Azul VERMELHO e Preto

Por Marcos Carneiro*

Depois de tantos óbitos o governo cedeu. Em acordo aceito pela PM, MP, Bamor e TUI foi definido uma forma de acabar definitivamente com a violência nos estádios baianos. A partir daquele dia estaria tudo resolvido. Foi feito um cadastro de todos aqueles dispostos a definir este assunto de uma vez por todas e no dia marcado estavam todos lá.

Foram pra um campo neutro, porém cercado por todos os lados. Era obrigatório o uso da sua respectiva camisa de torcida “organizada” e não poderia entrar ninguém armado. Foi dado o sinal e a decisão começou.

O objetivo era simples: matar uns aos outros, sem direito a desistências. Em volta do campo as pessoas assistiam ao espetáculo na maior tranquilidade, inclusive ingressos foram vendidos para cobrir os custos com os sacos funerários. A TV também transmitiu para diversos países do mundo pelo PPV, as vendas bombaram. E o pau comeu, a madeira piou.

Um a um caiam os gladiadores do futebol baiano, alguns não duraram nem o 1º minuto, outros resistiram bravamente, mas mesmo estes suaram pra passar dos 15 minutos iniciais. Nem a corda do Chiclete no seu auge tinha visto tamanha pancadaria. O sistema era bruto.

Após os 15 minutos, veio o “intervalo”: cães da PM invadiram o recinto, bombas explodiam a rodo, gás de pimenta dava um molho extra ao evento e as armas brancas foram liberadas. As cenas faziam do Coliseo um parque infantil. Mas aquilo tudo já estava para acabar, pois só restaram 2 caras em pé. Um de cada time.

Eles se avistaram de longe, no meio daquele mar de sangue e partiram um pra cima do outro, empunhando suas armas, mas ao chegarem perto uma surpresa, se reconheceram e caíram em prantos. Eram irmãos. De sangue. Ensanguentados. Se abraçaram. E foram juntos em direção à saída. Ao tentarem abrir o portão foram impedidos. A regra era clara: apenas um sairia vivo. Um deveria matar o outro ali mesmo, sem piedade, estava no contrato, pra poder acabar a rivalidade (pois sem adversários não há por que brigar, o ditado mesmo diz que quando um não quer dois não brigam).

Não adiantou o argumento dos caras de que não sabiam que o outro iria. Enquanto eles se lamentavam juntos um dos cães aproveitou o momento fraterno e estraçalhou a cabeça de um deles, o outro correu em direção à saída, desta vez liberada! Logo após sair ele desmaiou.

Acordou no hospital, com um recado de que deveria ir buscar seu prêmio, havia ganho um carro do ano, top de linha. E assim foi.

Uma semana depois sofreu um acidente de trânsito, bateu violentamente numa das pilastras que dizem ser do futuro metrô de Salvador. Morte instantânea. Segundo a perícia, no local não havia sequer uma marca de freio.

E foi a última morte violenta de um torcedor baiano. Tudo voltou ao normal. Amém.

P.s: antes do Bavi estava comendo uma água da porra com uma galera lá no posto. Amigos tricolores e amigos rubro-negros, inclusive tinham alguns ex-integrantes da Bamor e da Tui. Tudo gente boa, juntos, dividindo a mesma latinha. E mesmo com a cachaça comendo no centro não teve sequer uma confusão, só zoação sadia.

A bebida não é o problema, o Bavi sempre foi assim, com esse clima legal desde a época da muvuca na ladeira da Fonte. Uma minoria irracional é que anda tentando desvirtuar a alegria do nosso povo. Sei que nas “organizadas” não são todos assim, mas existem vários que só vão pra brigar. “Corajosos” quando estão em maioria, covardes em minoria. Pra eles umas dicas: vão se matar entre si, longe da nossa festa, rebanho de sacanas! Melhor, vão procurar uma mulher (garanto que é muito mais interessante do que ficar se atracando com outros homens) e deixem os humanos se divertirem em PAZ.

* Texto publicado originalmente no blog bahia porra de lá eles e reproduzido com autorização dos sacanas. 

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13 Respostas to “Azul VERMELHO e Preto”

  1. Lucas Serra Says:

    Estava conversando dias desses, eu cheguei a assistir alguns BAVI’s na Fonte Nova, e nem faz tanto tempo assim, e gostava do clima. Tinha torcida mista e tudo, sem briga.

    Hoje as coisas mudaram bastante, é uma pena. Tb não acredito que a bebida com álcool seja o problema, os motivos são tantos que prefiro nem enumerar, mas as principais são a falta de respeito e educação.

    SRN

    • Daniel... Says:

      Lucas,

      Sou RN mas não posso me furtar de reconhecer que essa violência que presenciamos hj vem crescendo com o mesmo ritmo que vem aumentando a torcida TUI. Não me lembro de presenciar violências desse tipo antes do surgimento da uniformizada rubronegra.
      Por outro lado, a BAMOR, mesmo antes da existência da TUI, sempre foi mais truculenta do que as uniformizadas rubronegras que existiam à época, como a Leões. Lembro-me de ter, algumas vezes, presenciado a BAMOR intimidando a torcida rubronegra, mas, na maioria das vezes, tudo ficava na intimidação. Agora o que vemos é um estado de guerra nunca visto na Bahia, e, infelizmente a TUI vem colaborando muito para essa situação.
      A torcida do ECV nunca teve como característica a truculência. Isso, alias, sempre foi um motivo de orgulho pra mim. Foi!!! Porque hj as coisas mudaram de maneira vertiginosa.
      O que me incomoda é a falta de critica incisiva por parte de nós RNS contra esse tipo de atitude da NOSSA própria torcida.
      SRNs

  2. zobaran Says:

    Quem diria! Texto do BBMP por aqui. Em breve, teremos a fusão dos times, criando o Bavi FC.

