Democratizar o futebol: o que se passa no Vitória

junho 15, 2015

Pelas atuais regras do carcomido Estatuto do Vitória, hoje é o dia D para a renovação do Sou Mais Vitória, garantindo assim participação nas próximas eleições. Porém, entendo que a luta por democracia no Vitória vai muito além disso. O texto abaixo publicado originalmente no Passa Palavra nos aponta algumas pistas sobre os caminhos a seguir.

 

Democratizar o futebol: o que se passa no EC Vitória

Como gritar gol era cada vez mais raro, clamar por democracia se tornava mais frequente. Por Daniel Caribé


IMG_20150329_155655384_HDRÉ difícil determinar quando a exigência de democratização do Esporte Clube Vitória surgiu. Provavelmente há muitas décadas que loucos fora do lugar e do tempo levantam estas ideias, sem contudo ter nenhuma ressonância dentro ou fora das arquibancadas. Não é difícil entender os motivos da invisibilidade desta demanda. O futebol é, dentro dos espaços de reprodução do capitalismo moderno, um dos mais conservadores, corruptos e imersos em irracionalidades. Uma confusão entre empresa e associação, e entre torcedor e consumidor, faz da atividade umas das mais contraditórias. Como, portanto, transpor demandas e práticas da luta dos trabalhadores ou por cidadania para um clube de futebol?

Dos donos dos times, das federações, dos jogadores, das torcidas organizadas, das empresas de comunicações e outras mais, enfim, do meio de muitos interesses, o torcedor ainda se sente proprietário de algo que nem de perto é dele. Enquanto de um lado há toda uma cadeia produtiva, toda uma estrutura voltada para gerar mais e mais dinheiro, do outro há uma paixão que não ousaria explicar aqui, mas que em quase nada consegue influenciar nos rumos do time que chama de seu.

Mas o que acontece quando, no meio dessa paixão do torcedor, ele toma consciência de que nada daquilo de fato lhe pertence? E, mais do que isso, o que acontece quando ele passa a acreditar que é necessário ser verdadeiramente dono?

Sem romantismos, para uma torcida de futebol de um clube de massas (algumas pesquisam contabilizam mais de dois milhões de torcedores do EC Vitória), qualquer tentativa de impor uma única identidade é irresponsável. O EC Vitória, apesar da sua origem aristocrática (foi fundado no ano de 1899), se popularizou nas últimas décadas e nem de perto hoje é de uma torcida elitista. Ainda sim, empresários (grandes e pequenos), gestores das mais diversas origens, resquícios das oligarquias baianas, tudo isso tem que conviver nas arquibancadas do Barradão (estádio localizado no bairro de Canabrava, onde antes havia um aterro sanitário) com os setores mais populares da cidade de Salvador. Inclusive, a gentrificação imposta aos estádios brasileiros por causa da Copa do Mundo de 2014 (ver o texto “O direito ao estádio”) nem de perto atingiu o estádio de Canabrava, que continua, para as dores e alegrias dos seus torcedores, como um estádio antigo, de concreto e de livre circulação, sem cadeiras numeradas e demais formas de censuras recorrentes nas arenas.

Esse caráter popular das arquibancadas do Barradão se contradiz em muito com a diretoria do clube. O EC Vitória sempre serviu de estágio para que velhacos das oligarquias baianas brincassem um pouco. Algumas famílias devem beirar os 100 anos no controle do time. Por um lapso de tempo, na “Era Paulo Carneiro” (hoje diretor de futebol do Atlético do Paraná), o time ousou ser “moderno”, se inseriu na dinâmica mais avançada do capitalismo que se permitia a um time de futebol. Virou um “time empresa”. Uma protorrevolução burguesa aconteceu em Canabrava, mas com as cores rubro-negras. A torcida cresceu e o time também, mas o autoritarismo continuou a ser a marca registrada e, após alguns fracassos, o time chegou à Terceira Divisão do futebol nacional e os filhos das velhas oligarquias tomaram o brinquedo de volta.

IMG_20150301_161027791Foi aí que os loucos começaram a ser escutados. Não era mais possível entregar o time a nenhuma forma autocrata de gestão. Se o comandante da “revolução burguesa” rubro-negra tinha fracassado, não seriam os oligarcas de sempre que nos colocariam em outro patamar. E sem ilusões aqui também: o torcedor de futebol está pouco ligando se o seu presidente é um fascista ou um democrata, se é um empresário ou alguém dos meios populares. O que importa é ver a bola entrar no gol adversário e as taças na galeria. Não foi, portanto, a crença em uma forma de organizar a vida que prevaleceu, mas a necessidade de apostar no único caminho que ainda não foi posto em prática. O que se estranha é que em tão pouco tempo ela tenha virado consenso. Como gritar gol era cada vez mais raro, clamar por democracia se tornava mais frequente.

