Archive for setembro \28\UTC 2010

Abaixo os misoneístas!

setembro 28, 2010

Aos que já começaram tomando susto com o título acima, informo logo. As prosopopéias que se seguirão não têm a pretenção de ser um tratado filósofico e/ou sociológico sobre a relação do ser humano com o novo. E não farei isto por dois motivos básicos. Primeiro, falta-me estofo intelectual para tanto. Segundo, mesmo que tivesse, teorizar sobre tão árido tema não fica bem numa tarde nublada de terça-feira. Mas, sou teimoso e vou tratar da questão – ainda que en passant (Putaque pariu o poliglotismo! Nem bem terminou o parágrafo e já gastei todo o meu francês). 

Pois bem.

Como é sabido por toda a culta população do Norte e Nordeste de Amaralina, o medo da novidade, a acomodação, persegue os homens desde tempos imemoriais. É uma espécie de sistema de defesa. E é até salatur que assim seja para que não se caia no conto do vigário das mudernagens.

Acontece que quando o medo se torna uma obsessão, e tem-se uma verdadeira aversão ao novo, é porque já chegou o momento de perder o apego às velhas concepções. Caso contrário, corre-se o risco de afundar junto com elas.

“Valei-me, minha nossa senhora da retórica inútil! Mas, Sêo Françuel, que diabos estes prolegômenos têm a ver com o Vitória, que é o que realmente me interessa?”, revolta-se a moça do shortinho Gerasamba, que agora deu (lá ela) para desfilar com um vocabulário incompatível com sua indumentária.

Pois muito bem.

Sem deixar a criança cair no chão e sem vacilações, pois não tenho vocação para Xereque, respondo de bate-pronto.

Seguinte foi este.

O ponteiro do relógio circulava ali por volta dos 20 minutos do 2º tempo e o limitado time do Vitória encarava em pé de igualdade as vedetes tricoloridas cariocas. É fato que perdia por 2 x 1, mas já esteve sendo derrotado por 1 x 0 e conseguiu empatar na sequência. Portanto, não havia nada perdido. Porém, Ricardo Silva inventa de tirar o MENINO HENRIQUE (autor do gol Rubro-Negro) para colocar em campo um jogador com o dobro de sua idade e possuidor de menos de 5,47% de seu ímpeto.

Tiro, digo, substituição e queda. A partir do fatídico momento, o Leão, que até então ainda provocava assombração no poderoso adversário, transformou naquela espécie de animal de circo do interior, sem garras, sem força e desdentado, que não ofende seu ninguém. E assim foi até o final.

E o Vitória terminou o jogo, melancolicamente, desprovido da jovem força ofensiva e apegado às arcaicas concepções de nosso técnico e de seus homens de confiança.

Sinceramente, não consegui até agora entender por que tanto medo do novo? Uma hipótese provável é que talvez tal atitude seja apenas reflexo do estado geral das coisas no Vitória, onde impera os misoneístas.

Mas, enfim. Agora, resta-nos torcer para que amanhã Ricardo Silva esqueça um pouco seu amor ao passado, crie coragem e consiga enxergar que o novo sempre vem.

Aliás, por falar em novidades boas, o grupo que luta pela democratização do Vitória entende e acredita que é preciso (e possível) responder a estas situações de forma original e criativa. Quem quiser entrar nesta importante luta basta acessar o WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR

A virada é possível?

setembro 26, 2010

Não sei se vocês se lembram (até porque torcedor é um bicho desmemoriado da disgrama), mas, na última vez em que subi nesta intimorata tribuna, saquei do coldre dois litros de otimismo e, tal e qual um Doutor Pangloss do ludopédio, proferi uma homilia esperançosa garantindo que a virada era possível.

Nas referidas e eruditas prosopopéias, defendi a tese de que, mesmo não possuindo uma equipe de ponta, tínhamos condições plenas de sair da pindaíba.  E mais. Argumentei que a participação do torcedor seria fundamental.

Pois bem.

