Com tiranos não combinam Rubro-Negros corações

Ao contrário do presidente do Vitória, que não sabe se vai ou se fica, esta rouco locutor não fugirá jamais à luta. Por isso, apesar da bordoada deste domingo, ou talvez exatamente por causa dela, decidi largar todos meus afazares, e cá estou de volta. Na verdade, voltarei esta semana. Por enquanto, fiquem com este excelente texto escrito por meu amigo Pedro.

Por Pedro Caribé

Sinceramente, senti poucas emoções nesta final trágica contra o Bahia de Feira. Todos os gritos que lancei nas arquibancadas foram de fundo basicamente racional, contra a diretoria e o técnico. Por alguns instantes achei que o torcedor acompanha a atual gestão num tom alienado. Nenhum protesto, somente críticas sem emoção e dispersas em jogadores, técnico e até no juiz. Não havia se quer um clima fúnebre ao sair do Manuel Barradas

Depois pensei bem… . O que estava em falta era a paixão. Sim! Os rubro-negros em 2011 estão sem apego aos jogadores, as cores, aos cânticos e ao estádio. Sim, a torcida do Vitória precisa de motivação, ser cativada, acolhida. Foram cinco anos de gás descomunal entre a Série C e a final Copa do Brasil. A direção não soube aproveitar o embalo, continuou a desqualificar o público no estádio, não contratar bons profissionais, não fazer ações de marketing. A torcida cansou, não sente a recompensa de atravessar a cidade num aguaceiro, pegar engarrafamento, ruas estreitas e ônibus cheio para ver uma final insossa.

Continuo a achar que a Era Barradas chegou ao fim. Não apenas o estádio, ultrapassado e já carregado de decepções. Mas também o comando do clube por sobrenomes como Portela, Tanajura, Falcão, Rocha, Barradas e etc. O Vitória deixou de ser um clube segmentado, decidido por famílias em tom amador. Agora é fato, os dirigentes comandam uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do país.

Paulo Carneiro era um “novo rico” sem a veia aristocrática, capaz de idéias mirabolantes para estimular a massa, além de tato empresarial fundamental ao futebol. Após a sua saída parecia ser o fim da época dos tiranos. A torcida, talvez como numa antes em sua história, tinha assumido os rumos do clube. Porém isso se limitou as arquibancadas, aos salões dos aeroportos e as ruas da cidade.

Faltou àqueles que dirigem a capacidade de responder aos anseios. Criar mecanismos para a paixão ser materializada no dia a dia do clube e propiciar as conquistas almejadas. Sinto que os briosos rubro-negros herdaram desta terra o desejo por fazer das suas mãos transformações vinculadas ao mais fresco espírito do tempo, como na Revolta dos Búzios.

Eis que o Movimento Somos Mais Vitória se apresenta como alternativa para dar liberdade a essa paixão estancada. Se por enquanto não é possível uma participação mais igualitária e principalmente conquistas, é a hora de radicalizar, porque o lema é: Com tiranos não combinam / Rubro-negros corações!

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7 Respostas to “Com tiranos não combinam Rubro-Negros corações”

  1. Juvenal Says:

    Quando serão as proximas eleições?

    • Rubro negro triste Says:

      Nas proximas eleições não podemos votar em José Serra. O sacana criou os genéricos e deu no que deu. Um generico matou mais de 20 mil pessoas numa tarde!!! Jose Serra nunca mais!!!

  2. moises sales Says:

    bela análise, mas gostaria de trazer outros aspectos tão importantes quanto.

    não fui ao estádio, sequer me dei ao trabalho de assistir o jogo na tv. para mim as partidas das finais já tinham se resolvido com a eliminação de nosso tradicional freguês das duas últimas décadas, com o especial prazer de presenteá-lo com o primeiro decênio sem títulos. mutatis mutandis, nada justificaria que o time reserva do vitória perdesse para o incolor genérico, quanto mais o time profissional. portanto, àqueles que choram a derrota, há males que vêm para o bem: professor antonio lopes, com toda a experiência e até mesmo o carisma de vovô, mostrou-se um tremendo pé-frio no vitória; nikão, amarelou nas finais; elkesson, vai com deus! e por aí a fila deve andar. entendo apenas que o time/diretoria deve ter cuidado com alguns nomes, sobretudo aqueles que se tornaram ídolos nos últimos anos porque, como regra, os ídolos são, quase sempre, a própria cara do time e o elo importantíssimo entre o grupo e a torcida. com esse raciocínio, limar nomes como o de viáfara (não vinha bem mas nem por ísso é culpado pela derrota) e mesmo como foi feito com o pitbull vanderson e talvez até com o reizinho é sempre algo precipitado como mesmo duvidoso. penso que profissionais dessa estirpe, que deram glórias recentes e demonstraram sincero apreço pelo clube devem ser contemporizados, preservados como uma espécie de reserva moral para a torcida e para o grupo também. mas como estes nomes já são passado para o vitória, fica o recado, a fim de que não caíamos no exemplo do incolor (original) cujos ídolos recentes foram moré, nonato e quejandos. no mais, da mesma série de “há males que vêm para o bem”, que bom que copa do brasil e baianinho 2011 se foram. o foco é outro e quem não quiser disputar a série B com gosto de querosene na boca que faça que nem o (recruta) 01: peça para sair!

    vida que segue.

    tenho dito.

  3. Nilvaldo Loureiro Says:

    Tenho meu SMV faz 13 meses. Quando poderei votar, ao menos nos conselheiros ???

  4. DAVID Says:

    Perfeito o seu texto

  5. Max Says:

    Franciel e demais rubro-negros,

    Hoje é 19 de maio. Dia do aniversário de Julian Ramiro Viáfara Mesa, El Paredón!
    Há exatamente um ano, ele foi o herói daquele jogo que determinou que o Vitória seria finalista da Copa do Brasil. Hoje, ele está sendo enxotado pela porta dos fundos, não apenas por causa de três pênaltis perdidos, e uns dois ou três gols sofridos que pareciam fáceis de evitar (diga-se de passagem, isso é nem se compara em magnitude com os feitos dele); mas sobretudo porque ele não se deixou abater, não perdeu a auto-confiança e a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, ele iria superar tudo isso e fechar o gol como ele fez tantas e tantas vezes, e ainda brocar uns golzinhos de vez em quando, como ele também já fez, chamando a responsabilidade pra si em momentos cruciais em que os outros tremiam. Marra? Pose? Impáfia? Só um pouquinho… só pra irritar os rivais, principalmente os incolores. Mais que isso, ele tinha a manha de como funciona o futebol, e tinha a manha de como ele mesmo funcionava, tinha o “eye of the tiger” dos vencedores. Torço muito pelo sucesso dele. A fase ruim vai passar, e ele ainda vai fazer muitas defesas sensacionais, uns golzinhos de lambuja aqui e acolá, e ainda vai irritar muito as torcidas adversárias com aquele jeitão que tanto nos divertiu por tanto tempo. Vai demorar muito pra gente ter outro ídolo do calibre dele! E a gente vai ficar vendo o cara brilhar pela TV, e sentindo saudades. E, qualquer dia desses, ele ainda pode fazer um gol em cima da gente, em pleno Barradão. E aposto que o cara não vai comemorar, em respeito a todos nós.

    Feliz aniversário, Paredão!

    • moises sales Says:

      é isso, max, fiquei extremamente preocupado quando vi a diretoria limar nossos últimos ícones, dentre eles agora o aniversariante, gente desta estirpe em extinção de jogadores que devotam amor ao clube. ainda mais com essa renca de louro a pulso que desembarcou essa semana, tudo com cara de mercena…

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