Archive for fevereiro \27\UTC 2009

Digo não à argentinização do Futebol Baiano

fevereiro 27, 2009

Logo após ser nomeado embaixador nos Estados Unidos, no mês de junho do ano da graça de 1964, Juracy Magalhães largou a seguinte e simbólica frase que marcaria ad infinitum a subserviência de Pindorama aos interesses do Império do Norte. Às aspas. “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.

Pois muito bem. Exatamente 45 anos depois, o que parecia impossível torna-se real. A ordinária sentença juracisista é atualizada para pior. Achando que desgraça pouca é bobagem, a ladainha agora na Bahia é a seguinte. “O que é bom para a Argentina é bom para Salvador”.

Primeiro, foi a indecorosa proposta de SEGREGAÇÃO DAS TORCIDAS sugerida pela Diretoria do Itinga Esporte Clube sob a paraguaia alegação de que tão inovadora medida já ocorre nos jogos entre Boca Juniors e River Plate, em Buenos Aires. Eles fingiram esquecer nossa (quase) fraterna convivência nos estádios para imitar nossos vizinhos. E falaram: “O que é bom para a Argentina é bom para Salvador”. 

Não colou.

Agora, os adeptos do argentinismo inventaram um tal de campeão moral, ou VIRTUAL, fica a gosto do freguês, de primeiro turno – tal e qual acontece nos certames argentinos, com suas clausuras e aperturas da vida. “O que é bom para a Argentina é bom para Salvador”, repetem em uníssono os neocolonizados.

acontece, rebain de miséra, que a fórmula do campeonato baiano é totalmente diferente. É de pontos corridos e com direito a quadrangular final. Portanto, qualquer comparação de nossa realidade com a dos hermanos serve apenas para deixar envergonhado o velho Juracy,que, ao menos, tentava macaquear uma potência econômica.

Mas, já que estamos na seara sulamericana, vou repetir o grito louco que já toma conta das américas espanhola e portuguesa:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO

 

P.S Dizem as más e boas línguas que esta agonia toda é apenas para dar um título à equipe de Itinga, que não conquista nada desde 1914. Mas, a verdade que salva e liberta é uma só: todo título armengado só serve para desmoralizar quem dele quer usufruir. Nesta ânsia argentinística, por exemplo, o Vespertino meteu uma indevida vírgula na manchete separando o verbo do sujeito e desmoralizando o seu próprio título. Vá maltratar o idioma assim na Argentina. Confiram.

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Pra que serve um técnico?

fevereiro 18, 2009

Não bastassem os tradicionais dissabores da gloriosa segunda-feira, anteontem de madrugada despertei com o auxílio luxuoso da turba ignara do Norte e  Nordeste de Amaralina que gritava em uníssono numa barulhenta procissão: “MAURO FERNANDES , NÃO, MAMÃE;   MAURO FERNANDES , NÃO, MAMÃE;   MAURO FERNANDES , NÃO, MAMÃE; MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE;   MAURO FERNANDES , NÃO, MAMÃE”.

Pois bem. Por conta de minha formação afro-pop, ortodoxa cristã e marxista, sempre fiquei ao lado da voz do povo. Porém, nesta peleja, sou obrigado a lutar na outra banda da trincheira das manifestações populares. E berro para tudo o mundo ouvir: “MAURO FERNANDES, SIM, MAMÃE; MAURO FERNANDES, SIM, MAMÃE; MAURO FERNANDES, SIM, MAMÃE”.       

Antes de explicar minhas razões nesta peleja larryflyntiana, saco do coldre meu manual de sociologia barata e informo à nação: até compreendo os protestos, mas em verdade destaco que vocês não entendem para que serve um técnico de futebol. E como minha função é levar a verdade onde haja  o erro e  a luz onde exista a treva, cá estou.

Seguinte.

Nos últimos 11 meses, tivemos Mancini no comando do Rubro-Negro, o pior técnico de todos os tempos ou, pelo menos, de quando eu me entendo por gente –  o que dá no mesmo. Para que vocês tenham idéia das sacanagens do referido, eis um breve resumo.

Ele chegou no final de março de 2008 com a equipe caindo pelas tabelas e completamente desacreditado. Pois muito bem. Não satisfeito em ganhar o campeonato baiano, o que já é uma rotina nos últimos tempos, ainda conseguiu transformar um bando em um time. E, achando pouco, ainda fez alguns milagres. Ajudou a tornar Vanderson o melhor meio-campista do Brasil. O pitbull, que só sabia destruir jogadas e levar cartões, hoje é um atleta que desarma com firmeza, mas sem truculência, e ainda sai para o jogo com bola dominada e dá passes precisos. Um assombro.

Além disso, fez com que dois jogadores, Wallace e Willians, realizassem uma proeza que desafia a ciência moderna: aprenderem a jogar bola depois de seis anos. Eram dois casos perdidos. Até este locutor, que conhece e pratica o pebolismo (eu falei pebolismo, hereges) em 18 idiomas, acreditava que estes dois não tinham jeito para a bola. No máximo, poderiam participar de um campeonato intermunicipal

Mas, Mancini os recuperou para o futebol. E fez mais malvadezas. Botou o Vitória para jogar de igual para igual com as grandes equipes de Pindorama nas quase quarenta rodadas do Brasileirão. Um feito absolutamente inédito.

Aí, eu pergunto: isto é marca de técnico que se apresente? E eu mesmo respondo: Claro que não. O técnico, para quem não sabe, deve servir para as seguintes coisas: ser chamado de professor por pessoas semi-alfabetizadas, falar numa linguagem completamente incompreensível e ser depositário de nossas frustrações. Em resumo: deve ser aquele a quem devemos fazer a catarse cotidiana, xingando o desgraçado de forma impiedosa. Não só a ele como também a toda a sua árvore genealógica.

Pois muito bem. Com Mancini nada disso era possível. No máximo, ele fazia uma pirraçazinha na lateral direita (ala é a puta que o pariu) ou outra bobagem do gênero. Nada que merecesse nosso ódio. Uma afronta.

É por isso que louvo e defendo a chegada de Mauro Fernandes. Este, sim, vai restabelecer tão importante tradição.

E, feliz, encerro esta transmissão assim: “Mauro Fernandes, seu sacana burro. Tira Apodi e  bota Bosco na lateral-direita, porra”.

PALAVRAS DA SALVAÇÃO

fevereiro 17, 2009

A sentença drummondiana de que a luta com as palavras é uma batalha vã não se aplica ao ludopédio. Aqui, neste nosso território, o verbo é arma fundamental. Ele e a bola são unos e indivisíveis, pai, filho, espírito santo, amém. De nada adianta vencer uma peleja, se não pudermos (ou soubermos) tirar um sarro com o adversário. Sarro saudável, é bom ressaltar, pois nestes tempos temerários os psicopatas estão sempre à espreita para transformar divergências clubísticas em guerras sangrentas. E com estas injúrias humanas não há palavra, discurso ou homilia que resolva.