É claro que hoje todo mundo vai querer ser o pai da criança. Gente que há um mês atrás sequer cogitava falar em democratização de um clube de futebol levanta a faixa de “diretas já”. Mas a verdade é que o primeiro movimento surgido das arquibancadas do Barradão que pautou de forma clara a democratização do clube foi o Movimento Somos Mais Vitória – MSMV, no ano de 2010. Outro time do país já havia avançado em direção à democratização do clube (o Internacional de Porto Alegre) e graças a esta mudança se tornou um dos clubes mais vencedor no Brasil e na América Latina. A democracia já não era uma ideia fora do tempo e do lugar, mas uma possibilidade melhor do que o estado atual das coisas. Em 2011 o Vitória não conseguiu sair da Segunda Divisão, retornando aos trancos e barrancos em 2012 à Primeira, mas fez uma campanha inacreditável em 2013, terminando em quinto colocado. O resultado foi que o autoritarismo ganhou um novo fôlego.

Além disso, nesse ínterim, houve eleições no EC Vitória, na base da aclamação do indicado pelo presidente anterior (Alexi Portela), mas tentaram montar uma chapa de oposição que nunca saiu do papel. A chapa tentou engolir o MSMV, estraçalhando com o mesmo, e pautava de forma muito pouco clara a democratização do clube. Seu foco era a “profissionalização” e tinha por possibilidade o regresso de Paulo Carneiro. O resultado foi que o MSMV praticamente se acabou e a chapa não conseguiu concorrer às eleições. Um dos seus líderes foi acusado de estar envolvido em esquemas de corrupção na Prefeitura de Salvador, dando o tiro de misericórdia na articulação da oposição. Alexi Portela, com os portões do Barradão cerrados, encaminhou com tranquilidade e de forma fraudulenta o seu substituto, Carlos Falcão.

Foi nesse período também que o maior rival do time, em uma situação muito pior que a nossa, resolveu se tornar democrático na nossa frente. Não vamos entrar nos melindres do que aconteceu por lá, mas resumidamente podemos afirmar que o time se tornou refém do Governo do Estado por não ter estádio próprio e, com a implosão do estádio da Fonte Nova e construção de uma Arena no lugar, o novo equipamento precisava de um time que desse sentido aos gastos feitos para a Copa do Mundo. O EC Vitória, tendo o seu próprio estádio, e apesar de a diretoria ter insinuado a migração, tinha condições de evitar a imposição do Governo do Estado e a própria torcida recusou a mudança de endereço. Nesse momento aconteceu uma intervenção judicial no time de lá, que implementou a associação dos torcedores de forma massificada e convocou as tão sonhadas eleições. O fato é que, mesmo desta forma tosca, o time deu um salto qualitativo, voltando a ser bicampeão baiano após duas décadas. Agora havia também a experiência exitosa do rival e a desejo de democracia ia se tornando em algo concreto. O Movimento Somos Mais Vitória chegou a lançar duas notas se posicionando a respeito do que acontecia (ver aqui e aqui).

IMG-20150512-WA0013Em 2014 o time foi rebaixado mais uma vez e novas articulações ganharam força nas arquibancadas do Barradão exigindo democratização do clube. Com a experiência do MSMV, um grupo de torcedores resolveu fundar um novo movimento, chamado Vitória Livre. O Vitória Livre sabia que não poderia vacilar entre ser um movimento ou um grupo de oposição com a intenção de concorrer às próximas eleições. Tinha que focar em pautas concretas e plausíveis para manter a precária unidade e não se deixar capturar por interesses outros. O objetivo era reformar o estatuto do time, convocar eleições diretas e permitir que a torcida escolhesse os dirigentes do clube, abrindo a possibilidade para que o torcedor pudesse também se candidatar. A tática utilizada foi a de recolher assinaturas dos sócios torcedores nos portões do estádio em dias de jogo do time e, ao juntar uma quantidade considerada de assinaturas, exigir a convocação de uma assembleia geral.

Essa forma permitiu que o Vitória Livre ganhasse o respeito e o apoio da torcida, pois foi necessário conversar com vários torcedores ao longo de alguns meses. Foram recolhidas quase mil assinaturas dos sócios torcedores, num quadro de sócios cada dia mais reduzido por conta dos fracassos do time em campo e da má vontade da atual diretoria em estimular a associação. Isso porque, como prevê o atual estatuto nunca posto em prática, com 18 meses de associação o torcedor teria direito a votar nas eleições do conselho (e o conselho escolhe o presidente) e a diretoria fazia de tudo para que o torcedor não participasse da vida do clube para além dos gritos nas arquibancadas. Outros movimentos surgiram nas arquibancadas do Barradão e, a cada tropeço do time em campo, mais torcedores apoiavam a ideia de democratização do time. Entretanto, alguns movimentos passaram a apoiar um processo idêntico ao do rival, solicitando a intervenção judicial.

Em um desses fracassos em campo, o último presidente (Carlos Falcão), com pouco mais de um ano no cargo, solicitou afastamento e uma corrida pelo poder no clube se instaurou, mas também abriu espaço para que finalmente a reforma estatutária saísse do papel. A ideia de democratização do time, que já havia se alastrado pelas arquibancadas, ganhou também parte dos grupos que disputavam o poder há anos. Entretanto, é impossível dizer quem de fato apoia a democratização do clube ou quem aderiu ao movimento entendendo que quem fosse contrário nesta altura do campeonato estaria eliminado do comando. Além do mais, o que essas pessoas entendem por democratização de um time de futebol?