Na peleja contra o Avaí, apesar de não jogar o fino, o time mostrou que, realmente, possuía condições de virar a página do Sarneyzão 2010. E, pela primeira vez, passou a ter seu nome estampado entre os dez melhores do Brasil. Além da luta dentro de campo, vale destacar que a grandeza dos mais de 11 mil Rubro-Negros que desceram a pirambeira rumo ao Barradas, mesmo numa noite nublada de quinta-feira, foi determinante para o êxito.

Porém, ai, porém (salve, Paulinho da Viola), uma vez mais, os homens que comandam (?) nosso clube parecem que não conseguem entrar em sintonia com este novo momento dos que habitam as arquibancadas do Santuário. É como me disse, recentemente, uma amiga que conhece muito de futebol (não é a garota do shortinho gerasamba, não): “ Sêo Francis, a torcida tem se agigantado e a diretoria se apequenado”.  Na mosca.

Afinal, que outra explicação para aquela chibança na última quinta-feira quando os torcedores, mais uma vez, foram tratados como gado na entrada do Estádio? Aliás, a putaria nas catracas  era tanta e tamanha que me remeteu (lá ele) de volta aos carnavais da década de 80, quando estávamos curtindo o som, a levada dos blocos afros (que ainda não tinham se pasteurizados) e vinha de lá um caminhão todo iluminado nos empurrando via ladeira de São Bento abaixo.

VÁ MATAR A MÃE DO INVENTOR DO TRIO ELÉTRICO!!!

Pois muito bem. Depois de mais uma noite de terror, no dia seguinte, a diretoria lançou uma nota pública, desculpando-se pelos transtornos. Nas condições normais de temperatura e pressão, a nota seria até louvável, porém basta lembrar que na dança de rato ocorrida após a cobrança sem aviso do estacionamento também o procedimento foi o mesmo.

Então, não vou gastar mais cepacol cobrando mudanças da diretoria, não. Dirijo minhas vastas emoções e pensamentos imperfeitos para questionar se, nós torcedores, seremos capazes ou não de forçarmos a construção de um novo momento em NOSSO clube.

E aí: vocês acham que a virada fora de campo também é possível?

P.S para começar a mudar esta realidade, o grupo que luta pela democratização está realizando o cadastro dos associados ao SMV neste endereço aqui, ó WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR

A VIRADA É POSSÍVEL

setembro 22, 2010

Não sei se vocês se lembram (até porque torcedor é um bicho desmemoriado da disgrama), mas na última vez em que subi nesta intimorata tribuna, antes daquela insossa peleja contra o Ceará, saquei do coldre minha falsa erudição e citei um trecho de Gaia Ciência, do filósofo Friedrich Nietzsche. Aliás, recebam novamente na torácica.

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: ‘Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência…”’.

Pois muito bem.

Repeti aqui esta teoria nietzscheana do Eterno Retorno não só para refrescar a memória dos esquecidos, nem pra encher linguiça, mas também, e principalmente, porque foi exatamente esta a sensação que bateu neste nostálgico locutor na labuta do último domingo entre Vitória x Atlético (MG).

Tanto no primeiro quanto no segundo jogo, repetiram-se as vastas emoções e os lances imperfeitos. Tínhamos a partida na mão, depois perdermos um jogador, aí ficamos não mais com o jogo, mas sim com as calças na mão, até que achamos um gol salvador que nos tirou a corda do pescoço. PUTAQUEPARIU A COINCIDÊNCIA!!!

No entanto, o que me traz de verdade a esta inolvidável tribuna é porque entendo que chegou a hora de sairmos do Eterno Retorno. Acho que nosso time pode dar um passo adiante, sem nenhum medo de assombrações, pois não existe bicho papão neste Sarneyzão/2010. Se é fato que também não possuímos uma equipe de ponta, também é fato que com o que temos não podemos ficar nesta pindaíba. E a participação do torcedor é fundamental. Nesta quinta-feira, contra o Avaí, é hora da torcida mostrar seu valor e fazer valer a força da única entidade sobrenatural deste campeonato: O nosso querido Barradão.

