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VALEI-ME, MINHAS PONTES DE SAFENA!

abril 17, 2017

Convicção é um bicho traiçoeiro. Basta um descuido e a danada escapole.

Como assim? Assim, ó.

Tinha a certeza absoluta de que este atual grupo do Vitória ia desobedecer às (des) orientações de Argel e criaria um sistema de jogo, um padrão tático, independentemente da tosca vontade do técnico.

Acreditei nisso porque este é um elenco composto de jogadores rodados, que sabem como a zorra funciona nas quatro linhas. É fato que muitos deles não têm mais condições físicas ideais para impor um ritmo de jogo, mas ao menos têm conhecimento futebolístico. Porém, depois de num sei quantas rodadas, o que vejo é uma apatia profunda nos aspectos técnicos e táticos. 

 

Diante de tantas e tamanhas infâmias (e não somente por causa do insosso empate de ontem contra o Vitória da da Conquista, travestido de heroísmo), a única contribuição que posso fornecer para a melhoria do nível do Ludopédio do Leão é a seguinte: tem que suspender, com urgência, esta feijoada que está sendo servida antes dos jogos. Sim, a galera só pode estar se entupindo de comida pesada antes da bola rolar, pois não consigo vislumbrar outra coisa pra tanta maresia.

 

Aliás, depois de me raciocinar todo, tô chegando à obvia conclusão de que este rebuceteio da Odebrecht tem como objetivo desviar a atenção do povo em relação ao tema mais importante do país. Qual seja: este time do Vitória num tá jogando porra de nada!

E minhas pontes de safenas não aguentam este rojão.  

VÁ MATAR A MÃE DO DEMÔNHO!!!

UM VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA

abril 12, 2017

Que contradição. Só a guerra faz.

Exatamente no mesmo dia em que a torcida mista voltou a ocupar, de modo revolucionariamente afetivo & festivo, as arquibancadas da velha Fonte Nova, o garoto Carlos Henrique Santos de Deus, de apenas 17 anos, foi brutalmente assassinado após o jogo.

Dentro do estádio, a multidão deu exemplo de que é possível avançar na direção da salutar convivência entre aqueles que torcem por cores diferentes e que rivalidade não é, nem pode ser, sinônimo de violência. Do lado de fora, alguns infames, talvez desesperados em ver triunfar esta rica possibilidade de coabitação, recorreram ao crime, à desgraçada brutalidade de retirar a vida de uma pessoa que apenas veste uma camisa de outra cor.

Aliás, por falar em cores, nos dois últimos anos, uma das características mais tristes e trágicas das manifestações de rua no Brasil foi a impossibilidade de se aceitar alguém com uma roupa de coloração diferente.

Algum apressado pode me acusar de estar misturando as bolas, mas o fato é que pouco importa se a batalha é contra a corrupção ou um time de futebol. A mensagem dos que se filiam a esta tendência totalitária do terror, tanto nos estádios quanto nas passeatas das cores iguais, é a seguinte: eu sou o melhor, o puro, e o outro deve ser eliminado.

A consequência deste autoritarismo atroz é a interdição do diálogo. E é um caminho fácil. Basta dizer: não me misturo com corruptos (claro, eu sou o puro) ou com pessoas que torcem para outra equipe (eles são uns desgraçados).

Óbvio que, nestes momentos de exacerbação, é ainda mais trabalhoso enveredar por uma trilha de reflexão/ação mais complexa. Conversar com pessoas que pensam diferente não é sucumbir à corrupção, esta menina traquina que tá em todo o canto, não apenas nas hostes inimigas.  Assim como também conviver com pessoas que torcem por outras cores não vai fazer ninguém se bandear para o outro lado. Esta uma batalha contra a indigente simplificação é crucial, seja no campo da política ou do futebol.

