LEÃO SOBERANO E INVICTO

maio 8, 2017

É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer.

Porém, antes que as pessoas impacientes já comecem a fazer beicinho, informo logo que só comecei a homilia com a frase de autoajuda acima porque foi exatamente esta a sensação que senti quando olhei para aquele mar vermelho e preto nas imediações do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barraquistão.

Aquela cena antológica da torcida abraçando o time e o ônibus antes mesmo da peleja se iniciar me dava a certeza de que as coisas iam acontecer. O mar vermelho e preto não estava para sardinha. Então, naquele momento, chutei para escanteio meu incurável ateísmo — e acreditei piamente no poder mágico da força da multidão. Estava convicto de que ela que ia garantir o título, apesar de o time em si não passar tanta confiança.

E assim foi. E foi assim. Logo aos 7 minutos, quando minha zaga deu uma braga e a sardinha apareceu de cara para o crime, a energia da massa rubro-negro desviou a bola para a linha de fundo. Por todos os cantos e campos do Brasil e do Barradão, o que dá no mesmo, nosso grito se ouviu. E foi nosso brado sobrenatural de almeida que possibilitou que a equipe Rubro-Negra mandasse na partida. Tirando outro lance aos 7 do segundo tempo (ê, timinho pra gostar de 7 este de Itinga, viu?), o Vitória foi soberano. E só não goleou por conta das deficiências técnicas dos atacantes. David duas vezes, Paulinho outras tantas, Ramires, haja calculadora.

Aliás, nada de cálculo. Tudo era emoção. E foi nesta pegada que as coisas definitivamente foram decididas. E se antes da peleja começar eu já estava com a certeza do título, ela se transformou em absoluta convicção, crença incurável, quando Renê Santos, um homem chamado raça, entrou em campo. Ali estava personalizada a garra da torcida. Gramado e arquibancada eram uma coisa só. Tentando enojar o baba, o homem de preto deu infindáveis cinco minutos de prorrogação e ainda mais um de chaleira. Não adiantou. Podia deixar o jogo rolando por mais um século que não ia passar nada. Nem mesmo o profeta Moisés conseguiria abrir aquele mar vermelho e preto que se formou como um rochedo antes do jogo começar e se fortaleceu ainda mais com o desenrolar da partida.

Sim, minha comadre. Tudo isso pode parecer (e é) piegas, mas quem diz ou pensa assim como a senhora jamais vai compreender o que aconteceu naquela soberana e invicta tarde de domingo.

P.S Esta homilia vai dedicada a todo o povo lambuzado de dendê e de emoção, especialmente à brava guerreira Maria da Conceição e ao representante do recôncavo Márcio Neiva.

Foto de Raul Spinassé/Agência A tarde/Estadão Conteúdo

VALEI-ME, MINHAS PONTES DE SAFENA!

abril 17, 2017

Convicção é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e a danada escapole.

Como assim? Assim, ó.

Tinha a certeza absoluta de que este atual grupo do Vitória ia desobedecer às (des) orientações de Argel e criaria um sistema de jogo, um padrão tático, independentemente da tosca vontade do técnico.

Acreditei nisso porque este é um elenco composto de jogadores rodados, que sabem como a zorra funciona nas quatro linhas. É fato que muitos deles não têm mais condições físicas ideais para impor um ritmo de jogo, mas ao menos têm conhecimento futebolístico. Porém, depois de num sei quantas rodadas, o que vejo é uma apatia profunda nos aspectos técnicos e táticos. 

 

Diante de tantas e tamanhas infâmias (e não somente por causa do insosso empate de ontem contra o Vitória da da Conquista, travestido de heroísmo), a única contribuição que posso fornecer para a melhoria do nível do Ludopédio do Leão é a seguinte: tem que suspender, com urgência, esta feijoada que está sendo servida antes dos jogos. Sim, a galera só pode estar se entupindo de comida pesada antes da bola rolar, pois não consigo vislumbrar outra coisa pra tanta maresia.

 

Aliás, depois de me raciocinar todo, tô chegando à obvia conclusão de que este rebuceteio da Odebrecht tem como objetivo desviar a atenção do povo em relação ao tema mais importante do país. Qual seja: este time do Vitória num tá jogando porra de nada!

E minhas pontes de safenas não aguentam este rojão.  

VÁ MATAR A MÃE DO DEMÔNHO!!!

