Archive for fevereiro \25\UTC 2013

O dia em que a tragédia voltou em dose dupla

fevereiro 25, 2013

Amigos Rubro-negros, hoje o espaço não tratará das coisas do Vitória, mas sim do comovente relato de meu amigo Cláudio Deiró sobre duas tragédias, que de algum modo envolve também o esporte.

Espero, sinceramente, que a maior quantidade de pessoas se sensibilizem com esta triste história e ajude, com o que puder, aos enlutados familiares para tentar amenizar um pouco as tantas dores.

Eis, abaixo,  o relato do dia em que a tragédia voltou em dose dupla.

“Meus caros, essa tribuna é o local do alfabeto de a a z. Hoje traço algumas linhas em cima da letra t de tragédia e c de coincidência.

Há seis anos, considerando o dia 24 de fevereiro 2013, perdemos um dos meninos de nossa base do futebol e cidadania viva, ao se arriscar em um nado mais longo.

Tigrilinho, como era carinhosamente chamado pelos amigos, excedeu-se na confiança e a maré da praia de ondina o engoliu e só devolveu seu corpo sob os prantos de seu pai e familiares. Uma Tragédia com T maiúsculo.

Ontem, dia 24, seu primo Luis, 31 anos, mergulhador profissional, não considerou a data da tragédia histórica da família e foi mergulhar na mesma praia.

Caiu no mar com um amigo que sempre fazia a dupla do mergulho de apneia e fez um antigo percurso de um pesqueiro a dois quilômetros da costa.

Mas a própria dinâmica do mergulho em duplas faz com que os parceiros se afastem um pouco. Nisso, Luís arpoou um grande peixe e o mesmo entrou na loca. Ao tentar tirá-lo, passou por complicações e apagou.

O amigo, ao sentir falta dele, voltou pelo mesmo caminho e o viu no fundo. Tentou tirá-lo e mesmo ainda vivo, não conseguiram revivê-lo pois já vomitava sangue e muita água ao mesmo tempo.

A Samu foi acionada e não chegou. Em hora nenhuma.

Luís faleceu e deixou uma mulher e um lindo filhinho nascido no dia 23, um dia antes de seu trágico falecimento.

Tomamos conta do corpo na praia e não deixamos os urubus dos programas de meio dia filmarem o defunto. A partir dai, entrei em campo.

Acalmei todos os familiares do finado, principalmente a sogra que desabafou um choro e o lamento de uma raça.

E, com a ajuda do vento, ecou seu choro por todos os cantos da praia.

Antes mesmo de eu chegar a casa da filha, esposa do Luís, onde me dirigi para pegar os documentos do finado, a noticia teletransportou-se e lá tive que presenciar o choro de uma jovem mãe e agora viúva, ainda no resguardo.

Ela aos prantos contou que Luís passou a noite toda com o filho no colo.

Uma despedida.

E, amamentando seu filho, perguntou-me. “Moço, o que vou fazer para criar essa criança sozinha? O que vou fazer para aguentar tamanha dor?

Lhe respondi dizendo que amamentasse seu filho, com todo o amor do mundo e que o tempo iria lhe responder. Ousei falar de Deus. E mesmo sem certeza, lhe disse que Deus tem um propósito para tamanha tragédia em sua vida.

Na batida da real, peguei os documentos do rapaz e levei para a praia. Nesse momento, chegava também o rabecão. Pedi licença a multidão e entreguei os documentos as autoridades.

Luís foi levado e com ele o espanto de todos nós e dos familiares. E todos juramos perguntar a Deus, como ele poderia explicar tamanha tragédia, replicada no dia de aniversário da morte de outro ente querido da família e, no dia após o nascimento de uma linda criança, filho de Luís, o finado.

Amigos, resolvi compartilhar isso com vocês porque estou extremamente comovido e não consegui chorar. Mas, graças a Deus, consegui agora ao saber que tenho amigos e que cheguei aos meus 46 vivo para contar essa historia.

Se alguém puder colaborar com a jovem e pobre viúva, entrem em contato comigo via e-mail para doar um saco de fraldas e repliquem o pedido em suas redes.