No caso específico do Ludopédio, por exemplo, é o momento de combater a proposta mesquinha de torcida única, defendida pelo promotor Olímpio Campinho. O que ele está propondo é algo antipedagógico e ineficaz. Conforme informa o estudioso Maurício Murad, Belo Horizonte, Buenos Aires e Roma, que haviam sucumbido a esta postura equivocada, já mudaram de posição. A hora é de avançar rumo à ampliação do espaço da torcida mista, não de retroceder. O momento é de ampliar nosso campo de ação, não de cair nas armadilhas simplificadoras dos campinhos da vida.

É exatamente por tudo isso, por estas questões que considero essenciais, que retorno a esta intimorata tribuna. Se ontem critiquei as diretorias de Vitória e Bahia pelo indecente silêncio em relação aos graves acontecimentos, hoje quero elogiar e parabenizar a atitude dos dirigentes rubro-negros e tricolores que lançaram notas firmes contra este retrocesso.

Não deixa de ser animador que, nestes tempos temerários, o Ludopédio desta província forneça estes excelentes exemplos quando um valor mais alto se alevanta.

Que contradição. Só a guerra faz nosso amor em paz.

 

Eis as notas oficiais dos clubes

http://www.ecvitoria.com.br/torcida-unica/

http://www.esporteclubebahia.com.br/nota-oficial-30/

 

UM SILÊNCIO INDECENTE

abril 11, 2017

Nestes tempos temerários, praticamente somos obrigados a ter, de modo instantâneo, opinião formada sobre tudo e todas as coisas que acabam de acontecer. E, não raras vezes, esta imposição da urgência nos empurra para julgamentos apressados e injustos. Afinal, é quase impossível formar juízo de valor sobre os turbilhões de polêmicas que transbordam na imprensa e, principalmente, nas (mal) ditas redes sociais. Prudência, portanto, é um artigo fundamental.

Óbvio que a equação não é simples, pois a falta de um pronunciamento/posicionamento pode ser interpretada como omissão. E, se tal problema já é atordoante para o cidadão comum, em relação às instituições a questão se reveste de contornos ainda mais graves. É preciso ter sabedoria para não cair nas tentações do imediatismo.

Ponto parágrafo.

Registro estes prolegômenos exatamente para destacar que não advogo a afoiteza como método. O inverso é o verdadeiro, conforme tentei explicitar nestas linhas iniciais. Porém, há situações nas quais o silêncio deixa de ser sintoma de prudência e se transforma em desleixo, ou pior, em covardia.

Sim, amigos, estou criticando a inexplicável mudez das diretorias do Vitória e do Bahia em relação ao infame assassinato do menino Carlos Henrique Santos de Deus, que perdeu a vida com apenas 17 anos.

Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?

Estas perguntas acima não são retóricas. Realmente, eu gostaria de saber os porquês. Não consigo compreender como um garoto é brutal e fatalmente atingido logo depois de um Ba x Vi – e os dirigentes não dizem uma única palavra de conforto para os familiares. Óbvio que a tal prudência que foi invocada lá no começo do texto recomenda que não se ataque nem se acuse ninguém. Contudo, não prestar solidariedade à família enlutada e nem condenar o crime é, além de incompreensível, indecente. Sim, indecente, especialmente porque as diretorias tanto do Vitória quanto do Bahia dizem que se guiam por valores diferentes daqueles praticados por antigos cartolas.

Aliás, quando saí da Fonte Nova no início da noite de domingo, pensava exatamente em escrever um texto elogiando a atitude dos diretores rubro-negros e tricolores que apostaram no retorno da torcida mista. Estava com aquela sensação de esperança/otimismo de que as coisas aqui na província caminhavam para outra direção, uma trilha onde era preciso e possível investir na ousadia de tentar a salutar convivência entre os contrários. Vi coragem e audácia que não imaginava exequíveis neste ludopédio dominando por tenebrosas transações. E fui dormir feliz, não só pelo triunfo de meu time, mas também por esta nova possibilidade que se abria.