Esta mesma recomendação vale para o nosso clube. Por isso, vou repetir. Entendo que chegou a hora de sair do Eterno Retorno. Acho que NOSSO Clube pode dar um passo adiante, sem nenhum medo de assombrações. E a participação do torcedor será fundamental na construção deste novo tempo. E um dos caminhos está sendo construído aqui, ó

WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA

setembro 21, 2010

Enquanto gargarejo o glorioso cepacol e outras mumunhas, recomendo aos que acreditam e lutam pela democratização no Vitória que compareçam no seguinte endereço. Caixa alta, maestro, por favor.

WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR

Testosterona e Eterno Retorno

setembro 14, 2010

No sábado à noite, logo após a peleja contra o flamengo, quando o Vitória levou dois gols absolutamente imbecis, lembrei-me imediatamente do seguinte e longo depoimento enviado por um médico, torcedor do Vitória, que tentarei resumir aqui.

“Nosso Clube precisa de um novo comando, de pessoas que saibam o tamanho e, principalmente, o potencial do Vitória. Não é possível continuar com as vacilações e o “complexo de vira latas” tão bem colocado pelo Nelson Rodrigues, pois tudo isto se reflete em campo. O outro time percebe e vai para cima. Falo como médico, como interessado em comportamento humano. O nível de testosterona (hormônio masculino da agressividade, coragem e força muscular) é produzido quando há “confiança” e gera um ciclo virtuoso confiança —> testosterona —>confiança, resultando força extra, tão necessária em esporte de alto nível. A diferença entre ganhar e perder é milimétrica. Um chute no final do jogo, que daria o título, depende de precisão. Imagine um pé batendo na bola um centímetro fora do lugar (parece pouco), mas o resultado é um metro de erro no alvo da bola. Uma arrancada com força faz o cara ganhar do zagueiro e tocar na bola fração de segundos antes, assim como o zagueiro chegar antes depende da confiança.E a confiança dentro de campo também é reflexo do que é transmitido pelos comandantes…”.

Pois muito bem.

No início da tarde de ontem, logo após o anúncio de que Ricardo Silva ia comandar novamente o Vitória, lembrei-me do seguinte trecho de Gaia Ciência, do filósofo Friedrich Nietzsche. Ouçam.

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: ‘Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência…”’.

Por tudo isso, decidi que não faria uma crônica sobre o último jogo do Rubro-Negro nem apelaria aos sábios conselhos da menina do Shortinho Gerasamba.

Hoje, faço apenas fazer uma pergunta: Queremos mesmo viver neste eterno retorno, nesta boréstia macunaímica, ou chegou o momento de usarmos a gloriosa testosterona para darmos um passo adiante?

P.S Tem texto novo no WWW.SOMOSMAISVITORIA.COM.BR

Quem derrubou DEDINHO Cecílio?

setembro 9, 2010

Nas últimas horas, os mais diversos (e inúteis) assuntos que movimentam os diálogos de botequim desta besta e ainda bela província foram suspensos. Agora, nos bares, becos, vielas, ladeiras e sacadas dos sobrados, as conversas giram apenas em torno do seguinte  monotema: Quem derrubou DEDINHO Cecílio?

PUTAQUEPARIU O MISTÉRIO!!!

Pois bem. Por conta desta pergunta que não quer calar e que é de fundamental importância para os destinos do Brasil e do Vitória (o que dá no mesmo), até o pacato Nordeste de Amaralina virou um alvoroço só. Aliás, rebuliço parecido na referida, recatada e aprazível localidade, que eu me lembre, só na época do assassinato de Odete Roitman.

Mas, derivo.

O fato é que, como sói ocorrer nestes tenebrosos episódios, as hipóteses são as mais díspares possíveis. Uns dizem que o cidadão caiu por conta de um complô de jogadores; Outros asseguram que ele perdeu o cargo em decorrência da campanha sistemática de radialistas escrotos (desculpem-me novamente a redundância); Já unseoutros, de uma terceira corrente de pensamento, defendem a tese de que a responsável pela derrocada do ex-técnico é a moça do shortinho gerasamba, que foi vítima de um dedada do desinfeliz e não ficou nada satisfeita…    

Pois muito bem.