Mas, deixemos estes imbecis apologistas da violência no lugar que deve ser a eles reservados, o esquecimento, e voltemos ao que interessa: o poder que uma frase tem de mudar um jogo ou o destino da humanidade, o que dá no mesmo. Seguinte. Como ensino e pratico o pebolismo (eu falei, pebolismo, seus surdos sacanas) em 18 idiomas, poderia ilustrar esta resenha com as geniais tiradas de Dadá Maravilha. Mas, não citarei aquele perna-pau, que me deu alguns desgostos no início da década de 80 com seus gols desengonçados pelo Itinga, porque seria covardia. Seu humor foi, é e será insuperável.

Lembrei-me do menino Dario José dos Santos apenas para realçar o seguinte contraste: é incrível como o seu fino humor foi substituído atualmente pela estupidez telemarketeira que domina os discursos nos gramados, tanto de jogadores e, principalmente, de técnicos. Vá falar feio assim na Academia de Letras da Bahia.

Pois muito bem. Eu já estava praticamente desiludido neste ramo. Achava que as livros de auto-ajuda, estas pragas que se espalham como surto, haviam uniformizado todos os pronunciamentos futebolísticos. Só não perdi a fé completamente porque sou brasileiro, torço para o Vitória e não desisto nunca. Sabia que uma hora apareceria um anjo vingador, que ia nos redimir. E ele (re) apareceu. Maestro, caixa alta, por favor. NADSON RODRIGUES DE SOUSA.

Para quem ainda não entendeu, explico. Desde que retornou ao brioso Rubro-Negro baiano, o referido padecia de um mal incurável, que destrói os atacantes: a falta de gols. Na (re) estréia, foi aclamado pela torcida, mas perdeu dois gols de cara. No jogo seguinte, a mesma agonia. Quando todos acreditávamos que, no ba x VI, ele reviveria os áureos tempos, priscas eras em que metia três numa só partida, Nadson negou fogo e perdeu um gol incrível, debaixo da trave. Por conta disso, no Santuário Ecológico Parque Sócio Ambiental Manoel Barradas, uns infelizes apressados, que nasceram de sete meses e 14 dias, já começavam a chamá-lo de FINadson.

E tudo parecia caminhar para um fim trágico quando ele foi salvo pela força da palavra. Seguinte. Um repórter, com toda a estupidez peculiar dos repórteres, perguntou: “Nadson, não tá na hora de você tomar um banho de sal grosso para tirar esta ziguizira?”. E nosso herói, tal e qual um legitimo sucessor de Dadá, largou: “Quem toma banho de sal grosso é carne de churrasco. Eu vou é fazer gol”.

Promessa feita, promessa cumprida. Aliás, mais do que cumprida porque aquele golaço que abriu o caminho para a Vitória contra o Madre de Deus o redime de todos os pecados. Não foi à toa que NETO BAIANO ficou com inveja e também deixou o seu com bastante categoria. Agora, é torcer para que Nadson continue em campo tão afiado quanto nas entrevistas. Inclusive ele também já está gritando estas insanas  palavras da salvação:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!

Apelo à nação

fevereiro 15, 2009

Amanhã cedo farei o relato isento e  abalizado sobre a importante peleja  entre o Vitória e a poderosa agremiação de Madre de Deus, mas agora venho a esta tribuna em edição extraordinária apenas para reproduzir os gritos da população do Norte e Nordeste de Amaralina. Ouçam e protestem conosco.  

 

“MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE

MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE

MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE

MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE

MAURO FERNANDES, NÃO, MAMÃE”

Diálogos Impertinentes. Rescaldos do BA x VI

fevereiro 14, 2009

Os jornais informam (desculpem-me por começar com esta contradição) que o técnico Mancini já está de malas prontas para deixar o Vitória rumo à Baixada Santista. Até aí, como diria o filósofo Domingos de Souza, sem problemas. Afinal, se se levarmos em consideração a volatilidade das coisas do ludopédio hodiernamente (recebam, hereges, pelo mamilos) Mancini até que ficou muito tempo no comando do Rubro-Negro. Se bem que em alguns momentos parece que quem comandava não era ele, mas sim um caboclo pirracento que o referido técnico incorporava.

Porém, isso são águas passadas e redemoinhos. Vamos falar de jangada que é pau que bóia. O erro fundamental dos jornais (desculpe-me a redundância) foi afirmar que a queda de Mancini é uma das principais conseqüências do Ba x Vi.

Bobagem, rematada bobagem – até porque a Bahia e uma banda de Sergipe sabem que o principal rescaldo do Ba x Vi foi o duelo travado, logo  após a peleja, por este locutor e o ouvinte que atende pelo nome de Flávio Alves. Tudo começou depois que escrevi a análise abalizada sobre o jogo e principalmente sobre a (falta de) atitude da Direção Rubro-Negro, que deixou os torcedores do Leão espremidos em benefício do conforto dos torcedores do Itinga em Pleno Santuário Ecológico. O referido ouvinte discordou da minha isenta avaliação – e  estrilou.  Ouçam.

 

  1. Flávio Alves Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 2:25 pm   editar

Meu velho, a torcida do Bahia ficou tão espremida quanto a do Vitória. Ou melhor, se houve um espaçozinho a mais, embaixo do alambrado, nas faixas, é porque a divisão feita pela polícia pra separar tricolores dos rubronegros que ocuparam pequena parte da arquibancada do lado esquerdo das cadeiras fez com que fosse possível uma maior flexibilização. Mas o bicho pegou na torcida do Bahia, o que é mais injusto porque nós tricolores desde sempre não compactuamos com a qualificação de estádio de verdade atribuída àquele local. O problema é que aquilo que vcs chamam de estádio não tem capacidade de 35 mil pessoas. Esqueceram de fazer no Barrancão a recontagem que foi feita em todos os estádio brasileiros. Lá ainda se vive na época em que estádio de futebvol era igual coração de mãe. Enquanto isso, Pituaço, moderno, de acesso zilhões de vezes melhor que o do Barrancão, tem sua plena e indiscutível capacidade ceifada. Há explicação pra isso? Cadê o complô pra ajudar o Bahia?
Ora, voltando à questão da presença do público, a torcida do Bahia ocupou 40% do estádio porque foi mais ou menos 40% do público. A diretoria do Little Vitória apenas consertou um erro que vem cometendo a muitos Ba-vis: parou de espremer a maior torcida do estádio naquela curva do lado esquerdo das cadeiras. E, como ali não cabe 35 mil pessoas, dessa vez todo mundo ficou espremido. Quem reclama dos 40% de espaço só pode estar entre aqueles que acham que deve haver cota pra torcida visitante em clássicos. Isso não existe, nem pode existir. Fazem isso no sul, mas na Bahia não podemos deixar que aconteça. QUEM TIVER MAIS BALA NA AGULHA, que bote mais gente. E a partir da presença de público verificada a polícia trace sua estratégia e faça seu cordão de isolamento móvel. Na Fonte Nova nunca houve limite pra torcida visitante. No Barradão nunca houve oficialmente tb, porém espremia-se a torcida do Bahia que, há tempos, está indo em boa quantidade (e a tendência é sermos maioria em breve, acabando com o absurdo que é o Time do Povo da Bahia ter uma torcida minoria dentro de Salvador). O que aconteceu domingo, portanto, com a torcida do Bahia em maior com mais espaço, foi um avanço.

