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UM DEBATE FUNDAMENTAL: Qual é a posição dos pré-candidatos sobre NOSSA CASA?

março 20, 2013

Por  ROBSON LEÃO 

Prezados amigos,

De início, gostaria de registrar que tive coragem de escrever estas singelas palavras em razão da possibilidade real de um debate entre as “três correntes políticas” do clube e sua torcida.

Finalmente, após 114 anos, apesar do anacronismo total do estatuto, o Vitória deve contar com chapas de oposição para apreciação dos sócios.

Ao revés da TUI, que teceu críticas ao debate instalado recentemente, acredito que a divulgação de proposta eleitoral é legítima a qualquer um sócio/torcedor (obs. Desisti de ser associado em virtude do estatuto, mas, se fosse, confesso que, em princípio, estaria inclinado a votar no MSMV).

Neste contexto, como questão essencial ao debate, devemos indagar qual será o “mando de campo do Vitória no futuro ?”.

O texto publicado neste espaço de discussão com o título BARRADÃO X FONTE NOVA: um debate urgente e fundamental, escrito por Jean Gerbase e referendado por inúmeros colegas de prestígio foi, em meu entendimento, o texto base para qualquer discussão.

Naquela oportunidade, o autor ressaltou a arquitetura de estádio alemão como referência para o Barradão.

A temática também foi tratada de modo contundente por Valmerson.

Além disso, não podemos deixar de mencionar o posicionamento de Fábio de que nosso clube poderia utilizar a Fonte Nova em alguns jogos.

Ocorre que, em que pese a temática continuar sendo sido discutida há anos, Alexi Portela não oferece uma resposta definitiva do seu plano. Ademais, os candidatos governistas também não apresentam uma proposta clara para a torcida e associados.

Fizeram um acordo para a realização de “jogos experimentais na Arena Fonte Nova” e, paralelamente, divulgaram nota acerca de suposto projeto de via expressa da Paralela ao Barradão.

Depois, tivemoso comentário do candidato governista, Sr. Carlos Falcão, no sentido de que o Governo do Estado estaria de parabéns com a obra que alavancaria o futebol da Bahia.Como ?Será ?

O MSMV tem discutido a temática há algum tempo e também não apresentou o posicionamento definitivo que, segundo espero, deve ser apresentado à torcida na época da apresentação da chapa (como um autêntico compromisso de governo).

A candidatura de Peter/ Larissa (vitóriaséculoxxi) traz a proposta (sem comprovação de viabilidade técnica/econômica e fática) de construção de uma arena pela metade do preço da Arena Fonte Nova.

Pessoalmente, entendo que não há razão que motive acordo definitivo entre o Vitória e o Consórcio Arena Fonte Nova. Não foi por acaso que a Diretoria do Atlético/ MG assinou um contrato de 10 anos com a Arena Independência e se recusou a assinar com o Mineirão (ou será que o Galo Mineiro esta no prejuízo em jogar a Libertadores no Independência ?)!

Apesar de algumas limitações, o Vitória construiu um Estádio particular respeitável onde, inclusive, já disputamos jogos internacionais oficiais, decisões de campeonatos nacionais, regionais e estaduais.

Por outro lado, no Estádio próprio, o clube tem a possibilidade de definir sua política de preço de ingressos, oferecer a possibilidade de publicidade aos seus parceiros e colaboradores e instalar equipamentos ligados ao próprio clube (memorial/ loja conceito/ promoções …..).

Ademais, não interessa ao Vitória jogar em um estádio com lotação de 50.000 se a média de público anual histórica do clube é de 12.000 por jogo.

No entanto, de fato, após a Copa de 2014, o paradigma acerca dos estádios de futebol no Brasil será alterado.

Isto implica reconhecer que o clube precisa de uma definição e, sendo o caso, adotar as medidas necessárias de adequação.

Desta forma, restaria três alternativas ao Vitória:

I. Reformar o Estádio Manoel Barradas.

II. Projetar a construção de uma Arena Nova.

III. Lutar pela concessão do Pituaçu.

Pessoalmente, acredito que o caminho mais simples seria a negociação de concessão da Arena Pituaçu, mas acredito que governo nenhum tem interesse nisso.