Se alguém não puder e não quiser, também compreendo pois sei que ninguém tem nada a ver com isso e desde já peço que não se sintam na obrigação e nem me queiram mal por pedir em nome de pessoas que foram assaltadas por tamanha tragédia.

Abraço.

Atenciosamente,

Cláudio Deiró

deirocidio@yahoo.com.br

Anúncios

Uma questão (de inversão) de prioridades

fevereiro 25, 2013

Uma questão de (inversão de) prioridades

Na última quinta-feira, escrevi um texto, especialmente para o brioso FUTEBOL BAHIANO, sobre Os Arautos da Estupidez que comandam o ludopédio na província sob a égide da burrice.

Ao rabiscar as prosopopéias, já antevia as polêmicas. Exatamente por isso, antes de adentrar no tema específico (o secular desprezo às divisões de base),  fiz questão de alertar os incautos que seria um artigo destinado à reflexão – e não para a galhofa.

Porém, de (quase) nada adiantou. Fui presenteado com infinitos elogios. Só não me chamaram de santo. Mas, tudo dentro do script. Afinal, é do jogo que as rivalidades estejam sempre à flor da pele. E, francamente, xingamento de anônimo é de uma altivez que a única resposta possível é o silêncio.

Só não pude me calar, no entanto,  para uma outra mensagem, também anônima, pretensamente analítica, mas que resvalava na leviandade e na incorreção.

Primeiros, vamos as aspas. Depois responderei.

Anônimo disse…

Porque perdeu da maneira q foi a solução recai sobre a base.

 

A base não é a solução. E sim, uma alternativa, uma boa alternativa, mas sempre mesclando com os mais experientes. Essa sempre foi a fórmula. Usar somente a base, em qualquer time do mundo, não ganha nada no quesito profissional.

 

Quem da base é mais seguro que Deola?

 

E Nino? Quantos já tentaram?

 

Os zagueiros da base, o mais promissor, foi incompetência deixa-lo livre, Dankler.

Gabriel estava lá. Victor Ramos que foi e voltou, foi o último a chegar, estava se condicionando. Nenhum outro garoto chegaria nesse inicio de temporada como titular, há etapas a cumprir.

 

Os laterais Mansur, Dimas,Iuri, etc, cansam de ter oportunidade, alguns foram emprestados pois jamais conseguiram a confiança de jogar o “próximo jogo”.

 

Volantes se fala muito em gabriel Soares, o proprio treinador o elogia muito e vem relacionando. Mas volante não é nosso ponto fraco. Quem não gostou da contratação de Luiz Alberto? Neto Coruja está voltando de lesão, seria o outro titular. Michel (titular no ultimo ano) e Mancha (o primeiro reserva) têm bom histórico no clube, se nao, tinham saído. De todos os volantes o pior (e muito pior) pe Fernando Bob, que tentamos acordo para devolver e não consegimos (ficará até o fim do contrato, que se aproxima, em maio). Cáceres jogaria e tem futebol para isso, mas neste jogo o Treinador optou por escalar o bom Maxi (que fez gol e deu conta do recado lá na frente), no intuito de ser um time mais ofensivo.

 

Dai pra frente não precisa entrar em detalhes. Dinei entrou bem, creio que fará uma boa temporada.

 

Escudero e Renato Cajá possuem 99% de aprovação da torcida.

 

Marcelo Nicácio é como Neto baiano, pode fazer gols e mais gols, jamais seria unanimidade, é grosso, Lúcio Maranhão talvez tenha sido a pior decepção do ano (pois fez muitos gols em 2012 e este ano está devendo tudo).

 

Willie (que tem tudo para brigar por posição) recupera-se de uma cirurgia no coração. Arthur Maia saiu pra ganhar moral e não ser queimado devido as oscilações.

 

Alan Pinheiro terá sua oportunidade, assim como gabriel Soeres, é sempre elogiado e figura pelo banco.

 

 

Perdemos, jogamos mal e pronto.

Nao confio neste treinador, mas o elenco está sendo bem montado.