 

  1. Franciel Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 4:01 pm   editar

Flavio, meu velho, deixando paixões clubísticas de lado, vamos aos fatos. Por que fato é fato e meninico é meninico.

Porém, antes, uma questão metodológica. Façamos como o menino Jack. Por partes.

Historicamente, a torcida daquele time que não ganha título há sete séculos sempre foi maioria aqui em Salvador. Quando comecei a ir na Velha Fonte, antes da existência do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, a diferença era de cerca de 70% contra 30%.

Com a redemocratização brasileira e o fim da ditadura, os métodos arcaicos praticados pelo time da periferia de Lauro de Freitas foram um tantinho assim coibidos. Como consequência, os títulos foram minguando na mesma proporção da torcida. Nesta época, passou a ser algo 65% x 35%.

A partir do final dos anos 80 e na década de 90, este percentual continuou a cair e ficou na base de 60% x 40%

Com a total HEGEMONIA Rubro-Negra nos anos 00, esta diferença tem diminuído constantemente. É fato que ainda há uma maioria incolor, não vou negar, mas este percentual tá ali já próximo da casa da igualdade.

Isto é verdade e dou fé.

Bom. Terminado estes aspectos históricos, vamos à peleja de domingo.

Desculpe-me, mas preciso lhe corrigir. E faço isso com a autoridade de quem frequenta o Glorioso desde antes dele ter se tornado o Monumental Parque Sócio Ambiental. Seguinte.

Já vi jogo lá com mais de 40 mil pagantes (eu disse pagantes), a exemplo de Vitória x Atlético MG, Vitória x Juazeiro e até mesmo jogos beirando os 50 mil pagantes, a exemplo de Vitória x Itinga. E isso sem contar os penetras.

Assim, garanto-lhe que cabem 35 mil pessoas ali confortavelmente instaladas. Aí você pode perguntar: então, por que domingo estava muita gente espremida? Antes de responder, faço nova correção. Os sofredores que torcem para o defunto não eram 40% do total, apesar de ocupar 40% da área. E isto pode ser comprovado visualmente. Havia lugares vagos na sua torcida. Que havia aperto, havia, mas existiam também vários clarões, e não apenas por causa das faixas. Tanto é assim que vocês podiam ficar andando para lá e para cá na arquibancada enquanto nós não podíamos nem nos mexer. Além disso, havia uma multidão, que não dava para você ver, ocupando toda a escadaria, além dos barrancos e outros lugares mais insalubres. E aí é que está um dos problemas. Com tanto torcedor Rubro-Negro mal acomodado, a Diretoria não tinha o direito de deixar a torcida visitante mais, digamos assim, confortável. Não pode. Não pode. E falo isso com a autoridade de quem acha que não deve haver segregação (a propósito, escrevei daqui a pouco sobre isso), mas que a vantagem deve ser dada ao mandante.
Ainda fica uma pergunta no ar. A explicação sobre os 35 mil. Pois bem. Com aquela autoridade que lhe falei acima, eu vos asseguro: havia mais de 50 mil pessoas no Barradão. Em nenhum daqueles jogos que citei, tinha mais gente do que domingo. E o que houve? Sim. Uma evasão de renda monstra.

Por enquanto, é só. Mas, continuaremos a debater democraticamente.

Daqui a pouco volte, pois terá um texto que vai lhe interessar muito.

Abraços e SRN rumo ao TRI.

 

  1. Flávio Alves Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 5:19 pm   editar

Achei bastante confusa e equivocada sua análise histórica.

Vc diz que os títulos foram minguando a partir da década de 80, a divisão teria passado a ser 65 x 35, e depois, “a partir do fim da década de 80…”, teria passado a ser 60 x 40. Mas vc sabe muito bem, porque quem apanha não esquece, que na década de 80 o Vitória ganhou o mesmo número de títulos que na década de 70, ou seja, míseros 2 títulos. E porra, onde mesmo é que vc estava no dia 19 de fevereiro de 1989?

Enfim, a década de 80 foi, desse modo, na verdade, a de maior disparidade entre os dois times, porque consolidou e ainda aumentou a hegemonia tricolor, com a vinda de mais uma estrela e com uma disputa bem mais desequilibrada em campo. Não teve redemocratização que desse por encerrados os métodos – admito – extremamente ditatoriais de humilhação no campo e na arquibancada estabelecidos pelo Esporte Clube Bahia.

A diferença deve ter chegado a 65 X 35 nos idos de 97, com o boom que de fato ocorreu na então quase inexistente torcida de vcs após o vice-campeonato de vcs em 93 e após os anos dourados do início das atividades esportivas no aterro sanitário; anos que incluíram até, seria ofensivo esquecer, o Título da Uva, embora as seguidas desclassificações em fases iniciais do Brasileiro e a perda da maior final de todos os tempos do campeonato baiano manchem um pouco tão saudoso período. Isso durou até 97. Em 98 equilbramos e em 2001 e 2002 dominamos.

A partir de 2003, vcs de fato entraram no seu primeiro e único período de real e consistente hegemonia no futebol da Bahia. Todos os estados já passaram por essas oscilações, trocas de hegemonias, e infelizmente uma hora isso chegou à Bahia. Mas o curso natural logo se reestabelecerá e…

Enfim, como eu ia dizendo, a partir de 2003, vcs tiverem total hegemonia, inclusive na terceira divisão junto com a gente, e assim suponho que, embora essa não seja uma lógica necessariamente verdadeira (vide o clássico caso do Corinhtians nos 23 anos sem título) tenhamos algo como 60 x 40, com no mínimo, no mínimo, no mínimo, essa diferença de 20%. Alguns torcedores do Bahia querem me bater quando afirmo isso, mas meu compromisso é com a verdade. Seu texto, por outro lado, certamente escrito ainda de cabeça quente, insinuou um absurdo que espero que vc corrija. Peço pela sua sensatez e conversemos de maneira franca. Olhe as ruas, olhe os colégios, olhe as buzinas dos taxistas na hora dos gols; analise de preferências as regiões de classe média-baixa e baixa, onde está a grande maioria da população da cidade. A parte nosso maior fanatismo, não tem pra onde correr, essa cidade ainda é do Bahêa…

O jogo.
Do jogo vou falar apenas o seguinte.