Desta forma, teríamos duas alternativas:

I. Reformar o Barradão.

II. Construção de uma nova arena.

Antes de qualquer decisão, caberia a Diretoria definir qual seria a capacidade de público ideal para o Vitória.

Em minha opinião, o ideal seria a capacidade mínima para jogos oficiais internacionais decisivos, ou seja, 30.000.

Desta forma, teríamos uma taxa de ocupação média de 40% por jogo (considerando a média histórica do clube). Essa é a taxa de ocupação mínima para um estádio rentável na
Europa (o custo operacional de um estádio é elevado).

Assim, a reforma do Barradão ou a construção de uma nova arena deveria levar em conta essa capacidade de público.

A reforma do Barradão, em nosso entendimento, teria um custo menor e teria a facilidade da estrutura de CT já contar com vários campos de futebol etc … .

Não sou engenheiro e nem arquiteto, mas acredito que com 50% do que se gastou em Pituaçu (corrigido pelos índices oficiais) o ECV consiga transformar o Barradão em um estádio confortável.

A Arena Pituaçu também está encravada no outeiro, mas, em meu entendimento, a arquitetura mais próxima do Barradão seria a da Arena do Jacaré (observem no site do Democrata Futebol Clube).

Trata-se de um estádio muito simples construído sob um morro com um prédio administrativo de um dos lados do campo (arquitetura muito próxima a do Barradão) utilizado, por quase dois anos, como casa do Cruzeiro, Atlético e América.

Não sou a favor dos projetos mirabolantes de construir mais arquibancadas pelo morro e nem fechar a ferradura, uma vez que, o investimento seria gigantesco e o retorno econômico improvável.

Sou torcedor do Vitória e não do Barradão, de modo que, o Estádio deve ser o mais rentável para o clube e com o menor investimento possível (por isso, a sugestão de utilizar a Arena do Jacaré como paradigma).

Ocorre que, a Arena do Jacaré só comporta 20.000 torcedores sentados em cadeiras. Além disso, a Arena do Jacaré conta com um lance de cadeiras ao lado da imprensa (que, possivelmente, não seria possível no Barradão em razão do CT).

De todo modo, a destruição do atual prédio de imprensa seria necessária para viabilizar a construção de um prédio administrativo mais moderno e próximo ao gramado (para aumentar a área do estacionamento de camarotes).

Não seria possível colocar cadeiras em todo estádio em virtude do objetivo de manter a capacidade de públicopróximo a 30.000. Aumentaria a quantidade de cadeiras de 6.500 para algo em torno de 13.000/ 15.000 e ampliaria a quantidade de rampas de acesso e escadarias além de dotar o equipamento com uma cobertura.

Provavelmente, o Barradão teria a capacidade diminuída para 25.000 e, neste contexto, seria necessário atuar na Fonte Nova em caso de decisões internacionais (o que nunca aconteceu em nossa história).

É isso que o Santos, o Atlético Mineiro, Vasco etcfazem e não vejo problema do Vitória também utilizar a Arena Fonte Novas esporadicamente…. .

Não teríamos a capacidade ideal (30.000), mas teríamos um equipamento confortável para utilizar em 95% dos jogos oficiais.

Se a via expressa sair do papel, essa alternativa se tornará mais palpável.

Para comparar, vamos observar a arquitetura dos estádios:

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De fato, a Arena do Jacaré se assemelha com o Barradão.

Basta observamos a Avenida em uma extremidade do Estádio e o Estacionamento em outro ponto.

Por outro lado, existe ainda um prédio administrativo com lances de cadeiras menores.

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A Arena do Jacaré lotada.

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Arena do Jacaré vazia.

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Mapa da Arena do Jacaré com oito setores de cadeiras na ferradura e 2 no prédio administrativo.