UM VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA

abril 12, 2017

Que contradição. Só a guerra faz.

Exatamente no mesmo dia em que a torcida mista voltou a ocupar, de modo revolucionariamente afetivo & festivo, as arquibancadas da velha Fonte Nova, o garoto Carlos Henrique Santos de Deus, de apenas 17 anos, foi brutalmente assassinado após o jogo.

Dentro do estádio, a multidão deu exemplo de que é possível avançar na direção da salutar convivência entre aqueles que torcem por cores diferentes e que rivalidade não é, nem pode ser, sinônimo de violência. Do lado de fora, alguns infames, talvez desesperados em ver triunfar esta rica possibilidade de coabitação, recorreram ao crime, à desgraçada brutalidade de retirar a vida de uma pessoa que apenas veste uma camisa de outra cor.

Aliás, por falar em cores, nos dois últimos anos, uma das características mais tristes e trágicas das manifestações de rua no Brasil foi a impossibilidade de se aceitar alguém com uma roupa de coloração diferente.

Algum apressado pode me acusar de estar misturando as bolas, mas o fato é que pouco importa se a batalha é contra a corrupção ou um time de futebol. A mensagem dos que se filiam a esta tendência totalitária do terror, tanto nos estádios quanto nas passeatas das cores iguais, é a seguinte: eu sou o melhor, o puro, e o outro deve ser eliminado.

A consequência deste autoritarismo atroz é a interdição do diálogo. E é um caminho fácil. Basta dizer: não me misturo com corruptos (claro, eu sou o puro) ou com pessoas que torcem para outra equipe (eles são uns desgraçados).

Óbvio que, nestes momentos de exacerbação, é ainda mais trabalhoso enveredar por uma trilha de reflexão/ação mais complexa. Conversar com pessoas que pensam diferente não é sucumbir à corrupção, esta menina traquina que tá em todo o canto, não apenas nas hostes inimigas.  Assim como também conviver com pessoas que torcem por outras cores não vai fazer ninguém se bandear para o outro lado. Esta uma batalha contra a indigente simplificação é crucial, seja no campo da política ou do futebol.

No caso específico do Ludopédio, por exemplo, é o momento de combater a proposta mesquinha de torcida única, defendida pelo promotor Olímpio Campinho. O que ele está propondo é algo antipedagógico e ineficaz. Conforme informa o estudioso Maurício Murad, Belo Horizonte, Buenos Aires e Roma, que haviam sucumbido a esta postura equivocada, já mudaram de posição. A hora é de avançar rumo à ampliação do espaço da torcida mista, não de retroceder. O momento é de ampliar nosso campo de ação, não de cair nas armadilhas simplificadoras dos campinhos da vida.

É exatamente por tudo isso, por estas questões que considero essenciais, que retorno a esta intimorata tribuna. Se ontem critiquei as diretorias de Vitória e Bahia pelo indecente silêncio em relação aos graves acontecimentos, hoje quero elogiar e parabenizar a atitude dos dirigentes rubro-negros e tricolores que lançaram notas firmes contra este retrocesso.

Não deixa de ser animador que, nestes tempos temerários, o Ludopédio desta província forneça estes excelentes exemplos quando um valor mais alto se alevanta.

Que contradição. Só a guerra faz nosso amor em paz.

 

Eis as notas oficiais dos clubes

http://www.ecvitoria.com.br/torcida-unica/

http://www.esporteclubebahia.com.br/nota-oficial-30/

 

UM SILÊNCIO INDECENTE

abril 11, 2017

Nestes tempos temerários, praticamente somos obrigados a ter, de modo instantâneo, opinião formada sobre tudo e todas as coisas que acabam de acontecer. E, não raras vezes, esta imposição da urgência nos empurra para julgamentos apressados e injustos. Afinal, é quase impossível formar juízo de valor sobre os turbilhões de polêmicas que transbordam na imprensa e, principalmente, nas (mal) ditas redes sociais. Prudência, portanto, é um artigo fundamental.

Óbvio que a equação não é simples, pois a falta de um pronunciamento/posicionamento pode ser interpretada como omissão. E, se tal problema já é atordoante para o cidadão comum, em relação às instituições a questão se reveste de contornos ainda mais graves. É preciso ter sabedoria para não cair nas tentações do imediatismo.

Ponto parágrafo.