    Eu acredito.

  3. RADI Says:

    Gozações a parte mas a coisa é séria,eu que já perdi um amigo tricolor num ba x vi, confesso que vou a esses jogos com um certo receio,afinal,vida só temos uma.Que bom seria se as gozações se limitassem apenas em cima dos resultados,mas infelizmente,depois dessa praga chamada crack (não confundir com bom jogador),nossa juventude em grande parte está perdida e com a proibição da cerveja nos estádios,acredito que esses caras já saem de casa com a “cabeça feita” a fim de patrocinar as lamentáveis cenas,cada vez mais comuns em bavis,infelizmente.

  4. Cury Says:

    Carneiro, belo texto, mas esse é especial pra você:

    Texto do Ba x Vi: http://www.vitorianobarradao.blogspot.com

    Vídeo do Ba x Vi: http://www.youtube.com/watch?v=DQcO3s353-o

  5. Lionel Says:

    Alguém sabe me dizer o que se sucedeu com o canalecvitoria.com?

  6. Logan Says:

    Por mim prendia todos um dia antes dos jogos e só soltava um dia depois, não ia acabar mas diminuiria bastante a violencia.

  7. Airthon Says:

    Pode até ser que nem todos os integrantes de organizadas vão pro estádio pra brigar, porém é fato que todos eles sabem ou tem noção de que essas torcidas já viraram organizações ligadas essencialmente à violência. Vivem focadas no confronto e qualquer um que veja seus símbolos e sinais ou escute seus cânticos percebe isso. Mesmo os pacíficos tem culpa, portanto.

  8. Anrafel Says:

    Grande post. Voltarei a ele mais tarde. É que eu estou de férias e as chibanças etílicas estão começando na quinta-feira.

  9. Fredson Says:

    Franciel,

    Primeiramente PARABÉNS por reproduzir o texto do BBMP. OS caras são feras e você demonstrou que tem bom senso. Acho que quando o assunto for PAZ, a rivalidade tem que dá lugar à irmandade que sempre imperou entre rubro-negros e tricolores. Alguns integrantes da TUI e da BAMOR são IDIOTAS que ficam disputando qual torcida é mais violenta e nós não podemos admitir isso. A FBF e o MP deveria proibir torcida organizada(?) em BA x vi porque sempre tem algum IDIOTA que procura confusão.

    Briga, só no campo e com lealdade!!!!!

  10. Anrafel Says:

    No início, era a Bamor. Não se sabe que diretoria cometeu aquele que não foi o maior nem o menor erro na gestão do Bahia: dar corda (recursos) demasiadamente aos caras.

    Hoje a gang, digo, a organizada se subdivide em ‘distritos’. Deve ter recebido consultoria de algum policial, provavelmente de quem, reprovado no psicoteste, recorreu ao Judiciário (nunca mais escrevo Justiça) para ingressar na corporação. A intenção é claramente bélica, de confronto.

    Mas aí veio a Os Imbatíveis. Diante da estrutura da organizada rival a intenção era fazer uma espécie de guerra de guerrilha. Nunca foi suficientemente desmentido o projeto de confrontar violentamente a Bamor. Não são de hoje os encontros marcados pela Internet, é capaz até da polícia ter disso conhecimento.

    Vale observar que a TUI se consolidou na era Paulo Carneiro, que, inclusive, se tivesse algum apreço pelo torcedor, arregimentaria da milícia os seus seguranças. Mas, não, ao que parece, preferiu funcionários do seu arquiinimigo Marcelo Guimarães Pai.

    Na verdade, existe uma guerra mais ou menos declarada. Não me surpreenderia se, semelhante ao tráfico de drogas que paga estudo para futuros advogados, as duas quadrilhas financiassem academias de jiu-jitsu ou vale-tudo para o seu destacamento de vanguarda.

    Hoje, o ovo da serpente está prestes a arrebentar e justo naquela que já foi a praça futebolística mais aprazível, mais civilizada. A polícia limita-se a combater eqüestremente (deixa o trema, revisor membro de organizada!) as conseqüências (idem!) e a imprensa, ah a imprensa! Limita-se a dizer que trata-se de uma minoria – só que 49% em relação a 51% também é minoria.

    Torcendo para que a coisa não degringole de vez, fico pensando: meu Deus, será que até para torcer as pessoas precisam fazer parte de uma confraria? Por que não torcer à capella e, na hora certa, solicitar o acompanhamento festivo dos amigos? Ou seria covardia, prevendo companhia para o desejado confronto?

    Eu achava que em termos esportivos a anomalia principal era ficar 2 horas em frente à televisão assistindo vôlei de praia. Agora, com esses psicopatas, mudei de idéia. Tarja preta neles. Ou cadeia.

  11. Fábio Monteiro Says:

    Pois é Franciel. Brigar por futebol é ridiculo. Qual a graça teria se só existisse uma única torcida?

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