Da pressão das arquibancadas, saiu a convocação para uma Assembleia Geral “consultiva”, ocorrida no dia 06 de junho de 2015. A Assembleia não tinha o propósito de decidir nada, apenas o de dar uma satisfação à torcida. De qualquer forma, os representantes dos diversos movimentos foram chamados para compor a mesa e a palavra foi franqueada para os torcedores que se fizeram presentes. O consenso em torno da democratização do clube foi formado, com nenhuma voz se opondo publicamente. Só falta entender para que lado essa democratização irá.

Apenas quem destoou dos demais presentes foi a maior torcida organizada do clube, Os Imbatíveis, que se posicionava sempre ao lado da diretoria do clube e contra a democratização, com medo que “aventureiros” tomassem o time de assalto. Em troca do apoio, o presidente da torcida se tornou conselheiro do EC Vitória. Os representantes da torcida organizada presentes na Assembleia não se colocaram, mas ameaçaram fisicamente os outros torcedores que vaiaram quando o nome do seu presidente foi anunciado, deixando o ambiente tenso.

650x375_1326489Antes dessa assembleia ocorreu a articulação de vários movimentos e uma das figuras que se destacou foi Augusto Vasconcelos. Assim como setores ligados ao PT influenciaram bastante no processo de intervenção no time rival, no Vitória parece que é o PCdoB que se interessa pelos caminhos tomados. Augusto Vasconcelos é um advogado filiado ao PCdoB e atualmente presidente do Sindicato dos Bancários, um dos sindicatos mais importantes do Estado. Entre esses movimentos que Augusto conseguiu se articular se encontra tanto o que sobrou do MSMV quanto o Vitória Livre. A unidade desses movimentos passou a se chamar Movimento Por Um Vitória Melhor, tendo Augusto o seu próprio movimento, chamado de Frente 1899. O momento é delicado porque ao mesmo tempo que a unidade entre os diferentes movimentos dá mais força à demanda, por outro, tira de alguns deles a radicalidade, podendo centralizar nos “líderes” as negociações que envolvem o interesse de milhares. E, é claro que não é somente o PCdoB que tem interesse nos rumos do EC Vitória, muito menos só os partidos políticos.

Os pontos que parecem unificar a todos esses movimento são: 1) convocação da Assembleia Geral deliberativa para aprovar o novo estatuto e realização das eleições ainda em 2015; 2) eleições não só para escolher o presidente, mas também todo o conselho, ampliando a democratização aos demais espaços do clube; 3) conselho proporcional e mais enxuto (algo em torno de 100 conselheiros, quando atualmente o número passa dos 400); 4) remodelação e expansão do plano de associação; e 5) profissionalização da diretoria, com remuneração para os dirigentes.

É bem confuso se posicionar diante de tudo isso. Por um lado, não deixa de ser animador ver uma torcida de futebol exigindo participar da gestão do próprio time. Gerir os próprios ócios pode servir de aprendizado para a gestão das demais dimensões da vida, inclusive a principal, que é a gestão da economia. Por outro lado, não se pode cair na ilusão de achar que a democracia é um fim em si mesma. Da mesma forma que a democracia só serve aos trabalhadores se for para tirá-los da miséria e da opressão, em um time de futebol o que se quer, principalmente, são vitórias e títulos e, em troca disso, muitos podem abrir mão desses valores progressistas na próxima esquina. Nunca se sabe que tipo de represália um time de futebol verdadeiramente democrático pode receber nesses meios e, sendo um time médio do futebol brasileiro, não resistiria por muito tempo atuando de forma contrária às práticas dominantes. Portanto, quanto tempo a torcida sustentaria um time democrático que não consegue vencer em campo?

Ainda, foi surpreendente ver os dilemas dos movimentos sociais acontecerem dentro de um estádio de futebol. A burocratização da luta, a captura das pautas por gestores, o movimento ambíguo de apatia e de euforia, as diferentes táticas dos movimentos e partidos (a chapa que pretendia concorrer às eleições), a milícia fascista oprimindo os demais (a torcida organizada) e por aí segue. Isso tudo sem deixar de considerar que a torcida é formada por pessoas das mais diferentes classes sociais.

Diante do que se passa, as expectativas que ficam são: 1) que a maior torcida organizada do clube mude suas práticas, pare de ameaçar os torcedores (nas arquibancadas e nas redes sociais) e se posicione de fato ao lado dos demais na luta pela democratização. Querendo ou não, é a voz da torcida quando a bola está rolando no gramado; 2) que a unidade entre os diferentes movimentos não retire de alguns a radicalidade na luta pela democratização do clube, que a prática de conversar e envolver cada torcedor continue, sem jogar peso nas articulações de gabinete; 3) que não se crie nenhuma ilusão nas pessoas, mas sim na reforma das instituições. Alguns podem conseguir expressar os interesses das arquibancadas e se tornarem, portanto, uma vanguarda legítima. Mas para virar uma nova elite não demora muito, ainda mais se se trata de filiados a partidos que nunca foram simpáticos aos processos democráticos. A luta, portanto, não pode girar para a eleição de A ou B, mas para a consolidação de uma nova estrutura democrática no EC Vitória; e, por último, 4) que se avance o mais rápido e de forma mais radical possível neste momento, pois nunca se sabe quando teremos uma conjuntura tão favorável quanto a atual.

ec-vitoria

É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE

abril 29, 2015

É incrível o poder das coisas quando elas têm que acontecer.