Se houve evasão de renda então tá explicado. Mas então há todo Bavi, pois no penúltimo mesmo deve ter dado umas 25 mil pessoas e já tava bem cheio.

E quanto às torcidas é simples. O que eu vi na torcida do Bahia foi muito aperto e gente de pé. Mas se estava mesmo mais folgado bastava parte da torcida do Vitória se deslocar pro lado esquerdo das cadeiras, onde já havia um certo número de rubronegros, além de uma certa faixa mista de arquibancada, sob os olhos da PM. O espaço estava lá! O que simplesmente não podia acontecer, por absolutamente inviável, impossível, é manter-se a torcida do Bahia naquele lugar tradicionalmente a ela destinado naquele desagradável e monumental buraco, pelo qual, eu confesso, já nutro uma boa dose de afeição.

  1. Flávio Alves Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 5:28 pm   editar

Ah sim, mais tarde voltarei afim de ler seu prometido novo texto.

Abraços,
Saudações tricolores de aço.

 

  1. Franciel Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 6:27 pm   editar

É, Flávio, tá difícil. Se eu fosse uma pessoa indelicada, recomendaria um curso de interpretação de texto. Mas, vou dar um desconto por causa da sua felicidade efêmera.

Companheiro, ouça bem. Eu não disse que os títulos do defunto foram minguando a partir da década de 80, mas a partir da redemocratização do Brasil.
Escute. Ganhamos o título da redemocratização, com aquele timaço comandado por Bigu e o Nigeriano Ricky. Primeira aula de matemática aplicada ao futebol. A partir do fim do ancien régime, vocês ganharam 3 títulos e nós 2. Ao contrário dos tempos temerários, quando, bom, deixa pra lá. Não preciso repetir, né?

Nos anos 90, metemos 6 x 4. E nos 00, então…

Agora, amigo, sou obrigado a lhe dar um puxão de orelha. É vero que a história do finado é feita de apropriação indébita, mas não queira para si o campeonato de 2002. Epa. Isso, não. Ele é meu. Ninguém tasca.

E sobre aquele único (e mixuruca) título nacional de 89, seguinte é este. Naquela época o futebol brasileiro estava na lama. Tanto é assim que na Copa de 90 foi aquela vergonha lazarônica.

A minha segunda colocação de 93 é mais valiosa. Já que o futebol brasileiro estava no auge e acabou reconquistando a hegemonia mundial no ano seguinte.

Daqui a 10 minutos, o novo texto estará no ar.

Abraços e SRN rumo a mais um TRI.

 

  1. Flávio Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 10:36 pm   editar

Pois bem. Eu pensei nessa possibilidade interpretativa, mas como vc primeiro falou em década de 80 e depois falou no fim da década de 80, só me coube optar por uma visão mais ampla do conceito de redemocratização, que incluísse a década de 80 como um todo. Pois afinal, que tantos anos 80 foram esses que primeiro fizeram mudar 10 pontos de diferenças, com uma suposta diminuição dos títulos do Bahia, e depois, já a partir do seu final (do final da mesma década), tenha tirado mais 10 pontos, pelo mesmo motivo?
Fui entendido?
3 títulos pro Bahia e 2 pro Vitorinha é algo que aconteceu, por exemplo, nos primeiros anos da década de 70. Tudo bem que vcs apanhavam bastante, mas ainda assim um 3 a 2 assim perdido não era nada de outro mundo, mesmo na década do Hepta, que é o que vc deve chamar de tempos temerários.

Eu não sou um cara insensível e te entendo. Mas tenho momentos de crueldade e quero agora acabar com o conforto no seu coração que é a ideia de ter sido roubado. “Só perdi porque roubado”, não é assim que vc pensa? Pois bem, vc tem ALGUM trecho do livro de Osório que fale compra de jogador ou árbitro? Unzinho. UNZINHO. Confere a informação de que o livro foi publicado em 72 (ou 73) (antes do hepta)? Catimba e pressão não valem porque isso seu presdiente fez a rodo na década de 90 (entrar em campo pra pressionar o juiz por exemplo). Confere a informação de que Osório foi presidente do Bahia na década de maior desconcentração de títulos no estado e a única, antes de 90, em que o Vitória teve a mesma quantidade de títulos do Bahia?
Não quero estragar o único conforto de vcs, mas veja, o único roubo que existiu foi o roubado da dignidade do Vitória, porque esse, embora chegasse a montar bons times, foi estuprado seguidamente nos campeonatos baianos da década de 70. O resto é abstração e fé – e contra fé não há argumentos.

Xeu ver aqui o que vc escreveu mais.

Década de 90 foi 5 a 5. Ou 5 a 4, no máximo. Vcs tinham um presidente que ameaçava a torcida do Bahia e mal tratava a diretoria do Bahia, ameaçando até de pôr os caras pra assistir na arquibancada. Tinham tomado um CHOCOLATE no domingo anterior, exatamente idêntico ao que aconteceu na primeira final do segundo turno de 98, com o velho pitbul Uérlei mais uma vez ganhando o duelo contra o sérvio.

Sobre 2002, vc sabe, nós ganhamos um título que vale por 3 campeonatos baianos. Ganhamos bi do Campeonato do Nordeste, maior torneio regional da história desse país. Torneio fascinante e que deveria voltar a ser realizado. Vcs, por sua vez, ganharam um Baiano que não valeu nem 1/3 do que um campeonato baiano vale normalmente. Foi logo após o Nordestão, numa época de extrema desvalorização dos estaduais. Vamos ser francos, beleza? A verdade é essa. O título (bem) mais importante daquele ano foi nosso.

Quando falei do nosso segundo título nacional (o primeiro tendo sido contra o maior time de futebol de todos os tempos, o Santos de Pelé), não foi nem pra provocar e bater em cachorro morto. era só pra resaltar o quanto esse título contribuiu pra que o Bahia não perdesse torcedor nenhum, ainda que houvesse minguação de títulos estaduais – o que não houve de forma alguma.

Mas vc superou qualquer expectativa em sua resposta. Non sense total. Vejamos o que posso falar.