Registro estes prolegômenos exatamente para destacar que não advogo a afoiteza como método. O inverso é o verdadeiro, conforme tentei explicitar nestas linhas iniciais. Porém, há situações nas quais o silêncio deixa de ser sintoma de prudência e se transforma em desleixo, ou pior, em covardia.

Sim, amigos, estou criticando a inexplicável mudez das diretorias do Vitória e do Bahia em relação ao infame assassinato do menino Carlos Henrique Santos de Deus, que perdeu a vida com apenas 17 anos.

Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?

Estas perguntas acima não são retóricas. Realmente, eu gostaria de saber os porquês. Não consigo compreender como um garoto é brutal e fatalmente atingido logo depois de um Ba x Vi – e os dirigentes não dizem uma única palavra de conforto para os familiares. Óbvio que a tal prudência que foi invocada lá no começo do texto recomenda que não se ataque nem se acuse ninguém. Contudo, não prestar solidariedade à família enlutada e nem condenar o crime é, além de incompreensível, indecente. Sim, indecente, especialmente porque as diretorias tanto do Vitória quanto do Bahia dizem que se guiam por valores diferentes daqueles praticados por antigos cartolas.

Aliás, quando saí da Fonte Nova no início da noite de domingo, pensava exatamente em escrever um texto elogiando a atitude dos diretores rubro-negros e tricolores que apostaram no retorno da torcida mista. Estava com aquela sensação de esperança/otimismo de que as coisas aqui na província caminhavam para outra direção, uma trilha onde era preciso e possível investir na ousadia de tentar a salutar convivência entre os contrários. Vi coragem e audácia que não imaginava exequíveis neste ludopédio dominando por tenebrosas transações. E fui dormir feliz, não só pelo triunfo de meu time, mas também por esta nova possibilidade que se abria.

Porém, agora, quase 48 depois da tragédia, cá estou apenas com estas repetidas perguntas martelando meu maltratado juízo. Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?

FELIZ ANO NOVO

abril 10, 2017

Sim, minha comadre, a manchete é esta mesmo. Feliz ano novo. É hora de acertar os ponteiros do relógio, pois, finalmente, estamos em 2017. Tudo o que ocorreu até agora foi apenas entressafra. Aquela historinha de que nesta província o ano começa depois do carnaval é apenas uma das tantas culhudas proferidas pelas bahiatursas da vida para enganar turistas, otários e afins. Conforme é de conhecimento do pacato Nordeste de Amaralina, o calendário aqui só se move, efetivamente, quando a bola rola no tradicional clássico cartão de crédito, o brioso Visa, Vitória x sardinha.

Exatamente por isso, até este rouco e cansado locutor decidiu tirar as teias de aranha do gogó e voltou ao batente, atendendo milhares (na verdade, três) de pedidos encarecidos dos ouvintes. E cá estou, sem longas nem delongas, informando que o ritual de passagem de ano novo, para continuarmos no campo das simbologias, aconteceu sob o signo da maresia. O Vitória debreou, puxou o freio de mão e levou o jogo em banho-maria. Parece que os jogadores do Leão confundiram os bichos. Então, vou esclarecer. Seguinte é este, rebain de hereges. O que a gente fica cozinhando é galinha. Sardinha é pra fritar logo.

Ademais, a postura da equipe foi desrespeitosa com a história e o esquálido placar de 2×1 pode ser interpretado como um insulto ao adversário. Como assim? Assim, ó. Em relação à questão histórica, existiu uma afronta porque era o momento de homenagear os 4 anos de reinauguração da velha fonte nossa e repetir aquele inolvidável abril de 2013. Já a desconsideração quanto ao rival foi não golear, pois os tricolores continuarão iludidos achando que estão jogando algo parecido com futebol.

Porém, nem tudo foi choro e ranger de dentes. Se nas quatro linhas não houve nada digno de nota, as arquibancadas transcenderam. O clássico cartão de crédito, o Visa, Vitória x sardinha, sempre é um acontecimento. E, neste domingo de ramos, não foi diferente. Aliás, minto. Foi diferente, sim. Tivemos o retorno da torcida mista. E rubro-negros e tricolores mostraram, uma vez mais, que é possível e preciso conviver no mesmo espaço da arquibancada, com respeito e alegria. A Bahia provou que rivalidade não pode e nem deve ser sinônimo de violência. Foi bonita a festa. Pagou o ingresso.