 

Todos sabem qausi são as carências e não é a base que será solução desta vez.

 

Confia em Mansur ou Iuri na lateral? Josué e Cayton seria a zaga?

Paciência.

 

SRN”.

Ufa.

Percebam que o texto já começa com a seguinte  leviandade.  “Porque perdeu da maneira q foi a solução recai sobre a base”.

Em nenhum momento no referido texto pode se fazer tal ilação. O que escrevi foi sobre o desleixo das diretorias de Bahia e do Vitória em relação às respectivas divisões de Base.

Se antes de fazer  tal assertiva, o cidadão ou cidadã que preferiu o anonimato tivesse o cuidado de ler algum texto, veria que sempre fiz a defesa da divisão de base (e não é algo apenas porque o Vitória foi eliminado de goleada em casa). E faço a defesa da base não como a panacéia para todos os males, mas sim como um caminho, um dos poucos, para os times periféricos, como os nossos.

Num texto de 2011, repetindo, de 2011, sob o título Base para a Glória, larguei as seguintes prosopopéias. “É óbvio que a simples utilização de jogadores da base não é garantia de sucesso, mas o abandono da base é a certeza do fracasso”.

Pois muito bem. Digo, pois muito mal. Na sequência, o cidadão faz diversas confusões.  Farei um resumo para não cansar o injuriado leitor.

Novas aspas. “Os laterais Mansur, Dimas,Iuri, etc, cansam de ter oportunidade, alguns foram emprestados pois jamais conseguiram a confiança de jogar o “próximo jogo””.

A questão é que os meninos não precisam apenas de oportunidade, mas sim de oportunidade e  sequência. Outra coisa é que eles não cansaram de ter oportunidade. Dimas estava tendo chance, vinha bem e saiu. Iuri praticamente nem foi testado  e Mansur não é nem cria da base Rubro-negra.

Mais adiante o tropeço argumentativo é ainda maior. Aspas. “Michel (titular no ultimo ano) e Mancha (o primeiro reserva) têm bom histórico no clube, se nao, tinham saído”.

Como assim Michele  Mancha têm bom histórico no Clube, cara pálida? E outra. Se ele não tivesse, já teriam mesmo saído? Como você pode afirmar isso? O histórico de desmantelos da diretoria não lhe dá esta garantia.

No final, depois da queda, vem o coice. “O elenco está sendo bem montado”.

Esta é uma falácia que tem sido repetida para aplacar a fúria da torcida por conta das infâmias do ano anterior. É fato que temos um bom meio de campo, mas a verdade é que o elenco não está sendo bem montado nada. Como sempre ocorre, a diretoria não teve critério nas contratações. Não trouxe jogadores de referências nem para a zaga nem para o ataque.

Além disso, relegou os meninos da base à condição de coadjuvantes, quando muito.

Agora, pergunto ao sujeito (a), caso ele leia o que escrevo: Desde quando David Braga é melhor do que os meninos da base? E nem vale a desculpa da inexperiência, pois Josué jogou partidas do Brasileirão ano passado. E Olhe que nem gosto tanto assim do futebol dele, acho que Salustiano joga muito mais, coloquei –o apenas como um exemplo de como um jogador da base atual é melhor do que investir em contratações equivocadas, como a de David Braz.

Aliás, para finalizar, repito a questão central. Qual seja. Enquanto a  base é escanteada, gasta-se dinheiro com jogadores de qualidade inferior.

É tudo, portanto, uma questão (de inversão) de prioridades.

OS ARAUTOS DA ESTUPIDEZ*

fevereiro 21, 2013

Aviso aos espíritos de porco de todas as latitudes e cores clubísticas: Se você veio aqui em busca de material para galhofa, favor voltar outro dia. Não há motivos para festa, ora esta, num sei rir à toa. O plantão será rigoroso. Sopa de tamanco.

Sudesb informa: Sai a pilhéria e entra a reflexão. E por falar nela, a reflexão, vamos ouvir um questionamento antigo do pai da matéria, Armaaando Oliiiveeeira. Às aspas, maestro.

