Afinal, como disse, para eles também, a questão não era a de ilusórios resultados em campo, mas sim de PRINCÍPIOS. E foram à luta e elegeram 23 conselheiros na ocasião. Hoje já são muito mais. (Hoje, segundo informa Luiz Milano eles se juntaaram num projeto chamado Convergência Colorada e já são 80 conselheiros)

Então, é isso. Apesar de achar que esta diretoria é uma avanço em relação àqueloutra e que o atual presidente é, efetivamente, um cara sério e bem intencionado, creio que podemos e devemos propor uma chapa alternativa. Quem não concorda, beleza. Não estou falando apenas para os convertidos, não. Lancei o debate porque acho-o fundamental. E, sinceramente, fico bastante feliz que ele, o debate, ainda que incipiente, já tenha tocada tantos corações e mentes.

Afinal, não quero que ocorram retrocessos, inclusive no aspecto eleitoral e de participação da torcida, para que meus netos não tenham que fazer o doloroso questionamento: Por que vocês não lutaram, por que não isto fizemos antes?

Então, rebain de sacanas, o momento é agora. Vamos continuar o debate. Falar com amigos que são associados ao SMV, pensar em propostas sérias e viáveis, enfim participar ativamente da vida de NOSSO Clube. E, como diria bento XVI: Alea jacta est.

Num tem cansaço certo

agosto 21, 2010

Num vou mentir. Mesmo agora, passadas as regulamentares 48 horas, o gosto de bota de sargento não saiu do canto da boca. Traduzindo: ainda estou injuriado, virado nos seiscentos satanás com a infâmia cometida pelo time (?) do Vitória na última quinta-feira diante do palmeiras. A equipe conseguiu ser covarde e irresponsável ao mesmo tempo. A sacanagem era tanta que, naquela maldita noite, tive vontade de sair distribuindo não apenas os palavrões que proferi, mas também carrinhos nas canelas de uns e algumas voadoras no pescoço de outros. E a ira era maior ainda porque estava vendo o jogo ao lado de meu filho, que poucos dias antes havia me proporcionado EMOÇÕES ETERNAS.  

Porém, apesar de toda aquela patifaria, em nenhum momento senti cansaço. Quem, igual a este rouco locutor, tem o couro curtido em décadas de desventuras não foge à luta por qualquer coisa. Aliás, o inverso é o verdadeiro. Ao contrário de muitos, que, desalentados, estão querendo tirar férias e não desejam nem ouvir falar de futebol, acho que agora  é o momento de estarmos mais juntos do Vitória.

Como assim? Respondo com outra pergunta.

De que porra adianta ficarmos sempre resmungando pelas esquinas diante de palhaçadas como a de anteontem se não nos organizamos para tentar reverter esta zorra? Direto ao ponto sem mais delongas. A eleição no Vitória é no fim de ano. Então, por que não começamos desde já (isso era para tresantontem) a juntarmos os associados ao SMV e mostrarmos e demonstrarmos nossas insatisfações e, principalmente, nossas propostas para combater esta e outras vergonhas?

Sim, porque não se enganem. As coisas que ocorrem em campo são reflexos do pensamento e da ação dos dirigentes. Não adianta culparmos o mordomo. Se queremos realmente alterar a mentalidade e o quadro atuais, devemos tomar todas as providências ao nosso alcance. Temos que reclamar, mas temos que propor também.

Então, a idéia é exatamente esta. Formar uma chapa como uma efetiva alternativa de poder e com pontos claros e objetivos, sem a interferência de políticas partidárias de quaisquer espécies.  Apoio à base, transparência, maior participação da torcida, entre outros pontos que podemos ir construindo no debate de idéias.    

A propósito, o Internacional, hoje campeão de tudo, é o time mais democrático do Brasil. A galera de lá tirou a bunda do cimento e foi à luta. Tenho amigos que hoje são torcedores e também conselheiros, interferindo diretamente na vida do clube.  (Sobre a questão, LEIAM ISTO AQUI, Ó )   

E nós?

Vamos ser sujeitos da história de nosso clube ou vamos continuar com esta indignação inútil de fila de banco, tirando férias do Vitória por uma semana e tirando férias de nossa vergonha na cara sempre?

