O ANO (FINALMENTE) COMEÇOU

maio 24, 2016

Chega de mistificações. Neste grave momento da nação, mais do que nunca, faz-se mister falar algumas verdades que salvam e libertam. Assim, começo a mais esperada, abalizada, vilipendiada e aliterada homilia do Norte e Nordeste de Amaralina trazendo à baila o seguinte e inoxidável axioma.

Recebam.

Ao contrário do que pensam os incautos, o ano na Bahia não se inicia depois do Carnaval. Não e nécaras. Isto é uma das tantas culhudas proferidas pelas bahiatursas da vida para enganar turistas, otários e afins. Nesta província lambuzada de dendê e de exclusão, o calendário só tem início efetivo quando o Vitória começa a jogar bola. O resto é entressafra. E, como neste domingo, diante do Corinthians, o Leão praticou algo parecido com o Ludopédio, já se pode afirmar sem medo de errar: o ano, finalmente, começou. Atenção, hereges, acertem os ponteiros dos relógios, pois estamos em 2016. Pode vibrar, torcida brasileira!

É fato que o ano não começou sem sobressaltos. O setor direito da equipe (a direita sempre querendo me lenhar) tentou de todos os modos entregar a rapadura ao inimigo. Porém, logo na sequência, Leandro Domingues mostrou porque, mesmo capenga, ainda merece o título de SANTO. Driblou 18 DEMÔNHOS do time adversário e mandou a criança chorar no cantinho esquerdo. Já íamos soltar fogos para saudar a chegada do novo ano, quando a direita voltou a assombrar, abrindo as pernas para os poderosos sudestinos.

Como é público e notório, esta época de passagem é sempre um período de promessas. E se tem promessa, tem dívida. Foi assim que o Corinthians sofreu um gol duvidoso, alguns dizem roubado, mas, se foi roubado, apenas ocorreu a reparação de uma dívida histórica.

Mas derivo. O que eu queria mesmo dizer neste início de ano é o seguinte. Depois de me raciocinar todo e (re) ver e analisar 1.372 vezes o lançamento para o terceiro gol do Vitória diante do Corinthians, cheguei à óbvia conclusão de que os graves problemas & impasses de Pindorama podem ser resolvidos.

Como assim? Basta colocar Leandro Domingues na Presidência. Afinal, o cara que é capaz de fazer um lançamento daquele naipe, consegue tranquilamente executar tarefas menos complicadas, como a reunificação do país e outras mumunhas.

AMÉM?

EU ACUSO: VICTOR RAMOS JOGOU DE FORMA ILEGAL

março 27, 2016

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice”.

Conforme é de conhecimento da culta e poliglota torcida Rubro-Negra, esta sentença acima, proferida pelo imenso Émile Zola, no libelo j’accuse, significa exatamente “meu dever é falar, não quero ser cúmplice”.

Pois muito bem. Neste exato momento, noves fora a falta de talento, sinto-me igual ao escritor francês. Não posso ser cúmplice com meu silêncio. Então, eu acuso. No jogo deste sábado contra o Flamengo de Guanambi, o zagueiro Victor Ramos jogou de modo não só ilegal, irregular, mas imoral.

E, apesar de saber que contarei com a oposição de muitos amigos, não posso trair minha consciência. Sei que alguns poderão colocar em xeque até mesmo minha opção clubística, mas o momento requer, acima de tudo, uma análise isenta. Então, repito e acrescento.  O zagueiro Victor Ramos jogou de modo não só ilegal & imoral, mas também, porque não dizer, sobrenatural.

Sim, amigos de infortúnios, só mesmo as forças ocultas para explicar uma atuação daquela. O sujeito parecia que estava possuído. Antecipou-se em 974 jogadas (sim, eu contei), saiu jogando com categoria, deu firmeza à zona do agrião e ainda foi azucrinar a zaga adversária. Um assombro deste só pode ter sido uma ilegalidade.

Aliás, é bom registrar, a culpa não foi só do referido. O time todo foi cúmplice. O menino Leandro Domingues, então, deu uns dribles de corpo que nem o maior contorcionista dos integrantes do Circo de Soleil conseguiria. Se aquilo também num é algo ilegal, eu já num sei mais o que é. E Marinho? Repito. E Marinho? O que foi aquilo? Aquelas arrancadas, aqueles piques deixariam até Ben Johnson dopado com vergonha. E existiram diversas outras irregularidades que a pressa (e a ressaca, principalmente esta) não me permitem agora relatar.

Portanto, encerro esta breve e ressaqueada homilia fazendo coro às viúvas chorosas de itinga e à imprensa escrota que querem punir o Vitória. Realmente, a partida deve ser anulada. Aliás, pior. Diante deste quadro que relatei, acho mesmo que o Leão tem que perder os pontos, ser expulso de todas as competições, pois o que aconteceu foi algo muito desproporcional, ilegal, imoral e o caralho aquático.

Agora, por fim, apenas um conselho às sardinhas. Comecem a dançar com a bunda na parede, pois se o Rubro-Negro voltar a repetir a atuação de ontem, e voltará, a madeira vai gemer em 18 idiomas.

DIA 13 EU VOU!!!

março 10, 2016
Peço licença aos sensatos, cartesianos, moralistas, ponderados, legalistas e até muitos esquerdistas que, sempre com medo do enfrentamento, estão me aconselhando a não sair de casa no próximo domingo, dia 13. Agradeço pela preocupação e por vossas sábias recomendações, porém, uma vez mais, guiar-me-ei (chupa, Jânio Quadros) pela paixão juvenil. E estarei no pé da obra pronto para o bom combate.

 

Óbvio que, apesar da paixão juvenil que me move, não sou menino. Sei que os que estão do outro lado da trincheira, alguns até meus amigos, serão maioria absoluta. E sei também que eles sempre tiveram o apoio da justiça, da escrota imprensa (especialmente dela) e de grande parte dos poderosos de plantão. Pouco importa. Repito. Estarei no pé da obra pronto para o bom combate.

 

E quando friso bom combate é para deixar claro que não estou com a visão obnubilada. Sei perfeitamente que alguns de nossos líderes cometeram e cometem erros. Aliás, se alguém disser que nosso principal líder era para estar na cadeia, mesmo não sendo punitivista e achando que ainda não se tem provas cabais, não teria mais outros tantos argumentos para defendê-lo. Sim, até porque nosso presidente, infelizmente tenho que chamá-lo assim, já foi acusando de estar envolvido em algumas supostas tenebrosas transações.

 

Contudo, o que eu acredito mesmo é que estamos numa batalha importante. Sim, amigos, fato que ainda não é a decisiva,  mas é uma peleja onde não se pode titubear. Não podemos cometer o erro de deixar eles ganharem no grito, mesmo quando eles efetivamente foram derrotados, a exemplo do que tá ocorrendo agora. Afinal, nós somos os atuais vitoriosos, mas eles é que estão tirando esta onda toda.

É fato que a situação já foi muito pior. Na época da ditadura, por exemplo, só tomávamos porrada. Vencemos quase nada. Até mesmo logo depois da redemocratização a madeira continuou gemendo. Só depois é que conquistamos uma certa hegemonia, mas nada que nos conceda o direito ao comodismo. Ao contrário. O momento atual é crítico e temos que estar atentos e fortes.

 

E, apesar de saber que estamos num instante crítico e instável, ou talvez exatamente por causa disso, é que estou disposto a enfrentar todos os riscos. Assim, logo cedo, pegarei minha bandeira e, por becos, bares, ladeiras e vielas, bradarei o velho grito de guerra sem medo de ser feliz: NEGOOOOOO, NEGOOOOOO.

 

É isso. Neste domingo, no jogo diante das sardinhas na Fonte Nova, não cabe vacilação. Pra cima deles, Vitória.

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P.S Ah, sim, me falaram agora que no dia 13 ocorrerão outras coisas aí, mas aqui, nesta impoluta tribuna, só tratamos de temas relevantes para a nação.

QUEM BEM FEZ FOI LEANDRO DOMINGUES

fevereiro 22, 2016

Na ensolarada e inconsequente manhã dominical, sou parado na briosa feira do fim de linha do Nordeste de Amaralina por aquele tipo de personagem que nunca vi de chapéu nem de vista, mas que é meu amigo desde sempre, sabe um monte de coisas sobre minha vida, inclusive que, logo mais, à tarde, estarei me martirizando no Barradão para testemunhar a peleja entre Vitória x Jacobina. E assim, sem dar boa tarde nem bom dia, ele já larga logo.

– Quem bem fez foi Leandro Domingues.

Para dialogar com este tipo de personagem que só se encontra na briosa feira de fim de linha do Nordeste de Amaralina não se pode demonstrar espanto. Não cabe perguntar “como assim?”. É preciso muita catilogência. Então, depois de me raciocinar todo, respondo a esta questão enigmática com uma pérola da filosofia moderna.

– É verdade.

Após ouvir meu abalizado comentário, ele prossegue, com a voz triunfante.

– Então, quem bem fez foi Leandro Domingues.

Como eu não poderia recorrer novamente ao mesmo axioma anterior, inovei.

– É fato.

Vendo que estamos na mesma sintonia, ele deslancha.

– Pois é. Quem bem fez foi Leandro Domingues (quem aguenta uma porra de uma repetição desta com o sol inclemente azucrinando o seu resto de juízo?) que inventou uma dor na coxa para nem aparecer lá. Só o cara sendo muito otário para gastar seu tempo num negócio sem futuro.

