AGOSTO: O MÊS QUE NUNCA TERMINA

setembro 2, 2015

Com seus cálculos sempre infalíveis, alguns cartesianos podem até tentar demonstrar que já estamos no mês de setembro. Em vão. Quem viu a horrível peleja (mais uma) entre Bragantino x Vitória sabe que agosto ainda não acabou. Aliás, no Rubro-Negro, parece que agosto é igual ao ano de 1968: nunca termina.

(Amanhã, caso consiga me livrar deste gosto insano de bota de sargento no canto da boca, continuarei a resenha. Agora, 3 e caqueirada da madrugada, vou dormir, pois ganho muito mais do que gastar meu precioso sono falando sobre a infâmia)

INCONFORMISMO: A DOENÇA INFANTIL DOS RUBRO-NEGROS

setembro 1, 2015

Hoje à noite, contra o tinhoso Bragantino, o Vitória entra em campo para defender a liderança do campeonato pela quinta rodada seguida. Tal feito pode parecer banal, mas não para um time que iniciou a competição sob o signo da infâmia, com umas aves de mau agouro falando até em rebaixamento.

Aliás, por falar em rebaixamento, a impressão que se tem é que o clube frequenta os subsolos da tabela. Nos becos, vielas, bares e outros lugares mais ou menos insalubres desta província lambuzada de dendê e de exclusão, os exigentes Rubro-Negros estão a bradar contra a equipe. No último jogo diante do Oeste, no Barraquistão, as vaias beiraram a estridência histérica.

E as reclamações não respeitam as fronteiras. Lá da insossa capital federal, onde pretendo fazer uma baldeação antes de ir a Goiânia orientar o time na próxima semana, o menino Pedro larga o doce em tom quase que filosófico. “Nossa liderança é o triunfo da mediocridade”.

Óbvio que é quase impossível discordar desta sentença, especialmente após as duas últimas e vexaminosas apresentações. E é fato que não devemos nos contentar com ouro de tolo. Precisamos cobrar da equipe que torcemos a prática, pelo menos, de algo parecido com futebol.

Porém, nos últimos dias estive me raciocinando todo e cheguei à conclusão de que não precisamos também ficar nos martirizando. Se é verdade que o time não tem praticando o fino da bola, não é menos verdade que estamos numa competição em que os outros 19 clubes tem jogado menos do que a gente. E outra. Esta conversa de que esta “Série B” é a mais fraca da história eu ouço desde que me entendo por gente – e isto lá se vão algumas décadas. Todo ano a segundona sempre recebe epítetos parecidos.

Então, resumindo esta prosa ruim, o que quero dizer é o seguinte. Se a equipe não tem nos empolgado para que saiamos em uma comemoração infinda, também não podemos, estando no topo da tabela, viver de eternos resmungos. O nosso ancestral inconformismo tem que estar a serviço de dias melhores – e não apenas da estéril reclamação. Nécaras.

Afinal, caso fiquemos sempre botando gosto ruim, neste incessante coitus interruptos, nunca poderemos chegar à consagração da trepada homérica. E mais. Enquanto esta não chega, curtamos os gozos cotidianos.

P.S Por falar em coisas boas, nesta quarta-feira, às 16h30, todos têm um compromisso inadiável com a HISTÓRIA. É hora de esquecer trabalho, trânsito ruim, problemas na família, o caralho aquático e ir apoiar os meninos do SUB-20 na luta pelo título nacional.

Quem num for é mulher de Marcos Feliciano e/ou amante de Malafaia

UMA RODADA EXEMPLAR

agosto 25, 2015

Caso minha vocação para  a infâmia fosse um tantinho assim maior do que já é, continuaria a usar os óculos de Dr. Pangloss, aquele que nos faz enxergar um mundo maravilhoso, e diria que esta primeira rodada do segundo turno foi uma beleza só. Até mesmo a derrota para o Sampaio Correia teve vantagens.

Primeiro, porque a equipe maranhense ultrapassou a sardinha, colocando-a de porteiro da zona, na vice-liderança do G-4. Além disso, a peleja serviu também para nos fazer (re) lembrar que temos um time meeiro, com apenas um jogador fora de série, que desequilibra: Escudero. Sem o bravo e genial argentino, o Leão não assusta quase ninguém. Portanto, urge e ruge que a diretoria deixe de xibiatagem e renove logo o contrato do sacrista até o ano de 2o57.

