A profecia de Zé Carlos

Já se passaram as tradicionais e regulamentares 48 horas e ainda não encontrei uma explicação minimamente razoável para tanta e tamanha dramaticidade no jogo entre Vitória 3 x 2 Asa. Nem eu nem todos os que andam pelos bares, becos, vielas, ladeiras e outros ambientes maizomenos insalubres desta besta e ainda bela província da Bahia, que questionam em uníssono: Que porra é que acontece com o time do Vitória depois que mete 3 x 0?

Talvez a melhor explicação tenha sido dada no início da tarde do dia 23 de junho, pouco antes do início da peleja tragicamente histórica entre Vitória x Goiás. Na dita hora e ocasião, um senhor na faixa dos 70 anos sentou-se (lá ele) na mesa ao lado da minha, numa destas budegas insalubres do centro da cidade, e largou o doce. “Meu filho, torço pelo Leão antes de você nascer, há mais de 50 anos. E vou lhe dizer uma coisa: Mesmo com esta boa campanha inicial, num me recordo de um time tão instável quanto este, que não nos dá a mínima segurança. Parece que fez um pacto com o imponderável”.

E a tal partida jogo começou exatamente como se os jogadores do Rubro-negro tivessem feito “um pacto com o imponderável”. O ponteiro do relógio não marcava nem 20 minutos de jogo – e o Rubro-negro já brocava por 3 x 0. Porém, nem mesmo o placar dilatado fazia com que o referido senhor se acalmasse. Bastava o Goiás pegar na bola e eu já antevia dois ataques: o do equipe esmeraldina e o do coração do referido senhor.

E a porra inflamou de vez quando um atacante da equipe goiana deu um chute da intermediária e … “Puta que pariu, que porra de zaga é esta? Vou-me embora. Já sei o que vai ocorrer. E não quero presenciar mais nada. Meu coração não aguenta ver isso, principalmente porque já estive nas quatro linhas”.

Ainda tentei argumentar, dizendo que o time estava com uma boa vantagem, mas o senhor manteve inflexível na sua decisão de abandonar a peleja. Então, apenas para matar a curiosidade, perguntei onde ele jogou. “Joguei mais de um ano na Ponte Preta e também passei pelo nosso Vitória no início da década de 60. E, no meu tempo, este rapaz aí nem chutaria a bola, porque eu metia logo uma voadora. Não era à toa que fiquei conhecido como o ‘Assassino da Noite’. Este time de hoje fica nesta moleza e vai ser esta agonia o campeonato todo”.

E não é que a porra da maldita profecia da sacana se confirmou. O Goiás virou o jogo e eu fiquei virado na porra com aquela boca de seca pimenteira.

Porém, como sempre busco ver as coisas pelos óculos do Dr. Pangloss, aproveitei a maldita profecia de Zé Carlos, eis o nome do carniceiro, para me preparar para as labutas vindouras. E elas, como todos sabemos, foram sopa de tamanco. Na partida seguinte, contra o Avaí, a zorra só foi definida nos 15 minutos finais. Diante do ABC, então, a chibança foi ainda mais complicada, pois foi na última volta do ponteiro, aos 50 minutos.

Na peleja contra o Paraná a agonia foi ainda pior, pois sofremos uma virada no nosso Santuário. No entanto, arranjamos força e borcamos novamente. E nesta última partida contra o Asa, quando parecia que ia se repetir a tragédia do Serra Dourada, o time conseguiu segurar a Vitória.

Bom. Se continuamos com o retrospecto das quatro últimas partidas, sem problemas. Minhas 18 pontes de safenas aguentarão o rojão.

E que viva o imponderável!!!

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8 Respostas to “A profecia de Zé Carlos”

  1. Marcio Melo Says:

    A manha é não fazer mais do que 2 gols, se não o caldo pode entornar

  2. moisessalesadv Says:

    isso, basta golear de 2 mesmo que tá bom.

  3. diego Says:

    rpz…
    é uma agonia da porra..
    3×0, vc começa a dar uma risadinha no sofá, aí tudo mude de figura.
    mas estamos com sorte de campeão!
    VV!

  4. canijah de moreré Says:

    Se nessa tribuna tiver um profissional da psicologia junguiana ou algum especialista em mitologia grega para pesquisar que tipo de complexo é esse.

  5. banditnunes Says:

    A explicação é simples: Tem aqueles cidadões que possuem hipotermia nos pés e que não acompanham os jogos do leão por conta deste famigerado problema. Porém, os mesmos ficam no aguardo do som dos fogos para poderem acompanhar o resultado da partida sem atrapalhar o rubro negro e quando isto acontece correm direto para frente do televisor o que provoca esta zigzira desgraçada.

    Solução: Deixem os fogos para depois do apito do sacripanta de preto

  6. Elmo Says:

    Nesse jogo contra o ASA eu estava bem tranquilo, até pq o ASA é do rubro negro Durval lelis e mal nenhum faria ao meu leão, aqueles 2 gols foram só pra não sacanear de mais o time da banda de Durvalito meu rei.

    SRN

  7. J Mocota Says:

    Oxe!!!

    O Vitória com o bom momento psicológico e técnico que vive Mocota ficou foi tranquilão o tempo todo.

    Mocota acha que esse negocio de ficar todo agoniado antes do apito final é coisa cheiro mole.

    RUMO A LIDERANÇA.

    Avante Leão!!!

  8. Paulo Says:

    Colé Franciel, deu para incentivar as viúvas de itinga a comparecer para ressuscitar o defunto é? Eles não tem motivação nenhuma para ir ao Hospital Roberto Santos e você fica dando motivo para eles comparecem com essas apostas. hehehe

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