Por falar em pagar, atenção André Uzêda: mire-se no exemplo de Nestor Mendes Jr e compareça à gerência com minha grade de Heineker. Não quero ouvir aquela conversa de que “meu pé tá doendo, meu pai mora no interior, a caixa de mudança é pesada, caô, caô, é porque eu pensei, ai, ai, doutor”. Nada disso. Coce o bolso, pois minha garganta já está preparada.

E mais. Quero beber as cervejas no Bar de Ratinho, na Saúde, lugar onde ocorre uma das melhores resenhas da cidade. Ontem mesmo, depois do jogo, ouvi a seguinte síntese/profecia. “Jamais este time aí vai ganhar do Vitória. Nosso centroavante parece um bicho goiaba. Corre igual a um corcunda de notre dame com problema no músculo adutor”.

Amém e feliz ano novo.

Alguém tem um espanador para tirar as penas das cervejas?

P.S Amanhã, se a ressaca e a Moça do Shortinho Gerasamba deixarem, farei a primeira, aguardada, abalizada, aliterada e vilipendiada resenha das quatro linhas neste 2017. Aguardem e confiem.

LEÃO MARINHO, UMA IMPOSSIBILIDADE INDOMÁVEL

novembro 7, 2016

 

Desde que comecei a rabiscar bobagens sobre o ludopédio e outras mumunhas, e lá se vão algumas décadas, jamais enfrentei uma angústia nem parecida com a deste momento. O fantasma da folha em branco, que já rendeu ótimas crônicas a quem possui talento, agora assombra este rouco, cabeludo e inábil locutor de modo inoxidavelmente indelével, seja lá que porra isto signifique.

Sim, minha comadre, a verdade, esta menina traquina que nem sempre salva e liberta, é uma só: escrever algo sobre Mário Sérgio Santos Costa sem soar patético é tarefa/castigo que não desejo a ninguém. Tentar dar um lastro de realidade é inútil. Apelar à melodramática grandiloquência é escorregar pelo óbvio.

Porém, em se tratando do genial e arisco Camisa 7, deixar a folha em branco é uma sinuca de bico dos 600 DEMÔNHOS, algo inexoravelmente impossível. Opa, pronto. É isso. Marinho é uma impossibilidade. Não aquela tradicional impossibilidade intransitiva, mas aqueloutra, mágica e irrefutavelmente bela.

Mas chega. É hora de sairmos dos labirintos metafóricos e adentrarmos na realidade, não sem antes lembrarmos que a realidade de Marinho é coisa mais espantosa do que qualquer ficção. À priori, ele desafia a lógica do deus mercado, este diabólico ser que impera sobre todas as relações. Sim, é inacreditável que um gênio daquele porte esteja desfilando o esplendor dos seus 26 anos em um time periférico como o nosso querido, amado, idolatrado, salve, salve Esporte Clube Vitória. É isso. Ele contraria até mesmo a mais gélida racionalidade mercadológica que sempre aponta e determina o caminho oposto. Marinho é o avesso, do avesso, do avesso, do avesso.  Anjo torto, tem também sérios problemas de visão. Nunca consegue distinguir os zagueiros. Enxerga apenas e tão somente joãos, igual àquele outro Camisa 7 de pernas enviesadas.

E foi guiado por esta oblíqua concepção que, por volta dos 5 minutos da primeira etapa (não me perguntem a hora exata, pois não uso relógio), Marinho fez o tempo parar. Seguinte foi este. Assediado por seis jogadores do Atlético Paranaense, parecia inviável executar qualquer jogada de craque, pois fatalmente seria bloqueado. Era necessário ir além. Porém, o sujeito exagerou. O que ele fez foi algo que desafia qualquer catalogação sobrenatural.

Tentem visualizar. Com o diabo nos quadris, ele moveu o corpo para a direita e efetuou uma bicuda de pé trocado, elevando ao paroxismo a especialidade romariana. Romário, aliás, deve estar se revirando na tumba agora por nunca ter conseguido algo parecido. Porém, se o baixinho tá se mexendo, quem ficou tão imóvel quanto o tempo foi o goleiro Weverton, que parece ter apreço à sua (lá dele) coluna vertebral.

“Ah, mas isso não é algo assim tão extraordinário. É típico de jogador individualista que, vez ou outra, consegue uma façanha deste porte”, retruca o previsível idiota da objetividade, que não consegue distinguir entre mero egoísmo e magistralidade.