Outro alerta que foi fornecido pela rodada é que Kanivisky é aquilo mesmo que se esperava dele. Afinal, não há como apostar fichas num jogador que há num sei quantas temporadas é sempre oferecido. Aqueles passos pra trás que ele deu no gol do time maranhense são típicos de quem não tem a menor noção espacial. Perto dele, Guilherme Mattis, que é um zagueiro razoável, transforma-se numa mistura de Franco Baresi com Franz Beckenbauer.

Outra lição que se pode tirar desta rodada é que, mais do que nunca, é possível colocar a mão no caneco. Não há, até o momento, nenhuma outra equipe que queira realmente se apresentar como digna da conquista.

Por tudo isso, esta foi uma rodada exemplar. E, já que estamos nesta seara, hoje à noite, diante do Oeste, é hora ideal de o Leão dar o bom exemplo e confirmar a liderança.

COMO TUMULTUAR UM TIME*

agosto 21, 2015

“Liderar a Série B e abrir vantagem no G-4 são os desejos das torcidas dos 20 clubes participantes. Entretanto o sucesso momentâneo de um contraria interesses não apenas dos times concorrentes. É o atual caso do Vitória, cuja bonança cria embaraços para setores da mídia que o acompanham diariamente.

Isso tem menos a ver com preferência clubística do que com interesse comercial. Costuma acontecer em equipes que vivem um período positivo e sem grandes novidades. Para atrair e manter a fidelidade do público, surgem boatos, especulações e exageros. O mais fácil recurso para essa empreitada é divulgar supostas saídas de titulares. Entre realidade, ficção e desinformação, conseguem-se, sem muito esforço, uma novela e uma torcida ávida por detalhes.

Se a transferência não acontecer logo, o alvo muda-se para outros jogadores importantes. Reforçam o clima de insegurança a falta de transparência e a inoperância da respectiva diretoria nestes casos. Outros artifícios são instigar reservas insatisfeitos, sugerir indisciplinas e cogitar punições por perdas de pontos.

Equipe nenhuma permanece em alto rendimento durante todo um campeonato longo. Um declínio, ainda que breve, não deixa de ser natural. Mas o noticiário atraente não pode esperar. E causar tumulto é uma medida eficiente.

O modelo especulativo repete o manual básico das arbitrárias listas de candidatos quando um treinador está hipoteticamente ameaçado ou acabou de ser demitido.
É fundamental a retroalimentação da imprensa neste processo. Um veículo de comunicação – com evidências concretas ou não – publica uma história, e outros, sem averiguar as informações, a reproduzem. Assim, tomam corpo e parecem factíveis alguns exercícios de imaginação.

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O Bahia, que já sofreu campanhas midiáticas mais nocivas do que essas no passado, tende a provar novas doses quando se estabilizar no grupo de acesso à Primeirona.
No exemplo específico do Vitória, apesar da liderança da Segundona nas últimas três rodadas, existe um bocado de ponderações e críticas construtivas a serem feitas. O time evoluiu bastante, mas ainda tem diversos problemas.

Embora apresente números positivos na defesa, adversários cansaram de desperdiçar chances inacreditáveis.

Às vezes, parece haver uma dúvida entre se retrair para sustentar um resultado ou matar um jogo. E o Leão sofreu pressão desnecessária em partidas que estavam tranquilas.
É preciso também desenvolver alternativas ofensivas porque, além de oponentes superprotegidos defensivamente, os adversários estudam mais e tomam maiores precauções contra o time que encabeça a classificação.

O que deveria ser assunto constante, independentemente do desempenho em campo, é a modernização administrativa dos clubes.

O crescimento do futebol do Rubro-Negro e as protelações burocráticas abafaram as reivindicações por eleições diretas e melhora do seu estatuto. Entretanto, elas continuam. Antes do triunfo por 2 a 1 sobre o Santa Cruz, sexta-feira passada, na entrada do Barradão, um grupo coletou assinaturas de sócios-torcedores que apoiam esse movimento. Para a mídia, algo inoportuno”.

