Archive for janeiro \30\UTC 2010

Libelo contra o império da covardia

janeiro 30, 2010

Por Anrafel*

No início, era a Bamor. Não se sabe que diretoria cometeu aquele que não foi o maior nem o menor erro na gestão do Bahia: dar corda (recursos) demasiadamente aos caras.

Hoje a gang, digo, a organizada se subdivide em ‘distritos’. Deve ter recebido consultoria de algum policial, provavelmente de quem, reprovado no psicoteste, recorreu ao Judiciário (nunca mais escrevo Justiça) para ingressar na corporação. A intenção é claramente bélica, de confronto.

Mas aí veio a Os Imbatíveis. Diante da estrutura da organizada rival a intenção era fazer uma espécie de guerra de guerrilha. Nunca foi suficientemente desmentido o projeto de confrontar violentamente a Bamor. Não são de hoje os encontros marcados pela Internet, é capaz até da polícia ter disso conhecimento.

Vale observar que a TUI se consolidou na era Paulo Carneiro, que, inclusive, se tivesse algum apreço pelo torcedor, arregimentaria da milícia os seus seguranças. Mas, não, ao que parece, preferiu funcionários do seu arquiinimigo Marcelo Guimarães Pai.

Na verdade, existe uma guerra mais ou menos declarada. Não me surpreenderia se, semelhante ao tráfico de drogas que paga estudo para futuros advogados, as duas quadrilhas financiassem academias de jiu-jitsu ou vale-tudo para o seu destacamento de vanguarda.

Hoje, o ovo da serpente está prestes a arrebentar e justo naquela que já foi a praça futebolística mais aprazível, mais civilizada. A polícia limita-se a combater eqüestremente (deixa o trema, revisor membro de organizada!) as conseqüências (idem!) e a imprensa, ah a imprensa! Limita-se a dizer que trata-se de uma minoria – só que 49% em relação a 51% também é minoria.

Torcendo para que a coisa não degringole de vez, fico pensando: meu Deus, será que até para torcer as pessoas precisam fazer parte de uma confraria? Por que não torcer à capella e, na hora certa, solicitar o acompanhamento festivo dos amigos? Ou seria covardia, prevendo companhia para o desejado confronto?

Eu achava que em termos esportivos a anomalia principal era ficar 2 horas em frente à televisão assistindo vôlei de praia. Agora, com esses psicopatas, mudei de idéia. Tarja preta neles. Ou cadeia.

* Anrafel é uma sigla, um homem, um mito, um pentelho que sempre está à espreita na briosa caixa de comentários desta intimorata.

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Azul VERMELHO e Preto

janeiro 27, 2010

Por Marcos Carneiro*

Depois de tantos óbitos o governo cedeu. Em acordo aceito pela PM, MP, Bamor e TUI foi definido uma forma de acabar definitivamente com a violência nos estádios baianos. A partir daquele dia estaria tudo resolvido. Foi feito um cadastro de todos aqueles dispostos a definir este assunto de uma vez por todas e no dia marcado estavam todos lá.

Foram pra um campo neutro, porém cercado por todos os lados. Era obrigatório o uso da sua respectiva camisa de torcida “organizada” e não poderia entrar ninguém armado. Foi dado o sinal e a decisão começou.

O objetivo era simples: matar uns aos outros, sem direito a desistências. Em volta do campo as pessoas assistiam ao espetáculo na maior tranquilidade, inclusive ingressos foram vendidos para cobrir os custos com os sacos funerários. A TV também transmitiu para diversos países do mundo pelo PPV, as vendas bombaram. E o pau comeu, a madeira piou.

Um a um caiam os gladiadores do futebol baiano, alguns não duraram nem o 1º minuto, outros resistiram bravamente, mas mesmo estes suaram pra passar dos 15 minutos iniciais. Nem a corda do Chiclete no seu auge tinha visto tamanha pancadaria. O sistema era bruto.