Há pouco mais de cinco anos, falar em eleições diretas no Vitória era quase sinônimo de palavrão. Os que lutavam por democracia no Leão eram vistos como ingênuos ou, pior, tachados de oportunistas, seja por dirigentes que não queriam largar o osso ou por seus escrotos porta-vozes na mídia baiana.

Pois muito bem. Depois de diversas e constantes batalhas, inicialmente nas arquibancadas e depois furando o cerco na imprensa, finalmente o tema conquistou, em definitivo, o coração e as mentes da esmagadora maioria da torcida. E até os antigos dirigentes foram obrigados a se pronunciar sobre o tema.

Porém, faltava o passo adiante. levar o debate para o conselho para que o sonho começasse a se transformar em realidade. E foi exatamente o que acabou de acontecer no último dia 27 de abril, apesar da resistência insana dos que não sabem conviver com os necessários e inadiáveis avanços.

O fato, amigos Rubro-Negros, é que o assunto está na pauta e nós temos que estarmos completamente mobilizados para não permitir retrocessos. Exatamente por isso, o Movimento Vitória Livre, um dos que protagonizam a luta pela democratização do Clube, lançou a seguinte convocação.

Após a realização da reunião do Conselho Deliberativo do EC Vitória, ontem, 27/04, e da notícia de possível convocação da tão esperada Assembleia Geral de associados para Junho, o Movimento Vitória Livre convoca uma reunião neste sábado, 02/05 a partir das 10:30 em frente a loja do SMV no Capemi para esclarecer algumas dúvidas acerca da realização da Assembleia e também para cobrarmos na própria loja a declaração das pessoas que estão aptas a votar. Compareçam e participem! O destino do Vitória depende de cada um de nós“.

Então, é isso. No sábado todos lá.

Saudações Rubro-negras e democráticas.

A DEMOCRACIA É IRREDUTÍVEL*

abril 27, 2015

Desculpem-me se já começo o artigo apelando às repetições, mas não há como deixar de registrar que a melhor frase sobre esta província lambuzada de dendê e de exclusão foi proferida pelo menino Otávio Mangabeira, sempre ele. Às aspas. “A Bahia está tão atrasada que, quando o mundo se acabar, os baianos só vão saber cinco anos depois”.

Pois muto bem, digo, pois muito mal. Mutatis mutandis, tão impiedosa sentença mangaberiana se aplica ao futebol, especialmente ao confuso momento, mais um, pelo qual passa o brioso Esporte Clube Vitória. Afinal, enquanto a esmagadora maioria dos clubes, inclusive nosso rival, já avançou no processo democrático, mesmo com todas as imperfeições e interferências governamentais, no Rubro-Negro ainda estamos na época das capitanias hereditárias.

Aliás, aqui, a história não se repete como farsa, pois o ponto de partida já é farsesco. E apenas continua assim ad infinitum. As diretorias que se sucedem agem como se o Clube fosse apenas um brinquedo que o bondoso pai entrega ao filho. Às vezes, eles até têm algumas desavenças entre si, em uma espécie de briga de meninos birrentos, porém nunca aceitam transformações verdadeiras. Os dirigentes, com tanto e tamanho descaso, parecem olvidar que estão no comando (?) de uma instituição que atinge a mente e, principalmente, o coração de milhões de adeptos.

E tal procedimento nefasto acaba levando ao que o Movimento Vitória Livre, um dos que lutam pela libertação do Vitória, tão bem diagnosticou em um recente manifesto. Novas aspas, maestro.

“O Esporte Clube Vitória padece de um paradoxo fundamental: quer se estabelecer como um time de massas, ampliando o número de associados, ao mesmo tempo em que deseja manter uma carcomida estrutura baseada na familiocracia e no mandonismo.

Se, ao longo da centenária história, já tivemos glórias nas quatro linhas, no quesito respeito ao torcedor, principal razão da existência de um Clube, a diretoria do Vitória permanece numa eterna e vergonhosa zona de rebaixamento.

É óbvio que, em algum momento, esta esdrúxula equação se tornaria incompatível, provocando um completo divórcio entre os anseios da torcida e os tenebrosos projetos de perpetuação de poder de uns poucos”.

