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Alô, G4: Pode preparar aquele feijão preto…

setembro 27, 2009

Há cerca de três meses, mais precisamente no dia 10 de julho, fiz um réquiem para o Rio de Janeiro, a ex-cidade maravilhosa. Na ocasião, desenvolvi a tese de que a referida urbe estava irremediavelmente condenada à decadência.

Ato contínuo, um morador daquela província, o menino MARCOS VP, complementou: “Sêo Françuel, o Rio cheira a mofo e é como as enormes e encanecidas cristaleiras das salas das casas de família de Copacabana: um valhacouto escuro e empoeirado, mas repleto de boas lembranças do passado”.

O problema, Marcos, é que eles não se conformam apenas com as “boas lembranças do passado”. Querem crer que ainda são os maiorais. E por isso se submetem a um ridículo sem fim.  

Mais uma prova desta falta de noção ocorreu na noite deste domingo. Com o auxílio luxuoso do Canal PFC, os cariocas tentaram armar um circo para reviver as perdidas ilusões. E tome-lhe inauguração de estátua, presepada de pseudo-humoristas, loas às glórias do passado que os anos não trazem mais e outras mumunhas. Para completar a chibança, ainda chamaram para comentar (comentar é modo de dizer) o jogo Teixeira Heizer – um cidadão que transpirava o cheio de mofo das casas de madames, com uma linguagem tão empolada que faria corar até Paulo Cerqueira.

Pois muito bem.

Por incrível que pareça, tais presepadas fizeram efeito. E, até os 20 minutos do primeiro tempo, o Vitória se comportou em campo como se estivesse enfrentando o Alvinegro de Garrincha e Nilton Santos. Uma agonia dos seiscentos. Assim, ao ver o Leão acuado e sem atitude, só restou-me uma saída: baixar o som da TV.  

Ô, grória.

A partir de então, tudo mudou. Logo na seqüência, o endiabrado Leandro Domingues deu uma chapeleta num jogador do Botafogo e partiu para o ataque com gosto de querosene. Uma beleza, que se repetiu menos de 10 minutos depois, quando o camisa 10 do Rubro-Negro deu (lá ele) outra arrancada fenomenal, passou para Leandro (que partidaço!) e a criança foi dormir no barbante. 

Para me vingar, liguei novamente o som para ouvir o desinfeliz. E ele largou a seguinte: “Aconteceu o que se temia”. Como é, rapaz? O que se temia? (comi sua irmã e sua tia, seu sacana).

No entanto, mesmo com a madeira tendo começado a gemer, o disgramado do Teixeira Heizer não sossegava. ”O glorioso tem tradição e pode muito bem reverter este quadro atual”.

Glórias as céus, as palavras do canalhocrata se confirmaram. Na etapa complementar, o time de General Severiano realmente reverteu o quadro. Voltou mais desordenado ainda. E, neste clima nostálgico, o menino Leandro Domingues incorporou de vez os craques de antanho e realizou novas e sensacionais arrancadas de fazer Pelé se revirar no túmulo.

Que loucura futebol clube!

E foi por isso que, nem bem terminou a brocança, a população do Norte e Nordeste de Amaralina saiu batendo as panelas e cantando:

“Alô,G4: Pode preparar aquele feijão preto que eu tô voltando…”

P.S Berola, sacana, o Carnaval ainda não chegou. Guarde a disgrama desta máscara.

Putaquepariu o Mercosul!

setembro 23, 2009

Antes de propriamente realizar a análise abalizada sobre a tragédia de ontem à noite, aquela hecatombe histórica que colocou o Maracanazo no chinelo, faz-se necessária a seguinte correção: Ao contrário do que reza a lenda, os verdadeiros falsários na América Platina não são os paraguaios, mas sim os vizinhos do lado oriental, os uruguaios, este rebain de hijos de puta.

Aos que estranharam esta linguagem áspera deste pudico e pacato locutor, informo que estou agindo assim porque esta cambada de sacanas tem a escrota tradição de sempre vender gato por lembre – especialmente para o Rubro-Negro.

É fato que o golpe de ontem à noite no Centenário foi doloroso (Aliás, o glorioso Estádio, talvez prevendo o desastre, decidiu ficar completamente vazio), mas a chibança contra os baianos começou há tempos imemoriais.

