Base para a glória

Antes da mais esperada, abalizada, aliterada e vilipendiada resenha do Vale das Pedrinhas e de uma banda do Boqueirão, vale recorrer à história que, igualmente ao caldo de galinha, não faz mal a ninguém.

Seguinte foi este.

No dia 20 de maio do ano da graça de 2011, o brioso Vitória estreou na Série B goleando por 1 x 0 o poderoso Vila Nova. Na ocasião, o Rubro-negro começou o jogo com seis garotos formados na base do Clube vestindo o manto de titular.

Na partida seguinte, quando recebeu um sapeca do Icasa (3x 1 ), no Romeirão, o número de jogadores da base em campo era exatamente a metade – o que na matemática moderna corresponde a três. No ferro subsequente, dentro do Santuário (Vitória 0 x 1 Guarani), existiam apenas dois puro-sangue começando a peleja. E foi assim nesta batida. Resultado. Na 12ª rodada estávamos com 17 pontos e só tínhamos frequentado o G-4 apenas uma vez, quando brocamos o Bragantino por 4 x 1.

Pois muito bem.

Na primeira partida este ano, brocança contra o Barueri, começamos com 5 jogadores da base. Na partida seguinte, derrota diante do Criciúma, havia apenas três começando o jogo. No triunfo sobre o Ipatinga, o número voltou a subir: quatro. E foi nesta batida, oscilando um pouco pra baixo ou pra cima – até que, diante do Atlético Paranaense, começamos o jogo com nada menos do que 7 titulares formados na base.

Em comparação com o ano passado, praticamente dobramos a utilização de atletas formados no Clube vestindo a camisa de titular. Resultado: estamos com 28 pontos na tabela e morada perene no G-4.

É óbvio que a simples utilização de jogadores da base não é garantia de sucesso, mas o abandono da base é a certeza do fracasso. Amigos, a verdade é uma só. Para os times que estão fora do eixo central do futebol, em economias periféricas, não há outra saída. Ou ficamos reféns dos (mal) ditos empresários da bola ou investimos nos prata da casa. E, neste segundo caso, o custo/benefício é incomparavelmente maior, já que os caras têm identificação com o Clube, a folha salarial é mais compatível com a nossa realidade, dentro outros motivos.

A única coisa que poderia azedar a relação seria uma parte da torcida, emprenhada por radialistas escrotos, ficar exigindo a contratação de medalhões, mas parece que nos livramos disso. Pelo menos este foi o indicativo dado (lá ele) pelos torcedores que reconheceram e aplaudiram a estréia, no Barradão, do amuleto Leílson. Era a faísa que faltava para incendiar nossa campanha, como profetizei no último dia 13 de julho.

Agora, é continuar com a mesma pegada, correndo para a bola do mesmo jeito que um pedreiro pula em cima do prato de comida depois de um dia de labuta. Afinal, apesar da excelência dos números, ainda não apresentamos um futebol de encher os olhos. E nem vou cobrar isto dos garotos. Eu quero é subir minha disgrama, com raça, na tora.

P.S.1 Outro dado relevante no time que venceu o Atlético é que, além dos 7 da base, outros 3  (Nino Paraíba, Michel e Marcelo Nicácio) são oriundos da Região Nordeste. Nada contra os atletas de outras regiões, mas se a porra tá indo certo assim, assim será. Como já disse o filósofo: já que tá gostoso, deixa, deixa mamãe.

P.S.2 Ah, sim. Antes que os apressados venham colocar a xenofobia na minha já extensa lista de defeitos, reconhecer logo de público que o melhor jogador do elenco atualmente é Pedro Ken, que num é nordestino. Beleza?

 

Anúncios

9 Respostas to “Base para a glória”

  1. Victor Linhares Says:

    Sr. França… E a aposta lá das sardinhas? A ultima? Alguém aceitou? XD

    • Franciel Says:

      Porra de nada. Cumpriram o destino das sardinhas: se aputaram. Mas, sou persistente – e farei novo desafio.

      • elmo Says:

        Qual foi mesmo publico da sardinha?

      • Paulo Figueirêdo Says:

        Seo Franciel,

        O senhor quer mesmo é ficar tirando onda com a torcida do Bahia.
        Se liga rapaz. Realmente a situação não é boa.
        Querer um público maior que 10.000 num jogo de pouco expressão, considerando as circunstâncias, realmente coloca seu santo nome na lista de insanos.
        Aposte agora contra o Corinthians… Qual será o público?
        A campanha do vicetória da Bahia deveria encher o barralixo todos os domingos, perdão, todas as segundas, perdão de novo, todas as quintas, que porra !!! Sei lá… no dia em que vocês jogarem.
        Ainda sim, creio que a torcida do Bahia, sempre fiel, nunca abandonará o seu time ainda que a campanha seja rídicula.
        Acredito que, na pior das hipóteses, teremos um BA x vice na segundona de 2013.
        Saudações Tricolores!!! BBMP

      • banditnunes Says:

        Seu França pede as bichonas tricoletes para pagarem logo esta cerva pois vc vai ganhar antes do primeiro turno acabar. Só pra lembrar às tricoletes desmemoriadas que colocamos 35 mil contra Barueri, contra Altético de GO, times com “grande” expressão do futebol brasileiro. Ou seja não preciso de jogo grande para encher estádio não

  2. J Mocota Says:

    Parabéns pelo apoio Franciel.

    Sempre é bom lembrar que nas melhores campanhas, a nível nacional, a base do Leão esteve presente e fez bonito:

    – Brasileiro 93;

    – Brasileiro 99;

    – Copa do Brasil 2004;

    – Copa do Brasil 2010.

    —————————–

    ATENÇÃO!!!

    Jessica está convidado os irmãos Rubro-Negros que gostam de tomar uma de leve para a grande festa.

    http://valmerson.wordpress.com/2012/07/23/se-me-chamar-eu-vou/#comments

    RUMO A LIDERANÇA.

    Avante Leão!!!

  3. elmo Says:

    A base é realmente o nosso caminho, se prestar atenção só na rodada passada da 1° divisão foram 4 gols de jogadores formados na toca, já que Obina, Marcelo Moreno, Alecsandro e pasmem! Até Reniê marcaram nessa rodada.

    O unico time do Brasil e um dos unicos do mundo que teria um time forte com 100% da base é o noso, o ataque então, alem dos já citados acima teria Hulk e Leandro Domingues.

    Deixando os que já foram de lado, a nova fornada vem muito bem, no time sub 20 tem bons jogadores que vão nos dar alegria como Gustavo, Dankler, Alam Henrique, Romario, Artur Maia, Willi e Alam Pinheiro são os que lembrei agora, no sub 17 tem outros tantos, então tem focar na base e fazer contratações pontuais coma as de Michel e Pedro Kem que dão o equilibrio pra lançar a garotada.

    SRN

  4. diego Says:

    Pois é, Franciel:
    “já que tá gostoso, deixa, deixa mamãe” (2)
    VV!

  5. Agora, eu lhes pergunto: com que roupa? | Victoria Quae Sera Tamen Says:

    […] aulas sobre a questão diversas vezes. Só em julho do ano passado tratei do tema AQUI  &  ACOLÁ.  Porém, tal e qual um Sísifo do Sertão, não me canso e volto a repetir tudo novamente, sendo […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: