UMA NOITE DE SUPERAÇÃO

O Norte e Nordeste de Amaralina são testemunhas de que nunca fui de amassar barro para faraó. E não será desta vez que abandonarei minhas convicções. Assim, em verdade vos digo: Não se pode perder pontos no Santuário contra time nenhum, esteja ele embalado ou com o freio de mão puxado. Caiu na toca tem que ser madeirada (lá neles).

Bom, dito isso, registrado, carimbado, avaliado e rotulado, vamos agora falar de jangada, que é pau que bóia.

Seguinte é este. Noves fora as perdas e danos, o saldo da noite desta terça-feira é um só: superação. Esta é a palavra que deve marcar o confronto entre Vitória 2 x 2 América de Natal. Mais adiante detalharei.

Agora, antes de tudo e de mais nada, faz-se mister recorrer ao pingo de dignidade que ainda me resta e informar que não posso fazer uma análise abalizada da bisonha apresentação do primeiro tempo. Não porque me falte catilogência (recebam, hereges uma catilogência nos mamilos) para tal tarefa, mas porque não sou daquele tipo leviano que fala sobre o que não viu. E o fato é que num vi quase nada na etapa inicial, pois só consegui chegar ao Barradas com a bola já rolando. Bola rolando é modo de dizer. Na verdade a bola não ia para lugar algum. Tava tudo atravancado. O técnico do mequinha, Roberto Fernandes, sabedor da capacidade pebolística (eu falei pebolística, fariseus) de Eduardo Ramos, decidiu fazer uma marcação cerrada e individual no camisa 8 do Rubro-negro. Toda vez que o sacana ia pegar na bola já havia alguém fungando em seu cangote. Em algumas ocasiões, até mais de um. Por conta disso, e também por causa de uma caganeira (porra de problema estomacal!) que acometeu o menino Gabriel, ficamos com o time todo desconjuntado. Nossa glória é o que primeiro tempo só teve 45 minutos. Caso contrário, a casa ia feder a homem.

Ao perceber que Eduardo Ramos num tava conseguindo se desvencilhar da marcação e que Gabriel estava cagando goma, Experimentalgiani, contrariando suas convicções, decidiu fazer o lógico. Colocou um lateral na, pasmem, lateral e um atacante no ataque. Resultado. O time voltou com gosto de querosene. Com menos de 15 minutos, já havia igualado o placar e, principalmente, encurralado o afoito américa, que perdeu todo o ímpeto inicial e passou a jogar, digo, a tentar enojar o baba, fazendo uma cera dos seiscentos DEMÔNHOS.

A primeira parte da superação já estava cumprida. Saiu a apatia e entrou a garra. Porém, nem só de raça vive o futebol. É preciso um tanto assim de técnica. E foi exatamente isso que faltou aos nossos jogadores para matar a partida. Neto, por exemplo, parece que está se especializando em perder gols na zona do agrião, cara a cara com o goleiro. Foi assim com o Coritiba, o que acabou nos valendo talvez a classificação, e foi assim novamente ontem. Mas, vamos adiante, pois o cidadão já está bem crescidinho e gordinho (será que ninguém viu que Neto está acima do peso?) e não vai mais mudar. Além disso, não somos palhaços das perdidas ilusões para ficar repisando esta ladainha ad infinitum.

O fato é que, já contente com o empate, o dragão potiguar achou um gol nos estertores da peleja. E um gol cantado e decantado. Escanteio cobrado no primeiro pau e Neto dá uma furada bizarra. Novo escanteio e nosso centroavante, que deveria ficar guardando o primeiro pau (lá ele), vai para a risca da pequena área. Aí, não deu outra. O placar, digo datashow do Barradas, assinalou  um injusto 2 x 1 para o américa.

Foi o que bastou para a nova superação. Ao ver o time em desvantagem, os torcedores murrinhas começaram a sair do estádio levando consigo aquela energia xexelenta. Nem todos. É óbvio que ainda ficaram alguns para praticar o que mais gostam: reclamar.

Visualizem a cena. 40 minutos da segunda etapa. falta na pequena área e um cidadão grita: “Tira Neto daí, num deixa ele bater a falta”. O filho do referido  olha pra ele sem crer. Clima de comoção. Então, este rouco e religioso locutor larga as palavras da salvação. “Podem anotar. primeiro gol de Falta na história do cidadão”.

Não deu outra. Assim, de algum modo, de algum modo, não, deixa de má vontade Sêo Françuel, de modo brilhante nosso centroavante teve também seu merecido momento de superação.