No ano da graça de 1973, por exemplo, há um caso clássico – relatado pelo pesquisador Ubiratan Brito e que contarei no sexto parágrafo -, que ilustra muito bem o comportamento destes canalhocratas.

Seguinte foi este.

Como é público e notório, naquela época o Brioso Rubro-Negro tinha um planejamento razoavelmente modesto: queria dominar o mundo. E, dentro desta estratégia, começou a formar um time fora de série, espetacular, coisa jamais vista na Bahia e numa Banda de Sergipe. Basta lembrar que a equipe era puxada pelo trio elétrico formando por Osny, Mário Sérgio e André Catimba.

Porém, para atingir os tais objetivos, era preciso mais. E foi por isso que a diretoria decidiu buscar reforço internacional.

Então, uns empresários escrotos (desculpe a redundância) apresentaram uma porra de um zagueiro uruguaio, que esqueci o nome agora, dizendo que o referido era o cão de calçolão chupando manga em dia de neblina; que havia jogado no Peñarol, que era cotado para a Celeste Olímpica, entre outras mumunhas.
Ato contínuo, a desinformada diretoria do Vitória (parece que estou falando do atual diretor de Jorginho Sampaio, né?)  resolveu trazer Tottin (lembrei o nome do desinfeliz) que, descobriu-se depois, nunca tinha jogado nem no Peñarol de Canavieiras – se é que em Canavieiras tem Peñarol.  

Pois muito mal. O tempo passa, voa e os uruguaios continuam com o dom de iludir.

Antes da partida de ontem, eles espalharam aos quatro cantos que tinham um time fraco (mentira, foram 3º colocado no último campeonato uruguaio), que eram apenas um genérico do argentino (“se o original tá do jeito que tá”, fizeram nos pensar) e etc e coisa e tals.

Tudo culhuda.

E, com menos de 10 minutos, a madeira já estava gemendo no lombo do displicente time do Vitória, que entrou em campo achando que poderia ganhar o jogo a qualquer momento. Logo em seguida…logo em seguida porra nenhuma. Chega!

Agora, é arrumar os panos de bunda, voltar pra casa e correr atrás, na frente e do lado do prejuízo durante os 90 minutos e os acréscimos na próxima quarta-feira pra brocar estes sacanas no Santuário do Barradão.

Putaquepariu o Mercosul!

Que venha o MÃNSTER!

setembro 21, 2009

Há quase um mês, mais exatamente no dia 24 de agosto, este rouco locutor largou a seguinte prosopopéia. Ouçam novamente.

“Vamos ao futuro, que é o que interessa. E, minha comadre, em verdade vos digo: os próximos dias serão tão macios quanto uma sopa de tamanco com caco de vidro, ácido muriático e sal. 

Sim, o cardápio é este mesmo. Não estou aqui pra iludir ninguém. Se o Leão ainda quiser alguma coisa neste Sarneyzão/2009 tem que entrar em campo nas rodadas seguintes, especialmente as próximas quatro, com a gana dos deserdados, a confiança dos vitoriosos e muita vergonha na cara. Só com esta mistura será possível enfrentar Cruzeiro (que vem em ascensão), Grêmio (ainda imbatível em seu reduto), Palmeiras (líder da competição) e Internacional (melhor elenco do campeonato)”.

Pois muito bem.

Além destes ingredientes que recomendei, o mestre-cuca Mancini (dá-lhe, Mancini) incrementou um tempero fundamental para um time que quer (e vai) ser campeão brasileiro: A ousadia. E mandou os meninos partirem para cima das quatro melhores equipes do Sarneizão/2009 com gosto de querosene. E eles obedeceram. E começaram a praticar um futebol sério (e ao mesmo tempo moleque) que dá gosto de ver. Ah, sim. Antes que estes senhores que vão ao estádio como se estivessem indo à missa venham reclamar, informo logo: É possível, sim, misturar seriedade e brincadeira. Aliás, mais do que possível, é preciso, necessário, para o bem do espetáculo. E quem quiser só seriedade que volte à missa. Estádio é lugar de chibança. Por falar nela, o que a torcida do Leão tem feito é sacanagem. Tá jogando com o time e botano pra ver tauba lascá ni banda .