Após os 15 minutos, veio o “intervalo”: cães da PM invadiram o recinto, bombas explodiam a rodo, gás de pimenta dava um molho extra ao evento e as armas brancas foram liberadas. As cenas faziam do Coliseo um parque infantil. Mas aquilo tudo já estava para acabar, pois só restaram 2 caras em pé. Um de cada time.

Eles se avistaram de longe, no meio daquele mar de sangue e partiram um pra cima do outro, empunhando suas armas, mas ao chegarem perto uma surpresa, se reconheceram e caíram em prantos. Eram irmãos. De sangue. Ensanguentados. Se abraçaram. E foram juntos em direção à saída. Ao tentarem abrir o portão foram impedidos. A regra era clara: apenas um sairia vivo. Um deveria matar o outro ali mesmo, sem piedade, estava no contrato, pra poder acabar a rivalidade (pois sem adversários não há por que brigar, o ditado mesmo diz que quando um não quer dois não brigam).

Não adiantou o argumento dos caras de que não sabiam que o outro iria. Enquanto eles se lamentavam juntos um dos cães aproveitou o momento fraterno e estraçalhou a cabeça de um deles, o outro correu em direção à saída, desta vez liberada! Logo após sair ele desmaiou.

Acordou no hospital, com um recado de que deveria ir buscar seu prêmio, havia ganho um carro do ano, top de linha. E assim foi.

Uma semana depois sofreu um acidente de trânsito, bateu violentamente numa das pilastras que dizem ser do futuro metrô de Salvador. Morte instantânea. Segundo a perícia, no local não havia sequer uma marca de freio.

E foi a última morte violenta de um torcedor baiano. Tudo voltou ao normal. Amém.

P.s: antes do Bavi estava comendo uma água da porra com uma galera lá no posto. Amigos tricolores e amigos rubro-negros, inclusive tinham alguns ex-integrantes da Bamor e da Tui. Tudo gente boa, juntos, dividindo a mesma latinha. E mesmo com a cachaça comendo no centro não teve sequer uma confusão, só zoação sadia.

A bebida não é o problema, o Bavi sempre foi assim, com esse clima legal desde a época da muvuca na ladeira da Fonte. Uma minoria irracional é que anda tentando desvirtuar a alegria do nosso povo. Sei que nas “organizadas” não são todos assim, mas existem vários que só vão pra brigar. “Corajosos” quando estão em maioria, covardes em minoria. Pra eles umas dicas: vão se matar entre si, longe da nossa festa, rebanho de sacanas! Melhor, vão procurar uma mulher (garanto que é muito mais interessante do que ficar se atracando com outros homens) e deixem os humanos se divertirem em PAZ.

* Texto publicado originalmente no blog bahia porra de lá eles e reproduzido com autorização dos sacanas. 

A Voz da Experiência

janeiro 26, 2010

Só agora, depois de gargarejar um caldo de cana contaminado por 24 horas seguidas para curar a tradicional ressaca, posso começar a mais esperada, abalizada, vilipendiada e aliterada resenha esportiva do Norte e Nordeste de Amaralina.

E volto a esta intimorata tribuna relembrando (e dando razão ao) meu finado pai que, com sua sabedoria ancestral, sempre pregava o seguinte sermão antes das ceias. “meu filho, teime, teime muito, mas nunca aposte”.

Palavras da Salvação.

O problema é que, além de teimoso, sou desobediente. E, como sói, a minha indisciplina contra a paterna voz da experiência foi novamente punida.

Aos que ainda não estão entendendo nada, já explico. Seguinte foi este.

Em vez de apenas teimar, teimar muito, conforme ensinava meu saudoso genitor, decidi também apostar uma grade de cerveja no ba x VI deste domingo, confiando que o Vitória meteria, pelo  menos, seis gols na carniça.

Mas, quá.