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A modernização, para mim, deveria envolver:

I. Um aumento no número atual de cadeiras (no mínimo, o dobro).

II. Maior quantidade de escadarias na parte central e na lateral do lado do estacionamento.

III. Cobertura, pelo menos parcial, para abrigar os torcedores na ferradura.

IV. Destruição completa do prédio administrativo para construção de um prédio com pequeno lance de cadeiras como na Arena do Jacaré (isso poderia implicar no sacrifício de parte do 3º campo – poderia reduzir o tamanho para transformá-lo num campo society (parta treinar goleiros e treinos específicos) que teria capacidade total c/ camarotes para cerca de 1.000.

Teríamos 03 setores de cadeiras (Central: mais caro c/ 3.000 cadeiras / Setores 1 e 2 c/ 6.000 cadeiras cada com visão frontal do campo e na esquina da ferradura entre a parte central e o fundo do gol.

03 setores de arquibancada.

Setor 1. Que abriga a TUI atrás do gol com capacidade para 5.000

Setor 2. Atrás do gol contrário para torcida do Vitória.

Setor 3. No canto atrás do gol contrário a TUI para visitantes.

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A construção de uma nova arena, em meu entendimento (proposta do vitóriaséculoxxi), deve ser analisada a partir da possibilidade de se comprar um terreno para o Estádio (com localização privilegiada) e outro mais distante para construção de um novo CT (pessoalmente, acho uma proposta vaga e de difícil execução).

Sem a garantia de que o clube contará com um novo CT totalmente construídoe um terreno privilegiado para a arena em troca da área de 300.000 m2 do atual complexo do barradão/ ct/ toca do leão …, não podemos nem pensar nessa possibilidade.

O Vitória precisa de um CT com, no mínimo, 4 campos oficiais e dois campos com grama sintética semi oficial para os profissionais e as divisões de base.

Sim, porque eventual endividamento seria com o custo do estádio (e só).

Se fosse optar por um modelo de arena para o Vitória, optaria pelo modelo da Arena Independência de Belo Horizonte (custo de 125 milhões).

De fato, muito mais simples do que a Super Fonte Nova, mas um espaço adequado ao nosso clube.O Estádio Independência conta com 23.950 lugares, sendo que, para aumentar a capacidade de público para 30.000, substituiria 6.500 cadeiras por 13.000 espaços de arquibancada para possibilitar o acesso por preços mais baratos para parte da torcida.

Outra possibilidade seria o singelo Frasqueirão do ABC que, após a conclusão teria a capacidade para 25.000.

O custo da Arena Independência foi de 125 milhões, mas acho que, atualizando, o custo seria de cerca de 200/ 250 milhões.

Pessoalmente, prefiro a alternativa de estudar a possibilidade de reforma do Barradão (utilizando a Arena do Jacaré como paradigma), mas acredito que o posicionamento deve ser analisado com mais profissionalismo do que o mero achismo desse humilde torcedor.

A convicção inicial reside no fato de que, mesmo que o atual patrimônio possibilite a aquisição de um novo CT e de um terreno para construção do Estádio (o que implicaria numa negociação muito vantajosa para nós), o Vitória teria que investir no mínimo 200/ 250 milhões.

Por outro lado, uma reforma no Barradão poderia ser feita com investimento entre 30/ 50 milhões.

Isso sem falar no custo operacional de manter um CT distante do Estádio.

Por outro lado, uma modernização do Barradão poderia ser feita por 1/5 desse valor, apesar de não tornar nosso estádio tão bonito quanto seria a segunda opção.

Visualmente, ficaria parecido com a Arena do Jacaré, mas poderia contar com uma cobertura para maior conforto.

De qualquer modo, a única convicção que tenho é que não temos motivos para transferirmos nosso mando de campo para a Fonte Nova a troco de nada (com o encantamento juvenil de Carlos Falcão e cia), uma vez que, o modelo do estádio atende as necessidades da copa, mas não do Vitória.