Como um povo tão vibrátil, com tanto ritmo nos pés e na cintura, bom de capoeira, melhor de lambada, pôde permanecer tanto tempo no subúrbio do futebol brasileiro, morrendo na praia nos torneios nacionais?”

O próprio heptacampeão da Bola de Ouro esboçava a seguinte resposta na já longínqua década de 1980. Novas e merecidas aspas: “Talvez, admito, devido à nossa postura colonizada, valorização desmedida dos estímulos impostos pelo Sul Maravilha, carência de confiança na prata da casa”.

Touché!!!

Percebam, amigos de infortúnios, que as elucubrações do maior cronista futebolístico desta província ocorreram há mais de 20 anos. Porém, elas continuam mais constrangedoramente atuais do que nunca.

Para que vocês tenham uma idéia de como a história se repete como farsa, lembro que no trágico domingo da peleja entre Vitória x Ceará, nenhum, repetindo em caixa alta, NENHUM jogador da base Rubro-negra que se sagrou campeã do Copa do Brasil começou o jogo como titular.

E por que isto aconteceu?

Alguns desconfiados devem achar que tal desmantelo (que sempre se repete) ocorreu por causa de tenebrosas transações, já que normalmente há inescrupulosos empresários na jogada nos empurrando (lá eles) caminhões de renomados ferros-velhos que já gastaram suas parcas glórias em épocas idas.

Como não sou maledicente, acredito que os cartolas baianos fazem isso não por obscuros interesses financeiros, mas apenas por burrice misturada com aquela secular síndrome de vira-latas. Só pode ser isso.

Afinal, até os radialistas escrotos que não entendem nada de futebol, mas conhecem muito sobre as manhas de achaque e das mumunhas do vil metal, sabem que o investimento na base é o mais rentável sob todos os aspectos.

Ah, mas, derivo. E volto para dizer que a torcida do Bahia não deve ficar rindo da desgraça alheia. A imbecilidade, no caso, é extremamente democrática e atinge não somente a cartolagem leonina.

Para não cansar ainda mais os torcedores, que já estão ressaqueados do Carnaval e das vergonhas na Copa do Nordeste, não farei um histórico dos desmantelos da dupla Ba x VI, mas apenas um, digamos assim, corte epistemológico. Vamos à história a partir de 2011.

Conforme é de conhecimento do Norte e Nordeste de Amaralina, de lá pra cá (aliás, desde sempre) os times principais do Estado têm feito um esforço descomunal para envergonhar suas torcidas. Além da já citada chibança no Nordestão, os tricolores passaram dois anos na Série A com as calças na mão e se desviando, deus sabe como, para não receber na tarrasqueta. Com o Vitória não foi diferente. Apesar de ter o maior orçamento da Série B em 2011 conseguiu ficar fora dos 4 classificados. Já em 2012 subiu graças a critérios de desempate.

Enquanto isso, o que foi que fizeram os garotos da base de lado a lado?

Os do Bahia foram vice-campeões da tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior, inclusive eliminando o Vitória na oitavas. (Vale ressaltar que o time Rubro-Negro na ocasião era até melhor do que o do Bahia).

Pois muito bem, digo, pois muito mal.

Daquele time tricolor que perdeu injustamente a final para o Flamengo também não há nenhum entre os titulares. Some-se a isto o fato de que, neste ano da graça de 2013, o esquadrãozinho era detentor disparado do melhor futebol da mesma Copa S.P. Caiu para o Goiás por uma destas distrações dos deuses que vigiam a justiça no Ludopédio.

Já os Leões da Base também jogam o fino. No já citado ano de 2011, possuía um timaço. Inclusive, não foi à toa que, em 2012, conquistaram a 1ª edição da Copa do Brasil e garantiram vaga na Libertadores da América, entre outros feitos recentes.

O que se depreende deste breve histórico é que aqui, nesta província lambuzada de dendê e de exclusão, temos talentos em profusão nas quatro linhas, mas possuímos também uma corja, uma casta, de incompetentes que nos impede de avançar.

