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PROTAGONISTA DE ESCÁRNIOS

agosto 15, 2016

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A feijoada tá azedando

 

 

Desde o ano da (des) graça de 2006, quando o Brasileirão se estabeleceu com apenas 20 clubes no sistema de pontos corridos, a força da grana mostrou sua face mais vil e o futebol de Pindorama ficou ainda mais desigual, extremamente desigual.

Nestes dez anos, praticamente só os clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, beneficiados por fabulosas verbas de TV e patrocínios, estiveram os 4 primeiros. A única exceção ocorreu em 2013, com o Atlético do Paraná conquistando o 3º lugar. Aliás, neste mesmo e atípico ano, quando os grandes de SP fizeram campanhas tétricas, o Vitória chegou na última rodada lutando por uma vaga. Bateu na trave. E o fato, o triste fato, é: nenhum time do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste jamais conseguiu furar, na última década, este cordão sanitário imposto pelos poderosos do Sul-Sudeste.

Porém, com planejamento, conhecimento de futebol e inteligência é possível (sobre) viver nesta selva com um tanto assim de dignidade. Um exemplo disso é o pequeno Chapecoense, que tem um orçamento e uma torcida muito inferiores à do Leão. Em 2009, o time catarinense era da série D. No ano seguinte, foi para a terceirona e ficou em 7º lugar. Em 2011, subiu ainda mais e alcançou a 5ª colocação. Mais um ano e conseguiu o acesso à segundona, onde não demorou nada, conquistando o privilégio de jogar na elite. E, contra todos os prognósticos, se mantém altivamente.

É óbvio que o Vitória não pode se mirar no pequeno Chapecoense. Tem que sonhar e agir, pensando em algo muito maior. Portanto, não era de todo despropositada a entrevista do presidente do Vitória, no dia 8 de dezembro de 2015, logo após o acesso. Às aspas. “Todos os times têm problemas com a parte financeira, mas isso jamais colocará limites nas nossas ambições. Vamos competir como protagonistas em todas as competições das quais iremos participar. Dinheiro não é uma coisa que nos deixa preocupados”.

Pois muito bem, digo, pois muito mal. Apesar de garantir que dinheiro não era algo que o “deixava preocupado”,  raimundo viana não honrou sua palavra. Ao contrário. Desembestou em um processo de apequenamento do Clube, lambuzando-o com a construção de uma farsesca imagem de dirigente caricato. E criou um personagem, “vovô mundico”, que relembra os piores momentos dos cartolas popularescos do futebol de antigamente.

Noves fora as presepadas, a farsa conseguiu se estabelecer, logo após a conquista do fraco campeonato baiano com as calças na mão, diante da fraquíssima sardinha. E a promessa, naquela mesma entrevista, de que o Vitória estava em fase de negociação com “o meia Escudero e o atacante Rhayner, peças-chave no time titular do Leão” foi esquecida. Nada de renovação, nem nos contratos, muito menos no modo de agir. Tudo fedia a mofo.

Em maio deste ano, em uma entrevista para a ESPN, invocava uma tal missão divina que estaria a ele conferida para quem sabe levar o Vitória à Libertadores e a obter a conquista da Copa do Brasil. Resultado? Deus parece que não tem apreço pelo referido, pois não lhe conferiu a tal missão. E o Rubro-Negro, que já não vinha bem no Brasileirão, foi eliminado de forma grotescamente melancólica para um dos piores times da história do Cruzeiro.

Restou, portanto, apostar a ficha no menos pior, que seria a permanência na elite. Todavia, o returno começa com uma demonstração de amadorismo sem par. A principal novidade para um time que necessita de um novo gás foi um velho conhecido: o lateral-direito Diogo Mateus, que não serviu para renovar, mas aparece agora como salvação da lavoura, do latifúndio improdutivo que tem sido aquele setor do time. E Diogo ontem, diante do fraco Santa Cruz, fez o que pode, mas, parado há um bom tempo, cansou. E novamente o Vitória, sem peças para o setor e sem elenco, foi obrigado a improvisar na 20ª  (VIGÉSSIMA) rodada da competição. E terminou cedendo o empate ao time pernambucano.

Porém, isto não foi o pior. O mais trágico é que a zombaria do presidente agora atinge o paroxismo. Em uma entrevista logo após o péssimo resultado, o indigitado teve o desplante de afirmar o seguinte do time comandado (?) por ele e que está na rabeira da tabela.

Se olhar no campeonato, não tem ninguém melhor do que a gente“.

É graça uma porra desta?

