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LEÃO SOBERANO E INVICTO

maio 8, 2017

É incrível o poder que as coisas parecem ter quando elas têm que acontecer.

Porém, antes que as pessoas impacientes já comecem a fazer beicinho, informo logo que só comecei a homilia com a frase de autoajuda acima porque foi exatamente esta a sensação que senti quando olhei para aquele mar vermelho e preto nas imediações do Parque Sócio Ambiental Santuário Ecológico Manoel Barradas, o Monumental Barraquistão.

Aquela cena antológica da torcida abraçando o time e o ônibus antes mesmo da peleja se iniciar me dava a certeza de que as coisas iam acontecer. O mar vermelho e preto não estava para sardinha. Então, naquele momento, chutei para escanteio meu incurável ateísmo — e acreditei piamente no poder mágico da força da multidão. Estava convicto de que ela que ia garantir o título, apesar de o time em si não passar tanta confiança.

E assim foi. E foi assim. Logo aos 7 minutos, quando minha zaga deu uma braga e a sardinha apareceu de cara para o crime, a energia da massa rubro-negro desviou a bola para a linha de fundo. Por todos os cantos e campos do Brasil e do Barradão, o que dá no mesmo, nosso grito se ouviu. E foi nosso brado sobrenatural de almeida que possibilitou que a equipe Rubro-Negra mandasse na partida. Tirando outro lance aos 7 do segundo tempo (ê, timinho pra gostar de 7 este de Itinga, viu?), o Vitória foi soberano. E só não goleou por conta das deficiências técnicas dos atacantes. David duas vezes, Paulinho outras tantas, Ramires, haja calculadora.

Aliás, nada de cálculo. Tudo era emoção. E foi nesta pegada que as coisas definitivamente foram decididas. E se antes da peleja começar eu já estava com a certeza do título, ela se transformou em absoluta convicção, crença incurável, quando Renê Santos, um homem chamado raça, entrou em campo. Ali estava personalizada a garra da torcida. Gramado e arquibancada eram uma coisa só. Tentando enojar o baba, o homem de preto deu infindáveis cinco minutos de prorrogação e ainda mais um de chaleira. Não adiantou. Podia deixar o jogo rolando por mais um século que não ia passar nada. Nem mesmo o profeta Moisés conseguiria abrir aquele mar vermelho e preto que se formou como um rochedo antes do jogo começar e se fortaleceu ainda mais com o desenrolar da partida.

Sim, minha comadre. Tudo isso pode parecer (e é) piegas, mas quem diz ou pensa assim como a senhora jamais vai compreender o que aconteceu naquela soberana e invicta tarde de domingo.

P.S Esta homilia vai dedicada a todo o povo lambuzado de dendê e de emoção, especialmente à brava guerreira Maria da Conceição e ao representante do recôncavo Márcio Neiva.

Foto de Raul Spinassé/Agência A tarde/Estadão Conteúdo