*Texto de Eliano Souza publicado no Jornal A TARDE desta sexta-feira, dia 21

FRASE DO DIA

agosto 20, 2015

Depois do Vitória brocar lindamente a Ponte Preta por 3 x 0 e o time da Região Metropolitana fazer uma gracinha diante do Cruzeiro, sacramentando a participação do Leão em mais uma final do Brasileiro Sub-20, a população do Norte e Nordeste de Amaralina desfilou pelo pacato bairro e pelas adjacências gritando o seguinte axioma. “A sardinha é minha escada: nada me faltará

FUTEBOL DE PRIMEIRA: NÃO É PROIBIDO SONHAR

agosto 16, 2015

Antes de começar a mais aguardada, abalizada, vilipendiada e aliterada resenha do Norte e Nordeste de Amaralina, devo, por compromisso com minha consciência, fazer uma confissão. Este cansado, rouco e realista locutor não possuía mais a esperança de testemunhar um bom futebol nas pelejas da segundona. Já estava conformado em ser apenas campeão, mesmo que praticando o ludopédio em um nível, no máximo, meeiro.

Humildemente, pensava que na vida, assim como no futebol (o que dá no mesmo), nem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana. Como diria o filósofo Benito de Paula: ou bem assoviava na praça ou chupava (lá ele) cana. Porém, na inolvidável noite de sexta-feira, no fechamento do primeiro turno, o Vitória me deu mais do que eu esperava: mostrou que não é proibido sonhar.

E a demonstração cabal de que a utopia era uma possibilidade ocorreu antes mesmo da bola rolar. Em vez de apostar na esforçada burocracia de Amaral, aquele jogador que não entende a vida sem dificuldade e transforma um simples passe num parto, Mancini teve a coragem de arriscar suas fichas na quimera da juventude. Sem poder contar com o instável Rogério e na falta do ausente Pedro Ken (um amigo costuma dizer que este sujeito parece estar eternamente pegando ritmo de jogo), o técnico decidiu formar a zona do agrião com os meninos David e Flávio.

E apostar, no caso, não é apenas uma figura de linguagem. Aos hereges que não acreditam em simbologia e acham que tudo foi apenas e tão somente fruto do acaso, lembro que o homem da casamata entregou o manto com o número 10 para David.

No entanto, o primeiro a brilhar foi o tão injustamente criticado Flávio. Seguinte. O juiz nem tinha apitado direito o início da partida e ele já estava fazendo um lançamento diabolicamente milimétrico para o imprescindível Rhayner. Pênalti. E saco. Escudero guardou com a classe que lhe é habitual. Pouco tempo depois, sem esperar nem eu ingerir direito a canjebrina na comemoração, o menino David fez um cruzamento milimetricamente diabólico na cabeça de Elton. Barbante.

O jogo já estava praticamente decidido, mas os guris não aquietavam o facho. Correria e categoria no volume 600. Ao perceber que ali, na direita do ataque do Vitória, finalmente, se praticava futebol, Escudero, que num é menino, deslocou-se para lá. E ficou regendo o setor com maestria. Foram 45 minutos de magia. Era tudo de PRIMEIRA. O Leão conseguia unir a vitalidade e o talento dos meninos da base com a genial experiência do raçudo argentino. Colírio para os cansados olhos rasos d’água deste emocionado locutor.

Dizem os inescrupulosos e insanos idiotas da objetividade que existiu um segundo tempo. Não acredito – até porque depois dos 45 minutos iniciais, não vi mais nada, pois, como bem disse o poeta Manoel Bandeira, os céus se misturaram com a terra e o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Tudo isto é verdade e dou fé. E líder, como todos sabem, tem fé pública.

 

P.S Esta homilia vai em homenagem aos Rubro-Negros Ana Cláudia, Luciano Santos (este último autor do livro sobre o BARRAQUISTÃO), que no sábado estavam em Cachoeira tomando banho de ARRUDA, e também para Mateus, Rodrigo e Juca que sonham & lutam por dias menos trágicos na maltratada questão ambiental na Bahia. 

AVISO À PRAÇA

agosto 15, 2015

Depois de séculos de choro e ranger de dentes, saí com muita alegria do BARRAQUISTÃO porque, finalmente, vi FUTEBOL.