Putaquepariu futebol e regatas! A verdade que salva e liberta é uma só. Quando a torcida joga com o time; o time joga para a torcida e vice-versa não há força que segure. Foi exatamente por isso que o líder e o vice-lider amarelaram no Barradão. Aliás, eu já disse lá na Barraca de Sonildes, situada ali nem frente ao Estacionamento do Santuário, meu ponto neste campeonato é 70. Quem tiver unha que suba na parede. Vou dar pau em todo mundo.

Inclusive, não é à toa que a população do Norte e Nordeste de Amaralina, desde a noite do último sábado, está em passeata permanente com as seguintes palavras de ordem.
 
No Sarneizão/2009 só tem time meeiro.

Então, vamos fazer logo o tira-teima

proposto pelo goleiro Marcos:

Que venha o MÃNSTER!”

 
P.S Alguém tem que mandar cortar a cabeça de Fábio Ferreira toda vez, pois assim colocam atadura e o juízo dele vai para o lugar.Partidaço!.

Vindicta ainda que à tardinha

setembro 16, 2009

No me recuerdo se já ministrei aqui aulas sobre tão filosófico tema (se já, relevem), mas a verdade que salva e liberta é a seguinte: Convicção é uma bicha traiçoeira. Basta um descuido e…vupt, ela desembesta e nos deixa órfãos de nossos mais arraigados axiomas – se é que os axiomas podem ser arraigados. Mas, não importa. O fato é que nem mesmo as infalíveis certezas sobrevivem a esta lei universal.

Antes de prosseguir, aviso à praça: não pensem que este parágrafo acima é apenas mais uma embromação acaciana metida a erudita. Não é só isso. Tal tese foi comprovada empiríca e cabalmente no último domingo. Até então, acreditava piamente naquela tradicional classificação para os goleiros: Ou é maluco, ou é viado ou acumula as duas funções. Porém, depois de presenciar a atuação de Marcos, esta minha convicção esmoreceu. Percebi que há um outro tipo que habita a pequena área: os vingativos. E esta raça de gente não tem limites.

Vejam, por exemplo, o caso do referido guarda-metas.

No ano da graça de 1993, o Palmeiras formou o maior time de sua história. Foda-se a Academia. O escrete da década de noventa tinha muito mais craques do que o de 20 anos antes. E, mais importante: possuía no elenco um zagueiro com nome de zagueiro: Tonhão. Só este fato já bastava para comprovar a superioridade daquela equipe em relação à de Ademir da Guia.

Mas, derivo.

O fato é que Marcos, que já estava no Parque Antártica desde 1992, foi alijado daquele grupo espetacular. Não participou sequer de uma partida do Brasileirão/93, que terminou com o Palmeiras ganhando o título em cima do BRIOSO Vitória. Por conta disso, ele nunca perdoou o Verdão. E tramou sua vingança. Decidiu que, toda a vez que o time paulista fosse enfrentar o Rubro-Negro, ele entregaria a rapadura. Era uma forma de devolver a humilhação de que ele havia sido vítima.

Como vingança é um prato que se come frio, Marcos esperou exatamente uma década para colocar seu sórdido plano em prática. E, nas oitavas de finais da Copa do Brasil de 2003, ele realizou estripulias que fariam corar até o frangueiro Mazaropi, do Grêmio. Confiram aqui.

Pois muito bem. Quando todos pensavam que o traíra já tinha dado sua missão por encerrada, ele voltou a atacar. E novamente enojou o baba do Palmeiras neste último domingo. Para tentar tirar de tempo, Marcos largou a seguinte prosopopéia: “Mesmo se fosse o Manchester jogando no Barradão ia tomar sufoco”.

O golpe não funcionou. A entregada foi tão vergonhosa que chamou a atenção da diretoria do Palestra. Não foi à toa que Belluzzo disse que vai proibir Marcos de defender (defender é modo de falar) a meta palmeirense em jogos contra o Vitória.

P.S.1 Agora, vejam vocês se sobrenome não é destino. O referido goleiro foi agraciado na pia batismal com um Silveira Reis. É um traidor nato.

