Archive for abril \26\UTC 2013

TORCEDOR CONSCIENTE

abril 26, 2013

Ao contrário do que tentam nos fazer crer, ainda existem pessoas com capacidade de discernimento nas arquibancadas desta província. Pessoas que conseguem fazer reflexões absolutamente lúcidas sobre o que coorre no futebol baiano.

Aos que duvidam, recomendo que cliquem no linque abaixo e me respondam: este rapaz é ou não é quase um filósofo?

http://www.youtube.com/watch?v=KuANAY-zC2s

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Assombrações São-Franciscanas*

abril 23, 2013

carrancas
Ao contrário da doce infância do menino Casimiro de Abreu, a aurora da minha vida, que os anos não trazem mais, nunca foi habitada somente por amor, sonhos, flores e tardes fagueiras. Nero ar. Além da seca medonha, que me tangeu de lá pra cá (alô, Patativa do Assaré), padecia com diversas outras assombrações.

E uma das mais terrificantes, especialmente para quem, como este nostálgico locutor, cresceu razoavelmente próximo às margens do Rio São Francisco, eram as tenebrosas Carrancas.

Amigos de infortúnios, em verdade lhes confesso: aquelas imagens com dentes afiados, cabeleiras longas, olhos esbugalhados, testas imensas, meio gente, meio bicho, perturbavam nosso imaginário com mais força do que os horrendos refrões da novíssima música baiana. Não era à toa que os barqueiros de antanho as colocavam na proa das embarcações para espantar os maus espíritos. Aliás, aos desprovidos de sabença, informo que as ancestrais imagens foram usadas até pelos fenícios (obrigado, Google).

E já que enveredei pelos caminhos da falsa erudição, vou lhes instruir ainda mais sobre o tema, sacando do coldre um trecho do artigo do doutor em letras Jairo Nogueira Luna. Às aspas. “As carrancas são o resultado, a nosso ver, de um cruzamento de influências do imaginário cristão português, notadamente do âmbito dos navegadores e exploradores transposto para o cenário da colonização do sertão, misturados sobremaneira com fortes doses do imaginário africano e ameríndio”.

Valei-me, Minha Nossa Senhora da Miscigenação!!!

Pois bem. Atualmente, a bem da verdade já há uns bons anos, as Carrancas foram, digamos assim, domesticadas. Deixaram as proas dos barcos, onde lutavam contra inimigos terríveis, e foram habitar os confortáveis salões dos bacanas metidos a apreciadores de arte popular. Mas uma carranca é uma carranca é uma carranca. E nunca deixam de assombrar.

Calma, minha comadre, já, já, explico os porquês.

Agora, nova (e breve) tergiversação para tratar de outra figura enigmática e astuciosa que tanto assombrou e divertiu a infância de boa parcela dos nordestinos: O Cancão de Fogo. Segundo a descrição do poeta Leandro Gomes de Barros “foi o quengo mais fino dessa nossa geração, sabia a tudo iludir, o Cancão nunca armou laço que alguém pudesse sair”.

Pois muito bem. Recorri a todos estes entretantos mitológicos apenas para dizer que as equipes da terra de João Gilberto e de Galvão, o Juazeiro e o Juazeirense, que têm como símbolos exatamente a Carranca e o Cancão de Fogo, tal e qual às figuras que os inspiram, estão causando pavor no campeonato baiano.

Como assim? Assim, ó. Depois de brocar o time do Vitória, a Carranca assumiu, no último domingo, a liderança de seu grupo no DENDEZÃO/2013. E, como assombração pouca é bobagem, o Cancão de Fogo, apesar de apenas empatar com o Bahia (maior zebra da rodada), lidera a outra chave.

vida-e-testamento-de-cancao-de-fogo-luzeiro

Inclusive, o Juazeirense é o líder absoluto em pontuação entre todas as equipes que disputam esta fase do campeonato e parece disposto a AFANAR a taça, entrando no seleto grupo de times do interior que conseguiram quebrar a hegemonia da dupla Ba x VI.

Se isso acontecer, a equipe da Juazeirense estará apenas confirmando a vocação do Cancão de Fogo, que certa feita largou a seguinte prosopopéia, registrada no livro Vida e Testamento de Cancão de Fogo, de autoria do mesmo Leandro Gomes de Barros.

“Roubar a quem tem demais
É forma de caridade
Tirar dez de quem tem  vinte
Está na regularidade
Quem não precisa de tudo
Basta ficar-lhe a metade”

Que assim seja. Para o bem de todos, até mesmo de Bahia e Vitória, que precisam acordar, pois o FELICIANÃO já está batendo na porta.  E as assombrações felicianescas são muitos piores do que as Carrancas e os Cancões de Fogo.

Oremos.

* TExto escrito especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

P.S Sim, minha comadre, eu sei que o Cancão de Fogo que simboliza o Juazeirense é o pássaro do sertão, da caatinga nordestina, que tem como principal característica observar tudo o que acontece naquele árido local e que foi cantado pela inolvidável Diana Pequeno nesta canção http://www.youtube.com/watch?v=G3BcPXuHcew.

Porém, a (in) verdade que salva é liberta é que o time do São Francisco hoje se assemelha muito mais com o assombroso personagem do poeta Leandro Gomes de Barros, poeta que inspirou Ariano Suassuna e, segundo Câmara Cascudo, foi “o mais lido de todos os escritores populares”. De nada.

O eterno retorno do GÊNIO FRANZINO

abril 17, 2013

O menino Nelson Rodrigues, como sói, estava com a razão. Não devemos nunca confiar nos idiotas da objetividade.  A única meta destes canalhocratas é tentar, inutilmente, difundir a falsa prosopopéia de que no futebol muderno tudo se resolve através de equações aritméticas. Para eles, os dramáticos 90 minutos e as inconsequentes prorrogações podem ser resumidos em números mornos. Algo assim: X + Y =  a noves fora nada. E minha paciência com eles é ZERO.