Como não poderia me abster nem me esconder neste grave instante da Nação (afinal, não tenho vocação para dirigente do Vitória, que sempre somem nos momentos difíceis), vesti minha camisa listrada de repórter investigativo e saí por aí em busca de tão fundamental e complicada resposta.  

É óbvio que o trabalho não era fácil – até porque as invencionices do referido treinador eram tantas e tamanhas que deixariam o menino Sherlock Holmes em parafuso. Mas, com o couro curtido no sol inclemente do sertão baiano, não sou de desistir fácil. E, depois de me raciocinar todo, cheguei à conclusão de que nenhum dos apontados anteriormente tem nada a ver com a chibança.

Assim, em primeira mão, lhes informo: O verdadeiro responsável pela queda de DEDINHO era uma pessoa que ficava o jogo todo buzinando aleivosias no ouvido do referido via celular. E pra refrescar a memória de vocês (torcedor é uma raça desmemoriada), lembro-lhes que a equipe até começava bem os jogos e etc e coisa e tals, porém quando Cecílio começava a falar no celular a zorra desandava. Era tiro, digo, telefonema e queda.

Bom, agora, que já cumpri meu papel, cabe à Puliça Federal pedir a quebra do sigilo telefônico e descobrir quem era o sacripanta que boicotava o trabalho de Toninho Cecílio, pois talvez ele ainda esteja na Toca, que Deus o tenha, amém.     

P.S.1 Vou repetir aqui uma homilia que já fiz na queda de Ricardo Silva. Espero, sinceramente, que a diretoria não tente uma solução pior do que o problema – se é que isto é possível.

P.S.2 Vamos falar de jangada, que é pau que bóia. O Movimento pela Democratização do Vitória já começou com gosto de querosene. A propósito, recomendo o texto da menina Larissa aqui, ó http://globoesporte.globo.com/platb/larissadantas/

Apenas a indignação é inútil

setembro 6, 2010

Nas condições normais de temperatura e pressão, começaria minha homilia hoje com gosto de querosene, proferindo palavrões e amaldiçoando toda a árvore genealógica de DEDINHO Cecílio. Afinal, suas pardalices são tantas e tamanhas que fazem  Experimentalgiani parecer apenas um aprendiz de feiticeiro.  

Porém, chega de colocar culpa no mordomo. Existem pessoas acima dele que devem ser responsabilizadas por toda esta infâmia que vem acontecendo. E, para ilustrar melhor o que digo, vou retroagir um pouco no tempo. Seguinte foi este.

No final de agosto, o atual comandante (?) do Rubro-Negro esbravejou ferozmente contra Egídio, chamando-o na chincha. A forte bronca recebeu os aplausos entusiasmados de muita gente – até porque o referido lateral, há tempos, jogava com um desleixo, uma falta de comprometimento, de deixar enraivecido até o mais tranqüilo monge budista.

Pois muito bem.

Apesar de achar que o tal freio de arrumação era necessário, fiquei reticente e larguei a seguinte prosopopéia num debate com o pessoal da briosa Associação Vitória Forte (AFV). Às aspas.     

À priori, posso até concordar com a atitude de DEDINHO Cecílio, mesmo sabendo que ela é uma faca de dois legumes, como diria o glorioso Vicente Mateus.

E por que digo isso?

Ora, porque nossa diretoria tem o costume de não se posicionar claramente nestes momentos de choque. Deixa correr frouxo. Lembro, a propósito, o episódio de Uelliton x Experimentalgiani, quando este foi muito mais duro, chamando o referido jogador de mau caráter. O que foi feito? Ou melhor: O que não foi feito? Pois é”.

Então é isso. Mesmo estando virado nos seiscentos DEMÔNHOS, não vou ficar aqui esbravejando contra o técnico. É inútil. Apesar de seu jeito de valentão (e talvez até por isso mesmo), ele não manda em nada.

É hora, portanto, de ir além, de cobrar atitudes firmes do verdadeiro responsável pelo estágio atual do Clube. E o nome dele não é DEDINHO Cecílio. Aliás, além de cobrar, é fundamental também que a torcida saia da passividade (lá ela). Afinal, ficar apenas indignado é inútil.