P.S.2 Este samba-protesto vai para João Gilberto, Dorival Caymmi e para a dupla sertaneja Zeno & Cesarotti.

Serviço de Utilidade Pública

setembro 16, 2009

Sei que muitos desocupados que frequentam esta budega poderiam estar fazendo coisas muito piores, como matando, roubando ou torcendo para o time de Itinga, mas creiam, hereges, há algo muito melhor para se fazer.

O quê?

Visitar o blog de Cury, por exemplo. 

Anotem o endereço aí.

http://www.vitorianobarradao.blogspot.com/ 

Repetindo ao modo de exercício de fixação.

http://www.vitorianobarradao.blogspot.com/

 

De nada.

O dia em que fiz as pazes com Mancini

setembro 14, 2009

Por Benjamin José*

 

Amargosa inteira e uma banda de São Miguel das Matas (ê mundinho pequeno sô) sabem que minha relação com Wagner Mancini nunca foi das melhores porque tenho dificuldades em conviver com gente mais teimosa que eu e além disso temos dificuldades em estabelecer um diálogo porque parece que ele é surdo (ops ! deficiente auditivo, para ser politicamente correto) e não é adepto do uso de aparelho auditivo telex e por isso nunca escuta o que falo.

Pendengas à parte, estando eu em Salvador era mais que obrigação ir ajudar a orientar o time, haja vista Seu Françuel estar sobrecarregado nessa árdua tarefa, a qual vem desempenhando sozinho ultimamente. A caminho da Universidade Rubro Negra de Craques, tive de passar numa farmácia para comprar o Cepacol, pois com estádio cheio e o barulho ensurdecedor da T.U.I., sempre é preciso gritar mais e a garganta sempre acaba falhando. Entrando na farmácia, ouvi duas senhoras falando sobre a tal gripe suína e lembrei que a porcalhada do Parque Antártica poderia trazer o vírus para cá. Como seguro morreu de velho, com o dinheiro do Cepacol comprei o Tamiflu e fui confiando em pegar carona no Cepacol do Butragueño do Nordeste de Amaralina.

Já no estádio, com ajuda dos meninos Michel e Peter, procurei pelo rouco locutor, mas como o último dos homens das cavernas não usa celular, impossível encontrá-lo. Como sei que ele assiste aos jogos no espaço antes ocupado pela Leões da Fiel, próximo aos Imbatíveis, resolvi, mesmo sem Cepacol, ir para o outro lado, próximo de onde alguns torcedores do time de John Lennon (O Sonho Acabou), vestidos com camisas do Palmeiras (porque não tiveram coragem de vir com a incolor) vieram aprender como se ganha de um time de São Paulo. Assim seriam dois a orientar Mancini, um em cada lado do campo.

Para minha surpresa percebi que tinham razão aqueles que falaram que nesse retorno Mancini estava mais humilde e menos teimoso. Comprovei isso ao ver que, seguindo minhas reivindicações, ele tirou o esquema com três volantes e lançou Ramon ao lado de Domingues, mantendo Berola ao lado de Roger e que acabou sua paixão por jogadores chamados Marco Aurélio.

Começou o jogo e os meninos do Leão logo mostraram que não tinham medo do H1N1 e partiram para cima do porco. Viáfara mostrou que estudou na escola de Renê Higuita, demonstrou segurança, tranquilidade e até deu drible humilhante em Vagner Amor. Apodi começou a aprender a marcar e só de vez em quando lembrava que é maluco. Fábio Balada insistia em enterrar o baba, mas o menino Wallace não deixava. Leandro fazia seu feijão com arroz, mas com algum tempero, enquanto Vanderson e Uéliton, sem dar botinadas para não tomar cartão, metiam o cotovelo e iam abrindo o caminho. Do meio para a frente Ramon armando, marcando e cadenciando o jogo deu a impressão que tava seguindo a dieta de Jackson (porque corria o campo inteiro,). O menino Berola brincava de entortar zagueiros, mas quando ficou cara a cara com São Marcos, lembrou da Copa do Mundo de 2002 quando o goleirão era o paredão brasileiro. Tremeu e não marcou. Já Roger deu uma trabalheira à zaga suína e acertou um chutaço no travessão e mesmo não marcando, agradou a todos. Para variar, o soprador de apito procurava um jeito de prejudicar o Leão. Bom de tanto falarem que Ramon e Domingues não poderiam jogar juntos, este último vendo o Reizinho jogar deve ter pensado que não estava em campo e por isso sumiu do jogo.