Afinal, apesar das repetidas e desgastadas promessas dos dirigentes que garantem, ano a ano, que vão privilegiar a base, os garotos continuam no ostracismo, sendo obrigados a ser coadjuvantes (quando muito) de velhas putas cansadas de guerra que só vêm para cá embolsar os últimos caraminguás.

Portanto, amigos de infortúnios, a verdade que salva e liberta é uma só: a galhofa, a pilhéria e a rivalidade nos mantém vivos, sim. Porém, se ficarmos apenas nelas e não concentrarmos nossas forças na luta por mudanças urgentes e efetivas em nossos clubes estaremos apenas fazendo o jogo sujo dos que querem que tudo permaneça como está.

E aí, só nos restará repetir ad infinitum o clássico questionamento do menino Armando Oliveira. “Como um povo tão vibrátil, com tanto ritmo nos pés e na cintura, bom de capoeira, melhor de lambada, pôde permanecer tanto tempo no subúrbio do futebol brasileiro, morrendo na praia nos torneios nacionais?”.

* Texto escrito especialmente para o brioso FUTEBOL BAHIANO

A imbecilidade de nosso Zeitgeist

fevereiro 19, 2013

O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade. Viva Trotski!”.

A prosopopéia acima foi o mote do primeiro romance de Milan Kundera, intitulado A Brincadeira.

A referida mensagem, em tom de gracejo, é de autoria do pobre Ludvik, que a escreveu só pra pirraçar um pecado de 19 aninhos que atendia pelo nome de Marketa.

Pois muito bem, digo, pois muito mal. Depois que enviou o debochado bilhete (era uma época em que as pessoas mandavam bilhetes), o indigitado passou a ser perseguido pelos seus ex-amigos comunistas, que lhe negaram até o pão que o Diabo rejeitou.

Tal perseguição ao ex-companheiro se deu porque l’esprit du temps, o tal Zeitgeist, impedia que os comunas ortodoxos de então aceitassem qualquer pilhéria com o otimismo. E tome-lhe Sibéria!!!

E que porra esta besteira literária pseudo-intelectual tem a ver com o desastre do Vitória, Sêo Françuel?”, indaga a sumida, injuriada e ressaqueada Moça do Shortinho Gerasamba, que tá virada nos 600 DEMÔNHOS não só por conta da goleada, mas também porque num conseguiu cortesia para um camarote fuleiro na Avenida Sete.

Sempre paciente com a criatura de idéias e indumentárias reduzidas, explico.

Minha comadre, seguinte é este.

Assim como os vermelhos de antanho, que não suportavam nenhuma contestação ao otimismo, alguns fanáticos vermelho-e-preto não estavam permitindo que se exercesse o espírito crítico, mesmo que com sinceridade, sem pilhérias.

Como assim? Assim.

Neste início do ano da graça de 2013, emprenhados por radialistas escrotos, alguns torcedores entraram num mundo paralelo, achando que tava tudo lindo e maravilhoso, como diria a vedete de Santo Amaro. Neste ambiente acrítico, até o bigode de Alexi Portela ficou bonito.

E todas as vezes que fui alertar a alguns destes amigos que (ainda) não havia motivos para festa, eles sacavam logo do coldre uma humilhação maior do que aquela a que foi submetido o tal Ludvik: “Véi, você torce mesmo para o Vitória?”.

Sim, amigos de infortúnios, quando se vive em ambientes assim, com a visão obnubilada, qualquer chamamento à reflexão é tido como ofensa.
E de nada adiantava eu dizer que a política de contratação, uma vez mais, estava equivocada, que futebol, como diriam os locutores de antanho, tem três setores, que não havia chegado ninguém de referência para a zaga nem para o ataque, que veio um caminhão de (bons, alguns) jogadores apenas para a meiúca e etc e coisa e tals.

O fato é que, para cada argumento que eu apresentava, como por exemplo, que nossa base campeã nacional estava sendo escrotamente escanteada, recebia como resposta apenas a velha e indefectível pergunta: “Véi, você torce mesmo para o Vitória?”.

Bom. Como torcedor do Vitória, estava lá no Barradão presenciando mais esta tragédia e tentando, sim, ser otimista, ver algo de positivo naquela chibança.