A canjebrina e algumas substâncias não recomendadas pela Carta Magna impedem-me, neste momento, de largar as tradicionais prosopopeias sobre a peleja.

Além disso, agora, vou ali na Festa da Boa Morte, na briosa Cachoeira, tomar um banho de folha de ARRUDA para espantar o mau olhado.

Voltarei. Aguardem e confiem.

 

VITÓRIA LÍDER E LIVRE

agosto 13, 2015

MANIFESTO DO MOVIMENTO VITÓRIA LIVRE 

 

“O Vitória Livre, reiterando o anseio da torcida rubro-negra de que o Esporte Clube Vitória convoque o mais breve possível a Assembleia Geral para reforma do Estatuto, manifesta publicamente que lutará de todas as formas legais e democráticas cabíveis para que o novo documento contemple as seguintes propostas:

1) ELEIÇÕES DIRETAS para os cargos de Presidente e Vice-Presidente do Conselho Diretor e também para o Conselho Deliberativo.

2) COMPOSIÇÃO PROPORCIONAL do Conselho Deliberativo à votação alcançada por cada uma das chapas concorrentes;

3) REDUÇÃO do número de cargos no conselho, que é atualmente de 450.

4) DEMOCRACIA SEM TRAVAS para que o único requisito para elegibilidade a todos os cargos do clube seja apenas o tempo de associação, que deverá ser votado em assembleia.

5) MANDATOS DE 3 ANOS com possibilidade de apenas uma reeleição.

6) DOIS TURNOS nas eleições para o cargo de Presidente na hipótese em que nenhum dos candidatos alcance 50% dos votos válidos.

7) PROFISSIONALIZAÇÃO com remuneração dos cargos diretivos e regime de dedicação exclusiva.

8) TEMPO DE CARÊNCIA para evitar que pequenos atrasos na renovação do Sou Mais Vitória impeçam a continuidade na vinculação ao plano, devendo o prazo ser decidido em assembleia.

9) PUBLICIDADE para que a relação de sócios deva estar sempre disponível e atualizada na página oficial do clube;

 

10) ACESSO À INFORMAÇÃO, devendo as atas e prestações de contas ser acessíveis aos sócios, com publicação de Demonstrações Financeiras anuais até março do ano seguinte e auditoria contábil feita por firma multinacional, idônea, e reconhecidamente competente.” 

 

P.S Amanhã, a partir das 17h30, estaremos no portão de acesso ao SMV PRATA recolhendo assinaturas dos sócios que acreditam nesta luta fundamental.

LIMÕES A SERVIÇO DA LIMONADA

agosto 12, 2015

No antigo Porto da Barra – quando existiam pedras portuguesas e Grampinho, o prefeito lenhador, ainda não tinha decepado as árvores -, destacava-se no paredão o seguinte clichê atribuído à vedete de Santo Amaro. “É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer”.

É óbvio que me lembrei agora desta frase não por nostalgia da juventude, pois jamais fui palhaço das perdidas ilusões, mas sim porque creio que a referida serve exatamente para ilustrar a trajetória do Leão neste malamanhado campeonato.

E a prova cabal de que o Vitória Leão vai ser guiado por esta “incrível força” ocorreu ontem na Arena Pantanal. Este fantasmagórico estádio, encrustado no meio do nada, em um deserto de jogadores e ideias, foi palco da guinada Rubro-Negra.

Seguinte foi este. O ponteiro do relógio já marcava coisa de 20 minutos do segundo tempo e time continuava a jogar aquele futebol meeiro, que não transmite qualquer confiança. Até aquele exato e assombroso momento, apenas dois lampejos: uma bicicleta do zagueiro Mattis e um bom chute de Rogério.

Tudo parecia encaminhar-se para mais uma noite de choro e ranger de dentes quando, naquele latifúndio da pasmaceira, o sobrenatural começou a dar as caras, ou melhor, as mãos.

Visualizai.

O atacante da Luverdense, tal e qual um raio da silibrina, invadiu a zona do agrião e arrematou fortemente de cabeça no canto. Antes que eu soltasse o tradicional e retumbante brado de “fudeu maria preá”, o instável Gatito fez uma defesa de botar Gordon Banks no chinelo.

