PROTAGONISTA DE ESCÁRNIOS

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A feijoada tá azedando

 

 

Desde o ano da (des) graça de 2006, quando o Brasileirão se estabeleceu com apenas 20 clubes no sistema de pontos corridos, a força da grana mostrou sua face mais vil e o futebol de Pindorama ficou ainda mais desigual, extremamente desigual.

Nestes dez anos, praticamente só os clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, beneficiados por fabulosas verbas de TV e patrocínios, estiveram os 4 primeiros. A única exceção ocorreu em 2013, com o Atlético do Paraná conquistando o 3º lugar. Aliás, neste mesmo e atípico ano, quando os grandes de SP fizeram campanhas tétricas, o Vitória chegou na última rodada lutando por uma vaga. Bateu na trave. E o fato, o triste fato, é: nenhum time do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste jamais conseguiu furar, na última década, este cordão sanitário imposto pelos poderosos do Sul-Sudeste.

Porém, com planejamento, conhecimento de futebol e inteligência é possível (sobre) viver nesta selva com um tanto assim de dignidade. Um exemplo disso é o pequeno Chapecoense, que tem um orçamento e uma torcida muito inferiores à do Leão. Em 2009, o time catarinense era da série D. No ano seguinte, foi para a terceirona e ficou em 7º lugar. Em 2011, subiu ainda mais e alcançou a 5ª colocação. Mais um ano e conseguiu o acesso à segundona, onde não demorou nada, conquistando o privilégio de jogar na elite. E, contra todos os prognósticos, se mantém altivamente.

É óbvio que o Vitória não pode se mirar no pequeno Chapecoense. Tem que sonhar e agir, pensando em algo muito maior. Portanto, não era de todo despropositada a entrevista do presidente do Vitória, no dia 8 de dezembro de 2015, logo após o acesso. Às aspas. “Todos os times têm problemas com a parte financeira, mas isso jamais colocará limites nas nossas ambições. Vamos competir como protagonistas em todas as competições das quais iremos participar. Dinheiro não é uma coisa que nos deixa preocupados”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal. Apesar de garantir que dinheiro não era algo que o “deixava preocupado”,  raimundo viana não honrou sua palavra. Ao contrário. Desembestou em um processo de apequenamento do Clube, lambuzando-o com a construção de uma farsesca imagem de dirigente caricato. E criou um personagem, “vovô mundico”, que relembra os piores momentos dos cartolas popularescos do futebol de antigamente.

Noves fora as presepadas, a farsa conseguiu se estabelecer, logo após a conquista do fraco campeonato baiano com as calças na mão, diante da fraquíssima sardinha. E a promessa, naquela mesma entrevista, de que o Vitória estava em fase de negociação com “o meia Escudero e o atacante Rhayner, peças-chave no time titular do Leão” foi esquecida. Nada de renovação, nem nos contratos, muito menos no modo de agir. Tudo fedia a mofo.

Em maio deste ano, em uma entrevista para a ESPN, invocava uma tal missão divina que estaria a ele conferida para quem sabe levar o Vitória à Libertadores e a obter a conquista da Copa do Brasil. Resultado? Deus parece que não tem apreço pelo referido, pois não lhe conferiu a tal missão. E o Rubro-Negro, que já não vinha bem no Brasileirão, foi eliminado de forma grotescamente melancólica para um dos piores times da história do Cruzeiro.

Restou, portanto, apostar a ficha no menos pior, que seria a permanência na elite. Todavia, o returno começa com uma demonstração de amadorismo sem par. A principal novidade para um time que necessita de um novo gás foi um velho conhecido: o lateral-direito Diogo Mateus, que não serviu para renovar, mas aparece agora como salvação da lavoura, do latifúndio improdutivo que tem sido aquele setor do time. E Diogo ontem, diante do fraco Santa Cruz, fez o que pode, mas, parado há um bom tempo, cansou. E novamente o Vitória, sem peças para o setor e sem elenco, foi obrigado a improvisar na 20ª  (VIGÉSSIMA) rodada da competição. E terminou cedendo o empate ao time pernambucano.

Porém, isto não foi o pior. O mais trágico é que a zombaria do presidente agora atinge o paroxismo. Em uma entrevista logo após o péssimo resultado, o indigitado teve o desplante de afirmar o seguinte do time comandado (?) por ele e que está na rabeira da tabela.

Se olhar no campeonato, não tem ninguém melhor do que a gente“.

É graça uma porra desta?

Se, antes, afirmar que sonhava alto era algo que simbolizava uma recuperação da autoestima, agora as bravatas do presidente/personagem/ator de quinta categoria se transformaram em simples e puro escárnio. Escárnio, aliás, é também o que ele e sua diretoria estão propondo para o Clube na fundamental questão da democratização.

Mas a torcida do Vitória, que não é otária, repudiará alguém que se apresenta apenas como protagonista de escárnios.

DIRETAS, JÁ!!!

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11 Respostas to “PROTAGONISTA DE ESCÁRNIOS”

  1. Lionel Leal Says:

    Raimundo é a cara da gestão atual do Vitória mesmo. Retrógrado, não quer conta com modernização nem democracia.

  2. Ricardo Says:

    Meu caro Franciel, em uma outra entrevista no final do ano passado, para o jornal A Tarde, o senhor Raimundo Viana disse que não via muita diferença da série B para a série A, naquele momento fiquei preocupado com o destino da nossa equipe em 2016, então o problema é a total falta de conhecimento de futebol deste cidadão, e de sua diretoria completamente incompetente na negociação com os jogadores, e sem agilidade nenhuma na hora de contratar.Temo o pior, infelizmente!

  3. self Says:

    to tomando nojo dessa diretoria de 9ª divisão ,se associar pra virar chacota nacional,nuncaaaa fora corja de diretores fracos :/

  4. Ricardo Says:

    e ainda vem o S. Mancini, na época da sua renovação, afirmar que “esse” grupo iria brigar na primeira página da tabela, corroborando com os devaneios desse romântico e gagá “presidente” em época.

  5. Fábio César Says:

    Caro Franciel, mas uma vez concordo com suas sabias palavras, o folclórico “vovó mundico”, deveria ir fazer alguma série de TV sem graça em algum lugar bem longe do Barradão e neste mesmo barco sem fundo leva junto com Ele Manoel matos que está afastando cada dia mais o torcedor das dependências do santuário do Leão!!!
    Obs: sou aquele torcedor que estava com o filho e tirou uma foto contigo no santuário!!!

  6. Anrafel Says:

    Esse dirigente, com sua opção preferencial pelas figuras futebolísticas de mil e novecentos e guaraná-com-rosca, me faz vir a memória a célebre frase de Stanislau Ponte Preta: “Estamos caindo no perigoso terreno da chacota”.

  7. Ander Says:

    Time sem garra. Não agride ninguém. Com algumas figuras que já deviam ter sido emprestados ou devolvidos. Porque no banco de reservas mais cedo ou mais tarde acaba tendo que usar.

  8. Ronaldo Chaves Says:

    Prezado Franciel, minha esperança é que com a segunda divisão se aproximando, a torcida entenda que sem democracia no vitória não temos alternativa. Diretas Já!!!
    Sou do interior e não acompanho o vitória no santuário, mas compro meu pacote para acompanhar, enquanto não tivermos eleições diretas, não me vejo associado do vitória.

  9. DIOGO Says:

    Entra rodada, sai rodada e esse texto continua atual como se estivesse falando da última partida! É muita vilania pra uma diretoria só!

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