Aliás, não só a minha. Ontem à noite, por exemplo, um Gênio Franzino provou, por A + B, que é possível (e preciso) desmoralizar a poderosa e inflexível matemática. Uma vez mais, Marquinhos, eis o nome do santo, deu tiros certeiros nesta nova seita numerológica que tenta reduzir nossos sonhos a máquinas de calcular. As jogadas de craque do moleque demonstraram que não se pode mensurar o imponderável dentro das quatro linhas. E mais do que isso: sua estupenda atuação diante da poderosa, inexorável e inoxidável  equipe do Mixto (MT)  contribuiu para reavivar o orgulho do torcedor, que gritou, a plenos pulmões, o nome de um talento genuinamente Rubro-Negro.

No entanto, faz-se mister ressaltar que  a história, neste caso, não se repete como farsa, muito menos como tragédia, mas sim como confirmação da dialética Rubro-Negra – seja lá que porra isto signifique. A verdade que não salva nem liberta é a seguinte: Marquinhos brilhou intensamente ontem e vai continuar assim, per seculae seculorum, porque conhece muito de seu ofício. E a torcida do Vitória vai prosseguir amando-o e perseguindo-o porque é o destino dela ser assim – exacerbadamente contraditória.

Amigos de infortúnios, o fato é que os torcedores do Vitória parecem não querer entender que Marquinhos encarna a (im) possibilidade de nosso milagre. Como assim? Assim, ó. Nós, “suburbanos e periféricos corações torcedores, estamos condenados a ser sermos iguais aos bordéis de ponta de rua. Só podemos nos emocionar com as putas, digo, jogadores, em final de carreira”, conforme já ensinei aqui mesmo nesta impoluta tribuna

Pois bem. O menino Marcos Antônio da Silva Gonçalves rompe com esta lógica perversa, proporcionando-nos a glória de poder testemunhar atuações de um craque no auge de sua categoria e de seus 23 anos.

Na peleja de ontem, por exemplo, o endiabrado parecia possuído pelas ancestrais vovós fazedoras de crochês. E costurava para dentro, pro lado, pra fora, dribles da vaca, nós pelas costas da pobre zaga adversária. Ponto futuro, cruzamento para Dinei e saco e ponto parágrafo. Sim, ponto parágrafo, pois o lance subsequente, o do segundo gol, foi algo tão absurdamente genial e inacreditável que merece ser narrado à parte.

(Um instante que vou ali pegar o cepacol).

Bola nos pés de Marquinhos, que balança a criança com carinho na zona do agrião. Dinei ensaia uma corrida pelo flanco direito. Marquinhos finge que vai lançar, mas ato contínuo esconde a menina com a chapa do pé. Depois, revira a bola pelo avesso e faz o lançamento de trivela com efeito reverso, coisa de botar no chinelo as mais ensandecidas curvas da estrada de Santos. Pronto, Feliciano, já pode mandar acabar o mundo.

PUTAQUEPARIU O SOBRENATURAL DE ALMEIDA!!!

(Sei que alguns espíritos de porco podem até dizer que a jogada seguinte foi um pênalti – porcina – aquele que foi sem nunca ter sido, mas aí eu lhes pergunto. Diante daquele lançamento (assistência é a PQP) luminoso o que deveria fazer qualquer juiz com o mínimo de bom senso e decência? Ora, tinha que tomar alguma providência. Das duas, uma. Ou marcava penalidade máxima ou dava logo gol direto. Nada menos do que isso).

Pois muito bem. Sem ao menos esperar que os emotivos, como este e outros sensíveis locutores, enxugassem as lágrimas, Marquinhos inverteu de posição (lá ele) e foi fazer estripulias no lado esquerdo do ataque. Por causa dos graves problemas nas cordas vocais não poderei narrar as maravilhas que antecederam o terceiro gol. Digo apenas que foi algo mais enigmático do que o terceiro segredo de Fátima.

E, por falar em sobrenatural, Marquinhos, apesar da frágil saúde, fruto de uma alimentação à base de biscoito recheado, continuava a assombrar. E a glória final veio aos 48 minutos, quando ele balançou as redes e correu para a torcida com a angústia e a alegria de antanho.

A propósito, motô, leve o bonde de volta para 2008.

Seguinte foi este.

Depois de brilhar intensamente durante todo o campeonato do referido ano, o guri, então apenas com 18 anos, foi contratado pelo Palmeiras. Até aí, tudo bem. O problema é que o Verdão estava disputando uma vaga para a Copa Libertadores e o Rubro-Negro baiano somente boiava confortavelmente no meio da tabela.

Naquela ocasião, a exemplo de agora, boa parte da torcida do Leão, emprenhada pelo ouvido por escrotos radialistas baianos (perdão pelas redundâncias), tratava Marquinhos com o mesmo carinho que Marcos Feliciano devota à lógica elementar. Só xingamentos.

Lembro-me que, em 2008, e ontem também, com menos de 10 minutos de bola rolando, um fidumaégua ao meu lado já puxava uma vaia. Porém, Marquinhos não dava pelota. E fez o que sabe. Foi rápido, fominha, habilidoso, mascarado e, em alguns momentos, genial, brilhante. Infernizou a zaga naquela época e ontem também.

E nós, torcedores do Vitória, seguimos nossa sina, amando-o e perseguindo-o, como se precisávamos reforçar a todo instante que glórias contínuas não nos interessam, pois queremos ser apenas diplomados em matéria de sofrer.

Porém, o eterno retorno do GÊNIO FRANZINO teima em nos mostrar que é possível e preciso seguir por um caminho diverso e feliz. E assim será o Evangelho do Esporte Clube Vitória segundo São Marcos. Amém?

 

P.S. 1 Por falar em renovação, amanhã, dia 18, o futuro craque Rubro-Negro Bernardo, filho de Marquinhos, completa um mês.

