Enfim, o Futebol (sem covardia)

Estes tempos temerarios, que assombram nossa besta e (ainda) bela provincia, colocaram o medo na (des) ordem do dia. Porem, ao contrario do que pensam alguns incautos, o medo, por si so, nao se constitui em um problema.  O inverso pode ser o verdadeiro. Ter medo nao eh feio. Alias, historicamente, na trajetoria da humanidade neste vale de lagrimas, o medo foi (e eh)  responsavel por promover nossa sobrevivencia. Ele, o medo, pode ainda proporcionar mudanca, pois, em certas ocasioes, nos incentiva a tomar atitudes. O que eh abominavel eh a covardia. Esta, sim, eh condenavel e soh nos encaminha para imobilizacao.
Eh obvio que nao vou falar aqui sobre o que vi e ouvi nos ultimos dias nas ruas, becos, ladeiras e vielas de Soteropolis porque daria um tratado sociologico, mas no fundo tudo se resume a duas palavras: FALTA DE ESCULHAMBACAO. Entao  nao gastarei minha voz rouca com esta putaria.
Vou falar eh de jangada, que eh pau que boia.
Comecei falando sobre a diferenciacao entre medo e covardia porque eh fundamental para entedermos o que se passou com o Vitoria neste inicio de campeonato. Desde a partida contra o ECPP lah em Conquista, o tecnico Toninho Cerezo lancou mao de tres volantes. Na ocasiao, achei compreensivel porque iriamos jogar fora de casa, contra uma equipe arrumada, que eh candidata ao G-4 , e, principalmente, porque  a zaga, com o menino Dankler jogando pedra em santo, nao inspirava confianca.
Pois muito bem. Ou melhor, pois muito mal, porque o nosso tecnico achou que a covardia dos tres volantes era o caminho a ser seguido contra os fraquissimos itabuna e flu de feira. E o que eh pior: tres volantes contando com o auxilio preguiucoso de Lucio Flavio, que eh mais lento do que as obras do metro de Salvador. Como resultado, colhemos dois empates vergonhosos.
Diante disso, ontem ele fez o que deveria: abandonou a covardia. Eh fato que corremos risco. Poderia ter dado tudo errado. A sardinha feirense, inclusive, comecou tocando a bola e poderia ter levado o jogo em banho maria e saido com um empate.
Mas fomos premiados pela ousadia. E, numa bela jogada de Mineiro, Dinei abriu o placar. Na sequencia, o menino Arthur Maia mostrou uma vez mais que num estah pra graca. Deu uma arrancada de deixar messi com inveja, encarou e driblou os zagueiros e sofreu penal. Neto cobrou o melhor penalty de sua carreira e botamos 2 x 0 no placar. No placar eh modo de dizer, pois o data show continua uma lastima. No final da primeira etapa, numa falha do goleiro fizemos o terceiro.
A verdade, porem, eh que o placar, digo,  o datashow, foi elastico para o futebol apresentado. Basta lembrar que Dinei, durante boa parte do primeiro tempo, teve que voltar ao meio para armar jogadas, jah que aquele camisa 10 eh um passageiro da agonia.
Por falar no referido, o segundo tempo comecou com a cara do disgramado, numa maresia do cao. E ia nesta batida ateh que Marquinhos comecou o aquecimento. Antes mesmo de entrar em campo, ele jah modificou tudo, contagiando a torcida. E nao soh a torcida. Até este malamanhado teclado canandense melhorou, conforme vocês verão a partir de agora, com acentuação correta e as porras.
O sacana franzino entrou (lá ele) com gosto de querosene. Toques rápidos, dribles desconcertantes, inteligência na movimentação, chutes a gol e o caralho aquático. É fato que a saída do atual camisa 10 (num escrevo mais o nome dele) e a entrada de Geovani contribuíram para a melhoria do time. Aliás, nem mesmo quando fez três gols no deslumbrado sardinha de Feira, o time jogou como nos momentos em que Marquinhos estava em campo.
É importante, porém, que fique registrado para a posteridade que o retorno de Marquinhos não foi marcado somente pelo bom futebol, não. Houve algo além e indizível. Poderia chamar de vibração. No entanto, foi mais que isso: foi uma especie de catarse. Inclusive, mesmo após o término da partida ele vibrava como se tivesse feito oito gols. Enfim, nestes tempos temerários, Marquinhos não teve medo de ser feliz nem de fazer a  torcida feliz.
E foi assim, numa jogada que ele teve a participação decisiva, que o Barradão assistiu a um dos mais belos gols de sua história. Mas isto é outra história, que contarei amanhã, porque o estoque de Cepacol acabou desde ontem e a putaria ta comendo solta aqui na repartição onde labuto.
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18 Respostas to “Enfim, o Futebol (sem covardia)”