Criatura, aprenda. O que Marinho faz é colocar o talento prodigioso para além do bem e do mal. Não cabem debates sobre falsas oposições. Ele é uma multidão em um só homem e vice-versa. É o protótipo do individualista coletivo. O segundo gol, inclusive, comprova esta tese. Depois de driblar 839 defensores, humildemente decide dar o gol para o menino David, que havia sido protagonista da jogada desde o início. (Sobre o terceiro gol, silenciarei em respeito à inolvidável obra de arte).

Por fim, não bastasse tudo isso, Marinho ainda encarna uma figura inviável que parecia extinta desde Obina: o jogador que sai da previsibilidade e brinca com o absurdo. Alguns podem achar (não sem razão) que estou dourando a pílula porque ele é do Vitória, mas o fato concreto é que Marinho é o maior fenômeno do futebol brasileiro. E isto não apenas pelos dribles desconcertantes e gols geniais. Outros jogadores mais ou menos qualificados podem fazer isso. Com perdão da má palavra, o diferencial do sujeito é que ele incorpora um personagem inverossímil, que finge tanto e tão bem que acaba acreditando em suas verdades, mesmo que elas, as verdades, sejam inacreditáveis.

Resumindo, pois a prosa já tá longa: é o melhor personagem do Ludopédio de Pindorama, uma impossibilidade indomável.

Esta foto do jornal A Tarde dispensa qualquer legenda

Esta foto do jornal A Tarde dispensa qualquer legenda. Ele é a legenda

PROTAGONISTA DE ESCÁRNIOS

agosto 15, 2016

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A feijoada tá azedando

 

 

Desde o ano da (des) graça de 2006, quando o Brasileirão se estabeleceu com apenas 20 clubes no sistema de pontos corridos, a força da grana mostrou sua face mais vil e o futebol de Pindorama ficou ainda mais desigual, extremamente desigual.

Nestes dez anos, praticamente só os clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, beneficiados por fabulosas verbas de TV e patrocínios, estiveram os 4 primeiros. A única exceção ocorreu em 2013, com o Atlético do Paraná conquistando o 3º lugar. Aliás, neste mesmo e atípico ano, quando os grandes de SP fizeram campanhas tétricas, o Vitória chegou na última rodada lutando por uma vaga. Bateu na trave. E o fato, o triste fato, é: nenhum time do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste jamais conseguiu furar, na última década, este cordão sanitário imposto pelos poderosos do Sul-Sudeste.

Porém, com planejamento, conhecimento de futebol e inteligência é possível (sobre) viver nesta selva com um tanto assim de dignidade. Um exemplo disso é o pequeno Chapecoense, que tem um orçamento e uma torcida muito inferiores à do Leão. Em 2009, o time catarinense era da série D. No ano seguinte, foi para a terceirona e ficou em 7º lugar. Em 2011, subiu ainda mais e alcançou a 5ª colocação. Mais um ano e conseguiu o acesso à segundona, onde não demorou nada, conquistando o privilégio de jogar na elite. E, contra todos os prognósticos, se mantém altivamente.

É óbvio que o Vitória não pode se mirar no pequeno Chapecoense. Tem que sonhar e agir, pensando em algo muito maior. Portanto, não era de todo despropositada a entrevista do presidente do Vitória, no dia 8 de dezembro de 2015, logo após o acesso. Às aspas. “Todos os times têm problemas com a parte financeira, mas isso jamais colocará limites nas nossas ambições. Vamos competir como protagonistas em todas as competições das quais iremos participar. Dinheiro não é uma coisa que nos deixa preocupados”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal. Apesar de garantir que dinheiro não era algo que o “deixava preocupado”,  raimundo viana não honrou sua palavra. Ao contrário. Desembestou em um processo de apequenamento do Clube, lambuzando-o com a construção de uma farsesca imagem de dirigente caricato. E criou um personagem, “vovô mundico”, que relembra os piores momentos dos cartolas popularescos do futebol de antigamente.

Noves fora as presepadas, a farsa conseguiu se estabelecer, logo após a conquista do fraco campeonato baiano com as calças na mão, diante da fraquíssima sardinha. E a promessa, naquela mesma entrevista, de que o Vitória estava em fase de negociação com “o meia Escudero e o atacante Rhayner, peças-chave no time titular do Leão” foi esquecida. Nada de renovação, nem nos contratos, muito menos no modo de agir. Tudo fedia a mofo.

