FESTA NO INTERIOR

Após a leitura do título acima, muitos apressados podem até achar que este rouco, cabeludo e míope locutor passou a usar os óculos de Dr. Pangloss e ficou com a visão obnubilada e lambuzada de otimismo pueril. Outros, maledicentes, já devem estar espalhando coisas bem mais graves. Porém, em verdade, à nação: não mudei. E pior. O time também não.

O esquema tático teimosamente repetido por Mancini é, para ficar nos bons modos, camicase. Afinal, atuar no 4-3-3, sendo que os três atacantes praticamente nunca voltam para compor, deixa o já fraco setor defensivo completa e desnecessariamente exposto. Não é à toa que o time saiu perdendo em mais de 80% dos jogos e teve que correr atrás do prejuízo. Além do problema tático, a equipe padece com (a falta de) talentos. Os jogadores, em sua esmagadora maioria, não evoluíram desde o início da competição.

Então, perguntará os impacientes amigos de infortúnios: quais os motivos para a festa, ora esta? Primeiramente, fora temer. Segundamente, as sardinhas.

Mas, voltando a falar sério, seguinte é este. Quando decidi descer a pirambeira rumo a Feira de Santana, embarquei com a mente embriagada de canjebrinas, algumas substâncias não recomendadas pela carta magna e, especialmente, com os famosos versos do poeta espanhol Antônio Machado. Às aspas, maestro.

Golpe a golpe, verso a verso…
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
‘Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…’
Golpe a golpe, verso a verso”.
Então, mesmo que tudo desse errado, já teria dado certo, pois a viagem é o caminho e vice-versa, seja lá que porra isto signifique. Aliás, se o Brasil fosse um país minimamente sério, existiria uma lei obrigando todas as pessoas a testemunharem o Vitória jogando no interior ao menos uma vez por ano. É uma experiência ímpar. Tudo é festa. A cidade se transforma completamente. Todos ficam tão felizes quanto relâmpagos no trigo (beijo, Cortazar). É um frisson dos 600 DEMÔNHOS. E mais não digo. Quem quiser saber e, principalmente, sentir, viaje.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. Até o impassível dagoberto que, novamente não produziu porra de nada, quando foi substituído ficou no banco de reservas vibrando com a equipe e, pasme, discutindo com torcedores. E este espírito contagiou toda a equipe. Após levar o gol do Coritiba, o time, ainda que um tanto quanto desmantelado, partiu para cima com gosto de querosene, especialmente após a saída do rapaz da camisa 22 e de amaral, que, uma vez mais, entregou o acarajé, digo, a rapadura.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E o empate veio num gol típico de jogo intermunicipal. O colombiano Cardenas, que conhece do jogo e chamou a responsabilidade, tentou meter a bola para Kieza, o zagueirão do Coritiba foi antecipar e mandou contra o patrimônio. Arquibancadas e alambrados incendeiam. Ato contínuo, Marinho recebe na entrada da área, pratica um remelexo de botar no chinelo a moça do shortinho gerasamba e manda a criança na forquilha. Já nos descontos, Kieza guardou o dele, acabando com um jejum que já fazia inveja ao mais contrito faquir.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E foi assim, meninos, eu vi, que Marinho, ao fazer seu golaço, procurou Kieza para um fraternal abraço de descarrego. E o vice-versa se repetiu. Ao marcar o seu, o camisa 9 foi retribuir a gentileza, como se estivessem a celebrar as pazes e encerrar maus entendidos.

É óbvio que neste espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal (acho que já falei esta frase). E, na próxima rodada, a esperança é que este espírito, esta garra interiorana esteja presente na maior cidade do país, na desvairada peleja contra o Palmeiras.

E por falar em espírito guerreiro e luta por superação, eis o brado que deve ser gritado cada vez mais alto: DIRETAS, JÁ!

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.

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6 Respostas to “FESTA NO INTERIOR”

  1. Itajaí Says:

    Franciel, estava esperando a resenha com gosto de querosene.
    É isso aí meu velho, o rebuliço aqui é forte, o Vitória poderia jogar mais vezes aqui em Feira.Tinha gente entrando como mais de 30 min de jogo, e uma multidão ainda comprando ingresso.
    O Colombiano provou por que será o nosso camisa 10, sabe de tudo o canhotinha. Marinho desequilibrou na hora certa, pra emoção do Bahia e do Brasil. Destaque também pra Vander, vem evoluindo, entrou muito bem, na contramão do time camicase de Mancine que insiste na peleja do 443.
    Uma abraço.
    Itajaí.

  2. Marcilio Says:

    Franciel, mais uma vez concordo totalmente com você. Mancini pensa que pode jogar a série A como ele jogou a série B. Na série B você joga aberto, faz seu gol e dificilmente toma outro lá atrás, pois o nível dos times é muito baixo. Na série A, não tem perdão. Jogou aberto, é ferro na certa. Pare de jogar com três atacantes e reforce a marcação no meio. Concordo também com suas críticas a Dagoberto. Esse, pra mim, é um ex jogador em atividade. Acorda Mancini antes que a vaca vá pro brejo.
    Abração.

  3. Pedro Cintra Says:

    Sinceramente, Franciel, estou propondo ao Facebook q comece a lhe pagar um salário para q vc volte a postar por lá. O facebook sem vc é chato…

  4. teresaribeiro Says:

    É meu amigo… O time tá uma coisa feia mas a gente acompanha porque paixão e lógica não se misturam. Mas que desanima torcer pra um clube cuja diretoria não dá a mínima para o torcedor, desanima. Por motivos alheios à minha vontade, só hj me dei conta de que meu plano de sócio torcedor venceu. O desânimo não vem do fato de que minha memória resolveu me pregar uma peça e, sim, pela incompetência (será?) do SMV. Eles são muito competentes em enviar avisos absolutamente inúteis, como contratações inexpressivas, por exemplo, mas incapazes de alertar o sócio sobre a proximidade do prazo de renovação. Incompetência ou interesse na descontinuidade do plano, visando a impossibilidade do sócio votar? Um abraço RN

  5. Dantas de BH Says:

    É triste ter que aceitar a realidade do clube, mas, com essa diretoria de time de várzea e esse faz de conta que é treinador que aí estão, o último a sair apague a vela.
    Futebol não é o forte na Bahia, de qualquer forma, acho que vou experimentar torcer para o Galícia, quem sabe comece a virar um clube de verdade por esses 10 ou 15 anos, porque 117 anos demora muito, não é?

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