Acredito que podemos fazer diferente. Afinal, a esperança nunca cansa.

Vamos nessa, rebain de sacana.

A ver (novas) estrelas

agosto 16, 2010

Esta província da Bahia se vende, de forma literal e sem o mínimo pudor, como uma cidade-verão. Porém, neste domingo, a chuva caía de forma inconsequente desde as primeiras horas da madruga, insistindo em contrariar os dogmas da Bahiatursa e dos outros órgãos de enganar turistas, otários e afins. 

Oquei, minha comadre, tenha sua calma. Já vou encerrar este papo meteorológico. Relatei o episódio apenas para informar que, apesar do dilúvio, desci a pirambeira rumo ao Parque Sócio Ambiental para presenciar a peleja entre Vitória x Santos.

“Oxente, Sêo Françuel, e qual é a novidade? Afinal, o senhor abandona afazeres e compromissos até no Dia dos Namorados para ver Vitória x ABC pelo Nordestão, quanto mais…”, resmunga, com reticências, a moça do shortinho gerasamba, que andava mais sumida do que dinheiro em meu bolso. 

É fato que a sacaninha tem alguma razão. O que ela não sabe, porém, é que existe um outro motivo, digamos assim, transcendental que me leva ao Barradão.

Como assim? Já explico. Seguinte é este.

Os times de fora do grande Eixo-Sul-Sudeste são como os bordéis de ponta de rua: Só conseguem trazer para suas hostes as putas velhas. A verdade que salva e liberta é a seguinte: Somente depois que esbanjaram suas volúpias e saúde nos grandes centros é que as estrelas do pebolismo e da cama finalmente deslocam-se para os clubes periféricos. O desembarque aqui só se dá quando as pernas cheias de flacidez (e histórias felizes) já não mais lhes obedecem. Todos assim sofrem. E desta lei da natureza do livre(?) mercado, ninguém tem isenção.

Antes que alguém venha me acusar de conformismo, digo que vou ao estádio não (apenas) para ver as estrelas promíscuas que já rebolaram nos mais diversos gramados e hoje pisam no solo sagrado de meu time. Nécaras. O inverso é o verdadeiro.

Tal e qual o nonagenário de Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Marquez, eu vou ao Barradão sempre na esperança de encontrar aquela estrela do Ludopédio que exale a pureza de quem ainda não foi conspurcada. É uma quase vingança diária. Eu sei que a vedete não ficará em minha agremiação, porém eu fui o primeiro a vê-la e tê-la.

Hoje, por exemplo, quando todo o Brasil se verga para um David Luiz, relembro que há pouco mais de três anos ele era um (quase) anônimo que só os torcedores do Esporte Clube Vitória, digamos assim, usufruíam. E ele foi só nosso durante 55 jogos e sete gols. 

E ontem, eu dizia lá no início, desci ao Barradão para ver Vitória x Santos não apenas pelo jogo em si. Pouco me interessava a vingança do jogo final da Copa do Brasil, até porque o santos e a taça não existem mais. O tão temido peixe de duas semanas virou uma pititinga. Então, eu fui ao Estádio, mais uma vez, possuído pelo espírito de Lion, o líder dos ThunderCats. Traduzindo para os incultos que não assistem desenho animado: espada justiceira e visão além do alcance para ver a nova virgem que estrearia no Santuário. E o guri de 19 anos e sobrenome estranho, Henrique Almeida Caixeta Nascentes, não me decepcionou: Guardou dois na caixeta e me vingou dos riquinhos do futebol. Novamente, antes deles, mais uma vez, vi nascer uma nova estrela com a camisa do Leão.

E, às vezes, estas glórias e vinganças me bastam.

P.S. 1 Ah, sim. E este lateral Eduardo não é calculadora, mas veio para somar.

P.S.2 E DEDINHO Cecílio (Royalties para Ernandes Pereira), mais uma vez, botô pra vê taúba lascá ni banda.