Terminado o primeiro tempo em 1 x 1, Mancini ouviu meu recado e nos vestiários disse a Berola que Marcos sempre treme quando joga contra o Vitória, então o menino voltou brocando ao finalizar uma jogada que teve início num momento em que Leandro Domingues passou perto do banco de reservas e ouviu alguém comentando que ele iria sair e só então se deu conta de que estava em campo e passou a jogar, permanecendo em campo por um minuto apenas. Em seguida, Derlei fez sua estréia me fazendo lembrar Sotero Monteiro que dizia que bom jogador se conhece no arriar das malas. Pois é, o portuga entrou e logo obrigou Marcos a fazer uma grande defesa e mostrando oportunismo fez o seu também. Querendo garantir o resultado, Mancini colocou em campo o irmão de Garrinchinha e Carlos Alberto. No final, para marcar presença, Fábio Balada deixou o porco diminuir. Com os 3 pontos garantidos, já sem voz, mas feliz pela vitória e pelo Vitória, reconhecendo que Mancini nesse seu retorno deu grande demonstração de profissionalismo e humildade ao fazer as pazes com Ramon, não me restou outra alternativa a não ser também me mostrar humilde tanto quanto ele foi e superar minhas nossas diferenças.

Para celebrar nosso cachimbo da paz, pensei em convidá-lo para comermos um churrasco de porco bebendo uma cachaça temperada com murici, mas como essa história de churrasco já deu problema anteriormente e nossa amizade ainda é muito recente, achei melhor evitar. Mas para não passar em branco fui com uns velhos amigos comemorar numa pizzaria aproveitando a promoção de pizza portuguesa: pague 1 e leve 4.

Saudações Leoninas !!!

 

Benjamin José é Puliça, mas é gente boa.

Nervos de aço

setembro 9, 2009

Só agora, passadas as regulamentares 48 horas da tradicional ressaca, é possível fazer a inevitável e retórica indagação: que fenômeno foi aquele que assombrou Porto Alegre e uma banda de Santa Catarina na noite do último sábado?

Putaquepariu a revolução farroupilha!

É vero que exegetas (recebam, fariseus) da Bíblia já intuíam os primeiros sinais do apocalipse muito antes da bola rolar no Estádio Olímpico. Basta lembrar que no avião rumo à capital gaúcha a primeira fila era ocupada pelo riso ingênuo, puro e franco, daqueles de filme de terror, de Paulo Henrique Amorim. A referida besta-fera jornalística folheava um livro, com soldados nazistas na capa, como quem diz: “olá, boa noite, tudo bem?”.

É óbvio que não estava tudo bem. Ou melhor, que não poderia ficar.

Porém, pisando em astros distraído, relevei as indicações de que o fim do mundo estava próximo. E, em vez de mandar o motô retornar para a Bahia, segui adiante. Só fui ter a certeza de que o plantão nas terras do glorioso Borges de Medeiros seria rigoroso, sopa de tamanco, quando Alcides Gonçalves (ou um outro parceiro de Lupicínio, sei lá) acenou para mim numa budega da Lima e Silva, na Cidade Baixa, com um bigode embriagado e tenebrosamente assustador – coisa de assombrar Zé do Caixão!

Vá matar o DEMÔNHO!

Aliás, um parêntese. Ao ver o tal bigode lupicínico, todos os gaúchos resolveram tirar o corpo fora. Douglas disse que era mais negócio ir para a ExporInter; Cassol inventou uma reunião em Pelotas; Dante Sasso afirmou que não curtia jogo do Grêmio – e Prestes, com a camisa do Chile, garantiu que o enfeite na face de Sêo Alcides era GENIAL! Prestes parece que nasceu em Santo Amaro. Acha tudo lindo e maravilhoso.