O Rubro-Negro só conseguiu enfiar três nas meninas de vida fácil de itinga. Sim, três, afinal existiram dois gols na mesma jogada, com Wallace e Xerek mandando a criança para o filó.

Por conta deste resultado injusto, saí de minha casa de praia, o brioso Pituacivisky, injuriado com o Vitória. Afinal, não é possível que, num jogo de futebol de areia, um time tão superior vença por um placar tão magro, principalmente diante daquelas injúrias sem nenhuma qualificação. Aliás, o próprio técnico do itinga saiu de campo retado com o placar. Afinal, como bom gaúcho, ele queria que a madeirada fosse muito maior.

Chupa, rebain de sacanas.

Agora, vamos à análise da peleja propriamente dita. Ao contrário das duas partidas iniciais, desta vez Ricardo Silva mandou a campo um time com cada qual no seu cada um. Nada de invenções. E, apesar de não jogar um bom futebol nos 45 iniciais, a equipe comportou-se de forma razoável, parecendo com uma…equipe – e não um bando.

Além disso, os jogadores demonstraram disposição. Até mesmo Bida, que anda mais lento do que as obras do metrô, deu sangue. E Wallace? Parece que o problema do rapaz era na cabeça. Ou melhor, nos cabelos. Uma espécie de Sansão ao contrário. Bastou raspar a referida que praticou o Ludopédio em alto nível, com uma ou duas pixotadas para não perder o costume.

Na meiúca, Vanderson, o pitbull de sempre, lutando contra suas próprias limitações com muita dificuldade. Por falar em dificuldade, Severino Paraíba não consegue entender a vida sem elas. Assim, em vez da fazer o mais simples, ele tentava o impossível. Sim, porque um mero toque de calcanhar é algo que lhe parece inconcebível. E foi numa jogada assim que o Paraíba quase entrega a rapadura. Mas, fora isso, correu para disputar as jogadas com a mesma fome de um pedreiro depois de um dia de labuta.

Um pouco mais na frente, Ramon e Índio batalhavam contra o peso da idade e da falta de ritmo, respectivamente. Já Xerec lutava contra a bola. Tem intimidade nenhuma. Nem precisa. Sua função é meter a criança na rede. E ele fez isso.

Deixei por último Uellinton e Egídio porque foram capítulos à parte. Talvez para limpar seu nome por causa das lambanças do ano passado, Uelliton jogou como gente grande. Foi um monstro. Já o lateral-esquerdo era o único que merecia jogar num gramado melhor, conforme assinalou sabiamente o menino Snowman. Quanto a Viáfara nada posso falar porque não vi o referido em campo.

Ah, sim. Ia esquecendo. Seguinte é este. Apesar da Vitória, por dever de consciência, não posso deixar de destacar que Ricardo Silva, que escalou corretamente no início, quase enoja meu baba com uma substituição covardemente criminosa. Sim, criminosa, porque quando ele tirou Chereque (que nome feio da disgrama!) e botou Vilson quase provocou um infarto coletivo. O velho e combalido coração deste safenado locutor, por exemplo, pediu arrego. No final, porém, Ricardo foi premiado pela sorte e saímos todos vivos.

E, já que não morri, dêem-me licença que vou retornar às budegas do Alto da Alegria, aqui no NE de Amaralina, para comer água e entoar o refrão que embala as noites baianas.

Brocança boa nas rameiras é no piniqueichon, chon, chon, no piniqueichon, chon, chon, no piniqueichon …

Fui banda Ayiê, mas volto.

TROFÉU DENDÊ 2010 *

janeiro 23, 2010

Tem-se a certeza de que o cidadão está ruim da cabeça ou doente do pé quando, logo na esquina entre a segunda e a terceira linha, ele cita e (pior) concede razão à Vedete de Santo Amaro. Mas, realmente, não há como contestar Caetano: “aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína”, especialmente em se tratando do ludopédio.

Puta que pariu Dona Canô!

