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A mudança está em nossas mãos

novembro 29, 2011

Se você veio aqui atrás de choro, reclamações e ranger de dentes, favor voltar outro dia. Aqui, nesta tribuna, não há espaços para as estéreis indignações de fila de banco. É fato que não há como não ficar indignado com a situação de nosso Clube. Porém, em verdade, vos digo: ficar apenas no lamento não vai adiantar zorra de nada. Portanto, vamos falar de jangada, que é pau que bóia.

Antes de tudo e de mais nada, temos que pensar o que cada um de nós pode fazer para transformar a realidade do Vitória. De nada adianta ficarmos protestando confortavelmente atrás de um teclado, apontando culpados ou, pior ainda, dizendo que fulano ou sicrano ou beltrano não está fazendo sua parte. Neste momento dramático do Brasil e do nosso time (o que dá no mesmo), aquele surrado clichê dito pelo menino Kennedy está mais atual do que nunca. Ouçam. “Não pergunte o que Vitória pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer para mudar o Vitória.” (Bom. Se aquele americano sacana – desculpe a redundância – não disse isto, pensou em algo parecido).

Esta é a questão central: o que podemos e devemos fazer para transformar o atual estágio de coisas no Rubro-negro? Que a situação é deplorável, que os atuais (e também os antigos) dirigentes trataram nossa paixão com descaso, já estamos exaustos de saber. A hora, portanto, é de agir.

O Movimento Somos Mais Vitória – um dos mais fortes e organizados movimentos de sócios torcedores do pais e ao qual tenho um orgulho da zorra de fazer parte – propõe o caminho do fortalecimento da instituição através da democratização, profissionalismo, transparência e respeito ao torcedor. No entanto, para que estes princípios não se tornem apenas palavras ao vento, ou chavões sem maiores conseqüências, é preciso que todos nós entendamos que o futuro do Clube está em nossas mãos. Assim, temos que analisar, debater e ver as formas de transformar nosso desejo em realidade.

Neste primeiro ano, nós, do MSMV,  desenvolvemos uma série de ações, tanto no plano teórico quanto prático. Logo de cara, fizemos um duro protesto sobre a condução das últimas eleições; em seguida realizamos uma vitoriosa campanha de filiação ao SMV para fortalecer o Clube; depois, mesmo sem acesso à papelada, apresentamos um detalhado estudo das contas do Clube e mostramos as falhas para a diretoria. Além disso, erguemos faixas de protesto em diversos jogos, realizamos panfletagens para disseminar na torcida nossos princípios; divulgamos nota com repercussão nacional sobre a questão dos direitos de transmissão que prejudica os clubes que não são do eixo; construímos um novo site pra facilitar a comunicação com os integrantes do MSMV, entre diversas outras ações.

É óbvio que, nesta ainda breve caminhada, já cometemos erros e nem sempre atuamos do melhor modo que a situação exigia, porém um fato é inquestionável: nunca nos omitimos.

Agora, entendemos que chegou o momento de darmos um passo adiante com a aprovação do NOSSO ESTATUTO, que nos dará personalidade jurídica, e proporcionará uma ação ainda mais efetiva para que possamos transformar nosso Clube.

Então, todos aqueles que compartilham destas idéias e ideais estão convidados a comparecer no Salvador Trade Center, na Avenida Tancredo Neves, neste dia 8 de dezembro, a partir das 8h, para que, juntos, continuemos a fazer história.

Afinal, está em nossas mãos a construção de um Movimento cada vez mais forte que tenha condições efetivas de mudar os rumos no Esporte ClubeVitória.

O que nos resta na caixa*

novembro 26, 2011

Eu já ensinei aqui, mas repito: Convição é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e já estamos do outro lado da rua defendendo a tese que há pouco tempo abominávamos. Porém, nem pensem que não é sadio. Ao contrário. Afinal, como já disse outro Francis (o Bacon): “Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar”.

Pois bem.

Durante muitos séculos, sempre associei o otimismo à alienação. Havia, inclusive, uma frase do personagem principal de A Bricadeira, um dos poucos bons livros de Milan KJundera, que eu gostava muito de citar. “O otimismo é o ópio do gênero humano”.

E eu falava e repetia esta sentença com um misto de arrogãncia e  superioridade, pois os pessismistas têm esta mania horrível de achar que são mais inteligentes só pelo fato de serem assim.

O tempo passou, voou, a poupança bamerindus se fudeu toda e eu abondonei esta postura cômoda e covarde. Sim, cômoda e covarde, porque é sempre fácil apostar no erro, na tragédia e depois ficar sentado na cadeira de balanço apontando o dedo: “Eu não falei?”.

E quem me fez mudar de idéia, por mais contraditório que possa parecer, foi o poeta Ferreira Gullar, alguém que hoje não nutro a mínima simpatia – até porque o mesmo é um defensor ferrenho de José Sarney, uma espécie de ACM do Maranhão.

Porém, há pouco mais de 10 anos, o referido intelectual me fez mudar de idéia  quando  deu uma entrevista no Roda Viva e  largou as seguintes prosopópeias.