O palmeiras sentiu o dedo de Toninho

agosto 12, 2010

O novo técnico do Vitória,  Antônio Jorge Cecílio Sobrinho, nasceu na Estância Turística de Avaré, cidadezinha do sudoeste paulista, pertencente ao Vale do Paranapanema, mas nem bem desembarcou nesta província e já pegou os eflúvios dos baianos injuriados. Assim, de prima, sem deixar a criança cair no chão, fez um pronunciamento inaugural com a linguagem típica de um morador do Nordeste de Amaralina. Subiu à tribuna e avisou logo que ia acabar com a dança de rato no Leão e que não ia comer reggae de seu ninguém. Às aspas. “jogador que faz cara feia após ser substituído é inadmissível”, largou, complementando: “vou botar meu dedo” (lá neles).

Porém, quando a bola rolou o time estava tão frio quanto a estranha noite soteropolitana. Parecia até a equipe conduzida pelas mãos de Ricardo Silva: bem organizada, valente e etc e coisa e tals, mas sem a contundência necessária para brocar o adversário. E assim se passaram 45 minutos e duas faltas bem cobradas por Ramon.   
Porém, o ex-técnico Felipão, que entrou no jogo com mais volantes do que o almoxarifado da Volkswagen, tentou dar uma de gato mestre, tirando Armero e colocando um sacana com nome de cantor sertanejo para tentar confundir o comandante do Leão. Foi o que bastou para Toninho Cecílio começar a meter o dedo na ex-parmalat. De uma tacada só, ele mandou o Ricardo Conceição, que corre mais do que o diabo da tasmânia, para a lateral direita; deslocou o estreante Eduardo para a esquerda, escalou Egídio na meiúca e ainda mandou Renato fazer a marcação, promentendo-lhe em troca algumas substâncias não recomendadas pela Carta Magna.

PUTAQUEPARIU A CORAGEM!

E a sorte mostrou, mais uma vez, que joga no time dos destemidos. O ponteiro do relógio não marcava nem dois minutos da etapa complementar quando Toninho Cecílio foi recompensado pelas mexidas e por uma falta precisa de Ramon, que bateu na criança igual a …Ramon, tirando o sossego do placar (que placar ordinário é aquele?) e da coruja. Por falar em Coruja, no final o menino Neto guardou mais um, com a auxílio luxuoso da fraca zaga do alviverde paulista, que já estava tonta com a dedada de Toninho.

Agora, só faltam mais nove jogos para a conquista do inédito título internacional por um time do Norte, Nordeste e Centro Oeste.      

P.S.1 Muitos torcedores estão com sede de vingança contra o santos. Meu amigo Eliano Jorge, porém já largou o doce. “Porra de santos. Este timeco, que é base da selecinha de Mano, eu já broquei por 2 x 1. Agora eu quero é a Espanha no Barradão”.

P.S.2 Em apenas 19 minutos, o Diabo Louro jogou mais do que xereque em toda a sua vida. Parece que a sueca tá dando uma folga pro maluco.

AVISO À PRAÇA

agosto 11, 2010

Daqui a pouco descerei a ribanceira rumo ao Santuário Ecológico, Parque Sócio Ambiental Manoel Barradas, o Monumental Barradão, para acompanhar in loco a peleja entre o Brioso Rubro-Negro e a ex-parmalat. 

É um momento histórico, já que, depois da partida de hoje, faltarão apenas nove  jogos para que o ESporte Clube Vitória se consagre como o  primeiro time do Norte, Nordeste e Centro Oeste  a conquistar um título internacional, a gloriosa Copa Sula Miranda.  

Ah, sim, para que vocês tenham uma idéia da importância e do simbolismo do evento, destaco que a referida competição terá desdobramentos em diversas outras áreas.

Como assim?

Seguinte. A cobiçada taça terá também um importante papel na revitalização das festas de largo, por exemplo. Não é à toa que a final ocorrerá exatamente no dia 8 de dezembro, com o objetivo de alavancar a desmoralizada festa da Conceição da Praia.

Como bem disse Bento XVI: “Fudeu avião. Avante, Rebain de sacanas”

Valei-me, Santo Antônio Houaiss!!!

agosto 9, 2010

Depois de consultar, de modo velhaco, os meus mais antigos alfarrábios, finalmente sucumbi à seguinte verdade universal: Não existe nem nunca existiu, na história do Ludopédio de Pindorama, um time que, com superioridade numérica, tenha jogado com tanta apatia quanto o Vitória do segundo tempo da partida de ontem contra o Vasco, no Rio de Janeiro.