Em maio deste ano, em uma entrevista para a ESPN, invocava uma tal missão divina que estaria a ele conferida para quem sabe levar o Vitória à Libertadores e a obter a conquista da Copa do Brasil. Resultado? Deus parece que não tem apreço pelo referido, pois não lhe conferiu a tal missão. E o Rubro-Negro, que já não vinha bem no Brasileirão, foi eliminado de forma grotescamente melancólica para um dos piores times da história do Cruzeiro.

Restou, portanto, apostar a ficha no menos pior, que seria a permanência na elite. Todavia, o returno começa com uma demonstração de amadorismo sem par. A principal novidade para um time que necessita de um novo gás foi um velho conhecido: o lateral-direito Diogo Mateus, que não serviu para renovar, mas aparece agora como salvação da lavoura, do latifúndio improdutivo que tem sido aquele setor do time. E Diogo ontem, diante do fraco Santa Cruz, fez o que pode, mas, parado há um bom tempo, cansou. E novamente o Vitória, sem peças para o setor e sem elenco, foi obrigado a improvisar na 20ª  (VIGÉSSIMA) rodada da competição. E terminou cedendo o empate ao time pernambucano.

Porém, isto não foi o pior. O mais trágico é que a zombaria do presidente agora atinge o paroxismo. Em uma entrevista logo após o péssimo resultado, o indigitado teve o desplante de afirmar o seguinte do time comandado (?) por ele e que está na rabeira da tabela.

Se olhar no campeonato, não tem ninguém melhor do que a gente“.

É graça uma porra desta?

Se, antes, afirmar que sonhava alto era algo que simbolizava uma recuperação da autoestima, agora as bravatas do presidente/personagem/ator de quinta categoria se transformaram em simples e puro escárnio. Escárnio, aliás, é também o que ele e sua diretoria estão propondo para o Clube na fundamental questão da democratização.

Mas a torcida do Vitória, que não é otária, repudiará alguém que se apresenta apenas como protagonista de escárnios.

DIRETAS, JÁ!!!

FESTA NO INTERIOR

agosto 5, 2016

Após a leitura do título acima, muitos apressados podem até achar que este rouco, cabeludo e míope locutor passou a usar os óculos de Dr. Pangloss e ficou com a visão obnubilada e lambuzada de otimismo pueril. Outros, maledicentes, já devem estar espalhando coisas bem mais graves. Porém, em verdade, à nação: não mudei. E pior. O time também não.

O esquema tático teimosamente repetido por Mancini é, para ficar nos bons modos, camicase. Afinal, atuar no 4-3-3, sendo que os três atacantes praticamente nunca voltam para compor, deixa o já fraco setor defensivo completa e desnecessariamente exposto. Não é à toa que o time saiu perdendo em mais de 80% dos jogos e teve que correr atrás do prejuízo. Além do problema tático, a equipe padece com (a falta de) talentos. Os jogadores, em sua esmagadora maioria, não evoluíram desde o início da competição.

Então, perguntará os impacientes amigos de infortúnios: quais os motivos para a festa, ora esta? Primeiramente, fora temer. Segundamente, as sardinhas.

Mas, voltando a falar sério, seguinte é este. Quando decidi descer a pirambeira rumo a Feira de Santana, embarquei com a mente embriagada de canjebrinas, algumas substâncias não recomendadas pela carta magna e, especialmente, com os famosos versos do poeta espanhol Antônio Machado. Às aspas, maestro.