A Copa de 90 foi perdida pelo Brasil mais por Lazaroni do que por que por qualquer coisa. O Brasil tinha jogador até pra superar a escalação de 94. A zaga era melhor, com o craque Mauro Galvão e o ataque poderia ter tido os mesmos Romário e Bebeto (com o grande Charles no banco!) e ainda tinha Careca virado na porra, pra embaralhar. O meio de campo de 94 não era NADA demais, assim como o de 90.

No mais, o Bahia disputou a série A em 88. Não disputou uma espécie de série B, jogando contra Remos e Paysandus, pra pegar os grandes só na fase final. Tivemos a vantagem de não pegar o grande time do campeonato, a “sele-Vasco”, que parou no Fluminense, mas e quico? O Fluminense tomou o dele. Certeiro. Fomos bi-campeões e vcs são vice e é isso, eternamente, a diferença será essa.

ST

  1. Franciel Disse:
    Fevereiro 10, 2009 às 11:48 pm   editar

Não, Flávio, não. Você anda vendo assombrações e se perdendo na matemática. Talvez seja crise de abstinência. De títulos.

Em nenhum momento (repetindo em caixa alto, maestro, para ver se Flávio escuta), EM NENHUM MOMENTO eu escrevi “década de 80″ e muito menos o nome de OSORIO. Os tempos temerários de que falo e que você mesmo acaba concordando são os anos 70, quando vocês eram dirigidos por aquele que também não ouso dizer o nome. Compra de juiz, de goleiro de meu time, o diabo. Agora, me diga onde citei Osório? (Não sei por que diabos você botou Osório na ciranda. talvez ato falho). Além de péssimo cartola (desculpe-me a redundância), o livro que nem foi escrito por ele é péssima literatura. Não gasto meu tempo com isso.

E aí é que está o problema. Você cria sua argumentação a partir do que eu não disse. E fica algo meio que fantasmagórico. Delirium Tremens. Abstinência titulirística. Meu espírito cristão compreende e perdoa.

Que mais? Às aspas. “Ganhamos bi do Campeonato do Nordeste, maior torneio regional da história desse país”. Beleza. Parabéns. Este “maior torneio regional da história deste país” já levei três vezes. Na verdade, quatro, mas nem considero o de 76. Dou de lambuja.

É isso. Aliás, não. Tem a pendenga relativa ao título nacional, né?. POis bem. Já que não aceitas que o futebol brasileiro estava às traças, conforme é de conhecimento de todo o Norte e Nordeste de Amaralina, relembro que o lateral direito de vocês era um cara chamado, como é mesmo o nome? nem lembro. Em verdade vos digo: Se eu ganhasse alguma coisa com um lateral direito daquele devolvia o título na hora.

Quanto à grande conquista diante do Santos de Pelé, outra bobagem. Você sabe quantos times o Itinga enfrentou naquela ocasião? Não? Não sabe? Eu lhe digo. Uma mixaria. menos de meia dúzia. Exatamente cinco, para você não se perder novamente na matemática. E entre eles as poderosas equipes do Ceará e…CSA. Naquele mesmo ano, vocês passaram pelo Sport, não sem antes levar 6 x 0 na sacola. Ah, sim. Nesta importante competição ainda brilhavam as briosas equipes do ABC (RN), Rio Branco (ES), Tuna Luso (PA), Ferroviário (MA), Hercílio Luz (SC), Auto Esporte (PB), CSA (AL) e…Manufatora (RJ). Eu acho é graça.

Quanto ao tal Santos de Pelé, de quando em vez, costumava fazer papelões. Tomou um chocolate de 6 x 2 em meados da década de 60, mais especificamente em 66 para que você não confunda as datas.

Saudações rumo a mais um TRI, limpo.

  1. Flávio Disse:
    Fevereiro 11, 2009 às 2:10 pm   editar

Ato falho, é? Mas rapaz: quando acho um de vcs que vêm com esse papo é sempre se baseando no livro de Osório. E quase sempre sem ter lido o livro de Osório. Se não é o seu caso, teu chororô é até mais respeitável, porque se assemelha mais àquele chororô pós-jogo a que todo torcedor tem direito.

Nordestão. Vcs não têm três Nordestões. Tem dois e mais esse de 76, que eu não sei como foi. Pro de 2003, faça-me uma garapa, aquilo foi mais fácil de ganhar do que o campeonato alagoano. Sem os pernambucanos, sem Fortaleza, sem América de Natal, sem o bi-campeão Bahia. Sem vários. E as únicas duas vezes que aos Nordestões foi dada mais importância que aos estaduais foram em 2001 e 2002, quando deixou de ser copa, mais curta, pra ser Campeonato do Nordeste.

Esse 6 a 2 que levou o Santos de Pelé foi na final de 66, contra o Cruzeiro de Tostão, que salvo engano aparecia pro futebol naquela época. Foi histórico. E aconteceu depois de 5 taças seguidas do Santos. Após aquele ano, a Taça perdeu em importãncia, dando lugar ao Robertão. No fim, só o Bahia e o Cruzeiro, ao menos entre os brasileiros, conseguiram tal proeza de ganhar do Santos de Pelé em seu auge numa final.

O fato é que a Taça Brasil é torneio nacional, ainda que não seja considerada pela CBF o equivalente ao campeonato nacional. Na pior das hipóteses, portanto, ela é como a Copa do Brasil. Nem a CBF o nega. Isso explica a participação dos times pequenos que vc citou, dentre os quais, por sinal, não houve nenhum campeão. Mas não essa como essa Copa do Brasil atual, ganha pelo Sport e sim como a Copa do Brasil antiga. A Copa do Brasil de antes de 2001, quando todos tinham possibilidade de jogar; hj os principais times, os da Libertadores, não podem jogar, fica mais fácil. A diferença, porém, que faz com que a Taça seja até mais do que a Copa, é que os jogos eram melhor de 3, o que dá menos chance a zebras, e, segundo, era o único torneio de aferição nacional, o que a Copa do Brasil nunca foi. O campeão inevitavelmente ganhava a alcunha de campeão nacional e era o único representante brasileiro na Libertadores. Isso tudo não é pouco.

Não peço pra vc ajoelhar-se e aceitar tal realidade, mas garanto que sua luta é árdua e vc dá murro em ponta de faca: prum clube nordestino, o Bahia tem uma história fantástica!

Saudações rumo ao 44º título baiano, limpo.

 

  1. Franciel Disse:
    Fevereiro 11, 2009 às 2:23 pm   editar

Flávio,
seguinte. Você já reconheceu que nem a miséra da CBF dá crédito àquele torneiozinho que era disputado por poderosas equipes do tipo da Manufatora (RJ). Fez também um mea culpa em relação à citação a Osório. Além disso, fez ouvidos de moucos sobre o título ganho com aquele lateral direito. Reconheceu que o Rubro-Negro é, pelo menos, TRI do que você classificou de “competição regional mais importante do país”.
Que mais? Não, tá bom. Nós aqui somos iguais àquelas mercearias de antanho: “Nossos clientes têm sempre razão, principalmente os clientes novos”.