Mas, derivo. E fecho o parêntese. E sigo rumo ao Olímpico, local da peleja, acompanhado de Milton Ribeiro (gaúcho, mas não  praticante) que, apesar de ostentar um nariz protuberante, não conseguiu farejar que algo estava fora da ordem.

Mas, estava. Logo na chegada, por exemplo, percebo que somos minoria absoluta. A falta de quantidade, porém, é recompensada pela qualidade. Uma morena linda, acompanhante de um tiozinho baiano, grita o nome do Rubro-Negro com um delicioso sotaque e uma alegria na feição de quem estava sendo recompensada em euros. É fato que ela não sabia nada sobre Ludopédio. Nem precisava. Afinal, para alegrar a reduzida torcida gaúcho-baiana, bastavam as provocantes coreografias que a moça, vinda diretamente do GRUTA AZUL  (ou de Tia Carmen, sei lá!), realizava na arquibancada.

E a dança da menina era tão contagiante que inspirava até mesmo a então sisuda zaga gremista, que não parou de bailar o jogo todo. Os atacantes do Vitória partiam em direção ao gol e os defensores azuis deixavam correr frouxo. Parece que estavam no palco de algum Centro de Tradições Gaudérias, pois apenas se mexiam no gramado de forma afrescalhada, como se estivessem dançando chulas, rancheiras, tangos & tragédias.

Por falar em tragédias, ela deu o ar da graça no finzinho do jogo, como sói ocorrer com o desafortunado time do Vitória. Depois de meter 1 x 0 e perder 824 gols, o Leão voltou a flertar com o perigo. O ponteiro do relógio marcava exatamente 41 minutos e trinta e oito segundos da etapa complementar quando o desinfeliz do Marco Aurélio deixou Jonas mandar a criança para o barbante, sem tentar ao menos quebrar-lhe as pernas. Ato contínuo, mandei o zagueiro do Vitória para a puta que o pariu, afinal podem existir

pessoas de nervos de aço

Sem sangue nas veias e sem coração

Mas não sei se passando o que eu passei

duvido que não lhe viesse parecida reação.

Fragmentos de um discurso gauchesco

setembro 7, 2009

Por Milton Ribeiro*

Quando chegamos ao estádio Olímpico — eu, meu filho e o Butragueño de Amaralina –, tomamos uma enorme vaia que encarei com bom humor. Nada demais, apenas palavrões. Quando entramos é que houve o primeiro choque: atendendo a seus arbóreos, finos e calosos torcedores, o Grêmio viria sem Tcheco. Mas aquilo era só o primeiro prato, pois logo veríamos um prato principal que outro não era senão a famigerada linha de quatro jogadores no meio-campo: Souza, Adílson, Rochemback e Douglas Costa. Ou seja, Souza e Douglas Costa estariam a quilômetros de distância. Quando vi aquilo, pensei de imediato neste parágrafo, nas inevitáveis críticas a Autuori, na futura entrada às pressas de Tcheco e no entusiasmo que isto causaria. O único grave problema encontrava-se no fim do túnel de meus pensamentos — lá estava novamente Dante Sasso dizendo inexoravelmente que não curtira o parágrafo.

Era uma experiência nova aquilo de ficar numa arquibancada vazia protegido pela polícia de Yeda Crusius. Chamei um guarda para um papo. Avisei e ele que, apesar de ocuparmos um latifúndio improdutivo e quase silencioso, não éramos do MST. Mostrei-lhes minhas mãos de dândi e eles baixaram as armas. Mas um brigadiano mais arguto desconfiou de meu sotaque, obrigando Franciel a intervir:

— Esse porra faz a porra de dez anos que vive na porra desse estado e perdeu um sotaque da porra que fazia a porra da madeira gemer — disse ele no mais irrepreensível sotaque Elevador Lacerda.

O primeiro policial garantiu, com ar de inteligência:

— Ele parece a Sônia Braga de Dona Flor, deve ser baiano mesmo.

E o segundo lhe cochichou:

— Sim, os cabelos são os mesmos.

E em voz alta:

— Podem ver o jogo.