Se, antes, afirmar que sonhava alto era algo que simbolizava uma recuperação da autoestima, agora as bravatas do presidente/personagem/ator de quinta categoria se transformaram em simples e puro escárnio. Escárnio, aliás, é também o que ele e sua diretoria estão propondo para o Clube na fundamental questão da democratização.

Mas a torcida do Vitória, que não é otária, repudiará alguém que se apresenta apenas como protagonista de escárnios.

DIRETAS, JÁ!!!

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FESTA NO INTERIOR

agosto 5, 2016

Após a leitura do título acima, muitos apressados podem até achar que este rouco, cabeludo e míope locutor passou a usar os óculos de Dr. Pangloss e ficou com a visão obnubilada e lambuzada de otimismo pueril. Outros, maledicentes, já devem estar espalhando coisas bem mais graves. Porém, em verdade, à nação: não mudei. E pior. O time também não.

O esquema tático teimosamente repetido por Mancini é, para ficar nos bons modos, camicase. Afinal, atuar no 4-3-3, sendo que os três atacantes praticamente nunca voltam para compor, deixa o já fraco setor defensivo completa e desnecessariamente exposto. Não é à toa que o time saiu perdendo em mais de 80% dos jogos e teve que correr atrás do prejuízo. Além do problema tático, a equipe padece com (a falta de) talentos. Os jogadores, em sua esmagadora maioria, não evoluíram desde o início da competição.

Então, perguntará os impacientes amigos de infortúnios: quais os motivos para a festa, ora esta? Primeiramente, fora temer. Segundamente, as sardinhas.

Mas, voltando a falar sério, seguinte é este. Quando decidi descer a pirambeira rumo a Feira de Santana, embarquei com a mente embriagada de canjebrinas, algumas substâncias não recomendadas pela carta magna e, especialmente, com os famosos versos do poeta espanhol Antônio Machado. Às aspas, maestro.

Golpe a golpe, verso a verso…
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
‘Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar…’
Golpe a golpe, verso a verso”.
Então, mesmo que tudo desse errado, já teria dado certo, pois a viagem é o caminho e vice-versa, seja lá que porra isto signifique. Aliás, se o Brasil fosse um país minimamente sério, existiria uma lei obrigando todas as pessoas a testemunharem o Vitória jogando no interior ao menos uma vez por ano. É uma experiência ímpar. Tudo é festa. A cidade se transforma completamente. Todos ficam tão felizes quanto relâmpagos no trigo (beijo, Cortazar). É um frisson dos 600 DEMÔNHOS. E mais não digo. Quem quiser saber e, principalmente, sentir, viaje.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. Até o impassível dagoberto que, novamente não produziu porra de nada, quando foi substituído ficou no banco de reservas vibrando com a equipe e, pasme, discutindo com torcedores. E este espírito contagiou toda a equipe. Após levar o gol do Coritiba, o time, ainda que um tanto quanto desmantelado, partiu para cima com gosto de querosene, especialmente após a saída do rapaz da camisa 22 e de amaral, que, uma vez mais, entregou o acarajé, digo, a rapadura.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E o empate veio num gol típico de jogo intermunicipal. O colombiano Cardenas, que conhece do jogo e chamou a responsabilidade, tentou meter a bola para Kieza, o zagueirão do Coritiba foi antecipar e mandou contra o patrimônio. Arquibancadas e alambrados incendeiam. Ato contínuo, Marinho recebe na entrada da área, pratica um remelexo de botar no chinelo a moça do shortinho gerasamba e manda a criança na forquilha. Já nos descontos, Kieza guardou o dele, acabando com um jejum que já fazia inveja ao mais contrito faquir.

É óbvio que neste festivo espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal. E foi assim, meninos, eu vi, que Marinho, ao fazer seu golaço, procurou Kieza para um fraternal abraço de descarrego. E o vice-versa se repetiu. Ao marcar o seu, o camisa 9 foi retribuir a gentileza, como se estivessem a celebrar as pazes e encerrar maus entendidos.

É óbvio que neste espírito interiorano até mesmo o mais apático dos seres humanos se emociona, seja para o bem ou para o mal (acho que já falei esta frase). E, na próxima rodada, a esperança é que este espírito, esta garra interiorana esteja presente na maior cidade do país, na desvairada peleja contra o Palmeiras.

E por falar em espírito guerreiro e luta por superação, eis o brado que deve ser gritado cada vez mais alto: DIRETAS, JÁ!

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.

O esquema tem que ser com estes dois no ataque e fudeu maria preá.