Pouco tempo depois, novo acontecimento espectral. Do nada, um atacante da Luverdense chamado Luiz Eduardo encarnou o espírito de Deivid. Com o gol totalmente aberto (Gatito provavelmente ainda estava comemorando a defesa anterior), o cidadão chutou a bola para o mato, digo, para o pantanal.

Como latumia pouca é bobagem, Mancini inventa de apostar em Jorge Wagner como salvador da pátria. Na mesma hora lembrei-me do axioma de Evaristo de Macedo: “o problema de ter jogador ruim no grupo é que, um dia, você pode precisar dele”.

Problema maior, meu caro Evaristo, pior até mesmo do que um perna-de-pau no elenco, é ter que necessitar dos favores de um (bom) jogador em fim de carreira, sem ânimo. Quer dizer, esta era minha opinião até perceber que ontem Jorge Wagner, igual ao Fausto de Goethe, parece que vendeu a alma ao DEMÔNHO em troca da eternidade.

Olho no lance. A partida já ia para seus estertores quando o canhota relembrou que já foi um craque, revivendo seus áureos lançamentos, como que se recusando a envelhecer totalmente. Vander só teve o trabalho de deixar a bola tocar em sua cabeça e beijar e balançar o barbante.

Resumindo. Na noite em que três renegados de uma só vez (Gatito, Jorge Wagner e Vander) galgam o posto de heróis da LIDERANÇA é porque realmente as coisas no Vitória assumiram um incrível poder que num tem força que barre.

Segurem em minha assombração e balancem, rebain de incréus.

TÁTICA PARA ENFRENTAR A CRISE*

agosto 11, 2015

Caneta e papel na mão? Então, anotem. A tão propalada crise atual é um repetido roteiro quase que ficcional, funcionando apenas como freio de arrumação para promover mais baculejos nos já maltratados bolsos dos desvalidos. A casta privilegiada que habita o andar de cima continua  numa boa, igual àquela antiga propaganda da caderneta de poupança do desaparecido Bamerindus.

A (des) propósito, enquanto padecemos com os dissabores provocados pelo famigerado arrocho, eufemisticamente chamado de ajuste fiscal, as referidas instituições emplacaram novo e recorde assalto, opa, digo, lucro. Obtiveram o maior ganho com créditos nos últimos seis anos. E, para acabar de lenhar de vez a pobre maria preá, a dívida pública subiu 3,5% só no último mês.

Mas joguemos esta galera avarenta para escanteio, até porque hoje é domingo, dia de falar sobre o que realmente importa: futebol. Ah, sim, antes que o sisudo senhor de ar circunspecto venha afirmar que o ludopédio é alienação, retiro do coldre o axioma do imortal Bill Shankly. “Futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais importante do que isso”.

E mais. Aqui, em Pindorama, futebol é parte constitutiva do que entendemos por nação. Portanto, debater o tema é discutir qual projeto de país queremos. Se uma terra dominada por tecnocratas ou um lugar onde vigore a desobediente e lúdica criatividade. Não é hipérbole afirmar que a sombria agrura que atinge o futebol brasileiro depois do fatídico 7 x 1 é o problema mais crucial para o nosso futuro.

E a questão, é óbvio, não se resume apenas a uma crise de autoestima, mas a algo transcendental, à nossa constituição identitária. Porém, o tristemente trágico é que, em vez de procurar uma solução efetiva, modificando as carcomidas estruturas da zona do agrião, os burocratas da CBF resolveram trilhar o pior caminho: recorreram ao engodo da formação de um colegiado de  velhacos.

 

Mas qual a medicação para nossos graves problemas nas quatro linhas? Pergunta-me o impaciente leitor. Sem muitas firulas, informo que basta recorrer à tática de Cambuizinho, filósofo e técnico da Sociedade Esportiva de Irecê. Às aspas, maestro. “O time deve subir e descer como Elevador Lacerda e abrir e fechar igual a tesoura”. E para a crise econômica? Inquire-me a senhora desconsolada com a fatura do supermercado. Bom, para esta, minha comadre, não há táticas, pois vigoram apenas os esquemas espúrios.

*Texto publicado originalmente na edição de ontem Revista Muito do Jornal A Tarde


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