Agora, vejam o paradoxo. Um destes amigos, que antes era só empolgação, resmungava que humilhação como aquela de domingo não servia para nada.
Com o couro curtido nas dialéticas da vida e do Ludopédio (o que dá no mesmo), argumentei em direção contrária, pois entendo que se a derrota acachapante servir ao menos para devolver um pouco de lucidez à torcida já terá sido de grande valia.

Afinal, a Copa do Nordeste é charmosa, gostosa, tem as pernas torneadas e etc e tals, mas a moça de quem não devemos tirar os olhos de modo algum é aquela que atende pelo nome de Dilmão e que começará em maio.

O Diabo está sempre à espreita

fevereiro 18, 2013

Nos últimos dias, conforme é de conhecimento da Bahia e de uma Banda de Sergipe, todo cidadão que se respeita (e que num é ruim da cabeça nem doente do pé) ficou com o parco juízo carcomido pelas chibanças carnavalescas.

PUTA-QUE-PARIU O REI MOMO!!!

Alguns outros, como este rouco locutor, teve também a catilogência obnubilada por diversas outras traquinagens que ora não é possível confessar para não ser vítima da fúria persecutória de alguns adeptos da TFP que têm habitado esta briosa caixa de comentários.

Mas, chega de prolegômenos inúteis. Afinal, a verdade que salva e nem sempre liberta é uma só. Seguinte é este: É muito fácil ser profeta das coisas relacionadas ao Esporte Clube Vitória. Basta apostar no absurdo. E pimba. Não há erro.

Na última sexta-cheira, por exemplo, mesmo depois de o Leão ter metido 2 x 0 no Ceará, dentro da casa do Vozão, larguei a seguinte profecia aqui mesmo nesta impoluta emissora.

Maestro, às aspas.

Vale lembrar aos incautos Rubro-Negros (uma ínfima minoria, pois a grande massa tem consciência que o desastre está sempre à espreita) que o Vozão também foi derrotado em casa na fase de grupo pelo Bahia. E qual o resultado disso? Brocaram o tricolor em pituaçivisky (vão fazer rima na casa da porra) e deixaram o time baiano de quarentena”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal.

Se, na última quinta-feira, no Presidente Vargas, em Fortaleza, os deuses, ressaqueados, estavam distraídos, neste domingo, no Barradão, o DEMÔNHO mostrou que está sempre à espreita. Aliás, o Satanás está sempre à espreita nas coisas relacionadas ao brioso Leão. E mais. Na maioria das vezes, o Cramunhão conta com o auxílio luxuoso do próprio Clube, que tem uma irremediável vocação para repetir o desmantelo ad infinitum – seja lá que porra isto signifique.

Mas, voltando às quatro linhas, o fato é que o time do Vitória não jogava um futebol tão vistoso desde a extraordinária campanha de 1999. Para que vocês tenham uma vaga idéia do estado geral de euforia, o ponteiro do relógio nem marcava 20 minutos e meu amigo João Carlos Sampaio, que normalmente é mais pessimista do que Schopenhauer, apressou-se a largar a seguinte prosopopéia ao presenciar a 356º e insinuante tabelinha entre Escudero e Renato Cajá: “França, fizemos um convênio com a Igreja Universal: A partir de agora, chega de sofrer!!!”
Nem bem ele terminou de concluir o raciocínio e o Ceará fez 1 x 0. A partir de então, todos os DEMÔNHOS voltaram a assombrar minhas vastas emoções e pensamentos imperfeitos. E, por conta disso, não vou nem relatar o que ocorreu depois – até porque nem me lembro mais de nada – a não ser que estou aqui com três garrafas de seletas completamente vazias.

A propósito, agradeço a atenção dos milhares de ouvintes, porém  agora só falo com uma pessoa: Garçon, mais uma.

E viva a Copa do Nordeste!!!

P.S Vale destacar que o DEMÔNHO contou com o auxílio luxuoso de seu secretário, que ontem estava com o apito na mão e enojou o baba. Quem também deu boa colaboração ao trabalho do capeta foi um rapaz que pensa que é zagueiro, aquele que atende pelo nome de David Braga. 