Dou por encerrado este debate e talvez transforme em um post ou reproduza na íntegra do espaço principal. Oquei?

Abraços.

E que o campeão (que creio será o Bitória) ganhe o título limpo.

 

  1. Flávio Disse:
    Fevereiro 11, 2009 às 3:53 pm   editar

Risos.

Vc deturpou levemente meus comentários, mas se a discussão vai ficar pras pessoas lerem, elas poderão tirar suas conclusões.

O Vasco foi campeão brasileiro de 97 com Odvan na zaga.
O nome de meu filho será Tarantini.

Encerro os trabalhos tb.

Abraços

Franciel   
Fevereiro 11, 2009 às 4:23 pm   editar

Tarantini? Bom cineasta

NAS ONDAS DO RÁDIO

fevereiro 12, 2009

Não que eu deseje me exibir, me gabar ou posar de erudito. Isto, nécaras – até porque o Norte e Nordeste de Amaralina sabem que sou um cara razoavelmente modesto. Porém, a verdade que salva e liberta é uma só: Foi por influência do último livro do menino Saramago, recentemente desembarcado em minha cabeceira, que decidi fazer um ensaio sobre a cegueira e acompanhar a gloriosa peleja entre Vitória X Ipitanga pelos olhos e, principalmente, pelos sons alheios.

Assim, dentro desta escura estratégia, desliguei logo a TV e entrei na sintonia das ondas do rádio. E, amigos, em verdade vos adianto: é experiência que não desejo nem aos piores adversários, ia até dizer nem aos torcedores do Itinga, mas já faz tempo que eles deixaram de ser nossos rivais.

Pois muito bem. O juiz nem bem dá o apito inicial para a labuta e o locutor já começa uma gritaria dos seiscentos. E eu não sei se a pelota está sob nosso domínio ou se estamos sendo vítimas de um terrível bombardeio. Que loucura futebol clube! E as nulidades do futebol interiorano se agigantam na voz apressada do chefe da transmissão esportiva. E elas, as nulidades, me intimidam. Os cabeças de bagre do nosso adversário viram craques injustiçados nas palavras do locutor.

Ouçam.

“Lá vem Pelezinho, este conhece muito de bola, tocou para Patrola, Patrola ajeitou a menina, lançou para Caboré, que domina dentro da grande área e dispaaaaraaaa”. Nem espero ele terminar o aaaaaaaraaaa e repito as palavras de Irmã Dulce: “Fudeu Maria preá”.

Porém, para honra e glória de minhas 12 pontes de safenas, o infeliz grita: “paaaassaaaaa rente à (esta crase aí é por minha conta) trave esquerda de Viáaaaaafara, que não podia mais fazer nada”.

Suspiro quase que aliviado, mas é por pouco tempo. O locutor da Rádio Sociedade, que nem lembro o nome, pede a análise abalizada do comentarista Nilton Nogueira, o homem, o mito, o pentelho, que já foi narrador no século XV antes de Cristo. E meu suplício retorna, pois, com a voz empostada, ele larga a seguinte: “Meu querido, não compreendo como esta equipe do Ipitanga está na laterna do campeonato. É um time muito bom”.

Putaquepariu a mulher do padre!

Ajoelho-me no genuflexório. E rezo: “Mas, Senhor Deus dos desgraçados, logo hoje esta injúria de time inventou de jogar bola?”. Porém, nem o Santo Pai nem o locutor me escutam. E este prossegue: “Lá vai Caboré pela direita, que sujeito arisco, tocou para Pelezinho, este é cobra, atenção, vai marcar, preparou, apontou…pra fooooora”. O fiduma santa narra o “pra fooora” quase que com rancor. Realmente, esta imprensa esportiva baiana é toda vendida, toda tricolor.

E a agonia continua nesta batida até que sou salvo por quem menos espero: o assoprador de apitos Jailson Macedo de Freitas determina o fim da primeira etapa e também do meu sofrimento.

Raciocino-me todo e chego à óbvia conclusão: Porra de ficar cego. Foda-se Saramago e seu motorista. E ligo a gloriosa TV Record. Sem som, porque não joguei pedra na cruz para tanta penitência.

Pois meus amigos, o jogo não era nada daquilo que os abutres falavam na Sociedade. Menos de 10 minutos de bola rolando no segundo tempo e já estava 2 x 0 para o brioso Leão, com direito a pênalti perdido e as porra.

Decido, então, retornar à rádio no final para ouvir o que os canalhocratas iriam falar. A palavra, porém, está com nosso técnico Mancini, que, com a cara mais lisa do mundo, diz as seguintes e desconexas frases metidas a profundas. Coisas que só aos técnicos são permitidas. Às aspas. “Veja bem. Nosso time acabou descompactando no primeiro tempo”.

Time descompactando? Valhei-me, meus culhões de Cristo! Não agüento tamanha heresia e encerro assim esta transmissão. “Bem, amigos, boa noite. Muito obrigado pelo carinho da audiência e…

UMBORA BITÓRIA, CARAJO!“

A DERROTA DA SEGREGAÇÃO

fevereiro 10, 2009

Ao contrário do que prega a Bahiatursa, esta besta e bela província lambuzada de dendê não é feita só de festas, verões e alegrias plastificadas. Nécaras. Aqui também há pobreza, fome, moléstias, crimes, violências, chuvas de gafanhotos e outras pragas sazonais como turistas, otários e afins.

Inobstante (recebam, incréus, um inobstante pelos mamilos) esta constatação pseudo-sociológica, faz-se mister reconhecer que ainda temos algo de singular em relação ao resto de Pindorama: a convivência (quase que) pacífica entre as torcidas rivais. Não é à toa que há pouco mais de uma década ainda possuíamos a saudável instituição da torcida mista na Velha Fonte Nova, onde assistíamos aos jogos ao lado de amigos que erraram de time, mas, noves fora este defeito, eram gente da melhor qualidade. E curtíamos e gozávamos e brincávamos e nos xingávamos reciprocamente – e depois íamos beber juntos nos milongas da vida.

Porém, tudo isso foi num tempo em que ainda não havia para mim Rita Lee e muito menos este surto de imbecilidade que atende pelo nome de torcida organizada. A partir delas ou de parte considerável, a coisa se modificou um pouco. A inofensiva guerra de mijo nas arquibancadas foi trocada por uma idiota batalha de socos e pontapés. Nada, porém, que estragasse o brilho da festa. O problema desta parcela de insanos era de outra ordem, como bem diagnosticou o filósofo Renato Fechine nesta sacada genial. “Colé, meu velho, mulher como a porra na rua e você fica se agarrando com homem. Você é maluco, viado ou acumula?”.