Quem pode comandar o ESPORTE CLUBE VITÓRIA?

março 6, 2013

Texto (muito bem) escrito por Felipe Ventim*

Para ser presidente do Esporte Clube Vitória (em verdade, o cargo é Presidente do Conselho Diretor) o postulante precisa preencher uma série de requisitos objetivos. Dentre as exigências estatutárias está a de ser conselheiro por no mínimo 3 anos, ou seja, um mandato trienal (art. XX), ser brasileiro nato, residir no estado, não estar em débito com o Vitória, estar em pleno gozo dos direitos políticos e sociais etc.
Porém, além desse requisitos objetivos, muitos dizem que para ser presidente do Vitória é necessário ser rico, já que o cargo não contempla nenhuma espécie de remuneração.
Infelizmente, o fato de possuir um patrimônio abastado para ser presidente do clube, em detrimento de deter como características a honestidade, o acúmulo de experiência administrativa e a competência, expõe o quanto o Vitória é ainda pouco profissional.
A inexistência de cargos de diretoria remunerados possibilita que apenas abnegados gerenciem o clube. Isso remonta ao Vitória do passado, um clube patriarcal, chefiado por clãs familiares, anacrônico e que precisa do patrimônio individual dos beneméritos, baluartes e mecenas para pagar suas contas. Seja em uma empresa, seja em uma associação e até mesmo em um clube de futebol profissional, que congrega as duas categorias de personalidade jurídica, esse tipo de confusão patrimonial entre clube e presidente é inadmissível em tempos modernos.
O MSMV defende a profissionalização do Vitória. No entanto, não reduz o pleito ao personalismo, ao culto do “salvador da pátria”, do abnegado que irá salvar o clube. O mais importante, em nossa ótica, é possibilitar que o torcedor possa atuar mais diretamente na vida do Vitória. O torcedor pode se colocar na postura de cobrança e crítica, embora o ideal seja a sua conscientização e participação política ativa na vida do clube. E esse é um papel importante que cumpre o Programa de fidelidade Sou Mais Vitória. O SMV não deve ser apenas um carnet de ingressos para a temporada. É um título que outorga ao torcedor rubro-negro a condição de se tornar associado do clube, apto, portanto, a votar e ser votado.
Por isso, conscientes de que é necessário o torcedor também participar diretamente do processo político do Vitória, os associados do Movimento Somos Mais Vitória, estão lutando para montar uma chapa às eleições do clube, que ocorrerão em Dezembro de 2013.
O Movimento é muito mais do que uma pessoa, que um líder, que um nome. Somos contra o culto ao personalismo, prática ainda entranhada na política brasileira. O MSMV é uma união de torcedores, que estão se organizando enquanto associação, buscando democracia, transparência, profissionalismo, respeito ao torcedor. Porque o Vitória não é apenas meu, não é apenas seu, não é apenas deles, nem do MSMV, e sim de todos os torcedores rubro-negros.
* O autor é Professor Universitário e Diretor Jurídico do MSMV

O FUTURO DO FUTEBOL E DO VITÓRIA

março 3, 2013

O FUTURO DO FUTEBOL E DO VITÓRIA

Autor Duilio Camardelli

A história da tecnologia é quase tão antiga quanto à história da humanidade. Os seres humanos sempre buscaram ferramentas para uma melhor condição de vida, conseqüentemente, embutida a cronologia do uso dos recursos naturais, porque, para serem criadas, todas as ferramentas necessitaram, antes de qualquer coisa, do uso de um recurso natural adequado.

Assim na vida como no futebol. Já há algum tempo estamos aplicando diversos recursos tecnológicos num jogo de Futebol para sanar dúvidas a respeito de lances que não ficam claros.

Começamos, inicialmente, em relação ao impedimento. Depois, gols, agressões e comportamentos de torcidas dentro e fora do estádio.

Tais progressos, neste campo, me levam a imaginar em um futuro bem próximo um jogo de futebol cada vez mais longe daquelas características de quando foi iniciando a prática desse esporte.

Para exemplificar, no mundial de futebol do ano de 2010 vimos, através da TV, que na partida Inglaterra X Alemanha, ocorreu um lance de gol, em que o árbitro não validou, mas o telão instalado no estádio mostrou claramente que a bola tinha ultrapassado a linha demarcatória, gerando com isso vários questionamentos.