Os gringos fizeram o Carnaval*

fevereiro 15, 2013

Atenção, rebain de hereges.

 

Antes de começar a aula, respondam à seguinte questão: como vocês se sentiriam se, depois de usufruírem um Carnaval inteiro sem a patroa lhe apertar o juízo, ainda tivessem a glória de testemunhar, numa inconsequente quinta-feira de cinzas, seu time brocar por 2 x 0 jogando fora de casa na fase de mata-mata da mais importante competição dos 18 continentes, a Briosa Copa do Nordeste? E mais: Imaginem que, nesta brocança, um dos estreantes ainda marcasse um golaço?

 

A sala toda, não sem razão, diria que os referidos fatos são motivos para mais de metro de felicidade, certo?

 

Errado.

 

Apesar de tudo isso (ou talvez exatamente por causa disso tudo), a torcida do Esporte Clube Vitória desfila suas ressacas e desconfianças nos becos, ladeiras e vielas desta insalubre província soteropolitana. E ela, a torcida, tem suas razões para o melindre. Afinal, deve existir algo de muito estranho e errado numa noite (e num time) em que Rodrigo Mancha atua como um Marcos Assunção e manda até um balaço da intermediária na trave e, pior, digo, melhor, Deola defende como se fosse um… goleiro. Até pênalti o canalhocrata pegou.

 

É, amigos de infortúnio, realmente, deve ter algo de muito estranho e errado nisso tudo aí.

 

Porém, neste vendaval de dúvidas, eis a única certeza: esta Copa de Nordeste já cumpriu seu papel principal. Qual seja: começar a recuperar a autoestima do futebol da região. E melhor. Apimentou as rivalidades.

 

Para que vocês tenham ideia, na noite de quinta-feira, apesar de toda a chibança que envolve o pós-carnaval, mais de 12 mil pagantes foram prestigiar a peleja entre Ceará x Vitória no brioso Presidente Vargas.

 

No dia anterior, no mesmo PV, mais de 10 mil foliões vibraram com o jogaço entre Fortaleza x Santa Cruz, que balançaram as redes seis vezes num trioeletrizante empate. Na mesma quarta-feira, no brioso Estádio Amigão, Campinense x Sport também ficaram no empate, só que sem alterar o placar. E o mesmo O X O ocorreu no clássico das letrinhas em Arapiraca, entre ASA x ABC.

 

Mas, derivo.

 

Voltando à peleja entre Ceará x Vitória, cabe destacar que o placar não refletiu o que aconteceu em campo. Caso os deuses dos futebol ainda não estivessem completamente ressaqueados por conta da folia momesca, o justo seria um resultado menos desgraçado para a equipe cearense.

 

Porém, dois gringos fizeram a diferença. No primeiro gol, o paraguaio Cáceres fez um arrastão na defesa alvinegra e deixou Renato Cajá na cara do gol. Depois, foi vez do argentino Escudero inventar uma nova dança de salão, dando um drible da vaca de pé trocado e mandando a criança cochilar junto com coruja. O jogo marcou também a estreia no Vitória do primo de Lionel Messi, que, nos minutos que passou em campo, fez o que mais sabe: ciscar.

 

Ah, sim. Antes de encerrar esta prosa, que tá mais enrolada do que pagode baiano, vale lembrar aos incautos Rubro-Negros (uma ínfima minoria, pois a grande massa tem consciência que o desastre está sempre à espreita) que o Vozão também foi derrotado em casa na fase de grupo pelo bahia. E qual o resultado disso? Brocaram o tricolor em pituaçivisky (vão fazer rima na casa da porra) e deixaram o time baiano de quarentena, sem poder jogar nos próximos 40 dias.

 

Portanto, todo cuidado é pouco. Neste final de semana, nos jogos de volta, recomenda-se que todo mundo proteja o ás de locopita, pois a madeira vai gemer em 18 idiomas, numa sopa de tamanco dos 650 DEMÔNHOS.

* Texto escrito de ressaca, especialmente para o Impedimento