E o que fazer? Ora, cada um que dê seus pulos. Eu, por exemplo, acho que devemos formar uma chapa de torcedores, defendendo os princípios da democracia, transparência e de um verdadeiro profissionalismo na gestão Clube, com planejamento sério e outras mumunhas.

Para começar a concretizar tal objetivo já registrei o domínio http://www.somosmaisvitoria.com.br que ainda esta semana entrará no ar, sendo um espaço para debates e aglutinação de pessoas e idéias.

Vamos nessa, rebain de incréus.

P.S Enquanto o novo site não perfura (lá ele) o espaço virtual e torna-se efetivamente nosso ponto de encontro, podem continuar me mandando mensagens para francielcruz@hotmail.com Repetindo: francielcruz@hotmail.com

É preciso (e possível) fazer diferente e melhor

setembro 2, 2010

Poderia começar a mais abalizada e vilipendiada resenha do Norte e Nordeste de Amaralina amaldiçoando DEDINHO Cecílio, que enojou meu baba ontem. Afinal, depois de um primeiro tempo apático, o time encaixou o jogo nos 15 da segunda etapa, pressionou o Internacional e já havia criado quatro boas oportunidades quando ele inventou de meter o dedo onde não devia. Porém, já estou de saco cheio de reclamar de suas desnecessárias pardalices. Assim, esqueço logo aquele insosso 0 x 0 de ontem e retorno a esta tribuna para tratar de um tema em que o Internacional está dando de goleada: DEMOCRATIZAÇÃO. Por isso, acabo aqui as reclamações, o choro e o ranger de dentes e passo a palavra a Luiz Caldas Milano Junior, Conselheiro do Sport Club Internacional. É óbvio nossa realidade é distinta, mas espero que este detalhado relato que segue abaixo nos sirva de exemplo. Às aspas.

                                               

                                              NOVOS TEMPOS

Desde o dia em que nasci, sou colorado. Mais precisamente, 18 de dezembro de 1979. Sempre amei este Clube, do povo, academia, tricampeão brasileiro invicto 4 dias antes de meu nascimento. Minha família toda é colorada. Meu pai ajudou na construção do estádio Beira-Rio, nos idos anos de mil novecentos e sessenta e poucos, que ficou pronto, por força de uma torcida apaixonada, em 1969.

Eu, com meus quase 31 anos, ainda não vi meu time campeão Brasileiro. Aliás, vi. Em 2005. Mas nos tomaram na mão grande. Só que isso é outra história. O que importa agora é outra coisa. Nas décadas de 80 e 90, sofri. Muito. Vi o nosso maior rival, Grêmio, levantar o caneco da Libertadores 2 vezes, levantar um mundial interclubes (aqui tem outra polêmica, que deixarei quieta também), um Brasileiro e 4 Copas do Brasil, além de Campeonatos Gaúchos.

No colégio, muita flauta ouvi de amigos (em maioria na época) gremistas. Mas eu era um apaixonado pelo Sport Club Internacional. Imaginava que um dia as coisas mudariam. Sonhava que em algum dia, em algum lugar, meu time levantaria uma Libertadores e, quiçá, um Mundial. Pensava como seria esse dia, caso chegasse.

Os anos foram passando, e o Clube vivia momentos difíceis. Poucos sócios, pouco dinheiro, muitas dívidas. Até que uma revolução aconteceu. Um Grupo de Oposição assumiu o Clube no biênio 2000/2001. Não ganhamos nada, nem Gre-Nal. Não decidimos um campeonato. Mas o Clube se preparava para uma nova era. Nesses dois anos, foi iniciado o processo de profissionalização do Inter. Processos internos foram mapeados e melhorados. Só que um Clube precisa mais do que isso. Um Clube de futebol, essencialmente, vive do tão famoso “resultado de campo”.

E nesse quesito a gestão de 2000 não obteve êxito. Porém, em 2001 houve o processo de democratização do Inter, sendo a eleição decidida no voto do sócio. Uma novidade, uma vez que até então o Presidente do Clube do Povo era escolhido por cerca de 300 Conselheiros da Instituição. Nesse momento, a “revolução terminara”. O Clube, como um todo, começava a amadurecer para buscar títulos. Porém, no primeiro ano da gestão que até hoje comanda o Inter, o então Presidente Fernando Carvalho quase foi rebaixado. Escapamos por um milagre, em Belém, contra o Paysandu, e permanecemos na primeira divisão.