Havia uma verdade implacável naquela sentença, mas este rouco, cansado e cabeludo locutor é insistente. E otário. E vou ao Barradão. Porém, quando a bola começar a rolar (rolar é um modo carinhoso de falar, pois a disgramada pulava mais do que uma guariba, maltratada por aqueles pernas-de-pau) não consigo prestar atenção no jogo.

Os maledicentes, não sem razão, vão dizer que meu alheamento, meu olhar perdido, minha desconcentração, é consequência das canjebrinas e das ressacas ancestrais. Também. Contudo é mais do que isso. Eu não conseguia prestar atenção no jogo, pois ficava martelando em minha mente a frase fatal do meu eterno amigo do fim de feira: “negócio sem futuro”.

E a bola, vá lá, rolava e eu derivava, pensando quantas vezes tentamos prolongar um casamento falido, achando que ele irá se reacender, que das cinzas surgirão novas brasas. E assim, mesmo tendo a certeza de que é algo sem futuro, prolongamos uma dor, aliás, nem dor é, uma sensação de vazio, de esperança vazia e vã, por um tempo infindo. Porém, não há mais amor, só o desejo/medo de que não termine. E assim adiamos. E tudo se degrigola, fica sem sabor. E se, um dia, não damos um basta definitivo, viveremos ad eternum prisioneiros desta covardia.

Mutatis mutandi, o mesmo se aplica ao brioso campeonato baiano. Depois de muito relutar e prolongar o vazio, ontem, pela primeira vez depois de séculos, sucumbi à tese de que é imperioso acabar com os torneios estaduais. E é bom que façamos isso enquanto a gente ainda acredita que ama os referidos.Afinal, sempre chega  uma hora em que é inútil tentar prolongar o vazio.

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NÃO É APENAS RESSACA

 

O VERÃO DA DEMOCRACIA RUBRO-NEGRA

dezembro 21, 2015

Era 20 de dezembro, véspera de verão, a estação da luz. Sem combinação prévia, em um daqueles impulsos juvenis impossíveis de serem contidos, um bando de jovens insensatos e insanos, que morava/perambulava por Nazaré, Mouraria, Tororó e adjacências no glorioso e temerário ano de 1985, decidiu pular o profundo fosso que separava o inatingível gramado das maltratadas arquibancadas da velha Fonte Nova.

Era 20 de dezembro, véspera de verão, a estação da luz. A princípio, tudo aquilo parecia uma obscura temeridade. E, quando os primeiros se atreveram a fazer a perigosa travessia, muitos olharam de soslaio, recriminando aquele ato que parecia inconsequente.

Era 20 de dezembro, véspera de verão, a estação da luz. E nós, utópicos, mesmo diante da descrença da maioria, achávamos que era possível estar perto de nosso Clube. Sim, acreditávamos que podíamos rasgar aquela linha invisível e intangível que sempre nos separa de nossos sonhos.

Era 20 de dezembro, véspera de verão, a estação da luz. E já não éramos mais apenas uns, e sim muitos. E pouco tempo depois, a nossa ousadia de enfants terribles contagiou a massa. E uma multidão incalculável se juntou a nós, cercando as quatro linhas do campo. E invadimos o estádio, a cidade, a Bahia, o mundo, e vibramos juntos com Ricky, Bigu, Ivan & companhia ilimitada. E foi a primeira vez que tive a sensação de pertencimento em relação ao Esporte Clube Vitória. Ali, misturados com os heróis do título de 1985 e muitos outros heróis anônimos, percebíamos/sentíamos que o Clube nos pertencia.

 

Pois muito bem.

Passaram-se inúmeros 20 de dezembro, muitos outros verões e continuamos a amar. Porém, era aquele amor em que o cansaço estava vencendo o cio, faltando um pedaço. Parecia pleno, mas não recíproco, carecia de um sentimento fundamental: pertencimento.

Contudo, desistir, nem desesperar, jamais. E seguimos lutando per seculae seculorum contra forças muito mais poderosas do que aquela tinhosa Catuense que derrotamos na década de 80.

No início, éramos bem poucos, muitos menos do que os jovens que começaram a histórica invasão do gramado naquela peleja ancestral. Entretanto, sabíamos que um dia chegaria outro 20 de dezembro, véspera do verão, a estação da luz, com muito mais Rubro-Negros dispotos a fazer a travessia.  E ele, o verão da democracia rubro-negra, finalmente, chegou.

É verdade que alguns românticos podem sentir falta do heroísmo de antanho. Afinal, em vez de saltar o fosso da velha Fonte Nova e correr da polícia, estávamos confortavelmente instalados no asséptico e insosso espaço lounge do que hoje se chama Arena. Contudo, sonhos não precisam obedecer a geografias.