E eles aquietaram um pouco o fashion (royalties para o glorioso e finado ARMANDO OLIVEEEEIRA), até porque há uns bons três anos saiu de cena um projeto de ditador que presidia o Vitória e incentiva a TRUCULÊNCIA, o RACISMO e outras barbaridades destes bandos (des) organizados.

Pois bem. É exatamente desta peça de Toyota, que não ouso nem dizer o nome porque aqui é um recinto de respeito e ainda tem criança na sala, que falaremos agora.

Seguinte.

Depois deste período de ostracismo, quando foi escorraçado do Rubro-Negro, após ter levado o brioso Leão para o subsolo do Futebol Brasileiro, esta nefasta figura retorna como diretor de Futebol do Itinga. Até aí, tudo bem. Afinal, eles que são tricolores que se entendam. O problema é que o tal sujeitinho está trazendo de volta o discurso da truculência e outras tenebrosas mumunhas ainda mais perigosas. Em uma de suas primeiras entrevistas no Jornal A Tarde, ele já foi largando a seguinte: “O Bahia vai novamente aterrorizar os adversários”. Vôte! Se, como ensinou o bardo William Burroughs, a linguagem é um vírus, o discurso deste projeto de ditador está com infecção generalizada.

Idiotice, porém, é bicho que não sossega. Achando que desgraça pouca é bobagem, o referido vestiu sua fantasia de modernoso (ele gosta de ser metido a inovador) e propôs algo revolucionário: A SEGREGAÇÃO DAS TORCIDAS no ba x VI. Logo no BA x VI, o evento mais importante para manter os regulares movimentos de rotação e translação do planeta. E logo ele, que tem uma folha corrida de atitudes nada civilizadas, pregava este discurso segregacionista com o fajuto argumento de que era para evitar a violência. Hômi quá! sinhô, me deixe!

Pois muito bem. Para resumir esta prosa ruim, pois o personagem não merece que se gaste tanta tinta assim, informo aos distraídos que a proposta do sujeito não foi acatada. E o Glorioso ba X VI foi realizado no Parque Sócio Ambiental, Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, com as torcidas se comportando como antanho, lindamente. Muita pirraça, muita provocação, muita vibração – e só. O único senão, conforme já assinalei AQUI, foi a atitude patética da Diretória do Vitória que decidiu dar um espaço desproporcional ao visitante e deixou sua torcida espremida nas arquibancadas e barrancos. Fora isto, não houve nada que manchasse o espetáculo entre as torcidas rivais. Nenhum confronto. Nem um beliscão.

E, em que pese o Leão ter perdido a partida, o maior derrotado naquela tarde de domingo foi o discurso fascista, arrogante e segregacionista deste tiranete de província.

É preciso respeitar a mãe de todas as batalhas

fevereiro 9, 2009

O menino Nelson Rodrigues era um mentiroso. Aliás, não. Em respeito à exatidão, retifico. O filho de Mário Rodrigues, na verdade, era um equivocado – especialmente nas questões relativas ao ludopédio. Certa feita, por exemplo, o renomado pernambucano asseverou que o FLA X FLU nasceu quarenta minutos antes do nada, e só depois Deus criou o mundo. Humpf, ai, ai. Qualquer pessoa que tenha concluído o supletivo ou então o curso por correspondência do Instituto Universal Brasileiro sabe que tal assertiva não passa de uma rematada bobagem. A verdadeira mãe de todas as batalhas, a peleja que veio antes do verbo foi o glorioso BA x VI. Que mané classicozinho carioca o quê!

E em defesa desta minha teoria invoco e emulo ninguém menos que Fernando Pessoa, na voz rouca de Alberto Caeiro. Ouçam. “O FLA x FLU é o mais belo clássico de minha aldeia. Mas o FLA x FLU não é o mais belo clássico de minha aldeia porque o FLA x FLU não é o clássico de minha aldeia. O clássico de minha aldeia que não me deixa pensar em mais nada é o meu querido, idolatrado, salve, salve BA x VI”.

Sabe das coisas este menino Alberto Caeiro. E ele sabe que o confronto entre Rubro-Negros e tricolores tem que ser respeitado. Mais que isso. Reverenciado. Aquela reverência que devotamos aos nossos amores mais sagrados. Os que assim não procedem diante da referida labuta pagam muito caro. E ontem não foi diferente.

Primeiro, vamos tratar de VIÁAAAAFARA, que tem como atenuante o fato de desconhecer a importância desta epopéia por não ser baiano. Pois bem. Talvez por esse defeito de nascença, desde o começo da partida, o referido arqueiro não soube entender a dimensão do jogo. E tome-lhe presepadas. A partida num 0 x 0 impiedoso e injusto – e ele fazendo gracinha, dando dribles humilhantes nos atacantes do Itinga, atitude expressamente proibida pela Carta Magna, Bíblia Sagrada, Alcorão e outros documentos tão profanos quanto Maktub. Ao goleiro não é dado o direito de fazer presepada no BA x VI.

E o castigo veio a cavalo. Ou melhor, a frango.

Porém, este deslize de Viáfara foi nada diante da, da, da, como direi? falta-me o adjetivo agora, atitude da atual diretoria do Rubro-Negro. Irmãos, ouçam bem. Até Ivan Lins, que tem aquela voz estridente de quem canta como que tá atrasado para ir no sanitário, sabe que não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo. Imaginem, então, entregar a rapadura antes mesmo da bola rolar. Pois não foi exatamente o que a diretoria do Leão fez. Eles envergonharam uma nação, numa atitude inacreditavelmente desrespeitosa. Afinal, como é que alguém cede quase metade do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barradão, para o inimigo e deixa seus seguidores espremidos nos 60% restantes da arquibancada ou DESPENCANDO dos morros e barrancos? Como? Respondam-me.

Mas, se tal procedimento já não fosse digno de uma surra de cansanção em todos os diretores e suplentes e parentes e agregados e etc e coisa e tals, a direção Rubro-Negra cometeu um pecado ainda maior: deixou Arilson da Anunciação, aquele que tem uma irresistível vocação para o FURTO QUALIFICADO, apitar o jogo. Além de enojar meu baba o tempo todo, invertendo faltas e outras mumunhas, o sacana ainda anulou um gol legítimo. Porém, tudo isso é pouco. A maior indecência praticada pelo referido assoprador de apitos foi repetir aquela indumentária. Não é possível que um juiz use roupas mais apertadas do que a da MOÇA DO GERASAMBA. Em nome da decência no vestir dos magistrados e em respeito à mãe de todas as batalhas, o BA x VI, a diretoria deveria ter vetado o desinfeliz. Ao Juiz não é permitido vestir aquelas roupas indecentes. O magistrado tem que andar mais alinhado do que meio-feio, conforme ensina minha amiga Laura Vasconcelos, ela que exerce tão nobre função na briosa cidade de Propriá, no não menos brioso estado de Sergipe. No entanto, nossa atual diretoria, tão ordinariamente desinformada e desavergonhada, deixou correr frouxo. E o resultado foi aquele injusto 2 x 0 para o Itinga.