A partir de 2003, o campo mudou. Voltamos a vencer Gre-Nais, o Clube começou a se modernizar e as coisas começaram a fluir. Uma disputa de uma Sulamericana aqui, outra acolá, confrontos contra o Boca Juniors em 2004 e 2005, a briga com a CBF também em 2005.

Eu, ali, só de soslaio, acompanhei isso tudo, “do lado de fora” do espetáculo. E veio 2006. Ao sentir um clima diferente para a disputa da Libertadores, uma mistura de raiva com o que ocorrera no Brasileiro de 2005, desejo e sede de conquista, se misturou dentro e fora do Clube. Estávamos todos precisando mostrar à América e ao Mundo a nossa força. E ali, nesse instante, decidi me associar. Por quê? Simples, porque eu queria um dia fazer parte da vida política do Clube. Só que não sabia que seria tão rápido.

Em 2006 mesmo nasceu o Movimento INTERnet. Pessoas da Comunidade do Inter no Orkut decidiram fazer algo pra participar da vida do Clube e se inscreveram, aliados à oposição, em uma chapa para o Conselho Deliberativo (CD) do Inter. E lá colocamos dois conselheiros. Eu ainda não fazia parte do Movimento, mas era assíduo “comentarista” do chamado Blog Vermelho (BV), junto com tantos outros colorados. Então, em 2007, criamos a “Chapa BV”, um Movimento político pra começar a entender como funcionava o Clube. Logo em seguida o Pessoal do INTERnet nos convidou para unirmos os Movimentos (ambos pequenos) para ganharmos força e pleitearmos algo maior em 2008. A partir do início de 2008, o Movimento passou a se chamar INTERnet/BV.

“Nascia” então uma união de jovens – loucos, é verdade – que queriam contribuir cada vez mais com o Clube que tanto amam. Porém, tínhamos apenas dois conselheiros, o que era um problema. Precisávamos crescer dentro do Coselho Deliberativo do Clube para angariarmos vôos mais altos. E vieram as eleições de 2008. Ao sermos isolados por ambas as chapas (situação e oposição), decidimos por concorrer de forma INDEPENDENTE, inscrevendo então aquela que ficou conhecida como Chapa 3. Nenhum apadrinhamento. Nenhum cardeal entre nós. Líder? Todos éramos. O sentimento de GRUPO prevaleceu. Sempre. E assim, em GRUPO, superamos a cláusula de barreira de 15% dos votos válidos e colocamos, de supetão, 23 – isso mesmo, vinte e três – novos Conselheiros dentro do Sport Club Internacional. Com os 2 que já tínhamos, ficamos com 25 cadeiras no CD do Clube.

Isso tudo ocorreu em 13 de dezembro de 2008. Eu estava lá e desde esse dia faço parte, com muito orgulho mesmo, do Conselho Deliberativo do nosso Clube. Nós, do INTERnet/BV fizemos história. Sem demérito a ninguém, sem desmerecer o trabalho de A ou B. Todos nós (conselheiros e não conselheiros) entramos para a história de uma Instituição às vésperas de completar 100 anos de existência.

Hoje, passado um ano e nove meses de nossa entrada “em bloco”, muita coisa mudou. Eu, enquanto Conselheiro, tenho acesso ao Inter de uma forma geral. Claro que estar no CD é uma coisa e estar na Gestão é outra. Mas estamos chegando lá, aos poucos. Temos um integrante que é assessor direto do Presidente para os assuntos de Tecnologia da Informação e um diretor nas categorias de base, gurizada de 9-10 anos. Ao olhar pra trás, cada vez mais me convenço de que fizemos o certo e de que estamos fazendo o certo, querendo SEMPRE O MELHOR PARA O CLUBE. A partir do momento em que fazemos parte de uma engrenagem GIGANTE, que é um clube de futebol, começamos a entender vários aspectos que até então não compreendíamos muito bem.

