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BELO E TORTO COMO O CERRADO

julho 10, 2017
Por Felipe Campos*
Passei seis horas do meu dia dentro de um carro pra ver nosso time na zona de rebaixamento enfrentar o lanterna em Goiânia. Ganhei o jogo (e o dia) ao registrar in loco o improvável corta-luz de craque do jovem Rafaelson sob o incomparável por do sol do cerrado. A vida é uma onda.
A instituição Vitória não está merecendo uma torcida como a Vitória Candango. Mesmo assim, descemos o Planalto Central às dezenas e fomos cumprir nosso dever cívico de cantar melhor e mais alto do que o time local – feito aliás que se repete desde o nosso surgimento, tanto no futebol quanto no basquete.
Eu tinha uma obrigação a mais. Fui incumbido (lá ele) por Franciel a orientar e liderar o time em sua ausência. Acho que o representei ao puxar o coro enaltecendo o desempenho do MELHOR ZAGUEIRO DO CAMPEONATO BRASILEIRO. Tomando cuidado com a rima, é claro. Kaníves curtiu. Também no intervalo desci a arquibancada para cobrar seriedade no bobinho dos reservas. Tenho certeza, este fato foi determinante para o já citado ANTOLÓGICO gesto de Rafaelson de simplesmente não atrapalhar a jogada. De nada.
O corta-luz foi meio desajeitado? Foi. Tinha a opção de dominar e sair de cara com o goleiro? Tinha. Mas se há algo que o cerrado nos ensina é que nem tudo que é torto é errado. Ou feio. Rafaelson, meu filho, sua não participação foi coisa de gênio!
Disseram que o time jogou mal e que o jogo foi sofrível, sendo, inclusive, digno do horário de série b que a CBF arranjou – indireta recebida. Não lembro bem, confesso. A sombra tava batendo justamente no freezer do senhor da cerveja que não tinha meu troco. Aí não teve como brigar com o destino. Saí já com a memória embaçada do estádio. Porém vos digo, nobres: nada, absolutamente nada, consegue parecer “mal” ou “sofrível” quando feito sob a tenra luz do por do sol do cerrado. Nem mesmo o futebol desse seu lateral esquerdo aí.
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P.S: Um agradecimento especial ao amigo Vanter Pé-de-Fada pela loooonga carona, a Pedro Grego pelo serviço de bordo e ao nobre colega goiano Marcello Dantas de quem eu roubei esse título.
* Com este inoxidável relato, estão abertos os trabalhos do Brasileirão aqui no Blog. Agora, só pararemos na Libertadores. E fudeu Maria Preá.
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