Libelo contra o império da covardia*

Na última quinta-feira, as otoridades baianas, representantes de clubes e de torcidas organizadas reuniram-se, uma vez mais, para tratar da questão da violência. A solução apresentada agora, torcida única nos clássicos, é um atestado de impotência e incompetência. O monstro foi criado e cevado – e  agora querem penalizar quem não tem nada a ver com peixe (Atenção, sardinhas, isto não é um trocadilho).

Pois bem.  O tema está na pauta e na segunda-feira tratarei dele. Para iniciar a prosa, reproduzo um texto do menino Anrafel publicado aqui mesmo há pouco mais de dois anos.

Libelo contra o império da covardia

janeiro 30, 2010

Por Anrafel*

No início, era a Bamor. Não se sabe que diretoria cometeu aquele que não foi o maior nem o menor erro na gestão do Bahia: dar corda (recursos) demasiadamente aos caras.

Hoje a gang, digo, a organizada se subdivide em ‘distritos’. Deve ter recebido consultoria de algum policial, provavelmente de quem, reprovado no psicoteste, recorreu ao Judiciário (nunca mais escrevo Justiça) para ingressar na corporação. A intenção é claramente bélica, de confronto.

Mas aí veio a Os Imbatíveis. Diante da estrutura da organizada rival a intenção era fazer uma espécie de guerra de guerrilha. Nunca foi suficientemente desmentido o projeto de confrontar violentamente a Bamor. Não são de hoje os encontros marcados pela Internet, é capaz até da polícia ter disso conhecimento.

Vale observar que a TUI se consolidou na era Paulo Carneiro, que, inclusive, se tivesse algum apreço pelo torcedor, arregimentaria da milícia os seus seguranças. Mas, não, ao que parece, preferiu funcionários do seu arquiinimigo Marcelo Guimarães Pai.

Na verdade, existe uma guerra mais ou menos declarada. Não me surpreenderia se, semelhante ao tráfico de drogas que paga estudo para futuros advogados, as duas quadrilhas financiassem academias de jiu-jitsu ou vale-tudo para o seu destacamento de vanguarda.

Hoje, o ovo da serpente está prestes a arrebentar e justo naquela que já foi a praça futebolística mais aprazível, mais civilizada. A polícia limita-se a combater eqüestremente (deixa o trema, revisor membro de organizada!) as conseqüências (idem!) e a imprensa, ah a imprensa! Limita-se a dizer que trata-se de uma minoria – só que 49% em relação a 51% também é minoria.

Torcendo para que a coisa não degringole de vez, fico pensando: meu Deus, será que até para torcer as pessoas precisam fazer parte de uma confraria? Por que não torcer à capella e, na hora certa, solicitar o acompanhamento festivo dos amigos? Ou seria covardia, prevendo companhia para o desejado confronto?

Eu achava que em termos esportivos a anomalia principal era ficar 2 horas em frente à televisão assistindo vôlei de praia. Agora, com esses psicopatas, mudei de idéia. Tarja preta neles. Ou cadeia.

* Anrafel é uma sigla, um homem, um mito, um pentelho que sempre está à espreita na briosa caixa de comentários desta intimorata.

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4 Respostas to “Libelo contra o império da covardia*”

  1. canijah de moreré Says:

    Querido Franci e Anrafael, que maravilha de reflexão. Precisamos fazer um movimento contrário a esse Estado de Sítio que essa juventude transviada vem fazendo com a vida do futebol, e, em foco, o torcedor. Esse debate já venho fazendo com os meus alunos pela rede CARA-DE-LIVRO. E o resultado vem sendo muito gratificante. Mas precisamos levar esse debate para as escolas. É um tema transverssal, de acordo com os PCNs (parâmetros curriculares nacional), junto com o Ministério Público e representantes da SUDESB, FBF, e seus respctivos realizadores (vc e Francineide).

    • Anderson Nunes Says:

      Perfeito e parabéns canijah de moreré

      Realmente o caminho de tudo sempre tem origem na educação e se estamos aqui hoje propondo soluções contra esta barbárie é porque de alguma forma fomos agraciados com o sabor da educação de qualidade em algum momento de nossas vidas. Portanto nada mais pertinente de atacarmos os centros educacionais, as associações de bairro e outros ambientes que aglomerem esta juventude que está sem rumo e acabando com o destino de pais de família que saem todos os dias de casa para cumprir seus deveres e em um dos poucos momentos de lazer que existe durante a semana ter ceifado seu direito a vida.

      Contem comigo para escalonar esta campanha…

  2. Anrafel Says:

    Pois é, sêo Franciel e amigos, que revertério! De exemplo de convivência entre torcidas rivais estamos agora tentando importar isso aí.

    Bate aquela raiva, aquele sentimento de impotência. Ah, nossas otoridades! A tristeza e a canalhice não têm fim.

  3. elmo Says:

    Quando Neto Japoneis, esse mito do esporte matou no peito no meio de duas sardinhas(eles ainda nem tinham esse apelido) e fuzilou no canto esquerdo do goleiro tricolorido na quela tarde noite chuvosa, a taça voltava a ser do leão, eu bem acompanhado de mais 4 rubro negros que infrentaram comigo os 100km que separam minha residencia do santuario, vi o 2° gol com Ramon de penalti, vibrei, cantei e tudo mais que mereciamos, a taça foi entregue comemos um churasquinho de gato e mais de 1 hora apois o ultimo apito quando saimos do estadio eis que tive a melhor visão da inha vida as sardinhas espremidas por um cordão policial estavão pagando uma prenda por ter gritado que acreditavam e eram forçados a testemunhar a festa da nação rubro negra a chuva que lavava nossa alma fazia os tricoletes tremer de frio e vergonha.

    É muito triste saber que talveis isso não exista mais, digo a gozação saldavel, epero realmente que a torcida unica não passe na Bahia.

    SRn

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