Mas, nem tudo é choro e ranger de dentes. O momento da torcida do Leão efetivamente chegou. Já existem várias grupos batalhando nas mais variadas frentes e o batalhão dos que acreditam em um novo tempo no Clube só faz crescer. Não adianta eles acenarem apenas com anéis para manterem os dedos apontando sempre para o retrocesso. Não. Os torcedores do Vitória saberão repudiar toda e qualquer manobra, até porque a imensa maioria dos leoninos quer e vai exigir não só eleições diretas, mas também eleições proporcionais para o conselho e, principalmente, a possibilidade do sócio-torcedor participar ativamente do processo eleitoral. Chega de ser apenas um mero votante que ratifica os mesmos conselheiros de sempre. A mudança deve e tem que ser real, profunda. Não aceitaremos menos do que isso. E os que tentarem enganar a massa Rubro-Negra ouvirão o mesmo brado da combativa Dolores Ibárruri: No Pasarán!

Entendemos que a democracia é um valor irredutível.

 

* Texto publicado originalmente na edição de domingo, dia 26, no Caderno de Esportes do Jornal A Tarde

O VITÓRIA VAI SE LIBERTAR

abril 15, 2015

Saio de meu obsequioso silêncio para solicitar que vocês dediquem um tanto assim de seus tempos ociosos para ouvir as palavras da salvação proferidas pelo intimorato Felipe Ventin. Cliquem no linque abaixo com urgência e divulguem, hereges. De nada.

http://goo.gl/YD7OtE

 

 

 

PUTAQUEPARIU O DESENCANTO!!!

fevereiro 2, 2015

O menino Nelson Rodrigues, sempre ele, costumava ensinar que as coisas ditas uma só vez permanecem inéditas. Portanto, dizia, faz-se mister repeti-las e repeti-las ad infinitum para que as mesmas não descambem para o anonimato.

Pois muito bem.

É exatamente por ainda acreditar neste axioma inicial que não me canso de gastar meu parco latim aqui defendendo a tese de que a divisão de base é uma das raras veredas que podem levar a um caminho da salvação para clubes periféricos, como é o caso do Leão. Fora disso, as possibilidades de êxitos para nosotros, os desvalidos, tornam-se ainda mais estreitas.

O problema, amigos de infortúnios, é quando esta mesma base, que deveria ser alicerce para nossos sonhos, ainda que fugazes, começa a dar sinais de que pode flertar com a infâmia e o desmantelo.

Ah, sêo françuel, deixe de xibiatagem. O senhor deveria era estar reclamando dos marmanjos, que não cansam de nos envergonhar“, protestou logo a moça do shortinho Gerasamba.

Nas CNTPs, e também fora delas, sempre costumo dar razão à referida de indumentárias mais escassa do que o saldo de minha maltratada conta bancária, porém, desta vez, retrucarei. Seguinte é este, minha comadre: num é de meu feitio gastar velas com defuntos ruins. Quando decidi ver a peleja ontem contra as sardinhas de Feira de Santana já sabia o que me aguardava. Nenhuma surpresa. Aliás, deste campeonato baiano nunca espero nada que fuja à rotineira e ordinária previsibilidade. Uns trocados de emoções, que ocorrem de quando em vez, já são contabilizados, antecipadamente, e sem nota fiscal, na conta do lucro indevido.

É fato que alguém reticente poderia ainda argumentar, não sem razão, que os meninos do Vitória têm sido um de nossos poucos orgulhos. Afinal, eles têm brilhado nos certames nacionais de modo constante. E, aqui na província, não fazem feio. Ontem mesmo brocaram as sardinhas de feira por 7 x 0.

É verdade, todo mundo tem razão, todos estão muito certos, tudo mundo é honesto, mas meu paletó sumiu.

Seguinte foi este.

De acordo com relatos fidedignos do menino Mateus Almeida, os guris Rubro-Negros, logo após o jogo, estavam  festejando ali no portão do antigo campo do Perônio. Até aí, tudo bem. Afinal, depois de uma vitória elástica nada mais natural que eles comemorem.

A desgraça, ainda segundo o apóstolo Mateus, foi o que eles “comemoravam”. Aspas para a minha impoluta fonte. “França, invés de vibrarem com o importante triunfo, tinha um sacana se gabando porque conseguiu enganar o juiz, dizendo que deu um tapa e ainda simulou uma falta”.

PUTAQUEPARIU A INVERSÃO DE VALORES!!!

É óbvio que um time de futebol não vai nem deve ser formado por freiras carmelitas. Ao contrário. A malícia pode e deve fazer parte da peleja. Porém, não é recomendável levá-la assim ao nível do paroxismo, da doença. Como é que você vence uma partida por 7 x 0 e a única coisa que você quer comemorar e relembrar é o fingimento, uma sacanagem, um tapa? Porra, num dava ao menos para falar sobre um gol, uma boa jogada, um drible desconcertante, nada?

Pois é. Diante do triste relato de Mateus sobre a presepada dos meninos da base, a vergonhosa atuação do time principal na estreia do campeonato baiano foi, pasmem, um papelão menor. Tudo foi para o baleio (que não é de Iemanjá)  como uma verdadeira ode ao desencanto.

FELIZ ANO VELHO

janeiro 23, 2015

Guiado por meu incorrigível otimismo, planejava retornar a esta impoluta tribuna de modo glorioso, proferindo boas e novas prosopopéias para a nação. Até a moça do shortinho Gerasamba ficou toda assanhada já pensando nos desfrutes. Porém, a diretoria do Vitória teima em não deixar que a felicidade desabe sobre este esperançoso locutor.

