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MEA CULPA

julho 16, 2012

Conforme é de conhecimento do Norte e Nordeste de Amaralina, este impoluto espaço é dedicado exclusivamente para o debate das coisas ligadas à história do Ludopédio Brasileiro e do Vitória, o que dá no mesmo. Hoje, porém, abro (lá ele) uma exceção para tratar de polítíca.

Calma, minha comadre, pode largar esta cicuta, que não me alongarei neste áspero tema. Venho a esta tribuna apenas para fazer uma autocrítica.

Seguinte é este. Ou melhor, foi este.

No início do ano da graça de 1997, este rouco e cansado locutor trabalhava na cobertura política do extinto Bahia Hoje. Na ocasião, o hoje deputado federal Antonio Imbassahy assumia (lá elíssimo) a prefeitura de Salvador com gosto de querosene, botano pra vê taúba lascá ni banda. De uma tacada só, demitiu quase cinco mil pessoas, sob o pretexto de austeridade e outras balelas.

Ato contínuo, abondonei a (mal) dita isenção jornalística e fiquei extremamente injuriado. Não podia silenciar diante da insesibilidade do prefeito, que jogou tantos pais e mães de família na rua da amargura, além de jogar também a polícia em cima daquela gente humilde.  Sim, como sói ocorrer nestas plagas, a austeridade governamental só atingia os de baixo poder aquisitivo.

Pois muito bem, digo pois muito mal. Numa das passeatas dos demitidos, a puliça, covardemente, cortou o cabelo rasta de um dos líderes do movimento, numa clara demonstração de prepotência.

Milton Mendes, o experiente fotográfo que trabalhava comigo na matéria, captou todas as cenas de selvageria. Porém, perseguido pelos meganhas, deu um ninja e me entregou o material.  Quando a puliça foi revistá-lo, não havia mais nada com ele.

E quando eu, inocente, puro e besta, já achaava que estava tudo bem, um dedo-duro, destes sacanas que vivem na sombra do poder, apontou na minha direção. Ato contínuo, fui obrigado a sair num pique de deixar com inveja um Ben Johnson dopado. Apesar de toda a minha correria, os infelizes me cercaram ali na Praça Municipal. E só não tomei no ás de loscopita porque uma boa alma, que trabalhava no Elevador Lacerda,  arranjou-me um esconderijo numa cabine desativada e federenta do local. Sem problemas. Afinal, como já ensinou o filósofo Falcão, é melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso. E assim foi.

A partir de então, depois de tantas e tamanhas infâmias, prometi que iria amaldiçoar o referido alcaide até o resto dos meus dias. E assim vinha fazendo até hoje. Ou melhor, até ontem.

Seguinte.

Não sei se foi com o dinheiro que economizou com as demissões ou não, mas uma coisa é certa e deve ser reconhecida.  Antônio Imbassahy fez uma das mais espetaculares obra de drenagem do Brasil, especialmente no Largo Dois de Julho, conhecido popularmente como Campo Grande.

Para que os senhores tenham idéia da magnamidade do trabalho, basta destacar que, desde a noite de ontem, o local tem sido vitimado por um chororô dos seiscentos demônhos sem que se tenha notícia de qualquer alagamento. O pé do caboclo tem resistido admirável e bravamente. Um espanto.

Portanto, venho de público fazer um mea culpa e dizer: Parabéns, Imbassahy.

P.S Cabe também reconhecer o trabalho de drenagem feito no Hospital Roberto Santos pelo Governo do Estado. Apesar de não ter tido licitação, parece que o dinheiro foi bem aplicado. Ontem mesmo foi uma cachoeira, um dilúvio  – mas o gramado e as arquibancadas resistiram bravamente.

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