P.S. 2 Procurei em todos os sites e não encontrei o lance genial de Marquinhos. Como bem lembrou meu amigo João Carlos Sampaio, “mais uma vez, Nelson tinha razão. O videotape é burro

BARBÁRIE (NA BAHIA) É CIVILIZAÇÃO

abril 15, 2013

Talvez o percentual que será fornecido ainda neste primeiro parágrafo não seja o exato, até porque a imbecilidade aqui é uma praga que se alastra com a rapidez de um Ben Johnson dopado, mas, de acordo com os cálculos efetuados na rigorosa tabuada, os números oficiais são os seguintes: 67,14% dos baianos amam reproduzir as infames caricaturas que lhes têm sido impingidas per seculae seculorum.

Não foi à toa que bastou alguém um dia inventar o clichê de que “baiano não nasce, estréia” – e as numerosas nulidades desta província lambuzada de dendê e de exclusão, mesmo desprovidas de talento, decidiram que eram artistas e se entronizaram na ribalta. A partir de então, num teve mais tempo ruim para estas criaturas rebolativas.

Por falar em tempo ruim, outro exemplo marcante de crença no sobrenatural ocorre nesta seara. A Cidade do Salvador tem um dos mais altos índices pluviométricos do Brasil, porém a velhaca urbe foi vendida, literalmente, como uma sucursal do paraíso, onde faz sol o ano inteiro. E o pior. Os nativos não só propagam esta culhuda, como efetivamente acreditam nela. Assim, é mais fácil encontrar um empreiteiro honesto do que um morador desta cidade que possua um mísero guarda-chuva para se proteger dos temporais. Aqui é só céu azul e alegria.

Mas, chega de dança de rato. Falemos agora de jangada, que é pau que bóia (deixa o acento, revisor sacana).

Seguinte é este. Se a mitificação aqui ocorre nos mais diversos setores, não seria o futebol que desta lei da natureza baiana iria ter isenção.

Assim, encerro os prolegômenos e, sem deixar a criança quicar no chão, informo logo que os mauricinhos metidos a civilizados que comandam a velha/nova praça esportiva, sacaram do coldre a tergiversação (alô, Dilmão). Como assim? Assim, ó. Na falta de argumentos para justificar suas tenebrosas transações e seculares incompetências, os canalhocratas decidiram o novo e farsesco mito de que o torcedor baiano é um vilão bárbaro.

Seguinte foi este.

Logo após a realização do inolvidável Ba x Vi do último dia 7 de abril, todas as merecidas comemorações foram abafadas pela cantilena de uma nota só (tão insuportável quanto o mais desgraçado dos pagodes baianos) de que os frequentadores dos estádios daqui não sabem se comportar. (Valei-me, minha Nossa Senhora do Manual de boas maneiras!)

Ato contínuo, os miquinhos amestrados da imprensa, como sói, repetiram sem cessar esta inescrupulosa ladainha. No day after do clássico, por exemplo, as manchetes eram sobre a (mal) dita falta de educação dos torcedores que danificaram 21 cadeiras. E esta xibiatagem acusatória foi reproduzida nos bares, becos, ladeiras e vielas. E a pergunta não calava: “Como é que estes vândalos destroem as coisas assim?”.

Aliás, a chibança começou antes mesmo da bola rolar. Na sexta-feira santa, dia 29 de março, a torcida já havia sido tirada pra cristo. Por falta de organização na venda dos ingressos, os bárbaros que apenas queriam ver o clássico foram agraciados com bomba de gás lacrimogêneo e cacetadas civilizatórias da briosa polícia baiana.

Invés de se desculparem pelos nefastos incidentes, os administradores da praça esportiva (?) lançaram uma esdrúxula nota pública, admoestando os torcedores, num tom de quase ameaça: “É importante destacar que a Arena Fonte Nova vai demandar um novo comportamento do torcedor”.

Que beleza, né não? Não, pois os que sabem cagar regras sobre o comportamento alheio, praticamente se calam diante de suas obrigações. Em relação aos SEIS mil pontos cegos no estádio, por exemplo, Frank Alcântara, presidente da arena, balbuciava: “Acho que há certo exagero, mas vamos ver com a Fifa o que pode ser feito, se existe adaptação”

Por falar em adaptação, o repórter Rodrigo Mattos, do UOL, informava que a Arena Fonte Nova teria assentos plásticos sem a certificação obrigatória do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) para esse tipo de item. Pois é. Que maravilha! Os que pregam tanto a ordem, descumprem, civilizadamente, é claro, uma norma federal. (Aliás, olhando para esta foto abaixo de Daniel Perrone, percebe-se que há descumprimento não só da legislação nacional, mas até dos tratados da Convenção de Genebra).

 

ex

 

 

PUTAQUEPARIU O DESCONFORTO!!!

Mas, o cordão dos puxa-saco e similares continua a propagar que a culpa de tudo é dos bárbaros que danificaram 21 cadeiras, que valem R$ 250 reais cada uma, conforme eles fizeram questão de alardear, e etc e coisa e tals.

Quanto ao fato de que a Fonte Nova custou R$ 97 milhões a mais do que o valor original, de acordo com matéria assinada pelo repórter André Uzêda no jornal A Tarde, poucas palavras. Afinal, isso é besteira. O que precisamos mesmo é civilizar estes bárbaros que ainda acreditam que é possível e preciso continuar exercendo e exacerbando suas paixões nos estádios.

Ah, sim. Mais dois registros. Primeiro. O saldo final da manifestação dos mais de 40 mil violentos vândalos que infestaram o novo e asséptico estádio foi o seguinte: Três, repetindo, TRÊS ocorrências policiais apenas: uma perda de documento, um furto e um desacato.