Pois muito bem. É provável que a referida matriarca, que já caduca há séculos, nem se lembre, mas vocês, estudiosos do pebolismo, sabem que em janeiro do ano passado foi (re) inaugurado com pompas e circunstâncias o Estádio Roberto Santos, conhecido na roda do crime como Pituacivisky, para não dar rima. Pois bem. O referido campo, senhoras e senhores, é o único na capital a sediar os jogos do Baianão/2010, já que a Fonte Nova não se livra da tragédia e o Barradão está passando por reformas.

Aí, vocês perguntam: e o que é que a ex-mulher de Paula Lavigne tem a ver com isso? E eu respondo. Seguinte é este, rebain de sacanas. Com menos de um ano de uso, o recém-construído Estádio está uma ruína, completamente inválido para a prática do futebol. Mais. Até mesmo os pilotos do antigo Paris-Dacar teriam certa dificuldade para atravessar aquelas esculhambadas quatro linhas. É lógico que isto não afetará em nada o certame, já que no Baianão não acontece nada que lembre ao longe o velho e bom ludopédio.

Mas, chega de prosopopéias. Vamos falar de jangada, que é pau que bóia (deixa o acento, revisor sacana).

Seguinte é este. O brioso campeonato baiano começou no último domingo sob o signo do geriátrico desmantelo. Talvez para honrar o posto de 2º mais antigo do país, os dirigentes resolveram investir na terceira idade e preparar uma equipe forte para disputar o showball no próximo ano. As grandes novidades da dupla Ba x VI são os meninos Ramon (158 anos) e Edilson Capetinha, que disputou a Copa de 1962, no Chile. Afinal, quem vive no inferno tem mesmo é que se abraçar com o demônho.

Achando pouco, o Vitória está acertando o retorno de Uéslei, que foi campeão baiano antes da segunda guerra. Este, além da avançada idade, está um pouco mais gordo do que Ronaldo Albertini. Porém, ainda não se sabe se também aderiu aos, digamos assim, gostos exóticos.

E já que falamos em gostos exóticos, o Bahia, por sua vez, trouxe Renato Gaúcho. O contrato é por uma temporada. Temporada de verão. Depois do carnaval, dizem as boas e más línguas, ele se pica.

Das equipes do interior, merecem destaque o Madre de Deus, que na primeira rodada não tinha elenco nem para compor o banco e o poderoso Camaçari, que até agora ainda não tem lugar para mandar suas partidas. Do restante, só o ECPP, de Vitória da Conquista, lutará para ocupar o posto de terceira força do futebol da província.

Para isso, a referida agremiação conta com o apoio da torcida organizada Gaviões da Jurema, que antigamente gritava por outro time da cidade de Conquista, Serrano. Talvez seja o caso único de torcida organizada que muda de time. Eles têm ainda outra organizada chamada Kriptonita. Só que a mandiga falhou e na última quarta eles receberam um sapeca do Bahia de 3 x 0.

Ah, sim. Já ia me esquecendo, mas é óbvio que para abrilhantar tão emocionante competição não poderia existir uma fórmula melhor e mais simples. Assim, os 12 times foram divididos em duas chaves de seis, enfrentando-se em jogos de ida e volta. No final, classificam apenas quatro… de cada grupo. Na sequência, novamente dois grupos, com os gladiadores se matando também em jogos de ida e volta para garantir a vaga na semifinal. Depois, mata-mata para ver quem vai poder se lambuzar de acarajé. Porém, amigos, na verdade, na verdade, nada disso importa, pois domingo teremos o primeiro Ba x VI do ano, a Mãe de Todas as Batalhas, e esqueceremos que o mudo é injusto e que existem presidentes de federação e de clubes que querem acabar com o futebol. 

* Texto originalmente publicado no brioso Impedimento, blog de alta responsabilidade feito por gaúchos não-praticantes.