E, assim, uma vez mais, sou obrigado a ocupar o microfone para velhacas sessões de choro, ranger de dentes e falsas erudições. Então, de prima, saco logo do coldre uma quase citação do menino Friedrich Nietzsche – e constato: há anos que já nascem póstumos. E este traquino 2015, que nem bem começou, parece que vai percorrer esta sina triste. Mesmo ainda estando no prelúdio, já podemos sentir o seu sufocante cheiro de mofo, pelo menos na parte ligada ao latifúndio improdutivo do Ludopédio Rubro-Negro.

PUTAQUEPARIU O DESENCANTO!!!

Os mais apressados podem até achar, não sem razão, que tanto e tamanho desalento é por causa da perda do primeiro torneio do ano, após o vexame, na noite de ontem, também conhecida como quinta-feira, diante do fraco time do Náutico. Porém, em verdade vos digo: não é apenas um tropeço na insossa Copa Maranhão, um destes reles caça-níqueis de início de temporada, que iria abalar a fé deste peregrino que tem o couro curtido em seculares dissabores.

Sim, é fato que uma derrota é sempre uma derrota, especialmente uma assim, já sob o signo do simbolismo da estreia, uma partida que deveria marcar um recomeço após um 2014 de incontáveis desmantelos. Porém, como diria os comunistas de antanho, o fulcro da questão é outro, muito mais grave.

O que efetivamente me atormenta e creio que também perturba os mais de numseiquantomillhões de torcedores é a falta de perspectiva, é a total inexistência de quaisquer sinalizações de mudanças. Esta é a verdadeira e mais cruel derrota neste começo de 2015. Continuamos sob o (des) governo de uma diretoria sem nenhum compromisso com a democracia, transparência e, consequentemente, sem respeito ao torcedor. Triste.

E o pior (sim, amigos de infortúnios, anda tem coisa pior) é que uma parte da (mal) dita oposição consegue ser ainda mais perversa (se é que isto é possível) do que os atuais gestores. Sob o comando de ex-presidentes e ex-diretores, esta galera tem a petulância de propor retrocesso ao já engessado Regimento Interno. Para que não diga que este meu pessimismo é consequência deste gosto de bota de sargento no canto da boca, provocado por esta ancestral ressaca de canjebrina ruim, mando logo umas aspas sobre a proposta dos referidos oposicionistas em relação à democratização. Ouçam a infâmia em negrito.

Curto prazo – Torcida elege representantes, que elege conselho deliberativo, que por sua vez elege conselho diretor;

A médio prazo – Torcida elege conselhos deliberativo e diretor”.

Traduzindo. Os caras que já comandaram o Clube e agora aparecem como salvadores da pátria, propondo-se a melhorar as coisas, querem, pasmem, colocar ainda mais obstáculos na participação do torcedor. E pior. Desconhecem que hoje o sócio já pode votar diretamente para o conselho.

PUTAQUEPARIU A DESINFORMAÇÃO!!!

Pois muito bem, digo, pois muito mal. Caso me restasse um tantinho assim de juízo e amor (im) próprio, continuaria no meu obsequioso e longo silêncio que já dura exatos quatro meses. Mas sou teimoso. Por isso, estou aqui, mais uma vez, para conclamar os sócios-torcedores que não joguem a toalha. Mais do que nunca, é o momento do torcedor  tomar o destino do Clube em suas mãos. Por isso, e para não iniciar este ano sombrio sem uma centelha de esperança, solicito  uma vez mais que todos, que todos colem na corda do vitoria_livre@googlegroups.com (basta mandar um e-mail para este endereço  para participar do grupo de debates), movimento que tem lutado firmemente em prol da convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária com o simples e fundamental objetivo de democratizar nosso Clube e, assim, impedir que tenhamos mais um feliz ano velho.

Vamos nessa, rebain de incréus.

HOMILIA EM RESPEITO AOS FRACOS E OPRIMIDOS

setembro 23, 2014

Mais atrasado do que o goleiro Marcelo Lomba, só agora ocupo este impoluto espaço para resenhar sobre a peleja do último domingo, também conhecido como 21 de setembro. Antes, porém, sem longas nem mais delongas, aviso logo à praça. Caso o amigo ouvinte tenha comparecido a esta emissora, com gosto de sangue na boca, esperando que este brioso locutor achincalhe e humilhe o ex-rival do Esporte Clube Vitória, favor voltar outro dia ou sintonizar em outra estação no dial. Afinal, minha sólida formação cristã/marxista impede-me de tripudiar dos fracos. E estas sardinhas, convenhamos, são de uma debilidade ímpar.

É fato que muitos podem argumentar (não sem razão) que nossos ex-adversários são anêmicos, mas arrogantes. Porém, a afetação destas criaturas imodestas está ligada muito mais ligada a este axioma que minha finada genitora gostava de repetir do que a qualquer outra coisa. “Incutido é pior do que maluco”.

É isso. O problema deles, amigos, é exatamente de incutimento.

Seguinte foi este.