Segundo: Os mecenas do pebolismo embolsaram quase dois milhões com a peleja, mais exatamente R$ 1.954.000,00 – isso sem contabilizar a bufunfa referente à quantidade de ingressos disponibilizados no setor Premium e nos camarotes. (O Bahia, que era mandante do jogo, não recebeu um centavo. O Vitória, então…)

De tudo isso fica a seguinte e novíssima lição. Antigamente, os amigos do alheio praticavam o crime e, para despistar, gritavam “Pega ladrão”. Atualmente, eles mudaram a palavra de ordem. Embolsam a grana e acusam: “Olhem ali os baderneiros, pessoal”.

Por estas e outras (muitas outras) que aqui, no Nordeste de Amaralina, a turba ignara não cansa de repetir o bordão do menino Humberto Sampaio:

“Porra de Arena. Sou e sempre serei partidário do MDB (Meu Democrático Barradão)”.

E viva a barbárie civilizatória – e não o seu vice-versa, seja lá que porra isto signifique.

Este texto é uma sequência deste: Civilização (na Bahia) é Barbárie.

HORA DE PENSAR NO FUTURO DO VITÓRIA

abril 10, 2013

       TEXTO ESCRITO POR ROBSON LEÃO

 

É fato que o momento é de comemoração. Afinal, não é todo dia que batizamos um estádio com um resultado de uma partida. Porém, para que nossa alegria não seja efêmera é preciso, necessário e fundamental que pensemos de modo mais amplo.

Muito se discute acerca da necessidade de profissionalização do Vitória, sobre a necessidade de um aperfeiçoamento do trabalho na divisão de base e como a transformação do Estádio Barradão em uma arena pode representar um incremento de receitas para o clube etc ….

Obviamente, estas questões consistem em discussão acerca do modo como o clube pode se tornar mais forte, sobretudo, no futebol profissional.

De fato, é necessária a adoção de um planejamento que torne o clube cada vez mais independente das cotas de TV e de eventual receita com bilheteria.

Neste aspecto, acredito que temos 3 vetores principais de captação de receita para viabilizar o clube:

i. renda com o marketing (exploração da marca/ incremento da torcida no interior).

ii. renda com os associados.

iii. renda com a arena barradão (se for viável a modernização do equipamento).

Dos três, acredito que o marketing tenha sido o maior atraso na gestão Portela.

Com exceção da campanha “meu sangue rubro negro” e da definição das listras horizontais no padrão do clube (que era um verdadeiro abadá que mudava todo ano), o departamento de marketing cometeu gafes imperdoáveis.

1. Contrato com fornecedora fraca (champs).

2. Jogo contra o Flamengo no Engenhão, em 2009, com o time usando uma farda branca remendada em cima do símbolo da Insinuante.

3. O goleiro Viáfara usando meião do Vasco da Gama.

4. Vazamento de fotos do uniforme oficial antes do lançamento antes do lançamento (enquanto o ABC, singelo coirmão do rio grande do norte, promovia o lançamento do seu uniforme com a modelo/ jogadora Milene Domingues.

5. Gafe da Penalty ao veicular notícia do Vitória com escudo do Flamengo.

6. Contrato com uma empresa fornecedora por pífios 500 mil anuais por 5 anos !!!! (enquanto o rival ganha 2 milhões com a Nike).

Para se tornar competitivo, o ECV deve ter uma remuneração com o marketing no uniforme equivalente a 50% do valor arrecadado pelo Cruzeiro/ Atlético Mineiro/ Botafogo/ Grêmio.

Assim, se esses clubes recebem 30 milhões anuais com patrocínio de camisa a meta é que o Vitória receba 15 milhões (e não 5/6 milhões como ocorre hoje).

Neste contexto, não podemos ter contratos longos (a não ser que se configurem muito vantajosos do ponto de vista econômico). Devemos fazer contratos com, no máximo, 2 anos de duração.

Por outro lado, para viabilizar o valor agregado a camisa, devemos ter uma visibilidade cada vez maior.

A reestruturação da Copa do Nordeste pode colaborar com esse novo cenário (e acho que a Liga do Nordeste deveria pensar em uma grande final com o campeão da Copa do Norte para definir o Campeão do Norte/ Nordeste todos os anos).

Ademais, seria indispensável criar mídias que divulgassem a história do clube e sua estrutura.

No entanto, o que observamos no sítio virtual do Vitória ??????

Comparem a forma como os títulos do Sport Recife, Fortaleza e ABC são divulgados nos sítios daqueles clubes e como são divulgados no sítio do Vitória.

Examinem como são enumerados os títulos do Vitória no wikipédia (mais claro que no site) !!!!!!!!

Enfim, é dizer o óbvio que nosso sítio virtual é patético.

E o que dizer da estrutura.

Como convencer os patrocinadores (ou interessados) de que o Vitória tem uma estrutura forte se inexiste fotos que revelem como se encontra nossa estrutura (comparem com o sítio do Góias e vejam como estamos atrasados) !!!!

Em relação a torcida no interior, observamos alguns defendendo a realização de amistosos no interior (que é inviável em razão do calendário apertado) e torcedores soteropolitanos que demonstram sua indignação com torcedores do interior que não torcem pela dupla baxvi ou, quando muito consideram o bahia e o vitória como segundo clube (a famosa torcida mista).

Na verdade, passei 75% da minha vida no interior e tenho certeza que não há nenhuma possibilidade da dupla baxvi se transformar em maioria no interior do Estado da Bahia.

Por outro lado, acredito que duas políticas institucionais pode duplicar o número de torcedores e de simpatizantes (da torcida mista) em favor do Vitória.

A primeira é copiar a política da dupla grenal de realizar parte da pré temporada no interior do Estado.

Acho que o Vitória poderia utilizar a equipe profissional e o sub 20 para se deslocar da Capital até duas cidades diferentes três dias antes da estréia e promover a estréia no estadual/ regional naquele local.

No ano seguinte, a cidade que recebeu a equipe sub 20 receberá a profissional e vice versa com o trabalho de entrega de kits escolares como brindes etc ….

