Felicianão começa sob o signo da promiscuidade*

O calendário divulgado pela CBF garantia que a principal competição de Pindorama começaria oficialmente às 18h30 do dia 25 de maio, também conhecido como sábado. Porém, como a tabela da impoluta confederação tem uma maleabilidade semelhante à de políticos peemedebistas negociando ministérios, resolvi abdicar da tradicional chibança de sexta-cheira à noite e prostrei-me de joelho em frente à TV na noite anterior para evitar quaisquer contratempos. (Mentira. Acompanhei o início da Segundona porque ainda não me acostumei com a nova POSIÇÃO SOCIAL do Esporte Clube Vitória).

Mas, valeu a galinha inteira. Que início, senhores. Além do antológico gol de peixinho do arqueiro do Oeste de Itápolis, nas sempre inconsequentes prorrogações, ainda fui testemunha da épica batalha entre Asa 1 x 1 Paissandivisky.

De um lado do front em Paragominas estava Ricardo Silva (ex-técnico do Leão), que, mantendo-se fiel à sua fama de mau e de retranqueiro, sacou logo o artilheiro Leo Gamalho para não correr qualquer risco de começar o campeonato com um triunfo. Porém, seu esforço foi inútil. Era quase impossível perder para um time que tem Eduardo Ramos (também ex-Vitória) como camisa 10.

Para que vossências tenham idéia do nível da peleja, basta destacar que o principal jogador em campo foi o arisco Yago Pikachivisky, o Terror do Papão, que corria pela lateral tão desembestado quanto o saudoso vascaíno Maricá sob as ordens do delegado Antônio Lopes.

Uma glória só. Mas, chega de folclore – até porque todos já sabem que a primeira rodada do Dilmão do B terminou com as três equipes de Santa Catarina entre os quatro primeiros e o Palmeiras liderando a disputa pelo 7º lugar.

Vamos, então, falar logo de jangada que é pau que bóia.

Seguinte. Com a autoridade de quem ocupa a honrosa 138º colocação no claudicante BOLÃO DO IMPEDIMENTO, lecionarei sobre o que efetivamente ocorreu na primeira rodada do FELICIANÃO.

O Criciúma, como já era previsto, está numa briga renhida com o Cruzeiro pela liderança. Perde para a equipe Celeste apenas no saldo de gols. É fato que, se o regulamento fosse justo, o Tigre catarinense deveria sofrer uma punição, voltar umas 12 casas e cair para a 14ª posição por levar gol do frágil Bahia. É uma derrapagem inadmissível para um time que almeja a Sula Miranda.

Epa, rebobina a fita, motô.

Na noite de sábado, o outro representante da terra de Carlinhos Brown recebeu o Internacional de Dunga. E o técnico colorado confirmou, uma vez mais, o axioma de Luís Fernando Veríssimo de que “não consegue entender a vida sem dificuldades”. Assim, decidiu transformar um jogo fácil numa epopéia.

A verdade, amigos de infortúnios, é que, pela flagrante superioridade, a equipe gaúcha poderia ter brocado por, sei lá, 15 x 2. Porém, o Internacional começou o jogo mais despreocupado do que Arnaldo Antes fazendo poesia. E o precoce Maxi Biancucchi, que num tem tempo a perder com as firulas concreto-tribalistas, aproveitou o passe de Escudero e deu uma tamancada no ângulo antes do ponteiro completar a segunda volta.

Menos de 10 minutos depois, Renato Cajá manda a criança para a zona do agrião e Gabriel só tem o trabalho de triscar no cocuruto e deslocar o goleiro Agenor. (A-g-e-n-o-r? Francamente. Um time que inicia um campeonato com um goleiro com um nome desse…Se fosse antigamente, ainda poderia até ser um sambista. Mas, hoje em dia, Agenor é, no máximo, nome de garçom. Ô, Agenor, traz a conta aê).

Por falar em garçom, o menino Fred cumpriu este papel com galhardia. Na FAIXA ETÁRIA dos 38 minutos e 43 segundos, ele driblou 18 zagueiros do Rubro-negro e deixou Forlan com a obrigação de apenas mandar para o barbante. Duas doses depois, foi o próprio Fred que saiu do balcão e apareceu na cara de Wilson (tem nome de goleiro, mas num agarra porra de nada), decretando o fim da partida. Com 2 x 2 no placar, as equipes apenas ficaram naquela tradicional e improdutiva dança de rato até o apito final do sacana de preto que, como sói ocorrer, estava com uma vontade da zorra de enojar o baba.

No mesmo horário, no Rio de Janeiro, acontecia a primeira zebra da rodada, com o Vasco ganhando da Portuguesa por 1 x 0, meio gol de Tenório, que contou com o auxílio pernicioso do goleiro Glédson. (Independentemente de quem jogou melhor, era para o clássico lusitano ter terminado 3 x 3, conforme a previsão que fiz no BOLÃO, atendendo recomendações do conselho de sábios do Impedimento). Ainda no sábado à noite, Seedorf fez um salseiro no Pacaembu. Mais uma vez, o Corinthians foi salvo por Paulinho.

Sobre a rodada de domingo, silenciarei, obedecendo às determinações das redes de TVs que decretaram luto nacional por conta do episódio envolvendo um jovem atleta do Santos. Como a obrigação de todo brasileiro era chorar, preferi verter lágrimas no cinema, vendo o drama canadense “O que traz boas novas”.

* Prospopéia rabiscada especialmente para o brioso IMPEDIMENTO

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Uma resposta to “Felicianão começa sob o signo da promiscuidade*”

  1. Canijah de Moreré Says:

    Que nada, Franci, por nada perderia Anna Karenina. Até porque tirou o meu trauma de Dog Ville.

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