E, neste 20 de dezembro, véspera de verão, a estação da luz, nós, utópicos, mesmo diante da descrença da maioria, provamos que é possível estar perto de nosso Clube. E, juntos, rasgamos definitivamente a terrível linha invisível e intangível que sempre nos separou de nossos sonhos.

A partir de agora, não é mais véspera, já é verão para os Rubro-Negros. O eterno verão da democracia. Acabou-se o fosso. O Vitória e sua torcida se pertencem.

COMPROMISSO INADIÁVEL COM A DEMOCRACIA

dezembro 19, 2015
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Foto: Eduardo Martins. Agência A tarde

Amigos,

Neste domingo, a partir das 9h, na Fonte Nova, o Esporte Clube Vitória dará um passo fundamental para se transformar em uma instituição democrática. Finalmente, depois de superarmos diversos obstáculos, teremos a tão aguardada Assembleia Geral para mudança do estatuto, que estabelecerá as eleições diretas para presidente.

Quis o destino que a data que entrará definitivamente na História do nosso clube tenha caído exatamente no dia dedicado à comemoração da bondade. Sim, o 20 de dezembro, nos calendários comemorativos, é o dia da bondade.

É fato que, a princípio, este substantivo feminino talvez não seja o mais apropriado para designar a conquista da democracia. Existem outras palavras que combinam muito melhor, a exemplo de determinação, luta e perseverança. Porém, quis o destino que fosse no dia da bondade. Então, assim será. Portanto, sem esquecermos a combatividade, que será fundamental para assegurarmos os avanços,  estaremos lá guiados também pela generosidade, que é prima carnal da utopia e de outros sonhos inadiáveis.

Afinal, não custa lembrar que foi com a generosidade e dedicação de muitos Rubro-Negros que conseguimos reverter um quadro tenebroso em nosso clube, ancestralmente dominando por uma oligarquia que se comportava como uma casta.

Para ilustrar, recordemos que, há pouco mais de cinco anos, falar em eleições diretas no Vitória era quase sinônimo de palavrão. Os que lutavam por democracia no Leão eram vistos como ingênuos ou, pior, tachados de oportunistas, seja por dirigentes que não queriam largar o osso ou por seus escrotos porta-vozes na mídia baiana.

Pois muito bem. Depois de diversas e  constantes batalhas, inicialmente nas arquibancadas e depois furando o cerco na imprensa, finalmente o tema conquistou, em definitivo, o coração e as mentes da esmagadora maioria da torcida. E até os antigos dirigentes foram obrigados a se pronunciar sobre o tema.

Fizemos história. Fizemos e faremos. Amanhã vai ser este marco inaugural de um novo tempo. E todos vocês que estiveram juntos tem o dever (e mais do que isso, o prazer) de celebrar esta fundamental conquista.

Nos vemos na Assembleia neste domingo histórico.

Saudações Rubro-Negras e Democráticas.

 

NÃO AO RETROCESSO!!!

outubro 9, 2015

Na última reunião do conselho deliberativo do Esporte Clube Vitória, no dia 25 de setembro, finalmente a comissão de reforma do estatuto apresentou a minuta do trabalho realizado nos últimos nove meses. O colegiado foi criado no final de dezembro de 2014 e tinha prazo de um semestre para concluir o serviço. Portanto, houve um atraso de três meses.

Porém, não ficou restrito a isso. É fato que projeto contém avanços, mas há também alguns problemas. A propósito, Felipe Ventin, professor universitário de Direito, fez uma análise do mesmo, apontando uma série de equívocos, imprecisões e lacunas.  Logo abaixo reproduzirei alguns trechos do minucioso trabalho efetuado pelo advogado. Antes, porém, quero chamar a atenção dos amigos Rubro-Negros para uma VERDADEIRA TENTATIVA DE GOLPE, um balão de ensaio lançado pelo atual presidente do conselho deliberativo, Zé Rocha.

Seguinte.

Em entrevista concedida ontem ao Site Bahia Notícias, ele defendeu  a ESTAPAFÚRDIA e elitista proposta de que só podem ser candidatos a presidente quem faz ou já fez parte do conselho.  Traduzindo: a ideia de Zé Rocha é criar uma casta onde só os mesmos de sempre possam continuar a ter  voz e vez nos destinos do Vitória. É a perpetuação da insensatez.

Porém, a torcida Rubro-Negra, que tem lutado firmemente em prol da democratização do Clube, não vai aceitar nem permitir nenhum tipo de retrocesso. Mais do que nunca, estamos atentos e vigilantes para impedir estas e outras tenebrosas manobras. Aliás, a proposta atual precisa é ser aperfeiçoada. Eis algumas sugestões apresentadas pelo professor de Direito e advogado Felipe Ventin.

 

Foto: Eduardo Martins. Agência A tarde

Foto: Eduardo Martins. Agência A tarde

CATEGORIA DE ASSOCIADOS

O novo Estatuto deveria esclarecer definitivamente o que são os associados contribuintes e patrimoniais. Há muita vagueza na definição e condição desses sócios. Como se tornar sócio contribuinte e patrimonial? De maneira lacônica, preceitua o novo Estatuto:

Art. 5º – Poderá ser admitido como associado do Clube, com aprovação do Conselho Diretor, a pessoa física que desejar, por manifestação expressa, preenchidas as condições estatutárias e regulamentares do Clube. Parágrafo Único – O Conselho Diretor apreciará e decidirá sobre o requerimento no prazo de até 60 dias.

Que condições gerais e estatutárias são essas? Vejam também a vagueza do art. 6, §3º:

Art. 6º, § 3º – Para ser admitido como Sócio-Patrimonial, o candidato deverá adquirir o respectivo título e preencher os requisitos gerais.

Que requisitos gerais são esses? Afinal, quem são os sócios patrimoniais? Isso sempre foi um mistério.

Há ainda um denominado CAPÍTULO III, intitulado DA ADMISSÃO E READMISSÃO DO SÓCIO. Notem como o art. 14 desse capítulo é igualmente lacunoso e impreciso.

Art. 14 – São condições para ingresso no quadro de associados do VITÓRIA, além do compromisso de ser fiel e preciso nas declarações prestadas, obrigar-se o candidato a todos os preceitos constantes deste Estatuto, quais sejam:

  1. Adquirir o título de sócio ou associar-se aos programas de fidelidade do VITÓRIA;
  2. Gozar de boa conduta;

Como adquirir o título de sócio? Programa de fidelidade, OK, que é o SMV. E afinal, do que se trata essa boa conduta? Quem julga esse conceito subjetivo e moral?

MANIFESTAÇÃO POLÍTICA

O art. 9º, IV determina que “são deveres do associado, independentemente de sua categoria abster-se de manifestação de natureza política, racial, de gênero, religiosa ou classista, nas dependências do VITÓRIA”;

Acredito que manifestações político-partidárias não sejam bem-vindas, mas o conceito de política é muito mais amplo que isso. Como impedir que nos manifestemos em favor da democracia, que é uma típica manifestação política? E para condenar eventuais atos racistas ou homofóbicos no clube ou no futebol? Nos calaremos? Acho uma mordaça desnecessária.

ADVERTÊNCIA VERBAL

O art. 10, inciso I prevê uma penalidade bastante perigosa que é a advertência verbal.

Art. 10 – O associado que infringir as disposições deste Estatuto, do Regimento ou dos Regulamentos Internos do VITÓRIA estará sujeito às penalidades seguintes, de acordo com a natureza da infração:

  1. Advertência verbal;

Porém, o absurdo mesmo é quem poderá aplica-la, vejam só:

  • 1º – A Advertência verbal poderá será aplicada por qualquer dos membros dos Conselhos Deliberativo, Diretor, ou Fiscal, ao associado que cometer infração considerada de pequena significância e sem maiores repercussões na convivência e disciplina. A advertência verbal será anotada no prontuário do advertido.

Trata-se de medida bastante ditatorial, que estimula a concentração de poder na mão dos dirigentes, que poderão censurar condutas dos associados que eles julgarem inconvenientes.

A advertência verbal é perigosa também pois não é documentada, não há contraditório, ampla defesa. Há também uma grande imprecisão no conceito de “infração de pequena significância”. O que vem a sê-la? E se essa infração não tem maior repercussão na convivência e disciplina, por que ela é infração? Aonde estão tipificadas tais infrações?

 

DIVULGAÇÃO DA LISTA DE SÓCIOS

A lista de sócios não deve ser divulgada apenas quando do edital da Assembleia, conforme disciplina o art. 23, parágrafo único.

Art. 23 Parágrafo Único – Na mesma data da publicação do Edital, deverá ser divulgada, no site do Clube e na sede administrativa, a lista de sócios atualizada, identificando-se os sócios aptos a exercer o direito de voto, sob pena de nulidade do ato convocatório.

A lista de sócios deve ser permanentemente divulgada, devendo ela estar sempre disponível e atualizada no site oficial do clube, conforme preceito da Lei Pelé (Lei 9.615/98 – art. 18-A, inciso VIII).

Art. 18-A.  Sem prejuízo do disposto no art. 18, as entidades sem fins lucrativos componentes do Sistema Nacional do Desporto, referidas no parágrafo único do art. 13, somente poderão receber recursos da administração pública federal direta e indireta caso:

VIII – garantam a todos os associados e filiados acesso irrestrito aos documentos e informações relativos à prestação de contas, bem como àqueles relacionados à gestão da respectiva entidade de administração do desporto, os quais deverão ser publicados na íntegra no sítio eletrônico desta.