Neste contexto, acredito que poderíamos escolher cidades de porte médio que não tem clube disputando campeonatos profissionais (porto seguro, eunapólis, santo antônio, cruz das almas/ itapetinga/ conceição do coité/ serrinha/ jacobina/ senhor do bonfim).

ii. renda com associados/ renda da suposta arena barradão.

O Vitória nunca ultrapassou a barreira dos 15.000 associados e entendo absolutamente descabida a ilação que teríamos 50.000 com qualquer governante ou em qualquer arena.

O ranking de público do brasileiro apresenta a seguinte média histórica: 1. flamengo. 26.979/ 2. bahia. 24.139/ 3. atlético/mg. 24.067/ 4. corinthians. 22.349/ 5. cruzeiro. 19.276/ 6. internacional. 18.259. ……… botafogo. 13.735/ góias. 13.381/ santos. 13.212/ vitória. 12.746/ naútico. 11.739.

De fato, a torcida do Vitória duplicou nos últimos 25 anos, mas a popularização da TV a cabo e a “divisão da atenção” do futebol local com o futebol europeu e outros esportes é uma realidade que não pode ser desconsiderada (hoje, as pessoas tem mais notícia da champions league do que de qualquer estadual) !!

Acredito que a pesquisa de torcida mais próxima da realidade é a timemania na qual o vitória teve colocações parecidas nos últimos 4 anos (2009. 16a; 2010. 15a; 2011. 18a; 2012. 16a colocação).

Alguns cartolas do Grêmio sustentam que a Arena não foi um bom negócio para o Grêmio por comprometer parte condiserável da receita do clube.

Parte da torcida do CAP questionam as supostas vantagens da ampliação da Arena da Baixada.

O Botafogo tem sérias dificuldades em obter lucro com o Engenhão.

Recomendo a análise dos seguintes documentos a respeito das “arenas” no Brasil.

http://www.sul21.com.br/jornal/2013/03/e-o-problema-mais-grave-da-historia-do-gremio-afirma-gladimir-chiele-sobre-arena/

http://eucurtoesporte.blogspot.com.br/2012/12/nova-arena-vale-pena-capitulo-vi.html

http://www.cartacapital.com.br/economia/o-exemplo-frances/

http://futebolnegocio.wordpress.com/2008/04/19/engenhao-payback-150-anos/

http://www.fogaonet.com/noticia.asp?n=32940&t=ampliacao+do+engenhao+para+olimpiada+sera+so+temporaria

http://www.lancenet.com.br/botafogo/Engenhao-passa-elefante-branco-nacional_0_409159195.html

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/gremio/noticia/2013/03/odone-rebate-criticas-contrato-ha-um-desmanche-da-imagem-da-arena.html

http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2012/12/10/arena-do-gremio-uma-nova-era-para-o-clube/

http://www.universidadedofutebol.com.br/Coluna/11722/buscar

http://futebolbusiness.com.br/2013/03/amir-somoggi-o-futebol-brasileiro-precisa-mudar/

Não acredito em frases de efeito como “pensar grande”, “ousadia”, “arrojo”; mas sim, em trabalho e organização.

Será que o Vitória seria tão gigante assim que não passa pelas inquietações de outras agremiações como a “ala gremista” que trata da arena como maior problema da história do clube ????

Considero muito mais viável definir a intenção de, no espaço de 5 anos, atingirmos a marca de 15 ou 20.000 associados em dia.

Com 15.000 associados, o clube teria um rendimento fixo de, aproximadamente, 7,5 milhões anuais com associados.

Somada essa quantia com o arrecadado em bilheteria com frequentadores eventuais, nosso clube arrecadaria mais de 10 milhões por ano com o estádio.

Essa quantia, por si só, já seria maior do que a recebida como garantia pelo Bahia na Arena Fonte Nova.

Mas, a diferença seria a utilização do Barradão em atividades diversas durante o ano e a publicidade do estádio.

iii. A viabilidade da Arena Barradão.

A maioria é favorável a uma grande ampliação para transformá-la numa grande arena para 50.000 pessoas (só não sabem como fazê-lo sem quebrar o clube).

Eu me incluo na minoria que acredita mais viável, barato e simples dotá-lo de conforto para uso dos jogos do nosso clube com uma capacidade de 25.000 pessoas e, se for o caso, mandar alguns jogos do Vitória na Arena Fonte Nova (por isso, a sugestão anterior da Arena do Jacaré).

Tenho muito medo dessa “Síndrome de Dom Quixote” de imaginar uma realidade virtual  para nosso clube que não representa a nossa realidade numa verdadeira esquizofrenia coletiva.

Honestamente, não vejo nenhuma possibilidade do Vitória investir mais do que 40 milhões no Barradão (com a ajuda dos patrocinadores).

Não tenho urticária em relação ao estádio da Fifa e não vejo problema em jogar  4 jogos por ano por lá (caso o Barradão remodelado diminua sua capacidade de público).

Aliás, acredito que isso possa ter um certo benefício para o clube para aproximá-lo um pouco de parte de sua torcida que reside nos arredores da Nova Arena Fonte Nova.

Outra questão é:

O Morumbi, palco dos shows de Madonna, u2, guns and roses, mcarteney concedeu uma renda anual de 25 milhões ao são paulo em 2011.

O Engenhão, no mesmo período, proporcinou menos de 1 milhão ao Botafogo.

Acredito que a razão é porque, no Rio, os grandes eventos foram realizados no Maracanã.

Salvador, obviamente, não tem a mesma capacidade de realização de eventos que possuem Rio e São Paulo.

Aliás, essa é uma questão ignorada por quem defende a capacidade de “mina de ouro” de um estádio.