Depois que eles receberam umas bordoadas humilhantes na inauguração da velha fonte nossa, inventaram que a culpa era da antiga gestão. E mais. Que o tal o “baea democrático” não perderia para o Vitória, como se existisse um Bahia democrático, como se aquilo não fosse uma ficção, uma pantomina criada por marqueteiro para enganar incautos.

Mas, derivo.

O fato é que eles se apegaram a esta culhuda como se fosse a última tábua de salvação. E repetiam o mantra com a mesma insistência que os carros de som tocam os refrãos de pagode na praia de Boa viagem.

Como o Vitória estava (e ainda está) neste infindo descalabro administrativo, com reflexos nas 4 linhas, as sardinhas ficaram felizes por alguns meses e oito jogos. Porém, como dizia uma frase de autoajuda que ficava estampada nas paredes do Porto da Barra e que muito atribuem à vedete de Santo Amaro, “É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

E, neste último domingo, tudo conspirava para que as coisas acontecessem. Antes de tudo e de mais nada, era prenúncio da primavera, tempo ideal para entregar flores para defuntos. E o Vitória, com galhardia, seguiu a risca este ritual.

Devastadoramente superior, o escrete Rubro-Negro poderia ter imposto uma nova e antológica goleada, mas decidiu apenas recolocar as sardinhas no seu devido lugar de coadjuvante do futebol, posição que eles ocupam com denodo faz mais de duas décadas.

Noves fora o vacilo da zaga no início da partida, quando kieza (isto é nome de jogador ou de cosmético fuleiro?) fez 1 x 0, o Leão foi superior em todo o tempo. E menos de 5 minutos depois de sofrer o revés já havia igualado o marcador. O placar estava igual, mas a diferença de futebol e raça eram gritantes. O Leão encurralou completamente as sardinhas e meteu o segundo num chutaço de Luiz Gustavo, que era, até então, o jogador mais fraco, sem a mínima noção de ocupação do espaço que deveria ocupar em campo (Juan não conta. Este é um caso perdido).

 

O fato triste do domingo foi que perdi meu bolão. Como sabíamos que ia enfrentar uma ruína, botei 7 x !1. Paciência. Perdi o bolão, mas não perdi o senso de solidariedade cristão.

– Não, minha comadre, não adianta insistir. Repito o que já disse. Não vou espezinhar os mais fracos.

 

Aliás, o contrário. Estou aqui para ajudar. Por isso, informo o seguinte aos amigos que estão na zona, com dor de corno. Na Rua da Ajuda, número 39, tem uma boa loja de vinil. Lá, vocês encontrarão, ao menos, um disco de Odair José para se consolar. Caso contrário, torcida tricolor, é só voltar para vosso habitat natural na Ladeira Montanha, antes que o prefeito invente uma requalificação do ambiente e deixem vocês sem nenhuma possibilidade de abrigo.

Amém.

AVISO À PRAÇA

setembro 22, 2014

Sem longas nem delongas, o seguinte é este. Só escreverei a resenha do jogo amanhã ou quando passar a raiva. Afinal, perdi meu bolão. Botei 7 x 1  e o Vitória mete só dois num time fraco deste.

VÁ MATAR  A MÃE DO DEMÔNHO!!!

 

A VOLTA DO PRÍNCIPE DESENGONÇADO

setembro 18, 2014

Nome é destino. Este axioma é mais antigo do que o rascunho da bíblia. Aliás, por falar nas tais escrituras sagradas, reza a lenda que Abraão, na verdade, se chamava Abrão, Abram, em hebraico, que significa “Grande pai”. O problema é que o sujeito num tinha nem um filho. Então, Deus, que tudo sabe,  tudo vê e em tudo quer dar um jeitinho, inventou de consertar o erro, acrescentando mais uma letra a, transformando-o em Abraão, que corresponde ao “pai das multidões”. A propósito, conforme é de conhecimento da culta e religiosa platéia que sintoniza esta impoluta emissora, “pai das multidões” na grafia original pode ter as seguintes formas: אברהם, Avraham ou ‘Abhrāhām.

Mas, derivo.

O fato é que nome é destino, especialmente no futebol. Exemplo? Um meio de campo habilidoso jamais pode se chamar Tonhão. Quem carrega tal glória desde a pia batismal deverá percorrer as quatro linhas sempre na zaga, na zona do agrião, dando botinadas em atacantes distraídos. O time que tiver um Tonhão com a camisa 10 tá condenado à infâmia.

Derivo novamente, porém volto para garantir que, apesar de nome ser destino, um apelido, às vezes, pode mudar a sina de uma pessoa.

Sim, amigos de infortúnios, volto a falar dele, o homem, o mito, o pentelho, Willian Henrique. O sujeito tem nome de príncipe, mas biotipo e atuação daquele pirracento personagem de desenho animado. E o apelido pica pau entra na história dele exatamente para transformá-lo num herói improvável. Ao misturar plebe e fidalguia, nobreza e mass media numa mesma pessoa, temos, enfim, um cabloco cheio de pernas, de braços, com cabelos completamente malamanhados e uma vocação irremediável para santo salvador Rubro-Negro.