Porém, agora, quase 48 depois da tragédia, cá estou apenas com estas repetidas perguntas martelando meu maltratado juízo. Como é possível que os sites oficiais dos dois clubes não tenham colocado uma mísera nota condenando tal crime? Por que este ensurdecedor silêncio?

FELIZ ANO NOVO

abril 10, 2017

Sim, minha comadre, a manchete é esta mesmo. Feliz ano novo. É hora de acertar os ponteiros do relógio, pois, finalmente, estamos em 2017. Tudo o que ocorreu até agora foi apenas entressafra. Aquela historinha de que nesta província o ano começa depois do carnaval é apenas uma das tantas culhudas proferidas pelas bahiatursas da vida para enganar turistas, otários e afins. Conforme é de conhecimento do pacato Nordeste de Amaralina, o calendário aqui só se move, efetivamente, quando a bola rola no tradicional clássico cartão de crédito, o brioso Visa, Vitória x sardinha.

Exatamente por isso, até este rouco e cansado locutor decidiu tirar as teias de aranha do gogó e voltou ao batente, atendendo milhares (na verdade, três) de pedidos encarecidos dos ouvintes. E cá estou, sem longas nem delongas, informando que o ritual de passagem de ano novo, para continuarmos no campo das simbologias, aconteceu sob o signo da maresia. O Vitória debreou, puxou o freio de mão e levou o jogo em banho-maria. Parece que os jogadores do Leão confundiram os bichos. Então, vou esclarecer. Seguinte é este, rebain de hereges. O que a gente fica cozinhando é galinha. Sardinha é pra fritar logo.

Ademais, a postura da equipe foi desrespeitosa com a história e o esquálido placar de 2×1 pode ser interpretado como um insulto ao adversário. Como assim? Assim, ó. Em relação à questão histórica, existiu uma afronta porque era o momento de homenagear os 4 anos de reinauguração da velha fonte nossa e repetir aquele inolvidável abril de 2013. Já a desconsideração quanto ao rival foi não golear, pois os tricolores continuarão iludidos achando que estão jogando algo parecido com futebol.

Porém, nem tudo foi choro e ranger de dentes. Se nas quatro linhas não houve nada digno de nota, as arquibancadas transcenderam. O clássico cartão de crédito, o Visa, Vitória x sardinha, sempre é um acontecimento. E, neste domingo de ramos, não foi diferente. Aliás, minto. Foi diferente, sim. Tivemos o retorno da torcida mista. E rubro-negros e tricolores mostraram, uma vez mais, que é possível e preciso conviver no mesmo espaço da arquibancada, com respeito e alegria. A Bahia provou que rivalidade não pode e nem deve ser sinônimo de violência. Foi bonita a festa. Pagou o ingresso.

Por falar em pagar, atenção André Uzêda: mire-se no exemplo de Nestor Mendes Jr e compareça à gerência com minha grade de Heineker. Não quero ouvir aquela conversa de que “meu pé tá doendo, meu pai mora no interior, a caixa de mudança é pesada, caô, caô, é porque eu pensei, ai, ai, doutor”. Nada disso. Coce o bolso, pois minha garganta já está preparada.

E mais. Quero beber as cervejas no Bar de Ratinho, na Saúde, lugar onde ocorre uma das melhores resenhas da cidade. Ontem mesmo, depois do jogo, ouvi a seguinte síntese/profecia. “Jamais este time aí vai ganhar do Vitória. Nosso centroavante parece um bicho goiaba. Corre igual a um corcunda de notre dame com problema no músculo adutor”.

Amém e feliz ano novo.

Alguém tem um espanador para tirar as penas das cervejas?

P.S Amanhã, se a ressaca e a Moça do Shortinho Gerasamba deixarem, farei a primeira, aguardada, abalizada, aliterada e vilipendiada resenha das quatro linhas neste 2017. Aguardem e confiem.