PIB                     RENDA PER CAPITA

São Paulo. PIB 443.600.102         Renda per capita. 39.430,87

Rio de Janeiro. 190.249.043        Renda per capita. 30.088,47

Belo Horizonte. 51.661.760         Renda per capitada. 21.748,25

Curitiba.       45.762.418          Renda per capita.  25.934

Fortaleza.      37.106              Renda per capita.  15.161

Porto Alegre.   36.774             Renda per capita.  25.716

Salvador.       36.744             Renda per capita.  13.728

Campinas.       36.688              Renda per capita.  33.939

Recife.         30.032              Renda per capita.  19.540

Ou seja, com todo o turismo e etc …. o pib de salvador representa 1/ 12 avos da riqueza de são paulo.

Como ignorar números tão contundentes ???? Que “magia” seria essa de transformar um estádio inserido numa “cidade pobre” na arena mais rentável do Brasil ?????

Não há como competir. Não há como contar com a mesma demanda. Não há como contar com o mesmo número de eventos. Não há como contar com o mesmo faturamento por evento. Não há como cobrar o mesmo preço por ingressos.

Ademais, o torcedor médio do Vitória (que recebia o salário anual de R$ 13.728 em 2010) não tem condição de pagar ingresso equivalente ao torcedor do CAP que tinha um rendimento anual de R$ 25.934.

Outra incompreensão nossa é utilizar o Madison Square Garden como parâmetro de Arena.

O MSG tem capacidade de público de 19.763 pessoas sentadas e ociosidade zero (e como defender uma arena para 50.000 !!!!!). São 250 eventos no ano no MSG !!!!!!

Nova York tem um PIB de 1,28 trilhão e uma arena sem nenhuma ociosidade !!!!.

Por outro lado, independente do valor que o Vitória invista no Barradão, a preferência para a realização de grandes eventos (com públicos de 50 mil pessoas e elitizados) será pela Arena Fonte Nova – nem o mais lunático dos torcedores do vitória acredita no contrário.

E cumpre indagar, qtos. Eventos são realizados em Salvador por ano com público superior a 25.000 pessoas (15/ 20 ???)

E com público entre 10.000 até 25.000 (um pouco mais).

E eventos de porte médio com público entre 3.000 até 10.000 ???? (Centenas e centenas). Assim, o conceito de Arena tem que ser especializado para esse público.

Assim, o Barradão precisa ser pensado como alternativa para eventos de médio porte (com cerca de 20.000/ 25.000 frequentadores) que o organizador prefira um espaço com aluguel mais barato.

Num contexto mais modesto, poderíamos ter também quadras cobertas de jogos olímpicos para utilização em pequenos eventos musiciais nos finais de semana (próximo ao São João e Carnaval) que abrigasse até 2.000 pessoas com uma renda anual para o clube de 500 mil/ 1 milhão.

Uma segunda alternativa, essa sim rentável, é a construção de um ginásio em formato de Arena como a Arena HSBC (na Tijuca, Rio de Janeiro) que custaria entre 15/ 25 milhões (considerando o gasto pela Arena Santos de 17).

A Arena HSBC recebeu show do cantor evangélico Fernandinho em março e, em abril, receberá Ivete Sangalo, André Rieu, The Cure, Paradore e outros.

E os grandes estádios receberão o que mesmo ????? Nadinha, nadinha.

A Arena HSBC é um espaço que abriga eventos entre 300 até 18.000 pessoas.

http://www.hsbcarena.com.br/index_home.php

Aliás, ciente de que o estádio em si é pouco utilizado em grandes eventos, que a Diretoria do CAP tem construído uma Arena de Shows anexo ao Estádio com capacidade para 10.000 mesmo sem possuir equipes de esportes olímpicos.

http://www.arenacap.com.br/?p=2322

Esse sítio logo acima demonstra a importância das “pequenas arenas”.

Em Santos, temos a Arena Santos (muito mais modesta que a HSBC Arena) e a Arena Parque São Jorge remodelado pelo Corinthians.

E essa é a necessidade de Salvador. A Arena Fonte Nova será utilizada para os grandes eventos e o filão será os eventos de pequeno porte (já que são centenas e temos a necessidade de vários espaços para abrigar esses eventos).

Só existe a Arena HSBC com estrutura de “arena de médio porte”.

Muito mais rentável, sem o futebol, seria um Ginásio estilo Arena MultiUso (qie serviria aos esportes olímpicos) com capacidade de 5.000 pessoas em cadeiras/ camarotes e assentos com conforto similar a HSBC Arena e trabalho acústico apropriado. Com o uso da quadra, uma arena desse tipo poderia abrigar até 7.000.

Receberia eventos, como o HSBC, de 300 até 7.000 pessoas.

Pequenos shows de ensaios de carnaval, forró, formatura, casamento, baile da saudade, eventos religiosos, apresentação de ballet, música clássica ….. (poderíamos ter até 80 eventos não esportivos por ano).

Ademais, serviria para o uso das nossas equipes olímpicas (que poderia ser utilizada em mais uma 50 datas com todo tipo de evento).

Se o Estádio é tão rentável, porque o CAP decidiu fazer um ginásio ?!

A resposta é que não existe local no Brasil adequado para abrigar os shows de porte médio com conforto.

http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/complexo-da-arena-da-baixada-tera-ginasio-multiuso

Não seria nada perto do que o São Paulo arrecada, mas já seria suficiente para pagar os custos do estádio e parte dos equipamentos de treinamento.

No entanto, a grande vantagem da renda econômica em continuar no Barradão não seria associados/ bilheteria e nem shows, mas sim, parcerias (naming rights/ lanchonetes/ estacionamento/ eventos de divulgação em dias de jogo).

Acredito que o clube possa alcançar com patrocinadores mais de 50% com o que se arrecada de imagem na Arena Fonte Nova com o estádio remodelado e o Ginásio Olímpico Arena (se a imagem do mesmo for bem trabalhada).