Golpe a golpe, verso a verso…
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
‘Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…’
Golpe a golpe, verso a verso”.
Então, mesmo que tudo desse errado, já teria dado certo, pois a viagem é o caminho e vice-versa, seja lá que porra isto signifique. Aliás, se o Brasil fosse um país minimamente sério, existiria uma lei obrigando todas as pessoas a testemunharem o Vitória jogando no interior ao menos uma vez por ano. É uma experiência ímpar. Tudo é festa. A cidade se transforma completamente. Todos ficam tão felizes quanto relâmpagos no trigo (beijo, Cortazar). É um frisson dos 600 DEMÔNHOS. E mais não digo. Quem quiser saber e, principalmente, sentir, viaje.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. Até o impassível dagoberto que, novamente não produziu porra de nada, quando foi substituído ficou no banco de reservas vibrando com a equipe e, pasme, discutindo com torcedores. E este espírito contagiou toda a equipe. Após levar o gol do Coritiba, o time, ainda que um tanto quanto desmantelado, partiu para cima com gosto de querosene, especialmente após a saída do rapaz da camisa 22 e de amaral, que, uma vez mais, entregou o acarajé, digo, a rapadura.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E o empate veio num gol típico de jogo intermunicipal. O colombiano Cardenas, que conhece do jogo e chamou a responsabilidade, tentou meter a bola para Kieza, o zagueirão do Coritiba foi antecipar e mandou contra o patrimônio. Arquibancadas e alambrados incendeiam. Ato contínuo, Marinho recebe na entrada da área, pratica um remelexo de botar no chinelo a moça do shortinho gerasamba e manda a criança na forquilha. Já nos descontos, Kieza guardou o dele, acabando com um jejum que já fazia inveja ao mais contrito faquir.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E foi assim, meninos, eu vi, que Marinho, ao fazer seu golaço, procurou Kieza para um fraternal abraço de descarrego. E o vice-versa se repetiu. Ao marcar o seu, o camisa 9 foi retribuir a gentileza, como se estivessem a celebrar as pazes e encerrar maus entendidos.

É óbvio que neste espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal (acho que já falei esta frase). E, na próxima rodada, a esperança é que este espírito, esta garra interiorana esteja presente na maior cidade do país, na desvairada peleja contra o Palmeiras.

E por falar em espírito guerreiro e luta por superação, eis o brado que deve ser gritado cada vez mais alto: DIRETAS, JÁ!

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.

CONTAGEM REGRESSIVA

julho 27, 2016

Há pouco mais de cinco anos, quando já lutávamos pela democratização do Vitória, tentamos marcar um encontro com raimundo viana, responsável pela elaboração do edital de convocação das eleições no Clube naquela ocasião. Ele escapuliu. E a eleição acabou sendo aquela farsa.

Pouco tempo depois, continuamos a pressionar e o clube criou uma Comissão de Reforma do Estatuto, presidida adivinhem por quem (Raimundo nonato? Não, o indigitado), com a promessa de…democratização do Vitória. Então, ele, todo trabalhado na enrola, pediu sugestões da torcida.

Nos reunimos, mais de 100 pessoas, debatemos e apresentamos sugestões. O referido ficou de fornecer respostas – e nada. Escapuliu novamente. Uma hora dizia que estava doente; na outra, ocupado e, mesmo sem barriga, foi empurrando com ela, solicitando adiamento de prazos e mais prazos até que se passaram mais de DOIS anos e ele não apresentou proposta nenhuma. Isso mesmo. Nada, zero, nécaras.

Pois muito bem. Passamos, então, a recolher assinaturas dos sócios na porta do estádio e conseguimos mais de 900 assinaturas para convocar a Assembleia Geral. Depois de idas e vindas, acabou ocorrendo uma assembleia no Barradão (não deliberativa), inclusive com a presença do atual vice-presidente, manoel matos, pois raimundo viana não se deu ao trabalho nem de ir lá (disseram que estava viajando). Mas, com ou sem a presença do referido, parecia que as coisas iam avançar.

E avançaram. No final de 2015, foi finalmente realizada uma Assembleia Deliberativa, na Fonte Nova. Na ocasião, depois de muitos e saudáveis e ricos debates, aprovamos um estatuto que, se não era o ideal, o perfeito, já continha avanços. Porém, pessoas ligadas à atual direção entraram na justiça para enojar o baba. E enojaram. Contudo, era preciso dar um verniz. O tempo passou – e agora eles apresentaram uma proposta de reforma que é um verdadeiro GOLPE. Não querem eleições nem democratização efetiva do clube coisa nenhuma. Estão novamente usando a velha tática de empurrar com a barriga para depois dizer que não existiu tempo hábil para fazer o pleito este ano por conta dos prazos do PROFUT.

Óbvio que não aceitaremos (mais) este escárnio calado. Portanto, amigos e amigas, é hora de voltarmos à pressão com carga total.

Então, a sugestão é esta. No próximo jogo do Vitória no Barradão, no dia 13 de agosto,  vamos elaborar cartazes de protestos e de chamamento à democratização, além de nos reunimos novamente na entrada do estádio para recolhermos assinatura do sócios para a convocação da AGE para que possamos, em última instância, recorrer até à justiça pelo responsabilização destes que querem sempre nos engabelar.