É vero que o resultado final não foi o que merecíamos, desejávamos e precisávamos, mas foi o possível diante das circunstâncias. E a noite, como já disse, deve ser louvada pela circunstância da superação. Aliás, por falar em superação, o público também não foi o que o Barradão merece, deseja e precisa, mas já superou o do primeiro jogo. Se levarmos em consideração que o outro foi num sábado à tarde e este numa terça à noite, também já é algo pra ser anotado. Por falar nisso, pergunto. Estão com caneta e papel na mão? Então, anotem aí. De superação em superação, inclusive no número de torcedores, vamos brocar lindamente neste ano da graça de 2012.

Amém?

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14 Respostas to “UMA NOITE DE SUPERAÇÃO”

  1. Marcio Melo Says:

    Na verdade acho que foi o segundo gol de falta de Neto, se não me engano ele fez um com o Vasco naquele jogo que ele, supostamente, deu uma cusparada (merecida) no jogador cruz (ovo)maltino.

    Realmente superação pode ser uma boa palavra para definir esta peleja contra o Mequinha (que botou o Vitória na roda no primeiro tempo, chamou pra sambar mesmo) mas, ainda assim, saí do santuário ontem chateado.

    • Franciel Says:

      Márcio, o sacripanta pode já ter feito gol de falta. Afinal, nada é impossível. Porém, em verdade lhe asseguro. Neste jogo contra o Vasco, ele fez gol de bola rolando. Teve uma falta, Ramon tocou para o lado e ele bateu. Não foi direto. Lembro deste jogo nitidamente porque na ocasião tinha escrito um texto para o Impedimento dizendo que era possível revertermos a ampla vantagem do time de eurico miranda, mas aí o sacana do neto faz o gol e a lambança em seguida.

  2. Werther Says:

    Poxa, quem será o cidadão que não acreditou em NB na hora da falta? Cara descrente do nosso artilheiro do Brasil. Imagino a cara dele como ficou.

  3. Anrafel Says:

    Não obstante, ficou aquele travo, aquele gosto amargo de, porra, o Vitória não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade.

    (Roberto Campos que vá para o inferno! Aliás, já foi).

  4. Mateus Borba Says:

    Pra você ver, até agora eu não acreditei no gol de falta de Neto.

  5. Joao neto Says:

    Franciel, que porra texto bem escrito.Da prazer de ler, eu mesmo não acreditava na cobrança da falta. Por outro lado Neto falou:
    Eu tenho treinado insistentemente faltas.
    Esse cara e foda! E rubro nego e merece aumento!
    Porra! Pagar geovani, Lúcio fraco e outros e foda!

  6. Geovani Says:

    Pois é Franciel, mesmo com um resultado inesperado acredito que o Vitória irá ascender à primeira divisão, mas confesso que você terá dificuldades em ganhar o desafio. Que torcida fraca. Era pra estar junto ao time e dar-lhe a força suficiente para entrar no G4.

  7. J Mocota Says:

    NAÇÃO!!!

    Essa banda e essa música Mocota “goxtha muntho”…

    Thu, thu, thu…

    THAAAAA!!!

    Todo Rubro-negro que ama o momento mágico do gol do Leão deverá, nesta serie B, chegar no Barradão tocando essa música com o som nas alturas.

    Ta ligado?

    Quem não fizer isso. Mocota vai recolher a habilitação.

    Avante Leão!!!

  8. J Mocota Says:

    Genial Franciel e queridos brother’s desse conceituado espaço Rubro-Negro,

    Mocota vem informar que o “Olhar da Felina” estreou.

    Quem assina é a notável Rubro-Negra Jessica Gomes.

    Por favor, apreciem sem moderação (e comentem).

    http://valmerson.wordpress.com/2012/06/06/o-olhar-da-felina-ser-presidente-ser-vitoria-texto-piloto-no1/#comment-5211

    Avante Leão!!!

  9. Mirne Says:

    Bote fé que a leoa vai levar fumo dia e noite, noite e dia. É fumo chegano e fumo entrano.

  10. Humberto Says:

    Velho, vc sabe que não é comum a gente partilhar a mesma opinião sobre o mesmo tema. Desde os tempos de Facom que essa salutar diferença de credos, cruzes e quetais nos acompanha. Mas desta vez concordo em gênero número e grau com tudo que vc disse aí. Inclusive que de “superação e superação” subiremos.
    Aos incréus, fica a lição de Esperimentalgiani, que apesar de beber querosene com redbull é um dos poucos treinadores que o Leão teve em sua recente história capaz de enxergar o jogo, fazer pequenas alterações, ainda no decorrer da partida ou no intervalo, e mudar completamente a postura do time.

  11. elmo Says:

    Pois eu tive certeza que Neto ia brocar de falta.

  12. Matheus Bueno Says:

    Empatar com uma draga que mal saiu da Série C é uma HUMILHAÇÃO!

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