Ademais, acredito que eventual reforma deveria setorizar o estádio em cadeiras centrais coberta/ cadeiras/ arquibancas e camarotes para viabilizar uma política de preços para toda a nossa torcida.

Qto. a ideia de um shopping no Barradão, em meu entendimento, é inteiramente inviável.

Poderíamos pensar em um “concept hall” como fez o São Paulo no Morumbi com lojas na entrada do estádio que sirvam aos frequentadores dos jogos, os usuários de uma suposta Arena Ginásio com uma razoável qtdade de shows.

Ao invés de apenas a Loja do Vitória, o concept hall poderia contar com restaurante a quilo (para possibilitar que torcedores saiam do trabalho ou da praia e se dirijam direto para o estádio) e uma loja de conveniência.

Mas a viabilização do Barradão exige o exercício da competência do administrador do Vitória exercer o papel de líder da Comunidade de Canabrava.

Uma população em notável fragilidade social, que padece com o descaso do Poder Público e, ainda, com comentários infelizes dos rivais que, pretendendo atingir nosso clube, se refere a casa dos mesmos como “lixão”.

Fato é que, depois de 1997, Canabrava não recebeu nenhuma nova intervenção digna de nota pelo Poder Público (apesar de, segundo afirmam, vivermos o auge da luta pela desigualdade no Brasil).

Pois bem, o que existe de projeto estatal é a construção da via expressa às margens do Rio Mocambo.

Essa obra resolveria o problema mais grave do ECV, mas não iria contribuir para resolver os dilemas principais da população de Canabrava.

Acredito que, legitimado por uma torcida de 2 milhões de brasileiros e vizinho da Comunidade de Canabrava, o(a) Presidente do ECV tem a obrigação de buscar junto ao Senhor Prefeito ACM Neto, junto ao Senhor Governador Jaques Wagner, junto aos Ministros de Estado, aos Deputados Federais e Senadores obras que beneficiem os moradores de Canabrava e, paralelamente, beneficie nosso clube como integrante daquela comunidade.

Neste contexto, cabe destacar que o local já foi objeto de estudo de arquitetos, urbanistas, sociólogos, antropólogos, inclusive, com elaboração de propostas para o Bairro.

No Plano do Bairro Canabrava do CATAÇÃO sugere-se uma via expressa às margens do Rio Mocambo com uma ciclovia e equipamentos de esporte para os moradores do local. Além disso, sugere-se a construção de 2 praças, um terminal rodoviário para o Bairro. http://www.cataacao.org.br/wp-content/uploads/2012/03/PBAIRRO_CANABRAVA_RESUMO_EXECUTIVO-MAR-2012.pdf

http://www.cataacao.org.br/wp-content/uploads/2012/03/PBAIRRO_CANABRAVA_RESUMO_EXECUTIVO-MAR-2012.pdf

Pessoalmente, simpatizo com as informações do referido projeto em razão da consulta aos moradores do local sobre os problemas do local.

Não é só, temos diversos trabalhos acadêmicos acerca do local e, como exemplo, o trabalho http://www.geoambiente.ufba.br/semin%C3%A1rio/Hilda%20Braga.pdf

Ora, se o Governo do Estado teve dinheiro para investir em um “elefante branco” chamado Pituaçu porque não fazê-lo em relação ao povo de Canabrava ???

Não seria razoável o investimento de 60 milhões de reais em obras estruturais nos Bairros de Canabrava/ Trobogy e Vila Canária ????

Ou será que combate a pobreza se restringe à bolsa família ????

Será que urbanismo, encostas, capacitação para o trabalho, direito ao trabalho, ao acesso à saúde, acesso à educação, acesso ao lazer e ao transporte coletivo não representam inclusão social.

Num segundo momento, cabe visitar nosso vizinho (Ypiranga, ainda mais desprestigiado) da Vila Canária (distante 2,8 Km do Barradas) para lutar por obras de interesse comum às referidas comunidades.

A valorização do Barradão, neste contexto, seria consequência da valorização de todo o Bairro e não entendo como nenhum dos postulantes ao cargo se mostrou interessado com a referida temática.

Com a palavra os postulantes…

CIVILIZAÇÃO (NA BAHIA) É BARBÁRIE

abril 9, 2013

No auge da ditadura (se é que ditadura tem auge), quando a madeira gemia no lombo dos incautos em 18 idiomas, aqueles que, concomitantemente, amavam a subversão e o ludopédio viviam o seguinte dilema dos 600 DEMÔNHOS. Como torcer pela seleção brasileira se esta era usada pelo regime para inebriar o povo e amortecer qualquer ímpeto de mudança?

PUTAQUEPARIU A CONTRADIÇÃO!!!

Os mais ortodoxos, aqueles que acreditavam no surrado clichê de que o futebol era o ópio do povo, faziam pregações contra o time canarinho com um fervor da fazer inveja a Marcos Feliciano (que deus o tenha). Porém, quando a bola rolava nos gramados mexicanos, muitos chutavam Marx para escanteio e passavam a vibrar como o mais insano e alienado dos torcedores.

Mutatis mutandis (recebam um latinismo nos mamilos), este ingênuo e megalômano locutor também vivenciou, neste já histórico dia 7 de abril (o mais terrível dos meses para os tricolores. Chupa, T.S, Eliot), a horrenda dicotomia entre consciência político-social x futebol.

E as vastas emoções, os pensamentos imperfeitos, as muitas doses de canjebrinas e outras substâncias (ainda) não recomendadas pela Carta Magna martelavam meu maltratado juízo com os seguintes e impertinentes questionamentos: Por que diabos devo participar do pontapé inicial de uma história que tem como objetivo marcar de modo indelével o processo de elitização do futebol baiano? Por que porra vou gastar meu parco e quase suado dinheiro para financiar as empreiteiras que já enchem os bolsos com as seculares e tenebrosas transações? Por que devo ir a um estádio que tem nome de cerveja fuleira e sem álcool? E, pior de tudo: seria digno participar de uma festa estranha que não tem o mínimo de respeito com a memória daqueles que ali morreram tragicamente há pouco mais de cinco anos?