Síndrome de Professor Pardal

janeiro 21, 2010

Desde tempos imemoriais, os alfarrábios do ludopédio determinam que um bom  técnico deve saber dosar algumas ações de psicologia de botequim com o uso do bom e velho chicote. Os melhores na profissão são aqueles que compreendem os jogadores (esta raça de gente ruim), mas também possuem autoridade para chamá-los na chincha quando necessário. É isso. Basta ser uma fusão de psicólogo com capataz. O problema é que a maioria, quando assume o posto, pensa que é gênio e começa a realizar as maiores ( e piores) invenções. 

Vejam o caso de Ricardo Silva. Aliás, não vejam agora.

Antes, deixem-me relembrar que fui um dos maiores entusiastas de sua efetivação no Rubro-Negro. Toda a Bahia e uma banda de Sergipe são testemunhas de que fiz a defesa do referido antes mesmo dos resultados aparecerem. Sabia que ele era (e é) um cara sério e que conhece de futebol. E os números mostraram que eu tinha uma certa razão. No ano passado, das nove partidas no comando do Rubro-Negro, ele conseguiu oito vitórias. A única derrota foi porque usou um time reserva. E o melhor de tudo era que o Leão jogava com consistência e, vá lá, alegria.

Pois bem.

Nem bem o sacaninha assumiu (lá ele) o posto de titular e a zorra já começou a desandar. Logo de saída, no jogo contra o Camaça, mandou a campo um time apático, sem vida, sem vibração, sem comando. Dei um desconto porque era a primeira partida do ano. Sabia que em seguida haveria uma evolução.

Mas, quá.

No jogo de ontem contra o poderoso Itabuna, do nada, tal e qual um professor pardal de esquina,  Ricardo Silva inventa de escalar Vanderson de lateral-direita. 

PUTAQUEPARIU A MULHER DO PADRE!

 A bem da verdade, desde o segundo tempo do jogo contra o time do Pólo, ele já tinha feito isso. Relevei porque era uma tentativa de ganhar o jogo).  Porém, na peleja contra o Itabuna não havia desculpas. Desde o início da partida ele largou Vanderson na esquina do campo, deixando o pobre mais perdido do que um pitbull em mudança. E a nossa meiúca ficou mais desguanecida do que o parreco da moça do shortinho Gerasamba.

Por falar na meiúca, um amigo, que é metido a entender das táticas e outras mumunhas do futebol, me disse que ele fez isso para que os laterais Egídio e Nino fossem liberados para jogar naquela zona e ajudar Ramon, que vive mais empacado do que mula ruim, mais lerdo do que jumento na lavagem do Bonfim.

Mas, aí, a lógica, esta menina traquina, impele-me a fazer a seguinte e simples pergunta: Se Ramon não dá conta da armação no meio de campo (Bida nem falo porque o caso deste é outro. Não quer jogar no Vitória faz tempo ),  por que diabos o técnico não tira ele?

Enquanto esta resposta não chega, sou obrigado a dar razão ao porteiro do muquifo onde moro, que largou a seguinte. “Sêo Françuel, falta culhão a Ricardo Silva para sacar um jogador do porte de Ramon. E técnico tem que ter a tal autoridade de capataz para chamar qualquer um na chincha”.

PALAVRAS DA SALVAÇÃO.
 
P.S Noves fora tudo isso, no próximo domingo estarei no pé da obra orientando o Leão rumo a mais uma brocança nas meninas de Itinga.

Tudo velho de novo e vice-versa

janeiro 18, 2010

De todos os chavões do mundo do futebol, há um de validade universal. Qual seja: Início de temporada é taca. E nem adianta espernear ou fazer de conta que não é com você. Toda (re) estréia sempre provoca um temor ancestral, um frio na barriga, um desmantelo, uma agonia dos seiscentos que incomoda até mesmo os mais experientes.

