O simbólico exemplo italiano

O estádio é diferente, porque não é elevado. Mas é muito bonito, assim como o entorno. Estamos muito contentes e honrados”.

 

Estes palavras acima, direcionadas ao nosso Santuário Barradão, ajudaram a aplacar um pouco o desânimo dos Rubro-negros que estavam cabisbaixos com as avalanches de notícias ruins que estão sempre desembarcando na Toca do Leão.

Aliás, não só isso. Tais elogios, proferidos por Maria Carmela Corrado, alta representante do futebol italiano, serviram também para incensar a auto-estima de boa parcela da torcida, especialmente porque seremos anfitriões da Azzurra nos preparativos para a Copa das Confederações.

Porém, além dos citados exemplos de gentileza e gratidão, há algo que vem da mesma Itália que é muito mais forte e simbólico para a história e futuro do Esporte Clube Vitória.

Como assim? Assim.

Historicamente, o que conhecemos como Itália sempre foi marcada por profundas divisões. É óbvio que não cabe aprofundar neste assunto aqui. Trago o tema à baila para falar de outra divisão, a bipolaridade política no país, que teve início há coisa de duas décadas. Desde então, de um lado do ringue, postou o magnata autoritário e falador Berlusconi (que se vendeu como gestor arrojado); Do outro, perfilou-se uma coalização de centro-esquerda que tentava iludir com a implantação de uma política dita austera.

O fato é que, tanto a Itália dos tecnocratas pseudos-austeros quanto à de Berlusconi pseudo-empreendedor nunca foi exatamente um exemplo de nação de sucesso, apesar de tanto um lado quanto o outro sempre se vangloriarem e se colocarem como as únicas soluções possíveis.

Berlusconi, inclusive, com sua reconhecida imodéstia, sempre se pretendia o pai da matéria, uma espécie de fundador de tudo que há de bom, além de gestor eficiente e de sucesso. Não foram raras às vezes em que ele largou frases como estas ditas à Euronews. “Fiz um trabalho excelente, melhor do que fizeram todos os meus antecessores. E apesar de todas as dificuldades, fiz coisas admiráveis.”

Pois muito bem, digo, pois muito mal. O resultado desta nefasta dicotomia foi que a população italiana acabou pagando a conta, ficando sempre com o ônus e nunca com o bônus.

Agora, neste ano da graça de 2013, eles tentaram repetir a história como farsa. Estes mesmo personagens, com o apoio da mídia, dos agentes financeiros nacionais e internacionais e de um escroto sistema eleitoral, que engessa as mudanças, chamado adequadamente de “Porcellum” (Emporcalhada, em latim),  se apresentaram, cada um com suas armas, como os salvadores da pátria, tentando restabelecer novamente a nefasta dicotomia.

E todo o script já estava desenhado. Porém, no meio do caminho apareceu um pedra chamada Movimento 5 Estrelas, liderado por Beppe Grillo. E mostrando que era possível fazer diferente, ou seja, se colocar no cenário sem o apoio das velharias que sempre comandavam o país, conseguiu o apoio significativo de grande parcela do eleitorado e inviabilizou a vitória de uma destas duas forças então hegemônicas.

Mas, meu Jesus cristinho, o que diabos este furdunço tem a ver com o Vitória?”, pergunta a Moça do Shortinho Gerasamba, que ainda não se curou nem da ressaca carnavalesca nem da ressaca moral de mais uma humilhação dentro de nosso santuário.

Sempre paciente com a referida, respondo.

– Minha comadre, chacoalhe um pouco sua cabeça e perceberá que qualquer semelhança com o nosso Clube é mais do que uma mera e triste coincidência. Esta mesma nefasta dicotomia se estabeleceu (e eles querem perpetuar) no nosso querido Vitória. Há coisa de 20 anos, eles querem nos fazer crer que não há outro caminho a não ser se aliar com o salvador, aquele, ou então com os defensores da tal austeridade, aquela.

Porém, o fato claro nestes últimos tempos é que a torcida do Vitória não vai comer este alface podre, seja de um lado ou de outro. Atualmente, temos Movimentos organizados de torcedores que não querem de modo nenhum a continuidade da fracassada política de pés na lama, como também rejeitam de modo veemente o retorno de figuras ultrapassadas que nos deixaram nos porões do subsolo do futebol brasileiro (A propósito, a última equipe que se interessou pelos excelentes trabalhos do grande conhecedor de futebol, do reconhecido “manager”, foi do Irajá, digo, da távola da Volta Redonda).

Mas, derivo. Derivo e volto para dizer que o exemplo italiano mais simbólico para nós Rubro-negros neste ano não é apenas o da gentileza e gratidão dos diretores da Azzurra e da federação de futebol, mas sim aquele que nos mostrou Beppe Grillo. Qual seja. É preciso e possível fazer diferente.

Se lá, numa das maiores economias da Europa, lutando contra forças que pareciam invencíveis, Beppe Grillo mostrou que é possível lutar e vencer, por que aqui, no nosso Clube, não podemos também sonhar e fazer um projeto diferente?