E, pra completar os maus presságios, o dia amanheceu nublado. E, meu amigo Henrique Dantas, autor do bom filme sobre os Novos Baianos (e futebol, é claro) ainda me mandou a seguinte e desalentadora mensagem: “Eu queria muito ter tido vontade de ir na Fonte Nova, mas não consegui ter essa vontade…Como posso ir para um lugar de pretenso primeiro mundo estando rodeado de quinto mundo? Hoje vai ser um desses dias que você preferiria que não acontecesse…. Poderíamos nesse momento estarmos dentro de uma outra realidade, numa cidade que respira, numa cidade que se circula, numa cidade que se educa, que se cuida…Imaginava e queria outra realidade, com os amigos lá, em peso, felizes, torcendo, vibrando… Phoda...”

E a porra do ponteiro do relógio, que nunca para, já marcava meio-dia. E a angústia carcomendo. E fraquejei. E, contrariando minha ideologia, resolvi descaradamente descer a pirambeira rumo à velha/nova fonte. E, como traição pouca é bobagem, joguei o resto dos princípios na lata do lixo da história e me entreguei também à sanha dos vorazes cambistas. Morri em mais de 10% do salário mínimo.

Porém, num resquício de dignidade, decidi que só entraria no estádio depois que acabasse o show dos axezeiros e a bola fosse rolar. Queria apenas futebol – e não espetáculo para enganar turistas, otários e afins.

caminhar

E foi assim, humilhado pelas grandezas de Pindorama, que, às 15h58, voltei a pisar no cimento sagrado – não sem antes desobedecer às instruções da moça que, inutilmente, tentava me informar que minha cadeira era para ser acessada pelo portão A, Setor Leste, no primeiro balcão à esquerda da puta que o pariu. Fiquei em pé nas escadas, praticamente na zona do agrião.

Aliás, aí começa uma nova/velha e boa história. Mantendo a tradição, ninguém no estádio, pelo menos onde estávamos, na Torcida Os Imbatíveis, usou as assépticas cadeiras. Todo mundo ficou em pé o jogo todo, gritando, vibrando, xingando e, novamente contrariando minha ideologia, até dançando.

Por falar em dança, o baile dentro do campo foi um dos mais humilhantes da história dos Ba x Vis. O tricolor até começou melhor, dando (lá ele) a impressão de que, finalmente, quebraria o jejum de quase 10 anos sem vencer o Vitória na Fonte Nova (A última vez foi em fevereiro de 2004. De lá pra cá são oito jogos sem sentir o inebriante gosto do triunfo).

No entanto, a casa começou a feder a homem quando o paraibano Renato Cajá marcou o primeiro gol do jogo, pouco depois dos 40 da etapa inicial. A partir de então, como diria o menino Bandeira, não vi mais nada, pois os céus se misturaram com a terra e o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

nublado

Aliás, minto. Meninos, eu vi. Vi e entendi porque Messi é primo de Maxi – e não vice-versa. Que golaço antológico, sem pretensão, sem firula, sem pressa, sem chilique, apenas um toque para a criança cair dengosamente no barbante, como se estivesse dando um mergulho no Dique do Tororó.

PUTAQUEPARIU A CATEGORIA!!!

O terceiro gol, então, foi sacanagem. Dinei, Maxi e Michel se transformaram em cinco, incorporando os espíritos de Pelé, Coutinho, Dorval, Mengálvio e Pepe. Uma tabela infernal que contou com o auxílio luxuoso do goleiro Marcelo Lomba.

O Bahia descontou com Zé Roberto, que ontem fez o primeiro gol dele com a camisa tricolor, depois de mais de um ano e 42 partidas. Porém, nem houve tempo para comemoração. Menos de 10 minutos depois, Marquinhos e Vander (que ironicamente foi dispensando pelo Bahia por deficiência técnica), tais e quais uns raios da silibrina, seja lá que porra isto signifique, causaram um alvoroço na zaga e deixaram o tricolor de quatro.  Escudero bateu o último prego no caixão.

E o jogo que tinha tudo para ser insosso, civilizado, transformou-se num bárbaro massacre. E este espírito contagiou as arquibancadas, onde, repito, ninguém ousou ficar sentado. Aliás, como não há mais alambrado, os jogadores Rubro-Negros resolveram vandalizar e, a cada gol, invadiam o espaço destinado à torcida, numa das mais belas e selvagens comemorações da história do Ludopédio desta província.

povo

E disso tudo ficam três lições. Primeira. Quando o assunto for Ba x Vi, sempre contrarie sua ideologia.

Segunda: O atual time do Vitória mostrou que a melhor receita para burro banguela é milho seco. Assim, ou o sacana lasca gengiva ou morre de fome.

A terceira e  fundamental lição é a seguinte.  Depois do que aconteceu ontem, ficou claro que vai demorar muito tempo para que os canalhocratas consigam domesticar os torcedores baianos. Aqui, para o bem e para o mal, civilização ainda é barbárie.

* Texto escrito especialmente para o Impedimento

P.S 1  O Rubro-Negro Marighela foi o deputado que defendeu a construção da Fonte Nova.

P.S 2 A ImpedCorp havia me solicitado um texto bem humorado sobre a peleja. Porém, resolvi não atender por conta de meu espírito cristão, pois não posso, não quero, nem devo tripudiar sobre os fracos. Apenas registro que estou virado na porra com o Vitória. Como é que o Leão enfrenta um time horrível daquele e só mete CINCO?

P.S.3 Ah, sim. Segurem a cabecita de la madre porque Joel Santana, o homem que colocou o antológico apelido de sardinha no Bahia, está de volta para falar ingrês com Adivis. É, depois disso, o único jeito é continuar degustando uma caninha 51.