Na bela campanha de 2013, o referido fez 928 gols no Brasileirão, se não me engana o responsável pelo criterioso setor de estatísticas desta emissora. Este ano, talvez por conta desta estranha crise de identidade, ele tava preso em algum universo paralelo.

Ontem, porém, o sacaninha recomeçou sua saga no Vitória. Ao entrar no segundo tempo, tal e qual um raio da siribrina, seja lá que porra isto signifique, o time apático que perdia de 1 x 0 para o Fluminense, se transformou numa máquina de jogar bola, fazendo inveja até àquele time da Alemanha. Num foi à toa que Fred, ao pressentir novo massacre, não aguentou a pressão e pediu o velho e ordinário penico.

Sei que muitos aqui não acreditam em destinos e premonições, mas a melhor partida do príncipe Willian Pica Pau Henrique, Primeiro e Único, foi exatamente contra o Fluminense de Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, em pleno Maracanã. Meninos, eu estava lá e vi. E chorei.

Por falar em choro e ranger de dentes, termino a homilia dando (lá ele) um conselho aos amigos tricolores. Façam urgentemente um curso de línguas, pois no clássico de domingo a madeira vai gemer em 18 idiomas e 26 dialetos. E só Willian Pica Pau Henrique sabe falar a língua dos anjos e dos 600 DEMÔNHOS.

Amém.

SOB O SIGNO DA LIDERANÇA

setembro 11, 2014

 

O ponteiro do relógio não marcava nem 21h, quando este rouco e incansável locutor decidiu ultrapassar as catracas do Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental BARRAQUISTÃO. Os refletores ainda estavam apagados e o estádio completamente vazio, tanto literal quanto simbolicamente. Prevalecia um infame incômodo, proveniente não apenas da vergonhosa posição do time no campeonato. Era algo muito mais grave. Não havia torcida. E pior. Lá também não estava meu amigo João Sampaio, com quem frequentei aquelas arquibancadas nas últimas décadas.

Porém, depois de algumas fracassadas tentativas, havia decidido finalmente encarar e superar este difícil luto. É fato que eu já tinha visto uns jogos depois que ele se foi, mas este seria o primeiro depois desta complexa decisão. Desde sempre éramos uma dupla, desta que se forma por mágica, quando um gritava e xingava o árbitro, o outro orientava o time e vice-versa. A partir de agora, ou melhor, de ontem, eu tinha que aprender a ser só.

Felizmente, eu não estava só. Além de alguns amigos, que sempre encontro na tradicional esquina da zuada, contamos com a volta de Escudero.

Putaquepariu a categoria!!!

É impressionante como este rapaz sabe do jogo. Não é um craque formidável, não é um atacante matador, muito menos tem aquele brilho faiscante que encanta torcidas. Nada. Ou melhor, tudo. Ver Escudero em campo é como ouvir chorinho: sabemos que nada de mal vai nos acontecer. Ele joga e faz o time jogar por (boa) música.

E ontem não foi diferente.

Após chegar de uma longa viagem internacional (sorry, periferia), soube que o time Vitória estava praticando um futebol mais incompreensível do que os discursos dos candidatos a presidente, pronunciamentos estes que parecem ser redigidos por Mangabeira Unger.

Mas derivo. Derivo e volto para dizer que minha canhota organizou meu baba. Driblou, marcou, chutou a gol e, principalmente, com sua inexorável e quase silenciosa liderança, passou confiança à equipe. Até este goleiro paraguaio, que me pareceu um tremendo mão de quiabo, sentiu-se mais seguro. (Um fato notável foi que o camisa 1 no final do jogo ajoelhou e agradeceu aos céus. Pela leitura labial, deu para perceber que ele disse assim: “Obrigado, Maomé, por mandar este Messias chamado Escudero para nos salvar”).

Quem também se salvou foi Nino. Deu uma ou duas bragas, mas fez uma partida digna, assim como a deficiente zaga, que superou suas incríveis limitações. O resto do time (exceto Juan, que tem uma vontade louca de sempre  enojar o baba) cumpriu sua função, com mais ou menos brilho. Ah, sim. Vale um menção especial para Richarlyson, que abandonou sua estranha mania de dar toquinho para o lado e assumiu suas responsabilidades de coadjuvante de Escudero.

Enfim, mais do que a liderança do returno (sim, rebain de miseras, somos um dos líderes do returno), o triunfo sobre o Internacional restitui algo de sagrado ao time: a confiança de que é possível fazer diferente.

Então, é isso. A diferença para o G4 agora são de apenas 15 pontos. Recomendo a Corinthians e outras carniças que comecem a dançar com a bunda na parede pois a banda agora tem maestro que bota pra vê tauba lasca ni banda.

 

P.S.1 Por falar em madeira, digo apenas o seguinte para meus amigos sardinhescos: segure em minha laterna e balance, rebain de sacanas. Vão abanar seu carvão molhado, pois sou líder do returno.

P.S.2 E o coitado do Neto Coruja. A galera ontem no estádio estava dizendo que ele machuca mais do que Will. Vocês que são entendidos deste negócio, é isso mesmo?

 


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