 

COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO

 

O novo Estatuto ainda prevê a retrógada figura do Conselheiro Nato.

 

Art. 26 – O Conselho Deliberativo é o órgão superior representante do quadro de associados, e compõe-se de membros natos e eleitos.

 

  1. São membros natos do Conselho Deliberativo os ex-presidentes do Conselho Deliberativo e do Conselho Diretor.

Quanto aos elegíveis, são eles

  1. Os associados contribuintes efetivos;
  2. Os associados patrimoniais;
  3. Os associados torcedores titulares;

Há um pequeno erro no art. 26, inciso II, alínea “a”, pois o novo estatuto não mais prevê várias subcategorias de associados contribuintes. No estatuto anterior os associados contribuintes realmente eram divididos em efetivos, temporários e infanto-juvenil.

E afinal, quem são esses associados contribuintes? Os conselheiros? O Estatuto precisa deixar clara essa categoria de associado.

CONSELHO DIRETOR

O art. 34 prevê Presidente e Vice-Presidente do Conselho Diretor (que são conhecidos popularmente como Presidente e Vice-Presidente do Vitória) remunerados.

Porém, prevê 5 cargos inominados (membros do Conselho Diretor) sem remuneração. Qual a função deles? Quais suas atribuições? Dar pitaco? Ou seja, o Conselho Diretor (uma espécie de Conselho de Administração do Vitória) será composto do total de 7 membros, com mais de 36 meses de associação. Acho o número excessivo. Bastariam no máximo 5 membros, sendo dois deles o Presidente e o Vice-Presidente.

O novo estatuto previu apenas vacância do cargo de presidente. Caso ele renuncie, o Conselho Deliberativo elege indiretamente um novo Presidente. E caso os demais integrantes do Conselho Diretor renunciem? O que acontece? Nada foi previsto.

DEMAIS OBSERVAÇÕES

O Estatuto tem que prever o afastamento imediato e inelegibilidade, pelo período de, no mínimo, cinco anos, de dirigente ou administrador que praticar ato de gestão irregular ou temerária, conforme exigência do art. 4º, inciso VIII da Lei Federal nº 13.155/2015 (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte – LRFE).

Seria interessante deixar claro no Estatuto que devem ser também inelegíveis o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins até o 2o (segundo) grau ou por adoção do presidente do Conselho Diretor, na ocasião de findado o seu mandato, conforme exigência do art. 18-A, §3º, II da Lei 9.615/98, alterada pela Lei 12.86/2013. Evitar o nepotismo.

Não há nenhum critério para a remuneração dos cargos de Presidente e Vice-Presidente do Conselho Diretor, bem como os 7 Superintendentes Executivos Subordinados, que serão os cargos remunerados do Vitória. É uma boa sugestão a se fazer. Constar no Estatuto qual o salário ou índice de referência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O novo Estatuto, com alguns ajustes a serem feitos, parece contemplar a pauta principal de reivindicações do movimento Vitória Livre, do qual tenho orgulho de fazer parte, composta dos seguintes itens

1) ELEIÇÕES DIRETAS para os cargos de Presidente e Vice-Presidente do Conselho Diretor e também para o Conselho Deliberativo.

2) COMPOSIÇÃO PROPORCIONAL do Conselho Deliberativo à votação alcançada por cada uma das chapas concorrentes;

3) REDUÇÃO do número de cargos no conselho, que é atualmente de 450.

4) DEMOCRACIA SEM TRAVAS para que o único requisito para elegibilidade a todos os cargos do clube seja apenas o tempo de associação, que deverá ser votado em assembleia.

5) MANDATOS DE 3 ANOS com possibilidade de apenas uma reeleição.

6) DOIS TURNOS nas eleições para o cargo de Presidente na hipótese em que nenhum dos candidatos alcance 50% dos votos válidos.

7) PROFISSIONALIZAÇÃO com remuneração dos cargos diretivos e regime de dedicação exclusiva.

8) TEMPO DE CARÊNCIA para evitar que pequenos atrasos na renovação do Sou Mais Vitória impeçam a continuidade na vinculação ao plano, devendo o prazo ser decidido em assembleia.

9) PUBLICIDADE para que a relação de sócios deva estar sempre disponível e atualizada na página oficial do clube;

10) ACESSO À INFORMAÇÃO, devendo as atas e prestações de contas ser acessíveis aos sócios, com publicação de Demonstrações Financeiras anuais até março do ano seguinte e auditoria contábil feita por firma multinacional, idônea, e reconhecidamente competente”.