P.S. Mesmo contra a poderosa aliança que envolve pefelê, pemedê, petê, TRE, STF, Ibama e que agora incorporou a própria diretoria do Vitória, a multidão rubro-negra ainda grita o BRADO louco de fúria:

UMBORA BITÓRIA, CARAJO.

Mea culpa, mea maxima culpa

fevereiro 5, 2009

Cristão ortodoxo, começo a transmissão recorrendo à obra Confissões, de Santo Agostinho. Assim, antes de falar sobre a peleja de ontem à noite na pequena e pacata Princesinha do Sertão, ajoelho-me no genuflexório (recebam, hereges) e informo que: das minhas parcas virtudes, a que mais me envaidece é meu poder de autocrítica. Modéstia às favas, sei reconhecer meus equívocos. E, furtando o menino Ataulfo Alves, em verdade vos digo: errei, sim.

Talvez os de pouca memória já estejam esquecidos ou não saibam os motivos desta autocrítica, mas na resenha anterior fiz a seguinte, apressada e errada avaliação: Mancini tem medo de ameaça. Errei feio. Aos que ainda não recordam, relembro minha teoria. Afirmei, em alto é bom som, que nosso treinador havia tirado o lateral Roque do jogo passado porque eu disse que ia espalhar aqui no Norte e Nordeste de Amaralina que ele tava tendo um caso com o referido. Amigos, perdoem-me, mas foi uma análise errada.

No último domingo, Mancini sacou da equipe aquele que não ouso mais dizer o nome por motivos insondáveis – menos por medo. Nosso treinador é um cara corajoso. Não se curva a ameaças. Prova disso é que ontem, mesmo com a oposição de toda a Bahia e de uma banda de Sergipe, ele manteve o coisa ruim os 90 minutos. E, pela cara de satisfação e de pirraça, manteria mais 90 – se aquele árbitro feladaputa, ladrão, escroto, que também não vou dizer o nome, tivesse dado tal tempo de acréscimo.

Diante disso, a erudita e impaciente torcida Rubro-Negra repete a indagação feita por Lênin no início do século passado: o que fazer, Seu Françuel? E eu respondo à multidão aflita. Seguinte, meu povo legal, meu povo jóia. A partir de hoje, vamos começar a elogiar aquela injúria humana da lateral esquerda. Mas, elogiar mesmo. Muito. Como Mancini só trabalha na base da pirraça, aí, provavelmente, ele mandará o infeliz para o banco de reserva ou um lugar mais aconchegante, tipo a casa do caralho.

Então, galera, de agora em diante, para convencer o pirracento Mancini a mudar, o refrão será este: Maverick é meu carro, Baneb é meu Banco e Roque é meu lateral esquerdo, porra.

É nesta batida que vamos rumo ao tri, contra a poderosa coligação que envolve o pefelê, pemedê, petê, TRE, STF, Ibama e, principalmente, a pirraça de Mancini.

Umbora Bitória, carajo.

Uma boa notícia: Mancini tem medo de ameaça

fevereiro 2, 2009

Antes que os idiotas, ouvintes de radialistas otários (desculpe a redundância), se apressem em concordar comigo por causa do título acima, aviso logo: Mancini é, hoje, o melhor técnico que o Vitória poderia ter. É um cara sério, conhece o ludopédio e não inventa demais. Além disso, mesmo sem ser adepto de mágicas e outros fenômenos sobrenaturais, consegue realizar alguns milagres.

Exemplo?

Ajudou a tornar Vanderson o melhor meio campista do Brasil. Transformou um pitbull, que só sabia destruir jogadas e levar cartões, em um atleta que desarma com firmeza, mas sem truculência, e que ainda sai para o jogo com bola dominada e dá passes precisos. Um assombro. 

Mancini também ensinou a se comportar em campo dois jogadores de nível de intermunicipal: Wallace, autor do primeiro gol de ontem, e Willians, que hoje está no Palmeiras. Eram dois casos perdidos. Até este locutor, que conhece e pratica o pebolismo (eu falei pebolismo, hereges) em 18 idiomas, acreditava que estes dois não tinham jeito para a bola. E pensava isso, baseado em uma teoria científica. Qual seja. Ou você aprende a jogar até os seis, sete anos, ou desista. Mas, Mancini conseguiu o feito extraordinário de recuperar estas duas criaturas para o futebol.

Mas, esta transmissão de hoje não é para falar destas qualidades de nosso técnico.  O plantão aqui é rigoroso.

Por isso, começarei relembrando de tempos temerários, quando Marco Aurélio, que Deus o tenha, fazia lambanças a torto e a direito (mais a torto do que a direito) com o aval de Mancini. E de nada adiantava as reclamações porque nosso técnico mantinha-se irredutível. Eu mesmo gritei, berrei, xinguei – e nada. Até que um dia, já perto de terminar o campeonato, larguei a seguinte: “Mancini, Mancini, resolva logo este negócio de Marco Aurélio por que o pessoal aqui no Nordeste de Amaralina já está maldano”. Ato contínuo, ele começou a sacar o referido lateral (ala é a puta que o pariu) do time.

A partir daí, descobri o modo de agir para modificar nosso comandante, que às vezes é adepto da teimosia infinita. E ontem, modéstia às favas, consegui ganhar o jogo assim. Na primeira etapa, o Vitória estava praticando um futebol ordinário. Ninguém estava jogando porra de nada. Na lateral esquerda (ala vocês já sabem quem é), porém, Roque, que já foi homenageado aqui, se destacava na ruindade. Mas, passaram-se 10,20, 30 minutos e nada de Mancini tirar o sujeito, apesar do apelo da galera. 
Foi então que relembrei do caso de Marco Aurélio e gritei. “Mancini, seu fi duma santa, se você não tirar Roque vou espalhar no Nordeste de Amaralina que você tá tendo um caso com ele”. Nem bem terminei a frase ameaçadora e Mancini botou Bosco no lugar do Alisson piorado. Moral da história: o time voltou a praticar algo parecido com o futebol e brocamos o poderoso Feirense.
E é neste ritmo, com ameaça e as porra, que vamos ao TRI 100%.

Ouçam o que já canta a multidão no Barradas.

UMBORA BITÓRIA, CARAJO.