A FIFA, procurando minimizar tais críticas ao trabalho dos envolvidos, anuncia que, em 2014, no mundial que acontecerá no Brasil, haverá o uso da tecnologia de um chip que imite sinais, para validar o gol quando realmente a bola tenha ultrapassado a linha demarcada.

Em outro setor, mas na mesma área futebolística, temos pesquisas que sinalizam na direção da medição do batimento cardíaco dos atletas de futebol em uma partida. E isso é bom, pois estamos avançando nos cuidados da saúde dos jogadores, tentando evitar tragédias dentro do campo.

Porém, é preciso ter cuidado, pois as ferramentas não podem nem devem dominar tudo. Assim, baseado nestes acontecimentos, faço uma prévia bem humorada do que poderá acontecer no futuro – e aqui cito alguns itens para vocês:

– armaduras para evitar lesões;

– torcedores cada vez mais distantes da do campo, vendo o jogo de binóculos.

– árbitros e atletas robotizados;

– correção de lances duvidosos através de replays constantes e até por votação telefônica feitas pelas emissoras de TVs;

– comissão técnica e auxiliares trabalhando por controle remoto, bem distante do local de onde é realizada a partida, etc.

É óbvio, amigos, que não podemos abdicar dos avanços tecnológicas, especialmente quando há vidas em jogo. Porém, de modo algum, deveremos deixar que transformem nossa paixão em um mero produto de consumo robotizado. Afinal, o futebol é feito por gente de carne, osso, virtudes e defeitos, direcionado a seres também com estas características.

Então, para finalizar, destaco que não podemos deixar que as máquinas ou quaisquer estruturas se sobreponham ao ser humano. Do mesmo  modo, em nosso querido Esporte Clube Vitória, que é (ou deveria ser) feito por pessoas que privilegiam e respeitem outras pessoas, não podemos nem devemos deixar que se perpetuem apenas as velhas e arcaicas estruturas.

E qual é o futuro de nosso Leão? No meu entendimento, é ser não um  Clube que tem uma torcida, mas sim uma torcida que tem um Clube.

Neste importante ano eleitoral, é hora de o torcedor mostrar seu valor, que não pode ser quantificado apenas em números frios, mas sim em desejos efetivos de transformação.

Amigos, a verdade é que temos que nos unir e mostrar nossa força – sem estarmos ligados nem com estes que nos fazem sofrer atualmente, nem muito menos recorrendo àqueles que já nos humilharam bastante.

 

*

 

 

O simbólico exemplo italiano

março 1, 2013

O estádio é diferente, porque não é elevado. Mas é muito bonito, assim como o entorno. Estamos muito contentes e honrados”.

 

Estes palavras acima, direcionadas ao nosso Santuário Barradão, ajudaram a aplacar um pouco o desânimo dos Rubro-negros que estavam cabisbaixos com as avalanches de notícias ruins que estão sempre desembarcando na Toca do Leão.

Aliás, não só isso. Tais elogios, proferidos por Maria Carmela Corrado, alta representante do futebol italiano, serviram também para incensar a auto-estima de boa parcela da torcida, especialmente porque seremos anfitriões da Azzurra nos preparativos para a Copa das Confederações.

Porém, além dos citados exemplos de gentileza e gratidão, há algo que vem da mesma Itália que é muito mais forte e simbólico para a história e futuro do Esporte Clube Vitória.

Como assim? Assim.

Historicamente, o que conhecemos como Itália sempre foi marcada por profundas divisões. É óbvio que não cabe aprofundar neste assunto aqui. Trago o tema à baila para falar de outra divisão, a bipolaridade política no país, que teve início há coisa de duas décadas. Desde então, de um lado do ringue, postou o magnata autoritário e falador Berlusconi (que se vendeu como gestor arrojado); Do outro, perfilou-se uma coalização de centro-esquerda que tentava iludir com a implantação de uma política dita austera.