Em campo, eu torcia para um time que não conhecia direito. Acreditem, é pior. Há anos não ficava nervoso num estádio. Não tenho mais idade para essas angústias, mas o fato de só conhecer Magal, Viáfara, Apodi e Leandro Domingues estava me deixando maluco. Apodi via pela primeira vez em sua vida dois laterais para impedir-lhe a passagem: Douglas Costa e Lúcio. Lúcio olhava para a frente e pensava em como fazer um em overlapping em educado em Douglas para chegar à linha de fundo. Douglas não sabia se abria espaço para Lúcio passar, se atacava ou se marcava Apodi. O mesmo impasse triângular ocorria do outro lado. Souza pensou que talvez devesse telefonar para Douglas Costa a fim de marcar um encontro. Mandava-lhe recados através de Adílson, que os repassava a Fabio Rochemback. Este estava muito ocupado em desfilar sua elegância algo exagerada e esquecia-se de avisar Douglas.

Enquanto isso, o Vitória marcava, desarmava, tocava a bola com tranquilidade e divertia-se perdendo gols, coisa na qual não víamos graça alguma. O excelente Neto Berola mostrou que não era Luís Fabiano ao tocar por cima do gol em jogada idêntica a que seu modelo converteria horas depois. Roger… Bem… Roger… Melhor não falar. Quase morremos na arquibancada. Não se mira no pobre zagueiro que está dentro do gol quando temos o gol aberto, mas diversão e lazer é um direito previsto na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Cônscio do fato, Réver resolveu colaborar com a brincadeira de perder gols do Vitória, mas Neto, demonstrando que não se deve confiar em baianos, fez o gol. Sacanagem.

No intervalo, recebemos um arbóreo torpedo dando conta de que tínhamos sido observados aos pulos, subindo e descendo as escadarias do Olímpico. A RBS mostrou que sempre MENTE ao relatar a seus ouvintes que havia 14 torcedores do Vitória assistindo à partida. Mentira! Havia 35,71% a mais. Éramos DEZENOVE, caraglio.

No segundo tempo, mais brincadeiras. Aos 21 segundos, Leandro Domingues chutou no poste esquerdo de Marcelo Grohe e, aos 4 minutos, Neto Berola fez o mesmo, tentando mostrar que aquele poste era, em verdade, seu. Então Autuori refletiu sobre as vaias que ouvia e conjeturou sobre como seus arbóreos, finos e calosos torcedores eram volúveis: eles agora babavam pelos lindos peitos de Tcheco. O moço entrou e tivemos finalmente chances de ver o futebol dos azuis. Claro, ele não deveria ter entrado. Mesmo sem ser arrasador, víamos bolas mais inteligentes chegando ao ataque gremista. Aquilo perturbou Magal, que acabou expulso por não cometer uma falta. Apavorado por ficar com menos um volante, Vagner Mancini tirava um atacante por minuto, trocando-os por volantes.

Quando tínhamos vinte e seis volantes rubro-negros em campo, Jonas — o qual  deveria ser multado por pensar em chutar de primeira aquele passe de Tcheco impossível de acertar — fez um golaço. É aquela coisa, se antes nos tivessem dito que seria 1 x 1, correríamos pelos campos e colheríamos flores, felizes como a Noviça Rebelde. Só que levar um gol daquele jeito nos deixara a certeza de que estávamos destinados a morar até o fim dos dias com a madrasta da Cinderela.

Franciel passou bem. A hospitalização foi rápida e mesmo que o marca-passo tivesse parado às quatro e trinta e cinco da madrugada por defeito numa pilha paraguaia, teve a sorte de encontrar um doador argentino vitimado por Kaká. Nunca vi ninguém mais nervoso. Ele pergunta o tempo de jogo a cada trinta segundos, mas não usa relógio. Ele quer saber dos outros resultados, mas não usa rádio. Ele quer entabular arbórea conversação, mas não usa celular. Como vingança, levei-o ao Parque da Harmonia e mandei-o contar todas as piadas de gaúcho de seu repertório, também mostrei-lhe a arquitetura dos Supermercados Zaffari, visitamos a Vila Cruzeiro e tomamos banho no Guaíba. Como compensação, deixei-o fazer livremente a opção entre comida vegetariana e Mac Lanche Feliz. Nada de carne vermelha. Amanhã, terá moqueca podre.