PUTAQUEPARIU A DISPLICÊNCIA!!!

É vero que alguns podem contra-argumentar que a Batalha dos Aflitos foi mais vergonhosa para o Náutico, já que o Timbivisky (vá fazer rima na casa da porra), mesmo com quatro jogadores a mais, foi derrotado em casa pelo Grêmio. Porém, naquela fatídica epopéia de 26 de novembro de 2005, ao menos se estabeleceu uma tragédia. E, esta, a tragédia, quando nada, tem alguma serventia. Por conta dela, explodimos em ódio e fazemos a catarse. Já aquela apatia de ontem é o pior tipo de derrota: não desperta nem mesmo um tanto assim de raiva ou a vontade de vaiar.

Enquanto que na chibança em Recife havia emoção, com um time atacando, o outro suportando e saindo heroicamente para o ataque, em São Januário as duas equipes comportavam-se de forma medonha. A que vencia, se acovardava na defesa, sem apetite para passar do meio campo. Já a que era derrotada ensebava o jogo de modo vil, sem demonstrar qualquer vontade de ganhar. E durante 45 minutos e uma faixa de 20 metros de campo, a desonra imperou. Por falar em desonra, aquela patacoada de ontem, que eu me lembre, só encontra paralelo no “jogo da vergonha” entre Alemanha x Áustria, na Copa de 1982. Aliás, até o placar final foi o mesmo: 1×0. E, tanto naquela época quanto ontem, não existiu um só ato que merecesse registro.

Aliás, minto. Aquela derrota de ontem serviu para que eu retornasse aos dicionários à cata de uma palavra ou expressão que pudesse resumir aquele triste episódio. E fiz isso a contragosto – até porque, conforme é sabido no Norte e Nordeste de Amaralina, tenho ojeriza aos dicionaristas – estes meninos criados com vó que, por falta do que fazer, ficam catalogando e aprisionando palavras.

Mas, derivo.

O fato e que tive que recorrer a estas injúrias enciclopédicas para tentar entender o motivo de tanta boréstia por parte dos jogadores do Vitória. E lá, entre rebordo e reborquiada, estava a palavra que explica o comportamento dos jogadores do Leão: Rebordosa. Então, foi isso: apenas um rebordosa. Agora, vamos adiante. É hora de jogar com brio e não permitir a “reincidência de moléstia”, que é um dos significados de rebordosa.

Obrigado, Santo Antônio Houaiss.

P.S.1 Ricardo Silva acaba de subir no telhado. Espero que a solução, como sói ocorrer, não seja pior do que o problema.

P.S 2 Direção do Vitória contrata Toninho Cecílio. Sim, ele mesmo. O homem, o mito, que tem muitos serviços prestados ao futebol brasileiro, treinando o glorioso grêmio prudente (deixa em caixa baixa, maestro).

Os incríveis brancaleones Rubro-Negros

agosto 5, 2010

Autoritário e narcísico, como todo bom pai deve ser, eu tinha um sonho: impor ao meu filho, quando ele desembarcasse neste vale de lágrimas, minhas concepções ético-filosóficas e culturais. Traduzindo: fazia-se mister (recebam, hereges, um mister pelos mamilos e distribuam) torná-lo torcedor do Esporte Clube Vitória.

Otimista e abestalhado, como todo bom pai deve ser, achei que esta seria uma tarefa fácil. No caso específico, principalmente, porque quando meu rebento chegou, no início da década de 90, o brioso Rubro-Negro abandonava um histórico de choro e ranger de dentes e começava a se impor de forma hegemônica (chupa, Gramsci!) no futebol baiano.

Porém, ai porém, (alô, Paulinho da Viola), em verdade lhes informo: hodiernamente, os guris de dois, três anos, não têm mais a menor noção do que realmente importa. E afirmo isso não como uma teoria solta ao vento, mas baseado em fatos. Vocês, céticos, podem até duvidar, mas a realidade é que, em 1993, o menino Sandro (eis o nome do santo) não vibrou com aquela máquina assassina que encantou o país e sagrou-se vice-campeã, enfrentando o poderio da multinacional parmalat.