O fato é que, tanto a Itália dos tecnocratas pseudos-austeros quanto à de Berlusconi pseudo-empreendedor nunca foi exatamente um exemplo de nação de sucesso, apesar de tanto um lado quanto o outro sempre se vangloriarem e se colocarem como as únicas soluções possíveis.

Berlusconi, inclusive, com sua reconhecida imodéstia, sempre se pretendia o pai da matéria, uma espécie de fundador de tudo que há de bom, além de gestor eficiente e de sucesso. Não foram raras às vezes em que ele largou frases como estas ditas à Euronews. “Fiz um trabalho excelente, melhor do que fizeram todos os meus antecessores. E apesar de todas as dificuldades, fiz coisas admiráveis.”

Pois muito bem, digo, pois muito mal. O resultado desta nefasta dicotomia foi que a população italiana acabou pagando a conta, ficando sempre com o ônus e nunca com o bônus.

Agora, neste ano da graça de 2013, eles tentaram repetir a história como farsa. Estes mesmo personagens, com o apoio da mídia, dos agentes financeiros nacionais e internacionais e de um escroto sistema eleitoral, que engessa as mudanças, chamado adequadamente de “Porcellum” (Emporcalhada, em latim),  se apresentaram, cada um com suas armas, como os salvadores da pátria, tentando restabelecer novamente a nefasta dicotomia.

E todo o script já estava desenhado. Porém, no meio do caminho apareceu um pedra chamada Movimento 5 Estrelas, liderado por Beppe Grillo. E mostrando que era possível fazer diferente, ou seja, se colocar no cenário sem o apoio das velharias que sempre comandavam o país, conseguiu o apoio significativo de grande parcela do eleitorado e inviabilizou a vitória de uma destas duas forças então hegemônicas.

Mas, meu Jesus cristinho, o que diabos este furdunço tem a ver com o Vitória?”, pergunta a Moça do Shortinho Gerasamba, que ainda não se curou nem da ressaca carnavalesca nem da ressaca moral de mais uma humilhação dentro de nosso santuário.

Sempre paciente com a referida, respondo.

– Minha comadre, chacoalhe um pouco sua cabeça e perceberá que qualquer semelhança com o nosso Clube é mais do que uma mera e triste coincidência. Esta mesma nefasta dicotomia se estabeleceu (e eles querem perpetuar) no nosso querido Vitória. Há coisa de 20 anos, eles querem nos fazer crer que não há outro caminho a não ser se aliar com o salvador, aquele, ou então com os defensores da tal austeridade, aquela.

Porém, o fato claro nestes últimos tempos é que a torcida do Vitória não vai comer este alface podre, seja de um lado ou de outro. Atualmente, temos Movimentos organizados de torcedores que não querem de modo nenhum a continuidade da fracassada política de pés na lama, como também rejeitam de modo veemente o retorno de figuras ultrapassadas que nos deixaram nos porões do subsolo do futebol brasileiro (A propósito, a última equipe que se interessou pelos excelentes trabalhos do grande conhecedor de futebol, do reconhecido “manager”, foi do Irajá, digo, da távola da Volta Redonda).

Mas, derivo. Derivo e volto para dizer que o exemplo italiano mais simbólico para nós Rubro-negros neste ano não é apenas o da gentileza e gratidão dos diretores da Azzurra e da federação de futebol, mas sim aquele que nos mostrou Beppe Grillo. Qual seja. É preciso e possível fazer diferente.

Se lá, numa das maiores economias da Europa, lutando contra forças que pareciam invencíveis, Beppe Grillo mostrou que é possível lutar e vencer, por que aqui, no nosso Clube, não podemos também sonhar e fazer um projeto diferente?

Portanto, mãos à obra. Converse com seus parentes, seus amigos das redes sociais e vamos juntos construir no (e para o) Vitória uma alternativa verdadeiramente nova, democrática, profissional, transparente e que respeite efetivamente o torcedor, sem amarras com antigos nem atuais diretores.

Mais do que nunca, nossa hora é agora.