Tadeu Schmidt, o novo guardião da honra nacional*

Seguinte foi este. Desde o início da noite de domingo, logo após tomarem conhecimento do bárbaro fato através da voz civilizatória do guardião dos bons costumes e glórias nacionais, Tadeu Schmidt, os vira-latas de todo o país começaram a destilar ódio e preconceitos e xenofobismos contra os torcedores do Bahia e da Bahia.

E qual o crime da torcida tricolor? Arremessar aquela inutilidade de artefato contra um gramado vazio para, num ato de desespero, protestar contra um time ordinário e uma diretoria tacanha. Saldo do vandalismo: nenhum ferido – a não ser a honra nacional, que, segundo os provincianos, foi ultrajada diante dos olhos estrangeiros.

Ora, façam-me um caldo de cana contaminado, por favor, que é muito menos prejudicial. Saudades do tempo em que o que nos envergonhavam diante do civilizador eram apenas as formigas.

Ah, sim. Teve também um Ba x Vi ontem.

E os cronistas entendidos, esta raça de gente ruim, passaram a semana toda repetindo que o jogo não valia nada, como se alguma vez a Mãe de Todas as Batalhas pudesse deixar de valer tudo. E foi assim que, mesmo com a chuva que castiga a cidade há coisa de dez dias, mais de 30 mil bárbaros desceram a pirambeira rumo à peleja ancestral.

E, por mais contraditório que possa parecer, o jogo foi dividido antes e depois da cacharolagate. Até aquele momento, o Vitória dominou completamente o Bahia, repetindo uma tradição que se mantém há nove jogos e nove anos. (O último triunfo tricolor foi no longínquo fevereiro de 2004).

A primeira cachirolada na cabeça tricolor ocorreu exatamente quando o ponteiro do relógio marcava 20 minutos. Confiram comigo no replay. Renato Cajá (autor do primeiro gol desta Nova Fonte) cobrou escanteio, Victor Ramos deu uma chifrada na trave (alô Nicole Bahis) e a bola sobrou mansamente para Michel, que matou a criança no peito e estufou o barbante. Segundo golaço seguido do Camisa 5 em dois Ba x Vis.

Pouco mais de dez minutos depois, a jogada que pagou o ingresso e valeu mais do que as 50 mil cachikolas. O lateral-esquerdo Mansivisky bateu o arremesso manual para Escudero, que deu um belo passe (assistência quem presta é jogador de basquete e a Samu 192) para Maxi. Este, provando mais uma vez porque Messi deverá entrar para a história como seu primo, incorporou a categoria do velho Sócrates e meteu de calcanhar para o mesmo Mancivisky. O menino da camisa 6, também rejeitado pelo Bahia, chegou na jogada com gosto de querosene e vingança e mandou a criança no canto esquerdo. Golaço, aço, aço, aço.

Logo em seguida, a única nota digna do jogo: o calçarolagate. No segundo tempo, tudo perdeu a graça. Gol do Bahia, cerveja sem álcool, nervosismo, Vitória recuado, a casa fedendo a homem e, pior, mais tarde ainda ia ter o Fantástico com Tadeu Schmidt.

P.S Ontem, no Norte do Estado, jogaram Juazeiro 0 x 1 Juazeirense, as Assombrações São-Franciscanas que terminaram líderes.

Por falar em assombrações, esta fórmula do campeonato baiano é de arrepiar. O líder de uma chave, o Juazeiro, terminou a fase com menos pontos (10) do que o lanterna do outro grupo , o Vitória da Conquista (12)

* Texto escrito para o brioso IMPEDIMENTO

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