Persistente e crédulo, como todo bom pai deve ser, mesmo depois desta falha, deste pecado original, continuei acreditando que ainda era possível convertê-lo para o caminho da salvação. E lhe falei sobre as maravilhas que o menino Petkovic fazia, em 1997, e do carrossel montado, em 1999, por Toninho Cerezo.

Em vão.

Assim, derrotado e humilhado nas quatro linhas, restou-me apelar: já que o sacaninha não queria saber de bola, teria que impingi-lo com minha falsa erudição. Vocês podem achar isso démodé, mas sou do Tempo do Carrancismo, quando tínhamos a obrigação moral de deixar marcas indeléveis em nossos herdeiros.

Por isso, tal e qual um vaqueiro perverso, com a ferradura em punho, distribuí gracilianos e guimarães, bandeiras e drummonds, além de outros maizomenos cotados. No entanto, mais teimoso do que mula ruim, ele empacou em aleivosias do tipo de harry potter.

Então, vendo que literatura não dava camisa a ninguém, ou melhor, não vestia camisa em ninguém, fui para outra trincheira: cinema. Na época, uma febre nipônica adentrava o imaginário dos guris. Com o mesmo senso de oportunidade de um Índio da Costa, sugeri Akira Kurosawa e Yasujiro Ozu. O menino, percebendo que a vida não é filme (japonês), saiu debaixo e disse que gostava de lutas. E lá vou eu com o velho o bom Spartacus, de Kubrick. E ele disse nécaras e nada.

Violento e impiedoso, como todo bom pai deve ser, pensei em abandonar estas frescuras da educação moderna e aplicar o método tradicional: madeira no lombo do desinfeliz até que ele ficasse parecido comigo. Porém, na hora que já ia pegar o cansanção, o improvável aconteceu: os olhos dele brilharam para a obra de Mário Monicelli. Minha honra e o lombo do guri foram salvos pelo Incrível Exército de Brancaleone. E rimos juntos. E, ao perceber que de alguma forma estávamos mais próximos, eu quase chorei.

Maestro, corta o melodrama e volte novamente para o futebol.

Mutatis mutandis, o atual elenco do Rubro-Negro pode ser comparado aos personagens da referida comédia. E tal analogia reforça-se quando lembramos os protagonistas do Leão. A eles. A armada Rubro-Negra é defendida por um goleiro colombiano que estava no ostracismo no Atlético (PR). Na lateral-direita (ala é a puta que o pariu) um cidadão que carrega as dores e esperanças de seu estado natal, a Paraíba. A zaga é composta de dois garotos da divisão de base. Na lateral-esquerda (ala vocês já sabem quem é) um renegado do futebol carioca. Na cabeça de área, um cara que em 2005 abandonou a primeira divisão para jogar na Terceirona pela Leão. Ainda no meio, tem um jogador que, aos 38, insiste em lutar contra o tempo. O craque da equipe, Elkesson, teve que fraudar a própria identidade para poder jogar bola. Na frente, outro que, por questões, digamos, documentais acabou no xilindró recentemente. Não bastasse, ainda são comandados por um técnico que nunca foi técnico.

Por tudo isso, mesmo chegando à final da Copa do Brasil, preferi não fazer pressão sobre meu filho. Afinal, se os timaços de 1993, 1997 e 1999 não entusiasmaram o referido, não seria este que faria o milagre. Assim, contentei-me que estivéssemos juntos, ao menos, no apreço cinematográfico.

Na madrugada de hoje, porém, ao chegar em casa completamente grogue, cheirando a álcool e fumando sem cessar – como todo bom pai deve fazer quando seu time perde uma final – ouvi as seguintes palavras do guri. “Meu pai, o Vitória jogou muito”.

Tal frase, que aos ouvidos de muitos soaria como uma mera platitude, me deixou desnorteado emocionalmente, com os olhos rasos d’água – de verdade. E agradeci a estes incríveis (limitados e desajeitados) gladiadores Rubro-Negros. Afinal, eles me deram algo muito mais importante do que o título que não veio, mas ainda virá. Eles fizeram com que MEU filho, pela primeira vez, tivesse orgulho de MEU time.

Obrigado, rebain de sacanas.