COMO TUMULTUAR UM TIME*

“Liderar a Série B e abrir vantagem no G-4 são os desejos das torcidas dos 20 clubes participantes. Entretanto o sucesso momentâneo de um contraria interesses não apenas dos times concorrentes. É o atual caso do Vitória, cuja bonança cria embaraços para setores da mídia que o acompanham diariamente.

Isso tem menos a ver com preferência clubística do que com interesse comercial. Costuma acontecer em equipes que vivem um período positivo e sem grandes novidades. Para atrair e manter a fidelidade do público, surgem boatos, especulações e exageros. O mais fácil recurso para essa empreitada é divulgar supostas saídas de titulares. Entre realidade, ficção e desinformação, conseguem-se, sem muito esforço, uma novela e uma torcida ávida por detalhes.

Se a transferência não acontecer logo, o alvo muda-se para outros jogadores importantes. Reforçam o clima de insegurança a falta de transparência e a inoperância da respectiva diretoria nestes casos. Outros artifícios são instigar reservas insatisfeitos, sugerir indisciplinas e cogitar punições por perdas de pontos.

Equipe nenhuma permanece em alto rendimento durante todo um campeonato longo. Um declínio, ainda que breve, não deixa de ser natural. Mas o noticiário atraente não pode esperar. E causar tumulto é uma medida eficiente.

O modelo especulativo repete o manual básico das arbitrárias listas de candidatos quando um treinador está hipoteticamente ameaçado ou acabou de ser demitido.
É fundamental a retroalimentação da imprensa neste processo. Um veículo de comunicação – com evidências concretas ou não – publica uma história, e outros, sem averiguar as informações, a reproduzem. Assim, tomam corpo e parecem factíveis alguns exercícios de imaginação.

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O Bahia, que já sofreu campanhas midiáticas mais nocivas do que essas no passado, tende a provar novas doses quando se estabilizar no grupo de acesso à Primeirona.
No exemplo específico do Vitória, apesar da liderança da Segundona nas últimas três rodadas, existe um bocado de ponderações e críticas construtivas a serem feitas. O time evoluiu bastante, mas ainda tem diversos problemas.

Embora apresente números positivos na defesa, adversários cansaram de desperdiçar chances inacreditáveis.

Às vezes, parece haver uma dúvida entre se retrair para sustentar um resultado ou matar um jogo. E o Leão sofreu pressão desnecessária em partidas que estavam tranquilas.
É preciso também desenvolver alternativas ofensivas porque, além de oponentes superprotegidos defensivamente, os adversários estudam mais e tomam maiores precauções contra o time que encabeça a classificação.

O que deveria ser assunto constante, independentemente do desempenho em campo, é a modernização administrativa dos clubes.

O crescimento do futebol do Rubro-Negro e as protelações burocráticas abafaram as reivindicações por eleições diretas e melhora do seu estatuto. Entretanto, elas continuam. Antes do triunfo por 2 a 1 sobre o Santa Cruz, sexta-feira passada, na entrada do Barradão, um grupo coletou assinaturas de sócios-torcedores que apoiam esse movimento. Para a mídia, algo inoportuno”.

*Texto de Eliano Souza publicado no Jornal A TARDE desta sexta-feira, dia 21

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