OS MOTIVOS DO SILÊNCIO

outubro 6, 2015

Por que o brioso locutor do Norte e Nordeste de Amaralina ainda não largou as tradicionais prosopopeias sobre o clássico cartão de crédito, o popular Visa, Vitória x sardinha?

Esta fundamental e inquietante pergunta ressoou, insistentemente, desde a noite do dia 3, também conhecido como sábado da brocança, nos becos, bares, ladeiras, vielas e outros lugares mais ou menos insalubres desta província lambuzada de dendê, exclusão, olés e goleadas.

E, como sói acontecer nestes graves momentos da nação, surgiram os mais variados e insensatos boatos. “Aquele puto ainda tá bêbado”, gritou um. “Deve estar é possuído por outras substâncias não recomendadas pela carta magna”, asseverou outro. “Com certeza tem mulher no meio”, vociferou a indignada moça do shortinho gerasamba.

Para acabar com a balbúrdia e os mexericos, informo logo o motivo de tão obsequioso silêncio: foi algo muito mais transcendental. Uma dúvida de ordem ético-política.

Seguinte.

Conforme é de conhecimento da Bahia e de uma banda de Sergipe, em toda a minha vida querida, que num é nenhum mar de rosas, sempre estive em lado oposto ao truculento carlismo. Porém, neste instante, sou obrigado a reconhecer um mérito dos canalhocratas.

Alguns maledicentes podem até dizer que estou fazendo uma média porque apareceu esta foto minha (mesmo que minúscula) na capa do correio da bahia.

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Porém, em verdade vos asseguro. O motivo é outro. Vou fazer uma autocrítica em reconhecimento a Antonio Imbassahy. Afinal, ele fez uma das mais espetaculares obra de drenagem do Brasil, ali no Largo Dois de Julho, conhecido popularmente como Campo Grande.

Para que os senhores tenham idéia da magnitude do trabalho, basta destacar que, desde a noite de sábado, o local tem sido vitimado por um chororô dos seiscentos demônhos sem que se tenha notícia de qualquer alagamento. O pé do caboclo tem resistido admirável e bravamente. Um espanto.

Bom, feito o necessário mea culpa, vamos ao gramado da velha Fonte Nova. Aliás, a drenagem lá tá boa também, pois a choradeira começou nas quatro linhas.  E olhe que, no início da peleja, parecia que o time da região metropolitana de lauro de freitas estava querendo recuperar o clássico, depois que a dignidade foi perdida desde aquele INOLVIDÁVEL 7X3 http://impedimento.org/requiem-para-um-classico-cronica-de-uma-caxirolada-anunciada/.

Porém, como diria o filósofo Márcio Greyck, eram aparências, nada mais. Logo após a presepada inicial, eles se acovardaram novamente. E o Vitória meteu 3, como poderia ter feito mais. Além da tristeza de perceber que não existe mais a rivalidade por causa da pusilanimidade da outra equipe, fiquei retado também porque perdi o bolão. Botei 8 x 1  – e o Leão me faz aquela desfeita de ficar só dando olé e etc e coisa e tals.

Apesar de o adversário ser desqualificado, foi possível ver que o Rubro-Negro tá evoluindo, especialmente depois que EscuDEUS voltou a praticar e ensinar o ludopédio em 19 idiomas. O miserávo bate na bola como se estivesse com um taco de sinuca no pé. Toda hora é uma pancada seca e certeira que paga o ingresso.

Aliás, por falar em ingresso, 80 reau é sacanagem. Inclusive, um amigo escroto disse que tal preço tem uma explicação. “Rapaz, isto aqui num é casa de praia, nem de veraneio. É brega. A gente paga este valor alto, mas fode as misérias”.  

Na verdade, ele não falou “misérias”, mas como este é um recinto de respeito, fiz uma edição. E também não quero nem vou tripudiar, pois num aguento mais escutar choro. Chispa, misera.

REUNIÃO DO CONSELHO E DEMOCRACIA*

setembro 24, 2015

Mais um jogo, mais uma ilusão desfeita, mais desculpas. A busca de culpados de sempre: volantes que não marcam, atacantes que não sabem fazer gol, zagueiros que falham na hora decisiva, goleiro que não sai do gol, “craque” que se esconde. E por aí vai, contratações absurdas e suspeitas, treinador teimoso que não sabe escalar o time, falta de esquema tático.

Mas o principal problema, a falta de transparência, seja financeira, seja administrativa, tem passado ao largo de toda esta “resenha”.

Passados mais de três meses da histórica mas, até então infrutífera Assembleia Consultiva, a resenha continua, assim como a falta de transparência e a falta de perspectiva de que o Sócio Torcedor do Esporte Clube Vitória passe a ser protagonista.