Ressalto que isso só está sendo possível porque temos pessoas qualificadas, jovens, talentosas e loucas para ajudarem o Clube. Todos continuamos apaixonados pelo Sport Club Internacional. Continuamos, sim, torcedores acima de tudo. O que mudou em cada um de nós é o engajamento pelo TODO. Antes não podíamos ajudar muito. Hoje temos a possibilidade de colocar nossas idéias em prática, de sugerir, de opinar, de buscar sempre a melhoria dos processos de gestão do Inter.

Hoje, o meu “tempo livre” se chama Inter. Sempre tem uma reunião do Movimento, sempre tem um evento pra ir, sempre tem alguma coisa para se fazer em prol do Clube. E isso é sensacional. Claro que muitas vezes nos desgastamos com namoradas, esposas, familiares e etc (a minha namorada é gremista ainda por cima, então já viram o rolo hehehe), mas todo esse “esforço” vale a pena. É prazeroso contribuirmos, de alguma maneira, com o Clube que amamos. É pra isso que somos conselheiros. Para podermos colaborar. E isso temos feito. Se ficaremos lá por muito tempo? Não sei, espero que sim, pois o Inter hoje possui mais de 100 mil sócios, e na eleição que se avizinha em dezembro de 2010, cerca de 60 mil sócios estarão aptos a exercerem o seu direito DEMOCRÁTICO de votar. Não é sensacional isso?

Novos tempos virão. O Inter terá que passar por uma reestruturação na sua gestão, profissionalizando algumas posições chave no Clube. Em maio desse ano fizemos um seminário sobre esse tema, alguns modelos (um inclusive feito por nós) foram apresentados aos Coordenadores de Movimento do Inter. Temos a certeza de que não podemos parar no tempo, de que ainda temos muita coisa a fazer pela Instituição. Só que, para isso, precisamos manter as portas abertas a todos. Por mais que o futebol hoje seja um negócio, a paixão que o move não tem preço. E é essa a grande diferença que um Clube de futebol possui para as outras “marcas”. Paixão não se compra, não se vende, não se empresta. Paixão é o combustível que move uma nação inteira de colorados e, através dela, chegamos aonde chegamos. E temos a certeza de que, continuando nessa toada, iremos chegar longe, contribuindo cada vez mais com o Sport Club Internacional.

Por fim, recentemente o Movimento INTERnet/BV deu outro passo importantíssimo visando as eleições de dezembro de 2010. Fez uma aliança com outros dois Movimentos de oposição e, somados todos os Conselheiros, possuímos cerca de 80 votos dentro do CD. O nome dessa coalizão é Convergência Colorada. Vocês devem estar se perguntando o motivo pelo qual somos oposição a um Clube Campeão de Tudo, eu sei. O que ocorre é que a nossa forma de fazer oposição é realmente diferente. Sem ranço, sem brigas, mas de forma CONTRIBUTIVA. Tudo aquilo que achamos que pode ser melhorado é levado à direção que, cordialmente, sempre nos recebe. Algumas idéias são levadas adiante, outras não, faz parte do jogo. Entendemos que oposição não é sinônimo de raiva nem de desconstrução, bem pelo contrário. Ser oposição é ser atuante, fiscalizador e PROPOSITIVO, porque afinal, dentro do Inter, todos convergem para uma mesma batida: vencer campeonatos. Possuímos as portas abertas com todos o Movimentos dentro do Clube porque trabalhamos de forma honesta e transparente. Hoje somos respeitados por todos e tenho convicção de que em 2011 ou 2012 teremos muitos integrantes trabalhando dentro do Clube.

Como viram, novos tempos virão. Então, se você, Torcedor do Vitória, quer fazer algo parecido pelo seu Clube do coração, mas acha que não dará certo, um recado: faça. Crie um Movimento político, converse com as pessoas sobre o seu Clube. Faça a diferença que a recompensa virá. Nós, do INTERnet/BV fizemos isso e estamos ajudando a construir um Inter cada vez melhor. E isso, senhoras e senhores, não há dinheiro no mundo que pague.