  1. Saulo Daniel Says:

    Preclaro, dos seus notáveis dizeres pude extrair o seguinte fragmento: “(…) ta comendo solta aqui na repartição onde labuto”. De posse da ciência de que esta intimorata emissora por vós sustentada além de ser um compromisso sério com a verdade, paz mundial, erradicação da pobreza e outras mumunhas recomendadas no preâmbulo de nossa Magna Carta, é também uma grande diversão para o escritor e seus fiéis colaboradores. Destarte, devo inferir que o colendo amigo estava se ocupando com o lazer em pleno ambiente de trabalho. Porém, meu fulcro com essa constatação depreendida do depoimento do editor deste hemdomadário não é acusá-lo de nada (se resolva com sua chefia), porém é refletir no porquê de tal conduta não se refletir também no futebol. Pela primeira vez no ano eu tive a sensação que o time do Vitória se divertiu (um pouco) enquanto jogava. Eu sei que o Ministério da Chatice emitirá incontineti uma portaria conclamando que o pebolismo é coisa séria e aquela chibança toda que ninguém mais suporta ouvir, mas eu estou sendo muito chato, ou só o Kid Bengala pode ter prazer enquanto trabalha? O futebol de obrigação que vinha sendo praticado me causa ojeriza, se divertir na hora do trabalho faz parte! Grande abraço e depois eu escrevo mais, pois tenho de terminar uma petição que o prazo é hoje!

    • moises sales Says:

      porra saulo, vai ser prolixo assim na casa de paulo cerqueira… brincadeira. mandou bem, ótimo complemento. torço para que a tal da vibração de marquinhos segure o time até a 37ª rodada do brasileirão/2012.

  2. Marcio Melo (@marciosmelo) Says:

    E o primeiro que gritar que Riberildo, o mago, tá fazendo falta depois de Marquinhos, o capetinha, voltar a infernizar os jogadores adversários, merece ficar de pé no CAB.

  3. J Mocota Says:

    Belo texto Franciel.

    Parabéns!!!

    Plac, Plac, Plac…

    Avante Leão!!!

  4. Deivid Says:

    Eu avisei que não SOMOS dependentes de Rildo… nós ESTAMOS dependentes de Rildo… ou melhor, ESTÁVAMOS…

    Quem tem a ganhar com isso é o Vitória. Vai ter um trio de 2º atacantes muito forte, com Rildo, Marquinhos e Índio…

    SRN

  5. Borba Says:

    Esqueceu de falar (ou não notou o seguinte):

    A entrada (lá ele) de MARQUINHOS foi tão contagiante, tão benéfica, que até Neto Baiano conseguiu algo que ele nunca jamais em nenhuma vida dos planetas do sistema solar havia conseguido – dominou a bola lindamente nos petcho e ao invés de dar uma bicuda pra escanteia, rolou a redonda na medida pro menino Maia largar o balaço.

    Amém.

  6. canijah de moreré Says:

    E porra aí que a banda toca, pai! Do mesmo jeito que Prisco é a alegria da categoria militar baiana, Marquinhos é a tradução do futebol do ECV.

  7. Fabio Says:

    Como sempre Franciel, você tem o domínio da escrita, do linguajar culto e popular ao mesmo tempo. Otimo texto, parceiro.

  8. Ruan Amorim Says:

    Gostei do texto seu Franciel.
    É bom saber que escreve com maior regularidade;
    Sempre é bom ler críticas construtivas que visam sempre o engrandecimento do nosso ECV.

  9. mateus Says:

    ô gente né pq o cara tá queimado que esse silêncio deve se manter! o passe de Ueliinton cheio de técnica hein? bala!

    o que acham da idéia do sa X VI de branco?

    alguém vi um lateral esquerdo por aí? urgente!!!!
    SRN!

    • canijah de moreré Says:

      Tem um lateral esquerdo dos bons lá pras bandas da Boca do Rio, um tal de Moreré, discípulo de Esquerdinha. Francié que o diga!!!

  10. breno Says:

    Putaqueopariu o baianês! Caralho aquatico ! Nunca mais tinha ouvido, pensei que nunca mais ouviria esta expressão. huahauhauhauhauhau

  11. J Mocota Says:

    Franciel,

    Quando Neto Baiano fizer o quinquagésimo gol pelo Vitória você poderia fazer um texto bem bacana para homenageá-lo?

    Avante Leão!!!

  12. Anrafel Says:

    E essa improvável homenagem deverá contemplar o goleiro do Juazeirense. Um sujeito que comete um pênalti daqueles tem que levar algum tipo de ‘homenagem’.

    Falando em pênalti, Alan Henrique acaba de se superar.

    Artur “Cabeça de Arromba Navio” Maia correu muito no primeiro tempo pra não produzir nada. Dinei não precisou correr muito para não produzir nada. Tá claro que ele não tá se sentindo bem naquele posicionamento.

    E, caray (aquático ou não), o que será mais feio o gramado (?) do Adauto Morais ou a cara de Clodoaldo?

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