“ Eu costumo dizer que a coisa mais fácil do mundo é ser pessimista. O cara vai ficar velho, brochar e morrer, de modo que tem que ser pessimista [risos]. Então, ser otimista diante desta situação [é] que é difícil. Então, eu acho… porque a minha visão é que o mundo é feito por nós. O homem é uma invenção dele, se ele for pessimista, ele entrega os pontos. Porque não tem quem faça, é ele quem ter que fazer, não pode ser pessimista, tem que encarar a realidade e ir em frente. O pessimismo só desarma o cara, entendeu? Não conduz a nada”.

Pois muito bem.

Exatamente agora, faltando pouco mais de 10 minutos para começar as pelejas decisivas para o destino do Rubro-Negro, eu me lembrei disso e decidi postar aqui rapidamente para não ser acusado de engenheiro de obras prontas ou profeta do acontecido.

Vocês podem debochar de mim, fazer cara de desprezo, mas eu lhes asseguro: Vou agora para a frente da TV com a certeza de que é possível.

Amém.

* Depois explico os porquês do título. Agora não dá porque a bola já vai rolar.

O avesso do avesso

novembro 6, 2011

O Norte/Nordeste de Amaralina e uma banda do Vale das Pedrinhas sabem, até porque ja ensinei aqui, que a imprevisibilidade é uma marca indelével na história do Esporte Clube Vitória. Porém, neste ano da graça de 2001, o Leão tem transformado esta sentença num inflexível axioma. Não bastasse desmoralizar a matemática e diversas leis da lógica, o Rubro-Negro agora resolveu tripudiar até mesmo da infalível Lei de Murphy.

Seguinte é este. Ou melhor, foi este.

Depois de ganhar seguidamente de dois concorrentes diretos (bateu o Náutico no Santuário e brocou o Boa fora de casa), tudo indicava que iríamos sofrer o fermento que o Demônho pisou no jogo contra o maloso Salgueiro. Mas qual o que! Com menos de 15 minutos, o placar, digo o datashow do Barradão, já marcava 2 x 0.

No entanto, os sacanas que apenas acompanham as pelejas através dos escrotos radialistas (desculpem, mais uma vez, a redundância) não fazem idéia das dificuldades da última sexta-feira. É óbvio que não falo dos obstáculos impostos pela retranca da escola de samba, pois a zaga adversária estava uma avenida maior do que a Sapucaí.

O póbrema, amigos de infortúnios, foi de outra ordem: conseguir chegar ao estádio. Que labuta dos seiscentos!!! Para que vocês tenham uma idéia, o já caótico trânsito de Salvador piorou e ficou mais lento do que a diretoria do Vitória, se é que isto é possível.

Assim, fui obrigado a descer do glorioso Pau da Lima ainda na Paralela e realizar uma paletada mais árdua do que grande marcha de Mao Tsé-Tung – e não exatamente pela distância percorrida, mas sim pelos dissabores. Enquanto o comunista apreciava as paisagens do Noroeste do China, tive que enfrentar os neuróticos motoristas baianos e suas insaciáveis buzinas misturadas aos gritos de louvor de pastores evangélicos não menos neuróticos.

Oh, Grória!!!

Como sói ocorrer nestes momentos de aflição, procurei refúgio no bar mais próximo, no caso, no  pacato Bairro de Nossa Senhora da Vitória, conhecido também como Canabrava. Por falar em cana brava, fazia tempo que num via tanto cachaceiro junto. Nem bem cheguei ao recinto, um deles se aproximou e gritou: “Eu sou Vitoria, porra!” Calmamente, respondi: “Tá bom. Todo mundo que era Vitória morreu, ficou só você e sua…”

Nem tenho tempo de terminar o desaforo e Gilberto lança Fernandinho que manda a criança para o zagueirão do salgueiro completar para o barbante. O cidadão, que havia me recepcionado de forma rude, torna-se meu amigo de infância e me dá uns tapas nas costas que tossi tanto que relembrei de minha tuberculose dos tempos de menino. A partir de então, e pela primeira vez na vida, torci fervorosamente para o Vitória não fazer mais nenhum gol – minha estrutura óssea não aguentaria o baque. Aliás, o baque veio no final do primeiro tempo. O salgueiro marcou um gol e eu me piquei. Coelho era quem ia ficar lá para ver a reação daquela galera, não eu.

Subo a pirambeira e chego ofegante no estádio, sem força até para xingar Benazzi, que tira Fábio Santos, Gilberto e Geovanni e deixa Marquinhos, o gênio franzino, sofrendo em campo. A porra da lei de Murphy revidou e nosso craque, o único jogador diferenciado da equipe, contunde-se. Vai nos privar dos seus gols e de sua categoria por duas partidas. Além disso, Jean, numa jogada bisonha, toma o terceiro cartão amarelo. Não que este sacana seja um exemplo de zagueiro. O problema são os substitutos. E as coisas, que se encaminhavam para a tranquilidade, voltam ao estágio de tensão e imprevisibilidade. Mas, como o Vitória tem sido o avesso do avesso, é muito provável que façamos nossa melhor partida contra o americana, confirmando a louca profecia de São Burndown Chart.

Amém.

P.S Como chibança pouca é bobagem, um amigo me contou que havia uma senhora nas arquibancadas xingando deus, o mundo, os quero-quero e até este cansado locutor. É graça uma porra desta?