Mas nós, torcedores do ECV temos uma característica que nos identifica: a esperança, a capacidade de ficar de pé e acreditar.

Na próxima sexta-feira, 25/09, reunião do Conselho Deliberativo do ECV, convocado para tomar conhecimento da proposta de reforma do Estatuto.

Mais uma esperança que surge, mais uma expectativa de que o direito, que é nosso, de participar das decisões mais importantes, possa estar se aproximando.

A proposta a ser apresentada ainda não é conhecida. Mas, considerando que, entre os integrantes do grupo responsável pela condução da proposta de reforma, aqueles mais resistentes às mudanças, que coincidem com aqueles mais vinculados ao grupo que comanda o Clube há quase 10 anos, se afastou dos trabalhos para o qual foram designados, a esperança, ou pelo menos a torcida, é muito grande.

O torcedor, quando chamado a opinar na mencionada Assembleia Consultiva de junho, deu o seu recado.

O caminho rumo à democracia é inadiável, queremos nos ver representados na Direção e no Conselho de um novo Vitória.

Esperamos que a proposta de reforma atenda aos nossos anseios, esperamos também que os integrantes do Conselho demonstrem aquilo que propagam de forma tão veemente, que são verdadeiros rubro-negros. Que estejam em sintonia com os anseios já afirmados pelo sócio torcedor. Mas que entendam que não ficaremos só esperando. Somos os verdadeiros donos do Esporte Clube Vitoria. Chegou a hora! Seremos protagonistas!!

Queremos um Vitória grande,  queremos um Vitória campeão, queremos um Vitória Livre.

* Texto escrito por Claudio Lessa Paixão, torcedor e integrante do Conselho do Vitória

À ESPERA DE DOM SEBASTIÃO

setembro 19, 2015

Evitarei longas e delongas na explicação sobre o Sebastianismo até porque os cultos ouvintes rubro-negros que sintonizam nesta intimorata emissora sabem a história de cor e salteado. Não obstante, farei um breve resumo sobre o fenômeno apenas para não deixar órfãos alguns incautos que, de quando em vez, aportam nestas paragens.

Caneta e papel na mão, hereges? Então, anotem.

Seguinte. A referida chibança messiânica surgiu na segunda metade do século XVI, mais precisamente a partir do dia 4 de agosto de 1578, quando Dom Sebastião, então Rei de Portugal, bateu as botas na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos. Como ninguém tirou foto ou mesmo uma selfie com o corpo do defunto, os lusitanos começaram a acreditar na lenda de que o “herói” voltaria para salvá-los. E ilusão, amigos de infortúnios, é um bicho contagioso. Tempos depois, muitos brasileiros,  especialmente em nossa querida e sofrida Região Nordeste, passaram a vivenciar e propagar esta culhuda salvacionista.

Pois muito bem. Mutatis mutandis, o mesmo se aplica ao Rubro-Negro.

A impressão que tenho é que o Vitória vive a esperar eternamente uma espécie de um ente que seria uma mistura de Dom Sebastião com a Viúva Porcina. É como se estivéssemos a aguardar o salvador que foi sem nunca ter sido. Parece que lutamos sempre para olvidar que o futebol (e a vida, o que dá no mesmo) é um projeto coletivo.

É óbvio que precisámos de atletas  diferenciados, que liderem a equipe e etc e coisa e tals, mas não podemos jogar todas as nossas esperanças (e consequentes frustações) em uma só pessoa. E foi exatamente o que aconteceu, uma vez mais, na peleja de ontem, em Natal. Mesmo depois de o time (o coletivo) ter feito uma apresentação razoavelmente decente diante do Mogi Mirim, Mancini resolveu mudar e recorrer ao nosso moribundo dom sebastião de plantão, que atende pelo nome de Escudero. E, no trágico empate diante do ABC, o time ficou mais capenga do que o argentino.

Calma, minha comadre, não precisa me xingar. Eu, que pratico e ensino o ludopédio em 18 idiomas, sei que o argentino é, de longe, o melhor jogador deste elenco. Aliás, não só deste. Em 2013, em nossa melhor campanha na era dos pontos corridos, ele teve participação fundamental.

Reconheço também que nossos infortúnios no ano passado decorrem, em boa parte, de sua ausência. Porém, volto a  repetir. Temos que ter sempre em mente que futebol é coletivo. E a verdade é que, desde a peleja contra o Santa Cruz (quando se machucou novamente), o dono da camisa 11 não mais se recuperou. E colocá-lo açodadamente não vai resolver nossos problemas. Ao contrário. A não ser que queiramos ficar ad infinitum colocando nosso destino nas mãos, digo, nos pés de uma só pessoa. E tal dependência, a história nos mostra cotidianamente, é tão ilusória quanto a volta de Dom Sebastião.


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