Portanto, mãos à obra. Converse com seus parentes, seus amigos das redes sociais e vamos juntos construir no (e para o) Vitória uma alternativa verdadeiramente nova, democrática, profissional, transparente e que respeite efetivamente o torcedor, sem amarras com antigos nem atuais diretores.

Mais do que nunca, nossa hora é agora. 

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11 Respostas to “O simbólico exemplo italiano”

  1. Duilio Camardelli Says:

    Franciel, muitas vezes já dizia minha vó, meia palavra basta para bom entendedor.
    Me diga com quem andas e direis quem é, esses e outros ditados ditos como populares estão reais.Portanto quem quiser ouvir que escute, senão faça ouvido de mercador.
    Abraços,

  2. Antônio Santos Says:

    Franciel,
    às vezes concordo com o que você escreve e noutras vezes discordo.
    Desta vez, porém, devo confessar que você foi simplemente IRRETOCÁVEL.

    Nosso Vitória não pode ficar preso apenas a estes dois caminhos.

    Pode contar comigo nesta luta.

  3. Jaison Says:

    Precisamos conversar!

  4. Haroldo Mattos Says:

    Acho que a semente recentemente plantada, apesar de ser em um terreno antigo, dará frutos bons e adocicados. Acredito demais nesta nova semente e também acho que a terra em que ela foi plantada, foi reciclada. Gostaria muito de que voce caminhasse junto com esta nova possibilidade…
    Só que defenderei o direito de voce execer seu pensamento, até a última gota de vida que possa me restar. Mas não gosto da ideia de ter que caminhar longe de suas ideias. Discordo de sua posição, mas defendo a sua atitude.
    Fora isso, o Vitória é muito maior que todos nós que discutimos seu futuro no momento. O Vitória precisa disto. O Vitória precisa de pessoas como voce e como estas outras, que estão construindo um caminho neste novo século. Abraços Francis…

  5. Camilo Says:

    Forçou a barra… Mas a “massa” gosta. Fazer o quê??!!

  6. robson Says:

    Excelente comentário.

    O Futuro não é este atraso, assim como, não pode ser o retorno.

    O novo estádio de Siena, Itália, terá uma arquitetura que lembra o nosso santuário.

    O Governo da Bahia lançou licitação para construção da via-expressa.

    E, enquanto isso, nenhum comentário acerca do futuro mando de campo do Vitória.

    Alguns torcedores acreditam que a melhor alternativa seria, simplesmente, abandonar o Barradas em prol da Arena Fonte Nova.

    Pessoalmente, sou contra.

    Outros acreditam que a melhor saída é construir outro estádio com um custo de 300/ 400 milhões.

    Também sou contra.

    Um investimento milionário com retorno duvidoso.

    Ademais, onde construir um estádio mais bem localizado que o Barradas ?

    Só vejo o atual Went Wild, mas e o preço do terreno ?

    Outros acreditam que deveríamos gastar 200 milhões com o Barradas.

    Pessoalmente, acho que deveríamos realizar um investimento de 30/ 50 milhões no Barradas para torná-lo confortável para 25.000 torcedores (23.500 do vitória).

    Mais rampas de acesso/ mais cadeiras/ cobertura/mas escadas/ construção de um ginásio para disputar jogos olímpicos no mesmo dia dos jogos de futebol (mais cedo – dia do jogo).

  7. Canijah de Moreré Says:

    Franciel, do caralho!!!!!. Essa sacada do coldre foi no estilo Tex!
    Você voltou inspirado para essa choça!!!!!

  8. Rômulo Says:

    Afiado! Muito bom!

  9. Juvenal Says:

    hahahahaha muito bom, muito bom.
    Nosso Berlusconi (e seu inseparável puxa-saco-mor) montaram uma chapa de laranjas, com nomes jovens e populares, no intuito de enganar os incautos (e os burros), e esperam que uma boa parcela da torcida engula essa.

    Felizmente, a maioria não engole, mas o grande problema é que isso pode servir pra dividir a oposição e entregar uma clássica “dividir e conquistar” de mão beijada pra Alexi, já que nem isso ele é capaz de formular.

    Dada as 3 opções lançadas até agora, não vejo nenhuma como atraente. Vou votar na “menos-pior”.

  10. Mauro Amoedo Says:

    Juvenal realmente não conhece Petter, para falar tamanha besteira… rs rs

    Petter é um cara sério, inteligente, que jamais se submeteria a ser laranja de alguém…

    As chapas são essas duas, aí! Ninguém consegue construir uma chapa e projeto, para comandar um clube, em apenas 2 meses… O Vitória não precisa de aventureiros…

  11. Reinaldo Says:

    Isso! Urge a necessidade de que hajam mais opções de chapas do que as apresentadas até agora, pois percebo que, com exceção do fã-clube das chapas, nenhuma empolga o sócio-torcedor a ponto dele se sentir realmente parte do processo eleitoral.

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