* Milton Ribeiro é gaúcho, mas não pratica.

Últimas notícias, urgente

setembro 3, 2009

Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí, levando um bandeirão do Vitória debaixo do braço…

Dúvidas, perguntas, indagações, inquirições, suposições, confabulações, favor dirigir-se ao GLORIOSO IMPEDIMENTO.

De nada.

A Rede Globo ainda tem o dom de iludir

setembro 1, 2009

Vocês, crianças, que ainda nem se alistaram no Exército, podem até dizer que eu estou por fora ou então que estou inventaaaando (chupa, Belchior), mas a verdade que salva e liberta é uma só: A Rede Globo, que construiu um império através de tenebrosas transações, ainda tem o dom de iludir.

No último domingo, por exemplo…Aliás, não. Motô, rebobine a fita e volte para o 25 de janeiro do ano da graça de 1984. Pois bem. Nesta dia, o fato mais importante para Pindorama era a movimentação pelas Diretas Já! Ninguém aguentava mais o regime dos milicos. Porém, a emissora dos marinhos, que se criou lambendo botas de generais, inventou que as multidões que se aglomeravam nas ruas estavam comemorando o aniversário de São Paulo – como se a passagem da data natalícia da Província de Piratininga fosse motivo de celebração para alguém. Quem é doidho?

Hômi quá; sinhô, me deixe!

Pois muito bem. Exatos 25 anos depois, a Vênus Platinada usa a mesma e diversionista estratégia, só que numa armação ainda mais criminosa, pois privou boa parte da nação de acompanhar mais um fundamental capítulo de sua sofrida história.

Aos fatos.

Desde o início da semana, a referida TV começou a ludibriar os brasileiros tentando vender a pelada entre São Paulo x Palmeiras como o jogo mais importante da rodada – e quiçá de todo o Sarneyzão/2009. E, na esperança de que isto se tornasse verdade, ficou martelando esta embromação ad nauseam.

Agora, vejam vocês. Como é que duas equipes retranqueiras (não à toa são as defesas menos vazadas da competição) poderiam fazer uma grande partida? Sinceramente, não compreendo como alguns incautos cairam nessa e se prostraram à frente da tela ou nas arquibancadas do Murumbi para assistir àquela ordinária peleja. No entanto, como bem dizia meu finado pai, tem besta pra tudo neste mundo.

O fato, porém, é que não se pode enganar a todos o tempo inteiro. E cerca de oito mil resistentes não comeram este reggae e foram presenciar o melhor jogo do domingão no Santuário Ecológico Manoel Barradas entre Vitória 3 x 3 Cruzeiro.

Amigos, que jogaço!

Não faltou nada. Emoção do início ao fim. E São Pedro, que entende muito de bola, também colaborou, mandando cair uma tempestade dos seiscentos. Sim, ao contrário do que pensam alguns, o aguaçeiro foi fundamental para o excelente espetáculo. Aliás, futebol de verdade deve ser jogado naquelas condições de temperatura e pressão. Afinal, a chuva não atrapalha, mas sim favorece a prática do bom e velho ludopédio. E quando eu digo ludopédio, estou querendo dizer ludopédio com carrinho, cotovelo abrindo caminho, camisa sujas de barro, distribuição farta de cartões, muitos gols e o auxílio luxuoso de um juiz ladrão, que deixou de marcar 18 penaltis para o Vitória.

Amigos, que jogaço!

Não bastasse tudo isso, ainda tivemos aqui em Salvador o lance da professora que protagonizou uma, digamos assim, dança sensual num show de pagode… 

 Opa, derivo. A questão que deve ser repisada é que a Rede Globo ainda tem o poder de iludir. E ela, a Globo, tentará “informar” que na próxima rodada, a 23ª, o jogo mais importante será um Curíntia x Santos ou São Paulo x Cruzeiro. No entanto, torcida brasileira, não se deixe enganar. O verdadeiro pebolismo será praticado no Olímpico, na peleja entre o Brioso Vitória x grêmio. E este rouco locutor estará lá, no pé da obra, para relatar todos os lances – ou pelos menos aqueles que esta cansada e obnubilada (recebam, hereges) visão permitir.

Quem viver, ouvirá.