Vejam, por exemplo, o caso deste rouco e rodado locutor. Apesar de ter cerca de dezmilanos de estrada e traquejo, estou aqui na frente do teclado há exatas 22 horas, 49 minutos e 38 segundos – e nada. Não ocorre sequer uma idéia minimamente original para meu retorno a esta intimorata tribuna. E quanto mais eu penso, mais fede.  

É fato que, seriamente, cogitei abandonar a labuta. Já havia, inclusive, pedido meus tempo. No entanto, mudei de opinião quando vi que gente muito mais acabada do que eu continuava disposto ao batente. Afinal, se Edílson estava retornando; Wesley também (este, na verdade não está voltando, mas rolando, de tão gordo) e até Waldir Pires disse que ia voltar, por que logo este destemido iria pendurar as chuteiras, digo, o microfone?

Por isso, rebain de sacana, ói eu aqui de novo, xaxando; ói eu aqui de novo, para xaxar. E, depois de um longo e tenebroso, retorno com gosto de querosene, botano novamente pra vê tauba lascá ni banda e pergunto logo: quando é que porra a diretoria do Rubro-Negro vai dar um jeito no Sou Mais Vitória? Que disgrama! Será que ter que trocar a praia, a morena e a skol para ver um baba num gramado ordinário regado a nova schin já não é castigo suficiente para o peão? Ainda temos que penar nas seculares confusões do SMV?

Puta que pariu o marquetingue!

Porém, esqueço tudo isso em nome da paixão. Assim, nem bem começa a peleja, retiro logo do coldre uma caixa de cepacol para orientar a equipe e, educadamente, digo: “UMBORA, REBAIN DE SACANA”.

Acontece que alguns jogadores parecem que não usam aparelho auditivo. O ponteiro do relógio não marca nem cinco minutos e um cidadão chamado Pelezinho já fez mais firulas na lateral-esquerda do que Robinho em toda a sua carreira, numa clara tentativa de enojar meu baba.

Vá matar o DEMÔNHO!

Procuro informações e fico sabendo que o referido veio do Ipitanga, mesma equipe que revelou Bida. Então, faz-se um estalo a la Padre Vieira e compreendo tudo. É praga do time laranja. O referido meio-campista, aliás, até que começou bem, virando o jogo, tocando com rapidez, movimentando-se e mostrando o que pode e sabe fazer, talvez inspirado em Zidane. Pena que o espírito do craque francês durou, sei lá, uns 20 minutos. Depois, ele voltou à tradicional boréstia, que acabou por contaminar todo o elenco. E em verdade vos digo: Se o time do Pólo fosse um tantinho assim menos desgraçado, a casa tinha fedido a homem.

“Mas, Sêo Françuel, dê um desconto aí porque estamos apenas na primeira partida e o time vai se organizar aos poucos e etc e coisa e tals”, solicita-me aquela menina do shortinho Gerasamba. E eu, que não resisto a um pedido de moças que adoram um pagodão, aquiesço. 

– Tudo bem, minha amiga. Vou relevar porque, como disse, início de temporada é taca. E, ademais, teve um lance no final do jogo que pagou o ingresso.

Seguinte foi este.

Assim que o canalhocrata do apito encerrou a partida, um grupo de torcedores começou a pirraçar Sapatão. E não é que o técnico do  Camaça comeu a pilha. Crianças, em verdade vos garanto: foi a melhor cena da tarde deste domingo, principalmente porque me juntei à turba e puxei o seguinte refrão que levou o tal sapato grande à loucura: Ouçam em caixa alta.

ÔÔÔÔ, TODO VIADO QUE EU CONHEÇO É TRICOLOR.

ÔÔÔÔ, TODO VIADO QUE EU CONHEÇO É TRICOLOR.

ÔÔÔÔ, TODO VIADO QUE EU CONHEÇO É TRICOLOR.

Já fui banda Ayiê. Mas volto.

P.S Ah, sim. Ricardo Silva mostrou que conhece de bola. Mexeu mais certo do que a moça do Gerasamba.