Ah, sim. Mas é claro que não podemos nem devemos esperar o dia 13 para a grande manifestação. Antes, vamos já nos organizando e realizando tarefas preparatórias. Assim, a sugestão é que já no próximo sábado, às 18h30, na partida contra o Figueirense, nos reunamos na praça do Imbuí, próxima à barraca do Pica Pau para vermos o jogo e já recolhermos assinaturas e debatermos os encaminhamentos.

É isto, amigos rubro-negros. Começou a contagem regressiva. Eles não podem ter nenhum minuto de sossego. E aí, vão ficar parados, com a boca escancarada nem tão cheia assim de dentes esperando a morte chegar ou vão efetivamente colar na corda?

2015.03.29 - diretasja (1)

Foto: Eduardo Martins. Agência A tarde

DAGOBERTEAR, O HOMEM QUE VIROU VERBO

julho 19, 2016

Antes de começar a mais esperada, abalizada, comentada, injuriada, vilipendiada e aliterada resenha do Norte e Nordeste de Amaralina, uma confissão. Seguinte. Eu tenho parcos sonhos. Um deles é arranjar amigos, mulheres, amantes, que devotem para mim a mesma paciência que a torcida do Vitória devota a dagoberto.

PUTAQUEPARIU A COMPLACÊNCIA!!!

O indigitado já está no Leão há 8 séculos, não fez um único gol, não volta para marcar nem pelo amor ao glorioso salário, nunca deu um passe para gol e, ainda assim, muitos o toleram, com o argumento de que ele tá se esforçando. Porra, se o critério for este, contrata um estivador. A relação custo x benefício será muito melhor. Ah, sim, é fato que alguns dizem que o indigitado desempenha uma importante função tática, mas esta é mais invisível do que o saldo na minha maltratada conta bancária. A não ser que computemos furada, como aquela que sobrou para Marinho, como jogada tática.

Porém, já que adentramos nesta seara, o que mais chamou a atenção no primeiro tempo foi que, jogando fora de casa, o time tenha sofrido os principais golpes exatamente no contra-ataque. Traduzindo. A equipe se abriu de forma mais desordenada do que mala de mascate em fim de feira no sertão baiano.

E o que dizer das entregadas? Vá matar a MÃE DO DEMÔNHO. Eu fico aqui & alhures gastando minha garganta para defender os jogadores da base e o donzelo do Ramon, jogo após jogo, fica enojando o baba. Aquela recuada, mais do que displicente, foi criminosa. Poderia ter até machucado o menino Caique. A (des) propósito, já começo a desconfiar que Ramon tá querendo entregar a rapadura para ser vendido logo ou algo que o valha. Não é possível e repetição de tantos erros bisonhos, especialmente de um cara que já demonstrou quem tem categoria.

Por falar em categoria, a segunda etapa começou com uma mistura de petardo com pombo sem asa. Marcelo dominou a criança e mandou no ângulo, fazendo este nostálgico locutor relembrar as folhas secas de Didi. A partir de então, o time entrou em outra sintonia, especialmente depois da saída de daberto. Não demorou muito e veio o empate. A virada era questão de tempo, mas Mancini, que parece que não sabe viver sem dificuldade e/ou sofrimento, colocou tiago surreal e o placar, óbvio, não foi mais alterado.

Foi um empate bom e ruim, concomitantemente, a depender das expectativas/perspectivas. É a sexta partida seguida que o Vitória não perde, porém não sai da incômoda 12ª colocação, com a zona de rebaixamento ali, fungando no cangote.  É hora, portanto, de mudar esta situação, antes que a casa comece a fede a homem, definitivamente.

Por falar em mudanças, impossível não xingar a pífia e ordinária proposta de transformação do atual estatuto do Vitória proposto pela diretoria. Que porra é aquela? Será que o presidente vai ficar dando uma de joão sem braço até quando?

Mudança de verdade só com eleições diretas e, verdadeiramente, democráticas, respeitando a participação do torcedor. Fora disso, é dagobertear, isto é: enrolar na cara dura.

DIRETAS JÁ, RESPEITANDO A PROPORCIONALIDADE E GARANTINDO AUTONOMIA DA ASSEMBLEIA GERAL.

 

Estão vendo estes 10 dedos, rebain de misérias? É pra enfiar no fiofó de quem tá querendo me sacanear

Estão vendo estes 10 dedos, rebain de misérias? É pra enfiar no fiofó de quem tá querendo me sacanear. Ouviu, Ramon? Ouviu, Diego Renan?